A TRILOGIA DAS FLORES
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O Canteiro de Rosas Azuis
A batalha já se estendia árdua noite adentro; muito sangue já fora de derramado indo se misturar com as poças de água da chuva e muita lama. Os shinobis não desistiam, jamais. Mesmo que seu oponente fosse Orochimaru.
E pensar que duvidavam da veracidade daquela pista.
Orochimaru parou sobre a cabeça da enorme serpente. Todos também pararam para encará-lo, raivosos. O Chakra da Kyuubi podia ser sentido de longe emanando do corpo de Naruto.
- Não tenho mais razões para continuar esse ataque - ele disse com um meio sorriso - Vocês já destruíram muitos corpos valiosos, vou embora, mas vou levar um prêmio de consolação.
Com essas palavras ele desapareceu de cima da cabeça da serpente para reaparecer atrás de Hinata, agarrando a morena pela cintura após desacordá-la com um golpe e desaparecendo deixando sua última palavra vagando no ar:
- Adeus.
- NÃO! - o grito de Neji ecoou quebrando as palavras de Orochimaru. Correu até onde a prima se encontrava antes, mas não pudera ir atrás dela, fora necessário Gai, Tenten e Shino para segurá-lo - HINATA!
- Neji, se acalme! - pedia Kakashi olhando a cena.
Naruto apertou os punhos quase os fazendo sangrar, Kiba deixou cair algumas lágrimas que se misturaram com a chuva enquanto Akamaru gania baixinho ao seu lado, Sakura caiu ajoelhada no chão.
- Hinata! - ouviram Neji chamar pela última vez para depois cair de joelhos socando o chão lamacento o mais forte que conseguia. Os que o seguravam o soltaram, ele não iria fazer mais nada. O rastro de chakra de Hinata tinha se dissipado.
- Orochimaru deve ter levado-a para junto de Sasuke - disse Kakashi olhando para o céu sem estrelas ou lua.
- Agora - Naruto se pronunciou, sua voz parecia embargada - Eu já perdi dois amigos para aquele desgraçado.
- Naruto - Sakura o chamou ainda no chão - Nós... Vamos reencontrá-los.
"E quando fizermos isso..." Naruto e Neji tinham o mesmo pensamento "Eu vou matar Orochimaru com as minhas próprias mãos".
O alto daquela montanha parecia desabitado, sem sinais de vida, com florestas densas e pedras pontiagudas a rodeando, impedindo a subida de qualquer mortal, envolta por uma densa neblina que não deixava ninguém enxergar um palmo em frente aos olhos. Não alguém que tivesse um olhar normal.
Hinata continuava desacordada, a chuva havia ficado longe deles. Esfriava conforme subiam mais alto na montanha para entrarem numa longa gruta dando para uma enorme mansão construída em seu centro, muito elegante.
Quando adentraram no lugar o ar úmido fez Hinata começar a recuperar os sentidos, ainda sentindo-se mole pelo golpe, levantou vagarosamente as pálpebras. Estava amarrada e Orochimaru a carregava. Conseguiu distinguir um vulto de que se lembrava vagamente, com óculos e cabelos prateados, que levantou a cabeça do livro que lia assim que o Sanin adentrou o centro do recinto, um pátio que a volta ficava a mansão de estilo oriental.
- Bem vindo, Orochimaru-sama - ouviu o jovem de cabelos prateados pronunciar.
- Kabuto - a voz de Orochimaru chiou e o rapaz se levantou - Vá chamar Sasuke.
- Eu já estou aqui - ela ouviu aquela voz, mas não reconheceu de imediato, estava mais grossa e poderosa. Sentiu seus músculos se retesarem. Lá estava ele, o amigo pela qual Naruto lutava tanto para levar de volta a Konoha, tão perto de si, mas tão impotente para tentar fazer qualquer coisa.
Levantou um pouco a cabeça pra fitá-lo. Os olhos negros estavam fixos em si.
- Eu trouxe um presente pra você, Sasuke-kun - Orochimaru soltou Hinata sem nenhuma delicadeza que caiu com um baque surdo no chão de terra, rolando-a com o pé para perto de Sasuke que se encontrava um pouco elevado pela plataforma de madeira que era o corredor da varanda - Uma companhia, espero que seja do seu agrado.
Ela sentiu uma fraca dor pela batida, seu corpo parecia dormente. Sua visão começava a se turvar de novo, sentia que iria desmaiar a qualquer momento.
Pôde ouvir os passos de Sasuke descendo a escada de madeira e se aproximando dela.
- Hinata Hyuuga - ele sussurrou pensando que a garota estava inconsciente demais para entender qualquer coisa - O que pretende que eu faça com ela?
- Ora, ela é sua - Orochimaru deu um sorriso mais que malicioso para o jovem Uchiha - Pode fazer o que quiser com ela - e começou a se afastar, subindo as escadas com Kabuto em seus calcanhares - Bom proveito!
E o vulto de Orochimaru, assim como Kabuto, sumiu de seu campo de visão. Conseguiu distinguir Sasuke agachando-se perto de si, os olhos sérios e tão ou mais frios do que se lembrava. Sentiu-se sendo levantada e depois a dormência lhe atingiu o cérebro.
- Karin, saia daqui - seu cérebro ainda estava com dificuldades e cansado para processar informações, mas estava voltando a recuperar a consciência. Conseguia distinguir claramente a voz de Sasuke, mas não tinha forças para se mexer ou abrir os olhos.
- Por que, Sasuke? - uma voz feminina perguntou delicadamente, para no segundo seguinte tornar-se rude - É por causa dessa sem-graça que o Orochimaru lhe trouxe, não é?
- Saia daqui! - a voz do rapaz se elevou.
- Quer saber? Fique com sua vadia particular! - e a última coisa que ouviu foi à batida brusca da porta de madeira corrediça. Sentiu uma espécie de peso com aquelas palavras.
A kunoichi ouviu o bufo pesado que Sasuke soltou, mas não prestou atenção nos próximos movimentos do rapaz, estava mais preocupada em saber onde estava. Sentiu-se quente e bem confortável e fez um esforço para abrir os olhos e se ver em um futón macio e quente.
Conseguiu sentar-se e olhou em volta. Estava com o futón posicionado perto de uma porta e com certeza não era a que havia sido batida, pois se encontrava com uma pequena fresta aberta onde um canteiro seco podia ser visto, rodeado por rochas escuras e uma alta abertura no teto de onde vinha um brilho solar intenso, já deveria ser fim de tarde. Algumas roupas masculinas estavam penduradas em um cabide ali perto, uma mesa baixa de centro a separava da porta na outra extremidade e Sasuke sentado no canto, a katana apoiada no peito e o braço sobre a perna direita flexionada. Levou, por reflexo, a mão até a bolsa de kunais presa em sua coxa, mas não a encontrou, também não sentiu as três kunais que levava dentro do casaco.
Sentia que não poderia falar. Estava com um pouco de medo, mas mais que isso era o cansaço que impedia as palavras de chegar até sua boca. Querida dizer tantas coisas: que Naruto tinha saudades, que ele deveria voltar e que ele era muito querido na Vila da Folha, mas simplesmente não conseguia.
Ele não a encarava, olhava para baixo, para seu próprio corpo. Não tinha nada para dizer, era a primeira vez que reencontrava a garota desde que a deixara na porta da casa dela depois de entregar-lhe a última rosa negra. Ele ainda podia se lembrar de cada detalhe. Chovia e não fora um adeus.
A Hyuuga sentia frio, apesar de estar coberta. O suor escorria-lhe pela face avermelhada. Ela arfava um pouco e sentia que não conseguiria sustentar nada em seu estômago. Voltou a deitar-se e puxou a coberta enquanto ficava apenas analisando o teto. Já cuidara muitas vezes de Hanabi quando ela apresentava aqueles sintomas que tinha agora, estava com febre na certa.
Pode ouvir a porta corrediça de madeira ser aberta na outra extremidade do quarto e pensou, por um momento, que a tal Karin havia voltado, mas foi uma voz suave que perguntou:
- Deseja que eu traga o jantar, Sasuke-sama?
Mas Sasuke não respondeu, apenas levantou-se e saiu do quarto fechando a porta atrás de si.
Voltou minutos depois e colocou a katana em cima da mesinha baixa de centro. Hinata encarou-o, mas continuava a ver apenas os olhos negros e frios de sempre. Sasuke tinha fugido para obter poder com Orochimaru, o que ela esperava? Que ele começasse a se abrir e revelar os sentimentos mais profundos que afligiam o seu coração? Isso com certeza não iria acontecer.
O shinobi ajoelhou-se perto dela e um baque ressonou pelo quarto quando ele colocou a bandeja sobre a mesinha e uma tigela ao lado da moça.
- Consegue se sentar? - ele perguntou e Hinata esforçou-se para apoiar-se nos cotovelos e erguer um pouco o tronco. Em uma pequena xícara de porcelana branca o rapaz entregou-lhe um chá de aspecto horrível - Fará sua febre baixar.
- Obri... Obrigada - e bebeu o conteúdo de um único gole, sentindo o líquido amargo arranhar-lhe a garganta. Teve que fechar os olhos para não cuspir tudo.
Deitou de novo e pode sentir o corpo relaxar e um cheiro agradável de ervas inundou seu nariz assim que sentiu a umidade da toalha molhada que o Uchiha depositou sobre sua testa. Se tivesse forças teria agradecido novamente.
O jovem voltou para o seu canto e para a mesma posição e a garota continuou a fitar o teto por mais incontáveis minutos; pensando nos vários porquês de Sasuke estar tratando-a dessa maneira, porque pelo que tinha entendido que Orochimaru dissera, agora ela era a escrava de Sasuke, trazida apenas para satisfazer seus caprichos. E talvez fosse exatamente por isso que ele estava cuidando dela, para não deixar a escrava morrer.
Pensou em Naruto e em Neji e em Kiba e em todos os amigos que ficaram no campo de batalha muito longe dali, apesar de não saber onde estava. Pensou na irmã e pensou se seu pai estaria feliz por terem retirado-lhe dos ombros o estorvo de ter uma herdeira fraca ou se estaria desapontado pela filha ter-se deixado capturar tão facilmente. Será que ele teria castigado Neji por deixar tudo isso acontecer? Será que tinha parado um momento para preocupar-se se a filha estava viva ou morta? Hinata acreditava fielmente que ele só tinha fechado os olhos por um instante sem mudar a expressão e depois continuado à vida.
Sasuke veio tirar a toalha de sua testa para novamente banhá-la e recolocá-la no lugar mais duas vezes até que a morena sucumbiu ao odor das ervas e ao cansaço e adormeceu.
O pano úmido não se encontrava mais na sua testa quando acordou, nem Sasuke estava no quarto. Não se sentia mais cansada e a febre tinha sumido completamente e agora só a fome prevalecia. Bocejou longamente e levantou os braços espreguiçando-se antes de olhar para a porta que dava para o canteiro maltratado e observar a lua aparecendo pela alta abertura na rocha.
Sentiu um cheiro bom e olhou para dentro do cômodo. Sobre a mesinha um delicioso e generoso jantar esperava, quentinho, para que a morena o devorasse sem nenhuma piedade. Aos pés de seu futón encontrava-se uma troca de roupa e uma bacia com objetos de higiene pessoal.
Parece que quem deixara aquilo para ela pensara em tudo.
"Será que foi Sasuke quem fez isso tudo?" mesmo que não acreditasse muito nesse pensamento, não pôde evitá-lo. Deveria ter sido alguma criada depois de Sasuke ordenar-lhes para manter sua escrava viva.
Olhou para suas próprias roupas. Estavam todas rasgadas e sujas com a lama do campo de batalha. Aproximou-se da bacia de água e fitou seu reflexo; quase não se reconheceu de tão suja que sua face se encontrava. Começou a despir-se e pegou a primeira peça de roupa ao lado, um quimono amarelo com detalhes brancos enfeitando as mangas e uma faixa vermelha e fina para apertar sua cintura. Prendeu os cabelos e lavou demoradamente as mãos e o rosto, para depois começar a se servir daquele banquete sobre a mesinha de centro. Eram tantas coisas e com um gosto tão bom que nem se preocupou em pensar que poderia estar envenenado ou coisa do tipo. A refeição não estava nem pela metade quando Hinata sentiu-se satisfeita.
Ela ficou um tempo olhando a refeição. Aquilo era muito pra ela, com certeza. Sentiu pena de deixar sobrar tanta comida. Pensou, então, em chamar a criada para poder guardar aquela comida para mais tarde ou, como podia ver pela abertura no teto de pedra, para o dia seguinte. Levantou-se, o quimono caia-lhe somente até o joelho.
Abriu um pouco da porta que dava para o corredor lentamente para ver se tinha alguém do lado de fora. Tudo estava mortalmente silencioso. Colocou o tronco para fora do quarto observando os dois lados do corredor. Ativou sua linhagem e fitou a direita. Os corredores ali estavam vazios, mas logo à frente ela viu mais quartos e em um deles uma garota entrava indo juntar-se a um rapaz deitado em um futón. Tratou de desviar a atenção de lá imediatamente seguindo mais a frente onde conseguiu distinguir Sasuke, parecia estar em uma arena, e ele lutava com um rapaz desconhecido, ao lado duas moças preparavam refeições e lavavam pratos e tigelas. Achara a ala das criadas, mas não iria correr o risco de ir a um lugar tão longe da proteção do quarto em que se encontrava agora, pois próximo àquele local não tinha ninguém.
Tentou buscar uma saída, tinha que arranjar um jeito de voltar para a Vila da Folha. Buscou um pouco mais, dessa vez a esquerda, onde viu o local em que Orochimaru a jogara no chão, a entrada, mas não tinha idéia de como faria para sair, parecia não haver nenhuma abertura em lugar algum.
Em um quarto mais a frente ela encontrou o próprio Orochimaru e aquele jovem de cabelos prateados chamado Kabuto, rodeados por livros e pergaminhos. Ela forçou um pouco a visão para saber do que se tratavam os pergaminhos que o Sanin lia, mas sentiu uma pontada em sua cabeça. Achou melhor parar e desativou a linhagem, estava se esforçando demais.
Tornou a fechar a porta, alguém viria buscar aquelas coisas alguma hora, então somente arrumou os pratos sujos e guardou o futón e a coberta em um armário que achara acoplado a parede. Lá tinha outro conjunto de dormir como o dela. Terminou de guardar as coisas calmamente e dirigiu-se até a porta que levava ao canteiro, mas ao tentar empurrá-la ela não se mexeu.
- Deve... - Hinata tentou empurrar de novo murmurando pra si mesma - Estar emperrada.
Desistiu, não tinha conseguido mover a porta nem um centímetro do lugar em que estava. Analisou aquela abertura que não deveria ser maior que trinta centímetros. Virou-se e deslizou por ela sem dificuldade. Analisou por um tempo aquele círculos de pedra, o canteiro um pouco abaixo e depois a abertura. A lua já tinha ido embora.
Sentou-se na beirada do chão com os pés balançando em direção ao canteiro. Estava presa no covil de um dos ninjas mais procurados da Vila da Folha e, quem sabe, do mundo, junto com Sasuke Uchiha e tudo o que podia fazer era ficar observando um canteiro horrível e balançando os pés. Sabia que se fosse qualquer um dos seus amigos que se encontrasse nessa situação já teria saído destruindo tudo ou fazendo um escândalo, mas Hinata era diferente.
A garota estranha e tímida, ninja sem inimigos. Suspirou. Já estava cansada de saber de tudo aquilo.
Ela não ouviu quando a porta foi aberta e um Sasuke de cabelos molhados e vestido com um quimono de banho branco entrou no quarto, nem quando ele trocou o quimono branco por um azul muito escuro que estava pendurado num dos cabides. Só o ouviu quando a porta rangeu e se abriu fazendo a kunoichi se virar em susto. Sentiu seu coração subir até a garganta.
Sasuke entrou na varanda e sentou-se ao lado de Hinata, silencioso, observando tudo a sua volta com o maior cuidado, enquanto Hinata o observava. Os seus traços estavam mais salientados e másculos, assim como seus cabelos estavam mais arrepiados e sem a bandana de Konoha enfeitando-lhe a testa ele parecia diferente.
Desviou sua atenção do Uchiha e concentrou sua visão em suas mãos sobre o colo. Mesmo que a situação não a necessitasse continuava a sentar com as costas dolorosamente eretas. Um hábito que adquirira com os treinamentos de sucessão da liderança do Clã.
Dias e mais dias passaram-se rápidos como brisas e todas as noites os dois ninjas repetiam o ritual de sentarem-se em frente ao canteiro murcho, em silêncio. Nenhum dos dois se deu ao trabalho de perguntar ou tentar entender porque faziam tal coisa, só gostavam de fazê-lo e isso bastava.
Hinata começara seus afazeres logo no segundo dia, antes de Sasuke acordar fora até a ala das criadas e preparara para ele o café da manhã com a ajuda das duas moças que lá trabalhavam, Neyumi e Sora. Assim que as conheceu elas insistiram em chamar a garota de Hinata-sama, mas Hinata desconversava dizendo que era apenas mais uma criada, como elas. Criada de Sasuke. Neyumi e Sora trocavam olhares cúmplices e não diziam mais nada além de "Sim, Hinata-sama". Era também, acompanhada das duas, que tomava banho em águas termais. As termas ficavam na direção esquerda com relação ao quarto de Sasuke, um local que não vira com seu Byakugan.
Não encontrou a tal da Karin ou o moço com quem ela se deitou no futón no dia em que procurava as coisas com seu Byakugan. Tão pouco viu Orochimaru, mas encontrou Kabuto algumas vezes entre o quarto de Sasuke e a ala das criadas. Ele lhe sorria simpático, arrumava os óculos e continuava seu caminho.
Mas somente no décimo nono dia ela teve um real conversa com o Uchiha. Estavam juntos em mais um ritual silencioso de observar o canteiro e um vento frio soprava pela abertura do teto. Fora Sasuke quem começara a conversa.
- Logo virá o inverno - ele disse sem desviar os olhos do canteiro - Quer saber por que esse canteiro é tão feio, Hinata?
Ela sentiu um arrepio com a maneira com que ele pronunciou seu nome. Sacudiu a cabeça afirmando e o moreno prosseguiu:
- É um canteiro de Rosas de Neve. Flores que só desabrocham durante o inverno e mantém esse aspecto horrível durante as outras estações.
- Flores de inverno? - a voz da garota soou baixinha, para si mesma, analisando o que Sasuke lhe contara sobre o canteiro. Agora entendia o motivo. Sorriu miúdo. Mais cedo naquele dia ela teve a idéia de pedir a Sasuke para poder tratar do jardim. Virou-se para fitar o moreno, o sorriso ainda nos lábios - Quer... Ch-chá, Sa-sasuke-sama?
Ele ficou surpreso. Era a primeira vez que se falavam diretamente e era a primeira vez em que Hinata o chamava de Sasuke-sama.
A garota fora trazida à força para servir de criada em um covil inimigo, com a família e os amigos dela preocupados em um lugar muito longe dali e ela estava cumprindo seu papel de criada espetacularmente bem. Será que ela estava se sentindo triste? Não aparentava. Solitária? Menos ainda. Desprezada? Essa era a pergunta sem resposta.
- Chá? - ele repetiu a pergunta ao sair de seus devaneios - Não, não quero chá.
- Ce-certo - ela voltou a olhar para frente, sorrindo. Não entendia qual era o motivo para tanto sorriso.
- Hinata, você se sente desprezada? - ela olhou para ele e encontrou os olhos negros - Por passar de herdeira de Clã a criada?
A morena abraçou as próprias pernas e o sorriso desapareceu.
- Poucas... Poucas co-coisas na minha vida - a Hyuuga conseguia falar sem gaguejar muito - Foram escolhas mi-minhas... Ser herdeira... Ser criada.
Ela fez uma pausa e olhou pra cima.
- É es-estranho, Sasuke-sama. Eu não sou como... Como Naruto-kun que sairia fa-fazendo um escândalo para escapar daqui, eu... - nessa hora ela sorriu largamente fitando o Uchiha - Me sinto bem aqui... Ser-servindo você.
"Se sente bem de estar no covil inimigo?" pensou Sasuke observando-a corar muito e voltar a olhar a abertura do teto. Não entendia o sentimento dela em relação a se sentir bem naquele lugar, ela deveria estar desesperada para ir embora dali. "Essa garota é estranha".
Resolveu não perder o assunto com ela. Sentia-se confortável conversando com alguém que participou de uma etapa da sua vida em que ele ainda não era considerado um traidor. Depois de tanto tempo tinha muitas coisas para dizer a quem pudesse lhe escutar.
- Como estão as coisas na Vila?
- Tudo está b-bem e... Todos cresceram e ficara muito fo-fortes - ela imaginou que ele quisesse saber um pouco sobre a própria Equipe - Naruto-kun ficou... Muito habilidoso e mais esperto e Sakura-chan... Ela a-aprendeu muito Jutsus médicos.
- Hm.
- Eles estão... Determinado a te le-levar de volta a... Konoha, Sasuke-sama.
- Eu sei, mas não posso voltar - Hinata encarou a expressão lívida de Sasuke - Antes eu preciso vingar meu Clã.
Ele levantou-se e deixou a varanda.
Nos dias que se seguiram o frio se intensificava conforme o inverno avançava. Eles abandonaram os quimonos de verão por alguns mais grossos de inverno.
Durante a tarde Hinata sempre parava e ficava observando Sasuke treinar, aquele rapaz que vira pela primeira vez com o Byakugan não treinava mais com ele. A garota ficava em algum lugar em volta da arena esperando ele terminar uma seqüência para aproximar-se dela e beber o chá que lhe serviria. Lembrava-se de Neji quando faziam isso, quando ela levava o chá para o primo e o pai quando treinavam.
Três dias depois da primeira conversa deles, Sasuke estava treinando e Hinata o observava, até que o rapaz parou e chamou a criada que foi até lá, perguntando assim que se aproximou:
- Quer algo, Sasuke-sama?
- Quero - ele depositou a katana de volta na bainha e levou-a para perto de onde Hinata deixara a bandeja de chá - Quero que você treine comigo.
- Ma-mas... Eu? - a kunoichi arregalou os olhos perolados. O que é que aquele rapaz tinha na cabeça?
- Sim. Você também é uma ninja, não é? - ele ficou na frente da morena - Vamos!
Ao dizer isso ele avançou até Hinata que, assustada, com as mãos espalmadas e liberando uma pequena quantidade de chakra atingiu três pontos de chakra pertinentes no corpo do Uchiha que sentiu uma dor aguda subir-lhe pelo ombro e atingir sua cabeça.
Essa era à força dos Hyuuga?
Tentou uma abordagem diferente pegando-a desprevenida por trás, mas com movimentos perfeitos ela conseguiu desviar de seu golpe e afastou-se dele caindo graciosamente em pé, as mãos espalmadas emanando chakra.
Hinata rapidamente fez alguns selos com as mãos, selos que Sasuke lembrava-se conhecer, mas não se lembrava qual Jutsu invocava. Mas não precisou esperar muito, um raio cortou o céu e veio se juntar ao lado de Hinata. O raio se intensificou tomando a forma de um dragão imenso.
"Estilo Trovão: Tornado do Dragão Relâmpago" pensou vendo o dragão ficar na frente da garota, a boca escancarada "Pensei que ela só soubesse ninjutsus do Clã Hyuuga, como...".
Ele não terminou seu pensamento, o grande dragão amarelo se dissipou e Hinata deu alguns passos até Sasuke, os olhos emanando medo. Assim que os últimos raios dourados do dragão se extinguiram ele pode ver o que deixara a kunoichi assustada. Orochimaru acabava de sumir por uma das portas.
Eles voltaram a treinar depois que o susto com a presença do Sanin passou. Sasuke jamais imaginara que Hinata conseguisse evoluir de tal maneira, não parecia àquela garotinha tímida e quietinha de muito tempo atrás. Agora ela ficara muito forte, com seu próprio esforço.
Deveria imaginar que, como Naruto e Sakura também treinaram com Sanins Lendários, deveriam estar mais fortes ainda.
Com o cansaço Sasuke se esquecera de perguntar como ela aprendera os Jutsus de Trovão que lhe mostrara, além do dragão, muitos outros. Mas ela já tinha ido até as águas termais, perguntaria depois.
Cansada do treino Hinata afundou-se até a cabeça naquela deliciosa água quente, relaxando todos os músculos e baixando a guarda totalmente. Nadou até o outro lado da terma, distante da porta, e colocou os braços pra fora da água encarando as paredes de pedra e deixando o tempo passar.
Sasuke ficara muito forte, ele e Naruto empatariam em uma luta frente a frente.
Apoiou a cabeça nos braços e ficou perdida em pensamentos sobre si mesma. Quando aquele senhor lhe presenteou com o pergaminho de Jutsus do Trovão como recompensa por salvar sua família. De como também se esforçara para ficar forte, para que Naruto a notasse. E conseguira. Ser seqüestrada por Orochimaru definitivamente faria com que ele notasse. Suspirou pesadamente.
Suigetsu passou pelo quarto de Sasuke, mas ele não estava. Sora dissera que ele havia acabado de treinar, então se não estava no quarto deveria estar nas termas. Voltou para seu próprio quarto, trocou suas roupas pelo roupão de banho e uma toalha branca indo em direção as salas de banho logo depois.
Entrou sem ruído na sala de banho onde deixou o roupão em um banco e enrolou a toalha na cintura, conseguia ouvir a água se mexer nas termas, então Sasuke estava lá mesmo. Deslizou a porta e observou. Do outro lado da terma estava uma pessoa de costas, mas definitivamente não eram as costas de Sasuke. Eram delicadas e pareciam macias.
No momento em que entrou na água a pessoa do outro lado de virou assustada e ele reconheceu, lançando-lhe um sorriso com seus dentes pontiagudos.
- Você a criada do Uchiha - disse para Hinata que procurou se encolher mais e se cobrir da melhor maneira que conseguiu. Infelizmente aquele rapaz de cabelos brancos estava entre ela e a saída e aproximando-se - Não precisa ter medo de mim. Qual é o seu nome?
A garota não sabia o que fazer. Não sabia quem era aquele rapaz, nem se era bom ou ruim. Tentou se encostar ainda mais na pedra. Seu olhar estava fixo no jovem de orbes brancos, mas ele sumiu diante deles. Ela piscou duas vezes para saber o que tinha acontecido. Parecia que ele tinha se dissipado em água.
- Não se preocupe - o rapaz reapareceu, estava perigosamente perto de Hinata, ela conseguia sentir a sua respiração em seu ombro. Não estava gostando nada da aproximação - Eu não mordo.
Ela não se sentiu nem um pouco encorajada com a frase, porque ele lhe deu um sorriso mostrando bem de perto todos os dentes brancos e pontiagudos.
- Eu sou... - ele começou, mas uma voz cortou o ar como gelo.
- Suigetsu! - os dois olharam para a entrada das termas. Sasuke estava parado lá, os punhos apertados e somente uma toalha amarrada na cintura. Seus olhos sérios refletiam vermelhos.
- Sa... Sasuke - ele ouviu a garota ao seu lado sussurrar aliviada e andar abraçando o corpo na direção do moreno. Ele, por sua vez, entrou na água e, pegando uma toalha encostada na borda da pedra e enrolou o corpo nu da Hyuuga assim que ela se aproximou o suficiente. Saíram da água com o Uchiha abraçando a menina.
- Não quero te ver perto dela outra vez - e bateu a porta atrás de si deixando Suigetsu na sala de banho franzindo as sobrancelhas. Voltou-se para a garota que colocara o roupão de banho por cima da toalha e estava sentada em um banco, suas bochechas alvas encontravam-se extremamente vermelhas. Ele agachou-se para ficar da altura dela - Você está bem?
- Sim, ele... Ele só me a-assustou um pouco.
Sasuke mantinha as mãos nos ombros da jovem, não ousava soltá-la com medo de que alguma coisa pudesse lhe acontecer. Ela o fitou e ele não desviou o olhar demoradamente.
Os olhos perolados da garota mostravam surpresa e compreensão e ternura, enquanto os olhos negros mostravam preocupação e possessão e até uma ponta de desejo misturado com ciúmes, mas esses últimos sentimentos Hinata não conseguiu distinguir.
Sasuke a soltou por tempo suficiente para poder pegar o seu roupão e vestir. A Hyuuga se levantou do banco pouco tempo depois.
- Pode ter-terminar seu banho, Sasuke-sama - abriu a porta do corredor - Posso... Voltar sozinha.
- Eu tomei banho de ducha - respondeu se aproximando - Pensei que você estivesse com Sora e Neyumi.
E enlaçou a cintura da morena começando a guiá-la de volta ao quarto. Hinata podia ter jurado que o rosto de Sasuke estava em um tom rosado, não tão intenso quanto o seu próprio, mas ele estava corado.
Nos dias que se seguiram Sasuke teve o cuidado de não deixar Hinata sozinha. Ele acordava mais cedo e, ao invés da morena ir buscar o café da manhã, ele quem ia. Depois iam treinar e almoçavam juntos na cozinha, com Neyumi e Sora. Treinavam mais um pouco, pausavam para o chá e o moreno se certificava que pelo menos uma das criadas fosse com Hinata tomar banho nas termas.
Conforme os dias assim passavam o inverno não deixava de avançar. Já estavam naquele mesmo esconderijo fazia dois meses e a neve já caia em volta deles. Os quimonos passaram a ser bem quentes e eles tiveram que suspender alguns treinos por causa de dias absurdamente frios.
Estavam sentados na varanda do canteiro, cobertas envolvendo seus corpos, observando um ou outro floco de neve que conseguia passar pela abertura. Muitos flocos já conseguiram passar a ponto de deixar o canteiro inteiramente branco.
A garota sentia-se tentada a pular até lá e brincar com a neve o dia todo, mas lembrava-se do que Sasuke lhe dissera sobre as Rosas de Neve e esperava pacientemente até elas aparecerem.
Somente ela mesma sabia o quão bom era estar com ele durante aquelas noites, em silêncio ou conversando sobre algo trivial, juntos na varanda sob a fresta de céu noturno. Seu coração parecia um tambor, acelerando e desacelerando, rápido e lento. Sentia que ele poderia explodir tamanha sua felicidade. Gostaria de poder continuar com aquelas noites junto com ele, mas algo lhe dizia que estavam para acabar.
Como uma fiel seguidora de seu coração não iria mais esperar e confessaria seus sentimentos. Não esperaria tanto como fez com Naruto, fora um erro. Só teria que conseguir reunir a coragem necessária. Mesma coragem que precisara reunir para aceitar aquela missão.
Sasuke se levantou.
- Hinata, vamos entrar, está tarde - ele disse e não precisou esperar a resposta dela que já o seguia. Ela entrou e ele fechou a porta.
- Sasuke-sama, quer que eu vá lhe buscar um chá? - ela deixara de gaguejar na presença do Uchiha, as conversas entre eles passaram a ser constantes e começarem fluentemente, apesar de um silêncio constrangedor se instalar, ás vezes. Acostumara-se bem a morar naquele lugar, apesar de nunca sair da presença de Sasuke, e ainda mais da companhia do jovem vingador Uchiha.
- Não quero chá - ele não queria era que a morena saísse do quarto - Mas vou buscar pra você, se quiser.
- Não, Sasuke-sama - ela sorriu-lhe deixando que suas bochechas ruborizassem sem medo. Pegou os futóns no armário e, afastando um pouco a mesinha de centro, arrumou-lhes lado a lado separados por um pequeno espaço.
O portador do Sharingan deitou-se primeiro virando-se de costas para a garota. Ela fez o mesmo logo em seguida e virando-se ficou fitando as costas do moreno. Foi fitando ele há poucas noites que finalmente percebera o que tinha acontecido.
No começo achara que Sasuke só a protegia por ser sua criada e não queria ninguém mais lhe tocando, mas Sora deixara escapar um comentário de que Sasuke olhava para Hinata de uma maneira diferente e isso a fez começar a pensar que o sentimento que o vingador nutria por si era maior, como um caloroso sentimento de proteção que um irmão deve ter, assim como Neji o tinha.
Neji... Ele era uma das pessoas de quem sentia mais falta.
E conforme Hinata pensava nos sentimentos de Sasuke para consigo, não conseguiu evitar que seus próprios para com ele mudassem quase que imperceptivelmente. Fora uma coisa sutil e bombástica ao mesmo tempo. E, vergonhosamente, admitira ser mais uma participante do Fã Clube do rapaz. Fã Clube esse que, depois da partida do rapaz da Vila da Folha, reduzira-se a Sakura e Ino e agora ela também.
Ela esticou a mão por baixo da coberta até ela tocar o quimono do rapaz. Levemente foi acariciando suas costas com medo de que ele acordasse a qualquer momento e ralha-se com ela, mas ele parecia já haver adormecido. Continuou deslizando a mão vagarosamente até deter-se alisando as madeixas negras e arrepiadas.
- Sasuke - os sussurros começaram a sair de sua boca antes que pudesse controlá-los - Como eu pude... Como pude esquecer... Naruto e passar a... Amar você? - ela sentia lágrimas pinicarem o canto de seus olhos, prontas para cair e o fariam a qualquer momento - Porque sou... Condenada a amar quem não me corresponde?
Ela desencostou rapidamente a mão dos cabelos negros para levá-la de volta para junto do corpo como se com as mãos junto ao peito pudesse deter a dor de seu coração e as lágrimas de começaram a cair como cascatas de seus olhos perolados.
Fechou os olhos e secou as lágrimas, mas antes que pudesse abri-los de novo sentiu uma quentura e um peso sobre seu corpo assim como lábios sobre os seus. Arregalou os olhos e viu a silhueta do Uchiha sobre de si. Ficou sem reação alguma até o pedido para aprofundarem ainda mais o beijo.
Seus lábios frios chocavam-se em desespero e desejo com os lábios quentes de Sasuke. As mãos dele percorrendo e explorando seu corpo lhe davam uma sensação de prazer indescritível e que nunca sentira antes.
Naquela noite de inverno deixou-se ser possuída por Sasuke Uchiha. Ela era dele e ele, dela.
Ao acordar sentiu-se revigorada, como se tivesse nascido de novo.
Sasuke já tinha saído, mas o futón do lado continuava desarrumado e esparramado pelo quarto.
Sentou-se na casa e demorou alguns minutos para se lembrar da noite anterior e corar violentamente. Olhou para o seu corpo, corpo que fora tocado, beijado e explorado de todas as formas por Sasuke. Corpo que agora vestia a parte de cima do quimono do rapaz, branco, que lhe cobria por inteira.
Sentiu um cheiro adocicado invadir suas narinas e olhou em volta não acreditando no que seus olhos lhe mostravam quando fitou a cabeceira da cama. Um vaso branco cheio com maravilhosas rosas azuis que pareciam emanar luz própria. Eram de uma beleza inigualável. Aproximou-se para sentir melhor aquele aroma e deparou-se com um bilhete escorado ao vaso. Pegou-o e leu, era a letra de Sasuke:
"Não sei como aconteceu,
mas fico feliz em dizer que eu lhe correspondo, Hinata.
Sasuke".
Ela sorriu imensamente com o bilhete e apertou-o contra o peito.
Ao abrir os olhos deparou-se com a porta que dava para a varanda aberta e de lá uma luz azulada emanava iluminando toda a extensão do circulo de pedras. Engatinhou até lá e ficou observando as flores azuis em uma dança conduzida pela brisa fresca, a neve entre elas. Parecia o mar ou o céu ao anoitecer.
- Hinata - Sasuke entrara no quarto e assim que a chamara a garota se virou imediatamente. Ele tinha um rosto sério e ela ficou preocupada - Vamos embora.
Sasuke conseguira. Havia matado Orochimaru e libertado todas as suas experiências. Formava um grupo com Suigetsu, Karin e um tal de Juugo que Hinata não vira antes, mas que tinha um olhar que a assustava tremendamente. Eles saíram daquele covil, não tinham mais motivos para permanecerem lá.
Hinata ficara com o coração apertado com a idéia de deixar Sasuke, pois ele tinha-lhe dito que enviara uma mensagem a Konoha dizendo que era para Neji e Naruto os encontrarem a meio dia de viagem da Vila. A cada passo seu coração acelerava na expectativa de voltar para casa e desacelerava na expectativa de deixar o Uchiha.
"Eu sou um vingador" as palavras dele ecoavam em sua cabeça "Quando minha vingança estiver concluída eu volto para Konoha".
Quando chegaram ao campo marcado como local de encontro seus olhos se arregalaram. Não só Neji e Naruto estavam ali, mas Sakura, Sai e o Time de Neji, seu próprio Time e o Time de Ino, Shikamaru e Chouji. Somente eles, sem senseis, sem ANBUs.
Assim que ficaram frente a frente os raios dos olhares se chocando entre Naruto e Sasuke foi quase mortal. Alguns sorriram com a cena, outros fitavam os companheiros do Uchiha.
Sakura buscava o olhar de Sasuke com todas as suas forças e uma única vez o Uchiha retribuiu, mas a rósea só conseguiu ver seus olhos negros e inexpressivos. Ele não mudara nada no quesito sentimentos, continuava com o coração fechado, foi o que ela pensou.
- Não podemos demorar - Karin se pronunciou e em concordância Sasuke se virou para Hinata.
- Até logo - e entregou-lhe uma rosa azul. A mais bonita do canteiro.
Virou-se uma última vez pra encarar Naruto e os quatro desapareceram.
Akamaru foi o primeiro a se aproximar, cheirando Hinata por inteiro. Kiba o imitou e então Neji e Shino foram até lá. Aos poucos todos se juntaram e fizeram uma rodinha em volta da garota perguntando mil e uma coisas. Ela os tranqüilizou dizendo:
- Eu vou... Contar tu-tudo depois que... Entregar o relatório de-dessa missão a Hokage-sama - corou com a aproximação de todos os seus amigos. Kiba sentiu um cheiro diferente no corpo da amiga e torceu o nariz quando reconheceu, mas depois ficou de boca aberta.
- Hinata - ela se virou para encará-lo e Kiba fungou alto, ela entendera que tinha acontecido o que ela temia - Você, ele...
- Kiba - o movimentar de lábios foi suficiente, ele se calou, mas torceu o nariz.
E voltaram para Konoha.
Felizes com a morte de Orochimaru, ainda mais contentes com a volta de Hinata.
Tudo ainda não tinha acabado, precisavam destruir a Akatsuki que iria vir atrás de Naruto para conseguir a Raposa de Nove Caudas. Precisavam, também, concluir a tarefa de trazer Sasuke de volta a Konoha.
Ainda tinham um longo caminho a trilhar, um caminho tortuoso como pode ser, às vezes, e como também pode ser macio, sem dificuldades. Esses caminhos macios são os mais difíceis de encontrar na vida de um shinobi.
Para Hinata só restava esperar e se tornar forte, mas agora com um sorriso no rosto e a cabeça erguida, pois conseguira entender o significado das sete rosas negras que Sasuke lhe trouxera anteriormente.
Sete rosas negras que se tornaram uma bela rosa azul.
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Olá! o/
Bem, como prometido o segundo capítulo da Trilogia das Flores. Em particular foi o capítulo que eu menos gostei de escrever, porque as passagens de tempo são muitas e eram detalhes demais pra escrever, mas eu espero que vocês gostem.
O próximo capítulo é o último e prometo que estará melhor que esse.
AGRADECIMENTOS:
Prii O.
Ida-chan
Marih-chann
Hiei-and-Shino
Sophia.DiLUA
Miimi-chan '-'
Ciane
Bianca Bion
Loii-Purple-chan
Diny
Hyuuga Caroline
OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, E-Pontas!
