A TRILOGIA DAS FLORES

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As Duas Rosas Brancas

Sasuke Uchiha se encontrava de frente ao conselho da Vila Oculta da Folha, Tsunade situava-se no centro da comprida mesa. Dois agentes ANBU o ladeavam e suas mãos estavam presas por grossas algemas.

Ele tinha os olhos sérios fitando a Godaime, mas não eram raivosos ou maliciosos, eram somente satisfeitos. Ele ouvia atentamente sua sentença disposto a aceitá-la e pagar dignamente por todos os seus crimes anteriores.

- Sasuke Uchiha, por traição você está condenado a passar três anos de sua vida num regime fechado sem sair de uma sala fortemente guardada, afastado da Vila e de qualquer contato com qualquer pessoa - começou a Hokage - Não sairá do quarto e um agente ANBU lhe servirá as refeições.

O moreno não disse nada, continuou na sua posição impassível e satisfeita, afinal, tinha conseguido cumprir seu objetivo de matar Itachi e então aceitara facilmente o pedido de Naruto, quando o encontrou, de voltar para a Vila. Já conseguira sua vingança, agora seu único objetivo era reconstruir seu Clã e três anos preso em algum lugar fechado não seriam nada.

- E quando sair, daqui três anos, você será acompanhado a todos os lugares por um Jounin - Tsunade retomou o discurso - Se não aceitar esses termos para se redimir será imediatamente executado. Você aceita?

Sasuke não respondeu de imediato. Suspirou pesadamente e piscou.

- Aceito


- Hei, Hinata-chan! - a voz de Naruto ecoou pelas ruas de Konoha até chegarem aos ouvidos da ninja do outro lado da rua. Ela olhou para o loirinho que, acompanhado de Sakura, estava sentado numa das banquetas do Ichiraku Ramen e acenava para ela.

Aproximou-se timidamente, mas as suas bochechas não ardiam mais na presença do Uzumaki e sua gagueira já tinha quase desaparecido definitivamente.

- Olá, Na-naruto-kun - ela lhe sorriu e olhou para Sakura - Sakura-chan.

- Hinata, sente-se aqui e coma conosco - ele disse apontando uma banqueta ao seu lado - Nós estamos comemorando.

- Comemorando?

- Você não soube, Hinata-chan? - perguntou Naruto, mas o seu ramen chegou naquele instante e ele começou a devorá-lo sem esperar para responder para a Hyuuga, então ficou a cargo de Sakura.

- Sasuke-kun voltou para a Vila - a rósea disse, sorrindo-lhe abertamente com a notícia recém dada.

Naquele momento todas as sensações pareceram abandonar-lhe. Os seus olhos não enxergavam mais nada, seus ouvidos ficaram somente com o irritante zunido do silêncio, o ar escapou-lhe dos pulmões e o coração parou no meio de uma batida.

As palavras "Sasuke", "voltou" e "Vila" ficavam vagueando em sua mente e sendo sussurradas em seus ouvidos por fantasmas de seus melhores sonhos como que para que ela definitivamente entendesse o seu significado e conseguisse sair do seu transe para perguntar onde ele estava ou se estava bem, mas quando recobrou a consciência já se via perguntando, perfeitamente, sem gaguejos ou rubores:

- Onde ele está?

Os olhos de Naruto ficaram tristes, assim como os de Sakura, mas somente o loiro continuou encarando-a.

- Ele foi condenado a viver em regime fechado longe da Vila, com proteção ANBU, por três anos - disse o Uzumaki colocando longe de si a sua tigela de ramen agora vazia, mas a face tristonha deu logo lugar a um sorriso radiante - Mas eu sei que o Sasuke vai conseguir, ele disse que ainda tinha coisas pra fazer aqui fora.

- O que foi que ele disse, Naruto? - perguntou Sakura interessada. Ela não tinha ouvido o moreno dizer nada.

- Ele disse que disse que tinha assuntos pendentes com alguém - o coração de Hinata bateu uma vez mais rápido - Sobre se casar e reconstruir o Clã Uchiha.

Hinata pôde ver os olhos verdes de Sakura brilharem de alegria. Seria pelo fato de Sasuke ter retornado a Vila ou por ter assuntos pendentes relacionados a casamento? Mas ela não estava se importando, só queria vê-lo, precisavavê-lo.

"Mas como posso fazer isso?" nenhuma idéia lhe vinha à mente, nenhuma.

- E-eu... Tenho que ir - a Hyuuga levantou-se da banqueta, o segundo ramen de Naruto acabava de chegar.

- Mas já, Hinata-chan? - perguntou a aprendiz da Godaime com um sorriso.

- Sim, eu tenho... Algumas coisas pra fa-fazer - e, depois de uma reverência, seguiu na direção do Clã Hyuuga.

- Naruto - ela chamou o loiro que a olhou com a boca cheia de ramen - O Sasuke-kun disse mais alguma coisa sobre casamento?

O Uzumaki pensou um pouco e, engolindo o macarrão, disse:

- Ele sussurrou alguma coisa que eu não entendi.


A garota Hyuuga ainda não conseguia entender como tivera tanta ousadia. Ela não era de fazer essas coisas, mas precisava. Daquela vez ela abrira uma exceção à regra.

Assim que sumiu da visão de Naruto e Sakura no Ichiraku Ramen ela foi até o prédio da ANBU. Nem precisou entrar, logo perto da porta um mascarado chegava. Ela ficou por perto, sorrateira, escutando o que ele tinha a dizer ao outro:

- Você está escalado para ser o próximo vigilante do Uchiha - o ANBU que acabara de chegar disse - Ele está numa câmara á três quilômetros a leste.

- Certo, eu já vou - e assim que o agente ANBU deu um salto para a direção indicada à garota o seguiu de perto, mas voltando toda a sua habilidade ninja para não ser percebida por ele.

Eles foram correndo entre as árvores um mais silencioso que o outro. Quando ela viu as quatro paredes de pedra em que Sasuke estava sendo mantido avançou contra o agente ANBU com um golpe certeiro que paralisou todos seus pontos de circulação de chakra deixando-o desmaiado no chão da floresta. O movimento fora tão rápido que ele não conseguira ver quem era o atacante.

A kunoichi o escondeu entre alguns arbustos e arrancou-lhe as roupas para vestir-se, ela teria tempo o suficiente para ir até a câmara de isolamento e voltar antes que o agente especial acordasse. Após colocar a máscara apressou-se.


- Tsunade-sama, não é um pouco arriscado deixar o Uchiha com uma proteção mínima de um agente ANBU por turno? - Shizune olhou para a mestra enquanto servia o chá.

- Ele não vai escapar, reconhece seus crimes e vai pagar a pena de forma honrosa - a Hokage nem ao menos levantou os olhos de um relatório que lia.

- Mas e se Uzumaki Naruto quiser vê-lo?

- Naruto é um rapaz indiscreto demais, seria barrado pelo agente especial antes que conseguisse se aproximar um quilômetro.

A morena olhou para a janela de onde podia ver o céu azul constante no País do Fogo e as várias construções da Vila ao redor do prédio.

- Shizune, Sasuke Uchiha está arrependido e preso num quadrado de pedra que retém chakra a três quilômetros daqui - Tsunade irritou-se com a aprendiz e baixou o papel enquanto dizia - Com proteção de Agentes Especiais ANBU em turnos.

- Sim, Tsunade-sama.

- Então relaxe - a loira finalizou e Shizune pareceu derrotada. Olhou por uma última vez para a janela antes de se retirar da sala.


- Você está atrasado - uma voz se fez ouvir as costas da Hyuuga assim que ela se aproximou da câmara onde estava Sasuke. Ela se virou e deu de cara com outra pessoa vestida igual a si, mas com uma máscara levemente diferente em alguns detalhes.

- Desculpe - forçou sua voz a se manter firme diante do espanto de ser pega tão se surpresa.

O agente não disse mais nada, apenas desapareceu numa nuvem de fumaça e Hinata não pode evitar o suspiro de alívio que soltou e a elevação de sua mão até o peito.

Recuperando-se do choque ela observou o quadrado de pedra a sua frente. Daquele ângulo a única abertura era uma porta baixa lacrada com vários papéis de retenção de chakra e explosivos que fariam tudo ali ir pelos ares se fosse retirado. Foram colocados pela própria Hokage.

Ao colar o ouvido na porta não ouviu coisa alguma.

Deu a volta procurando alguma abertura. Deveria ter alguma ou o rapaz iria acabar morrendo asfixiado ali dentro. Deu mais uma volta e, na parede oposta a da porta, encontrava-se uma abertura na altura de seus olhos, estreita e retangular, por onde passava o ar necessário e um pouco de luz do sol.

A figura de Sasuke não se moveu quando a pequena claridade foi interrompida, ele não se preocupava com nada que acontecesse a ele ali dentro.

Hinata, que antes não sentira nada ao saber que Sasuke voltara a Vila, agora sentia todas as coisas possíveis somente ao olhar para o rapaz. Ele estava na mesma posição em que o vira quando acordara em seu quarto no esconderijo de Orochimaru: a perna flexionada e o braço a apoiar-se nessa perna, mas a katana não se encontrava mais encostada em seu peito. Mantinha a cabeça baixa com os cabelos negros cobrindo-lhe o rosto. A roupa negra de presidiário que vestia contrastava com sua pele pálida.

- Sasuke - não sabia de onde sua voz tinha ressurgido, mas lá estava ela. Soara tão baixa que tinha quase certeza que o moreno não ouvira, mas ele ouviu. Levantou a cabeça entre lenta e rapidamente. Retirou a máscara para que ele pudesse ter a certeza de que sua mente não estava lhe pregando peças.

- Hinata - a voz dele era como ela lembrava: forte, fria e autoritária.

Daquela vez ela não poderia evitar e já sentiu as lágrimas descendo por sua face a cada passo que ele dava para perto de si. Por aquele retângulo apertado de pedra eles quase não conseguiam se ver, apenas seus olhos.

- Como você chegou até aqui? - ele foi o primeiro a se recuperar e conseguir pronunciar alguma coisa.

Ela se afastou alguns passos e ele pode ver a roupa que a morena vestia, uma roupa de agente ANBU. Hinata lhe devolveu um sorriso miúdo e um rosto muito corado perante o olhar do Uchiha.

- Eu tomei a... Roupa emprestada do gua-guarda do... Próximo turno - ela conseguiu dizer completamente enquanto se aproximava de novo. O rubor não abandonando-lhe a face por nenhum segundo e as lágrimas continuavam. O rubor, as lágrimas, a pela pálida e o sorriso miúdo formavam uma mistura pela qual Sasuke era apaixonado perdidamente.

Eles não precisavam de mais palavras. Desde que ficaram juntos por tanto tempo observando aquelas murchas Flores de Inverno tinham aprendido a se entender no mais completo silêncio. Um simples olhar ou o menor dos gestos poderia dizer muita coisa. E ali os olhos negros e perolados mantinham-se enfeitiçados uns pelos outros sem conseguirem desviar-se.

- Sasuke-kun - ele piscou em sinal que estava concentrado nas palavras da kunoichi - Eu vou me tornar uma ninja ANBU.

- Hinata - ele entendera de imediato o significado daquele ato. Hinata nunca gostara de batalhas, ela era boa com todos e isso a fizera ser querida por muitos e ganhar o título de kunoichi sem inimigos e agora ela queria se tornar o tipo de ninja que nunca esperara ser para poder ficar com ele - Você não precisa fazer isso.

- Eu quero - ela estendeu a mão passando-a pela abertura na pedra e acariciando os fios negros do Uchiha que lhe caiam displicentemente pelos contornos do rosto bem feito enquanto o mesmo fechava os olhos fortemente - Eu quero estar junto de você.

- Três anos não são nada.

- Sim, não são nada.


- Tsunade-sama - um rosto mascarado estava parado no parapeito da janela, a cabeça curvada em respeito.

- Entre - ela disse parando de escrever em um pergaminho para atender o recém chegado.

- Eu vim lhe trazer os classificados do teste para Agente Especial ANBU - o mascarado agente entregou o envelope amarelo para a Hokage que o abriu e tiro três folhas de dentro. Passou os olhos pelas fotos das duas primeiras pessoas, achava-as levemente conhecidas, e então arregalou seus olhos com a terceira foto - Hinata Hyuuga?

O ANBU assentiu:

- Ela passou no testo em primeiro lugar. Terá uma carreira muito promissora como ANBU, principalmente por causa da sua linhagem.

- Sim - ela fechou os olhos e cruzou os braços, o agente ficou esperando pacientemente - Não a coloque em missões por agora, deixe-a a cargo de vigiar o Uchiha.

- Por qual razão, Tsunade-sama?

- Hinata deve ter se tornado ANBU por um motivo muito forte e quero descobrir o que é antes de mandá-la para missões mais perigosas.

O ANBU assentiu mais uma vez e desapareceu pela janela.

"Eu espero que ao menos isso" pensou Tsunade observando o céu "Tenha feito Hiashi se orgulhar um pouco dela".


Ao chegar ao lugar em que Sasuke estava ela retirou a máscara a ficou analisado-a por alguns segundos, os traços da máscara a faziam se lembrar de gato com riscos negros que formavam um "X" sobre seus olhos. Tocou a roupa que vestia na altura do peito, aquela não ficava larga para ela como a que precisara roubar outro dia para chegar até ali.

Mal podia esperar para contar a Sasuke. Ficara três meses sem vê-lo para poder se preocupar totalmente em passar no teste.

Aproximou-se da abertura e, como era noite, não projetou uma sombra tão intensa dentro das paredes de pedra. Forçou um pouco os olhos e conseguiu distinguir Sasuke lá dentro, mas ele não estava parado. Com as duas mãos ele empurrava seu corpo para cima e para baixo, flexionando-o. Uma pequena poça de suor já se formava sob ele.

- Sasuke-kun.

Ao olhar para ela, ainda fazendo as flexões, ele deu-lhe um pequeno sorriso que ela entendeu perfeitamente que era para que esperasse um pouco. Ela o fez, virando-se de costas para a parede de pedra e observando a lua cheia que brilhava palidamente no céu naquela hora.

Virou-se novamente para o retângulo e assustou-se ao ver os olhos de Sasuke logo ali, bem juntos aos seus, mas tratou de se recuperar do sobressalto e sorriu-lhe de leve, corando como nunca conseguira evitar de fazer na presença do Uchiha.

Ela não precisou dizer nada, apenas colocou a máscara por cima do rosto.

- Meus parabéns - ele disse dando-lhe um leve sorriso.

- Agora vou poder vir aqui sem ter que desacordar ninguém - ela disse.

- Mas poderá ser mandada para missões muito perigosas, Hinata - o ninja olhou com os habituais olhos sérios. Sérios, mas preocupados, cautelosos. Os mesmos olhos de quando ela acabara da encontrar-se com Suigetsu nas termas.

- Eu vou ficar bem - ela assegurou-lhe passando a mão pela abertura e acariciando-lhe os cabelos. Aquele gesto que adquirira era de extrema alegria para o Uchiha que sentia-se estranhamente completo a cada vez que os dedos finos da garota escorriam por seus cabelos.

Ele aproveitou o contato fechando os olhos e respirando tranquilamente. Na situação em que se encontrava não entendia como aquele simples toque podia lhe dar tamanha sensação de paz. Enquanto os dedos de Hinata permaneciam em seus cabelos uma sensação de sonolência o invadia e parecia que estava flutuando no vazio, para então abrir os olhos e, ao encontrar os olhos perolados da morena, sentir-se no paraíso.

- Mais dois anos e nove meses - ele disse e ela lhe sorriu.


- Eu sinto falta da Hinata-chan - dizia Kiba pulando em outra árvore, Akamaru em seus calcanhares, Shino ao seu lado e Kurenai-sensei à frente - Ela tornou-se Jounin antes que nós, só algum tempo depois do Neji.

Ninguém lhe respondeu ou fez algo relevante, então Kiba ficou quieto e foi Shino quem se pronunciou um tempo depois:

- Porque será que ela quis se tornar ANBU?

O Inuzuka o olhou para o companheiro pensando como ele poderia não saber, mas lembrou-se que fora somente ele quem sentira o cheiro do Uchiha impregnado na parceira.

- Não é óbvio? - perguntou Kurenai pousando seus olhos vermelhos sobre os dois. Eles apenas a fitaram - Homens são tão obtusos.

- Kurenai-sensei, o que você quis dizer com isso? - protestou Kiba aproximando-se dela.

- Já faz quantos meses que o Uchiha voltou? - Shino perguntou completamente alheio a conversa.


- Ino, Shikamaru, Chouji - disse Asuma para os alunos. O mais gorducho nem se deu ao trabalho de olhar para ele, estava ocupado demais comendo o churrasco recém assado - Parabéns por conseguirem se tornar Jounins todos juntos.

- Obrigada, sensei - respondeu Ino pegando uma carne da grelha.

- Sakura e Naruto conseguirão também, não foi?

- Sim - Ino respondeu - Eu nunca pensei que iria dizer isso, mas a testa de marquise ficou bem forte.

- Qualquer um ficaria forte depois de receber treinamento com os Sanins Lendários - disse Shikamaru desinteressado - Sasuke, Naruto e Sakura mostram isso.

- Eles também se esforçaram bastante, Shikamaru - disse Asuma.

O moreno não respondeu, colocou os braços atrás da cabeça e fechou os olhos.

Enquanto Ino o observava deixava que seus pensamentos vagassem até os três integrantes do Time 7. Não tinha sido apenas o treinamento com os Sanins que os deixaram fortes, eles tinham muita coragem e garra. Deixou seus pensamentos vagarem ainda mais longe, até Sasuke.

"Já faz um ano" pensou distraidamente vendo Shikamaru abrir os olhos e pegar um pedaço de carne antes que Chouji comesse tudo "Ele tem que ser forte".


Sakura caiu no chão completamente exausta. Sempre soubera que Naruto dava muito duro nos treinamentos, mas não pensara que seria tão difícil. Jiraiya pegava muito pesado com ele para deixá-lo forte o suficiente. Mais que nunca Sakura tinha certeza que ele se tornaria o próximo Hokage.

Olhou para o amigo loiro a sua frente, ele continuava a treinar. Não parava mesmo estando completamente banhado em suor, a face levemente vermelha.

- Naruto, pare um pouco - disse a kunoichi levantando-se com dificuldade, suas pernas latejavam intensamente pelo esforço - Não precisa treinar tanto.

- Preciso sim - ele respondeu sem parar - Aposto que Sasuke, mesmo preso, não está parado, tô certo.

Os olhos de Sakura se arregalaram com a afirmação do amigo. Será que Sasuke continuava treinando dentro de uma câmara de retenção?

- Só falta um ano para ele sair de lá - continuou o Uzumaki - Não posso perder pra ele.

Os olhos anteriormente arregalados de Sakura tornaram-se ternos e doces. Aqueles dois não mudariam nunca e isso era o que ela mais gostava em Naruto e Sasuke. Não importavam mais todas as diversidades por que passaram, eles eram unidos demais. Eram realmente irmãos.


"Só mais dois meses" pensou enquanto terminava as abdominais e passava para as flexões.

Não importava o lugar em que se encontrava, não podia deixar que seus músculos se atrofiassem por ficar três anos sem treinamentos. De alguma forma precisava se exercitar e o quadrado de pedra tinha espaço o suficiente para ele fazer os exercícios básicos.

Sasuke olhou para o retângulo de pedra. Naquele dia Hinata estava atrasada e ele temia o pior. Desde que ela se tornara uma ANBU para poder ficar com ele ali não se atrasara nunca, uma pontualidade que chegava a ser irritante e reconfortante. Muitas vezes ela só ficava ali, observando treinar por horas, outras eles jogavam alguns assuntos fora como os acontecimentos da Vila em que Hinata sempre procurava mantê-lo a par.

Ela não sabia como estava sendo importante estar ali com ele todos os dias. O seu semblante calmo e o sorriso pacifico era o seu reconforto para não enlouquecer preso ali. Assim como uma faca que corta, mas que não machuca, que rasga a pele e penetra em seu coração, mas não o mata, foi Hinata. Ela fora algo intenso que não tivera coragem de impedir e não se arrependia nem um pouco.

Os pensamentos ruins começaram a invadir a sua mente, mas não tiveram tempo de se fixar, logo a silhueta da morena apareceu banhada pela luz da lua. Ela nem precisou chamá-lo, pois o Uchiha interrompeu imediatamente os seus exercícios para aproximar-se dela.

- Aconteceu alguma coisa? - os olhos ônix fitaram-na preocupados. Fazia muito tempo que aquele olhar não a mirava.

- Recebi minha primeira missão hoje.

- Do que se trata? - a preocupação aumentou. Uma missão fora da Vila para um agente ANBU sempre era alguma coisa perigosa que demoraria demais.

- Uma solicitação do País do Vento - ela explicou-lhe sorrindo gentilmente para acalmar a preocupação nos olhos dele - Vamos interceptar alguns ninjas fugitivos.

Sasuke suspirou pesadamente.

Estava com medo. Com medo por ela, medo de perdê-la. Não conseguiria viver longe dela depois de tudo, não conseguiria mais. Passara a amar aquela garota como jamais amara qualquer outra pessoa.

- Quando eu sair daqui - ele disse reabrindo os olhos - Quero que conheça minha mãe.

Ela ficou séria. Como que ele poderia querer que ela conhecesse sua mãe? Ela já tinha morrido, assim como a sua própria. Pensou por uns segundos e entendeu o que ele queria dizer. Corou um pouco e sorriu-lhe passando a mão pela abertura para, mais uma vez repetir o gesto que tanto o confortava.

Depois de um tempo alisando as madeixas negras Sasuke, inconscientemente, pegou-lhe a mão delicadamente retirando sua luva. Hinata ficou sem entender o gesto, até que o moreno passou a beijar-lhe os dedos, um por um, levemente, até chegar ao seu polegar mordê-lo fraquinho. Alisou sua palma, ainda de olhos fechados, e beijou-a.

Enquanto ele beijava-lhe os dedos a Hyuuga sentia pequenos arrepios partirem dos lugares beijados e espalharem-se por todo o seu corpo. Sua mente se anuviava com o contato e passou a sentir saudades dos beijos do rapaz a sua frente, dos beijos tão intensos que só sentira uma única vez, juntos com as carícias ousadas e toques maliciosos.

Aquele ninja era um mistério. Com um olhar fazia-a sentir-se a garota mais boba, tímida e apaixonada de todo o mundo e com um toque fazia-a sentir-se a mulher mais desejada.

- Quando eu sair daqui - ele dizia - Vou até seu pai e vamos nos casar.

Um brilho de alegria intensa se instalou sobre a garota, sua face parecia emitir luz própria. Ela poderia ser facilmente confundida com um sol no meio da noite. O shinobi ficou satisfeito com a reação dela, que entrelaçou suas mãos com as dele e seu um sorriso mais largo e maravilhoso que jamais vira.

- Sasuke-kun, isso seria maravilhoso.


"Demorei demais nessa missão" Hinata pensava enquanto aproximava-se correndo da Vila Oculta da Folha. Ficara fora com um grupo de ANBUs para a interceptação daqueles ninjas patifes por mais tempo do que imaginara, Sasuke já deveria ter sido libertado há dois dias.

Chegou a Vila e partiu assim que o superior e comandante da missão anunciou que era missão cumprida.

Deixou-lhes na entrada e correu até o Clã Uchiha para encontrar a casa completamente vazia. Passou por todos os pontos que acreditava que poderia encontrá-lo, mas não o achou em lugar algum. Não estava no centro de treinos, nas que sabia serem suas clareiras favoritas para treinar, no Ichiraku Ramen ou em qualquer um de outros pontos.

"Sasuke-kun, onde você pode estar?" pensou parando sobre um prédio bem alto de onde poderia ver uma grande parte da cidade e, ativando sua linhagem, fez uma varredura superficial na área. Pessoas poderiam estar fazendo coisas que não seria delicado apreciar.

- Cadê você? - perguntou-se baixinho já começando ficando preocupada e com intenção de ir perguntar para todas as pessoas que conhecia se saberiam dizer alguma coisa sobre o paradeiro do Uchiha, mas então se lembrou de um lugar em que ainda não tinha procurado, um lugar que o Uchiha a levaria quando saísse de seu confinamento.

Sem pensar duas vezes correu até lá.

O sol de verão era intenso e estava ainda mais forte naquele dia em Konoha fazendo muitas pessoas saírem de suas casas para tomar alguma coisa gelada ou brincar em algum lago das redondezas da Vila, lagos esses que não faltavam. Enquanto a kunoichi corria para um local afastado de Konoha ela ficou admirando alguns jovens e crianças brincando em um riacho com uma pequena cascata. As termas deviam estar fechadas naquele dia tão quente.

Quando finalmente chegou ao seu destino sentiu-se aliviada. Logo a frente estava à cabeleira arrepiada de Sasuke da qual tanto gostava, ele observava o túmulo do Terceiro Hokage. Ao seu lado estava uma garota de cabelos róseos muito conhecida.

A cada passo silencioso que dava na direção do casal seu estômago lhe dava uma pontada dolorida. Sabia o que aquilo queria dizer e não sentia nenhuma vergonha, estava corroendo-se de ciúmes junto com uma alegria imensa de vê-lo livre. Por baixo de sua máscara ANBU um sorriso jazia em seus lábios. Não saberia dizer se seria um sorriso frio dirigido a Sakura ou um sorriso terno dirigido a Sasuke.

"Estou passando muito tempo com Sasuke-kun" pensou soltando um risinho. Desde quanto sentia ciúmes daquele, agora, homem? Principalmente de Sakura, que nunca escondera de ninguém que era uma louca por ele? Antigamente quando a ninja médica era parceira de Equipe de Sasuke ela não se sentia tão enciumada assim, nem quando fora Sakura que estivera junto com Naruto quando conseguiram trazê-lo de volta a Vila. Mas agora, solto, a primeira pessoa que vira ao sair da câmara tinha sido Sakura e isso a deixava propensa a se irritar, deixava-a completamente enciumada. Um ciúme que conseguia conter dentro de si.

Lembrou-se, então, que Sakura era uma Jounin e que Sasuke teria que ser vigiado por um durante o período de um ano. Suspirou, seria um longo ano.

Não precisou se aproximar demais para que o casal reparasse em sua presença e sentiu-se completamente satisfeita ao ver o olhar de Sasuke se iluminar.

- Deseja alguma coisa? - Sakura perguntou preocupada.

- Quero falar com o Uchiha - o moreno não pode impedir um sorriso maroto surgir em seus lábios ao ouvir a Hyuuga chamando-lhe pelo sobrenome - A sós.

- Ah, tudo bem - Sakura não reconhecera a voz da morena que ficava levemente abafada pela máscara - Eu te espero na saída, Sasuke-kun.

Ele concordou e os dois esperaram a Haruno se afastar o suficiente para Sasuke pegar a mão da morena e começar a puxá-la cemitério adentro. Não falaram nada por todo o percurso até chegarem à parte mais afastada, abandonada há muito tempo.

Hinata achava aqueles caminhos do cemitério conhecidos demais, mas provavelmente era onde estava enterrada a garota especial de Sasuke, sua mãe.

Os túmulos daquela área estavam meio cobertos com algumas plantas, na maioria trepadeiras e até alguns cantinhos com musgo, mas Sasuke continuou puxando-a sem dizer nada até parar em frente a um túmulo de um lugar completamente conhecido para a garota, não era somente uma ilusão.

Sasuke agachou-se perto do túmulo de sua mãe, intacto, a não ser por um pequeno galho de uma roseira branca que se agarrava a ele, e começou a falar como se ela pudesse lhe ouvir:

- Mamãe - disse e segurou a mão de Hinata que sentia que iria chorar a qualquer momento - Quero que conheça alguém especial pra mim.

Hinata ajoelhou-se do lado do shinobi.

- Essa é Hinata - ele olhou para a garota que retirou a máscara calmamente e então de novo para o túmulo - Eu a amo - mas não pode continuar as apresentações para sua mãe, porque a garota jogou-se de encontro ao peito dele, manchado sua camisa negra com lágrimas de felicidade misturadas a surpresa - O que aconteceu? - ele acariciou seus cabelos levemente e pousou as mãos em suas costas para reconfortá-la.

- Aqui... - ela, calmamente, se separou do Uchiha, olhou-o para que a seguisse e caminhou até o túmulo ao lado, somente um frondoso arbusto de rosas brancas os separava e, assim como no túmulo da mulher Uchiha, somente um único galho da roseira prendia-se a esse túmulo.

Ele não precisou perguntar de quem era o túmulo, as letras prateadas que marcavam o nome de quem estava enterrado ali pareciam novíssimas, como se não tivessem sofrido o desgaste pelo tempo. Voltou seu olhar para a garota e a abraçou fortemente.

- Elas estão juntas - a Hyuuga disse, por fim - Nossas mães estão lado a lado.

O shinobi se levantou e foi até a roseira entre os túmulos e de lá arrancou duas das mais bonitas rosas brancas. Voltou para junto de Hinata e entregou-lhe uma delas, mas deixou a garota sem entender, até que ele se levantou e explicou o significado daquilo colocando a sua rosa branca sobre o túmulo da mãe de Hinata e fazendo uma reverência em sinal de respeito. A morena imitou o gesto do rapaz com a mãe dele.

Sorriu-lhe ao terminar.

O rapaz aproximou-se enlaçando suas mão e tomando-lhe a boca rosada como se estivesse perdido no deserto e aquele fosse o mais belo e convidativo oásis. Num beijo intenso e provocativo, possessivo e cálido onde ele queria demonstrar toda a saudade que sentira daquela mulher pelo tempo que estiveram separados por apenas uma parede de pedra. Ao final do beijo Hinata mordeu-lhe levemente o lábio inferior fazendo Sasuke abraçá-la para imediatamente guiar suas pequenas mãos pálidas até as madeixas negras.

- Sasuke-kun?

- O quê foi?

- Já percebeu que nos unimos por causa de uma flor - disse referindo-se a rosa negra - Nos separamos com uma flor - a rosa azul - E nos juntamos novamente com uma flor - a rosa branca.

- Deve ser somente coincidência - ele iria beijá-la de novo, mas parou para completar - Podemos usar rosas negras, azuis e brancas na decoração do casamento.

Pela terceira vez viu o rosto dela se iluminar de felicidade, rosto que ainda iria ver muitas vezes durante o resto de sua vida, seguida da frase:

- Sasuke-kun, isso seria maravilhoso.

- Você diz isso - ele sorriu-lhe marotamente - Porque ainda não contei os planos para a lua-de-mel.

Rosas brancas que unem almas não são apenas coincidência.

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FIM

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Olá!

Não sei por que, mas esse foi mesmo o capítulo que mais gostei de escrever. Deve ser por causa de toda a angústia de deixar o Sasuke lá preso só vendo a Hinata por uma frestinha na parede. E me desculpem se eu deixei o Sasuke meigo demais.

Bem, quero agradecer imensamente a todas as pessoas que lerão essa minha trilogia, estou tremendamente agradecida por todo o apoio das reviews e mesmo das pessoas que somente lerão sem deixar review, é importante pra mim da mesma forma. Obrigada imensamente.

Esse foi o último capítulo, então eu vou entrar em um pequeno período de férias para colocar alguns assuntos do mundo fora do mundo das fics em ordem, mas estarei de volta com fics novas no dia 29 de fevereiro. Exceto claro, se eu tiver alguma idéia de fic no meio disso (e eu vou ter, com certeza) aí eu apareço pra postar.

Obrigada a todos mais uma vez.

AGRADECIMENTOS:

Marih-chann

Prii O.

Patty Uchiha

Ida-chan

Ciane

Loii-Purple-chan

Uchiha

Luiza

Laura

Nylleve

Miimi-chan '-'

Blueberry-chan

Uchiha Haito

OBRIGADA POR LEREM!

Beijos, E-Pontas!