Os pernonagens não são meus, são do Mickey, da Minnie, do Donald...

Cap. 7

Elizabeth continuava de olhos arregalados. A bússola dele havia parado de funcionar e era culpa dela? Ela não entendeu.

- Como assim sua bússola parou de funcionar por minha culpa Jack? – ela perguntou intrigada.

Ele franziu a testa. – Oh Bugger, você e sua língua grande! – pensou ele assustado e bateu na própria testa. Se recompondo, disse com as mãos na cintura:

- Minha cara, eu já te disse que minha bússola funciona perfeitamente. – ele tentou parecer convincente.

Ela continuava sem entender.

- Mas por que você falou que...

- Acho que quando o remo bateu na minha cabeça fiquei meio tonto. – ele disse fugindo do assunto. Ela percebeu, mas deixou passar, ela perguntaria novamente em outra ocasião.

- Você já é tonto por natureza. – ela riu. – Onde está doendo? – ela se ofereceu para ajudá-lo.

- Está tudo bem queridinha. – ele disse debochando.

Ela não disse nada, virou-se e começou a andar.

- Espere Elizabeth! – ele disse. Ela se virou.

- O que você quer? – ela estava cansada.

- Porque não dormimos aqui? – ele fez cara de triste.

- Eu já disse que tenho medo desse lado da ilha! – suspirou – Além do mais, foi aqui que o Will se despediu de mim. – ela parecia realmente triste.

Ele engoliu em seco. Não queria ficar nem mais um minuto naquele lugar.

- Então vamos embora! – ele disse agarrando a mão dela e a puxando para que andasse depressa.

- Calma Jack! – ela disse sem fôlego. – Não precisa me arrastar assim!

- Desculpe amor, mas está ficando muito escuro, precisamos de um lugar para passar a noite. – ele disse parando um pouco, mas não largou a mão dela.

- Não tem cavernas aqui Jack!

- Como?! – ele arregalou os olhos.

- Eu já andei isso tudo e não encontrei nada, nem caverna, nem fenda nas pedras que pudesse servir de abrigo, a ilha é grande, mas sem cavernas. – ela explicou.

- Mas como?! – ele gaguejou. – Como você viveu esse tempo todo aqui sem abrigo?! – estava de boca aberta.

- Simplesmente vivi Jack. – ela não esta com vontade de falar sobre coisas que lhe doíam lembrar.

- Mas, Lizzie, amor... – ele estava sem palavras. Ela se emocionou quando ele a chamou de Lizzie. Ele continuou:

- Como você passa as noites?! – ele perguntou tristonho.

- Na areia. – ela disse quieta. Ainda estavam de mãos dadas.

- No frio?! – ele estava quebrando.

- Sim.

- Na chuva?!

- Oh, Jack! Pelo amor de Deus! – ela pediu. – Você não vê que Will só me deixou o baú?!

Jack estava quieto, com os olhos marejados. Virou o rosto quando percebeu que ela o observava.

Ela arregalou os olhos. Nunca na vida dela ela tinha esperado ver aquela expressão no rosto dele. Foi um baque!

Ela soltou a mão dele. Ele ficou de costas para ela, estava triste, muito triste. E não queria que ela percebesse, mas já era tarde demais.

Ela foi para frente dele, pegou o rosto dele em suas mãos e disse:

- O que há com você Capitão?! – ela estava séria.

- Não é nada Elizabeth! – ele disse limpando os olhos.

- Ora, Jack. Você está chorando? – ela perguntou com carinho.

- Não! – ele disse revoltado e a afastando. – Eu não choro meu bem! Foi um cisco que caiu em meus olhos.

Só se ela fosse idiota para acreditar numa mentira esfarrapada dessa.

- Se você, por algum acaso, estiver com pena de mim, esqueça! Não quero que ninguém tenha pena de mim! – ela disse revoltada.

- Eu não estou com pena de você benzinho! Você escolheu seu lindo destino! – ele debochou. – Só me surpreendeu você conseguir viver aqui assim, já que você era uma dama da sociedade, só isso, savvy?!

Ela correu para longe. Ele ficou parado.

- Seu idiota! Imbecil! Burro! – ele se xingou.

Correu para ver se a alcançava, mas não a encontrou. Ela desapareceu na escuridão que tomava conta da ilha.

- Oh Bugger! – ele gritou. – Com mil diabos, eu nunca consigo controlar minha língua!

- Minha pobre Lizzie, sozinha, na chuva e no frio, sem nada, por culpa daquele traidor! – ele pensou com um profundo desgosto. – Se eu tivesse apunhalado aquele maldito coração, ela teria o querido William e eu seria imortal! – ele fez careta. – Mas Davy Jones o matou, e eu não tive escolha, tive? Tinha que deixá-lo ser o Capitão do Holandês! Ela não choraria por minha causa, se eu o deixasse morrer de verdade, ela teria posto a culpa em mim, com certeza. Mas não adiantou muito, ela acabou ficando sozinha, não valeu a pena. – ele suspirou triste.

Elizabeth corria. Estava triste e alegre ao mesmo tempo. Quando ela correu de Jack por ter falado tudo aquilo, ela tinha certeza que Jack estava emocionado por causa da situação dela, e isso a deixava muito contente, pois ele se preocupava com ela. Mas, ver Jack triste, ela nunca tinha esperado ver. Ela odiou a expressão de dor e tristeza que ela viu na face dele. Jack, um ser alegre, otimista apesar de todas as dificuldades, que tinha sempre um plano para se safar dos problemas, uma pessoa magnífica como ele, triste, era inconcebível!

Ela parou de correr. Sentou na areia e ficou quieta. Não podia acreditar, Jack havia a encontrado, mesmo sem o Pérola, ela tinha fé que ele, como sempre, arranjaria um modo de sair dali.

- Afinal, ele é o lendário Capitão Jack Sparrow, que sobrevive a tudo! Até ao meu beijo da morte! – ela riu com desgosto. Ela se achava a mais miserável das mulheres. Todos os homens que ela havia beijado estavam mortos, exceto Jack que havia sido trazido de volta.

Jack estava a procurando, apesar da escuridão ele não desistia de encontrá-la. Ele não passaria a noite sozinho, no frio, muito menos ela. Ela precisava do casaco dele. Ela estava semi-nua. Isso teria o agradado profundamente se não fossem as circunstâncias atuais.

- Elizabeth?! – ele gritou. – Não se esconda de mim, amor! Eu não quero dormir sozinho! Estou ficando com medo de ouvir as tais vozes que você falou que existem! – isso era infantil, mas ele não pensou em outra coisa melhor para dizer.

- Você vai dormir sozinho! – ela chegou por trás o assustando. Ele quase caiu de susto. Ela riu muito.

- Quer me matar de novo Lizzie?! – ele também riu depois de se recuperar.

- Não! Se não de que você me serviria? – ela disse pretensiosa. – Você tem que me tirar daqui! E isso é uma ordem Capitão, uma ordem do Rei Pirata!

- Ohw! – ele disse, se ela agora estava a fim de brincar, ele iria entrar na brincadeira. – Devo aconselhá-la que já está muito escuro e devemos nos recolher aos nossos aposentos linda majestade. – ele fez uma grande reverencia.

- Conselho aceito! – ela sorriu, estava com um humor melhor. – Mas devo avisá-lo que você vai dormir na areia direita, e eu na esquerda. – caiu na gargalhada.

- Tudo bem, mas você precisa de um agasalho. – ele disse e retirou o casaco e estendeu para ela. – Você está quase nua minha querida, e eu sou um homem ardente, portanto, não fique me provocando. – ele a olhou de cima a baixo com um olhar malicioso.

- Ora Jack! – ela aceitou o casaco, envergonhada. – Eu não tenho roupas aqui. Só esses trapos, e eu não esperava ver ninguém.

- Fico imaginando se eu tivesse demorado um pouco mais de te encontrar. Você estaria nua, com certeza. – ele riu.

- Pare de falar essas coisas! Vamos dormir logo. – ela ficou vermelha.

- Está bem majestade! – ele fez novamente uma larga reverência.

Ela andou na frente e ele a acompanhou. A lua estava cheia. Estava uma noite maravilhosa.

Ela parou e sentou na areia. Ele sentou do lado dela.

- Então...? – ele começou.

- Então o quê? – ela perguntou.

- O que faremos agora queridinha? – ele estava novamente com aquele tom malicioso.

- Dormimos, ora! – ela disse, fingindo não entender o que ele estava sugerindo.

- Só isso?! Nenhuma canção, ou dança, nada? – ele fez bico.

- Você está vendo alguma fogueira ou rum por aqui?! – ela disse como se isso encerrasse o assunto.

- Então tudo bem! – ele deitou e a puxou para ele.

- O que é isso Jack?! – ela se assustou.

- Vamos dormir. – ele sorriu.

- Mas eu não...

- Eu não vou fazer nada que você não queira só que preciso me aquecer e você também, portanto, aproveite a oportunidade de ter um corpo quente do seu lado. – o sorriso dele se alargou. Os olhos dela também.

- Promete não se aproveitar enquanto durmo? – ela estava gostando da idéia, mas não podia demonstrar.

- E quando foi que me aproveitei de você? – ele fez um bico de injustiçado.

Ela suspirou.

- Que ninguém fique sabendo disso, savvy! – ela disse séria. – Ou então você será expulso da Corte da Irmandade!

- Hei, o savvy é meu! – ele riu e a puxou contra o peito. Ela se acomodou do lado dele, parecia que seus corpos se encaixavam perfeitamente e ela tremeu a esse pensamento. Então ele piorou tudo quando sussurrou no ouvido dela:

- Durma amor, vou te tirar daqui logo logo. E vamos recuperar o Pérola e acharemos a Fonte da juventude também.

- Quando você planejou isso?! – ela disse surpresa, tentando levantar, mas ele não deixou e a segurou deitada ao lado dele.

- Você é o Rei Pirata. Esse título deve servir para algo mais do que dar ordens à Corte, não acha? – ele falou numa voz profunda.

- Pode ser Capitão. Ainda tenho dez anos até Will voltar e não pretendo ficar todos eles aqui, sentada na areia. – ela estava gostando da idéia.

- Aye. – ele disse e pensou:

- Você não imagina o que mais eu planejei para nós dois. Agora que te encontrei, você não escapará de mim tão fácil minha donzela assassina. – ele riu, mas claro que ele não diria isso nunca assim a ela.