Lizzie e Jack não me pertencem...
Um pouco sinistro...
Cap. 13
Jack ainda dormia abraçado com Elizabeth quando ouviu sussurros. Pensou que era Elizabeth, mas não, abriu os olhos e viu que ela ainda dormia com a cabeça em seu peito.
- O que diabo é isso? – ele se perguntou assustado. Os sussurros iam aumentando, ainda estava tudo escuro, mas ele viu o que pareceu ser um vulto segurando uma vela e se levantou deixando Elizabeth deitada na areia.
Andou na direção do vulto e de repente percebeu quem era:
Era a mãe dele! Iramaia!
Uma linda índia das Américas, cabelos longos e negros e uma pele morena. Vestia o mesmo vestido que Jack lembrava que ela usou no dia do naufrágio. Um vestido vermelho que seu pai lhe dera no mesmo dia. Maldito dia!
Ele arregalou os olhos, era incrivelmente assustador. Era difícil acreditar numa visão daquelas. Ele respirou fundo e seguiu o vulto.
Junto com ela estavam milhares de outros vultos segurando velas. Ele não entendia o porquê disso tudo. Se eles haviam morrido no mar eles teriam que ter feito a passagem. Will deveria levá-los para o outro mundo, essa era a missão eterna dele como Capitão do Holandês Voador.
Mas a mãe de Jack havia morrido quando ele tinha sete anos, era loucura o espírito dela estar lá. Jack não entendeu nada, mas ficou assustado.
- Muitas almas penando sem rumo?! Então essas eram as vozes das quais Lizzie falou?! Que raios de ilha é essa?! – ele se perguntou.
Os vultos saíam do mar em direção à ilha, isso o confundiu mais ainda! Isso estava errado!
De repente o sol começou a lançar seus raios por entre as nuvens e os espectros desapareceram.
Ele ficou paralisado. Assustado e intrigado. Toda a situação estava errada!
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Sua mãe morrera no naufrágio do Esmeralda, um imenso navio que pertencia a seu pai, há anos.
Jack lembrava pouco daquele fatídico dia, a lembrança mais marcante tinha sido os beijos que sua mãe lhe dera na cabine do Capitão. Ela era tão carinhosa com ele, tão quente. Ele vivia em seu colo o tempo todo, tinha medo do mar, apesar de achá-lo interessante.
Quando estavam navegando, ele se agarrava à barra do vestido de sua mãe e não largava por nada. Teague Sparrow era um bondoso e justo capitão, mas não se dobrava a regra nenhuma dos homens, ele fazia suas próprias regras. Havia se casado com a mãe de Jack na América Portuguesa, ela estava sendo vendida como escrava e ele a roubou para salvá-la, ela não falava a língua dele e ele não pôde encontrar a tribo dela para devolvê-la, além disso, era muito perigoso. A linda índia Iramaia da tribo tupi logo despertou o amor do Capitão Sparrow. Teague lhe ensinou seu idioma, e descobriu que seu nome significava Mãe do Mel, de fato, era selvagem com os desconhecidos, mas com ele não, ela era um doce. Pode-se dizer que foi amor à primeira vista.
Teague amava muito Iramaia, e o menino Jackie também. Era uma família feliz, até um inesperado ataque de um poderoso navio pirata. O Tridente do Diabo era o mais veloz navio do Mar do Caribe, e seu capitão, George Pierce, um dos homens mais cruéis que já se viu no mundo. Roubava e destruía tudo o que cruzava com seu navio. E por azar o Esmeralda cruzou com o Tridente. Houve luta, Jack ouvira os gritos de seu pai no convés, o desespero dos marujos e dos canhões arrasando o navio.
Jack e Iramaia estavam escondidos na cabine do capitão. Mas uma bala acertou em cheio o local, esmagando a perna de Iramaia. O navio estava pendendo para um lado.
- Maia! – Jack gritou por entre as lágrimas.
- Procure seu pai amor! – ela disse sorrindo, apesar da dor.
Jack fez que não com a cabeça e a abraçou. Ela sorriu e sussurrou no ouvido dele:
- Vá meu pequeno pardal! Eu estou bem, vou ficar bem! Agora procure seu pai meu amor.
- Eu não vou sair daqui! – ele chorou. – Eu não vou deixar você aqui Maia! – ele tentava desesperadamente levantá-la, o navio se inclinava mais e mais e muita água entrava na cabine.
De repente houve uma grande explosão. Teague entrou ferido e desesperado na cabine. Ao ver Iramaia envolta em sangue e Jack agarrado a ela, caiu de joelhos.
- Leve-o daqui amor! – ela disse quase sem forças. – Saia daqui agora! O navio vai para o fundo em alguns minutos!
- Não vou sem você, ninguém vai! – ele gritou. – Morreremos todos juntos!
- Não amor! – ela disse com as mãos em seu rosto, o menino chorava incontrolavelmente. – Sempre amarei vocês, sempre estarei no seu altar, mas vocês precisam se salvar! – ela disse docemente – Por mim! Por tudo que há de mais sagrado!
Ele fez que não com a cabeça, lhe deu um beijo apaixonado. Ela o afastou, beijou Jack e lhe sorriu. Depois ficou séria:
- Saiam daqui! Agora! – ela ordenou dessa vez com uma voz imperiosa.
Teague se assustou, estava mortalmente triste, mas viu a tranqüilidade nos olhos dela, e isso o deu forças, agarrou Jack pela cintura, o menino gritava.
O navio estava quase todo submerso, teriam que nadar. Saíram da cabine, Iramaia estava debaixo d'água, com a perna esmagada. Provavelmente já tinha se afogado.
Saíram do navio, Jack chorava incontrolavelmente e gritava por Iramaia, mas era tarde demais. Teague se agarrou num pedaço de madeira que flutuava e por sorte um corsário os salvou. Esse foi o primeiro de muitos dias horríveis na vida de Jack.
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Relembrar essas coisas era terrivelmente doloroso para ele. Ficou com medo da ilha, e sem mais demora, posicionou o Perolinha próximo ao mar, jogou as frutas nele, os remos e as garrafas.
Nem acordou Elizabeth, a pegou no colo e a deitou no barquinho. Aproveitaria a maré baixa e a tranqüilidade das ondas para sair daquela ilha medonha.
Conseguiu atravessar as ondas e remou o mais rápido que seus braços agüentavam. Qualquer direção seria melhor do que a ilha dos fantasmas.
