Espero que gostem, hoje é dia do meu aniversário (22.03)... UHUUU 20 anos de sucesso nos palcos baianos, pq baiano nao nasce, estréia! ahsuhsuahsuah
Jack e Lizzie e os marujos de POTC não me pertencem...
Johnny sim! XDDD
Cap. 30
O que Will iria prometer mudaria mais uma vez todo e qualquer destino que tivesse sido traçado. As bruxas que teciam o destino há tempos tinham desistido de se intrometer na vontade dos homens, principalmente depois da catástrofe que foi o castigo a Davy Jones, o qual ele não cumpriu e Styx também, que não colaborou com nada de bom depois que Calypso foi aprisionada.
Calypso estava procurando ajuda, faria qualquer coisa para ajudar Jack. Mas não foi possível, ficou terminantemente proibida – por Tetis – de se intrometer em qualquer assunto mortal novamente, sob pena de ser aprisionada na forma humana para todo o sempre. Não havia mais nada que ela pudesse fazer senão rezar para que Jack tomasse as decisões certas, mas, como também foi terminantemente proibido porque ela não foi buscar o que Jack tinha lhe prometido – o amor dele, que era Elizabeth – ela não poderia nem falar com ele, não por um bom tempo e esse bom tempo eram anos, na verdade, 100 anos.
No cabine do Pérola...
Jack estava vomitando de nervosismo. Se o "estado interessante" de Elizabeth fosse o que ele estava pensando, ela estava grávida, ele havia feito um filho com ela, um bebê,uma criança que ele teria que criar, alimentar, educar ou deseducar e... Oh Bugger! Ele estava tremendo.
Foi a vez de Elizabeth ir ajudar. Levantando da cama e o agarrando pela cintura ela o tirou da janela.
- Você está bem Jack? – franziu a testa, preocupada, era só o que faltava Jack Sparrow adoecer.
- Claro, claro amor! – ele tentou sorrir, mas estava incrivelmente pálido.
- Não parece! – ela sorriu de volta pondo uma mão na bochecha dele. – Vá deitar, aliás, vamos deitar! – ela estreitou os olhos maliciosamente e esboçou um sorriso malvado.
Quando viu a cara dela, Jack respirou fundo e correu para lavar a boca com rum, pois esperava que ela fizesse o que ele estava pensando, ou seja, amor! Ele voltou a ficar forte na hora!
Elizabeth deitou sensualmente na cama.
Ele sorriu enquanto voltava correndo e pulou na cama como uma criança feliz, Elizabeth sabia muito bem o que ele pensava que ela estaria pensando.
Ele se aconchegou a ela, a abraçou e a beijou apaixonadamente. Ela beijou de volta, se entregando às carícias dele. O Pérola Negra balançava muito.
Os marujos trabalhavam do lado de fora da cabine não ouviam os sons que Jack e Elizabeth emitiam devido ao barulho do mar nesse dia, o mar estava revolto e cheio de espuma.
Ficaram sem fôlego e quebraram o beijo. Jack sorria contente, eram nessas horas que ele poderia esquecer todos os problemas, o medo, as angústias e tudo de ruim que sabia que teria que enfrentar, ele tinha em seus braços tudo o que realmente lhe importava.
Elizabeth sorriu para ele, mas depois ficou séria, olhou para ele e disparou:
- O que Will queria Jack?
Jack não esperava por isso, foi um susto.
- Venha aqui Lizzie Luv! – ele a chamou carinhosamente e tentando mudar de assunto, ele não poderia dizer tudo a ela, era tudo muito estranho, confusamente assustador, várias versões da mesma história, e nenhuma previa felicidade para eles. Ele não sabia por onde começar, então decidiu não começar.
- Nem venha com Lizzie Luv pro meu lado Jack Sparrow! – ela sentou. – Will veio aqui?! Porque o Holandês Voador não aparece à toa, muito menos em plena manhã de Natal, ainda mais no meio de um ataque contra Tortuga! É muita coincidência! E coincidências não existem! – ela afirmou categoricamente.
Jack se sentou e ficou sério, teria que mentir para ela, não era a primeira vez que ele fazia isso, mas nessa altura dos acontecimentos, tudo era diferente entre eles, tudo. Eles eram amantes! E isso seria milhões de vezes mais excitante se ele não tivesse que correr de um marido traído, ou melhor, de um Touro Zumbi que estava cheio de escamas e raiva, e que era o capitão do navio mais temido do mundo, e se ele não tivesse prometido o amor, ou melhor, sua amada, a uma ninfa imortal que ainda por cima era sua amiga e confidente, quase irmã!
- Oh Bugger! – ele suspirou e começou a tentar inventar uma estória que enganasse Elizabeth.
- Fala Jack! Você está me deixando nervosa! – disse Elizabeth impaciente.
- Lizzie... – começou Jack e franziu a testa. – Ele não veio aqui por você... por sua causa... – gaguejou. –... eu nem sei por que diabos ele apareceu, acho que foi apenas para amedrontar os nossos inimigos, ou... eu sei lá!
- Como assim "eu sei lá"?! Ele não veio aqui falar com você?! – ela estranhou, tinha algo errado com Jack, ele parecia preocupado com algo. Ela estreitou os olhos.
- É claro que não!
- Jura?! – ela ergueu as sobrancelhas.
- É claro Elizabeth! – ele falou mais sério e firme. Isso a intrigou, principalmente porque ele a chamou de Elizabeth, e não de Lizzie.
- Eu não acredito em você Jack! Você está mentindo para mim? – ela perguntou cautelosa, teria que arrancar algo verdadeiro e convincente.
- Eu não estou mentindo para você queridinha!
- Então porque você estava gaguejando enquanto falava, e porque você ficou nervoso quando me viu vomitando e logo depois foi vomitar também? Hã? – Jack estava desconfortável com toda aquela conversa e foi saindo de fininho da cama. – Me fala! – Elizabeth exclamou sem paciência alguma.
- Porque eu fiquei preocupado com você... e... porquê?! – ele se exasperou. –Não posso mais me preocupar com você, ficar nervoso porque você se sentiu mal?!
- Não fuja do assunto! – ela estava ficando irritada, tinha certeza que Jack escondia algo dela, e alguma coisa dentro dela dizia que era algo grave. – Você não se sentiu mal por preocupação! Foi outra coisa! Dor na consciência? Ou pior?
- Do que diabos você está falando donzela assassina? – ele precisava escapar, e levantou da cama. – O que você quer de mim mulher?
- Quero que você me diga o que você esconde Jack! Porque houve algo muito esquisito aqui não foi?! Já é dia, aliás, é manhã, e eu me lembro que o céu estava escuro na hora do ataque e não creio que dormi apenas algumas horas!
Jack ouvia atentamente. Elizabeth parecia ter completa noção do tempo, mesmo tendo ficado desacordada por quase um dia inteiro.
- Eu olhei pela a janela e vi, pela posição do sol que estamos indo para o nordeste do Caribe! Estamos longe de Tortuga não é?!
- É benzinho! – ele disse desdenhando do conhecimento náutico de Elizabeth.
- Então estamos navegando há muito tempo? Porque você não me acordou? Hã?! – ela levantou da cama também e foi para perto dele.
- Porque você não quis acordar! – ele começaria a inventar mais e mais coisas e nada de verdade para ela. Se a verdade já era assustadoramente horrível para ele, um pirata experiente e acostumado a ver de tudo, imagina para ela, uma pobre moça que não viu nem a metade de tudo o que é ruim e que pode acontecer a um ser humano. Ele continuou. – Eu te chamava, tentava te acordar, e tudo o que você fazia era resmungar "só mais um pouquinho Jack" ou então "me deixa dormir pirata idiota" e por aí vai!
Ela parou para avaliar as palavras dele, realmente fazia sentido, ela estava com sono ainda. E tivera um sonho tão lindo, o primeiro sonho lindo que tivera após muito tempo de noites sem sonhos, apenas pesadelos e corações batendo irritantemente sem parar.
Ela franziu a testa e olhou para ele tristonha, faria drama pra ver se ele lhe contava algo – ela não engolia que Will tinha ido embora sem falar com Jack.
- Eu só sinto algo estranho Jack! Como se você estivesse mentindo pra mim!
- Eu não estou mentindo para você Lizzie! – sim, ele estava mentindo, mas não somente isso, ele estava omitindo 99 de tudo o que ouvira de Will e Tia Dalma.
- Mas... – ela iria começar a ladainha toda novamente.
- Mas nada! – ele disse sério e resolveu que agora era a vez dele de fazer as perguntas. – Você está enjoada Elizabeth?
- Como assim enjoada? – ela estranhou o rumo da conversa dele.
- Enjoada, não digo na personalidade, porque você é enjoada por natureza! – ele fez piada e ela fechou a cara para ele. – Eu falo de mal estar, dor de barriga, tontura, qualquer outra coisa que tenha feito você vomitar!
- Acho que é o balanço do mar!
- Balanço do mar? – ele estreitou os olhos e chegou perto dela. – Você nunca teve enjôos enquanto navegou comigo!
- Deve ter sido o nervosismo ora! Eu tomei um susto quando vi o Holandês! Poucos minutos depois eu senti uma dor forte na cabeça e não lembro mais de nada até a hora que eu acordei com barulhos vindos do convés e quando fui me levantar, senti algo na minha barriga, fiquei tonta e simplesmente vomitei pela janela!
- Lizzie... – pelo menos a desconfiança sobre uma suposta gravidez ele teria que falar abertamente com ela, se ele não fizesse isso, da próxima vez que ela vomitasse, os marujos desconfiariam – eles eram burros, mas entendiam muito bem de mulheres grávidas – e Jack estaria frito!
- O quê?!
- Você agora é... bem... depois que fizemos amor... você... – ele suspirou e ela o olhou desconfiada. – Bem, eu te ensinei como se fazem os bebês e...
Ela se assustou.
- O que você está querendo dizer com isso Jack? – Elizabeth sentiu um frio na espinha.
- Lizzie, uma mulher linda como você, quando se entrega a um homem incrivelmente ardente como eu... quer dizer...
- Pare de gaguejar e fazer gracinhas! Onde você quer chagar com essa conversa toda?!
- Eu desconfio que você esteja esperando um bebê!
- O QUÊ? – ela gritou. Os marujos de lá de fora se assustaram e bateram na porta da cabine.
- Está tudo bem aí Capitão? – perguntou Marty.
Ninguém o respondeu, simplesmente a porta se abriu e rapidamente uma Elizabeth furiosa saiu de lá berrando maldições a Jack Sparrow. Ela ainda vestia apenas roupas de baixo e o espartilho preto.
- Vá para o inferno com suas desconfianças idiotas! – ela gritava irritada, os outros a olhavam com medo e Jack saiu da cabine para ir atrás dela.
- Lizzie...
- Nem me venha com seus joguinhos de sedução, seu Don Juan de quinta categoria! - ela falou por entre os dentes, mas depois suspirou e disse com um suspiro. - Isso não é possível Jack! Você está ficando louco! – as duas últimas frases ela se referiam à desconfiança dele sobre uma suposta gravidez, e somente Jack entendeu.
Os outros ficaram com cara de paisagem.
- Elizabeth Swann! – gritou Jack a agarrando pelo braço. – Você quer gritar aos quatro ventos que eu suspeito que você está... – ele se calou quando percebeu que todos os marujos tinham parado suas tarefas e corrido para perto deles afim de ouvir melhor a conversa.
- Não é possível isso Jack! Pelo amor de Deus! Foi a primeira vez!
- Isso não tem muita importância sabia queridinha? E não foi uma vez só! – ele esboçou um sorriso malicioso, mas depois voltou a ficar sério, franziu a testa e olhou para ela, com um olhar cortante para ver se a fazia calar a boca.
- Você não sabe de nada sobre dessas coisas de mulher, queridinho! – ela desdenhou, estava tremendo, transtornada. Ela era uma mulher casada, havia perdido sua virgindade com um homem que não era seu marido e agora suspeita de gravidez? Era demais para ela.
- O que foi afinal "a primeira vez" e o que são essas "coisas de mulher" das quais Jack não sabe Elizabeth? – perguntou Barbossa finalmente se intrometendo na conversa – foi o único que teve coragem – os outros não estavam apreciando muito o bate-boca entre Jack e Elizabeth, algo de ruim sairia dali, eles tinham certeza.
- Nada da sua conta Barbossa! – ela o olhou com raiva e saiu pisando firme no chão, Jack tentou segurá-la, mas ela lhe deu um tapa na mão e foi para a cabine. Mas antes de se trancar gritou:
- Ao trabalho marujos! A todo pano para qualquer lugar! E nem chegue perto dessa cabine Capitão Jack Sparrow!
- Eu sou o capitão... – correu Jack, naquele andar rebolado, disposto a não deixar que ela se trancasse novamente, estava com medo de que ela adormecesse ou saísse de lá estranha. – Nem pense em se trancar amorzinho! – ele gritou quando a ouviu quebrar uma garrafa dentro da cabine.
- Vá pro inferno seu imbecil! Como você pôde fazer isso comigo? – ela estava choramingando.
Barbossa e os outros correram para ouvir novamente e Jack os afugentou:
- Saiam daqui! Obedeçam às ordens dela! Vão guiar o navio!
- Mas Jack, devemos seguir o curso que você nos deu?!
- Curso?! Que curso?! Ah, qual foi o curso mesmo? – Jack franziu a testa, pôs o dedo indicador no queixo e ficou tentando lembrar.
Os marujos arregalaram os olhos, Jack nem lembrava mais do que tinha falado. Havia algo errado com ele. Aliás, havia muita coisa errada. Eles só lembravam da visita de Will e depois disso, mais nada. E agora esse curso maluco de Jack, do qual ele mesmo não lembrava.
- Ah é! Devemos ir para o nordeste, para as Bahamas! – Jack disse finalmente lembrando o curso.
- Bahamas?! – exclamaram todos.
- Sim, Bahamas. Algum problema? – Jack estava sem paciência.
A porta da cabine se abriu e Elizabeth pôs a cabeça para fora e perguntou:
- Porquê para as Bahamas Jack?! – estava intrigada.
- Vamos para as Bahamas, pronto e acabou! – ele disse resoluto e ficou sério.
- Mas as Bahamas não ficam no nordeste, pelo menos não no nordeste do curso que o Pérola tomou e... – disse Gibbs.
- Eu sei! Oh Bugger! Que monte de perguntas inúteis! – Jack disse saindo de perto da porta, mas lançou um olhar penetrante para Elizabeth, que ficou sem graça na hora e fechou a porta. Aquele olhar disse tudo o que ela precisava naquele momento:
Ela poderia confiar nele. Apesar do que Jack pudesse fazer, ela tinha certeza que nunca seria para o mal dela, pelo menos não de propósito.
Jack falava como se todos que estivessem ao seu redor fossem um bando de dementes, ele estava inventando a história toda na hora, nem ele sabia que direção tomar, por isso foi improvisando.
Ele continuou:
- Vamos para o nordeste para não precisarmos passar pelo meio de todas aquelas ilhas savvy?! Não quero que nos vejam! Por isso vamos para o oceano Atlântico e daremos a volta, longe do Caribe! Entenderam agora meu engenhoso curso?
- Aye Capitão! – disse Gibbs e saiu para fazer seu serviço.
Finalmente todos entenderam o que Jack queria dizer com nordeste, para uma ilha pelas bandas de lá. Essa ilha devia fazer parte das Bahamas! Adorável refúgio pirata, que já foi melhor em outros tempos.
Barbossa chegou perto de Jack e o puxou para um canto longe dos outros.
- O que diabos está acontecendo?
- Nada que você precise saber seu zumbi! – Jack lhe mostrou a língua.
- Olha, eu não sou zumbi, estou bem vivo para te espancar se você não me contar tudo o que está acontecendo! E os marujos vão amar saber que você consumou um casamento que não era seu e...
- Cale a boca Hector! – pediu Jack. – Eu vou te contar tudo, mas quando eu entender direito o que está acontecendo!
- Nem me venha com essa! – Barbossa exigiu. – Desembuche logo!
Jack abaixou a voz e falou num sussurro.
- São várias versões da mesma história e eu não sei em quem acreditar!
- Várias versões? – Barbossa estreitou os olhos. – Mas Calypso veio aqui não foi?! Os outros não lembram de nada, mas eu lembro de tudo, pelo menos antes de eu cair no sono e ser "gentilmente" acordado por você! – ele estava sussurrando também.
- Aye! – Jack esboçou um sorriso, mas logo depois ficou sério. – Ela me contou várias coisas e... ela não vai mais levar Elizabeth daqui, e... o nosso problema é Will!
- Will?! Ah! Pelo que ele fez com você imagino que ele esteja ficando igual a Davy Jones não é?
- Isso eu não sei... quer dizer, eu suspeito mas... não tenho certeza de muita coisa ainda!
- Quando ele for à ilha onde abandonou Elizabeth e descobrir que ela não está mais lá e que o traiu com você Jack... eu não quero estar na sua pele, aliás, eu nem quero estar perto!
- Então pegue o bote e suma daqui! – Jack se exasperou.
- Eu não vou abandoná-la! Ela merece minha ajuda! Ela, não você! Eu e ela ficamos muito amigos durante a viagem à Singapura sabia?!
- Ah é? – Jack desdenhou.
- É! – Barbossa sorriu. – E agora me conte o resto da história!
- Tia suspeita que Will vá fazer um trato com uma outra ninfa, a Styx!
- STYX?! – gritou Barbossa.
- Fale baixo homem! – Jack o beliscou.
Os outros os olharam intrigados, estavam trabalhando, mas também queriam ouvir o que os dois capitães conversavam.
- Sim, sim! Mas... Styx é inimiga declarada de Calypso, e guarda o rio dos infernos, pelo que eu saiba e...
- Foi aprisionada na Fonte da Juventude, onde fica a Água da Vida, que é a que corre nesse rio dos infernos, porque ajudou os piratas a aprisionar Calypso e Will vai até ela para pedir a vida dele de volta! Eu acho! E de nada nos adianta ir à procura da tal bruxa de Ikaria, no Egeu, pois ela é a Styx disfarçada!
- O QUÊ?! – Barbossa gritou de novo.
- Quer outro beliscão? – perguntou Jack estreitando os olhos. – Se a cada coisa que eu te disser você fazer esse escândalo todo, é melhor chamar os outros logo e contar tudo!
- Não! Desculpe, mas dessa eu não sabia! – disse Barbossa de olhos arregalados.
- Ninguém sabia! E eu não sei o que acontecerá se Will deixar de ser o capitão do Holandês Voador sem que alguém apunhale seu coração!
- Minha Nossa Senhora! Imagina o que acontecerá com todas aquelas almas se ficarem sem rumo!
- Eu não quero nem pensar nisso! – disse Jack lembrando da visão de sua mãe, ele ainda descobriria o que diabos tinha naquela ilha onde encontrou Elizabeth.
- Então teremos que impedir Will de ir à fonte?
- Suspeito que ele já esteja lá! Tia disse que a fonte fica submersa, mesmo se quiséssemos chegar lá, teríamos que ser peixes para ir às profundezas!
- Maldição!
- Vamos proteger Elizabeth, deixá-la em terra firme para que ele não possa realizar seu plano por completo! Aí teremos algo para barganhar com ele, o que dará tempo para encontrar um jeito de pará-lo!
- Sim Jack! E salvar nossa pele também, pois se Will descobrir o que houve entre você e Elizabeth e se ele se tornar mau como Davy... estamos perdidos! Teremos que encontrar o coração dele! E rápido!
- É! Mas primeiro temos que deixar Elizabeth em terra firme! O resto, a gente dá um jeito!
-Aye! Depois quero saber o restante da história, porque sei que você ainda esconde muita coisa! – Barbossa estreitou os olhos.
- Está bem, está bem! – Jack fingiu concordar. – Mas depois, bem depois!
Barbossa assentiu a cabeça e foi para o timão. Jack foi importunar Elizabeth na cabine.
- Lizzie! Abra essa porta! Preciso pegar as cartas de curso ou nos perderemos!
Ela demorou um pouco para responder, ele gelou, mas a voz estranha dela soou como música aos ouvidos dele quando ela falou:
- Use sua bússola seu imbecil! – ela disse brava. – E você está errado sobre mim! Eu não estou... eu não estou isso aí que você falou que suspeita! Pirata idiota!
- Deixe-me entrar Lizzie! – a bússola dele só apontaria para a cabine se ele ousasse olhar.
- Não! – ela disse resoluta. – Eu só saio daqui quando eu quiser! E agora me deixe em paz!
Ele teve que a deixar. Ela precisava de tempo para digerir as suspeitas dele, era realmente assustador, tanto para ela quanto para ele.
Ele teria que se virar se orientando pelo sol e pelas estrelas, pelo menos enquanto que ela não o deixava entrar na cabine.
Na cabine...
Elizabeth estava perdida em seus pensamentos.
Era cedo demais, pensou ela, para que um simples enjôo fosse motivo de suspeita de gravidez. Ela entendia um pouco dessas coisas – uma de suas amas havia engravidado e Elizabeth acompanhou o início da gravidez – mas o que ocorre nos meses finais desse estado da mulher ela não tinha a menor idéia, pois depois dos seus 13 anos seu pai restringiu as conversas entre ela e as mulheres do lugar e ela aceitou de boa vontade, adorava ficar entre os homens e aprender coisas legais, não só cozinhar e cuidar da casa. O governador Swann queria que sua filha não desse muita importância a essas coisas de mulher como esperar um grande amor, ter pensamentos românticos, porque ele escolheria um marido para ela.
Mas Elizabeth era rebelde demais e ele não conseguiu educá-la como queria: ela era selvagem como a mãe dela.
E agora Elizabeth era uma traidora.
Traiu Will com Jack, de novo, mas não foi só isso, se entregou de corpo e alma a um desejo que queimava dentro de seu coração desde que Jack retirou aquele espartilho para que ela pudesse respirar e a agarrou como uma forma de escapar dos soldados.
Ela, sempre orgulhosa, fingiu aborrecimento e raiva naquela ocasião, mas estava radiante e feliz, não parava de pensar no pirata mais diferente e engenhoso que ela já tinha ouvido falar e teve o imenso prazer de conhecer. Ela sempre sonhou com piratas, sempre.
E também sempre sonhou em ser arrebatada por um, pois no lugar de um príncipe encantado, ela queria um pirata.
- Melhor que um príncipe num cavalo branco, é um pirata num navio negro! – ela falou isso em voz baixa e esboçou um sorriso. Esse pirata era Jack e o navio era o Pérola Negra.
Mais uma vez a gravidez veio em sua mente. Ela tremeu de medo. Mas era cedo demais, como ela já havia pensado. Era melhor esperar mais um tempo, interrogar Jack, os marujos...
Elizabeth decidiu sair da cabine.
No convés...
Todos ficaram surpresos quando Elizabeth saiu da cabine e foi para perto de Gibbs. Ficaram conversando.
Jack estava no timão. Olhou para ela e fez uma careta de aborrecimento, quando ela ficava chateada com ele era um inferno!
Elizabeth não falou com ele por um bom tempo.
Passaram-se alguns dias, o Pérola estava no meio do Atlântico agora. Eram águas relativamente tranqüilas. O tempo estava bom.
Jack e Elizabeth estavam se evitando, se revezavam silenciosamente nas tarefas do navio, como guiar o timão, dar ordens aos marujos...
Para dormir na cabine, ela ficava a noite toda, e ele metade do dia.
Às vezes Jack se pegava olhando-a sorrir com os golfinhos que acompanhavam o Pérola. Ela era tão linda e aparentemente frágil, ele a protegeria de qualquer modo, não importava como!
E ela nem olhava para ele, pois se olhasse correria para seus braços, na frente de todos, ela não se importaria... Mas ela tinha de resistir...
Ela se sentiu enjoada durante todos esses dias, mas conseguiu esconder, pois só vomitava quando acordava.
Definitivamente isso estava a assustando. Era muito lindo imaginar um filho do Jack, ainda mais um filho dele com ela, mas e Will? E a maldita promessa de guardar o coração dele para sempre?
Elizabeth finalmente entendeu o que ocorrera consigo mesma: ela era uma verdadeira pirata, rebelde, violenta, malvadamente alegre e... traidora. Sempre procurava se safar dos problemas, o resto do mundo que fosse para as profundezas dos infernos!
De repente o tempo ficou frio, as nuvens escureceram e se fecharam, as águas do Atlântico ficaram revoltas.
Vinha uma tempestade daquelas.
- Estamos perto das Bahamas Jack! – gritou Gibbs da amurada do navio. – Para bombordo Barbossa!
- Aye! – gritou Babossa em resposta, do timão. De acordo com o mapa estavam próximos de Eleuthera.
Estava escurecendo rapidamente.
- Capitão Jack Sparrow! – disse Pintel. – Para qual ilha das Bahamas devemos ir?
- Para Nassau! – gritou Jack na porta da cabine. Estava checando suas armas.
- Mas tem muitos soldados lá capitão!
- Somente Elizabeth e eu iremos a terra! – Jack falou isso com certo pesar.
- Você vai abandoná-la? Na ilha?! – Pintel falou num sussurro, como se pronunciar essas palavras fosse algum crime.
- Fique quieto! Não me encha de perguntas que exigem respostas imediatas! Estou cheio de coisas na cabeça, e... – Jack lembrou do que havia lembrado que esqueceu. – Vocês lembram da visita de Will não é? Na qual ele me feriu?! – perguntou receoso.
- Aye Capitão! Ele levou o mapa da Fonte e tudo, agiu de modo estranho, me fez lembrar Davy Jones! – Pintel ainda falava baixinho, estava com Jack na proa do Pérola. – Todos comentaram isso!
- Vocês lembram de mais alguma coisa? – Jack temia que eles lembrassem de Calypso.
- Não! Só isso mesmo, depois você se contorcendo em seus pesadelos, a boneca adormecida, e só!
Jack suspirou aliviado, mas logo depois perguntou quase no ouvido do pirata ao seu lado.
- Elizabeth sabe da visita de Will?!
Pintel o olhou surpreso e fez uma careta de estranhamento.
- Eu esperava que você soubesse, já que... você e ela... – gaguejou. - ... agora são tão íntimos e...
- Não somos íntimos! Quer dizer...
- Não precisa dizer nada! – Pintel piscou um olho para ele. – Eu no seu lugar faria o mesmo! Ela é um sonho de tão linda e fogosa!
- O quê? – Jack ficou meio bravo com o comentário travesso.
- Desculpe capitão! Mas é a verdade!
Jack não falou nada, só ficou o olhando, estranhando o jeito de Pintel.
- Será que é tão visível assim meu romance com Elizabeth?! – pensou Jack.
- Só temo pelo o que pode acontecer se o marido dela descobrir! – disse Pintel por fim, e saiu andando depressa, quase correndo, ao ver a respiração de Jack acelerar em sinal de fúria.
No porão...
Estavam Elizabeth, Cotton, seu papagaio e Raguetti, checando as provisões. Elizabeth vivia a retribuir os sorrisos que recebia de Cotton, sempre simpático com ela.
Raguetti estava fazendo algumas perguntas a Elizabeth e vice versa.
De repente, lembrando do que Gibbs havia contado para todos os marujos sobre o que acontecia entre Jack e Elizabeth, Raguetti disparou:
- Jack te disse o que Will queria?!
- Como é que é?! Jack e Will o quê?! – ela não acreditou no que ouviu.
O papagaio de Cotton saiu voando.
- Jack te falou qual o assunto que Will veio tratar e porque levou o mapa da Fonte?!
- Como assim?! Will veio aqui?! – ela exclamou surpresa e furiosa, agarrando o pirata pela gola da camisa.
Cotton tremeu de medo e pensou quão linguarudo era Raguetti e no que aconteceria no navio a partir de agora.
- Sim capitã! Jack não contou nada?! – Raguetti não tinha a mínima noção do porquê de Jack não ter contado isso a ela, uma coisa tão importante.
- Não! – Elizabeth se enfureceu. – Mas ele vai me contar agora! – cerrou os punhos e correu para escada que dava para o convés.
Jack estava em apuros, pensaram os dois piratas que se entreolharam. Cotton deu um tapa no braço de Raguetti.
