Oi Genteeeeeeeeeeee

Penúltimo capítulo dessa aventura bem louca que essa doida aqui escreve pra vocês!

A galera de POTC é da Disney...

Mas o Mickey é meu amigo e deixa eu me divertir com eles. XDDD

Breve o Grand Finale, que não é tão Finale assim.


Cap. 32

Elizabeth estava se afogando, depois do que Will fez com ela – a prendeu no Holandês e a obrigou a cumprir suas obrigações de esposa – ela tinha conseguido escapar da cabine e sem pensar muito, se jogou no mar, frio e escuro daquela noite sem luar.

Mas rapidamente foi cansando, por causa da força da correnteza e não conseguia mais manter sua cabeça fora da água. Algo a puxava para baixo, suas pernas ficaram paralisadas, seus braços estavam fracos, água entrava por suas narinas e finalmente a escuridão marinha a tragou de uma vez.

Ela foi afundando, afundando...

Estava consciente, de olhos abertos, apesar de não enxergar nada.

Finalmente a pressão da água venceu seu corpo e começou a esmagá-la, fazendo com que fechasse os olhos... para não abri-los nunca mais.


Pelo menos foi a sensação que ela teve...

- JACK! – Elizabeth abriu os olhos e levantou de imediato, mas caiu da cama, gritando desesperadamente.

Começou a chorar, chorava tão alto que chamou atenção dos marujos do lado de fora da cabine. Arrastava-se pelo chão tamanho o desespero.


- O que diabos o capitão está fazendo com a moça? – perguntou um jovem marujo. Os outros pararam seus afazeres e franziram a testa com pena de Elizabeth.

- Coisa boa não é, com certeza! Voltaremos a ser peixes novamente! Maldito seja nosso destino!


Mas Will estava longe dali, no porão, atormentando o prisioneiro.

E Elizabeth continuava a chorar, a sensação tinha sido muito real, real até demais. A água penetrando em seus pulmões, a sufocando, a dor da pressão da água esmagando seu corpo, não pensava em mais nada a não ser em voltar a ver Jack.

Um sonho nunca causou tanta dor como esse, nem seu sonho com o menino que era a cara de Jack e que a chamou de mamãe.

Ela arregalou os olhos, ficou paralisada pelo sentimento brutal de medo que teve.

Finalmente sentiu o peso da compreensão de tudo o que havia acontecido.

No outro sonho, ela estivera esperando por algo, em cima daquele monte em frente ao mar, e com ela estava o menino que era Jack em miniatura... o filho deles... só podia ser filho dela com Jack.

Por isso o menino a chamou de mamãe e falou com aquele jeitinho dengoso que Jack tem quando fala com ela.

Ela devia estar realmente grávida.

E por isso a dor no coração que ela sentiu quando avistou o raio de sol verde... Devia ser Will, malvado e cruel como se revelou para ela há poucas horas atrás.

Tudo agora fazia sentido, ela começou a tragar o ar com dificuldade, sentia uma vontade louca de morrer.

Ela não queria ter filho agora, não queria que Will descobrisse que não era mais virgem, não queria que Jack se machucasse por sua causa mais uma vez, não queria que a culpa fosse toda dela novamente.


Outro pensamento varreu totalmente as idéias que ela tivera.

Esse sonho do afogamento era como uma visão. Uma visão do que estava por vir.

- Eu tenho que pular deste navio! Tenho que fugir de Will, se ele descobrir que não sou mais pura e que me entreguei a Jack, justo a Jack, ele me matará, ou... – ela lembrou do sonho, que ela chamava de visão agora, nele, Will a forçava a se entregar à sua furiosa luxúria vingativa de marido traído. – Eu não posso agüentar isso! Não permitirei que isso aconteça! – estava decidida e levantou, enxugando as lágrimas.

Teria que dar um jeito de fugir, nem que fosse para a morte. Até a morte seria melhor do que ficar ali. Ela nem pensava no bebê.

Will não tocaria nela, ele não era mais o Will doce e gentil que ela amara.


Começou a andar dentro da cabine tentando achar uma saída, um meio de escapar.

Viu várias coisas que com certeza tinham pertencido a Davy Jones:

Cartas de curso molhadas, uma bússola quebrada – mais quebrada que a de Jack, ela sorriu fracamente – uma caixinha de música em formato de coração presa a um cordão prateado em cima de um órgão imenso.

Os olhos dela se mantiveram por um tempo na caixinha de música, já tinha visto uma daquelas em algum lugar. Pensou e finalmente lembrou, na casa de Tia Dalma tinha uma igual! Com certeza era a lembrança do amor deles.

Elizabeth decidiu abri-la para ouvir sua melodia.

O som do objeto encheu todo o ambiente úmido e gelado ao redor. Era uma música tão linda, tão doce, mas com uma nota triste no fim.

Muitas coisas passaram pela cabeça de Elizabeth enquanto ouvia a música, há tempos seus ouvidos não tinham um prazer como aquele. Ela chorou, se desmanchou em lágrimas e sentou no baquinho, de frente para o órgão.

- Linda canção não é?! – disse uma voz fria e cruel e ela se virou para ver. Era Will. Ela se assustou e pousou suas mãos nas teclas do órgão, produzindo um barulho aterrorizante.

Ela engoliu em seco e se manteve em silêncio, com o queixo em desafio, enxugou as lágrimas, mas tremia.

- Teremos nossa conversa agora! – ele chegou mais perto e agarrou o braço dela, a arrastando para a cama com violência.

- Me largue Will! Não! – ela gritou e começou a golpeá-lo com a caixinha de música.

Um corte profundo se abriu no rosto de Will. Seu sangue era verde e isso encheu Elizabeth de assombro.

- Precisamos conversar meu amor! – disse ele furioso e sorriu enquanto o corte milagrosamente ia se fechando.

- O que você quer que eu diga?! – ela esbravejou. Ele a jogou na cama e ela ainda segurava a caixinha.

Elizabeth esperava que ele fosse obrigá-la a fazer amor com ele, consumar o casamento, mas ele apenas sentou numa extremidade da cama.

- Estou muito bravo com você Elizabeth, como pode perceber! – ele disse severo e seus olhos ficaram escuros. – Porquê você saiu da ilha na qual te deixei?!

- Você não me... você não me deixou nada para viver ali! Nada Will! Eu não agüentava mais a solidão! Eu estava sozinha lá, não tinha nada naquela maldita ilha! – ela não podia dizer que quisera ficar, só para ver o quanto Jack se importava com ela, mas ele a amarrou e a levou dali á força. Isso pioraria ainda mais as coisas. – Porquê você me abandonou lá? – ela mudou o rumo da conversa.

- Lá eu sabia que ninguém jamais te encontraria! Principalmente Jack!

- O quê? – ela se encolheu na cama, mantendo a maior distância possível de Will. – Quer dizer que foi por causa de Jack, e não eu, que você me deixou naquela ilha esquisita, sem nada?! – ela gritou transtornada.

- Sim! – ele gritou na cara dela, a assustando. – Aquela ilha guarda todas as damas que morreram no mar, que morreram sofrendo, que afundaram junto com os navios! Nada mais justo que você ficasse por lá! – ele estreitou os olhos. – Na ilha Argo-Navis, você fica invisível para quem vê de fora da ilha. Você e meu coração estariam protegidos de você mesma e daquele maldito pirata!

- Não precisava fazer isso Will! Como você pôde me dar tanto sofrimento? Não bastava que você não pudesse ficar comigo e que estava semimorto? Não bastava o tempo que eu ficaria cuidando de seu coração?

- Não! Você tinha que ficar isolada! Você pensa que o que aconteceu foi por acaso? E acha que não sei que você correria atrás dele, ou ele atrás de você, quando soubesse que estava sozinha e livre?! – ele disse estreitando os olhos e chegando mais perto dela, ela se encolheu. – Eles planejaram tudo Elizabeth, desde o princípio!

- Planejaram?! – ela não entendeu. – Quem planejou o quê?!

- Jack e Calypso! Eles planejaram desde o princípio, queriam nos separar, por isso eu me tornei Capitão do Holandês Voador e você ficou sozinha!

- Não entendo Will! – ela estava boquiaberta. – O que você está querendo me dizer?

- Que Jack é louco por você e que planejou aquela história toda de coração pra poder se livrar da promessa a Davy Jones e ficar com você todinha para ele!

- Não acredito nisso! – ela disse balançando negativamente a cabeça, resoluta.

- Quer que eu te esclareça melhor Elizabeth?

Ela o olhou, altiva.

- Pois eu vou te dizer. Davy queria Jack para servir por 100 anos, e aquele malandro desgraçado encontrou em mim o idiota perfeito para ficar no lugar dele! Você bem sabe! Então fez um trato com aquela feiticeira da Tia Dalma para me deixar longe de você! Eles matariam três coelhos com uma cajadada só!

Elizabeth não acreditava no que Will estava querendo fazê-la pensar, mas fazia sentido o raciocínio dele.

- Ela ficaria livre de Davy Jones e Jack ficaria livre da promessa e com você! Não vê que essa é a verdade?

- Você está louco Will?! Sim, Jack é malandro e mentiroso, mas ele não planejava matar você!

- Planejava sim! Desde que se engraçou por você! Ele nunca foi meu amigo, ele precisava de mim para ficar perto de você! Ele me mandou saldar a dívida dele com Davy, e eu nem sabia o que diabos era essa dívida! Pense um pouco! Ele me mandou para a morte! E como não conseguiu da primeira vez, encontrou a situação ideal quando estávamos lutando contra Davy no Holandês, logo após voltarmos do Fim do Mundo! Eu fiquei sem poder pisar em terra, morto e condenado enquanto ele estava livre para te raptar ou Deus sabe o quê!

- Will, porquê está pensando em tudo pelo lado ruim? Aconteceu porque tinha que acontecer ora! Era nosso destino!

- Nós fazemos o nosso destino Elizabeth! – ele disse com dureza.

- Pode até ser que possamos mudar os detalhes Will, mas o motivo principal pelo qual estamos aqui nesse mundo é imutável, temos uma missão! É nisso que acredito!

- E eu acredito que Jack fez tudo de propósito! Por isso te deixei numa ilha na qual ele não poderia chegar, mas ele tem aquela deusa fajuta para ajudá-lo. Mas agora saiba que eu tenho a minha! Styx me esclareceu muitas coisas.

Elizabeth ouvia tudo atentamente, chocada com as atitudes de Will, devia ser pela falta do coração.

- Will, você tem que libertar da promessa que te fiz! – ela disse com ternura.

- O quê?! – ele se levantou exasperado. – Nunca!

- Will, pelo que você tem demais sagrado, eu não poderei te esperar a vida inteira! – ela suplicou. – Eu ficarei velha e morrerei sem poder viver minha vida!

- Eu não vou te libertar! Nem me venha com essa!

Ela reuniu toda sua coragem e decidiu pôr um fim na farsa que ela mesma havia criado para poder continuar vivendo quando era mais jovem – ela pôs na cabeça que amava Will, porque ele era um pirata e porque ela sempre sonhou em ser raptada por um pirata – ela agora teria que enfrentar todos os seus demônios, para fugir de Will e poder ver Jack novamente.

- Will... eu não te amo mais!

- Quê? – ele sorriu, não podia acreditar nisso.

- Eu te amava muito, você sempre foi meu melhor amigo, eu pensava que você era um pirata e...

- Você me amava? Me amava? O que te fez mudar de idéia? Descobriu que eu não sou um pirata? Só por isso?! – ele estava ficando rouco de ódio.

Ela abriu a boca, mas ele a interrompeu.

- Não precisa responder! Foi Jack não foi?! – Will falou com desgosto. – Eu sabia que você era louca por ele! Ele te roubou de mim! – a decepção era dolorosamente visível e Elizabeth não pôde conter as lagrimas.

- Eu ainda... te amo Will! Mas não é um amor digno de casamento, entenda pelo amor de Deus, eu te amo como a um irmão!

Will transbordou de fúria e deu um tapa com toda sua força em Elizabeth, que caiu desmaiada.

Ele a olhou e depois a abraçou. Ele não deixaria ela escapar, mesmo que ela amasse Jack, ela ficaria com ele! Breve Jack morreria e ela não teria ninguém a não ser ele para se apegar! Ele a entregaria para Styx fazer o serviço! Ela seria uma semimorta como ele e fatalmente teria que passar a eternidade ao seu lado! Sim, o plano daria certo.

Mas agora ele teria que acordar um amigo, que riscaria Jack e seu maldito navio negro do mapa para todo o sempre e Elizabeth veria tudo de camarote.

Deixou Elizabeth na cama e foi dar ordens aos marujos.


No convés do Holandês Voador...

- Will, estamos indo devagar demais! – disse Bootstrap Bill. – Desse jeito demoraremos semanas para alcançar a Fossa das Marianas, temos que ir para baixo!

- E Elizabeth papai?! Ainda não posso matá-la!

- E você pretende matá-la William?! – Bootstrap não acreditou no que seus velhos ouvidos ouviam.

- Tenho que fazer isso para que ela possa ficar comigo papai! Ficar para sempre! Pois sei que ela teme a morte.

- Você vai matá-la para que aquela ninfa a trasnforme numa semimorta como você? Ou pretende que ela prometa vagar junto ao Holandês?

- Os dois! O que der certo! – disse Will esboçando um sorriso. – Mas agora chega de conversa! Não te direi mais nada sobre meu plano! Trate de amarrar um barco no topo do mastro principal do navio. Vocês irão para o fundo a toda velocidade enquanto asseguro que Elizabeth ficará a salvo no barco, que será puxado! Entendeu?

- Sim Will. – disse Bootstrap que saiu a gritar as ordens aos marujos. Mas depois disso ele se dirigiu para o porão.


No porão...

- Veio me acoitar marujo?! – perguntou o homem acorrentado pelo pescoço. Sua voz era grave, máscula e estava cheia de revolta.

- Will enlouqueceu e eu sinto que em breve ele estará tão perverso quanto Davy Jones.

- Disso eu já sabia, afinal de contas, ele não tem coração!

- Ele quer matar a moça!

- O quê? Ela já está aqui?! – o prisioneiro sorriu, mas depois se pôs sério novamente.

- Sim! E ele já deve saber que ela não o ama mais!

- Ela nunca o amou Bootstrap, ela se apaixonou por Jack, isso sempre foi terrivelmente visível, eles se olhavam como se quisessem devorar um ao outro. – disse com tristeza.

- Mas Will agora é muito poderoso, ele é o mar, ele quer ir à Fossa das Marianas para acordar aquela maldita criatura! – Bootstrap estava arrasado.

- Então temos que tirá-la daqui! – disse o prisioneiro com fervor.

- Como se estamos presos aqui pela promessa que fizemos a Will?

- Eu fiz a promessa! Mas você não! Você pode sair daqui quando desejar, você está por livre e espontânea vontade!

- Eu não vou trair meu filho!

- Mas você quer que ela morra? Pelo amor de Deus homem, salve-a!

- Não posso!

- Então deixe que eu a salve! Me liberte daqui!

- Você não pode sair!

- Will não pode me matar, mas pode me mandar para o outro mundo, e eu não me importo! – disse veementemente o prisioneiro. – Mas deixe-me vê-la outra vez, é por isso que estou aqui Bill Turner! Deixe-me levá-la para terra firme para que Will não possa tocar nela! Nem fazer mal a ela! Por favor!

- Pare de falar bobagens James Norrington! – disse Bootstrap deixando o ex-comodoro a gritar para que o libertasse.

- Por Deus Bill, por Elizabeth! – James gritava desesperado.


No Pérola...

Os marujos estavam chateados com os últimos acontecimentos. Barbossa estava no timão e parecia hipnotizado pela direção que deviam tomar, nem olhava para outro lugar que não fosse seu mapa, o céu e o mar à sua frente.

O tempo estava terrivelmente ruim depois que Elizabeth foi levada. Fazia dois dias que Jack não dava sinal de vida, trancado naquela cabine.

Segundo Gibbs, garrafas de rum puderam ser ouvidas quando foram quebradas dentro da cabine durante as noites que já haviam passado.

Pintel e Raguetti estavam quietos, era muito triste pensar que jamais veriam a boneca novamente.

- Hei gente, o que iremos fazer quando chegarmos à ilha de Tia Dalma?! – perguntou Marty chegando perto da dupla.

- Vai ver que Barbossa sabe onde ela escondia algum livro de feitiços, aí jogaremos um no Will e ele libertará Elizabeth. – disse Raguetti.

- Não seja burro homem! – replicou Pintel, dando-lhe um tapa no braço. – Ela não escrevia nada em livros! Pelo menos eu não vi nenhum livro quando estivemos lá!

- Mas então, porquê diabos estamos indo para lá?! – perguntou Marty confuso.

- Por que há coisas lá que nos podem ser úteis, e pessoas também! – chegou Barbossa por trás, os assustando. – Logo cairá uma tempestade terrível, é melhor cuidarem das velas seus idiotas! Deixem que Jack e eu cuidamos desse assunto.

Os outros ficaram a olhar para o cenho franzido de Barbossa que continuou olhando para eles, mas não se movia, parecia hipnotizado, perdido em pensamentos, não os enxergava.

- Barbossa? – chamou Pintel. – Algo errado?!

Barbossa sacudiu a cabeça e finalmente falou.

- Vou falar com Jack, estou com um aperto no peito!

Os marujos nunca o ouviram falar desse jeito nem dessas coisas, isso era realmente assustador, o coração de todos pareciam amolecidos, e isso não era digno de piratas.

- Nós também! – disseram os marujos ao mesmo tempo.

Realmente parecia que uma gigantesca nuvem negra pairava sobre o navio e que os sufocava, os enchia de um pânico inexplicável.

Will não estava atrás deles – pelo menos eles assim imaginavam – já tinha levado Elizabeth, o que mais ele poderia querer?

Cotton estava no porão, pensando na vida enquanto cozinhava, mas ninguém comeu nada.

Gibbs agora estava no timão, sua tristeza era inegavelmente explícita. Estava preocupado com Jack, ele nunca tinha visto seu amigo tão diferente e furioso quanto quando Will arrebatou Elizabeth do Pérola.

Barbossa andou em direção à cabine.


Na cabine...

Jack estava com sua bússola numa das mãos, na outra, uma garrafa de rum quase vazia e no coração uma tristeza que ele nunca ousou imaginar que sentiria.

- Onde está você Calypso? – sussurrava ele com tristeza.

Não tinha dormido, nem comido, só tinha o rum no estômago, estava com uma dor de cabeça dos infernos e vomitava a todo momento.

Definitivamente isso não era bom, nem bêbado ele conseguiu esquecer os problemas, tudo girava, girava, girava... e uma única imagem aparecia em sua mente:

Elizabeth lhe sussurrando que não a deixasse que não a abandonasse, enquanto Will a arrastava. E ele não podia fazer nada, não agora, não sem ajuda de Calypso.

Ele rezava baixinho para que Calypso aparecesse com todos aqueles siris e dissesse que o ajudaria a tirar Elizabeth de Will. Mas logo depois começava a amaldiçoar sua sorte, amaldiçoar tudo e todos, até mesmo Elizabeth, que havia destruído o mundo dele – o mundo do pirata mais famoso dos sete mares – pois ele era conhecido em todos os lugares, ainda que por ser excêntrico e atrapalhado.

E agora Jack estava sem chão. Completamente arrasado.


- Jack?! – Barbossa batia insistentemente na porta e chamava por ele.

Ele não tinha a mínima vontade de deixar que alguém o visse na completa miséria.

- Vá embora... não estou com vontade de conversar seu zumbi renascido do inferno! Quero ficar sozinho! Savvy?! – disse Jack com a voz falhando. Estava bêbado demais para ter forças sequer para levantar dali e abrir a porta. "A morte agora viria a calhar", pensou Jack com um sorriso murcho.

- Só queria saber se você estava vivo! – disse Barbossa meio sem jeito. – Breve chegaremos à ilha.

- Desde quando você se preocupa comigo? – ralhou Jack.

- Ahhhh! – Barbossa se encheu de raiva e saiu de perto da cabine. – Pirata imbecil!

Jack abaixou a cabeça e olhou para sua bússola.

Ficou pensando se seria mesmo para Elizabeth que ela apontaria. No momento ele desejava com fervor apunhalar o maldito coração daquele peixe-touro-zumbi dos infernos!

Abriu-a finalmente.

E tomou um susto.


No Holandês Voador...

Elizabeth despertou com algo incomodando seu pescoço. Era um colar de ferro. Estava acorrentada pelo pescoço, presa a uma bola de metal grande e pesada.

Levantou da cama e tentou caminhar, mas a bola pesava muito e ela, com muita dificuldade conseguiu arrastar.

- Maldito seja Will! – ela rangeu os dentes.

Tinha que sair dali, mas como iria se jogar na água agora? Se pulasse, estaria no fundo do mar em segundos.

Sentou-se no chão e se pôs a pensar. Teria que pedir ajuda a Bootstrap, mas, ele devia estar do lado de Will.

Ela suspirou cansada, lembrou-se da conversa com Will, e do tapa que recebeu dele após dizer que não o amava.

Não podia esperar outra coisa que não fosse profunda raiva da parte dele, coitado. Mas ele também não estava bom, estava estranho.

- Sem o coração, ele ficou violento e malvado! Ele não é mais o meu querido Will! – pensou ela com amargura. – Seria melhor que ele tivesse morrido de uma vez! Maldita seja essa maldição! Maldito seja meu destino e maldito seja Jack que deixou Will apunhalar aquele coração! – exclamou furiosa, mas depois ficou refletindo. – Se fosse Jack no lugar de Will, se Jack, aquela criatura simpática e adoravelmente linda, ficasse mau e sem coração?! Nunca! – ela gritou a última palavra e assim que a disse, Will entrou na cabine.

- Vamos dar um passeio amor?! – ele lhe sorriu.

- Não, obrigada! – ela estreitou os olhos com raiva. – Porquê esses grilhões Will?

- Porque você é fujona! Te conheço Elizabeth, te conheço muito bem.

- Mas eu não o conheço William Turner! – ela disse desafiadora.

- Pois é, mudei um pouco e para melhor! O que você esperava? Que eu fosse aquele mesmo idiota de sempre? Que acreditava em sua lealdade e sua palavra?

- Aquele Will era doce e meigo, um verdadeiro bom homem!

- EU SOU UM BOM HOMEM! – ele gritou no ouvido dela e a levantou. – Desde que eu vi você e Jack se beijando no Pérola... – ele disse e ela sentiu um aperto no peito, ele tinha visto, agora ela tinha certeza. -... eu nunca mais te olhei da mesma forma! Tentei me iludir pensando que você o esqueceria depois de nosso casamento, mas... você não consegue tirá-lo de seus pensamentos não é?! – Will agora estava com a voz embargada. – Mas você vai voltar a me amar Lizzie!

- Não me chame de Lizzie! – ela o olhou furiosa.

- Não é assim que você gosta de ser chamada?

- Você não é Jack! Pare com isso Will, nunca mais me chame de Lizzie!

- A chamarei do que eu quiser! – ele riu. – Temos que ir para o fundo agora, não temos tempo a perder!

- Você vai me afogar Will? – ela disse assustada.

- Não meu amor! Como pode pensar que lhe quero o mal? – ele falou com falsa indignação. "Ainda não, ainda não.", pensou ele e riu.

Vieram outros marujos que retiraram a bola de ferro de Elizabeth. Mas Will ordenou que mantivessem o colar de ferro e acorrentou-se a ela da mesma forma.

- Assim você não escapa! – ele sorriu malvadamente enquanto ela se irritava e surpreendia cada vez mais com tudo o que lhe acontecia.

Will a arrastou a um barco que estava preso a uma corda bem grossa.

- Para baixo seus miseráveis! – gritou Will e o Holandês foi submergindo.

Logo ficaram somente Will e Elizabeth que logo tiveram que se segurar quando o barquinho começou a ser arrastado a uma velocidade assombrosa.

O mar estava estranhamente liso e sem ondas por onde o barquinho deslizava.

Passaram rapidamente pelo Estreito de Magalhães.

Elizabeth estava agoniada, água salgada a molhava, as correntes e o colar de ferro a incomodavam, o frio era cortante, ela iria congelar.

Logo adormeceu tamanho o esgotamento. Will ficou acordado, breve estariam na Fossa das Marianas e acordariam seu amigo.


Os dias passavam infernalmente devagar. Elizabeth pensou que morreria de fome e de frio, mas algo parecia lhe fortalecer os ossos. Ela queria morrer, mas algo a mantinha viva, talvez fosse o pequeno ser que crescia dentro dela. A esse pensamento ela estremeceu.

Todos os dias o Holandês vinha à superfície para que Will descansasse. Ela não tinha descanso, ficava acorrentada todo o tempo e se recusava a comer o peixe cru que lhe era oferecido como refeição. Não tinha água doce da chuva suficiente para matar sua sede. Will lhe dava água de vez em quando, quando via que ela não agüentaria por muito mais tempo sem beber algo.

Na manhã do sétimo dia, ela viu Will sorrir. Logo o Holandês saiu do fundo e navegaram com alegria até um lugar onde não se viam ilhas por perto.

O sol estava lindo, seus raios deixavam o céu incrivelmente azul, o cheiro do mar era agradável.


- Vamos desgraçados! O chamem! Acordem a criatura! – Will gritava e os marujos puxavam uma espécie de alavanca. Puxavam até que o pedaço de madeira subiu como uma grande rolha de uma garrafa de vinho.

- Soltem! – Will gritou. – Quero que veja isso Elizabeth! – Will disse e ordenou que Bootstrap a trouxesse para perto da amurada.

Um grande estrondo no oceano abalou o navio e a água.

Elizabeth estava assustada, virou para Bootstrap Bill e perguntou o que tinha sido aquele abalo. Mas ele nem precisou responder.

Um gigantesco ser surgiu do fundo do mar e a fez perder o fôlego diante da visão.

- O Kraken! – ela sussurrou assustada.


Breve o Capítulo final dessa fic... mas ela terá continuação! Hehehehe

Porque estou tão megalomaníaca que quero minha própria TRILOGIA!!

Nota da autora

Sobre o Norrie:

Falo nele desde o Cap. 31, mas num disse quem era pra fazer surpresa né?? XDDD

Primeiro trecho que falo dele:

... Fora dali, no porão do Holandês, um marujo acorrentado estava tentando fugir, ele fora muito importante em vida, mas agora, teria que servir a Will por 100 anos... ele não temia a morte, pelo menos ele acreditava que não temia, mas antes de morrer, os gritos de uma moça (a Lizzie) o fizeram tremer de medo... medo do que aconteceria com ela agora que estava sozinha no mundo... queria protegê-la, vê-la outra vez. E agora que estava tão perto de realizar seu desejo, o Capitão o prendeu, pois sabia que ele não ajudaria em seu maligno plano. ...

Esse é o James Norrington do qual falava naquele cap.

Sobre o Kraken:

Na Fossa das Marianas, que é o ponto mais profundo dos oceanos, um abismo abissal ... reza a lenda que haviam muitas lulas gigantes... uma que encontraram tinha 25 metros!! Isso de verdade heim!Procura no Google XDDD

E como o Kraken, creio eu, é uma lula (não o presidente XDDD) e não um polvo como pareceu em Piratas do Caribe - ou era uma mistura entre lula e polvo?? OO – mas, de qualquer forma

A lula-polvo Kraken (Kroken no original escandinavo P ) devia estar mimindo e o Will Touro foi lá despertá-la, já que ele manda nas criaturas da escuridão do mar... porque ele agora é o "Senhor das Profundezas" como Davy Jones o era.