Capítulo X
...Tudo que eu quero de natal é você...(x)
(x)All I Want For Christimas is You – Mariah Carey
Lily:
Também morremos de saudade de você, minha filha, mas infelizmente só no veremos uns dias antes de você ir para Hogwarts novamente, não é mesmo? Eu entendo que sua amiguinha precisa de todo o apoio agora que terminou com o namorado, então você pode sim passar o Natal com ela, mas dia 27 eu te espero na estação King's Cross para você pelo menos passar o Ano-novo com sua família. Sua mãe está mandando dizer para você se comportar direitinho na casa da família Shumman, certo? A autorização para você sair da escola segue junto com a carta. Até dia 27!
Beijos do papai.
- Eu não acredito, ele caiu direitinho! – Tiago disse depois de ler a carta. – Pena que é só até dia 27...
- Mas pelo menos vamos passar o Natal juntos! – Lily vibrou o abraçando. – Vamos antes que o trem parta sem nós dois.
Lily segurou a mão de Tiago enquanto ele arrastava os malões dos dois, pela Estação de Hogsmead. Estava começando a nevar novamente e quase todos os alunos estavam dentro do Expresso Hogwarts, menos eles dois, Sirius e Megan, que conversavam intimamente mais atrás deles. O senhor Pringle estava postado na porta do trem, pegando as autorizações dos alunos que sairiam da escola para o Natal, e com todo o prazer do mundo Lily entregou a sua, sorrindo.
- Cadê a senhorita Shumman? Você só pode embarcar com ela... – ele perguntou depois de ler.
- Ela está aqui atrás de mim... – Lily respondeu virando-se e tomando o maior susto do mundo.
Quando ela, Tiago e Pringle se viraram para ver, Megan e Sirius estavam simplesmente se beijando, na frente de todo mundo, sem ligarem. Lily ficou de queixo caído enquanto observava, escutando Tiago rindo daquela cena um tanto inesperada. Pringle foi o único que não gostou da historio e tratou de repreendê-los pela falta de respeito com os alunos mais novos.
- Subam nesse trem antes que eu dê detenção para os dois. – disse empurrando Sirius para dentro do trem.
- Relaxa Pringle, um beijinho de Feliz Natal, só isso. - Sirius respondeu rindo.
O trem já havia começado a andar quando os quatro encontraram com Remus e Petter em uma cabine. Tiago nem bem sentou e já começou a contar sobre o beijo de Sirius e Megan para os amigos, da cara de assustado que Pringle fez ao ver a cena. Lily riu do namorado contando e não deixou de observar que Sirius estava sentado ao lado de Megan, com o braço ao redor da cintura dela em forma de abraço.
- Depois a gente que é um casal meloso... – ela comentou depois que Tiago calou-se.
- A diferença é que a gente é um affair rapidinho e vocês são melosos o tempo inteiro. – Megan disse e Sirius concordou com a cabeça.
- A gente também era um affair no começo. – Tiago retrucou. – Cuidado para você não ser o mais novo compromissado da escola, Almofadinha.
- Jamais, caro Pontas. – Sirius respondeu rindo. – Eu não sou louco de me amarrar em pelo sétimo ano, o ano de curtição.
A discussão sobre o sétimo ano ser ou não o ano de curtição amorosa só terminou depois que a moça do carrinho de doces bateu na porta da cabine deles, oferecendo o maior numero de doces maravilhoso que alimentariam eles durante toda a viagem. Por causa da neve, a viagem foi demasiadamente mais lenta que o normal, mas ninguém parecia se importar com aquilo, pois tamanha era a diversão em meio aos feijõezinhos de todos os sabores e sapos de chocolate.
Já estava quase anoitecendo quando o trem chegou à estação King's Cross. Alguns pais já esperavam seus filhos no lado bruxo da estação, ansiosos depois de três meses sem se verem, mas os pais de Tiago não estavam lá. Remus avistou a mãe um pouco mais longe de onde eles estavam e decidiu ir falar com ela o mais rápido possível.
- Feliz Natal, pessoal! – ele disse se despedindo de todos. – Até Janeiro!
- Olha lá sua mãe, Rabicho! – Sirius disse apontando.
A mãe de Petter era uma copia exata dele, baixinha e gordinha, com os dentes da frente levemente maiores e os cabelos parecendo pêlo de rato. Ele se despediu dos amigos parecendo não está feliz de rever a mãe e se afastou do grupo cabisbaixo bem no momento que Megan avistou os pais.
- Minha vez... – ela disse virando para os outros.
- Feliz Natal, amiga! – Lily disse a abraçando forte e abaixou o tom de voz. – Obrigada, viu?
- Bom Natal, se é que você me entende... – Megan disse baixinho. – Vou querer saber todos os detalhes.
Lily e Megan começaram a rir, deixando Tiago e Sirius sem entender o porquê daquelas risadas, mas não falaram nada. Antes de ir embora, ela se despediu dos dois com um abraço, o de Sirius sendo um pouco mais especial. Foi de encontro aos pais, que sorriam de felicidade de verem a filha depois de tanto tempo, mesmo ela aprontando tanto quanto aprontava.
- Vamos? – Tiago sugeriu ao ver que todos os amigos haviam ido embora.
- Vamos, tô louco pra comer aquele bolo que sua mãe faz, Pontas. – Sirius disse segurando seu malão.
Quanto mais se aproximavam da barreira, mas Lily ia ficando nervosa, suando frio e sentindo seu estômago afundar. Estava a poucos passos de conhecer a família de Tiago, de sofrer aquela velha pressão de conhecer a sogra, a mãe dele, a mulher mais importante da vida dele. Pensou milhares de vezes por que tinha aceitado aquele convite, por que havia se metido naquela situação nervosa e estressante, e pareceu que Tiago percebeu, pois quando Sirius atravessou a barreira, ele virou-se para conversar com ela.
- Você não queria vim, é isso não é? – perguntou sério.
- Não, eu queria vim sim, Tiago. – ela respondeu tentando sorrir, mas o nervosismo não deixava. – É que...
- Me conte, pode dizer.
- Eu estou nervosa... Por que eu vou conhecer seus pais. – ela respondeu respirando fundo. – E se eles não gostarem de mim? Eu fico nervosa demais com isso.
- Lily, meus pais vão te adorar, tenho certeza. – ele disse sorrindo. – Eles vão te adorar porque eu estou feliz com você, você é maravilhosa demais para eles não gostarem de você.
- Oh Ti, obrigada! – ele derreteu-se o abraçando. – Eu tenho que agradecer aos dois por terem feito você, viu?
Sorrindo com aquele comentário, ele atravessou a barreira e logo em seguida foi à vez dela. Sirius já esperava impaciente do outro lado, com sua cara de rabugento típica dele, mas não disse nada quando os viu, apenas continuou caminhando. Os pais de Tiago estavam do lado de fora da estação e não foi difícil de reconhecê-los.
A mãe de Tiago era mais velha do que imaginou que ela fosse, os mesmo olhos do filho e os cabelos negros iguais. Sorria para eles, lembrando o jeito da mãe de Lily sorrir quando a reencontrava na estação, exatamente como naquele momento. Olhar para o senhor Potter era olhar uma versão mais velha de Tiago, tinham o mesmo porte físico, apesar da idade avançada dele, e o rosto, tudo igualmente herdado e Lily sorriu pensando como o namorado iria ser um senhor bonito. Sirius foi o primeiro que cumprimentou os dois, os abraçando de forma maternal. Logo em seguida Tiago abraçou a mãe por um longo tempo e o pai em seguida, Lily mais atrás observando a cena familiar que se formava.
- Sra. Potter, já conhece sua nora? – Sirius perguntou puxando Lily pela mão.
Ao se ver frente à frente aos pais de Tiago, ela ficou muito vermelha e sorriu sem graça. Iria matar Sirius mais tarde por ter a feito passar por aquela cena vergonhosa, esquecendo totalmente do clima natalino de amor ao próximo.
- Mãe, pai, essa é Lily Evans. – Tiago disse passando o braço ao redor do corpo dela e Lily pode sentir-se mais segura. – Minha namorada.
- Prazer senhor e senhora Potter... – ela disse timidamente estendendo a mão.
Os dois a cumprimentaram sorrindo, sem dizer nada, e um olhou para o outro e logo em seguida para Sirius, que ainda rindo, confirmou com a cabeça.
- Então você que é a famosa Evans? - O senhor Potter perguntou sorrindo. – Que a gente tanto ouviu o Tiago falar?
- Pai, por favor! – Tiago disse ficando vermelha.
- Tiaguinho falava tanto em você durante as férias, não era Sirius? – senhora Potter falou docemente.
- Com certeza! – Sirius fez questão de dizer, deixando o amigo com mais raiva e vergonha ainda. Lily não deixou de sorrir de satisfação
- Vamos logo então. – senhor Potter disse vendo que o filho já estava passando do último nível de vergonha. – Vocês devem está com fome...
- Adivinhou meus desejos, senhor Potter. – Sirius falou pegando o malão do chão.
Os pais de Tiago entraram no carro azul claro logo atrás deles enquanto eles colocavam os malões no fundo do carro. Quando Sirius os deixou sozinhos, Lily sorriu para Tiago.
- Tiaguinho? - ela disse sorrindo para ele.
- Minha mãe ainda insiste em me chamar assim... – ele respondeu sem graça.
- Não se preocupe, é fofinho! – Lily falou o beijando logo em seguida.
O caminho para a casa de Tiago foi bem calmo, ele e Sirius contando para os pais de Tiago as últimas que tinham aprontado, mesmo que a senhora Potter falasse o tempo inteiro que já havia passado do tempo deles tomarem juízo.
- Pelo amor de Merlin, cresçam! – ela disse rindo com os dois.
- Deixe os meninos, Mary. – senhor Potter disse rindo e Lily não pode deixar de reparar que ele e Tiago tinham o mesmo sorriso.
A casa de Tiago ficava em um bairro nobre afastado de Londres, onde não se via muitas casas. Era calmo e estava coberto de neve, lembrando a Lily aqueles bairros de filme sobre o Natal. Era uma casa de dois andares, não muito grande, que dava um aspecto mais aconchegante, deixando Lily impressionada com a decoração tipicamente inglesa que ela tinha. A senhora Potter lhe mostrou todos os cômodos enquanto Sirius e Tiago subiam com os malões, reclamando do senhor Potter que não uso magia. Lily riu ao ver as fotos de Tiago pequeno, desde cedo brincando com aquelas vassouras em miniatura que pairavam alguns centímetros do chão, ou vestindo uma camisa do Holyhead Harpies, seu time desde que nasceu.
- Mamãe, deixa a Lily respirar em paz. – Tiago disse descendo as escadas. – Ela não quer ficar olhando essas fotos empoeiradas.
- Quero sim! – Lily respondeu segurando um porta-retrato. – Principalmente as suas com os meninos quando eram mais novos... Tão bonitinhos!
Tiago soltou um muxoxo e Lily largou o porta-retrato em cima da lareira acessa, indo em direção a ele. O deu um beijo de levo enquanto acariciava o rosto dele, sendo observados pela senhora Potter, que ficou orgulhosa pelo filho ter escolhido uma namorada tão bonita e simpática.
- Preciso terminar de preparar o jantar de Natal... – senhor Potter disse sorrindo.
- Precisa de ajuda, senhora Potter? – Lily se ofereceu. – Eu sempre ajudo minha mãe a preparar a ceia para Papai Noel. – riu ao dizer isso, mas parou ao ver que ninguém mais entendeu a piadinha.
- Ceia? – ela perguntou sem entender. – Papai-o-quê?
- É, os trouxas chamam o jantar natalino de ceia. – Lily respondeu meio recatada. – E Papai Noel é um personagem natalino importante...
- Lily é mestiça, mamãe. – Tiago informou rapidamente. – Os pais dela são trouxas.
- Oh, que bom! Seu pai irá adorar conversar com ela... Não queira se incomodar, querida. Eu me viro enquanto vocês se arrumam. – ela disse saindo da sala, mas Lily a seguiu.
- Eu insisto, senhora Potter. – ela disse enquanto entravam na cozinha. – É uma forma de agradecer a estadia aqui. Por favor.
- Tiago, não a deixe escapar, pelo amor de Merlin. – a senhora Potter disse os fazendo rirem. – Vamo começar então...
Deixando as duas conversando na cozinha, Tiago resolveu ir tomar um banho rápido, bem quente. Sirius estava parado na porta do seu quarto com uma cara de poucos amigos, levemente irritado, digamos assim.
- Qual o problema, Almofadinha? – Tiago perguntou se aproximando dele.
- Problema? Nenhum, só o malão da Evans está no seu quarto, onde o meu deveria está já que eu divido o quarto com você. – Sirius disse entrando no quarto.
- Almofadinha, você não percebe? – ele disse entrando no quarto também. Sirius estava arrastando o malão de Lily para fora, mas ele o impediu. – É minha chance...
- Chance? Você realmente acha que a Evans vai liberar tão fácil assim? – Sirius perguntou rindo. – Se você demorou anos para beijá-la, imagine aí...
- Ela aceitou vir não foi? – Tiago disse com um meio sorriso nos lábios. – Então isso já é um passo dado, Lily não é tão inocente pra não ter notado minha intenção.
- Eu não sei não... – Sirius falou balançando a cabeça.
- Não sabe o que, Sirius?
Lily apareceu na porta do quarto, parada no vão da porta. Tinha um ar travesso no olhar, observando os dois conversarem. Tiago pediu a todos os deuses que ela não tivesse escutado a conversa desde o começo senão, a conhecendo com ele conhecia, ia ter confusão à vista, mas pareceu que Lily não sabia do que se tratava, pois o deu um beijo logo em seguida que entrou no quarto.
- Adeus! – Sirius falou saindo rapidamente do quarto.
- O que vocês estavam conversando? – Lily perguntou sentando na cama dele.
- Nada demais... Quadribol! – Tiago mentiu sentando ao lado dela. – Fofocou muito com minha mãe?
- Um pouco, o suficiente para saber que, por exemplo, você tem medo de diabretes... – ela se divertiu, o fazendo ficar vermelho. – Quem diria...
- Culpa do meu primo Mattew que soltou um desses em mim quando eu tinha sete anos, nas férias na Cornualha... – ele se defendeu ficando mais vermelho ainda.
- Eu entendo, Tiago. Não precisa ficar com vergonha, é bonitinho ter medo de um bichinho que gosta de pregar peças. – ela disse rindo, alisando os cabelos dele. – Eu prometo que ninguém ficará sabendo disso.
Tiago sorriu pra ela e logo em seguida a jogou na cama, a enchendo de cócegas na barriga. Lily ria descontroladamente, tentando o fazer parar em vão, pois ele tinha o dobro de sua força, a deixando a mercê das cócegas dele.
- Tiago pára... – pediu em meio às gargalhadas que dava. – Por favor.
Ele só parou de fazer cócegas nela quando viu algumas lágrimas escorrendo no canto dos seus olhos. As limpou observando Lily ainda ofegante por causa das cócegas e logo em seguida a beijou delicadamente. Ela o laçou pelo pescoço, sentindo um pouco do peso de Tiago sobre seu corpo e as mãos dele descendo por sua cintura. Sua mente trabalhava a mil, lembrando o que Megan havia lhe dito uma semana atrás sobre as reais intenções dele para chamá-la para passar o Natal em sua casa. Parecia que tudo estava se concretizando ao poucos se ela fosse levar em conta que o beijo deles tinha tomado uma dimensão desconhecida, muito mais cheio de mãos que o normal. Sentiu o toque da mão de Tiago subindo por sua cintura, embaixo da blusa de frio que vestia, a deixando arrepiado pelo corpo inteiro...
- Tiago... – o senhor Potter disse entrando no quarto sem avisar.
Com o susto que tomaram, Lily acabou batendo a testa no rosto dele ao tentar se levantar, tamanha foi a vergonha de ser pega naquela situação com o namorado. Tiago sentou na cama rapidamente, arrumando o óculos no rosto e a deixando sentar-se também. Lily ficou mais vermelha do que estava, querendo sumir naquele momento de embaraço na frente do sogro.
- Desculpe-me, eu não sabia... – senhor Potter disse tentando não rir para não deixá-los mais sem graça ainda.
- O que foi, pai? – Tiago perguntou irritado.
- Sua mãe pediu para vocês se arrumarem pro jantar... Acho que é só isso. – ele respondeu limpando a garganta. – Podem voltar... Vou sair...
Sem dizer mais nada ele saiu do quarto, os deixando sozinhos novamente. Lily olhou assustada para Tiago, que logo em seguida caiu na risada, se jogando na cama de tanto rir.
- Qual a graça? – ela perguntou nervosa. – Eu realmente não qual é a graça de ser pego... Nessa situação pelo seu pai.
- Isso me lembrou o verão de 66, quando meu pai me pegou beijando minha prima de seis anos também. – ele respondeu rindo. – Ele fez essa mesma cara de orgulho do filho...
- Ai Tiago, você não cresce mesmo né? – ela disse o jogando o travesseiro na cama e se levantando, mas ele a puxou de volta, a fazendo cai em seu colo.
- Sou sua eterna criancinha, que tal? – ele perguntou a abraçando.
- Se bobo... – derreteu-se o beijando de leve.
Tiago ainda tentou recomeçar de onde pararam, mas Lily levantou-se rapidamente da cama, o impedindo. Não queria correr o risco de a mãe dele aparecer dessa vez, sentia que ela demasiadamente protetora com aquele filho dela então preferiu manter a sua boa imagem perante sua sogra.
- Ande, vá se arrumar antes que sua mãe ache que não queremos participar do jantar dela. – ela falou o puxando pela mão.
Resmungando, Tiago entrou no banheiro, deixando-a sozinha no quarto. Como toda curiosa que se preze, não se conteve em olhar tudo que tinha no quarto dele. Primeiro foram as fotos em cima da cômoda, algumas dele pequeno, outras com os Marotos em Hogwarts e de sua família. Dava pra perceber que ele era bem ligado aos parentes, um menino que foi criado com todo o mimo possível por ser filho único e ela achou isso bonitinho. Provava que ele seria um grande pai, a deixando estranhamente feliz. Já estava começando imaginar filhos com ele? Estava louca, com certeza!
- Se concentra, Lily Evans. – disse a si mesma afastando esse pensamento. – Ainda não...
O que ela mais gostou de ver foram as miniaturas de jogadores de quadribol que ele tinha em uma estante. Tinha quase de todos os jogadores europeus, ela jurando ver até o time Holyhead Harpies inteiro em miniaturas que se moviam de acordo com a posição que jogavam em campo. Outra coisa que ela achava bonitinha nele era essa paixão obsessiva pelo esporte, mesmo muitas namorando não gostando nem um pouco de serem trocadas pelas vassouras e balaços. Lily sabia administrar isso bem.
Ela estava de costa para a porta do banheiro, ainda brincando com as miniaturas, quando Tiago saiu do banho. Lily levou um leve susto ao vê-lo só de toalha amarrada na cintura, mas não foi bobinha de no olhar um pouco mais o corpo do namorado. Os anos de Quadribol o lapidaram bem, pensou analisando a barriga sequinha que ele tinha e os braços levemente malhados, mas desviou logo o olhar de vergonha, o fazendo rir.
- Tô começando a achar que você tem nojo de mim... – Tiago disse rindo dela.
- Você está de toalha, Tiago. Como é que eu não fico com vergonha? – Lily respondeu ainda sem virar-se para ele. – Eu não estou acostumada a ver meninos sem camisa assim não...
Respeitando ela, Tiago pegou rapidamente a roupa que usaria e entrou novamente no banheiro, deixando-a sozinha novamente. Lily aproveitou e abriu seu malão para escolher que roupa usaria naquela noite, querendo causar uma boa impressão a todos.
- Vai se arrumar agora? – Tiago perguntou saindo do banheiro.
Lily não pode deixar de observar o quão lindo ele estava. Vestia um suéter azul-marinho e calça jeans, os cabelos meio molhados bagunçados e o típico e necessário óculos no rosto.
- Tá lindo, Ti! – ela disse o beijando delicadamente. – Mas agora, adeus!
- Por quê? Eu não posso ficar no meu próprio quarto? – ele choramingou sendo colocado pra fora.
- Nada disso. Vou demorar e você só me verá quando estiver pronta.
Depois de ainda escutar Tiago choramingando mais um pouco para ficar ela finalmente conseguiu ficar sozinha para começar a se arrumar. Olhou ao redor, a roupa escolhida em cima da cama e deu um longo suspiro.
- Vamos começar então... – falou pra si mesma.
Tiago estava sentado na sala, lendo uma revista bruxa que estava esquecida em cima do sofá, quando seu pai apareceu na sala fumando um cigarro.
- A mãe já vai te mandar apagar esse cigarro, pai. – Tiago disse sem tirar os olhos da revista.
- Ela está se arrumando, ainda tenho tempo. – senhor Potter respondeu colocando o cinzeiro no braço da poltrona que sentou. – Filho, eu tenho que conversar com você sobre sua namorada.
Só assim Tiago tirou a atenção da revista e voltou para o pai. Será que ele iria falar da cena que presenciou mais cedo entre ele e Lily ou iria falar por ela ser filha de trouxas, mesmo Tiago sabendo como seu pai era fascinado com artefatos trouxas. Ficou levemente preocupado, mas disfarçou pigarreando e se ajeitando no sofá.
- Algum problema? – perguntou sério.
- Muito pelo contrario, ela é maravilhosa! – senhor Potter respondeu sorrindo e Tiago sorriu também. – Sua mãe estava me contando como ela foi prestativa com o jantar, muito agradável. Fez a escolha certa, Tiago. Parabéns.
Tiago sentiu orgulho de si mesmo ao escutar que Lily era maravilhosa. Isso só aumenta mais ainda o prazer que ele teve de levá-la para conhecer seus pais e mostrar que estava feliz com ela ao seu lado, depois de tanto tempo que todos escutaram como ele gostava de Lily, mas ela não dava a mínina para ele. Agora eles entendiam porque Tiago insistiu tanto em querer ficar com ela.
Com um atraso clássico feminino, Lily apareceu na sala onde Tiago, Sirius e o pai conversavam. A atenção de todos foi voltada repentinamente para ela tamanha era sua beleza no momento. Estava com um vestido em tom perola até o joelho, um casaquinho de lá por cima, sapatilha branca nos pés e o cabelo meio preso na cabeça. Tiago ficou embasbacado, não conseguia acreditar que Lily conseguiria ficar mais linda ainda do que era como estava naquela noite. Seu ar angelical tinha duplicado com aquela roupa e a maquiagem leve no rosto sorridente. Sirius também admitiu a si mesmo que Lily estava linda demais, coisa que acharia um absurdo já que ela era namorada do seu melhor amigo, mas era difícil discordar.
- Boa noite. – ela disse sentando ao lado de Tiago.
- Você está linda... – ele sussurrou em seu ouvido, deixando-a sem graça.
Agradecendo com um sorriso, Lily encostou-se aos braços dele ao redor do seu corpo. Estava feliz por ter aceitado ir passar o Natal ali com ele e, pela primeira vez, cogitou a possibilidade de ser aquela noite a mais especial da sua vida. Sempre imaginou que perderia sua virgindade com o homem de sua vida, o seu grande amor, e agora tinha certeza, amava Tiago. Não queria assumir no começo, mas depois de tantas provas e certezas ela teve a dela de que o amava mesmo. Só lhe faltava coragem para o dizer isso...
- O jantar está na mesa! – senhora Potter disse aparecendo na sala rapidamente.
A ceia de Natal estava completa, com peru e muitos tipos de doce e bolos. Lily sentiu-se quase em casa ao sentar-se à mesa, ao lado de Tiago. Concordou com Sirius, a comida da senhora Potter era maravilhosa, não tinha do que reclamar, tudo perfeito e gostoso demais, principalmente o arroz com passas que Lily tanto gostava. O jantar também foi agradável por causa da conversa que mantiveram, ela rindo muito com a mãe de Tiago reclamando da maneira que o marido se portava à mesa. Principalmente por causa das perguntas constante do senhor Potter sobre coisas trouxa, curioso para saber o que era aquela caixa preta que passava umas imagens e produzia um som de gente falando que ele viu uma vez no centro de Londres.
- É uma televisão, senhor Potter. – ela respondeu divertida. – Os trouxas usam para saber os acontecimentos e para o lazer também.
- Sempre quis ter uma dessa tal de televisão... – ele disse esperançoso.
- Nem pensar em trazer essas coisas trouxas para dentro de casa. – senhor Potter disse decidida. – Sem ofender, Lily.
Os pais de Tiago eram divertidos e pareciam ter gostado de Lily como nora, já que não paravam de questionar sobre a vida dela e o que gostava, a deixando mais à vontade.
- O que você quer fazer depois de se formar, Lily? – senhora Potter perguntou quando estavam na sala, tomando café.
- Eu não sei bem ao certo ainda, mas desde que comecei a estudar mais sobre o mundo dos bruxos que eu me encantei pela profissão de medi-bruxo... – ela respondeu receosa.
- Oh, que maravilhoso! – senhor Potter estava animada por Lily. – Acho maravilhosa essa profissão, muito humano salvar a vida das pessoas.
- E você Tiago, já sabe o que vai fazer da vida? – foi a vez de Lily perguntar.
- Não sei, nunca parei para pensar nisso... – ele respondeu bagunçando o cabelo.
- Mas você não disse o que queria ser quando decidiu pelas matérias no quinto ano? – ela insistiu intrigada.
- Eu sei disso, mas não tenho certeza ainda... Eu pensei em ser um auror. – ele respondeu sem graça.
- Filho, você nunca disse isso a nós. – senhor Potter falou sorrindo de satisfação. – Isso é... Maravilhoso!
Tiago nunca havia contado para ninguém que queria ser um auror, tinha vergonha e medo de ser recriminado, mas ficou bastante feliz ao saber que todos não o acharam louco para seguir uma profissão tão arriscada. Sabia que ser auror não era uma coisa fácil, ainda enfrentaria três anos de curso pela frente e só se formaria na profissão se fosse muito bom, mas faria o possível para realizar sua vontade.
- Acho que vou dormir... – Lily disse bocejando.
- Eu também vou. – Tiago disse olhando para Sirius, que entendeu o que ele quis dizer. – Boa noite.
- Boa noite, gente. Até amanhã. – ela disse levantando-se.
Quando os dois saíram da sala, os pais de Tiago se entreolharam e Sirius entendeu que eles queriam conversar sozinhos.
- Bom gente, também vou indo. – disse sorrindo. – Boa noite para dos dois.
Assim que Sirius deixou a sala, senhor Potter começou a conversar com o marido sobre o fato de Tiago levar a namorada para passar o Natal ali, sobre os dois dormirem juntos no mesmo quarto, o que ela não achava a coisa mais aconselhável do mundo.
- Jim, isso não entra em minha cabeça ainda... – ela disse preocupada. – Onde já se viu dois adolescentes dormirem juntos!
- Mary, não há nada de mais nisso. – senhor Potter respondeu rindo levemente. – Eles são jovens e se não fizerem em casa, onde é seguro, farão em lugares perigosos. Pelo menos eles estão sobre nossos cuidados, deixem-nos em paz. Isso não lembra nossa época de adolescentes, não? Quando a gente fugia do dormitório de madrugada para nos encontrar...
- Jim! – senhora Potter o repreendeu, mas não deixou de sorrir.
No andar de cima, dentro do último quarto do corredor escuro, Tiago estava sentando na cama, olhando para uma miniatura de um jogador de Quadribol voando baixinho em cima do seu criado mudo. Estava calmo, apesar de ficar lembrando-se a cada cinco segundos o que aconteceria nas próximas horas com ele e Lily. Tinha repensado inúmeras vezes como iria tomar a iniciativa até se tocar que se nada fluísse naturalmente nunca sairia de sua mente, resolveu não pensar mais naquilo. Impossível quando a viu saindo do banheiro, envolta em um robe escuro. Mesmo com o pijama de inverno, não deixou de estar linda como Tiago sempre a achou. Lily sorriu em sua direção e sentou-se em seu colo, Tiago alisando sua cintura.
- Está pensando em que? – ela perguntou quebrando o silêncio.
- Nada demais. O Natal me deixa assim, pensativo demais... – Tiago deu um sorriso fraco e virou-se para olhá-la melhor. – Mas também pensavam em como você ter vindo me deixou feliz.
Ela não respondeu nada, apenas colou seus lábios nos dele. Poderia ser a milésima vez que beijava Tiago, mas nunca deixou de sentir a mesma sensação gostosa que sentia desde o primeiro beijo. Era um misto de satisfação prazerosa com vontade de correr uma maratona de tão feliz que estava por senti-lo daquela forma singular, de tudo acontecer de uma forma natural. Natural como quando sentiu que todo o seu peso estava irrelevante enquanto ele a deitava na cama, sua boca sem deixar de tocar a dele um segundo.
Tiago ia com calma, mas por receio de não saber como agir com ela também. Quase que de forma imperceptível, abriu o robe dela, fazendo Lily começar a ficar nervosa. Ela sentiu que tudo começou a se concretizar ao sentir que ele começou a descer a mão para suas pernas, os lábios escapando dos seus e tocando-lhe a pele do pescoço delicadamente, deixando-a arrepiada. Aquilo era bom, mas ela não conseguiu não ficar nervosa, era sua virgindade que estava em jogo naquele momento, o momento mais importante de sua vida. Estava na oportunidade perfeita, em um local seguro, com quem ela amava, mas mesmo assim não deixou de ficar nervosa e, principalmente, com medo, que se intensificou quando Tiago começou a desabotoar seu pijama, a fazendo pará-lo.
- O que foi, Lily? – ele perguntou sério, sem entender.
- É que eu não sei ainda... Eu ainda não estou preparada. – Lily respondeu ficando vermelha. – Pode parecer besteira minha, mas eu fico com medo...
Tiago a fitou por uns instantes, sem consegui acreditar que nada do que queria iria acontecer tão rápido como esperava. Respirou fundo, buscando toda a paciência do mundo naquele momento e sentou na cama, mexendo nos cabelos. Lily também sentou ao seu lado, fechando os botões que ele tinha desabotoado. Precisam conversar naquele momento.
- Tiago, me entenda... – ela disse alisando o cabelo dele.
- Eu te entendo, sério mesmo, mas não entendo uma coisa... – Tiago disse calmamente. – Você tem medo de que, afinal? Não estou te forçando a nada...
- É que esse lance de primeira vez sempre me assustou, eu sempre evitei ao máximo até falar sobre isso, mas com você... Com você eu sinto que vai acontecer porque você me passa tranqüilidade, calma e, o mais importante, amor. Mas mesmo assim eu tenho medo... De tudo!
Lily sentiu-se muito envergonhada ao dizer aquilo, jamais tinha contado a ninguém que tinha medo de perder a virgindade, mas era preciso dizer para ele. Queria que Tiago fosse o primeiro e o único em sua vida agora que o amava, porém os seus medos a impediam de jogar, de arriscar, de se entregar de corpo completo para ele. A sua coragem tão conhecida entre todos de repente sumiu naquela noite fria de Dezembro.
- Medo... – Tiago disse sério. – Medo de que, exatamente?
- De... De doer. Pronto, falei! – Lily cobriu o rosto com as mãos, tinha dito demais para sua coragem Grifinória.
Ele não evitou rir daquele comentário dela, mas evitou se esbaldar rindo em respeito ao "grande medo" de Lily. Limitou-se a aproximar mais dela, a abraçando pela cintura de forma que ela colasse sua cabeça em seu peito e ele alisasse seus cabelos ruivos caídos.
- Lily, doer é muito relativo. Depende de muitas coisas, eu acho. – Tiago respondeu meio desconcertado, não sabendo bem o que dizer. – Eu não sou a pessoa mais aconselhável para falar disso, ninguém nunca reclamou de dor comigo...
Péssimo dizer isso, ele pensou ao ver o olhar de Lily cresce sobre ele de uma forma raivosa. Sabia que ela não era a pessoa mais calma do mundo quando se tratava de ciúmes e as outras meninas que ele já saiu, então imaginou que se tratando de sexo ela ficaria tri-enciumada.
- Não que eu já tivesse com muitas mulheres, longe disso... – tentou se concertar, mas Lily já havia se afastado dele, cruzando os braços. – Ah Lily, eu sou estou tentando te ajudar...
Aquela carinha fofa de desespero dele conseguiu convencer que realmente ele estava tentando a ajudar. Citar que nenhuma nunca sentiu dor com ele não foi a coisa mais sensata naquele momento, mas o esforço já valeu a pena. Pelo menos ele estava sendo compreensível com ela, coisa que não seria se fosse outra menina com frescura de medo na hora H!
- Tá, desculpa. – ela disse o abraçando de novo. – Eu entendo que você tentou me entender. É que me ciúmes doentio me faz agir dessa maneira...
- Ok, eu te entendo, novamente. – ele respondeu sorrindo. – Então, vamos dormir sem fazer nada antes?
- Infelizmente, sim até meu medo passar... Mas não fique preocupado que logo isso tudo passa, viu?
Tiago a beijo delicadamente antes de deitar-se na cama, sentido o peso de Lily sobre seu peito. Para sua sorte, a inteligência perspicaz dele fez com que, antes dela sair do banheiro, ele juntasse as duas camas de solteiro do quarto, formando uma de casal improvisada, mas que garantiu uma noite confortável de sono para dos dois. Novamente, eles dormiram juntos, apenas isso, para o infeliz desespero de Tiago.
Obrigada pelas reviews...e espero mais porque o próximo capítulo é MARA!
