Capítulo XI

...O que eu tenho que fazer para entrar em você?...(x)

(x)Inside of You - Hoobastank

25 de Dezembro chegou timidamente, nevando muito e o sol não sendo tipicamente onipresente no céu. Ninguém ainda tinha acordado na casa dos Potter, exceto Lily. Como sempre, não conseguiu dormir muito por aquela cama não ser a dela. Tinha esse estranho hábito de estranhar dormir em camas que não fossem a sua, até mesmo com a de Hogwarts que levou quase o seu primeiro ano inteiro para se acostumar. Já havia acordado há um tempo, olhado para o lado e visto Tiago roncando baixinho como sempre. O fitou por um longo tempo, analisando cada pedacinho do seu rosto adormecido. Como conseguia ter medo com aquela carinha de menino abandonado? Parecia loucura, mas depois de todos os fatos da noite anterior, ela parou para analisar se aquilo tudo tinha fundamento ou não. Na verdade, estava bancando a difícil sem necessidade, queria que fosse com ele e aquela oportunidade, na casa dele, era perfeita. Em Hogwarts as coisas iriam ser bem mais difíceis, então tinha que ser ali, naquele momento e não depois.

A loucura pareceu tomar conta dos seus atos. Sem nem pensar uma vez, ela se enfiou debaixo da coberta dele e montou em seu quadril delicadamente para não acordá-lo ainda. Respirou fundo, olhando mais uma vez para ele. Era agora que seu medo iria embora.

- Tiago... – ela sussurrou em seu ouvido enquanto mordia o lóbulo de sua orelha delicadamente. – Hora de acordar...

Tiago sentiu lábios roçando em seu pescoço, o fazendo acordar. Sem consegui enxergar direito, tateou o criado-mudo ao seu lado até achar seus óculos e o colocou em seu rosto, vendo perfeitamente o que acontecia. Lily estava parada sorrindo, aparentemente sentada em seu quadril, um leve ar de travessa em sua face. Não conseguiu assimilar bem afinal, não passava das sete da manhã naquele momento e ele era extremamente lento pela manhã.

- Feliz Natal, meu amor! – ela disse o dando um selinho.

- Explique-se, por favor. – ele pediu estranhado por que ela estava abrindo o primeiro botão do seu pijama.

- Digamos que meu medo passou durante a noite... – Lily respondeu maliciosamente o beijando e mordendo seu lábio inferior.

Tiago nem pestanejou. Levantou seu corpo de forma que ficou mais próximo dela e a beijou ferozmente, não ligando para mais nada. Garantido o adiantamento das coisas, arrancou a blusa do seu pijama, jogando-a no chão do quarto. Tinha que ser rápido, quem tinha medo naquela hora era ele. Medo de tudo dá errado mais uma vez.

Lily sentiu-se mais relaxada dessa vez. Não disse mais nada, nem mesmo quando ele desabotoou por completo a blusa do seu pijama, revelando seu sutiã branco rendado, a mudando de posição na cama. Fechou os olhos de forma que pode sentir todas as sensações novas em sua pele, o arrepio que cortou seu corpo enquanto senti os dentes dele mordendo a pele do seu pescoço e as mãos calejadas dele desenhando sua cintura e subindo pelos seus seios. Era tudo novo demais para ela, mas em momento nenhum deixou de ser prazeroso para querer que ele parasse. Tirou rapidamente o pensamento de que seria naquele momento que tudo iria acontecer, estava focada em colar seus lábios no de Tiago para não desgrudar tão cedo, não antes de tudo acabar de vez.

Tiago não estava se precipitando muito com ela, fazia tudo de uma forma pensada. Não queria que Lily se assustasse, queria que ela curtisse cada momento como havia imaginado que seria sua primeira vez, mas estava impossível não sentir prazer na forma que ela o beijava lentamente e lascivamente, deixando-o sem controle sobre a reação do seu corpo. Ela pareceu não estranhar a rigidez dele contra seu ventre, ou se sentiu gostou, pois não disse nada nem fez gesto nenhum enquanto ele descia as mãos por suas costas, pousando em cima do feche do seu sutiã. Livrou-se daquela peça lentamente, a respiração dela começando a ficar ofegante, e contemplando a descoberta nova do corpo dela. Abriu a boca lentamente, pronto para fazer algum comentário, mas Lily foi mais rápida ao levantar seu corpo da cama, colando com o dele, e lhe calando a boca com um beijo desesperado.

- Não estrague esse momento... – ela sussurrou com os lábios ainda colados nos deles.

Nenhuma palavra foi dita a seguir das delas, Tiago não tinha o que dizer e sim o que fazer. Caiu de costa na cama, ajeitando o corpo de Lily encaixado no dele de forma que fosse praticamente impossível ela não querer que ele fosse mais fundo. Enquanto lhe beijava a boca furtivamente, sentia as unhas dela deslizando por seu peito lhe proporcionando a dor mais prazerosa que pode sentir e querer mais ainda. Desceu as mãos até a parte de baixo do pijama, Lily levantando seu corpo um pouco do dele para que Tiago pudesse lhe tirar o resto da roupa, começando a relevar a sua calcinha também branca...

- Feliz Natal, Pontas!

Sirius abriu a porta repentinamente, pegando os dois no maior flagra do mundo. Tiago jogou seu corpo por cima do de Lily, evitando que o amigo visse a mesma Lily Evans seminua que ele estava começando a ver, mas Sirius fechou a porta rapidamente, evitando maiores constrangimentos. Lily quis morrer naquele momento, era essa sua vontade.

- Mal, Pontas! – ele escutou Sirius por trás da porta fechada. – Eu não imaginava...

- Suma antes que eu te transforme em um homem morto, Sirius Black! – Tiago gritou irritado, sentando na cama.

Quando ele parou de escutar os passos de Sirius pelo corredor, Tiago virou-se para ver como Lily estava. Ela havia se enfiado debaixo da coberta de tanta vergonha que sentia por ter sido flagrada naquele momento tão intimo de sua vida, não queria acreditar que realmente aquilo havia acontecido. Novamente, sentiu vontade de matar Sirius com as próprias mãos se necessário!

- Ele já se foi... – Tiago disse tirando a coberta de cima dela, mas Lily ainda mantinha o corpo coberto.

- Por favor, me diga que isso não aconteceu pelo amor de Merlin. – ela disse com os olhos fechado, sem consegui encarar Tiago. – Eu juro que quero me matar agora!

- E eu quero matar o Sirius. – Tiago falou fechando o punho de raiva. – Aquele filho de uma put...

- Eu fiz algo de errado na minha encarnação anterior, só pode ser isso. – Lily o interrompeu sentando ao lado dele na cama, mantendo o lençol lhe cobrindo o corpo. – Quando estava tudo maravilhoso, tudo como eu sempre imaginei...

- Sério? – Tiago virou-se para encará-la, sem consegui evitar sorri. – Você estava gostando mesmo?

- Muito, Ti. Você estava perfeito. – Lily respondeu o beijando delicadamente. – Se o Sirius não tivesse aberto aquela maldita porta ia ser como eu sonhei.

- Não seja por isso, eu tranco a porta. – Tiago disse fazendo menção de levantar-se, mas ela o segurou pelo braço.

- Não adianta, eu perdi o clima completamente. – disse soltando um muxoxo.

- Mas Lily eu já estou... Pronto! – Tiago disse desesperado, referindo a sua situação sexualmente excitada. – Isso é crime, me deixar assim e fugir...

Ela se limitou a não dizer nada a ele, só o beijou delicadamente e lhe sussurrou um "desculpa" sincero. Catou as peças de roupa que estavam no chão do quarto, ainda mantendo o lençol ao redor do corpo com medo de mais alguém aparecer repentinamente no quarto.

- Eu preciso de uma ducha fria... – Tiago disse levantando-se rapidamente e batendo a porta do banheiro.

Lily ficou sozinha, presa em seus pensamentos rápidos. Mal pode acreditar que chegou tão perto de realizar tudo, de consumar o ato e tudo escapou em uma fração de segundo. Sentiu uma sensação estranha, como se tivesse feito algo de errado, mas também uma sensação de nervosismo misturado com ansiedade, tudo ao mesmo tempo em que ficou estressada com Sirius. Por que tinha que ser tão complicado assim, pensou deitando na cama e dando um longo suspiro. Segundo a Megan era uma coisa tão simples e boa, mas para ela estava sendo uma verdadeira guerra de sensações estranhas e vontades repentinas, nada do que tinha imaginado ser.

- Eu mereço... – disse baixinho enfiando o rosto no travesseiro ao seu lado.

Quando Tiago desceu para a cozinha, deixando Lily tomando banho, somente o seu pai havia acordado, junto com Sirius que lia o Profeta Diário. Sabia que sua mãe reservava o dia de Natal para ela dormir até o horário que desejasse, deixando os homens da casa se virar por pelo menos um dia no ano inteiro. Estava extremamente irritado quando se sentou à mesa, pegando uma caneca e enchendo de café.

- Cara, eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu mais cedo... – Sirius disse assim que o senhor Potter saiu da mesa, os deixando sozinhos. – Eu não sabia que vocês continuaram pela manhã...

- A gente não continuou coisa nenhuma, Almofadinha. – Tiago disse mais irritado ainda. – Você simplesmente atrapalhou a única chance que eu tive, muito obrigada.

- Como assim? – Sirius perguntou ficando sério. – Vocês ainda não transaram?

- Não, graças a você! Eu bem que tentei ontem à noite, mas por algum motivo ela não se sentiu segura... – ele disse abaixando o tom da voz, caso Lily aparecesse na cozinha. – E hoje pela manhã, quando eu acordo praticamente com ela montada em mim, querendo o que não quis na noite passada, você aparece justamente no andamento da coisa...

Sirius já ia pedir milhões de desculpas para o amigo, mas Lily surgiu na cozinha, Tiago lhe lançando um olhar ameaçador. Estava com os cabelos molhados caídos pelos ombros e parecia estranhamente calma, ao sentar ao lado do namorado e servi-se de café preto. Tiago olhou sem entender para Sirius, que deu de ombros também sem entender a calmaria que ela estava. Pela situação que tinha passado deveria está uma pilha de nervosa, mas não, estava... Serena.

- Vocês viram o que o Profeta Diário publicou? – o senhor Potter perguntou voltando à cozinha. – Os dementadores estão rondando Hogsmead atrás de uns suspeitos da morte de Nicolas Thurdson.

- Quem é Nicolas Thurdson? – Tiago perguntou pegando o jornal da mão de Sirius.

- Trabalho no Ministério, no Departamento de Execução das Leis da Magia. – senhor Potter respondeu dando um longo suspiro. – Também era um grande perseguidor dos bruxos das Trevas... Morreu tão cedo, coitado.

- Vai ver essa é a razão de sua morte. – Lily disse repentinamente. – Está parecendo que ele foi eliminado, na verdade. Vai ver se meteu com algum bruxo das Trevas poderoso, descobriu o que não deveria...

- É, pode ser uma opção, mas ninguém está salvo desses bruxos soltos por ai. – concluiu o senhor Potter dando de ombros.

Quando a senhora Potter apareceu na cozinha, animada e sorridente, vinha com um gorro de Papai Noel na cabeça, fazendo Tiago e Sirius rirem muito. Lily deu uma risada baixa, sem saber o que dizer diante aquela cena, mas para sua sorte Tiago lhe explicou tudo certinho.

- Mamãe gosta de usar esse gorro ridículo quando a gente vai abrir os presentes de Natal... – falou rindo, sobre o olhar critico da mãe. – É vergonhoso, eu sei.

- Você sempre gostou de me ver usando o gorro quando era pequeno, Tiago. – senhora Potter disse fingindo está abalada com o comentário do filho. – Mas vamos logo abrir esses presentes.

Todos se reuniram na sala, ao redor da enorme árvore de Natal decorada, até com algumas fadinhas que brilhavam. A senhora Potter era sem duvida a mais animada de todas, pegando os presentes ao pé da árvore e entregando ao seu devido dono.

Tiago foi o que mais ficou feliz com o presente que recebeu de Lily: uma camisa oficial do Holyhead Harpies assinada por Dulce Griffiths. Ele mal pode acreditar quando abriu o embrulho, revelando a camisa do seu time favorito, ainda mais sendo autografada pela lendária apanhadora do time.

- Cara, isso é demais! – ele disse vestindo a camisa rapidamente, sorrindo muito. – Eu nem sei o que dizer, Lily.

- Não precisa dizer nada não. Fico feliz que você tenha gostado... – ela respondeu sorrindo.

- Então espera um minutinho só que eu já vou pegar o seu presente. – ele falou saindo da sala e subindo as escadas da casa.

Tiago não demorou a voltar. Tinha em seus braços uma bola peluda, em tom de rosa, que Lily não conseguiu distinguir muito bem o que seria, parecendo um urso de pelúcia, ou uma almofada berrante rosa. Ele parou em frente a ela, lhe entregando a coisa peluda.

- É um mini-pufe. – Tiago lhe informou vendo que Lily não sabia bem o que era aquilo. – Eu achei que, sei lá, você gostasse de cuidar dele, é bem bobinho...

Ela olhou bem para o bichinho que estava no seu colo. Era rosa, sim era, mas também era bem macio e tinha um olhar fofo que deixava qualquer um apaixonado demais. Ela o levantou até a altura do olho, analisando bem aquela coisinha que seria se bichinho de estimação a partir daquele dia.

- Gostou? – Tiago perguntou aflito com o silencio dela.

- Eu... – Lily disse olhando pra ele. – Achei a coisa mais linda do mundo!

Esquecendo do mini-pufe que estava nos seus braços, ela o abraçou forte, mas o bichinho soltou um grito agudo os assustando.

- Qual vai ser o nome dessa coisa? – Sirius perguntou sentando no sofá quando os pais de Tiago saíram da sala.

- Não sei ainda... – Lily disse olhando para o bichinho. – Ele tem cara de que?

- De algodão-doce. – Sirius brincou.

- Já sei! – Lily exclamou pousando o bichinho no colo. – Vou chamá-lo de Pontas! Não é assim que vocês chamar o Tiago?

Tiago arregalou os olhos, sem acreditar no que tinha escutado. Sirius rolou no sofá rindo muito, também sem acreditar que Lily havia dado o apelido do namorado para um animalzinho rosa e peludo, muito feminino diga-se de passagem. Não ia deixar essa piada escapar facilmente assim não, Tiago sofreria em sua mão por muito tempo ainda.

- Pontas, Lily? – Tiago disse nervoso, tentando contornar a situação. – Não é meio macho demais para isso ai não?

- Ou você quer dizer que o bichinho é gay demais para ter seu nome nele? – Sirius perguntou começando a chorar de rir.

- Vai ser Pontas sim e acabou. – Lily disse firmemente. – Queria ou não.

Ela subiu as escadas, brincando com o mini-pufe, e deixou Sirius e Tiago sozinhos na sala. Tiago jogou-se em uma poltrona, ainda desnorteado com aquele momento "apelido carinhoso em bichinho gay", tentando esquecer aquilo a qualquer custo, mas Sirius não o deixou esquecer um momento sequer durante aquele dia.

- Eu juro que te mato se alguém souber que o nome dessa coisa é "Pontas", viu? – disse entre os dentes, mas Sirius não parou de rir e zombar dos amigos.

- Não vou precisar falar, todo mundo vai saber quando a Lily sair pela sala comunal gritando "Pontas, Pontinhas, vem aqui pra mamãe..." – ele disse imitando a voz fina de Lily. – Tu ta ferrado, mini-pufe!

Jurando que mataria o amigo mais tarde, ele limitou-se a lançar um olhar ameaçador e subiu as escadas indo em direção ao quarto, onde encontrou Lily brincando animada com seu novo bichinho em cima da cama dele.

- O que será que ele come? – Lily perguntou observando Pontas rolar na cama.

- Sei lá, o cara que me vendeu disse que até vômito ele come... – Tiago respondeu mexendo nos cabelos.

- Que nojo, Tiago! – Lily fez cara de nojo, fazendo Tiago rir.

Ele não conseguiu mais resistir a ela, com aquele sorriso doce nos lábios. A beijou repentinamente, afastando o mini-pufe da cama enquanto a deitava. Recomeçou toda a descoberta por aquele corpo, a beijando mais intensamente cada segundo que passava. Mas sua alegria não durou muito, logo Lily se desvencilhou dele e levantou da cama, ajeitando a blusa que estava no meio de sua barriga por causa das mãos ousadas dele.

- Calminha. Guarde toda essa vontade para mais tarde... – Lily disse de forma provocativa, mas quando Tiago levantou em direção a ela se afastou dele rapidamente. – Eu estou falando sério, Tiago!

Teve que se conforma em esperar para mais tarde, sentia que Lily não ia ceder tão fácil assim para ele, o que o deixava frustrado. Estava tão ansioso para ter a primeira noite com ela que era uma tortura pior que Crucio ter que vê-la o dia inteiro, mas não poder fazer nada do que queria. Paciência era essencial naquele momento crucial.

Os pais de Tiago receberam um convite de um colega de trabalho do senhor Potter para jantarem em sua residência e não puderam recusar. Mesmo a senhora Potter não querendo deixar "as crianças", como ela mesma disse, tiveram que deixá-los sozinhos naquela noite de sábado. Tiago e Lily foram o que mais agradeceram aquela saída noturna dos adultos da casa, podendo assim recomeçar de onde pararam diversas vezes, além de Sirius ter inventado de sair atrás de curtição naquela noite fria de Dezembro.

- Enfim sós. – Tiago disse quando Sirius saiu de casa.

- Tá parecendo fala de lua-de-mel isso. – Lily riu segurando a mão dele. – Mas realmente, enfim sós.

Eles ficaram se olhando por um longo tempo, parados no pé da escada sem saberem bem como agir a partir daquele momento que ficaram sozinhos. Tinha todo o tempo do mundo agora, ou pelo menos até a hora que os pais dele chegassem, mas esse excesso de tempo acaba os deixando mais nervosos, sem saberem bem como iniciar todo o ritual de preparação.

Sem dizer uma palavra sequer, Tiago segurou Lily pela mão e põe-se a subir as escadas. Não precisavam mais falar nada naquele momento, ela já estava demasiadamente nervosa, sua mente não conseguindo para de trabalhar, todo aquele medo voltando de vez. Respirava fundo, segurava a mão dele com força, tinha que ser naquele momento.

Tiago trancou a porta do quarto enquanto Lily parava no meio do lugar, respirando fundo. Logo o sentiu tocar sua cintura, a fazendo fechar os olhos devagar enquanto sentia os lábios dele descendo pelo seu pescoço. Deixou-se ser virada, ser dominada pelos seus beijo enquanto acaricia a nunca dele, fazendo seu cabelo ficar mais arrepiado ainda, sem pensar duas vezes, sem impedi-lo de nada. Queria mais era sentir aquelas mãos calejadas descendo pelo seu corpo, aqueles beijos quentes por sua pele, sua respiração pesada em seu ouvido, queria ser dele de uma vez por todas.

- Tem certeza? – ele perguntou quando parou de beijá-la e se afastou um pouco do seu corpo.

Lily não respondeu com palavras e sim com um único ato. Olhando fundo nos olhos deles, tirou o suéter de lã que vestia, revelando seu corpo arrepiado para ele. Rapidamente, ele também se livrou de sua camisa de frio e a beijou intensamente, dando passos cegos para encontrar a cama. Lily já não se sentia mais nervosa, estava gostando de sentir o peso do corpo dele sobre o seu, da sensação de ter o corpo descoberto lentamente por um Tiago ansioso e levemente atrapalhado. Ele estava tão nervoso com aquele momento que toda hora deixava seus óculos escorregar pelo seu rosto, até que Lily resolveu intervir.

- Mas eu não vou enxergar nada sem os óculos... – ele disse quando ela tirou os óculos do seu rosto.

- Apenas sinta, não precisa ver nada... – Lily sussurrou no ouvido dele.

As coisas pareciam acontecer involuntariamente enquanto os dois se beijavam e se tocavam, não tinha mais percepção do mundo lá fora, nem se a casa estava vazia ainda, apenas se concentraram naquele quarto à meia luz. Malmente perceberam que quase nenhuma peça cobria seus corpos, que o suor e a afobação eram inevitáveis, que tudo caminhava exatamente como ela imaginava. Lily conseguiu manter a calma até o momento em que sentiu as mãos e Tiago pousarem na lateral de sua calcinha, sendo a última peça restante das outras que agora se encontravam espalhadas pelo chão. Fechou os olhos, queria sentir e não ver aquela parte da cena em que eram protagonistas, queria aproveitar o máximo o arrepio que cortou seu corpo ao sentir a mão dele roçando de leve a pele de sua pélvis.

Novamente ela sentiu o peso do corpo dele sobre o seu, novamente não teve coragem de abrir os olhos. Era agora, toda a apreensão iria embora assim que sentisse invadida por ele. Tiago desceu os beijos pelo colo dela, mordendo de leve a sua pele que a causou uma sensação gostosa de prazer e logo em seguida, delicadamente para ela não se assustar muito menos pedir para parar, principiou aquela cópula.

A primeira sensação que Lily sentiu foi de uma dor, algo a rasgando levemente, mas não disse nada, todos os músculos do seu rosto travaram numa expressão dolorosa. A dor fez com que cravasse as suas unhas nas costas suadas de Tiago, o fazendo gemer de dor baixinho, mas perceptível. Somente quando sentiu que ele estava por completo dentro de seu corpo que as sensações foram se estabelecendo e pôde então entender porque certas pessoas, como sua amiga Megan, eram tão viciadas naquela pratica. O peso de sua respiração parecia triplicar tamanha era a falta de fôlego que sentia enquanto ele movimentava-se devagarzinho, pesando sobre seu corpo. Não sentiu nada além do que deveria sentir, mais dor quando os movimentos peristálticos aceleravam, mas relaxada quando sentia o toque quente da mão dele acariciando seu seio. Não tardou muito para sentir ele se arqueando de prazer, o gozo incontrolável derramando dentro dela, um gemido baixo em seu pé de ouvido.

Tiago largou-se ao lado dela na cama, ofegante, o peito brilhando de suor. Sentiu a cabeça de Lily depositar-se sobre seu braço e a envolveu, alisando seus cabelos. Estranhou por ela esta tão calada, geralmente as mulheres gostavam de conversar depois do sexo, o que o deixava irritado, mas Lily parecia distante, olhando pela janela a neve que caia.

- O que foi, Lil? – ele perguntou levantando o rosto para observá-la melhor.

- Nada, é que eu estava pensando um pouco...

- O que? Você não gostou, foi isso? – Tiago sentou-se na cama, recolocando os óculos. – Doe demais, algo assim?

- Não, não doeu muito não... – ela respondeu também sentando. – É que eu tava pensando comigo mesma... É só isso?

- Isso o que? – perguntou sem entender o que ela queria dizer.

- Isso. Foi mais rápido do que eu imaginava... – ela respondeu ficando vermelha.

- Não é sempre rápido assim, eu estava nervoso também, não consegui segurar mais tempo também pra não te machucar muito... –Tiago tentava achar uma maneira adequada de respondeu, mas não evitou ficar muito vermelho.

Ela sentiu-se mal por ter o feito achar que tinha sido ruim. Não tinha mesmo, ele foi carinhoso e cuidadoso o suficiente para tornar aquele momento inesquecível, ela só ficou achando que seria mais do que aconteceu, natural da sua imaginação fervorosa. O abraçou delicadamente, pousando sua cabeça no peito dele.

- Foi maravilhoso, eu juro que foi. – disse baixinho. – Como eu imaginei...

- Quem bom, pois eu jamais esquecerei essa noite com você... – Tiago respondeu alisando os cabelos dela.

Não sabiam se era o sono inevitável, nem se foi o cansaço físico, mas os dois dormiram logo em seguida. Não ligaram para as roupas no chão, nem o frio que começava a fazer. Lily abraçou Tiago de forma aconchegante, debaixo da coberta grossa e quente, adormecendo no embalo da respiração dele a movimentando. Tinha muito que sonhar naquela noite...

Incríveis como três dias passaram tão rápidos. Lily e Tiago mal poderam acreditar que já era dia 27 de Dezembro e o tão sonhado Natal juntos estava chegando ao fim, que teriam que ficar mais seis dias sem se verem até voltar a Hogwarts. Seria ruim, estava começando a se acostumar em acordar e dormir juntos todos aqueles dias, de passaram o dia inteiro juntos em casa ou quando saíram com os pais dele para jantarem, até das piadas sem graça de Sirius ela ficaria com saudade. Mas sempre olharia para Pontas, seu mini-pufe, e se lembraria do namorado, além de se comunicarem todos esses dias por corujas.

Às oito da manhã todos já estavam acordados, sentados na sala de estar da casa esperando Tiago descer com o malão de Lily. Ela segurava Pontas no colo, que estava inquieto demais com a movimentação na casa, e a mãe de Tiago conversava sobre coisas banais com Sirius, que estava de mal humor por acordar tão cedo. Tiago desceu as escadas, arrastando o malão pesado dela, mas foi ajudado pelo senhor Potter, que com um aceno de varinha fez com que o malão descesse rapidamente.

- Pronta para ir? – Tiago perguntou ofegante, parando ao lado dela.

- Pronta. – respondeu levantando-se do sofá.

Deu um forte abraço na senhora Potter, agradecendo pela estadia na casa e por tudo, e também no senhor Potter, que a agradeceu por ter ido passar o Natal com eles. Quando parou em frente a Sirius, ele ainda mantinha a mesma carranca de sempre, os braços cruzados, mas ela não deixou de o abraçar, o deixando sem reação.

- Foi bom passar o Natal com você, Sirius. – disse sorrindo. – Com todos vocês.

- Tenho certeza que todo mundo gostou muito de passar o Natal com você, Lily. Principalmente eu. – Tiago disse passando o braço ao redor do corpo dela. – Vamos pai?

-Vão sozinhos mesmo, só porque é a Lily. – senhor Potter disse tirando a chave do carro do bolso e a entregando. – Mas não abuse da minha boa vontade.

- Por Merlin, você tem mesmo moral nessa casa! – ele falou rindo. – Nunca ele me deu o carro, mas quando é você ele dá.

Lily agradeceu mais uma vez por tudo, arrastando seu malão para fora da casa com a ajuda de Tiago. O carro já estava parado na porta, com o fundo aberto, a deixando intrigada pensando se aquilo tudo era baseado na mágica que o veiculo tinha. Sentou-se no banco de passageiros, enquanto Tiago guardava o malão no porta-malas. Ao sentar-se no banco do motorista, ele pegou a varinha do bolso e com um toque no volante disse:

- King's Cross!

O carro começou a andar automaticamente, sem ele precisar fazer nada além de segurar o volante para não dá muita bandeira para os trouxas. Foram o caminho todo conversando sobre besteiras, dando risada de Pontas assustado com o barulho dos carros quando se aproximaram mais do centro de Londres. Lily resolveu ligar o rádio-bruxo que o carro tinha, para ver ser o acalmava mais.

- O ministro da magia, Arnold Hundzter, declarou há pouco para toda a imprensa que todos os bruxos residentes de Londres e regiões próximas devem dobrar os cuidados depois dos ataques sucessivos que estão acontecendo a bruxos mestiços e a seus simpatizantes... - o locutor da rádio disse, mas Tiago desligou logo em seguida.

- Não Tiago! – Lily disse tornando a ligar novamente. – É sobre mim que eles falaram, indiretamente, mas foi. Esses ataques são contra mestiços, eu sou mestiça, tenho o direito de saber.

- Mas nada vai lhe acontecer, Lily. – ele respondeu segurando sua mão. – Não enquanto eu estiver com você.

Ela encostou a cabeça no vidro do carro, mal podendo acreditar no que havia escutado naquela rádio. Agora era sua vida que estava em jogo, um bando de loucos que detestavam os nascidos trouxas ou bruxos mestiços estavam querendo aniquilar todos de uma vez, ela seria um dos alvos se não tivesse cuidado. Lembrou de seus pais na hora, eles também estariam em perigo por terem uma filha bruxa, mesmo sendo trouxas. Aquilo tudo a deixou confusa demais.

- Lil, esquece isso. Nada vai acontecer com você... – Tiago disse quando pararam na estação. – Não precisa ficar preocupada, eu estou do seu lado, eles não podem lhe fazer nada.

- Mas Tiago, meus pais também estão em perigo por minha causa... – ela tinha um olhar apreensivo, o fazendo abraçá-la forte naquele momento.

- Vai ficar tudo bem, você vai ver. – Tiago acariciava os cabelos dela delicadamente, fazendo-a sentir-se melhor por um instante.

- Tiago, muito obrigada por estar comigo. Eu nem sei como te agradecer por tudo que você tem feito por mim... Você é simplesmente perfeito demais para ser verdade. Eu... – ela começou a ficar vermelha, sem conseguir encará-lo, mas decidiu seguir em frente na linha de raciocínio que iniciou. – Eu te amo, Tiago.

A única reação que ele teve naquele momento foi encostar-se ao banco do carro, respirando fundo. "Eu te amo" era a frase que ele sempre sonhou escutar de Lily e agora que tudo se concretizou ele estava estragando o momento ficando lá, calado e parado igual a um trasgo. Virou-se para encará-la melhor, a observando olhar para a estação cheia de trouxas passando.

- Eu te amo, sabia? Desde o momento em que te vi pela primeira vez naquele castelo. – conseguiu finalmente dizer. – Eu que agradeço por você ter me transformado em uma pessoa melhor. Eu não quero te perder, Lil.

Lágrimas grossas rolaram do rosto dela, envolta nos braços de Tiago. Sentiu medo de perdê-lo, como sentiu quando ele levou o balaço na cabeça naquele treino, mas também teve medo do que esses monstros eram capazes de fazer para "purificar" o mundo. Só de estar com ele já aliviava um pouco aquela sensação de fragilidade que sentia desde que escutou aquela noticia no rádio, mas o tempo corria lá fora e logo seus pais apareceriam para buscá-la.

- Até dia dois, aqui mesmo. – Tiago disse a beijando delicadamente.

- Vou ficar com saudade, mas tenho que ir. – Lily o deu um último abraço antes de sair do carro. – Me escreva.

Tiago deu um toque discreto no volante com a varinha, murmurando o endereço de sua casa, e o carro voltou a funcionar. Lily ficou parada, sentada sobre seu malão, o observando se afastar no carro e deu um longo suspiro. Pela primeira vez ficou completamente sozinha naqueles dias e pôs sua cabeça para funcionar, tentando assimilar os últimos acontecimentos em sua vida complicada, mas tudo foi embaralhado quando escutou a buzina do carro do seu pai.

- Lily! – o senhor Evans disse abraçando a filha forte. – Estávamos todos com saudade de você, minha filha.

- Eu também pai, com saudade de você e da mamãe. – Lily segurou-se para não chorar ao ver o pai. – Cadê a mamãe?

- Ficou preparando um almoço especial para você. Advinha o que será?

- Não acredito! Mamãe fez rosbife? – disse ficando alegre pela primeira vez naquele momento. – Vamos então que eu já estou com fome...

O senhor Evans pegou o malão da filha e colocou no fundo do carro. Estava feliz por tê-la novamente em casa e Lily sentia que de alguma forma podia os proteger naquele momento, mesmo não sabendo quando. Só de rever sua mãe, poder dormir na sua cama já valia.

- Gostou do Natal com a Megan? – o senhor Evans perguntou a observando calada.

- Não podia ser melhor... – respondeu sorrindo enquanto olhava pela janela, o pensamento longe dali.