CAPITULO III – Quando os Presentes Se Encontram.
Anne saiu da Casa de Aquário aturdida. Tanto que, ao invés de ir a direção a Décima Casa e assim as demais, errou a saída e foi para a Décima Segunda Casa, a de Peixes.
Ao entrar, se deparou com um lindo lago, cercado de rosas de todos os tipos e várias cores. Ficou encantada por existir um lugar como aquele em um local tão cheio de templos antigos, e que qualquer um diria ser abandonado. Aproximou-se da fonte, que tinha um chafariz em forma de cupido e jorrava água de forma graciosa; e se sentou em uma mureta próxima, tocando uma rosa rubra, talvez a mais linda que ela já vira.
- Esse lugar é tão lindo... Lembra tanto a Suécia...
- Talvez você esteja certa. – disse um homem ao entrar no recinto, analisando-a.
- Ahn? – respondeu surpresa. Estava tão rubra quanto a flor que tocara. – Ah, desculpe-me, senhor, eu errei o caminho e vim parar aqui por engano. Fiquei tão admirada com...
- Não precisa se explicar. – interrompeu o rapaz. – Você é uma apreciadora da arte, pode-se notar em seu olhar.
- Eu ia embora, mas este jardim me lembrou dos verões que passei na Suécia com minha finada mãe e então me perdi em lembranças...
- Ah sim. – disse consternado. E sorriu. – Eu sou sueco. E pelo seu sotaque, pode-se perceber que você é francesa, estou certo?
- Sim. – sorriu corada. – Sou francesa e estudo arte.
- A mulher perfeita! – gloriou-se. – E posso saber o nome dessa mulher?
- Ah, sim, me desculpe. – sorriu e estendeu a mão. – Sou Anne Cambeaux.
- Eu sou Afrodite, o cavaleiro de Peixes. – respondeu ao cumprimento.
- Muito prazer. É um guardião, assim como Mu, certo?
- Podemos dizer que sim. Cada uma das Doze Casas possui um "guardião" ou, como chamamos, cavaleiros.
- Ah sim...
- Assim como aquele da Casa a qual você acabou de sair. Você veio falar com Kamus, não?
- Sim, vim. – disse ao abaixar a cabeça.
- E posso saber o motivo? – perguntou curioso.
- Talvez nem seja necessário. – desconversou. – Foi um erro ter vindo.
- Anne, querida, seus olhos deixam escapar mais do que pensamentos. – e se aproximou mais dela. – Quando falamos de amor, não existem erros, apenas enganos.
Anne se levantou de súbito, corada a ponto de sua face estar mais rubra do que o conjunto de todas aquelas flores.
- Bom, desculpe-me novamente, senhor Afrodite, mas tenho que ir. Sai sem avisar...
- Ora, que pena. – lamentou. – Mas não me chame de senhor! Sou muito jovem e belo para isto! – disse sorrindo.
- Ah sim, certo. - riu timida.
- Vamos, eu te levo até a Primeira Casa. E leve isto como lembrança. – abaixou e pegou uma rosa vermelha. – Essas rosas duram mais que as "normais", apenas coloque em água.
- Sim, claro. – disse pegando a delicada flor. – Muito obrigada.
- Me acompanhe, por favor.
Anne sorriu e o seguiu, Ela havia tido muitas experiências estranhas em um único dia. A companhia daquele rapaz, Afrodite, a agradou muito, assim como a tranqüilidade de Mu também.
- "Em pensar que Kamyu era assim...".
E seu olhar entristeceu-se.
- "Eu só queria um motivo. Um só".
Anne, mergulhada em seus pensamentos, nem percebia por onde passava, apenas olhava para o chão. Nem se deu conta de que a "tal mulher" não estava mais na Casa de Aquário, que um homem na Casa de Capricórnio a olhava enquanto fazia elogios em espanhol e muito menos que havia um homem treinando uma rápida seqüência de chutes e socos em um saco de areia na Casa de Escorpião.
- Gostou daqui?
- Eh... – disse assustada com a pergunta repentina. – Sim, é bem diferente.
- Eu acho esse lugar belíssimo! – e então apontou para um homem de cabelos curtos e escuros, que aparentava um grande mau humor.
- Que você quer, Dido?
- Nada não, Carlinho. – sorriu e deu uma piscadela.
Anne não pode deixar de conter o espanto com a "decoração" daquela casa: muitas e muitas cabeças, que se aglomeravam na parede como máscaras. Olhou para o rosto dele e pensou não ser alguém com muitos amigos.
- Não ligue para o mau humor dele, nem sempre ele é assim. – riu.
Quando percebeu, o Sol batia diretamente em seu rosto, anunciando que a cidade já estava ali. Viu a sombra de Mu, que tranquilamente contemplava o por do Sol, como todos os dias. Ao perceber a presença dos dois, se virou para ele.
- Mas já está de volta? – perguntou com um sorriso.
- Ah sim, Kamyu estava ocupado.
- Mas se falaram?
- O suficiente para poder vir embora. – e deu um pequeno sorriso.
- Na verdade, – riu Afrodite. – ela errou a saída e foi parar na minha casa.
- O Santuário é difícil na primeira visita. – complementou Mu.
- Não importa, já que foi a primeira e a última.
- Não, não e não! – reclamou o pisciano. – Não posso ver somente uma vez a mulher mais perfeita que vi em minha vida.
- Sinto muito, Afrodite, o que eu tinha que fazer aqui já foi feito. – sorriu.
- Anne, Kamus estava ocupado com o que? – perguntou Mu um tanto quanto curioso.
- Com quem, você quis dizer. – corrigiu. – Com uma mulher.
Os dois dourados se entreolharam, estranhando aquelas palavras. Com quem ele estaria? Fora Anne, ninguém mais havia entrado no Santuário, o que levava a crer que ele estava com alguma amazona.
- E como era essa mulher? – perguntou Afrodite curioso.
- Alta, cabelo um pouco abaixo do ombro, com a voz brava e autoritária. Não consegui ver o rosto dela, ela usava uma mascara meio... Estranha.
- Shina? – se surpreendeu Mu.
- Que seja.
- Gente, que babado! – disse Afrodite chocado. – Kamus sempre foi cauteloso, até hoje sei do nome de uma só que ele tenha estado.
- Enfim, ele não pôde falar comigo... – respondeu Anne à contra gosto.
- Ai se o Shura sonha com isso... – meneou a cabeça Mu.
- Longe de mim causa a discórdia! – apressou-se Anne. – Vocês têm que me prometer que isso não sai daqui.
- Ah, Anne querida. – se aproximou Afrodite. – Aquele sotaque francês enlouquece as mulheres. Não se engane assim,
- Quem procura o que não deve, acha o que não quer. – sorriu. – Não é assim o ditado? Eu já devia ter imaginado.
- Independente dele, gostaria que viesse novamente. – pediu o pisciano.
- Não acho que seja uma boa idéia...
- Tem razão, não ache! – interrompeu com uma empolgação que assustou a garota e era indiferente a Mu. – Será uma ótima idéia! Vamos conversar sobre arte, falar da Suécia, ah que saudades do meu país!
- Bom, posso tentar e... – respondeu assustada.
- Isso, venha! Pedirei para prepararem um almoço especial.
Mu sorriu, sabia que Afrodite era uma pessoa que facilmente se empolgava com alguém que tinha gostos semelhantes aos seus, o que não acontecia com tanta freqüência.
- Tudo bem, então, eu acho...
- Muzinho, posso pegar papel e caneta na sua casa?
- Claro, está na mesa ao lado do telefone,
Saiu apressado em direção a Casa de Áries. Anne havia ficado assustada e surpresa com toda aquela euforia. O ariano pensou em rir, mas se conteve ao pensar que isso poderia frustrar ou assustar ainda mais a garota. E o silêncio permaneceu.
- Prontinho, voltei! – e entregou o papel a francesa.
- O que é isso? – perguntou curiosa.
- Números de telefone. – riu. – Meu e do Muzinhu, já cai direto em nossas casas.
- Ah sim. – olhou o papel. – Eu ligo caso não venha.
- Nem pense em não vir!
- Infelizmente dependo mais da vontade alheia do que da minha própria vontade.
- Ah sim, entendo, embora seja uma pena.
- Farei o possível para vir, pode ter certeza.
A garota sorriu, fazendo com que o pisciano ficasse satisfeito, afinal não era todos os dias que ele tinha uma companhia que gostasse das mesmas coisas que ele, e isso era um bom motivo para deixa-lo mais contente que o normal.
- Agora preciso ir. – disse olhando o céu. – Já está escurecendo e sai sem avisar. Já devem estar a minha procura...
- Tem certeza que consegue voltar sozinha? – perguntou Mu preocupado. – Podemos pedir a um dos cavaleiros que te leve.
-Não, tudo bem! – recusou instantaneamente. – Não estou longe, cheguei aqui a pé, não lembra? – e riu.
- Ah, sim, claro.
- Tchau, Mu. Tchau, Afrodite.
- Dido. – corrigiu Afrodite. – Me chama de Dido.
- Certo então, Dido. – e sorriu.
- Até breve, Anne. – despediu-se Mu.
- Tchauzinho, Anne! Até amanhã!
A garota sorriu novamente e acenou. Como ela tinha o sorriso bonito! Com certeza ela chamava atenção e despertava encanto por onde passava, não importa onde fosse. O ariano e o pisciano contemplavam a cena dela indo embora, apenas uma sombra em frente ao pôr-do-sol, o que tornava aquilo tudo ainda mais bonito e poético.
- Mu, será que você...?
Aquela voz simplesmente invadiu no recinto, sem perceber que os dois olhavam para o horizonte, não lhe dando atenção alguma. Seguiu seus olhares e então viu a sombra do que parecia ser uma jovem.
- Então é para isso que estão olhando, seus safados? – riu Miro.
- Ora, Mimi! – respondeu Afrodite ofendido e pego no susto. – O que você faz tanta questão, eu dispenso!
Mu nada disse, ficou corado com o "flagrante" e tratou de recompor-se o mais rápido que pode, enquanto Miro riu do modo que o pisciano falou.
- Quem é? – perguntou curioso.
- A mulher mais perfeita que existe! – idolatrou o pisciano.
- Mulher perfeita? – perguntou um Miro surpreso, já que sabia das preferências sexuais do amigo. – Tá doente, Dido?
- Linda, meiga, apreciadora da arte que passava seus verões em minha amada Suécia... – e seus olhos até brilharam.
- Sua alma gêmea. – riu o escorpiano. – E o que ela veio fazer aqui?
- Procurar por Kamus. – respondeu o ariano.
- Ah, então era essa garota que o Carlo tava falando que tinha passado por lá com vocês... Ele disse que ela era bem bonita.
- Sim, muito bonita. Uma beleza diferente da grega. – concordou Mu.
- Aquele francês safado! Nem pra apresentar! – brincou Miro.
- Safado e ingrato! A menina vem atrás dele, e ele "ocupado" com a Shina! – indignou-se Afrodite.
- Como assim?
- Nem a gente sabe, Miro, ela quem disse. – respondeu o ariano.
- Bom, eu vou para a minha casinha! – disse o pisciano em um ataque de irritação. – Vou descansar a minha beleza nórdica. Ate mais, rapazes.
Saiu para a Décima Segunda Casa, sem ao menos ouvir a resposta deles, ansioso pelo dia de amanhã. Miro e Mu riram da cena, achavam engraçado quando ele tinha esses "pitis" dele. No fundo, tinham certeza que ele ainda iria aprontar com o cavaleiro da Casa de Câncer, o que tornava a cena ainda mais hilária.
- Mas então, o que dizia, Miro?
- Ah sim! – retomou. – A armadura de Escorpião trincou nos pulsos nos pés, pode arrumar pra mim?
- Sim, sem problemas.
- Valeu, Mu!
- Já disse pra você pegar leve com a sua armadura, uma hora ela fica sem conserto!
- Eu sei, já parei. – riu encabulado. – Agora uso pesos nos braços e nas pernas pra ganhar mais força...
- Bom, vamos lá.
Os dois entraram, enquanto Mu dava certas broncas em Miro, que parecia ser criança dizendo que "nunca mais ia fazer de novo". O Sol se punha do lado de fora e as primeiras estrelas começaram a aparecer, indicando que mais um dia havia terminado.
E a vida voltou ao normal no Santuário. Pelo menos por enquanto.
N/A gente!!!
Preciso dizer que estou bem feliz pelas reviews! Peco desculpas pela demora pra atualizar, mas tava viajando... Aqui esta, novinho em folha! Tcharaaaaaaam!!!
Entao, eu sei que pode parecer confuso, mas voces vao entender! Essa parte da historia eu acho meio bobinha, mas preciso dela pra continuar tudo! Entao nao se deixem enganar!
Bom, Miro nem viu a tal garota e, ao que tudo indica, Afrodite teve uma "amizade a primeira vista" com a garota. Mas sera que ela volta mesmo?
Aguarde os proximos episodios D
Bjus,
Dani Polaris
