CAPITULO IV – Um Dia Qualquer
Nove horas da manha, Athenas. Anne rolava pela larga cama, procurando uma forma de dormir, enquanto os lençóis brancos saiam do lugar e ficavam totalmente amassados. Bom, talvez não era isso que a garota procurava de fato, mas de qualquer forma Domenique a despertou naquele horário, o que minou todas as possibilidades dela voltar a – tentar! – dormir.
- Bon jour, Anne! – disse animada abrindo as cortinas.
- Bon jour... – respondeu esfregando os olhos.
- Dormiu bem?
Pensou em dizer "Não tão bem quanto gostaria", mas isso levaria a uma nova discussão que ela não queria, principalmente depois da noite anterior. Sua cabeça doía somente de pensar em tantas perguntas, que foram feitas em um tom tão agressivo que lembrou um interrogatório, onde queriam, basicamente, saber por que ela saiu correndo daquela forma, e com quem estava para demorar tanto. Ela respondeu apenas que se tratava de um "velho conhecido". Pressionaram-na para mais detalhes, mas ela simplesmente se deu o direito de calar-se. A verdade era que estava abalada demais ao ver Kamus com outra mulher, mesmo depois de anos separados.
Sentou-se na cama enquanto apenas respondia com um "Sim, obrigada". Olhou na mesa ao lado um papel pequeno, com alguns números escritos, e ela apenas pensando se voltaria aquele lugar enquanto Domenique fazia seu discurso matinal sobre as novidades da França – as quais ela não se importava nem um pouco.
- Estava pensando em ir a Delfos, que acha?
Anne voltou-se no mesmo instante para a mulher, com uma careta que nem ela percebeu que fez. Dias na Grécia e ela jamais fez tal "convite", e quando a garota pensou em ir, todos os seus empregados vetaram, sob desculpas como "São ordens do Senhor Cambeaux". Sim, aquilo era realmente estranho.
- A troco de que, Domenique?
- Te achei meio desanimada. – disse se voltando pra ela. – Pensei que talvez seu primo pudesse te animar, e...
- Ele não está em casa, já falei com a tia Madge.
- Não? E onde está?
- Não, e ela não quis me dizer pra onde foi, disse que é assunto proibido na família.
- E o que você quer fazer hoje?
Olhou para o pedaço de papel branco, pensativa. Ao mesmo tempo, queria e não queria voltar aquele lugar que chamavam de "Santuário". Pensou em como não ir, mas Afrodite lhe tratou com tanto carinho e atenção que não seria certo recusar um convite tão agradável, espontâneo e sincero.
- Vou sair. – disse convicta.
- Certo, e onde vamos?
- Onde EU vou, não importa. Quanto a você, tire o dia de folga, vá passear e fazer compras, tanto faz.
- Está maluca, Anne? – perguntou surpresa. – Aonde vai, e com quem vai? Aposto que vai com quem encontrou ontem!
- E se for? – peitou-a.
- Nem sequer o conheço! E ninguém o conhece também!
- Não
tenho culpa se as férias na Suécia eram coisas só
minha e da mamãe.
Anne havia mentido na noite anterior. Todos os Cambeaux e criados ou amigos, não podiam sequer ouvir a simples menção do nome de Kamus, ele era uma espécie de maldição, ou algo do gênero. Se ela falasse que havia o encontrado, seria o fim! Sua consciência só não pesou porque ela ia realmente ao encontro de um sueco.
- Eu não vou permitir tal loucura!
- Não estou pedindo sua permissão, Domenique. E se quiser contar ao meu pai, então o faça!
Com estas palavras, proferidas num tom um pouco mais agressivo, a garota se levantou de súbito, andando de um lado para o outro, na imensa suíte do hotel, pensativa, enquanto a mais velha das duas se recuperava do choque.
- Anne, o que aconteceu com você?
- Estou apenas dizendo o que sinto... – disse sem olhá-la.
- Dessa forma? – rebateu chocada.
- E queria que fosse como?
- Educadamente.
A mais jovem sequer respondeu. Seguiu em direção ao seu lado direito, onde estava o guarda-roupas, e que abriu passando os olhos pelas pecas, pensativa, enquanto escolhia qual delas colocaria, como se estivesse se preparando para uma festa. A governanta ficou paralisada, não entendia o motivo daquela mudança brusca de comportamento. Não que ela estivesse, de fato, sendo brusca, mas o simples fato dela ter uma reação quando normalmente é uma pessoa tão passiva era de causar espanto.
- Não importa aonde vá, eu vou com você. – continuou a mais velha.
- Pensando melhor, vou escolher depois do banho.
- Anne, você está me escutando?
- Sim. – respondeu sorrindo. – Mas não estou ouvindo.
E saiu rindo em direção ao banheiro. Quando Domenique pensou em segui-la, a porta se fechou bem a sua frente. Anne, que já conhecia a criada de anos, apenas disse em zombação, parecendo se divertir com aquilo:
- Domenique, não se preocupe, não vou fugir pela janela do banheiro! Por favor, peça para que Olivier se prepare para sair, oui?
- Vai sair com ele?
- Sim, só pra você não falar ainda mais na minha cabeça. – riu zombeteira.
- Ria, ria de quem se preocupa com você!
Anne começou a cantar uma antiga canção grega enquanto ouvia os passos de Domenique, indicando que se afastava da porta. Aquela musica era uma das favoritas de Anne, por ser uma canção que a mãe lhe cantava sempre que iam de viagem para Suécia. A musica falava de mudanças que levariam boas lembranças, mas se encaminhavam para um futuro feliz. Não que aquela fosse a atual situação de Anne, mas ela queria acreditar naquilo.
Depois de meia hora, saiu dos banhos: o de água e sabão, o de cremes e o de perfume, contrariando aquela fama dos franceses não terem um cheiro muito agradável. Anne, por si só já tinha uma beleza estonteante, composta por um corpo praticamente perfeito, longos cabelos castanhos e um par de olhos verdes que brilhavam mais do que qualquer diamante existente no mundo.
Abriu novamente o guarda-roupa e escolheu um vestido apropriado: um modelo de alcinhas verde claro, que deixava seus olhos ainda mais em evidencia. A toalha permanecia enrolada na cabeça prendendo os cabelos ainda úmidos, e era o único indicio de que ela tinha acabado de sair de um banho.
- Domenique? – chamou.
- Oui. – respondeu emburrada.
- Ora, não fique com esse bico! – riu. – Poderia chamar Olivier, por favor?
- Claro.
Nem dois minutos haviam se passado quando o segurança entrou, enquanto ela procurava na caixinha de jóias um brinco que combinasse com sua roupa. O colo, a mostra, estava enfeitado com um lindo conjunto de corrente e pingente em ouro branco, e formato de triangulo, com duas pedrinhas: uma azul e uma vermelha.
- Com licença, senhorita.
- Sim, entre, Olivier.
- Em que posso ajudá-la?
- Te chamei justamente por isso.. – voltou-se para ele. – Olha como você tá!
- Mas, senhorita... – disse olhando os costumeiros terno e gravata.
- E depois de anos pedindo, ainda me chama assim?
- O que...? – perguntou sem entender.
- Vá imediatamente colocar roupas informais e confortáveis! Olha esse calor!
- Eu não posso... – tentava argumentar.
- É uma ordem! – alterou a voz.
- Sim, senhorita.
O guarda-costas saiu mais confuso do que até a própria Domenique. Não sabia o motivo, mas o simples fato de vê-la tão empolgada e feliz, como era quando a mãe morreu, dissipou instantaneamente todos esses pensamentos, e ele então atendeu seu pedido.
Ela, por sua vez, riu daquela cena. Sentiu-se uma criança mimada dando ordens, mas se sentia tão confortável com Olivier que sabia que ele não ficaria chateado, bravo, ou qualquer coisa do gênero. Voltou a olhar-se no espelho e focou a atenção no pingente, pensativa.
Você me acompanha há tanto tempo... Seria uma pena tira-lo justo agora.
E então foi ate a janela do quarto, onde olhou a cidade mais abaixo. Como Athenas estava linda! Talvez estivesse num mau humor tão grande por ter ido aquele lugar forçada e sem expectativas de encontrar o primo que sequer reparou em nada. Um ano já havia se passado desde sua última visita, e parecia que foi ontem...
Pegou o papel com os números em cima da mesa, juntamente com o telefone sem fio. Desde a sua criação, sempre foi instruída a ligar para seu futuro anfitrião antes de ir a sua casa, e agora não seria diferente. Discou os números, enquanto andava impaciente pelo quarto. Seu coração estava disparado e ela estava extremamente ansiosa... Mas por que se sentia assim?
- Alo?
- Alo! – respondeu apressada. – Quem fala, por favor?
- Mu.
- Oi, Mu, Anne Cambeaux quem fala.
- Anne, que prazer! – respondeu alegre do outro lado. – Como vai?
- Bem, e você?
- Tudo na santa paz... Mas, me diga, como posso te ajudar?
- Bom, eu... – hesitou por um instante. – Gostaria de dizer se realmente não tem problema se eu for até ai...
- Claro que não. – respondeu tranqüilo. – Toda visita aqui é bem vinda.
- Obrigada, mas é que... – respondeu consternada.
- Afrodite está ansioso a sua espera.
Ela sorriu, vencida.
- Precisa que eu leve algo?
- Não creio que seja necessário.
- Certo... – consentiu. – Mu, por favor, gostaria que não comentasse que estou indo, queria fazer uma surpresa.
- Claro, sem problemas. – concordou o bondoso ariano. – Nos encontramos em minha casa, depois lhe acompanho ate a Casa de Peixes.
- Certo, obrigada! Ate breve. – e nesse exato momento Olivier voltou ao quarto.
- Ate mais.
A garota então desligou o telefone e o colocou em cima da mesa. Olhou para o guarda-costas e então riu, divertida. Ele, totalmente envergonhado, não entendeu nada, principalmente o que a patroa pretendia com tudo aquilo. Mas não podia negar que lhe fazia muito bem vê-la assim.
- Agora sim, perfeito! – sorriu. – Ficou bem mais bonito, hein?
- Me desculpe, Anne, mas posso saber onde iremos? – perguntou constrangido.
- Primeiro as compras! – disse enquanto arrumava a bolsa.
- Compras? – perguntou atônito. – O que mais a senhorita pretende comprar?
- Não faça tantas perguntas! – riu enquanto calcava as sandálias.
- Desculpe. – respondeu cabisbaixo.
- Não fica com essa cara, vamos logo!
O rapaz não entendeu nada, principalmente essa mudança brusca e repentina de um comportamento depressivo para um estranho alegre. Ate parece que tinha voltado no tempo! Sentiu sua mão delicada tocar o seu braço, descoberto pela camisa pólo, e então, em um movimento eufórico, puxá-lo rumo ao elevador, como se tivesse 15 anos, atravessando o corredor enquanto chamava o nome de sua costumeira companhia.
- Domenique, já estamos de saída!
- Anne, espere! – abriu a porta esbaforida.
- Como prometido, estou saindo com Olivier.– e neste momento levantou o braço do rapaz. – Não me espere cedo, volto depois do fim da tarde.
- Está levando seu celular? – perguntou preocupada.
- Sim, mas evite ligar. – sorriu. – Aproveite o dia, faça o que quiser, tire folga!
- Mas...
- Au revoir, Domenique!
A porta do elevador se fechou bem a frente da criada, enquanto Anne acenava com as mãos se despedindo. Riu daquela cena toda, fazia tempo que não se divertia daquela forma. Olivier riu, ainda mais por conhecer Domenique, que a esta hora deveria estar incrivelmente frustrada.
Saíram pelo suntuoso hall de entrada, um hall a altura de um hotel como aquele, e Anne então acenou para os funcionários da recepção, a maioria velhos conhecidos dela, de outras datas. Sorriu como cumprimento, simpática como de costume – pelo menos em aparência.
- Ela é sempre tão simpática, né?
- E como! – concordou o colega. – Nem parece ser filha de quem é!
Retribuíram ao aceno e logo depois voltaram aos seus trabalhos, enquanto viam a garota e o rapaz atravessarem a porta e entrarem em um carro preto esportivo trazido pelo manobrista do hotel.
- Para o carro, Olivier!
- O que foi? – perguntou depois de brecar bruscamente.
- Vamos parar aqui! – sorriu feliz.
- Aqui? – perguntou surpreso. – Mas aqui é uma... boulangerie.
- Eu sei. Por isso vamos parar aqui.
Ele nem discutiu apenas deu ré e estacionou o carro próximo a loja. Entraram, com o sorriso simpático dos atendentes, e Olivier esperou a porta enquanto ela se divertia entre tantas prateleiras de pecados comestíveis. Os donos, franceses, observaram a garota se maravilhar na loja, e então se deram conta de quem ela era. Alguns visitantes também a observaram; alguns por ela parecer uma criança feliz, outros, por se darem conta do mesmo que os donos. O publico da boulangerie, em sua esmagadora maioria, eram franceses que moravam ou estavam de passagem por Athenas. Assim como Anne e Olivier.
O guarda-costas ficou apreensivo com tantos olhares, e seu instinto protetor falou mais alto. Procurou a garota com seus grandes olhos azuis, mas a perdeu de vista. Saiu de onde estava e foi atrás dela, ate que a encontrou degustando um croissant no balcão segurando uma cesta com algumas guloseimas e... três garrafas de vinho.
- Anne! – respirou aliviado por encontrá-la.
- Ah, oi, Olivier! Você deveria provar isso, ta uma delicia!
- Pra que tanto vinho? – perguntou surpreso. – Você mal bebe uma taça!
- São presentes, não são pra mim. – riu. - As comidas que são.
Ele pegou a cesta das mãos dela, que pediu mais dois daqueles croissants para viagem. Ele observou os vinhos; ela tinha escolhido as melhores safras do melhor vinho francês – e o mais caro também. Praticamente todas as refeições francesas eram feitas com vinho ou champagne, dependendo do horário e do que é servido. Achou polido levar algo tão francês para Afrodite e Mu, pela hospitalidade e a gentileza.
- Seu pai vai surtar quando vir a fatura do cartão.
- Ora, Olivier! – sentiu-se ofendida. – Você bem sabe que dinheiro nunca foi problema em casa.
- Eu sei, mas seu pai...
- Não precisa ficar sabendo exatamente o que vim comprar.
O rapaz suspirou e nada mais disse, sabia que aquilo era algo como "Você não vai contar, vai?". Ela, por sua vez, sorriu e lhe deu um beijo estalado na bochecha, como agradecimento. A verdade é que ele sempre se sentia rendido quando ela lhe agradava daquela forma – tão carinhosa.
Para Anne, Olivier era como se fosse um irmão mais velho, por isso a cumplicidade entre os dois era tão grande. Os pais do rapaz trabalhavam para os pais de Anne há mais de trinta e cinco anos, e ele sempre foi tratado pela família dela como um filho, principalmente por parte de Diana. Tornar-se segurança de Anne foi uma conseqüência e uma promessa. Começou quando ela tinha sete anos, e ele treze, e se machucou enquanto brincavam no jardim. Desde então, prometeu para si e para ela que nada iria machucá-la, e que ele a protegeria para sempre. E ela confiava nele como não confiava em nenhum outro em sua casa, às vezes ate mesmo que o próprio pai.
- Certo, e agora? Pra onde vamos? – perguntou o rapaz carregando as três sacolas de compras.
- Podemos passar em uma livraria antes? – perguntou inocente.
- Que tipo de livros que comprar?
- Um especial...
Guardaram então as coisas no carro e foram à livraria, que ficava do outro lado da rua. Uma porta, consideravelmente pequena, guardava uma infinidade de livros de todos os tipos. Para Anne, essa era a maior magia da Grécia: nem tudo que parecia ser, era de fato.
Para não perder tempo, Anne foi diretamente ao vendedor e pediu o livro que procurava. Na verdade, não procurava por um titulo especifico, mas um que falasse sobre o assunto que ela queria. Olivier novamente a esperou próximo ao caixa, atento para qualquer atitude estranha; muita gente tinha a observado na loja à frente. Anne voltou momentos depois, acompanhada do vendedor, pedindo-lhe que embrulhasse para presente o livro.
- Achou o que encontrava?
- Sim, felizmente.
Ela sorriu feliz, enquanto observou alguns jornais a sua frente, assim como o acompanhante. Ele então voltou sua atenção para um jornal especial, que tinha como capa a foto do patrão na primeira página.
- Seu pai, Anne. – apontou para o jornal. – O que diz?
- "Presidente francês dá o primeiro passo para a assinatura do Tratado da União Européia".
- Que bom que conseguiu o que queria há tempos.
- Que seja. – respondeu desanimada. – Papai sempre foi um excelente político, e está sendo um bom presidente para o país.
- Isso é verdade. – concordou o rapaz.
A garota pensou em dizer algo como "Pena que desde que preside a França não presida a própria família", mas se conteve. Uma outra capa de revista chamou mais a sua atenção: um tablóide francês, com fotos dela na capa, e uma manchete nada agradável. O vendedor entregou-lhe o livro, e ela pediu que lhe cobrassem pela revista também, a levaria. Ela pagou e então foram embora.
Chegaram ao carro, Anne não pensou duas vezes antes de entrar, contrariada. Olivier não entendeu nada, claro, não tinha visto o mesmo que ela. Olhou para ver se não estavam sendo seguidos, e então deu a partida no carro quando verificou que tudo estava certo.
- Para onde vamos agora?
- Rumo ao Pathernon.
- Certo.
E assim o fez. Dirigia pelo estranho e irregular transito grego, enquanto ela folheava a revista, parecendo fazer uma busca bem especifica, que parecia estar nas últimas páginas...
- Dias aqui e não comprou uma revista. – comentou o rapaz. – Por que comprou hoje?
- Sai na capa. – mostrou a revista, desgostosa. – Aparentemente eu e o Príncipe Phillipe de Mônaco estamos tendo um caso.
- E você nem me conta? – riu irônico virando a esquerda.
- Eu também não sabia!– respondeu irônica. – Pelo visto algumas fotos, tiradas num restaurante enquanto nossos pais tratavam de negócios, já são o suficiente para marcarem a data do noivado.
Em um ato de revolta, jogou a revista de volta na sacola de onde tinha a tirado, enquanto Olivier ria, parecendo se divertir com aquilo. Desde que o pai assumiu a presidência, cinco anos atrás, ela virou o que os franceses chamavam de "Cherrie de Paris", e volta e meia vasculhavam a sua vida, o que ela abominava. Conforme ela foi crescendo, as coisas só pioraram, e ela ia se irritando mais com esse tipo de coisa.
Cerca de dez minutos depois, chegaram ao Pathernon. A velha música que a mãe cantava não lhe saia da cabeça... Mas por quê? Por que essas lembranças tão fortes agora?
- Chegamos, onde paro o carro?
- Pode ser ali a direita.
Apontou um lugar cerca de três quadras depois, num espaço mais amplo, e ele então seguiu para o local indicado. Assim que chegaram ao lugar indicado, ela o olhou com aquela cara de criança que ele já sabia bem qual era.
- Olivier, preciso de um favor.
- Ah não, Anne! Eu sabia que tinha algo errado!
- Por favor, não é nada demais!
- E o que...? – perguntou se preparando para algo que não lhe agradaria.
- Preciso que fique na cidade ao invés de me acompanhar. – interrompeu-o sincera.
- Você o que? – perguntou chocado.
- Não faz essa cara, por favor! - disse apressada. – Eu vou almoçar com um amigo, e seria chato que ficássemos os três por lá, entende?
- Anne, por acaso ele é algum tipo de caso seu? – perguntou ciumento.
- Não! - recriminou a amiga. – Ele é apenas um amigo, eu acho.
- Como assim "acha"?
- Ele... – disse sem graça. – Aparentemente você faz mais o tipo dele que eu, entende?
- Ah. – respondeu surpreso. Logo depois, balançou a cabeça negativamente – Não, Anne, não posso! E se Domenique ligar?
- Diz que está à paisana, que pedi pra não incomodar nosso passeio...
- Está louca?
- Eu juro que deixo meu celular ligado, e só atendo se for você! – disse numa última tentativa de convencê-lo. – Por favor.
Ele virou a cabeça, fugindo daqueles olhos pedintes, muito contrariado. Não conseguia olhar para aquelas esmeraldas, brilhantes como o de uma criança frente a uma loja de brinquedos, e dizer "não". Quando ela insistiu em saber da resposta, ele não conseguiu resistir e, mesmo muito contrariado, concordou.
Anne, feliz, soltou um sincero e feliz "obrigada" e o abraçou de forma alegre e agradecida. O rapaz fez dezenas de recomendações, tentando disfarçar que estava envergonhado com aquele gesto, como não ficar em lugares muito cheio e não desligar o celular, em hipótese nenhuma, o que ela consentiu e concordou e consentiu. Desceu do carro, sorridente, levando consigo a sacola que tinha acabado de comprar na livraria, enquanto Olivier pegou o restante e lhe entregou.
- Tem certeza que consegue levar tudo isso?
- Absoluta. – pegou a sacola mais pesada. – Eu não sou to fraca quanto pareço. Alem do mais, estou bem perto de onde vou.
- Ta... Juízo, hein? E qualquer coisa me liga!
- Ta bom, pai! - riu.
Ela se afastou em passos lentos, e depois de certa distancia deu um aceno, enquanto ele suspirava, atento. Viu-a andar, graciosa como sempre, rumo a sua direita. Sim, ela parecia estar feliz e, principalmente, viva. Trancou o carro, satisfeito, e resolveu aproveitar aquele dia ensolarado no Pathernon.
- "Um dia você ainda põe a gente em encrenca, Anne. – pensou enquanto ia ao ponto turístico. – Mas por você, e por esse sorriso, vale a pena. Ah, claro que vale".
Mu estava à entrada de sua casa, olhando para o imenso horizonte que se abria à sua frente, como sempre gostava de fazer. Considerava a vista do Santuário uma verdadeira bênção da deusa que regia aquele lugar. Respirou o ar puro, longe da agitação do centro de Athenas, mesmo com o calor que anunciava o fim do quente verão grego, e o início da primavera.
Observou mais abaixo, depois de algum tempo contemplando o nada, uma pessoa parada, pensativa e, por que não dizer, hesitante. Desceu as escadas que davam acesso até sua casa, a fim de ver de quem se tratava. E então a viu. Sorriu ao reconhecer a garota, mas não foi ao seu encontro; esperou que ela viesse ao seu. Não queria assustá-la, instigá-la ou qualquer outra coisa do gênero.
Anne, por sua vez, estava confusa. Não entendeu por que tinha ido e ali, justo na entrada do lugar, hesitava. Ficou receosa: e se Kamus a visse? Afinal, sua casa era passagem para a casa de Afrodite. A verdade é que queria entrar – e muito! Aquele lugar ali, perdido, era fantástico e a curiosidade de conhecer todas aquelas casas, onde aparentemente cada morador era de um país diverso, era tamanha que ela mal continha. Achou-se uma tola por estar ali, parada sob aquele sol forte. Sim, entraria naquele lugar e acabaria com qualquer fantasma que ali estivesse. Ela simplesmente não podia se privar por quem sequer se importava com ela.
Então ela avistou Mu, e sorriu. Ele acenou, vendo que foi reconhecido pela francesa, em retribuição. Sentiu-se ainda mais motivada a chegar o mais depressa possível, e assim o fez, até que em determinado ponto ele veio ao seu encontro.
- Bom dia, Anne.
- Bon jour, Mu. – respondeu distraída.
- Veio sozinha? – perguntou pegando as sacolas da mão dela.
- Sim, jamais traria alguém aqui.
Ele entendeu e, por mais estranho que pudesse parecer, ele compreendeu o verdadeiro significado daquelas palavras – e o que queriam dizer.
- O calor hoje tá muito forte... – comentou o ariano.
- E como! Alias, não estou atrapalhando vocês em nada, estou? – perguntou apressada.
- Já disse que você é muito bem vinda, Anne. Afrodite espera ansioso. A sua fama já percorreu o Santuário.
- Fama? – perguntou surpresa. – Ah não, pelo menos aqui não, por favor!
Ele a observou com um olhar de dúvida; desta vez não entendeu o que ela quis dizer. Ela era tão estranha a ele quanto ele a ela. Não sabia de onde vinha, onde morava, quantos anos tinha, onde estava sua família, nada. De certo modo, eles eram iguais.
- Vamos, vou acompanhá-la até a Décima Segunda Casa.
- Obrigada.
Subiram em tom de uma divertida conversa sobre nada em especial. Anne descobriu tantas coisas em comum com ele que nem em seus mais profundos devaneios imaginaria. E mal sabia ele que eles tinham em comum também a constelação regente...
Anne notou que grande parte das casas estava vazia, e perguntou ao ariano qual o motivo, o que ele lhe respondeu dizendo que a maioria deles gostava de treinar pela manhã e só parar u pouco antes do almoço, o que ela não entendeu. Tantas coisas podiam ser treinadas, mas ele não entrou em detalhes e ela resolveu não perguntar também. Isso tinha a deixado confusa.
- Mira si no es la chica de ayer!
Ela não entendia absolutamente nada do que ele falava, mas parou ao reconhecer aquela voz divertida que vinha a seu encontro. Olhou em volta, com intuito de encontrar seu locutor, e então pode observar a decoração: tudo muito alegre, vermelho e... espanhola.
- Em que casa estamos? – perguntou ao ariano baixinho.
- La Décima, Capricórnio. – disse ao pegar sua mão. – Soy Shura Salomon, mucho gusto.
- Er... Eu não entendo nada do que você fala, mas pelo que me lembro se chama Shura, não?
- Ih, Shura, sua cantada de amante latino não deu certo desta vez... – riu Mu.
- E em bom grego, a senhorita entende?
- Ah sim, bem melhor! – riu. – Aposto que você no entenderia nada se eu falasse com o senhor, entenderia?
- Senhor? – indignou-se. – Soy joven, tenho poucos anos a mais que você! E quanto a sua pergunta, tenha um vizinho francês e saberá pela menos o básico e alguns xingamentos...
Como ela poderia ter se esquecido? Depois de Capricórnio vem Aquário! Sentiu-se acuada por isso, mesmo tendo prometido a si mesma que não se privaria de nada, e ficou receosa por simplesmente estar ali.
- Quem sabe? Talvez... – consentiu.
Se fosse em outra ocasião, Anne se sentiria bastante incomodada tendo um homem segurando por tanto tempo a sua mão, herança de anos como filha única de um político influente rodeado de outros que queriam unir as famílias, e isso sempre a irritou. Mas agora, naquele ambiente tão informal e tão surreal, estava tão confusa com tudo que estava vivendo e com tanto medo do que estava por vir, que nem se importou.
- Todo caso, prazer, senhorita. – disse galante ao beijar sua mão.
- O prazer é todo meu, Shura.
O capricorniano se sentiu bem contente pela resposta da garota. Ele sabia admirar e reconhecer a beleza feminina, e aquela a sua frente era um belo exemplar de uma mulher perfeita: bonita, educada, simpática, com censo de humor... E aquele cheiro, que lembrava cerejas, tão doce e tão agradável que entorpecia aqueles que cruzassem seu caminho deixou-o ainda mais hipnotizado por ela. Ate que o encanto se desfez.
- Vamos, Anne? – perguntou Mu tranqüilo.
- Claro! – sorriu. – Au revoir, Shura.
Ela se soltou tranquilamente da mão dele, ainda sorrindo. Ele a observou sair de perto de si e quando deu por si estava acenando em despedida. Olhou para as sacolas que Mu, como bom cavalheiro carregava, e se perguntou o que teria ali, e se seria para Kamus. Jogou-se no sofá, resmungando:
- Francês filho da mãe! Todo certinho sempre, nunca apronta e olha o que aparece pra ele!
Reclamou mais um pouco, indo ate a janela de sua casa e observando a garota e o cavalheiro subindo, com metade do caminho pra trás. Voltou para o sofá, pegou o controle remoto e ligou a TV no canal de esportes, onde passava Villa Real contra Barcelona.
- Se não tenho a mulher, tenho o futebol! – disse conformado e feliz.
- Pelo visto o francês não encanta só as mulheres… - brincou o ariano.
- Ah, Mu. – riu encabulada. – Dizem que francês é a língua dos apaixonados…
FLASHBACK
- Eu to com medo de tudo isso que ta acontecendo…
A garota andava nervosa, de um lado para o outro em seu quarto, apertando suas próprias mãos compulsivamente enquanto fazia caretas, sendo observada com os olhos por um rapaz que estava sentado em sua cama.
- Vai ficar tonta desse jeito. – disse brincalhão.
- Estou falando sério! – rebateu ofendida. – Você não ta preocupado com essa guerra toda?
- Claro que to, Anne. – e o rapaz se levantou. – Ainda mais por essa guerra estar em nossas casas.
- Nossos pais nunca foram amigos, é verdade, mas agora são inimigos praticamente mortais! – e levou a mão à cabeça. – Somos praticamente Romeu e Julieta dos tempos atuais!
- Cherrie, pára com isso, não precisa dramatizar. – disse segurando-a pelos ombros. –Estamos juntos, isso que importa. E pode ter certeza que não vou tomar veneno nenhum!
- Seu bobo... – riu enquanto uma lágrima rolava pelo seu rosto.
- O que importa é que eu te amo e que... – puxou-a pelo braço, abraçando-a e inclinando para baixo.
- Que...? – perguntou rendida.
- Nós sempre teremos Paris!
E o rapaz lhe deu um beijo estalado enquanto ela ria. Aquela frase se tornou muito famosa desde quando foi proferida, por ter aparecido em um filme que ate hoje é um clássico do cinema mundial: Casablanca.
- Enquanto você estiver comigo, vai estar tudo bem.
- Eu não vou deixar que nada de mau te aconteça, Anne.
Fim do Flashback
- Anne? – era a terceira vez que o ariano a chamava.
- Ah, desculpa. – sorriu encabulada. – O que dizia?
- Nada em especial. – retribuiu. – Não se preocupe, ele não ta em casa.
- Ah, nem me preocupava com isso. – disse com um semi-sorriso. – Vi o suficiente ontem, já to satisfeita... Mas não quero falar disso! Vim para me divertir.
Ele consentiu e a passagem pela Casa de Aquário foi tranqüila. Somente neste dia Anne reparou na casa dele... Nenhuma decoração, nada especial, simplesmente nada. Tudo era neutro demais e frio demais. Claro que ela estranhou, mas se conformou ao se lembrar da frase "as pessoas mudam". Conforme Mu havia dito, ele, de fato, não estava. Sentiu-se aliviada por não ter encontrado-o.
Apressou o passo quando avistou a próxima casa, mais ao alto. Dentre todas, com certeza aquela era a que mais a fascinava – mesmo sem ter visto todas as outras. Parecia tão pequena por fora, mas logo na entrada se via um grande jardim com uma fonte em forma de cupido. Imaginou como seria o resto. E entre pensamentos e suposições, chegaram.
- Dido? – chamou o ariano.
- Oi, Muzinho! – aclamou de longe, vindo até ele. – O que foi? Eu estou...
Um leve aceno de mão fez a sua fisionomia se transformar de irritado/incomodado para alegre subitamente, como se tivesse ganhado um grande presente surpresa. A garota sorriu tímida enquanto o pisciano se apressou ao seu encontro, e o ariano apenas comentava para si mesmo como ela ficava mais bonita com aquele ar tímido.
- Anne!
- Oi, Dido.
- Que surpresa boa! – disse feliz.
- Gostou? Pedi ao Mu que não te dissesse nada.
- Eu tinha certeza que você vinha! Vamos, entre. – abriu o caminho.
- Cheiro bom... – comentou seguindo-o.
- Estão fazendo com todo carinho. – disse entusiasmado. – Espero que goste.
Entraram na sala, ou em uma das salas, da casa. Como era linda! Elegante, decorada ricamente, um ambiente totalmente agradável... Afrodite indicou a poltrona, em estilo vitoriano, para que se sentasse e ela o fez. Ao seu lado, apenas um abajur do mesmo estilo e um revisteiro com edições de Vogue, Elle e outras.
- Eu trouxe um presente. – comentou a garota.
- Presente? – maravilhou-se o anfitrião. – Não precisava, mas obrigado!
- Trouxe duas garrafas de vinho, uma para o almoço e outra de presente. – pediu as sacolas para Mu. – Trouxe uma pra você também, Mu. Nem sei se vocês gostam de vinho, mas enfim.
- Obrigado, Anne. – agradeceu polido.
- Por minha Santa Athena, Anne! – exclamou olhando o rótulo. – Ótima escolha!
Ela sorriu em agradecimento, já que não entendia muito de vinhos, mas pelo pouco entendia sabia que aquela era uma boa escolha. A garota estranhava o fato de como ele sabia o seu modo de ser, e mais ainda o fato de não se incomodar com alguém a conhecendo tão bem em tão pouco tempo...
Mu pediu licença aos demais, dizendo que precisava voltar a sua casa. A francesa agradeceu pela companhia e se despediu, dizendo que esperava o encontrar na saída.
- Venha, por favor, não se sinta acanhada! – chamou-a.
- Certo, obrigada. – sorriu. – Você tem uma linda casa.
- Ah, obrigada! Se soubesse o trabalho que me deu deixá-la como queria...
- Eu imagino.
- Ah, a propósito, linda sua bolsa. – comentou. – Louis Vuitton?
- Ah, sim. – respondeu surpresa. – Mas como você sabe?
- Estudava moda antes de vir pra cá. – respondeu enquanto andavam. – As revistas na sala não me deixam mentir, amo moda!
Conversaram mais um pouco ate que uma das criadas veio anunciar que o almoço estava sendo servido. E se o almoço fosse tão bom quanto seu cheiro, Anne comeria bem. Afrodite então pediu para que a criada levasse as garrafas e colocasse para gelar, eles iriam dentro de um instante.
Anne então se lembrou do outro presente que tinha levado para o sueco e que não tinha entregado. Olhou pelo quarto onde estavam e então se lembrou que provavelmente estaria na sala, onde Mu se despediu de ambos, e com esses pensamentos pediu licença ao anfitrião, que olhou curioso para saber o que ela tanto procurava. A resposta veio momentos depois.
-Te trouxe esse também. – entregou a sacola. – Espero que goste.
- Ora, mais um? Poxa, muito obrigado! Vejamos...
Afrodite então pode observar, pelo peso e pelo formato, que se tratava de um livro, embora não soubesse do que se tratava. Mal acreditou quando viu a capa dura, tão bem diagramada e tão... familiar. Olhou novamente para acreditar que não estava vendo demais, mas realmente, o que estava ali no livro era...
- Suécia!! – exclamou feliz. –Anne, você não existe!
- Recordar é viver. – sorriu feliz. – Imaginei que você iria gostar de ver como anda seu país.
Então era aquele o livro que ela tinha comprado! Um livro de turismo sobre a Suécia, lar do rapaz. Ele havia comentado que há muito não ia "para casa" e a garota então concluiu que aquilo parecia ser uma espécie de internato – embora não soubesse o motivo de cada um deles estar ali. Entre pensamentos e suposições curiosos, foi despertada por ele.
- O príncipe de Mônaco? – indagou chocado.
- Como? – perguntou surpresa.
- Esta de caso com Príncipe Phillipe? – mostrou a revista.
- Não dê atenção pra essa porcaria! – irritou-se tirando a revista da mão dele. – Odeio esses paparazzi.
- Ah, eu acho o máximo! – maravilhou-se.
- Não mesmo! Não é legal te-los te seguindo por toda a parte. – continuou ainda irritada. – Fui apenas jantar com Phillipe, que é meu amigo há muito tempo!
O pisciano riu da irritação dela, pelas caras que ela fazia, enquanto pensava que ela ficava ainda mais linda bravinha – se é que isso era possível. Ele começou a rir, e quando ela o viu rindo dela, sentiu-se envergonhada. Como poderia ter dado um chilique desses justo quando era uma visita? Corou no mesmo instante, mostrando o quão arrependida estava.
- Ora, não fique com essa cara! – riu ele. – Vem, vamos almoçar enquanto você me conta da sua vida glamurosa e dos paparazzi.
E o almoço sucedeu-se de forma bem animada. Afrodite e Anne pareciam amigos de anos, e como combinavam! Ele amava o glamour e o mundo fashion, e quando ela contou que foi capa da última Vogue francesa ele quase surtou! Ela então explicou que fez algumas campanhas publicitárias de produtos que ela gostava e combinavam, porque ela não gostava dessa vida de modelo. Sua fama era grande por ser filha do presidente e por ter ficado em evidência como parte feminina dos Cambeaux quando a mãe morreu.
Afrodite, por sua vez, contou coisas de vida que ele jamais contou a ninguém. Coisas como nunca ter conhecido a sua mãe e ter sido um estilista de sucesso em Estocolmo. Contou também como recebeu o chamado de Athena para ir ao Santuário e o quanto sofreu com a dúvida entre o caminho da honra e da fama.
Enquanto conversavam, mais bebiam vinho que comiam, e logo a primeira garrafa acabou. O anfitrião prontamente pediu para trazer outra, e seu pedido foi atendido. Com isso, iam ficando mais confidentes e mais alcoolizados, ate que ficaram "alegres" demais e saíram da mesa, com rumo à sala de estar.
- Eu, - disse o pisciano levantando a taça. – quem deveria mandar nesse lugar! Aqui só tem gente mal vestida!
Os dois começaram a rir descontroladamente de uma coisa besta como aquela, o que mostrava claramente que eles passaram do limite do aceitável para a bebida.
- E eu? Eu deveria ser vadia como as filhas dos "amigos" do meu pai, mas não! Eu sou a doce e boazinha Anne, a "Cherrie de Paris"!
- Olha, Anne, se eu fosse homem, eu te pegava!
Os dois riram mais ainda daquilo, por ter saído por parte dele de forma tão instantânea. Nem o próprio acreditou no que tinha acabado de dizer, e por isso riu mais ainda. Colocou mais vinho nas duas taças, se divertindo com aquilo.
- Dido, se você fosse homem, eu quem te pegava!
- Nossa, me senti uma vagabunda agora! – riu.
- Eu deveria parar de chorar pelo Kamyu e fazer a limpa por ai! – bebeu mais um gole. – Podia ter uma porrada de príncipes e filhos de políticos no meu currículo, mas não! Fico chorando por causa de um francês idiota!
Riram ainda mais depois dessa frase. Estavam tranqüilos, bebendo vinho sentados entre puffs e almofadas, até que três fortes batidas na porta interromperam o assunto. E as risadas.
- Sim...? – levantou-se Afrodite para atender a porta.
- Dido, eu vim te fazer uma visita... Ma donna mia! – disse assustado Máscara da Morte ao entrar na sala.
Continua...
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N/A.
Demorou mas foi!!!
Desculpa pela demora, mas milhares de compromissos me tiraram de longe da minha fic...
Então, as coisas começaram a ficar divertidas agora!!!
Quero deixar claro que o "dia" ainda não acabou, e que tem muita coisa ainda por vir...
E quero dedicar o Dido daqui pra duas pessoas: pra tia Hebe, que é a maior fã dele que já existiu, e pro Schummie, que sem duvida é minha beesha de inspiração (interna!!)
Que surpresas mais teremos em um Santuário tão conturbado desde a chegada dessa francesa?
Em breve saberemos!!!
Bjus, e obrigada por lerem!!
