Disclaimer: as personagens pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla,...
...
- Jovem Malfoy, sua mãe chamar para a mesa! –guinchou uma voz.
Draco abriu os olhos de repente. Doía-lhe a cabeça e parecia-lhe que esta era feita de chumbo! Levantou-se, ainda embrulhado nos cobertores, e levou a mão á nuca. Que grande pedrada que ele tinha apanhado na noite anterior! Mas ele sabia que algo pior que a bebedeira ocorrera; só não sabia o quê!
- Já desço! –gritou ele, assim que o elfo doméstico o voltou a chamar.
Abriu os cortinados do quarto. Continuava a nevar! Olhou o relógio e reparou que já não havia tempo para tomar banho, uma vez que era já hora do almoço. Num ápice, vestiu uma roupa qualquer que se encontrava espalhada pela divisão; e foi então que ele se lembrou do resto da noite anterior: ele atirara-se á Sangue de Lama Granger! Ficava enjoado só de pensar que a poderia ter beijado (ou fazer algo muito pior). O que a bebida lhe fizera! Ou não teria sido apenas a bebida a provocar aquele comportamento?
A verdade é que, com bebida ou sem ela, ele teria olhado para Granger. Nunca conseguira resistir a um rabo-de-saia com uma face bonita e um corpo aceitável; e ela mudara –sem os dentes da frente, o cabelo emaranhado e as roupas sem estilo, não a poderia chamar feiosa!
Argh, mas que se passava com ele? Achar a Granger bonita? Preferia viver em Azkaban, na mesma cela que o seu pai!
- Disse que tinha namorado! –riu Draco, enquanto penteava as madeixas do seu cabelo –Coitado do rapaz...
Após estar pronto, abandonou o quarto e dirigiu-se para a sala de jantar. A mesa estava posta apenas para duas pessoas e um dos lugares estava já ocupado pela sua mãe. Draco olhou-a e não conseguiu deixar de sentir pena por Narcisa! Via-a ali sentada, a comer a sua sopa, de cabelos loiros caídos pelos ombros e de mantos escuros sem um único vinco e não conseguia deixar de sentir um aperto no coração ao perceber a mísera vida que ela vivia: tinha de cuidar do marido louco e do filho que seguia pelo mesmo caminho, sem ter a oportunidade de escolher o seu próprio caminho a seguir. Ela era apenas uma mulher que merecia viver em liberdade, mas a infância rígida e o casamento falhado tinham-lhe construído laços que a prendiam aos locais onde era infeliz.
- Ah, já acordaste! –Narcisa sorriu ao ver o filho- Senta-te, o almoço pode arrefecer!
- O pai?
- Está...um pouco transtornado outra vez! Fechou-se no escritório, acho que foi bom termos reconstruído aquele lugar –entregou o prato vazio ao elfo que se mantinha atrás de si –Draco, eu não gostei nada daquilo que disseste ontem!
O rapaz pousou a colher no prato.
- Só faltava mesmo vir a defendê-lo! Mãe, entenda uma coisa: estou farto daquilo que ele faz! É um brutamontes de todo o tamanho! Eu já tive de levar pontos por causa dele e a mãe já partiu o nariz e teve de dar roupa a um elfo! Não me diga que gosta dele assim, porque isso é pura mentira!
- Isso não interessa, Draco. Mas ele é teu pai...merece respeito da tua parte!
- E eu? Não mereço respeito da parte dele também?!
Narcisa parou de comer e colocou a mão na testa. Odiava discussões, apesar de muitos não acreditarem devido ao seu apelido. Mas ela era Malfoy porque se casara com um bruto que apenas pensava em si próprio, esquecendo-se que a mulher e o filho de ambos viviam com ele. Por isso, levantou a mão, indicando ao filho que aquela conversa terminara.
- Hoje teremos visitas! –anunciou ela –O meu irmão Niko vem visitar-nos, trazendo a mulher e a filha para passarem o Natal connosco.
- Ah, sim? –perguntou Draco, sem estar minimamente interessado na novidade.
- Já não os vês há muito tempo. Desde que foste para Hogwarts, há cerca de 10 anos. A tua prima Leigh, tem 19 anos e é muito bonita, mesmo muito...
- Mãe, não tente arranjar-me namoradas!
- Com a tua idade, já estava eu casada e grávida de ti! Vejo-te com tantas raparigas, será que não poderias arranjar uma de vez? Não te peço para te casares, acho-te muito novo, mas...
Draco perder ao pouco apetite que tinha. Brincava com a comida no prato, enquanto ouvia o sermão repetitivo da mãe, aquele que ouvia dia sim, dia sim! Sempre o mesmo: devia arranjar uma namorada decente, devia deixar de trocar de namorada como quem troca de manto, devia deixar de as magoar, bla, bla, bla,... Mas como podia ele acreditar numa pessoa cujos pais tinham arranjado um marido assim que deixara a escola e entrara na vida adulta?
- Não tens sentido nada de especial por ninguém neste últimos tempos? Uma pessoa diferente...pronto, diferente da nossa família?
- Que pergunta é essa?
- Ora, querido, podias...podias ter sentido algo especial por alguém que não fosse como os Malfoys!
Narcisa gaguejava e gesticulava com as mãos, sinais que estava a ficar bastante nervosa. Draco olhou para o lado e a face de Hermione surgiu á sua frente. Sim, pronto, ele sentira-se esquisito quando a tinha visto na noite anterior, mas não era nada de especial! Claro que não! Ela era a Granger sabe-tudo, a rata de biblioteca! Olhou para a mãe, mas não quis adiantar mais pormenores acerca daquele assunto.
- O que é que isso interessa? –perguntou ele, enquanto mordia o lábio inferior com o nervosismo.
Narcisa olhou-o muito nervosa, mas nem teve tempo de abrir a boca: Lucius Malfoy acabara de entrar na sala de jantar. Olhou os dois, um olhar duro e frio, como se o azul dos seus olhos fosse gelo que gelava tudo aquilo que ele olhava, e sentou-se á mesa. A mulher regressou ao seu almoço, ao passo que Draco desviou o olhar. Sentado na sua cadeira alta e prateada, o chefe de família chamou o elfo que ali estava presente.
- O meu almoço? –perguntou Lucius, com um tom de voz perigoso.
- Senhor, Krosh julgar que senhor não querer almoçar e...
- Mas quero!! Traz as minhas coisas, boneco imprestável!
Krosh acenou com a cabeça, tremendo como varas verdes. Narcisa tremia também, com medo de mais um ataque de fúria, que levasse marido a espetar com a mesa no chão.
- Que conversa era essa que tu e o Draco estavam a ter? –quis saber o homem, após o elfo o ter servido.
- Ora, Lucius, não vês que era uma conversa...
- ...idiota! Uma autêntica estupidez, perguntar ao rapaz se se apaixonou por alguém diferente de nós! Que queres tu, Narcisa? Que o teu filho namore com uma miúda que não tem onde cair morta? Queres ver o teu filho casar com uma Muggle ordinária ou preferes que os teus netos sejam filhos de uma Sangue de Lama?
- Já chega, Lucius, foi uma pergunta idiota!
- Se o teu filho não for igual a ti –continuou Lucius, apesar de ninguém estar interessado naquilo que ele dizia –talvez ele largue o grupo de bruxas idiotas que tem atrás dele e se decida por uma rapariga de bem. Os Maloney vêm visitar-nos; a tua prima é bela, jovem, rica e de boas famílias –espero que me proves que és inteligente!
- Com licença... –Draco levantou-se da mesa.
A mãe olhou-o com tristeza nos seus olhos claros, mas ele apenas seguiu o seu caminho e trancou-se de novo dentro do seu quarto. Ligou o rádio, em busca de alguma canção que correspondesse ao seu estado de alma, mas nem uma servia. Não tinha vontade de ler, de descansar, não tinha vontade de nada; excepto a vontade de descarregar a sua fúria no pai! Já não o podia ver á frente, sempre com a mania que era o maior, a maltratar os outros que viviam com ele; e ainda por cima, não lhe poder bater ou enfeitiçar por isso –imaginava logo Lucius a mandar-lhe um Avada Kedavra, sem se importar minimamente com o facto que Draco era o seu único herdeiro.
Deitou-se na cama e descansou a cabeça. Via a neve cair através das janelas do seu quarto e, mais uma vez, pensou na feiticeira que encontrara no bar a noite anterior. Porque é que a mãe tivera de tocar naquele assunto? Bom, se não fosse Lucius ter interrompido a conversa, talvez ela se explicasse. O problema é que agora não conseguia tirar Hermione da sua cabeça, apesar de continuar a fazer correr o ódio enorme que sentia por ela. Porquê pensar nela? Claro...a vergonha por se ter atirado descaradamente a uma Sangue de Lama! Só podia ser isso.
Saltou da cama. Queria tomar banho quanto antes, apesar de o almoço ter ocorrido há tão pouco tempo. Enquanto tirava a roupa do armário, ouviu o pai gritar lá em baixo; no entanto, este não parecia mais um ataque de fúria dele, mas sim uma senhora discussão com Narcisa, cuja voz mal se ouvia, como sempre. Encolheu os ombros, deixando que eles se entendessem á maneira deles, e dirigiu-se para a sua casa de banho.
Esteve muito tempo debaixo do chuveiro, sentindo a água quente escorrer pelo seu corpo, como se aquilo viesse a facilitar a saída dos seus problemas. Esfregou-se furiosamente, tentando tirar da pele tudo o que o incomodava: o ódio pelo pai, a pena pela mãe, o nojo pela vida, o perfume de Hermione que não o deixara desde a noite anterior,...Mas nenhum deles saiu! Acabou por deixar a banheira devido aos gritos agudos de Fin, uma outra elfo da casa, porque os Malfoys esperavam-no no Salão, juntamente com os Maloneys.
Draco saiu e vestiu-se, tentando demorar-se o máximo de tempo possível. Mas em breve estava já a pentear os seus cabelos loiros e a vestir o manto negro. Sem a mínima vontade de receber os familiares, desceu as escadas até ao salão, onde logo avistou Lucius e Narcisa.
- Ah, como o vosso rapaz está crescido! –ouviu-se uma voz.
Um feiticeiro alto, careca, de infantis olhos azuis e óculos de aro preto, vestido de negro da cabeça aos pés e extremamente parecido com Narcisa passou um braço á volta dos ombros de Draco. Ele sabia bem quem era o homem: Niko Maloney, o seu único tio, irmão da sua mãe. Viu a mulher deste, a tia Josey, sentada ao lado de Mrs. Malfoy, com o seu indomável cabelo preto caído para as costas.
- Está aqui um homem! –disse um risonho Niko –Daria um dos nossos bem fortes, sem dúvida!
- Melhor que tu, seria de certeza! –resmungou Lucius, que não morria de amores pelo cunhado –Infelizmente, não houve tempo para provar aquilo que Draco vale. Bem, eu próprio duvido da capacidade dele...
O rapaz fuzilou o pai com o olhar, enquanto o tio ria, sem nunca o largar.
- Onde está Leigh? O meu filho não vê a prima há muito tempo, é tempo de vê- la outra vez ...
Niko chamou a filha e uma rapariga de 19 anos entrou no salão. Draco lembrava-se bem da prima; passaram 10 Verões juntos até ele partir para Hogwarts e ela para Durmstrang. Leigh Maloney era uma miúda extremamente irritante e idiota, com a mania que era rainha, sendo sempre a protegida por ser menina. Agora, estava uma mulher: alta, muito pálida, de sobrancelhas negras e olhos azuis acinzentados. O cabelo, também ele negro, que caía pelas costas, os mantos cor das Trevas e a maquilhagem escura no olhar faziam-na parecer uma autêntica e bela feiticeira do Mal!
Draco arregalou os olhos e estendeu a mão para apertar a da prima.
- Olá, primo! –disse ela, numa voz angelical que o rapaz duvidava que fosse verdadeira –É bom ver-te outra vez!
- Encantado! –respondeu Draco, pensando que se avizinhava o pior Natal de sempre.
- Ah, deixem-nos andar por aí! –disse Lucius, mais interessado –Vão passear por aí, conhecer a mansão...
O jovem Malfoy sabia bem qual a verdadeira intenção do pai: Lucius tinha esperança que ele se casasse um dia com Leigh para poder assim formar uma família que o orgulhasse; mas não abriu a boca. Sem qualquer vontade, Draco lá levou a prima para fora do salão e foi mostrando-lhe a casa enorme onde vivia, planeando deixá-la assim que surgisse a oportunidade de tal. Ela não deveria ter mudado, devia continuar a ser a mesma chata e convencida de sempre!
- Então, como vai o menino formado em Hogwarts? –perguntou a rapariga, de repente, com uma voz irónica.
- Muito bem! Durmstrang continua no mesmo sítio?
- A tua mãe é uma chata! Porque é que ela não te deixou ir para lá? Para aumentar o número de estudantes inteligentes...
- Ah! –murmurou ele, sabendo bem onde é que Leigh queria chegar –Eras uma aluna inteligente?
Ela torceu os cantos da boca num sorriso meloso e o primo cerrou os dentes.
- Podes crer que sim! Bem, o melhor de todos era um gajo idiota que por lá andava, que mal conseguia ver para onde apontava a varinha com aqueles óculos de lentes grossíssimas. Mas queres saber o que é que eu lhe fiz?
- Mataste-o? –apesar de não se verem há muito tempo, ela era rapariga para isso. Mas Leigh apenas se riu.
- Convenci-o que estava apaixonada por ele. Fazia-me tudo: os trabalhos, as composições,...e arranjávamos maneira de poder copiar testes escritos, sem os professores verem! Era uma alegria...juntando a minha esperteza natural, foi fácil chegar ao quadro de honra!
O seu riso cruel foi abafado pelo cachecol que mantinha ao pescoço. Draco rolou os olhos, perguntando-se porque raio é que teria uma casa tão grande; nunca mais se via livre dela!
- E já temos Mrs. Malfoy?
- Achas que tenho cara de casado?
- Não! Tens mais a cara do playboy safado que rouba o coração a qualquer miúda! Vá lá, conta-me quem ela é! Prometo não contar nada!
- Como daquela vez em que não contavas ao meu pai que eu tinha partido a varinha dele por acidente?
Os lábios dela torceram-se num sorriso maldoso. Mas o quarto escuro onde Draco passara duas semanas de castigo devido àquele acidente aos 5 anos estava ainda bem presente na memória do rapaz; logo, ele não poderia chegar ali e começar a contar a sua vida amorosa á prima, pois seria o mesmo que contá-lo a Lucius. E se Lucius soubesse da noite passada...
- Aqui está tão frio! –disse ele, em voz mais alta do que desejava –Vamos voltar ao salão, ao menos lá está quente!
- Ora, Draco, não te vejo há 10 anos! Tenho sentido a tua falta, sabias?
- OK, OK,...vamos a um bar hoje á noite, tomar um copo –disse, sem pensar no que lhe saía da boca para fora.
Leigh concordou com a cabeça e espreitou para dentro de um quarto, á medida que Draco se afastava. Só quando chegou á escadaria é que ele tomou consciência do que acabara de fazer. Que parvo, o que é que ele tinha feito?! Tinha sido um convite muito estúpido! Aquela noite havia de ser bonita...
*Continua...
N/A: OK, OK...primeiro que tudo, peço desculpa por ter demorado tanto tempo a actualizar e por este capítulo não ser grande coisa, mas a verdade é que (eu acho) que a história só começa a tornar-se interessante lá mais para a frente. É uma questão de ler e dar a sua opinião. Espero que não desistam dela agora, tão ao início! Obrigada a quem leu e para quem deixar reviews, que já sabe que está á vontade para tal desde que saiba o que é uma crítica construtiva...Como sempre, obrigados especiais:
Formiguinha: pois, esta é mesmo diferente da 4..., mas espero que também gostes; é D/Hr, claro! Obrigada pela mensagem e espero que continues a ler. Quando é que actualizas a tua fic???
JanePotter: uahahah...quem me conhece, já sabe que D/Hr é a minha paixão! E não te preocupes com propaganda, estás á vontade! =D Obrigada e espero que prossigas leitura.
Bru: olá!! Espero que também gostes deste capítulo e, se puderes, deixa review. Jinhos também e obrigada pela mensagem!
Pandora: que faria eu sem ti? Tudo bem contigo também? Bom, obrigada pela mensagem que deixaste, sabes que eu também sou uma grande fã tua e espero que tenhas gostado deste capítulo e continues a ler! A gente vê-se de novo quando voltares a actualizar as tuas fics!
Próximo capítulo: a noite de Draco com Leigh não está a ser nada boa! E o regresso dela também não vem a ajudar em nada...
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- Jovem Malfoy, sua mãe chamar para a mesa! –guinchou uma voz.
Draco abriu os olhos de repente. Doía-lhe a cabeça e parecia-lhe que esta era feita de chumbo! Levantou-se, ainda embrulhado nos cobertores, e levou a mão á nuca. Que grande pedrada que ele tinha apanhado na noite anterior! Mas ele sabia que algo pior que a bebedeira ocorrera; só não sabia o quê!
- Já desço! –gritou ele, assim que o elfo doméstico o voltou a chamar.
Abriu os cortinados do quarto. Continuava a nevar! Olhou o relógio e reparou que já não havia tempo para tomar banho, uma vez que era já hora do almoço. Num ápice, vestiu uma roupa qualquer que se encontrava espalhada pela divisão; e foi então que ele se lembrou do resto da noite anterior: ele atirara-se á Sangue de Lama Granger! Ficava enjoado só de pensar que a poderia ter beijado (ou fazer algo muito pior). O que a bebida lhe fizera! Ou não teria sido apenas a bebida a provocar aquele comportamento?
A verdade é que, com bebida ou sem ela, ele teria olhado para Granger. Nunca conseguira resistir a um rabo-de-saia com uma face bonita e um corpo aceitável; e ela mudara –sem os dentes da frente, o cabelo emaranhado e as roupas sem estilo, não a poderia chamar feiosa!
Argh, mas que se passava com ele? Achar a Granger bonita? Preferia viver em Azkaban, na mesma cela que o seu pai!
- Disse que tinha namorado! –riu Draco, enquanto penteava as madeixas do seu cabelo –Coitado do rapaz...
Após estar pronto, abandonou o quarto e dirigiu-se para a sala de jantar. A mesa estava posta apenas para duas pessoas e um dos lugares estava já ocupado pela sua mãe. Draco olhou-a e não conseguiu deixar de sentir pena por Narcisa! Via-a ali sentada, a comer a sua sopa, de cabelos loiros caídos pelos ombros e de mantos escuros sem um único vinco e não conseguia deixar de sentir um aperto no coração ao perceber a mísera vida que ela vivia: tinha de cuidar do marido louco e do filho que seguia pelo mesmo caminho, sem ter a oportunidade de escolher o seu próprio caminho a seguir. Ela era apenas uma mulher que merecia viver em liberdade, mas a infância rígida e o casamento falhado tinham-lhe construído laços que a prendiam aos locais onde era infeliz.
- Ah, já acordaste! –Narcisa sorriu ao ver o filho- Senta-te, o almoço pode arrefecer!
- O pai?
- Está...um pouco transtornado outra vez! Fechou-se no escritório, acho que foi bom termos reconstruído aquele lugar –entregou o prato vazio ao elfo que se mantinha atrás de si –Draco, eu não gostei nada daquilo que disseste ontem!
O rapaz pousou a colher no prato.
- Só faltava mesmo vir a defendê-lo! Mãe, entenda uma coisa: estou farto daquilo que ele faz! É um brutamontes de todo o tamanho! Eu já tive de levar pontos por causa dele e a mãe já partiu o nariz e teve de dar roupa a um elfo! Não me diga que gosta dele assim, porque isso é pura mentira!
- Isso não interessa, Draco. Mas ele é teu pai...merece respeito da tua parte!
- E eu? Não mereço respeito da parte dele também?!
Narcisa parou de comer e colocou a mão na testa. Odiava discussões, apesar de muitos não acreditarem devido ao seu apelido. Mas ela era Malfoy porque se casara com um bruto que apenas pensava em si próprio, esquecendo-se que a mulher e o filho de ambos viviam com ele. Por isso, levantou a mão, indicando ao filho que aquela conversa terminara.
- Hoje teremos visitas! –anunciou ela –O meu irmão Niko vem visitar-nos, trazendo a mulher e a filha para passarem o Natal connosco.
- Ah, sim? –perguntou Draco, sem estar minimamente interessado na novidade.
- Já não os vês há muito tempo. Desde que foste para Hogwarts, há cerca de 10 anos. A tua prima Leigh, tem 19 anos e é muito bonita, mesmo muito...
- Mãe, não tente arranjar-me namoradas!
- Com a tua idade, já estava eu casada e grávida de ti! Vejo-te com tantas raparigas, será que não poderias arranjar uma de vez? Não te peço para te casares, acho-te muito novo, mas...
Draco perder ao pouco apetite que tinha. Brincava com a comida no prato, enquanto ouvia o sermão repetitivo da mãe, aquele que ouvia dia sim, dia sim! Sempre o mesmo: devia arranjar uma namorada decente, devia deixar de trocar de namorada como quem troca de manto, devia deixar de as magoar, bla, bla, bla,... Mas como podia ele acreditar numa pessoa cujos pais tinham arranjado um marido assim que deixara a escola e entrara na vida adulta?
- Não tens sentido nada de especial por ninguém neste últimos tempos? Uma pessoa diferente...pronto, diferente da nossa família?
- Que pergunta é essa?
- Ora, querido, podias...podias ter sentido algo especial por alguém que não fosse como os Malfoys!
Narcisa gaguejava e gesticulava com as mãos, sinais que estava a ficar bastante nervosa. Draco olhou para o lado e a face de Hermione surgiu á sua frente. Sim, pronto, ele sentira-se esquisito quando a tinha visto na noite anterior, mas não era nada de especial! Claro que não! Ela era a Granger sabe-tudo, a rata de biblioteca! Olhou para a mãe, mas não quis adiantar mais pormenores acerca daquele assunto.
- O que é que isso interessa? –perguntou ele, enquanto mordia o lábio inferior com o nervosismo.
Narcisa olhou-o muito nervosa, mas nem teve tempo de abrir a boca: Lucius Malfoy acabara de entrar na sala de jantar. Olhou os dois, um olhar duro e frio, como se o azul dos seus olhos fosse gelo que gelava tudo aquilo que ele olhava, e sentou-se á mesa. A mulher regressou ao seu almoço, ao passo que Draco desviou o olhar. Sentado na sua cadeira alta e prateada, o chefe de família chamou o elfo que ali estava presente.
- O meu almoço? –perguntou Lucius, com um tom de voz perigoso.
- Senhor, Krosh julgar que senhor não querer almoçar e...
- Mas quero!! Traz as minhas coisas, boneco imprestável!
Krosh acenou com a cabeça, tremendo como varas verdes. Narcisa tremia também, com medo de mais um ataque de fúria, que levasse marido a espetar com a mesa no chão.
- Que conversa era essa que tu e o Draco estavam a ter? –quis saber o homem, após o elfo o ter servido.
- Ora, Lucius, não vês que era uma conversa...
- ...idiota! Uma autêntica estupidez, perguntar ao rapaz se se apaixonou por alguém diferente de nós! Que queres tu, Narcisa? Que o teu filho namore com uma miúda que não tem onde cair morta? Queres ver o teu filho casar com uma Muggle ordinária ou preferes que os teus netos sejam filhos de uma Sangue de Lama?
- Já chega, Lucius, foi uma pergunta idiota!
- Se o teu filho não for igual a ti –continuou Lucius, apesar de ninguém estar interessado naquilo que ele dizia –talvez ele largue o grupo de bruxas idiotas que tem atrás dele e se decida por uma rapariga de bem. Os Maloney vêm visitar-nos; a tua prima é bela, jovem, rica e de boas famílias –espero que me proves que és inteligente!
- Com licença... –Draco levantou-se da mesa.
A mãe olhou-o com tristeza nos seus olhos claros, mas ele apenas seguiu o seu caminho e trancou-se de novo dentro do seu quarto. Ligou o rádio, em busca de alguma canção que correspondesse ao seu estado de alma, mas nem uma servia. Não tinha vontade de ler, de descansar, não tinha vontade de nada; excepto a vontade de descarregar a sua fúria no pai! Já não o podia ver á frente, sempre com a mania que era o maior, a maltratar os outros que viviam com ele; e ainda por cima, não lhe poder bater ou enfeitiçar por isso –imaginava logo Lucius a mandar-lhe um Avada Kedavra, sem se importar minimamente com o facto que Draco era o seu único herdeiro.
Deitou-se na cama e descansou a cabeça. Via a neve cair através das janelas do seu quarto e, mais uma vez, pensou na feiticeira que encontrara no bar a noite anterior. Porque é que a mãe tivera de tocar naquele assunto? Bom, se não fosse Lucius ter interrompido a conversa, talvez ela se explicasse. O problema é que agora não conseguia tirar Hermione da sua cabeça, apesar de continuar a fazer correr o ódio enorme que sentia por ela. Porquê pensar nela? Claro...a vergonha por se ter atirado descaradamente a uma Sangue de Lama! Só podia ser isso.
Saltou da cama. Queria tomar banho quanto antes, apesar de o almoço ter ocorrido há tão pouco tempo. Enquanto tirava a roupa do armário, ouviu o pai gritar lá em baixo; no entanto, este não parecia mais um ataque de fúria dele, mas sim uma senhora discussão com Narcisa, cuja voz mal se ouvia, como sempre. Encolheu os ombros, deixando que eles se entendessem á maneira deles, e dirigiu-se para a sua casa de banho.
Esteve muito tempo debaixo do chuveiro, sentindo a água quente escorrer pelo seu corpo, como se aquilo viesse a facilitar a saída dos seus problemas. Esfregou-se furiosamente, tentando tirar da pele tudo o que o incomodava: o ódio pelo pai, a pena pela mãe, o nojo pela vida, o perfume de Hermione que não o deixara desde a noite anterior,...Mas nenhum deles saiu! Acabou por deixar a banheira devido aos gritos agudos de Fin, uma outra elfo da casa, porque os Malfoys esperavam-no no Salão, juntamente com os Maloneys.
Draco saiu e vestiu-se, tentando demorar-se o máximo de tempo possível. Mas em breve estava já a pentear os seus cabelos loiros e a vestir o manto negro. Sem a mínima vontade de receber os familiares, desceu as escadas até ao salão, onde logo avistou Lucius e Narcisa.
- Ah, como o vosso rapaz está crescido! –ouviu-se uma voz.
Um feiticeiro alto, careca, de infantis olhos azuis e óculos de aro preto, vestido de negro da cabeça aos pés e extremamente parecido com Narcisa passou um braço á volta dos ombros de Draco. Ele sabia bem quem era o homem: Niko Maloney, o seu único tio, irmão da sua mãe. Viu a mulher deste, a tia Josey, sentada ao lado de Mrs. Malfoy, com o seu indomável cabelo preto caído para as costas.
- Está aqui um homem! –disse um risonho Niko –Daria um dos nossos bem fortes, sem dúvida!
- Melhor que tu, seria de certeza! –resmungou Lucius, que não morria de amores pelo cunhado –Infelizmente, não houve tempo para provar aquilo que Draco vale. Bem, eu próprio duvido da capacidade dele...
O rapaz fuzilou o pai com o olhar, enquanto o tio ria, sem nunca o largar.
- Onde está Leigh? O meu filho não vê a prima há muito tempo, é tempo de vê- la outra vez ...
Niko chamou a filha e uma rapariga de 19 anos entrou no salão. Draco lembrava-se bem da prima; passaram 10 Verões juntos até ele partir para Hogwarts e ela para Durmstrang. Leigh Maloney era uma miúda extremamente irritante e idiota, com a mania que era rainha, sendo sempre a protegida por ser menina. Agora, estava uma mulher: alta, muito pálida, de sobrancelhas negras e olhos azuis acinzentados. O cabelo, também ele negro, que caía pelas costas, os mantos cor das Trevas e a maquilhagem escura no olhar faziam-na parecer uma autêntica e bela feiticeira do Mal!
Draco arregalou os olhos e estendeu a mão para apertar a da prima.
- Olá, primo! –disse ela, numa voz angelical que o rapaz duvidava que fosse verdadeira –É bom ver-te outra vez!
- Encantado! –respondeu Draco, pensando que se avizinhava o pior Natal de sempre.
- Ah, deixem-nos andar por aí! –disse Lucius, mais interessado –Vão passear por aí, conhecer a mansão...
O jovem Malfoy sabia bem qual a verdadeira intenção do pai: Lucius tinha esperança que ele se casasse um dia com Leigh para poder assim formar uma família que o orgulhasse; mas não abriu a boca. Sem qualquer vontade, Draco lá levou a prima para fora do salão e foi mostrando-lhe a casa enorme onde vivia, planeando deixá-la assim que surgisse a oportunidade de tal. Ela não deveria ter mudado, devia continuar a ser a mesma chata e convencida de sempre!
- Então, como vai o menino formado em Hogwarts? –perguntou a rapariga, de repente, com uma voz irónica.
- Muito bem! Durmstrang continua no mesmo sítio?
- A tua mãe é uma chata! Porque é que ela não te deixou ir para lá? Para aumentar o número de estudantes inteligentes...
- Ah! –murmurou ele, sabendo bem onde é que Leigh queria chegar –Eras uma aluna inteligente?
Ela torceu os cantos da boca num sorriso meloso e o primo cerrou os dentes.
- Podes crer que sim! Bem, o melhor de todos era um gajo idiota que por lá andava, que mal conseguia ver para onde apontava a varinha com aqueles óculos de lentes grossíssimas. Mas queres saber o que é que eu lhe fiz?
- Mataste-o? –apesar de não se verem há muito tempo, ela era rapariga para isso. Mas Leigh apenas se riu.
- Convenci-o que estava apaixonada por ele. Fazia-me tudo: os trabalhos, as composições,...e arranjávamos maneira de poder copiar testes escritos, sem os professores verem! Era uma alegria...juntando a minha esperteza natural, foi fácil chegar ao quadro de honra!
O seu riso cruel foi abafado pelo cachecol que mantinha ao pescoço. Draco rolou os olhos, perguntando-se porque raio é que teria uma casa tão grande; nunca mais se via livre dela!
- E já temos Mrs. Malfoy?
- Achas que tenho cara de casado?
- Não! Tens mais a cara do playboy safado que rouba o coração a qualquer miúda! Vá lá, conta-me quem ela é! Prometo não contar nada!
- Como daquela vez em que não contavas ao meu pai que eu tinha partido a varinha dele por acidente?
Os lábios dela torceram-se num sorriso maldoso. Mas o quarto escuro onde Draco passara duas semanas de castigo devido àquele acidente aos 5 anos estava ainda bem presente na memória do rapaz; logo, ele não poderia chegar ali e começar a contar a sua vida amorosa á prima, pois seria o mesmo que contá-lo a Lucius. E se Lucius soubesse da noite passada...
- Aqui está tão frio! –disse ele, em voz mais alta do que desejava –Vamos voltar ao salão, ao menos lá está quente!
- Ora, Draco, não te vejo há 10 anos! Tenho sentido a tua falta, sabias?
- OK, OK,...vamos a um bar hoje á noite, tomar um copo –disse, sem pensar no que lhe saía da boca para fora.
Leigh concordou com a cabeça e espreitou para dentro de um quarto, á medida que Draco se afastava. Só quando chegou á escadaria é que ele tomou consciência do que acabara de fazer. Que parvo, o que é que ele tinha feito?! Tinha sido um convite muito estúpido! Aquela noite havia de ser bonita...
*Continua...
N/A: OK, OK...primeiro que tudo, peço desculpa por ter demorado tanto tempo a actualizar e por este capítulo não ser grande coisa, mas a verdade é que (eu acho) que a história só começa a tornar-se interessante lá mais para a frente. É uma questão de ler e dar a sua opinião. Espero que não desistam dela agora, tão ao início! Obrigada a quem leu e para quem deixar reviews, que já sabe que está á vontade para tal desde que saiba o que é uma crítica construtiva...Como sempre, obrigados especiais:
Formiguinha: pois, esta é mesmo diferente da 4..., mas espero que também gostes; é D/Hr, claro! Obrigada pela mensagem e espero que continues a ler. Quando é que actualizas a tua fic???
JanePotter: uahahah...quem me conhece, já sabe que D/Hr é a minha paixão! E não te preocupes com propaganda, estás á vontade! =D Obrigada e espero que prossigas leitura.
Bru: olá!! Espero que também gostes deste capítulo e, se puderes, deixa review. Jinhos também e obrigada pela mensagem!
Pandora: que faria eu sem ti? Tudo bem contigo também? Bom, obrigada pela mensagem que deixaste, sabes que eu também sou uma grande fã tua e espero que tenhas gostado deste capítulo e continues a ler! A gente vê-se de novo quando voltares a actualizar as tuas fics!
Próximo capítulo: a noite de Draco com Leigh não está a ser nada boa! E o regresso dela também não vem a ajudar em nada...
