Disclaimer: as personagens pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla, ...

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- Ora aqui estamos nós: o Três Vassouras!- anunciou Draco á prima.

Interiormente, riu-se da cara dela. Sabia bem que ela esperava ir a um pub frequentado apenas por feiticeiros de sangue-puro com ligações ás artes das Trevas, localizados nos locais menos visitados devido ao facto daquilo que escondiam dentro de si. Afinal, tinha sido levada para um bar frequentado por todo o género de feiticeiros, com ligações ao Bem!

- O que é isto? –perguntou Leigh, sem se mover um milímetro.

- Isto?! É o bar ao qual eu disse que te trazia!

- Enganaste-me, Malfoy!

- Eu disse-te que te trazia a um bar, mas não mencionei qual! –exclamou Draco, fazendo uma cara de falso desentendimento –Onde é que te enganei?

Leigh mordeu os lábios e passou a mão pelo cabelo cor de ébano. Ele estava certo; mas ela também tinha razão ao pensar que o primo apenas quisera gozar com a sua cara! E ela a pensar que Draco sentira a sua falta!

- Entra, madame? –o loiro abriu a porta do bar com uma vénia até ao chão.

Ela não queria. Mas o vento tornava-se mais forte e estava cada vez mais frio. Dando um encontrão a Draco, Leigh entrou no 3 Vassouras. O primo olhou-a com ar malandro, esperando ver como é que ela se aguentava naquele ambiente. Fechou a porta e cruzou os braços, vendo-a andar por entre as mesas com um ar de profundo nojo.

Leigh estava furiosa! Por entre os clientes daquele barzinho sem classe, poderiam estar Sangues de Lama e feiticeiros que apenas utilizavam a sua magia para o bem. Pensar que estava a compartilhar um lugar com eles dava- lhe arrepios. Como é que Draco se atrevia a levá-la a um lugar daqueles?

Alguns homens viraram as cabeças para a ver passar, o que levou a que as suas companheiras batessem com as varinhas nas cabeças deles. A rapariga percebia bem os olhares que lhe deitavam, apesar de não saber se a olhavam pela sua beleza ou pelo seu aspecto algo assustador. Mas não parou nem por um segundo: avançou até ao fundo do bar e sentou-se numa mesa vazia; Draco juntou-se-lhe pouco depois, com uma expressão trocista na face.

- Que trombas são essas, posso saber? –inquiriu ela, controlando-se para não lhe torcer o pescoço.

- Não, nada...

Rosmerta veio anotar os pedidos e Draco bem viu os olhares de desprezo que ela lhe deitou. Provavelmente, lembrava-se da última noite em que ele lá estivera: no último dia do 7º ano em Hogwarts, no qual ele e os amigos Slytherin se embebedaram e fizeram um festival de maluqueira em pleno bar. Para ser sincero, o rapaz estava até bastante espantado por Rosmerta não o por fora dali, mas devia ser por causa da prima. Se calhar, pensava que era a sua nova namorada e não queria estragar encontros amorosos!

- Então gostas do bar? –perguntou Draco, bebendo um gole do seu Mead aquecido, que a dona do bar lhe trouxera entretanto.

- Tu és idiota ou fazes-te? Posso estar no mesmo lugar que aquela gentinha nojenta que nós detestamos! –Leigh olhou em volta –Sangues de Lama...anti- Senhor das Trevas...que género de pessoa és tu para me trazeres aqui?

- Ah, prima, tens de evoluir! Eu convivi com Sangues de Lama em Hogwarts e não morri, pois não?

- Não, mas vieste de lá pior do que aquilo que eras antes! –ela encolheu os ombros e adoptou uma expressão angelical que não correspondia á realidade –Porque é que não foste para Durmstrang? Era do melhor; lá ensinavam-nos mesmo as artes das Trevas, não nos aprendíamos a defender, e sim a atacar! O pior era estar longe da mãe e do pai, e de Inglaterra também, mas valeu a pena!

- Imagino que agora és uma assassina sanguinária!

Leigh semicerrou os olhos e franziu as sobrancelhas. Draco imaginou-a a dar- lhe com o copo na cabeça, mas ela nada fez. Bebeu um pouco mais da sua cerveja de manteiga e mudou de assunto.

- Como é o vosso Natal?

- Como é que queres que seja? Comida tradicional e presentes!

- Só?! Parece-me que na minha casa é mais festivo...

- Para o meu pai, o Natal é uma mariquice. As pessoas todas com aquelas festas enormes...Só fazemos algo por causa da minha mãe. Nem sequer pinheiro temos, nem decorações, nem nada!

- Na tua casa é tudo muito estranho!

- Então não queiras ver o meu pai quando lhe dá a maluqueira!

Draco bebeu mais um pouco. Viu o olhar que alguns feiticeiros lhe deitavam: curiosos, desprezíveis. Sabia bem que não era bem-vindo ao local, mas quebrar regras era o seu passatempo preferido.

- Aquilo que eu disse era verdade! –comentou Leigh, após um momento de pausa.

- O quê? –Malfoy observava o traseiro de uma mulher ao pé dele e esquecera- se por completo que estava acompanhado.

- Eu tive saudades tuas!

Ele desviou o olhar da mulher e observou a prima. Os olhos azuis dela estavam brilhantes e um sorriso sedutor e frágil nasceu nos seus lábios. Draco pensava que nenhuma pessoa na família conseguia sorrir assim...Sem dúvida que ela era uma caixinha de surpresas!

- Leigh, - começou ele, tentando não se desmanchar a rir –nós não nos vimos há 10 anos! Eu era um puto quando me viste pela última vez, como podes ter saudades minhas? Só se tivesses saudades da minha bela aparência...que, vistas bem as coisas, é o mais certo!

Soltou uma sonora e malvada gargalhada, ao passo que a rapariga fuzilou-o com o olhar. Dissera-lhe a verdade, afinal, Draco era o seu único amigo homem; ou, pelo menos, fora-o! Sentira saudades daquele miúdo loiro, bem- parecido, chato, mimado e irritante, a quem fazia com que os outros o castigassem facilmente –se bem que elas foram sendo amenizadas com o tempo que passou longe do seu país. Mas ele não percebia... ele era muito insensível, para não perceber que as pessoas gostavam dele. Ou então, para pensar que não era bom retribuir esse sentimento.

- Tu não acreditas que eu tive saudades tuas, pois não, Draco?

Parou de beber e olhou Leigh nos olhos. Não, ele não podia acreditar que era verdade! Porque ele conhecia bem o seu pai: Lucius queria que Draco se viesse um dia a casar com uma mulher igual a ele em todos os níveis. E Leigh era a candidata perfeita: rica, de boas famílias (apesar de Lucius achar que Niko era o maior palhaço que ele alguma vez conhecera), formada em Durmstrang, bela e conhecia Draco desde pequena. Podiam ser primos, mas o nome de família era diferente; quem melhor para Mrs. Malfoy?

Mas Draco não queria casar com a prima! Sim, ela era bonita; mas uma chata convencida que ele não estava para aturar uma vida inteira.

- Não respondes á minha pergunta? –insistiu ela.

- Vou um pouco até lá fora, OK?

Acabou o Mead e deitou umas moedas para cima da mesa, levantando-se e saindo do bar logo depois. A rapariga de cabelos negros olhou-o com raiva, enquanto que os outros clientes seguiram Draco para fora do bar. Este apertou o cachecol verde-escuro que um dos seus guarda-costas lhe oferecera pelo Natal e saiu para o exterior. Saiu para a neve, para o frio, para um ambiente mais desagradável que aquele que deixara. Mas ali permaneceu! Encostou-se á parede atrás de si e fechou os olhos, sentido o vento gelado bater-lhe no rosto e os flocos de neve caírem nos seus cabelos.

Pensou na porcaria de vida que tinha –será que a merecia? Bom, a verdade é que poucos aceitavam aquilo que ele era. Sabia bem que as pessoas (principalmente as mulheres com quem saíra) o viam como um indivíduo mau, sem sentimentos, frio, mimado e convencido –ele era um monstro? Era esse o seu problema? Ele sabia que não era o estilo de pessoa ideal...

Abriu o par de olhos de azuis que tantas mulheres encantava e observou as ruas nevadas. Mirava-as pensando nos problemas que o cercavam quando ouviu aquilo: parecia um fraco gemido! Sorriu maldosamente, procurando o lugar onde estariam os causadores de tais barulhos (só esperava não assistir a nenhuma cena chocante), mas o gemido fez-se ouvir de novo; imediatamente, Draco percebeu que se enganara e aquele barulho provinha de alguém que chorava de maneira fraca e lenta. Encostou-se de novo á parede, totalmente desinteressado –que lhe interessava que estava alguém a chorar ou não? Olhou o céu, onde aquela estrela extremamente brilhante se conseguia ver de novo. Aquilo era estranho! Mas também não era profissional naquele campo e não sabia o que tal poderia significar.

- Desculpe, tem horas? –interrompeu uma voz feminina, por entre soluços.

Draco pousou o olhar nela e o coração bateu mais depressa, a respiração parou, as pernas tremeram como se fossem gelatina! Era ela, Hermione Granger! Mas um pouco diferente da noite anterior: o cabelo estava desalinhado, o corpo tremia de frio, os olhos castanhos estavam vermelhos do choro e a pouca maquilhagem dos olhos estava esborratada.

- Granger?! –inquiriu ele, espantado.

Hermione levantou o olhar e viu bem quem era a pessoa que interpelara. O espanto apoderou-se dela também. Uma lágrima solitária que ficara retida no olho esquerdo rolou pela sua face enquanto ela se começava a afastar de Draco. Este sentiu o coração bater fortemente contra o seu peito e esticou os braços para poder apanhar as mãos dela. Um gesto involuntário, de certeza, mas que Draco não sabia como impedir. No entanto, não houve preocupações maiores: Hermione afastou as mãos dele num instante.

- Eu só queria mesmo saber as horas! –pediu ela, num murmúrio fraco.

- É meia-noite –Draco deu um passo em direcção dela –Que se passa?

- Não se passa nada. Deixa-me ir...

Virou-lhe as costas, mas o loiro agarrou-a por um braço.

- Porque choras? Diz-me o que se passou!

Ela retirou o capuz vermelho que lhe protegia a cabeça da neve que continuava a cair e apontou para o seu rosto, que estava vermelho da fúria que tomava conta dela.

- Consegues ver quem eu sou? –gritou ela –Sou a Granger! A Sangue de Lama que te odeia e tu odeias! De onde vem essa simpatia agora, Malfoy? Andaste a beber outra vez, não foi? Estás como ontem ,quando te andaste a atirar a mim! Qual é a ideia que te passa pela cabeça, queres ir dormir comigo? Continuas o mesmo tipo nojento de Hogwarts...

- Mas porque estás a falar assim comigo? –gritou também ele, sem lhe largar o braço –Fiz-te algum mal?

- Nasceste! Larga-me, Malfoy, larga-me...

A voz de Hermione diminuía á medida que falava, as lágrimas brotaram dos seus olhos e escorreram pela sua face pálida. Era raro vê-la chorar! Draco não sabia que fazer naquele momento, quando tinha um ser delicado á sua frente a derramar lágrimas de um sofrimento que ele desconhecia.

Mas o problema é que não era um ser qualquer, era Hermione! Esse era o grande problema da questão!

- Adeus...

Assim que sentiu os braços livres, Hermione afastou-se. Colocou de novo o capuz na cabeça (coberta de neve) e seguiu caminho, a soluçar e a fungar. Malfoy continuava encostado á parede, a respirar com dificuldade, sentindo ainda o coração a bater com toda a força contra o peito. Que é que ele fizera? Porque é que ele não se afastara simplesmente? O que é que lhe acontecera no momento em que Hermione lhe surgira á frente? Se Lucius soubesse...

- Então Draco, que se passa? –perguntou outra voz a seu lado. Draco olhou e encarou o rosto pálido de Leigh.

- Porque é que haveria de se passar alguma coisa?

- Porque estás com uma cara...parece que viste um monstro a observar-te!

Draco olhou á sua volta. Um grupo de jovens feiticeiros entrava no bar, conversando entre si; um dos rapazes olhou para Leigh, com um olhar sedutor, mas ela retribuiu com um assassino.

- Vamos para casa? –disse Malfoy, preparando-se para partir.

- Já?

- Está frio e estou farto de estar á neve! –a prima queria contra- argumentar, mas ele nem a deixou soltar um ai –Se quiseres, fica. Eu vou-me embora!

Ela fechou os olhos, furiosa. Aquela noite não fora nada parecida com aquilo que esperava. Tinha esperança que ela e Draco ficassem a conversar até tarde, e, quem sabe, talvez ele mudasse os seus pensamentos acerca dela. Ou então, talvez se apaixonasse! Sabia que Draco adorava mulheres bonitas, sabia que era uma. Então, porque é que era vítima de tanto desprezo? Não havia ainda uma resposta ás suas perguntas...ainda...

Sem outro remédio, seguiu o primo, que seguis alguns passos á sua frente.

Já Draco seguia o caminho de regresso a casa, apenas pensando nela. Hermione. Como apagá-la da memória? Se a via, o seu coração batia fortemente, as pernas tremiam, os seus olhos não a largavam por um segundo que fosse! Porquê? Porquê? Porquê? Porque é que se preocupava quando ela chorava? Apenas uma resposta aparecia na sua mente; mas era uma demasiado terrível, demasiado absurda para ser verdadeira!

- « Não, não é verdade!»- pensava ele, desesperado -« Como posso eu estar apaixonado por ela? É impossível!»

*Continua...

N/A: realmente, ainda está muito sem sal por agora. E o próximo a mesma coisa...espero que gostem de romances, senão, vou começar a escrever para paredes. Muitos agradecimentos para:

Avoada –sei que passou algum tempo desde a última actualização. Peço desculpa, mas é que as coisas não andam assim muito fáceis por agora...espero que continues a ler. E obrigada. Jinhos!!

JanePotter –está? Ufa...de qualquer maneira, espero que se torne mais interessante daqui para a frente. Espero que continues a ler! Jinhos e obrigada!

Pandora –o estudo vai bom? Eheh...obrigada pela review e espero que também continues a acompanhar.

Maíra –obrigada por deixares mensagem. Sabes, esta fic está mais voltada para o lado do Draco, mas há umas coisas acerca da vida da Hermione que se vão descobrindo ao longo da história. No entanto, posso tentar colocar mais coisas acerca dela! Se depois quiseres mais, é só preciso falar comigo para eu arranjar a fic de novo! E espero que continues a ler.

Próximo capítulo: estará Draco realmente apaixonado por Hermione? Como será que ele pode reagir a tal pensamento?