Disclaimer: as personagens e lugares pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...
...
O relógio na mesa de cabeceira marcava apenas 8 horas e meia da manhã, mas a verdade é que Draco Malfoy já se encontrava acordado! Deitado na sua cama enorme, coberto pelos cobertores, mirava o tecto do quarto. Apenas conseguia pensar em Hermione, naquilo que acontecera na noite anterior. Mas porquê? Ele já fizera de tudo para a tentar esquecer, inclusive fazer um desenho dela (muito mal feito, para dizer a verdade) e atirar-lhe setas a partir da varinha quando Lucius voltara a ter outro ataque. Ele tentava odiá-la com todas as suas forças, mas não conseguia! Fora atraído pelo seu corpo de mulher quando ainda desconhecia a sua identidade, agora não a conseguia tirar da cabeça!
Cerrou os punhos com força, mordeu o lábio inferior até quase fazer sangue, fechou os olhos e tentou imaginar-se a cortar a cabeça da Granger, matá-la sem dó nem piedade, para a fazer desaparecer de vez da sua vida. Mas por mais que a matasse, ela não o deixava! Que raio de feitiço era aquele? Sim, porque só podia ser um feitiço...
Draco levantou-se de um salto, foi tomar um banho e vestiu-se. O quarto continuava mergulhado na escuridão, mas ele parecia não querer alterar esse facto. Sentou-se á secretária, abriu o seu livro de Poções e começou a ler, com o auxílio da luz emitida pela sua varinha. Ligou o rádio que descansava ali perto e colocou o volume no mínimo. Tentou relaxar, mas a música não o ajudava em nada:
« I believe in you
I'll give up everything just to find you
I have to be with you to live, to breathe
You're taking over me»
Sentiu o lábio tremer e desligou o aparelho. Não queria ouvir o que se seguia! Tentava concentrar-se de novo no livro quando alguém bateu á porta.
- Draco, já estás acordado?
Oh, não! A chata da Leigh; aquela parecia nunca mais o largar! Draco não abriu a boca, na esperança que ela pensasse que o primo estava ainda a dormir. Mas quem é que a enganava?
- Anda lá, meu, sei que estás acordado!
Bateu á porta novamente, desta vez com mais força. Draco revirou os olhos e atendeu o pedido dela: levantou-se e abriu-lhe a porta.
- Que é que tu queres? –perguntou ele, metendo a cabeça fora do quarto –Eu podia ainda estar a dormir, são só 9 e um quarto!
- E tu dormes com o rádio ligado? Ouvi a música...
Pois, logo ele tinha de ter uma prima chata e com ouvido apurado!
- Anda! –Leigh agarrou-lhe a mão –Agora não está a nevar, vamos até ao jardim.
Puxou Draco e ele não teve outro remédio senão segui-la. Leigh sorria timidamente, mas de cabeça baixa e com o cabelo preto caído para a face. Movia-se delicadamente por entre os mantos acinzentados, de mangas compridas que lhe escondiam as pálidas mãos. O rapaz olhou-a; que quereria ela para o levar ao jardim?
- É bom estar aqui, não achas? –comentou a jovem, passeando ao lado das sebes brancas da neve que caíra durante toda a noite –Não gostas de vir ao jardim? E adorava possuir um, mas o meu pai...
- Isto não me diz nada! –respondeu Draco, bruto como sempre –Só a minha mãe é que se preocupa com isto. Por mim, bem podiam deitá-lo abaixo, que eu pouco me importava!
- Que brutamontes! –comentou Leigh, com um sorriso trocista na cara.
- Olha, eu sou como sou! Se não gostas de mim assim, faz as malas e tira o traseiro daqui; volta para aquela pocilga onde vives!
- Grande idiota! –ela espetou um dedo na cara do primo –Não te atrevas a ser malcriado comigo, entendeste? Estou aqui a falar contigo, não com um anormal. Ou julgas que não sou capaz de te enfeitiçar?
Draco puxou o cabelo loiro para trás da cabeça: ele estava a ficar louco! Ia ficar igual a Lucius se Hermione não abandonasse o seu pensamento rapidamente! Mas que era aquilo, o que é que ela lhe fizera? Porque é que ela não sumia de vez?
- Olha lá, Malfoy, tu estás-te a passar ou quê? –perguntou a prima, colocando-lhe uma mão no ombro.
Foi o suficiente para ele perder a cabeça: agarrou-a pela cintura e pressionou os seus lábios contra os dela. Foi um impulso furioso, sem pensar claramente naquilo que estava a fazer! Draco cerrou os olhos e distinguiu a figura da rapariga dos caracóis á sua frente. Gritou-lhe mentalmente com toda a fúria: "Vê, Sangue de Lama, eu odeio-te, não gosto de ti! Percebes agora que não quero nada contigo?", mas Hermione limitou-se a sorrir; porque é que aquele sorriso o deixava tão desesperado?
- Draco, - suspirou Leigh, assim que ele a soltou –isso foi...
- ...um erro tremendo! –completou o rapaz, limpando os lábios sujos com o batom da prima após falar.
- Um erro?
Ela cerrou os seus olhos azuis de fúria após ouvir aquilo que o primo lhe dissera, mas Draco estava muito pouco preocupado com aquilo que a prima sentia naquele momento. Esperava que o beijo levasse Hermione da sua mente de vez, mas estava enganado: apenas a tornara mais forte!
- Olha, vou andando para casa! Ficas aqui, miúda?
Leigh encarou-o com a face distorcida pelo ódio que sentia pelo rapaz de cabelos loiros, mas desviou o olhar logo de seguida. Quando Draco a beijara, pensara que ele estava a sentir algo por ela –talvez atracção, paixão, ou amor. Mas não...fora apenas um erro! Será que lhe era difícil de entender que ela gostava dele? Desde que o vira, com as madeixas loiras caídas para os olhos azuis, a cara de menino malandro e malcomportado. Mas Draco não percebia...não conseguia perceber que, para além de conquistar as mulheres dos bares e das ruas, acabava de conquistar a sua própria prima. E, tal como acontecia com as suas conquistas, acabava de lhe partir o coração e instalar a mágoa e a raiva em cada pedaço que sobrava...
***
- O Draco está?
O relógio do Salão marcava 3 horas da tarde e toda a família se reunia no local; na lareira ardia um belo fogo, dando um pouco mais de calor ao ambiente. Narcisa e Josey encontravam-se sentadas confortavelmente nos sofás, entretendo-se naquilo a que Lucius chamava "conversa de galinhas"; já este encontrava-se sentado no seu cadeirão do costume, tendo Niko por companhia, que tagarelava sem parar, sem reparar que Malfoy estava já com ganas de lhe bater. Leigh estava perto da mãe, de pernas e braços cruzados e cara amuada.
Draco achava que mais valia fazer outra coisa qualquer, porque até mesmo ver corujas a voar era, sem dúvida, mais interessante que aquele momento. Bom, pelo menos, a prima não abria a boca! Preparava-se para deixar o Salão quando alguém tocou á campainha; e logo a seguir a Krosh abrir a porta ouviu aquela voz, a perguntar por ele –oh não, preferia que fosse um Weasley!
- Boa tarde! –cumprimentou a visitante ao entrar no Salão.
- Pansy, querida, que bom ver-te! –disse Narcisa, agarrando logo na rapariga e dando-lhe um beijo na gorda e rosada bochecha.
- Mrs. Malfoy, cada dia mais bela! –guinchou Pansy –Tem de me contar o seu segredo de beleza, para também eu me conservar bela com o passar dos anos!
Enquanto Narcisa apresentava Pansy ao resto da família, por mais assustador que aquele momento fosse, Draco mal conseguia disfarçar o riso! Olhava a sua ex-colega dos Slytherin e não conseguia disfarçar! O cabelo negro e encaracolado caía-lhe para os ombros, os lábios grossos estavam pintados de um tom rosa-escuro e os mantos até aos pés pareciam torná-la mais gorda do que aquilo que ela já era! Draco não queria falar com Pansy; mas sabia que ela não o iria deixar em paz enquanto não conseguisse tal.
- Larga a minha família, Pansy! –resmungou ele, arrastando a ex-colega para fora da sala, até ao átrio da Mansão.
- Qual é o mal, Draco? Só queria ser simpática!
"Simpática"? Essa palavra não constava no dicionário da rapariga.
- Que é que tu queres? –perguntou Draco, num sopro, enquanto cruzava os braços.
- Tirar uma dúvida –Pansy franziu as sobrancelhas –Ouvi dizer que te andaste a atirar àquela Sangue de Lama ranhosa! Isso é verdade?
- Não! Afinal, tu é que precisas de um lenço para limpar o nariz!
- Não brinques comigo dessa maneira!
- Não estou a brincar, tu estás mesmo ranhosa!
O rosto de buldogue de Pansy ficou vermelho como um pimentão e contorceu-se de fúria –Draco receava queimar-se se lhe tocasse. Furiosa, ela fungou e desatou a gritar:
- Como é que te atreves?! Andar por aí a defender aquela...
- Aquela quê? E eu não ando a defendê-la, coisa nenhuma, Pansy, não andes a inventar coisas!
- A Blaise e a Flanders viram-te. Elas estavam perto da mesa onde tu te sentaste e colocaste o braço nos ombros dela...á volta do pescoço imundo da Granger!
Draco olhou a porta fechada do Salão outra vez. Aquilo que Pansy dissera, apesar de não ser totalmente verdadeiro (ele não chegara a colocar o seu braço em volta dos ombros de Hermione), poderia metê-lo em apuros caso alguém ouvisse a conversa! E se Lucius soubesse...mais valia despedir-se do mundo!
Mas Pansy deixara de gritar. Agora, agarrava a face dele e mirava os seus olhos azuis.
- Desculpa, Draco! Eu sei que nunca irias fazer uma coisa daquelas. As miúdas devem-se ter enganado no rapaz –murmurou ela, com um sorriso falso no seu rosto –Sabias que aquela idiota está cada dia pior? Pelo Senhor das Trevas, se eu fosse igual a ela atirava-me de um precipício!
- Mmmm... –Draco apenas conseguia pensar que era Pansy quem se deveria atirar de algum sítio alto.
- Olha, se não tiveres nada para fazer, podíamos...Que tal ir a um bar esta noite?
O rapaz engoliu em seco. Era só o que lhe faltava! E se aparecesse de novo aquela rapariga de caracóis castanhos, embrulhada em mantos cor da paixão? Seria terrível...Pansy iria descobrir e sendo linguaruda como era, não saberia guardar um segredo! Ou pelo menos, não um daqueles!
Tentou arranjar maneira de declinar o convite de maneira educada, mas parecia que tinha uma lapa agarrada a si! Pansy mexeu-lhe numa madeixa loira do cabelo, puxou a cara do rapaz para perto de si e não fez aquele horroroso sorriso desaparecer da sua face.
- «Como ela é feia!» - pensou Malfoy, alarmado.
- Anda lá!
Draco sabia que ela ia beijá-lo, ele sabia isso. E os pêlos eriçavam-lhe assim que pensava em tal coisa! Mas conseguiu safar-se: assim que sentiu os lábios dela demasiado próximos dos seus, empurrou-a e afastou-se. Agora, não iria ser bonzinho para ninguém!
- Desaparece, Pansy! –ordenou ele, agarrando-a por um braço.
- Mas eu...
- Pira-te!!
Abriu a porta da Mansão e expulsou a ex-colega para o jardim. Uma madeixa do cabelo negro dela caiu para a sua face, tapando-lhe um dos olhos que fuzilava Draco. Este ainda esperou vê-la agarrar na varinha e amaldiçoá-lo, mas nada aconteceu: compôs o cabelo e os mantos e avançou para fora do jardim.
Já ele, fechou a porta, bastante preocupado com aquilo que acontecera. Mas o que é que lhe estava a acontecer? Porque é que ele agora defendia Hermione? Só havia uma resposta: loucura...ele estava a ficar igual ao pai...Porque era impossível ele estar apaixonado por ela; era impossível ele trair os Malfoys por amor a uma rapariga que eles não aceitavam!
- Então, é dela que gostas? –perguntou Leigh, atrás de si.
- Claro que não! –gritou um Draco nervosíssimo, com medo da pergunta da prima –Fazes perguntas tão idiotas, Leigh! A Pansy é feia como a morte!
Avançou uns passos em direcção á escadaria e olhou a rapariga que aí permanecia. Será que ela ouvira a conversa? Não, ninguém estivera atrás dele durante a conversa.
- Boas tardes! Vou esvaziar a mente...dormir, quero dizer... –gaguejava ele –Olha, adeus!
Leigh não abriu a boca e regressou ao Salão, calada que nem uma múmia. Draco suspirou de alívio e subiu as escadas em direcção ao quarto. Procurava algo que pudesse anestesiar o seu estado de alma, que pudesse matar aquele vulto de cabelos encaracolados, que teimava em assombrar a sua mente. Precisava de algo que o pudesse ajudar a superar aquele desespero que tomava conta de si! Porque ele não podia estar apaixonado por uma rapariga como aquela, não poderia trair a família daquela maneira! Mas quem consegue mandar no coração?
*Continua...
N/A: OK, eu sei mesmo que este é, provavelmente, o pior capítulo desta fic toda, que não adiantou de nada a história, mas é que eu precisava de mostrar o Draco um pouco mais "amalucado" por causa da Hermione! Peço-vos muitas desculpas, ainda por cima tive montes de trabalhos nestes últimos tempos, mas prometo postar o 5º capítulo o mais depressa possível. A ver se isto arrebita um pouco. Obrigada a todos que acompanham esta história.
Formiguinha: pois é, eu bem sei...e este ainda é pior. Mas eu tentei que os próximos fossem um pouco mais soltos! Mmmm...Leigh/Draco/Hermione? Quem sabe, =D...Jinhos também! Espero, mesmo assim, que continues a ler!
Pandora: eu não recebi nenhum mail! * snif * E também peço desculpa por não ter deixado review nos poemas, mas quando lá fui da outra vez, acho que a secção tinha sido desactivada, ou lá o que era. Pode ser que agora consiga! Mas li "Ode to the Moon" e posso dizer-te que achei fenomenal! A sério, miga!! Espero que continues a ler. Jinhos!!
JanePotter: pobre Draco, não é? Uahahah...eu sou má! E gostei dessa do censurado! Mmm... o que irá acontecer com a Leigh mais tarde? Espero que continues a passar por cá, miguxa!! E hoje não fui lá por causa de Fil, mas depois passo!! Jinhos!!
Cris: nossa, obrigada!! Fico muito contente que estejas a gostar, mesmo sendo um casal que, possivelmente, não apoias muito! Espero que continues a ler. Fico muito contente!! Jinhos também para ti!
Próximo capítulo: que se passou com Hermione? Draco procura respostas, mas outras perguntas povoam as mentes de outros...
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O relógio na mesa de cabeceira marcava apenas 8 horas e meia da manhã, mas a verdade é que Draco Malfoy já se encontrava acordado! Deitado na sua cama enorme, coberto pelos cobertores, mirava o tecto do quarto. Apenas conseguia pensar em Hermione, naquilo que acontecera na noite anterior. Mas porquê? Ele já fizera de tudo para a tentar esquecer, inclusive fazer um desenho dela (muito mal feito, para dizer a verdade) e atirar-lhe setas a partir da varinha quando Lucius voltara a ter outro ataque. Ele tentava odiá-la com todas as suas forças, mas não conseguia! Fora atraído pelo seu corpo de mulher quando ainda desconhecia a sua identidade, agora não a conseguia tirar da cabeça!
Cerrou os punhos com força, mordeu o lábio inferior até quase fazer sangue, fechou os olhos e tentou imaginar-se a cortar a cabeça da Granger, matá-la sem dó nem piedade, para a fazer desaparecer de vez da sua vida. Mas por mais que a matasse, ela não o deixava! Que raio de feitiço era aquele? Sim, porque só podia ser um feitiço...
Draco levantou-se de um salto, foi tomar um banho e vestiu-se. O quarto continuava mergulhado na escuridão, mas ele parecia não querer alterar esse facto. Sentou-se á secretária, abriu o seu livro de Poções e começou a ler, com o auxílio da luz emitida pela sua varinha. Ligou o rádio que descansava ali perto e colocou o volume no mínimo. Tentou relaxar, mas a música não o ajudava em nada:
« I believe in you
I'll give up everything just to find you
I have to be with you to live, to breathe
You're taking over me»
Sentiu o lábio tremer e desligou o aparelho. Não queria ouvir o que se seguia! Tentava concentrar-se de novo no livro quando alguém bateu á porta.
- Draco, já estás acordado?
Oh, não! A chata da Leigh; aquela parecia nunca mais o largar! Draco não abriu a boca, na esperança que ela pensasse que o primo estava ainda a dormir. Mas quem é que a enganava?
- Anda lá, meu, sei que estás acordado!
Bateu á porta novamente, desta vez com mais força. Draco revirou os olhos e atendeu o pedido dela: levantou-se e abriu-lhe a porta.
- Que é que tu queres? –perguntou ele, metendo a cabeça fora do quarto –Eu podia ainda estar a dormir, são só 9 e um quarto!
- E tu dormes com o rádio ligado? Ouvi a música...
Pois, logo ele tinha de ter uma prima chata e com ouvido apurado!
- Anda! –Leigh agarrou-lhe a mão –Agora não está a nevar, vamos até ao jardim.
Puxou Draco e ele não teve outro remédio senão segui-la. Leigh sorria timidamente, mas de cabeça baixa e com o cabelo preto caído para a face. Movia-se delicadamente por entre os mantos acinzentados, de mangas compridas que lhe escondiam as pálidas mãos. O rapaz olhou-a; que quereria ela para o levar ao jardim?
- É bom estar aqui, não achas? –comentou a jovem, passeando ao lado das sebes brancas da neve que caíra durante toda a noite –Não gostas de vir ao jardim? E adorava possuir um, mas o meu pai...
- Isto não me diz nada! –respondeu Draco, bruto como sempre –Só a minha mãe é que se preocupa com isto. Por mim, bem podiam deitá-lo abaixo, que eu pouco me importava!
- Que brutamontes! –comentou Leigh, com um sorriso trocista na cara.
- Olha, eu sou como sou! Se não gostas de mim assim, faz as malas e tira o traseiro daqui; volta para aquela pocilga onde vives!
- Grande idiota! –ela espetou um dedo na cara do primo –Não te atrevas a ser malcriado comigo, entendeste? Estou aqui a falar contigo, não com um anormal. Ou julgas que não sou capaz de te enfeitiçar?
Draco puxou o cabelo loiro para trás da cabeça: ele estava a ficar louco! Ia ficar igual a Lucius se Hermione não abandonasse o seu pensamento rapidamente! Mas que era aquilo, o que é que ela lhe fizera? Porque é que ela não sumia de vez?
- Olha lá, Malfoy, tu estás-te a passar ou quê? –perguntou a prima, colocando-lhe uma mão no ombro.
Foi o suficiente para ele perder a cabeça: agarrou-a pela cintura e pressionou os seus lábios contra os dela. Foi um impulso furioso, sem pensar claramente naquilo que estava a fazer! Draco cerrou os olhos e distinguiu a figura da rapariga dos caracóis á sua frente. Gritou-lhe mentalmente com toda a fúria: "Vê, Sangue de Lama, eu odeio-te, não gosto de ti! Percebes agora que não quero nada contigo?", mas Hermione limitou-se a sorrir; porque é que aquele sorriso o deixava tão desesperado?
- Draco, - suspirou Leigh, assim que ele a soltou –isso foi...
- ...um erro tremendo! –completou o rapaz, limpando os lábios sujos com o batom da prima após falar.
- Um erro?
Ela cerrou os seus olhos azuis de fúria após ouvir aquilo que o primo lhe dissera, mas Draco estava muito pouco preocupado com aquilo que a prima sentia naquele momento. Esperava que o beijo levasse Hermione da sua mente de vez, mas estava enganado: apenas a tornara mais forte!
- Olha, vou andando para casa! Ficas aqui, miúda?
Leigh encarou-o com a face distorcida pelo ódio que sentia pelo rapaz de cabelos loiros, mas desviou o olhar logo de seguida. Quando Draco a beijara, pensara que ele estava a sentir algo por ela –talvez atracção, paixão, ou amor. Mas não...fora apenas um erro! Será que lhe era difícil de entender que ela gostava dele? Desde que o vira, com as madeixas loiras caídas para os olhos azuis, a cara de menino malandro e malcomportado. Mas Draco não percebia...não conseguia perceber que, para além de conquistar as mulheres dos bares e das ruas, acabava de conquistar a sua própria prima. E, tal como acontecia com as suas conquistas, acabava de lhe partir o coração e instalar a mágoa e a raiva em cada pedaço que sobrava...
***
- O Draco está?
O relógio do Salão marcava 3 horas da tarde e toda a família se reunia no local; na lareira ardia um belo fogo, dando um pouco mais de calor ao ambiente. Narcisa e Josey encontravam-se sentadas confortavelmente nos sofás, entretendo-se naquilo a que Lucius chamava "conversa de galinhas"; já este encontrava-se sentado no seu cadeirão do costume, tendo Niko por companhia, que tagarelava sem parar, sem reparar que Malfoy estava já com ganas de lhe bater. Leigh estava perto da mãe, de pernas e braços cruzados e cara amuada.
Draco achava que mais valia fazer outra coisa qualquer, porque até mesmo ver corujas a voar era, sem dúvida, mais interessante que aquele momento. Bom, pelo menos, a prima não abria a boca! Preparava-se para deixar o Salão quando alguém tocou á campainha; e logo a seguir a Krosh abrir a porta ouviu aquela voz, a perguntar por ele –oh não, preferia que fosse um Weasley!
- Boa tarde! –cumprimentou a visitante ao entrar no Salão.
- Pansy, querida, que bom ver-te! –disse Narcisa, agarrando logo na rapariga e dando-lhe um beijo na gorda e rosada bochecha.
- Mrs. Malfoy, cada dia mais bela! –guinchou Pansy –Tem de me contar o seu segredo de beleza, para também eu me conservar bela com o passar dos anos!
Enquanto Narcisa apresentava Pansy ao resto da família, por mais assustador que aquele momento fosse, Draco mal conseguia disfarçar o riso! Olhava a sua ex-colega dos Slytherin e não conseguia disfarçar! O cabelo negro e encaracolado caía-lhe para os ombros, os lábios grossos estavam pintados de um tom rosa-escuro e os mantos até aos pés pareciam torná-la mais gorda do que aquilo que ela já era! Draco não queria falar com Pansy; mas sabia que ela não o iria deixar em paz enquanto não conseguisse tal.
- Larga a minha família, Pansy! –resmungou ele, arrastando a ex-colega para fora da sala, até ao átrio da Mansão.
- Qual é o mal, Draco? Só queria ser simpática!
"Simpática"? Essa palavra não constava no dicionário da rapariga.
- Que é que tu queres? –perguntou Draco, num sopro, enquanto cruzava os braços.
- Tirar uma dúvida –Pansy franziu as sobrancelhas –Ouvi dizer que te andaste a atirar àquela Sangue de Lama ranhosa! Isso é verdade?
- Não! Afinal, tu é que precisas de um lenço para limpar o nariz!
- Não brinques comigo dessa maneira!
- Não estou a brincar, tu estás mesmo ranhosa!
O rosto de buldogue de Pansy ficou vermelho como um pimentão e contorceu-se de fúria –Draco receava queimar-se se lhe tocasse. Furiosa, ela fungou e desatou a gritar:
- Como é que te atreves?! Andar por aí a defender aquela...
- Aquela quê? E eu não ando a defendê-la, coisa nenhuma, Pansy, não andes a inventar coisas!
- A Blaise e a Flanders viram-te. Elas estavam perto da mesa onde tu te sentaste e colocaste o braço nos ombros dela...á volta do pescoço imundo da Granger!
Draco olhou a porta fechada do Salão outra vez. Aquilo que Pansy dissera, apesar de não ser totalmente verdadeiro (ele não chegara a colocar o seu braço em volta dos ombros de Hermione), poderia metê-lo em apuros caso alguém ouvisse a conversa! E se Lucius soubesse...mais valia despedir-se do mundo!
Mas Pansy deixara de gritar. Agora, agarrava a face dele e mirava os seus olhos azuis.
- Desculpa, Draco! Eu sei que nunca irias fazer uma coisa daquelas. As miúdas devem-se ter enganado no rapaz –murmurou ela, com um sorriso falso no seu rosto –Sabias que aquela idiota está cada dia pior? Pelo Senhor das Trevas, se eu fosse igual a ela atirava-me de um precipício!
- Mmmm... –Draco apenas conseguia pensar que era Pansy quem se deveria atirar de algum sítio alto.
- Olha, se não tiveres nada para fazer, podíamos...Que tal ir a um bar esta noite?
O rapaz engoliu em seco. Era só o que lhe faltava! E se aparecesse de novo aquela rapariga de caracóis castanhos, embrulhada em mantos cor da paixão? Seria terrível...Pansy iria descobrir e sendo linguaruda como era, não saberia guardar um segredo! Ou pelo menos, não um daqueles!
Tentou arranjar maneira de declinar o convite de maneira educada, mas parecia que tinha uma lapa agarrada a si! Pansy mexeu-lhe numa madeixa loira do cabelo, puxou a cara do rapaz para perto de si e não fez aquele horroroso sorriso desaparecer da sua face.
- «Como ela é feia!» - pensou Malfoy, alarmado.
- Anda lá!
Draco sabia que ela ia beijá-lo, ele sabia isso. E os pêlos eriçavam-lhe assim que pensava em tal coisa! Mas conseguiu safar-se: assim que sentiu os lábios dela demasiado próximos dos seus, empurrou-a e afastou-se. Agora, não iria ser bonzinho para ninguém!
- Desaparece, Pansy! –ordenou ele, agarrando-a por um braço.
- Mas eu...
- Pira-te!!
Abriu a porta da Mansão e expulsou a ex-colega para o jardim. Uma madeixa do cabelo negro dela caiu para a sua face, tapando-lhe um dos olhos que fuzilava Draco. Este ainda esperou vê-la agarrar na varinha e amaldiçoá-lo, mas nada aconteceu: compôs o cabelo e os mantos e avançou para fora do jardim.
Já ele, fechou a porta, bastante preocupado com aquilo que acontecera. Mas o que é que lhe estava a acontecer? Porque é que ele agora defendia Hermione? Só havia uma resposta: loucura...ele estava a ficar igual ao pai...Porque era impossível ele estar apaixonado por ela; era impossível ele trair os Malfoys por amor a uma rapariga que eles não aceitavam!
- Então, é dela que gostas? –perguntou Leigh, atrás de si.
- Claro que não! –gritou um Draco nervosíssimo, com medo da pergunta da prima –Fazes perguntas tão idiotas, Leigh! A Pansy é feia como a morte!
Avançou uns passos em direcção á escadaria e olhou a rapariga que aí permanecia. Será que ela ouvira a conversa? Não, ninguém estivera atrás dele durante a conversa.
- Boas tardes! Vou esvaziar a mente...dormir, quero dizer... –gaguejava ele –Olha, adeus!
Leigh não abriu a boca e regressou ao Salão, calada que nem uma múmia. Draco suspirou de alívio e subiu as escadas em direcção ao quarto. Procurava algo que pudesse anestesiar o seu estado de alma, que pudesse matar aquele vulto de cabelos encaracolados, que teimava em assombrar a sua mente. Precisava de algo que o pudesse ajudar a superar aquele desespero que tomava conta de si! Porque ele não podia estar apaixonado por uma rapariga como aquela, não poderia trair a família daquela maneira! Mas quem consegue mandar no coração?
*Continua...
N/A: OK, eu sei mesmo que este é, provavelmente, o pior capítulo desta fic toda, que não adiantou de nada a história, mas é que eu precisava de mostrar o Draco um pouco mais "amalucado" por causa da Hermione! Peço-vos muitas desculpas, ainda por cima tive montes de trabalhos nestes últimos tempos, mas prometo postar o 5º capítulo o mais depressa possível. A ver se isto arrebita um pouco. Obrigada a todos que acompanham esta história.
Formiguinha: pois é, eu bem sei...e este ainda é pior. Mas eu tentei que os próximos fossem um pouco mais soltos! Mmmm...Leigh/Draco/Hermione? Quem sabe, =D...Jinhos também! Espero, mesmo assim, que continues a ler!
Pandora: eu não recebi nenhum mail! * snif * E também peço desculpa por não ter deixado review nos poemas, mas quando lá fui da outra vez, acho que a secção tinha sido desactivada, ou lá o que era. Pode ser que agora consiga! Mas li "Ode to the Moon" e posso dizer-te que achei fenomenal! A sério, miga!! Espero que continues a ler. Jinhos!!
JanePotter: pobre Draco, não é? Uahahah...eu sou má! E gostei dessa do censurado! Mmm... o que irá acontecer com a Leigh mais tarde? Espero que continues a passar por cá, miguxa!! E hoje não fui lá por causa de Fil, mas depois passo!! Jinhos!!
Cris: nossa, obrigada!! Fico muito contente que estejas a gostar, mesmo sendo um casal que, possivelmente, não apoias muito! Espero que continues a ler. Fico muito contente!! Jinhos também para ti!
Próximo capítulo: que se passou com Hermione? Draco procura respostas, mas outras perguntas povoam as mentes de outros...
