Disclaimer: as personagens pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...

...

- Que é que aconteceu ontem, Draco?

O herdeiro dos Malfoys pousou o talher no prato e sorriu nervosamente.

- Ontem o quê, mamã?

Draco tentava esquecer tudo aquilo que se passara nos últimos dias, desde que encontrara Hermione no Caldeirão Escoante. E até estava a conseguir alguns progressos! Mas a referência de Narcisa em relação á tarde anterior fora muito infeliz; ainda por cima, Lucius estava presente!

No entanto, a matriarca Malfoy já conhecia muito bem o seu filho: Draco apenas a tratava de uma maneira carinhosa e doce quando tinha algo a esconder.

- Não te escapas assim, meu menino! Miss Parkinson veio cá a casa e, através dos vidros da janela, bem a vi sair do jardim, muito chateada com algo! Alguma coisa aconteceu entre vocês os dois?

- Ora, mãe, porque é que haveria de ter acontecido algo?

- Tu e a Pansy sempre foram tão amigos! Que eu saiba, era ela o teu par em qualquer baile que ocorresse em Hogwarts...

- Isso foi há anos atrás. Além disso, eu só a levei porque ela não me largava um minuto!

Lucius bateu com o seu cálice na mesa e o filho calou-se de repente. O pai passara toda a manhã a gritar no seu quarto e não estava bem-disposto; irritá-lo mais não era um plano brilhante.

- Se Draco não gosta da Pansy, deixa-o sossegado ,Narcisa –avisou ele, numa voz suave e perigosa –Eu não gostaria que eles namorassem! Ela pode ser uma Sangue Puro cheia de galeões, mas é muito feia e pouco inteligente! Dá-lhe tempo, ainda verás o teu filho casar com Leigh!

- Mas talvez eu não deseje casar-me com a minha prima! –interrompeu o rapaz, olhando o pai nos olhos.

- E porque não? –Lucius torceu os cantos da boca num sorriso maléfico –Ela é tudo o que tu queres, o melhor que podes encontrar numa mulher! Ou será que temos uma outra rapariga na história?

- Claro que não! –Draco atirou com o guardanapo para cima da mesa e levantou-se de seguida –Porque é que haveria de existir...pai?

Narcisa pousou o talher e olhou o marido, com uma expressão culpada na sua face. Já Lucius fixou o seu olhar azul nas costas do filho que abandonava a sala de jantar sem olhar para trás sequer, com receio que eles descobrissem que lhes mentira. Mas já devia saber que aquela não era a melhor das atitudes: o patriarca dos Malfoys não gostou daquela reacção e vingou-se no seu cálice de vinho, arremessando-o contra as paredes de pedra que o rodeavam na sala de jantar.

***

A neve regressara em força, mas isso não impediu Draco de andar pelos jardins. Na realidade, aquilo que dissera a Leigh no dia anterior fora fruto do desespero por não conseguir deixar de pensar em Hermione. Ele até gostava do enorme jardim da sua mansão. Era excelente para os momentos em que ansiava por estar sozinho! Era por isso que ali se encontrava naquele momento, a sentir a neve cair na sua pele e no cimo da sua cabeça protegida por um negro capuz.

Porque é que isto teria de lhe acontecer justamente a ele? Sempre tinha sido um bom filho; sempre cumprira com as ordens do seu pai, mesmo que não concordasse com elas. Bom, nem sempre as cumprira: lembrava-se daquele dia há cerca de 6 anos atrás, na Taça Mundial de Quidditch, em que não lhe obedeceu e escapou da sua tenda; acabou por encontrar o Potter e os amigos idiotas e avisou-os qual era o caminho que os Devoradores da Morte seguiam! Arrependeu-se sempre daquilo que fizera! Ainda para mais, para piorar a situação, quem lucrara mais com esse assunto fora ela, a Granger –se Draco não a tivesse avisado, provavelmente teria sido apanhada e envergonhada em público! Porque é que fizera aquilo?

- Ah, Draco, que se passa contigo? –murmurou ele. Apenas não esperava que estivesse acompanhado.

- Eu pergunto-te o mesmo!

Leigh olhou o primo, escondida nos seus finos mas quentes mantos escuros.

- Julgava que odiavas o teu jardim! –reclamou ela, avançando em direcção ao loiro.

- Aquilo que disse foi sem pensar! Eu até gosto disto...Ontem não estava muito bom da cabeça! E até me parece que vou ter de te pedir...aquilo... tu sabes bem o que é!

Tentava falar mas as palavras não saíam. Na realidade, como o bom Malfoy que era, pedir desculpas a alguém era muito complicado, algo extremamente vergonhoso, ainda para mais se fosse a uma mulher. Daí que aquele momento fosse muito difícil para ele; mas a prima olhava-o ansiosa pelas palavras que ele iria proferir.

- Desculpa por te ter beijado, Leigh! –disse Draco, finalmente –Sei que ficaste muito zangada comigo, mas a verdade é que não consigo gostar de ti dessa maneira que queres que goste!

- E nunca poderás vir a gostar?

Draco suspirou antes de encarar Leigh de frente. Chata!

- Eu sei lá! Tu deves saber bem o mulherengo que sou. Eu adoro mulheres e não sei se o teu desejo é andares comigo uma semana e acabar tudo no fim! Entende, é isso que faço! Sei lá agora se um dia gostarei de ti mesmo a sério, se virei eu a encontrar alguém que quem goste mesmo a sério...eu sou bruxo, mas não adivinho o futuro!

Riu, mas não foi acompanhado pela rapariga a seu lado. A sua expressão continuava zangada, mas parecia que o olhar assassino fora deixado para trás.

- Então, onde é que foste almoçar? –perguntou Draco, querendo desviar o assunto.

- Tens alguma coisa com isso? –gritou ela, furiosa.

Parecia irritada; da pergunta ou da conversa? Mas não houve tempo sequer para responder ás questões: ela rodou os calcanhares e afastou-se em direcção á Mansão, com os seus mantos negros a roçarem a neve por debaixo dos seus pés.

***

Aquele dia fora horrível! Sem se importar com a presença dos Maloney em sua casa, Lucius voltara a enlouquecer. A tia Josey ficara cheia de medo ao presenciar tal cena, bem como a sua filha, que procurara refúgio perto de Draco. Sem dúvida que a agitação fora enorme!

Hogsmeade parecia mais alegre, apesar de haver poucas pessoas nas ruas. A neve e as temperaturas negativas mantinham os feiticeiros no calor de suas casas, por isso, era ali que Draco encontrava o sossego e a paz que queria mas não conseguia encontrar na sua casa. Estava sozinho, sem ninguém a chateá-lo, a dizer aquilo que deveria ou não fazer,... Podia parecer estranho, mas era ali que ele permanecia bem!

Caminhava por uma rua estreita da vila, pensando na última vez que lá estivera ainda como estudante de Hogwarts. Julgava que nunca mais iria regressava; como estava enganado! Logo de seguida, lembrou-se de Hermione. Fora apenas uns passos mais à frente, á porta do bar mais famoso daquele lugar, que ele a vira pela última vez, com lágrimas a escorrerem pelos seus olhos castanhos. Que se passaria com ela naquele dia? Draco queria realmente saber aquilo que se passava, porque é que ela chorava...mas como poderia fazer para descobrir?

O Três Vassouras estava aberto, mas não tinha qualquer vontade de entrar; algures na vila bateram as onze badaladas. Talvez àquela hora Lucius já estivesse calmo e não o apanhasse quando chegasse a casa. Draco fechou os olhos e levantou o queixo, sentindo os flocos de neve caírem na sua face pálida. Seria prudente regressar naquela altura?

- Desculpa, mas aquela cena foi totalmente horrível!

- A cara da miúda...ela não merecia!

Duas feiticeiras, cobertas por mantos azuis, passaram junto a Draco, enquanto falavam acerca de algo em voz bastante alta, mas ele nem as viu sequer –apesar da uma delas, a que possuía longas e fartas tranças alaranjadas, o tivesse observado dos pés à cabeça. Os olhos do rapaz pareciam nunca mais abrir... e ele sentia uma paz...

- Malfoy?!

Foi uma voz feminina, assustada e pausada que interrompeu os seus pensamentos. Ao abrir os olhos azuis, ele viu um ponto brilhante no céu azul-escuro; mas Draco não se importava com as estrelas! Era ela, a culpada do seu mais recente sarilho, que ali estava!

- Herm...Granger! –murmurou o rapaz, cobrindo melhor o seu rosto.

- Que estás a fazer aqui? Pensava que odiavas este lugar!

- Quem te contou tal idiotice?

- Tu! No último passeio que Hogwarts fez à vila!

Hermione baixou os olhos e cruzou as mãos, protegidas por luvas escuras.

- Porque é que choravas no outro dia? –Draco tentava controlar a respiração enquanto falava, mas não conseguia! Porque é que ela o deixava assim?

- Porque é que te interessa, se nunca te preocupaste comigo? O teu único objectivo é gozares com a minha cara...

- Para que te quereria eu gozar?

- Ora, não foi isso que fizeste durante os 7 anos que estudámos juntos?!

As suas últimas palavras foram proferidas quase aos gritos. Mas a verdade é que Draco estava a assistir a um momento inédito em toda a sua vida: desde estar atraído por uma Sangue de Lama até se preocupar com outras pessoas para além dele! Que feitiço maligno seria aquele?

- Olha, queres saber uma coisa? –disse ela –Queres saber a razão do meu choro? Pois bem: eu encontrei o meu ex-namorado a beijar uma miúda qualquer nas ruas de Hogsmeade! Estás feliz agora?

- O teu...

- Sim, exactamente!! Vá, agora já podes gozar á vontade, Malfoy! "Pobre Sangue de Lama, foi abandonada pelo inteligente do namorado!"...podes dizê- lo, porque estou-me nas tintas para aquilo que sai da tua boca para fora! Aquele estúpido levou o meu coração; não posso sentir nada agora! Só o vazio que ficou...

A sua voz saiu magoada! Draco não sabia bem o que significava a expressão "estou-me nas tintas", mas achava que percebia aquilo que Hermione sentia! Não seria afinal o mesmo que as suas ex-namoradas diziam sentir quando tudo entre eles acabava?

- Porque é que ele te fez isso? Quem é ele, Granger?

- Não tens nada a ver com quem ele é ou deixa de ser! Ele desapareceu da minha vida; eu nunca mais quero saber daquilo que ele faz por aí! Entendes? E eu sei lá porque é que ele me deixou! Deve-se ter fartado de mim! –ela esboçou um sorriso de desprezo e não resistiu a ser cruel de seguida –Mas tu deves saber isso melhor do que eu, Malfoy! Quantas deixaste tu até agora? De certeza que deve ser pelas mesmas razões!

- Mas que atrevimento é esse?

- Não gostas, pois não? Pois eu também não devo gostar nada daquilo que te vai sair da boca já a seguir!

- Pois acontece que eu ia dizer que esse gajo é um idiota e para te fazer isso é mesmo porque não te merece!

Pronto! Draco desistiu de lutar contra aquele sentimento. De que valia o esforço se não resultava? Procurou o olhar de Hermione e conseguiu perceber o espanto que tomara conta de si naquele exacto momento; e o medo também. Ele entendia o porquê... também se vinha a sentir assim desde há uns dias atrás.

- Tu realmente não estás nada bem! –exclamou a rapariga, assustada. E naquele exacto momento, virou costas e afastou-se daquele que a acompanhava.

Nem sequer deu o braço a torcer e admitiu que pensara mal acerca daquilo que corria nos pensamentos de Draco! Ele iria adorar ouvi-lo, não por vê-la errada mas para tentar uma aproximação entre ambos. Agora, já de nada lhe valia. Via a mulher de vermelho afastar-se de si, olhando para trás de vez em quando, e não conseguiu seguir os seus passos. Tudo o que conseguiu foi colocar as mãos nos bolsos e afastar-se também, tendo por destino final a sua própria moradia.

***

Os cortinados haviam sido abertos e, na escuridão do seu quarto, observava o exterior nevado. Os seus olhos azuis avistaram algo e o medo apoderou-se de si.

- Vês o mesmo que eu? –perguntou á companheira, que, receosa, acabara de entrar na divisão.

Um dedo comprido apontou o objecto do seu receio. Ela seguiu-o e suspirou profundamente.

- Não tentes mudar aquilo que foi destinado antes!

- Nada foi destinado antes! Isso são tretas! E aquilo que vejo, não significa nada!!

- Então, porque é que te preocupas tanto com esse assunto?

O feiticeiro bufou de raiva e olhou pela janela de novo. Toda aquela história era uma idiotice e ele não era suficientemente parvo para acreditar nela! Mas ao mesmo tempo...

- Vai dormir! –aconselhou a mulher enquanto escovava o seu cabelo cuidadosamente –Não penses mais nisso. Para além de te fazer mal, não te serve de nada: não podes mudar aquilo que te foi dito...

*Continua...

N/A: OK, eu sei que ficou a passar-se um bocadinho depressa, mas espero que as coisas comecem a melhorar a partir daqui! Queria só avisar-vos que a música utilizada no capítulo anterior foi "Taking Over Me" dos Evanescence (esqueci-me de referir esse pormenor). Como sempre, muitos agradecimentos a quem lê e essencialmente, os meus obrigados especiais a:

Maíra: ouve, eu adorei que estejas a gostar da fic!! Algumas das coisas que referiste não acontecem outra vez (pelo menos em princípio), mas outras...Espero que continues a ler e sempre que puderes, deixa uma mensagem! Jinhos!!

Pandora: pois é, já não deu para ler. Desculpa não ter lido mais cedo! Mas aquele da Lua estava mesmo muito giro!! Eu adoro quando a Pansy se atira ao Draco e ele a trata mal! Uahahah...espero que continues a ler e a deixar review também! Jinhos!

JanePotter: pois é, o Draco está mesmo maluco, mas quem sai aos seus... Eu sei que o outro não foi grande coisa, mas era preciso. Espero que continues a ler e muitos jinhos também (vou já passar lá pelo novo capítulo!).

Próximo capítulo: o Natal está a chegar e Draco toma uma decisão importante! Ao mesmo tempo, há alguém que receia os tempos que se avizinham...