Disclaimer: as personagens pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...

...

A neve voltara a cair em força naquele dia. Para dizer a verdade, Draco estava já farto daquele tempo indeciso, mas uma vez que não podia mudar o tempo, não podia simplesmente ficar deprimido com tal. Seria do seu agrado passar aquela tarde de Dezembro no Salão da mansão, frente á lareira acesa, enquanto lia um livro, ouvia música ou, simplesmente, observava as chamas dançar á sua frente; mas tal não era possível! Estavam a apenas 3 dias do Natal e ainda não tinha comprado todos os presentes. Leigh encontrava-se na mesma situação, por isso decidiram ir juntos a Hogsmeade comprar aquilo que faltava. Para ela, era mais uma tarde junto ao primo; para Draco, era uma tarde de tortura necessária para tentar evitar que a prima o transformasse em lagarto durante a noite. Uma Leigh Maloney zangada e ofendida não era para brincadeiras!

- Olha lá, Draco, vais-te demorar muito? –perguntou a rapariga à porta do quarto do primo.

Draco resmungou enquanto vestia o seu manto de Inverno. Afinal, ele não tinha culpa das maluqueiras do seu pai, que se fechara com ele no escritório por mais de meia hora. E para quê? Não sabia; Lucius limitara-se a manter a boca fechada durante todo aquele tempo, olhando o filho com um olhar inquiridor e uma expressão que Draco nunca antes lhe vira. Ficara receoso com aquilo que podia acontecer, mas nada de grave se passou entre os dois.

- Mas qual é a pressa, afinal? –perguntou ele assim que saiu do quarto –Parece que tens fogo no rabo ou qualquer coisa do género!

- Não digas disparates!

Leigh tapou a cabeça com o capuz e colocou o cachecol. Draco retirou alguns galeões da sua caixa de dinheiro e guardou-os no porta-moedas. Abriram a porta e saíram para o jardim, sendo logo recebidos por uma forte rajada de vento gelado.

- Bolas, se não fosse este tempo, podíamos ir de vassoura!

- Só se eu fosse maluca é que me sentava numa coisa daquelas! Deve ser extremamente desconfortável, sem falar de ser muito perigoso! Imagina que cais lá de cima...

- Alguma vez voaste na tua miserável vida? –Leigh acenou negativamente com a cabeça –Então cala-te!

Os dois primos atravessaram o jardim e saíram para a rua. Não era muito comprida, mas possuía algumas enormes mansões, com jardins igualmente enormes. O passeio estava coberto por uma camada de neve e Leigh escorregou levemente após fechar o portão de ferro.

Apertando os mantos contra si para se protegerem do frio, materializaram-se para Hogsmeade. Aquele não era o destino da preferência da rapariga, ao pensar que qualquer tipo de feiticeiro podia passar ao seu lado, mas fora assim que Draco quisera, na esperança de encontrar uma certa morena nas ruas. Se tinha tido sorte naqueles últimos tempos, porque não esperar por mais agora que ansiava por ela?

- Espero que não te vás demorar muito por aqui! –resmungou Leigh, já em Hogsmeade, observando a neve cair á sua volta enquanto o primo observava a montra de uma loja –Porque é que não fomos antes á Rua Bativolta, na Diagon- Al?

- Onde é que tu querias comprar presentes na Rua Bativolta?

- Ao menos, estaríamos em melhor companhia! –a jovem pousou os olhos azuis em cima de dois feiticeiros que passaram junto a ela.

- Ouve, querida –avisou Draco,.com voz suave e perigosa –se não te calas, eu juro que te faço uma Ligadura Total do Corpo e te deixo abandonada por aí, nas ruas de Hogsmeade!

Leigh fez uma careta e franziu as sobrancelhas, ao mesmo tempo que o jovem Malfoy entrava na loja.

O local era pequeno, mas acolhedor. Estantes de madeira iam desde o chão até ao tecto, ocupando a maioria do espaço da loja. Ao fundo ficava o balcão, atrás do qual se podia encontrar um bruxo ainda novo a pendurar bolas de Natal no tecto, com a ajuda da varinha.

- Boas tardes! –cumprimentou Draco, tentando fazer-se simpático.

- Olá! É sempre assim, deixo sempre tudo para a última hora –riu o rapaz –Espere apenas um minuto!

A porta do "Magias do Lar" abriu e Draco viu a prima entrar. Ela tirou o capuz da cabeça, mostrando a sua cabeleira negra e atirando com neve para o chão. Olhou à sua volta com ar enfadado e permaneceu à entrada.

- Pois bem, que deseja? –chamou o jovem.

Malfoy encarou-o e viu-o perder a cor. Os olhos do rapaz esbugalharam-se e começou a gaguejar. Draco sabia o porquê daquela reacção: a sua família não ficara com muito boa fama após a união a Voldemort e a prisão de Lucius, as quais foram do conhecimento geral. Daí que tanta gente o olhasse com desprezo sempre que ele aparecia; daí que aquele jovem ficasse alarmado quando o viu. Talvez receasse que ele ali estivesse para deitar a sua loja abaixo!

- O q-que é que o s-se-senhor dese-ja?

O ruído sarcástico produzido por Leigh foi bastante audível, o que deixou Draco zangado e o lojista ainda mais alarmado. Com modos falsamente suaves, o loiro lá explicou aquilo que pretendia para presentear a mãe no Natal, tentando fazer com que não o expulsassem da loja. O rapaz, ainda receoso com a presença dos dois primos, saiu detrás do balcão e mostrou ao cliente alguns produtos que poderiam ser do seu interesse.

- Estava a ver que já não saías de lá hoje! –exclamou Leigh enquanto calçava as luvas, após saírem do "Magias do Lar".

- Não me chateies! –resmungou ele, segurando o saco –A minha mãe merece, é sempre muito boa para mim e eu sei que ela é muito vaidosa. Olhas para o estojo de maquilhagem dela e...

Calou-se de repente e a prima olhou-o surpreendida. Outra vez! Draco sentiu o coração disparar e a respiração tornar-se mais rápida. A uns 20 passos do local onde se encontrava, estava a rapariga que mais problemas lhe havia causado...

***

- Tu tens sempre se ser muito teimoso! –reclamou um velho feiticeiro, quase calvo, sentado numa velha poltrona num canto escuro do seu quarto –Nunca acreditaste naquilo que eu te disse!

- E porque teria eu de acreditar? São histórias idiotas que os velhos que não têm mais nada para fazer inventam...

O velho olhou-o, ofendido. Levantou-se da poltrona com alguma dificuldade e encarou o companheiro, que lhe dirigia um olhar duro e frio.

- Eu quero respeito da tua parte! Para os outros, comporta-te como quiseres, mas eu proíbo-te de falares comigo dessa maneira, entendeste?

O homem mais novo engoliu em seco ao ver a fúria estampada no rosto que se encontrava agora á sua frente. Mas não se queria mostrar intimidado pela sua presença e decidiu manter a mesma postura de sempre.

- Ainda não me explicaste –continuou o velho, regressando à sua poltrona –o que vieste aqui fazer! Não me mandaste para aqui para te livrares de mim? Para que é que voltaste a procurar-me, porque é que desenterraste esse assunto? Sempre pensei que não acreditavas naquilo que eu te contei...

- E não acredito! Estou farto de dizer que não acredito!

- Se não acreditasses, não estavas aqui tão preocupado! Ou melhor, nem sequer deixavas a tua casa para me vires aqui visitar! –retirou a varinha já gasta do bolso do manto e começou a brincar com ela por entre os dedos, sem reparar no suor frio que escorria pelo corpo do outro –Eu contei-te tudo aquilo que precisavas de saber há 20 anos atrás e tu chamaste-me mentiroso! Depois, não te admires quando...

- Ela voltou! Eu vi-a com os meus olhos, era ela! –cortou o mais novo, berrando de fúria.

Levou a mão à testa e olhou o chão. Não sabia no que acreditar: no que lhe fora dito ou no que desejava. As duas partes lutavam no seu interior e apenas um poderia sair vencedor. Mas qual deles?

O velho guardou a varinha e olhou-o. A sua face ostentava um ar de superioridade.

- Se ela voltou, então, quer acredites quer não, tudo aquilo que te contei irá finalmente acontecer!

***

- Draco, para onde é que estás a olhar feito parvo?

A voz zangada de Leigh penetrou a mente do rapaz, fazendo-o despertar para a realidade. Conseguia ver Hermione tão bem como se ela estivesse ali ao pé de si! Não conseguia perceber muito bem quais eram os seus sentimentos, mas parecia-lhe estar bem; no entanto, estava acompanhada pelos dois mais novos Weasleys. Que grupo!

- Que é que estás a ver? –questionou Leigh novamente, procurando aquilo que captara toda a atenção do primo.

- Nada! –Draco não queria que a prima visse Hermione, pois poderia ir logo dar com a língua nos dentes a Lucius e este sim, sabia quem é que a rapariga era –Então, não compras nenhum presente?

- Hum...apenas me faltam os dos tios Lucius e Narcisa.

- Simpática! Não me compras nada a mim?

- Oh, Draco, o teu presente já está comprado! Há muito tempo...

Malfoy não gostou do tom de voz de Leigh. Pela cara dela, era capaz de ser algo terrível. Um anel de noivado, talvez...Oh, não!

Ele decidiu afastar-se. Levou a prima por entre as ruas de Hogsmeade, parando por vezes em montras de lojas para tentarem comprar os presentes que faltavam. Mas em breve se notava um maior movimento na vila, obrigando os feiticeiros a andarem aos encontrões uns aos outros –apesar do mau tempo, muita gente tinha ainda as prendas em atraso, levando-os a estarem ali. Draco e Leigh estavam já fartos daquele lugar, mas as suas listas não diminuíam!

- Já me doem os pés de tanto andar! –queixava-se ela, tiritando de frio enquanto seguia o primo –Que porcaria de lugar!

Mas, por mais impressionante que fosse, Draco não ligava ás reclamações de Leigh! Apenas pensava em Hermione; ela tinha de saber que ele estava em Hogsmeade também. Porém, ela estava cercada pelos amigos e ele tinha a prima atrelada a si. Que fazer para chegar até ela? Que lhe dizer quando/se o fizesse? Talvez pudesse marcar um encontro! Sim, seria óptimo! Assim poderiam conversar à vontade e Draco poderia contar-lhe tudo aquilo que sentia junto a ela. Caso Hermione aceitasse o convite, como era evidente!

- Leigh, podes ir andando? –ele parou de repente –Vou ali ver uma coisa que me interessou para...o meu pai!

- Eu vou contigo!

- Não! –a rapariga abriu os seus olhos azuis de espanto –Ouve, não quero que fiques zangada comigo, mas eu prefiro ir sozinho! E...bem, eu... –que mais poderia ele inventar? –Eu ainda não comprei o teu presente, e tem de ser surpresa, não é?

Leigh empinou o nariz e sorriu, convencida por aquilo que ouvira. Virou costas e dirigiu-se a uma loja que o primo lhe indicara como tendo excelentes (e caros) mantos de festa que poderia oferecer à tia, levando a promessa de um presente a latejar na sua mente.

Ao ver a prima afastar-se, o rapaz retirou a pena que tinha sempre no bolso do manto e conjurou um pedaço de pergaminho com a varinha. Encostou-se a um vidro de uma loja, ficando assim protegido da neve que continuava a cair, e escrevinhou uma rápida nota para Hermione, rezando a todos os feiticeiros malévolos que conhecia para que ela aceitasse o seu convite. Assim que assinou, leu todo o bilhete de novo:

«Granger:

Preciso muito de falar contigo! É urgente! Não sei bem aquilo que pensas acerca do que tem acontecido nos últimos tempos, mas por favor, aceita aquilo que te peço! Hoje à noite, no Três Vassouras, 22.30h. Por favor –não te quero fazer nada de mal!

Malfoy»

Olhando para os lados, receoso que Leigh tivesse regressado mais cedo do que previra, guardou a pena e dobrou o pedaço de pergaminho. Cobriu-se contra a neve e avançou pelo meio da multidão, desejando encontrar Hermione em pouco tempo. E, mais uma vez, teve sorte: viu os três jovens saírem de um pub ali perto, conversando e rindo de vez em quando. Quanto mais se aproximava, mais nitidamente conseguia ver o rosto triste da morena, que sorria melancolicamente de vez em quando. Percebeu que os dois amigos a tentavam animar e, por instantes, desejou estar ali no meio deles para a consolar. Para sua surpresa, uma parte de si não fugiu àqueles pensamentos –a luta contra eles terminara!

Cobrindo melhor o rosto sem cores, Draco aproximou-se deles e, sem pensar naquilo que fazia, deu um encontrão a Hermione, ao mesmo tempo que lhe enfiava o pergaminho no bolso do manto. Ela desequilibrou-se e caiu para a frente, sendo apoiada por Ginny.

- Olha lá, ó parvalhão! –gritou Ron, enquanto agarrava Draco pelo pescoço. A violência foi tal que o capuz escorregou-lhe da cabeça e todos viram a sua face.

- Malfoy?! –a ruiva deixou cair o queixo, ao mesmo tempo que ajudava a amiga a se recompor.

- Só podia ser ele! –berrou Ron –Que fazes aqui?

- O lugar é público, não sei se sabes isso, Weasley!

- Mas nós não queremos por aqui estúpidos que só sabem empurrar os outros!

Draco olhou para Hermione e viu-a levar a mão ao bolso. Deve ter sentido o papel, uma vez que abriu os olhos de espanto e de seguida encarou-o de frente. Suspirando, pediu:

- Larga-o, Ron!

- Mas, Hermione...

- Já sabes como é que ele é! Eu estou bem, a sério... Vamos, é desconfortável andar á neve!

O Weasley encarou Malfoy furiosamente e soltou-o. Ainda olhando-o de esguelha, o grupo foi afastando-se, levando Hermione no meio como que para a protegerem. Esta ia de cabeça baixa, mas não ousou olhar para trás.

Draco suspirou. O papel fora entregue...e agora apenas podia esperar que ela aceitasse e estivesse nessa mesma noite num bar para se encontrar com aquele que foi um dos seus maiores inimigos!

*Continua...

N/A: peço imensas desculpas por demorar tanto tempo, mas a verdade é que me deu uma preguiça enorme para escrever (vergonha!!) e também andei um pouco ocupada. Mas eu prometo que não vou deixar a fic a meio! Espero que tenham tido uma boa Páscoa, que estejam a gostar de acompanhar esta história e que desejem ler mais. Muito obrigada a todos aqueles que leram até aqui, principalmente a:

Miss Gryffindor: eu sei que a Hermione não tem um papel muito activo, mas o problema é que a fic se passa essencialmente do lado do Malfoy; sei que não é uma desculpa! Vou tentar mudar para ver se ela aparece mais! Também entendo que as coisas entre eles se passem depressa demais, mas a verdade é que eu tenho umas ideias que serão explicadas mais à frente...vamos a ver o que resulta daqui! Eu ainda não fui a ler (desculpa!!), mas não tenho tido muito tempo, mas agora vou passar por lá, OK? Beijinhos e espero que continues a ler –apesar dos deslizes!

JanePotter: olá!! Espero que continues a ler e a deixar review também! Beijinhos e a gente vê-se para a semana.

Maíra: obrigada pela mensagem! Espero que também tenhas gostado deste capítulo e que continues a acompanhar daqui para a frente! Beijinhos!

Próximo capítulo: será que Hermione aceitou o convite? Que se passará se ela aparecer?