Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...

...

- Então, achas que a tia Narcisa vai gostar?

Leigh retirou um manto de veludo azul-escuro dentro do saco e mostrou-o ao primo. Draco olhou a peça de roupa: era bonito, sim, sem capuz e de mangas largas. Mas ele não queria saber de nada do que a prima comprava ou deixava de comprar; apenas desejava que as horas passassem e para chegar o momento do seu encontro com Hermione.

- Também lhe podia ter comprado um chapéu, haviam lá uns muito bonitos, mas andavam lá umas miúdas que, pela conversa, tinham Muggles na família e mexeram neles todos! Eu não ia trazer nenhum deles, não é?

- É, claro... –respondeu o rapaz, desejando que os ponteiros do relógio se movessem mais depressa.

A rapariga dobrou o manto e guardou-o de novo no saco. Percebeu perfeitamente que o primo estava nervoso e ansioso por algo, por isso sentou-se ao lado dele na cama, com uma expressão cínica no rosto.

- Oh, bebé Malfoy, que se passa? Perdeste a chucha?

Draco olhou-a, indignado com a atitude dela.

- Parva! Não se passa nada comigo! Porque é que se haveria de passar alguma coisa?

- Porque tens andado muito estranho nestes últimos tempos! –disse Leigh, furiosa –Pareceu-me logo que não andavas muito bem quando cá cheguei, mas ainda pensei que se tratasse de algum trauma pós-Hogwarts...Não é isso, não pode ser! Tens alguma coisa que me queiras contar?

- Não inventes! Estou igual àquilo que era antes de chegares! –Draco sabia bem que mentia com quantos dentes tinha na boca, mas ela não –Porque é que andam todos com a mania que estou doente? Tu não me vês há 10 anos, sabes lá como é que eu me portava antes de teres vindo para aqui...

- A tia Narcisa contou-nos, a mim e à minha mãe. Tu estás diferente, Draco, admite isso, pelo nome do Senhor das Trevas!!

O rapaz levantou-se e aproximou-se da janela da saleta. Observou o mundo exterior, a neva a cair silenciosamente nos passeios, o vento a fazer abanar as árvores nuas. Leigh passou os seus braços á volta da cintura dele e deixou cair a cabeça no seu ombro, fazendo uma madeixa negra descer até ao peito do primo.

- O que é que estás a fazer? –questionou o loiro, assustado com a atitude inesperada da prima.

- Precisas de descanso, lindo! Se não te aconteceu nada, apenas precisas de descanso! E eu posso dar-te aquilo que precisas...

Encostou os lábios junto ao pescoço dele e, subitamente, Draco entendeu aquilo que a prima queria. Talvez num outro momento ele cedesse às suas investidas, mas agora tudo era diferente e ele sabia que aquilo não era correcto.

- Pára! –murmurou, afastando-a com alguma brutidão –Eu não preciso de nada vindo de ti, Leigh. Nada!! E, se faz favor, fecha a porta quando saíres!

Permaneceu á janela, observando o manto branco no jardim. Percebeu que Leigh ficara zangada da maneira como ela bateu com a porta quando saiu, mas Draco não se arrependia em nada do que fizera! Ele pensava apenas numa mulher; uma que não sentia o mesmo por ele e, provavelmente, nunca ia sentir. Mas a verdade é que não conseguia estar com uma rapariga e pensar em estar com outra ao mesmo tempo –ele sentia que não conseguia. Daí que nem sequer quisesse experimentar...

***

O relógio da mesa de cabeceira marcava 10 horas da noite: era a hora de ir. Draco desligou o rádio com a varinha, guardou o livro e vestiu o manto de Inverno. Ouviu passos no corredor, leves e apressados e manteve-se no quarto.

- Boa-noite, Krosh!

- Boa-noite, Mr. Malfoy! –respondeu o elfo do outro lado da porta.

Manteve o ouvido colado à porta, enquanto ouvia os passos leves de Krosh afastarem-se do seu "refúgio". E assim que Draco percebeu que o elfo abandonara o local, saiu para o corredor. Passou por diversas portas fechadas, incluindo a do quarto de Leigh e franziu as sobrancelhas. Não ia ceder a ninguém –tudo menos isso!

- Viste o meu filho por aí? –a voz de Narcisa fez-se ouvir no Salão e Draco, no hall de entrada, conseguiu ouvi-la perfeitamente.

- Mr. Malfoy estar no quarto, senhora. Mr. Malfoy se ter deitado.

- Tão cedo?! Draco não é nada disso...

Antes que a mãe saísse da sala, Draco correu até á porta e saiu da Mansão. O vento gelado e os flocos de neve receberam-no à saída. Ele cobriu a cabeça com o capuz e avançou até ao portão de ferro, saiu e retirou a varinha do bolso. Olhou para trás, tremendo de frio, e viu a enorme janela da sala onde se encontrava a sua família –de qualquer maneira, era um traidor! Traíra os Malfoys quando se apaixonara por Hermione. Mas não queria pensar mais nesse assunto: no instante seguinte materializou-se para Hogsmeade, sem sequer notar no par de olhos curiosos que o observava no alto da Mansão Malfoy.

***

- Comprei um vestido lindo para oferecer à minha menina no Natal! Ela vai adorar!

- Pedi uma vassoura nova ao meu pai, e como o meu trabalho em Hogwarts tem sido muito bom, estou à espera que ele ma dê!

- Ficas tu de levar o perú, afinal de contas, eu não tenho qualquer jeito para cozinha...

Os comentários acerca do dia de Natal que se aproximava enchiam o ambiente alegre do Três Vassouras. Até Rosmerta andava em "espírito natalício": cantava canções de época enquanto distribuía bebidas e entregava guloseimas ás crianças que corriam pelo seu bar.

Draco olhou as diversas mesas do local, tomando sempre atenção às horas para ver quando é que Hermione chegaria. A mesa que escolhera encontrava-se um pouco afastada de tudo, bem perto do luminoso pinheiro de Natal, o que lhe era bastante proveitoso. Ainda não fora sequer capaz de pedir nada para tomar enquanto esperava por ela. Estava nervoso!

O relógio no seu pulso marcava 10 horas e meia. Será que ela iria concordar? Esperava bem que sim, não se queria arriscar a ficar mais louco do que já se encontrava e haviam coisas a dizer. A porta do bar abriu-se repentinamente e um casal de namorados entrou, beijando-se com paixão. Draco engoliu em seco: em Hogwarts, Hermione sempre tinha sido tão pontual! Será que perdera esse hábito agora que era adulta ou estava disposta a deixá-lo pendurado?

«- Bom, acalma-te rapaz! Apenas alguns segundos passaram, ela pode estar a caminho...»

- Então, estou aqui! –interrompeu uma voz feminina ao seu lado –O que é que tu queres de mim, afinal?

Era Hermione! Por aquilo que percebeu, há muito que ela ali estava, mas quando Draco havia chegado não a vira, talvez devido ao seu nervosismo. Convidou a morena a sentar-se à mesa e ela aceitou, se bem que nervosa e até mesmo receosa por aquele convite tão invulgar.

- Fico contente por teres vindo! –murmurou Draco, tentando também esconder o nervosismo que parecia ser cada vez maior –Preciso muito de falar contigo!

- Então fala! –Hermione tirou o manto, argumentando que estava muito calor ali dentro.

- Eu só preciso de saber...

Cruzou o seu olhar com a rapariga á sua frente. Aqueles olhos...não podia ser! Não, ela nunca acreditaria nele! Como é que poderia? Aquilo não era amor...era obsessão! Sim...era isso...e essa obsessão só podia vir de um lado:

- ...que feitiço é que tu me fizeste?

Ela arregalou os olhos de espanto. A verdade é que ela não entendia nada daquilo que Draco falava consigo e receou que o rapaz estivesse a ficar como o pai.

- Eu é que tenho de te perguntar o que é que bebeste desta vez! –respondeu secamente –Não percebo o que é que te aconteceu desde a última vez que te vi! Primeiro atiras-te a mim, depois consolas-me, chamas nomes ao meu ex- namorado, marcas encontros comigo...o que é que se passa contigo, Malfoy?

- Isso pergunto eu! O que é que tu me fizeste, Granger? Sei que foste tu, ou pensas que eu alguma vez poderia... poderia... poderia sei lá eu o quê! Estás a destruir toda a minha vida, que já não era boa antes!

- Olha, desculpa lá, Malfoy, mas estás a passar das marcas! Se estás a destruir a tua vida, o problema é teu, não me venhas a meter no meio da tua maluqueira!

- Ora, entre tantas mulheres que existem por aí, logo haveria eu de me apaixonar por ti sem qualquer coisa da tua parte?!

Draco bateu com o punho na mesa com toda a sua força, como que a fazer valer a sua opinião. As pessoas das mesas mais próximas, bem como Rosmerta, olharam-no com cara de poucos amigos. Mas ele nem sequer percebeu essas reacções: não conseguia desviar o olhar da surpreendida face de Hermione ali, à sua frente. Como é que ele conseguira? Como é que ele poderia ter assumido furiosamente aquilo que ele mais temia naqueles últimos tempos: amava-a! Um Malfoy acabava de assumir que se apaixonara por uma Sangue de Lama no meio de um bar!

Hermione abanou a cabeça e levantou-se da cadeira. Naquilo que para Draco foi apenas um piscar de olhos, vestiu o manto e abandonou o Três Vassouras, sob o olhar espantado dos vários clientes do bar que imediatamente olharam para o loiro como que a acusá-lo pela reacção repentina da rapariga. Mas ele não estava com disposição de oferecer explicações a quem não tinha nada a ver com aquele assunto: levantou-se também repentinamente e correu atrás dela.

Encontrou-a no exterior, nervosíssima, assustada, encostada á parede de um beco escuro perto do bar.

- Afasta-te de mim! –pediu ela assim que viu Draco sair pela porta.

- Por favor, ouve! Ouve aquilo que tenho para te dizer!

- Não, Malfoy, ouve-me tu! Eu não sei onde é que foste buscar essa ideia maluca! Se vens armado em menino bonito comigo, ficas a saber que não me enganas! Não caio nas tuas armadilhas! E escusas de me atirar com as culpas por a vida não te correr como querias!

Ela escondeu a cara nas mãos, sem ligar à neve que continuava a cair sobre si. Draco aproximou-se dela e afastou-lhe as mãos geladas e trémulas da face e olhou-a nos olhos agora molhados pelas lágrimas que ela tentava esconder a todo o custo.

- Eu não sei o que é que me aconteceu! –murmurou ele, sem se afastar um milímetro dela –Lembras-te daquele dia em que te encontrei no Caldeirão Escoante, quando estava bêbado? É verdade que me atirei a ti, não fazia mínima ideia de quem eras e olha... Depois, quando descobri quem eras, enchi-me de vergonha pelo sucedido e tentei esquecer tudo o que se tinha passado naquela noite, mas não consigo! Esse é o grande problema, Hermione, não consigo esquecer-me de ti! Não entendes que estás a estragar toda a minha vida?

- Eu não tenho culpa de nada!

A voz extinguiu-se-lhe. Draco bem viu que ela não desviava os olhos dos seus, nem sequer largava as suas mãos. Na verdade, ele não acreditava naquilo que dizia; sabia bem que aquilo era demasiado forte para ser apenas magia. Era amor! Apenas se apaixonara por quem não devia e não o queria admitir! Ela podia ser filha de Muggles, ser a melhor amiga de Harry Potter, ser uma das suas maiores inimigas, parecia algo impossível, mas assim aconteceu...

A neve continuava a cair á volta dos dois, o frio rodeava-os, mas o contacto não foi nunca quebrado. Draco nem queria acreditar que estava ali, frente a frente com Hermione, a olhá-la quase sem pestanejar, sentindo o toque da sua mão. Ela franziu as sobrancelhas e abriu a boca para dizer algo, mas o loiro nem a deixou dizer uma palavra sequer: deixou cair a cabeça lentamente e uniu os seus lábios aos da morena. Estavam gelados, mas em breve, o frio deu lugar ao fogo, no exacto momento em que ele passou os braços pela cintura de Hermione e a beijou com mais força. Não sabia o que é que ela sentia, mas bem sentiu a mão dela subir pelas suas costas...antes de se retirar imediatamente e o empurrar furiosamente no peito.

- Desculpa... –sussurrou o rapaz, numa voz quase inaudível.

- Nunca mais voltes a procurar-me! Ouviste aquilo que disse?

Hermione não queria ouvir as suas desculpas. Limpou os lábios, como se esse gesto apagasse aquilo que acontecera entre eles, sem se importar com as lágrimas que escorriam pela sua face. Sacudiu a neve dos ombros e do alto da cabeça e afastou-se, sem sequer olhar para trás, sem um último olhar, uma última palavra. Envergonhada.

Draco olhou o manto branco por baixo dos seus pés. Beijara-a! Hermione Granger, a Sangue de Lama que ele dizia odiar, que o odiava a ele...tinham- se beijado! No meio de uma rua! Agora que o nervoso desaparecera, começava a perguntar-se como é que aquilo acontecera. Quem era o culpado? Quem é que levava as pessoas a quebrarem a lei em nome do amor? Sim, ele quebrara a lei da sua vida...ele atraiçoara a família! Que faria o seu pai quando descobrisse que o filho era um traidor?

Cobriu-se com o manto negro, protegendo-se do frio, e colocou uma mão nos lábios que ainda há pouco provavam o doce sabor dos de Hermione. Suspirou profundamente e achou que nada mais era preciso ser feito ali; talvez fosse melhor regressar a casa, não tivesse a mãe ido confirmar se Draco já dormia e descobrisse que ele saíra sem aviso prévio. E assim foi.

Absorvido nos seus pensamentos, o herdeiro dos Malfoys prosseguiu o seu caminho de regresso, sem, por mais uma vez, reparar naquele vulto que o observava perto dali. Um vulto que estava naquele local há bastante tempo; presenciara toda a conversa, conseguira presenciar o beijo. E á medida que uma lágrima de raiva rolava pela sua face pálida, franziu as sobrancelhas e jurou que ainda havia de tirar aquela história a limpo!

*Continua...

N/A: Hum...pequeno! Mas olhem, foi mesmo aquilo que me saiu para escrever este capítulo. Espero que tenham gostado, nem que seja só um bocadinho. E vamos a ver se ainda fica melhor para a frente. Como sempre, quero agradecer muito a todos aqueles que continuam a ler, por saber que ao menos não estou aqui a escrever para nada e quero deixar agradecimentos especiais à Maíra (é, o Lucius é maluco mesmo. Espero que continues a ler e apesar de considerares alguns deslizes, não te venhas a desiludir para a frente), Pandora (miga!! Claro que a Hermy tinha de aceitar o convite! Quanto ao velho...não sei...só digo que a gente vai descobrir mais sobre ele!), Anónima (anónima nada, eu sei bem quem tu és!! Uahahaha...OK, aqui está o encontro entre eles como ficou prometido. E que posso eu fazer, D/Hr is the best!) e à Jane (é, fica aqui o novo capítulo. Mas quanto à história do velho...hum... XD).

A todas, muito obrigada, espero que continuem a ler e, quem sabe, a gostar dela! A gente vê-se mais tarde, na continuação...

Próximo capítulo: quem observava Draco no momento em que perdeu a cabeça? A verdade é que a sua falta de atenção vai sair bem cara ao herdeiro dos Malfoys...