Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...
...
As cortinas estavam fechadas, a cama feita, a secretária desarrumada. O relógio da mesa de cabeceira marcava três horas da tarde, mas Draco apenas abandonara o seu "refúgio" à hora do almoço. Estava sentado na cadeira, debruçado na secretária, com uma pena nas mãos, o tinteiro aberto à sua frente e uma folha de pergaminho mesmo em baixo do seu nariz. A varinha repousava a seu lado e o quarto encontrava-se mergulhado na escuridão.
O rádio não emitia qualquer som, mas estivera ligado até há pouco tempo. E Draco tinha ainda bem presente na sua mente alguns versos da canção que ouvira mesmo antes de desligar:
« Blurring and sturring the truths and the lies
So I don't know what's real and what's not
Always confusing the thoughts in my head
So I can't trust myself anymore»
Os acontecimentos do dia anterior estavam a tirá-lo do sério! O encontro, o beijo... Tudo se misturava na sua mente, deixando-o nervoso e receoso. E se ele estivesse louco? E se o pai descobrisse? E se Hermione contasse o que acontecera a alguém? E se...e se...?
Draco passou as mãos pelo cabelo e, furiosamente, escreveu aqueles versos na folha à sua frente. Queria saber o que é que se passava consigo! Se realmente estava apaixonado por Hermione, como é que tal acontecera?
- Boas! –disse uma voz maldisposta atrás de si.
- Os teus pais nunca te ensinaram que é má-criação não bater à porta antes de entrar?
Mas ao contrário do que esperava, Leigh não lhe respondeu. Cruzou os braços e assumiu aquela expressão amuada que Draco tão bem conhecia. Ele guardou o pergaminho e fechou o tinteiro, encarando a prima nos olhos logo de seguida.
- Que se passa contigo, mulher? Comeram-te a língua?
- Venho-te perguntar se queres ir embrulhar presentes de Natal comigo!
Draco franziu as sobrancelhas. Aquilo não lhe cheirava nada bem!
- Para que é que precisas da minha ajuda? Basta um gesto de varinha e tens tudo pronto! –comentou ele, levantando-se da cadeira –Prima, eu sei que a gente não se vê há já muito tempo, mas eu bem conheço os meus familiares para...
- É só que eu ainda tenho de mandar presentes a muita gente e há tanto a fazer...gostaria de ter a tua companhia para fazê-lo!
Uma madeixa de cabelo negro caiu-lhe para a face, tapando um dos seus olhos azuis. Apesar de saber que ela trazia algo na manga para aquele pedido, Draco cedeu e abandonou o quarto na companhia de Leigh.
- Onde vamos nós? –perguntou ele, assim que percebeu que estava a ser conduzido pela rapariga.
- Para o quarto escuro! –Leigh referia-se ao quarto onde o primo tantas vezes fora trancado em criança, de castigo.
- Eh, como é que conheces a existência desse quarto?
Não obteve qualquer resposta. Ela movia-se graciosamente cerca de seis passos à sua frente e não abriu mais a boca. Draco estranhou tudo aquilo que estava a acontecer –desde quando é que Leigh deixava escapar uma resposta mordaz?
Após terem andado um bom bocado, passando por escuros corredores e polidas escadarias, chegaram ao tal quarto escuro; o "quarto do terror" se perguntassem a Draco, o "quarto fantástico" se perguntassem a Leigh. No entanto, parecia que esta não estava com disposição para gozar com ele naquele momento: entrou e esperou que o primo fizesse o mesmo para fechar a porta à chave.
- Não estarás enganada? –questionou o rapaz, olhando em redor e reparando que o local estava totalmente vazio, tal como ele o conhecia –Onde estão os presentes? Julgava que vinha aqui embrulhá-los!
- Menti! Não dizem que é uma característica dos nossos?
Draco não gostou do tom de voz dela. Agora pensava era como é que pudera ser tão estúpido a ponto de seguir a prima. Afinal, não estava enganado: ela mentira-lhe! Estava mesmo a ver o que se passara: Lucius fartara-se do jogo do "toca-e-foge" entre Draco e Leigh e lá a conseguira convencer a seduzi-lo de uma vez por todas (não que isso tivesse sido muito difícil)! Provavelmente, fora ele quem lhe falara do quarto e lhe entregara a chave. Mas que mal tinha ele feito para nascer com um pai daqueles?
Estava já pronto para atirar bocas quando a prima se adiantou:
- Sabes, primo querido, ontem não gostei nada daquilo que me fizeste! Foste um estúpido e um insensível! Um puro idiota!
- Não dizem que é uma característica dos nossos? –cortou Draco sarcasticamente.
- Acredito que neste momento mais vale se fechares a boca e ficares calado, Draco! Não queiras estragar ainda mais as coisas para o teu lado!
Era extremamente visível a raiva no seu olhar. Ele reparou nela, mas continuou a pensar que aquela situação se devia ao patriarca Malfoy...até que Leigh começou a falar de novo:
- Acontece que ontem, apesar de me teres tratado como me trataste, continuei preocupada contigo e com tudo aquilo que se passava no teu mundo. Fiquei à coca, perto do teu quarto, para ver se não te acontecia nada...e qual não é o meu espanto quando tu me sais de lá à noite! Bom, achei que não devias estar tão mal assim, e daí decidi seguir-te para ver se descobria o que andavas tu a fazer!
Draco mal conseguia ouvir a sua própria respiração! Não se admiraria se estivesse morto! Leigh dizia que o seguira na noite anterior...e se ela tivesse visto tudo aquilo que aconteceu? Não, aquilo não era possível...só esperava que ela não tivesse reconhecido Hermione.
- Não sabes que isso é uma coisa muito feia de se fazer? –perguntou ele, esperando que a bomba rebentasse.
- Eu vi-te, Draco Malfoy!! –gritou ela, como se cuspisse algo desagradável –Eu vi-te a beijar aquela rapariga, no meio da rua...
- Era apenas uma rapariga, Leigh! Será que agora não posso namorar?
- Não podes, se essa rapariga for uma Sangue de Lama!!
Os punhos pálidos da rapariga estavam cerrados, como para evitar um ataque ainda maior que aquele, as bochechas tomaram um tom avermelhado e os seus olhos pintados de preto semicerraram-se também para dar mais ênfase à sua fúria. Draco baixou os olhos ao ouvi-la e vê-la daquela maneira, pensando na pouca sorte que tinha naqueles últimos tempos! Como é que agora Leigh sabia que Hermione não era uma Sangue Puro como eles?
- Sangue de Lama? Que história absurda é essa, rapariga? –mentiu ele, olhando a prima nos olhos –Realmente, tu tens uma imaginação delirante...
- Não te armes em sonso comigo, Draco! –Leigh meteu as mãos dentro do seu manto e retirou do bolso interno uma das suas revistas para feiticeiras –Poderia reconhecê-la em qualquer lado...e ela vem aqui!
Entregou-lhe a "Semanário das Bruxas" já aberto no local que pretendia: uma reportagem acerca de Harry Potter, que ganhara o prémio de Seeker Revelação. A acompanhar o texto, encontravam-se fotografias da cerimónia, onde estavam presentes o premiado e os seus melhores amigos, Ron Weasley e Hermione Granger.
- « Ron Weasley, o filho mais novo de Arthur Weasley, e Hermione Granger, filha de Muggles, acompanharam o amigo neste momento de glória, bla,bla,bla...» –disse Leigh, ao mesmo tempo que o primo lia a fase citada –Escusas de me tentar enganar! Ela é uma Sangue de Lama e era ela quem beijavas a noite passada!
- E se for?? –gritou ele, irritado, atirando com a revista ao chão –E se ela for mesmo Sangue de Lama? E se eu a tiver mesmo beijado ontem à noite? Que é que tens tu a ver com isso, Leigh? Não é da tua conta!! E se te disser que estou apaixonado por ela? Que farias?
- E se, e se? Mas tu andaste a beber, foi? Apaixonado por uma Sangue de Lama, francamente...
- O problema é meu, entendes? Se me apetece andar metido com a Hermione, o problema é meu e tu não tens nada a ver com isso!
- Ah, e o teu pai ia ficar encantado se soubesse dessa tua decisão, na certa!
Um sorriso irónico sorriu na face dela e Draco alarmou-se. Era aquilo que ele mais temia. Lucius não...!
- Tu não vais abrir a boca!
- "Desculpe, tio Lucius, mas acabei de descobrir que o seu filho se apaixonou por uma Sangue de Lama nojenta que é também muito amiga do Potter querido! Mas fique descansado, tio, porque uma vez que eles até já meteram a língua na boca um do outro, está tudo muito bem para todos..." –fingiu Leigh, fazendo uma vozinha e uma expressão de menina angelical e bem- comportada –Ele ia adorar saber da tua nova paixão!
- Tu não serias capaz de fazer isso! Eu sei disso, Leigh!
Mas era mentira! Draco não conseguia acreditar nas suas próprias palavras, porque sabia que a prima era perfeitamente capaz de fazer uma coisa dessas. Leigh Maloney já fora capaz de o denunciar a Lucius por deslizes menores que aquele que ela agora tomara conhecimento, sem qualquer piedade pelo primo que sofria a sério nas mãos do pai. Não havia lugar para isso quando se tratava de fazer queixas e ser apaparicada por tais atitudes.
- Tu não podes fazer uma coisa dessas!
- Draco, amorzinho, eu apenas quero o teu bem, não entendes? E ver-te com essa galdéria não é aquilo que mais desejamos...
- Não sejas assim! Tu estás é furiosa porque acabaste de perceber que, se eu gosto assim tanto dela, é porque não há mais chances de um dia acabarmos juntos, como tu tanto sonhas!
Aquela doeu-lhe! Leigh encarou-o com uma expressão que o rapaz nunca lhe vira antes (dor?!) e bufou furiosamente. Agora não havia piedade que lhe valesse!
- Vamos fazer um acordo, Malfoy: –disse ela, com os olhos azuis presos na mesma expressão de há pouco –eu não vou contar nada ao tio acerca do encontro que tu tiveste ontem com essa miúda, e de tudo o que lá se passou...se tu me prometeres que vais esquecer que ela algum dia existiu.
O quarto escuro mergulhou num silêncio de morte. Draco continuava furioso por não ter tido cuidado na noite anterior e agora estar a sofrer por esse descuido. Já Leigh calou-se, ainda com a última frase do primo a ecoar na sua mente. Aquele momento sem dúvida que não era dos melhores.
- Afinal, eu tinha razão! –quebrou a rapariga, torcendo as mãos de fúria –Quando por cá apareceu aquela tua amiga Pansy, disse que te tinhas atirado a uma Granger. Eu perguntei-te se era dela que gostavas e tu respondeste-me que não...mas eu referia-me à Sangue de Lama e não à tua amiga. Eu devia ter adivinhado...
Virou costas e meteu a chave na fechadura da porta, pronta para sair e abandonar o primo atrás de si. Mas não o fez antes de um último aviso:
- Agora apenas tens dois caminhos a seguir: a família ou essa rapariga. Escolhe...mas certifica-te que escolhes o melhor para todos nós!
***
Um belo fogo ardia na lareira de pedra do salão dos Malfoys. Via-se a neve cair lá fora, através das grandes janelas presentes na divisão. Josey e Niko tinham saído para um jantar de Natal e ainda não haviam regressado; Leigh trancara-se no quarto após sair da mesa e ainda não tinha saído de lá desde essa altura; Lucius andava irritado e até mesmo um pouco esquisito, daí que se tivesse fechado no escritório e não tivesse saído de lá o dia inteiro. Apenas Draco e Narcisa estavam presentes na divisão naquele exacto momento.
Sentada num sofá, a senhora lia uma edição de já algumas semanas do Semanário das Bruxas que a sobrinha deixara abandonada na mesinha do café. Draco encontrava-se bem na frente da mãe, com ar de quem não estava ali. Só conseguia pensar na chantagem que a prima lhe fizera e culpava-se de tudo o que lhe tinha acontecido. Mas porque é que não havia tomado mais cuidado se sabia que se alguém descobrisse tal encontro poderia estragar tudo? Agora, ou se esquecia de Hermione ou o pai ia descobrir a razão de o filho andar tão esquisito nos últimos tempos; mas ambas as ideias eram tão desagradáveis! Pura e simplesmente, não queria esquecer aquela rapariga de caracóis que lhe virara o mundo do avesso –nem sequer sabia como é que haveria de fazer tal coisa! Talvez conseguisse convencer Leigh que a esquecera de vez, mas sabia que o seu coração nunca estaria de acordo com aquilo que lhe saía da boca para fora. Ah, porquê? Além disso, tinha a impressão que, mais cedo ou mais tarde, a verdade viria ao de cima e então aí nem queria ver o que iria acontecer...
- Draco, passa-se alguma coisa contigo? –perguntou Narcisa, ao reparar na cara ansiosa do filho.
- Não, não se passa nada!
Mrs. Malfoy dobrou uma página da revista, começando a ler a reportagem sobre o prémio que Harry recebera. E Draco viu-a de novo: ali, mesmo à sua frente, estava Hermione, abraçada aos amigos de sempre, sorrindo de felicidade. Os seus olhos azuis encheram-se de tristeza por pensar que precisava de a abandonar para preservar a sua própria vida. Ao mesmo tempo, começou a pensar no que seria se ele tivesse nascido um outro rapaz: poderia olhar para Hermione sempre que lhe apetecesse, sem receio que alguém o descobrisse e castigasse; poderia amá-la sem recear os pensamentos dos outros que os rodeavam, aquilo que lhe fariam se descobrissem.
A sua face alterou-se. Estava magoado; magoado com a vida que lhe fora induzida a viver. E Narcisa, como mãe atenta que era, reparou na infelicidade do filho.
- Oh, querido, tu tens andado tão esquisito ultimamente! Mas o que é que se passa contigo?
Assim não podia ser! Aquilo não podia continuar por muito mais tempo, pois ele não ia aguentar! Precisava de tirar aquele peso da alma, precisava de desabafar todos os seus pensamentos com alguém antes que rebentasse por algum lado –e sabia bem que a mãe era de confiança. Olhou-a nos olhos.
- Posso contar-lhe? A mãe promete-me que não se vai irritar comigo e, acima de tudo, promete que não conta nada ao pai?
- Draco, estás a assustar-me! –murmurou a mulher, sentando-se ao lado dele e atirando a revista aberta para cima da mesa –Que é que aconteceu?
- É uma rapariga, mãe! –gemeu o rapaz, temendo a reacção de Narcisa quando descobrisse –Mãe, acho que me apaixonei por quem não devia!
*Continua...
N/A: tenho levado um tempo enorme a actualizar esta fic e peço desculpas por isso, mas eu juro-vos que ela não vai ficar a meio! Não se preocupem com isso. XD Nesta altura, os capítulos andam um pouco pequenos, mas acho que em breve vão ser maiores. E como sempre, obrigada a todos os que lêem esta história, principalmente JanePotter (obrigada, miga!! Continua a aparecer, p.f.!!), BabyAngel (obrigada e espero que continues a ler), Slayer Malfoy (D/Hr 4ever and ever =D!! Obrigada pela review e espero que continues sempre a ler) e Maira (obrigada também e espero que apareças sempre por cá).
Desculpem ser rápido mas não tenho muito tempo! Beijinhos a todos e obrigada mais uma vez!
* A música presente pertence aos Evanescence e trata-se de "Going Under" *
Próximo capítulo: se Draco fizer a sua confissão, qual a reacção de Narcisa? Será que ela pode compreender o que se passa?
...
As cortinas estavam fechadas, a cama feita, a secretária desarrumada. O relógio da mesa de cabeceira marcava três horas da tarde, mas Draco apenas abandonara o seu "refúgio" à hora do almoço. Estava sentado na cadeira, debruçado na secretária, com uma pena nas mãos, o tinteiro aberto à sua frente e uma folha de pergaminho mesmo em baixo do seu nariz. A varinha repousava a seu lado e o quarto encontrava-se mergulhado na escuridão.
O rádio não emitia qualquer som, mas estivera ligado até há pouco tempo. E Draco tinha ainda bem presente na sua mente alguns versos da canção que ouvira mesmo antes de desligar:
« Blurring and sturring the truths and the lies
So I don't know what's real and what's not
Always confusing the thoughts in my head
So I can't trust myself anymore»
Os acontecimentos do dia anterior estavam a tirá-lo do sério! O encontro, o beijo... Tudo se misturava na sua mente, deixando-o nervoso e receoso. E se ele estivesse louco? E se o pai descobrisse? E se Hermione contasse o que acontecera a alguém? E se...e se...?
Draco passou as mãos pelo cabelo e, furiosamente, escreveu aqueles versos na folha à sua frente. Queria saber o que é que se passava consigo! Se realmente estava apaixonado por Hermione, como é que tal acontecera?
- Boas! –disse uma voz maldisposta atrás de si.
- Os teus pais nunca te ensinaram que é má-criação não bater à porta antes de entrar?
Mas ao contrário do que esperava, Leigh não lhe respondeu. Cruzou os braços e assumiu aquela expressão amuada que Draco tão bem conhecia. Ele guardou o pergaminho e fechou o tinteiro, encarando a prima nos olhos logo de seguida.
- Que se passa contigo, mulher? Comeram-te a língua?
- Venho-te perguntar se queres ir embrulhar presentes de Natal comigo!
Draco franziu as sobrancelhas. Aquilo não lhe cheirava nada bem!
- Para que é que precisas da minha ajuda? Basta um gesto de varinha e tens tudo pronto! –comentou ele, levantando-se da cadeira –Prima, eu sei que a gente não se vê há já muito tempo, mas eu bem conheço os meus familiares para...
- É só que eu ainda tenho de mandar presentes a muita gente e há tanto a fazer...gostaria de ter a tua companhia para fazê-lo!
Uma madeixa de cabelo negro caiu-lhe para a face, tapando um dos seus olhos azuis. Apesar de saber que ela trazia algo na manga para aquele pedido, Draco cedeu e abandonou o quarto na companhia de Leigh.
- Onde vamos nós? –perguntou ele, assim que percebeu que estava a ser conduzido pela rapariga.
- Para o quarto escuro! –Leigh referia-se ao quarto onde o primo tantas vezes fora trancado em criança, de castigo.
- Eh, como é que conheces a existência desse quarto?
Não obteve qualquer resposta. Ela movia-se graciosamente cerca de seis passos à sua frente e não abriu mais a boca. Draco estranhou tudo aquilo que estava a acontecer –desde quando é que Leigh deixava escapar uma resposta mordaz?
Após terem andado um bom bocado, passando por escuros corredores e polidas escadarias, chegaram ao tal quarto escuro; o "quarto do terror" se perguntassem a Draco, o "quarto fantástico" se perguntassem a Leigh. No entanto, parecia que esta não estava com disposição para gozar com ele naquele momento: entrou e esperou que o primo fizesse o mesmo para fechar a porta à chave.
- Não estarás enganada? –questionou o rapaz, olhando em redor e reparando que o local estava totalmente vazio, tal como ele o conhecia –Onde estão os presentes? Julgava que vinha aqui embrulhá-los!
- Menti! Não dizem que é uma característica dos nossos?
Draco não gostou do tom de voz dela. Agora pensava era como é que pudera ser tão estúpido a ponto de seguir a prima. Afinal, não estava enganado: ela mentira-lhe! Estava mesmo a ver o que se passara: Lucius fartara-se do jogo do "toca-e-foge" entre Draco e Leigh e lá a conseguira convencer a seduzi-lo de uma vez por todas (não que isso tivesse sido muito difícil)! Provavelmente, fora ele quem lhe falara do quarto e lhe entregara a chave. Mas que mal tinha ele feito para nascer com um pai daqueles?
Estava já pronto para atirar bocas quando a prima se adiantou:
- Sabes, primo querido, ontem não gostei nada daquilo que me fizeste! Foste um estúpido e um insensível! Um puro idiota!
- Não dizem que é uma característica dos nossos? –cortou Draco sarcasticamente.
- Acredito que neste momento mais vale se fechares a boca e ficares calado, Draco! Não queiras estragar ainda mais as coisas para o teu lado!
Era extremamente visível a raiva no seu olhar. Ele reparou nela, mas continuou a pensar que aquela situação se devia ao patriarca Malfoy...até que Leigh começou a falar de novo:
- Acontece que ontem, apesar de me teres tratado como me trataste, continuei preocupada contigo e com tudo aquilo que se passava no teu mundo. Fiquei à coca, perto do teu quarto, para ver se não te acontecia nada...e qual não é o meu espanto quando tu me sais de lá à noite! Bom, achei que não devias estar tão mal assim, e daí decidi seguir-te para ver se descobria o que andavas tu a fazer!
Draco mal conseguia ouvir a sua própria respiração! Não se admiraria se estivesse morto! Leigh dizia que o seguira na noite anterior...e se ela tivesse visto tudo aquilo que aconteceu? Não, aquilo não era possível...só esperava que ela não tivesse reconhecido Hermione.
- Não sabes que isso é uma coisa muito feia de se fazer? –perguntou ele, esperando que a bomba rebentasse.
- Eu vi-te, Draco Malfoy!! –gritou ela, como se cuspisse algo desagradável –Eu vi-te a beijar aquela rapariga, no meio da rua...
- Era apenas uma rapariga, Leigh! Será que agora não posso namorar?
- Não podes, se essa rapariga for uma Sangue de Lama!!
Os punhos pálidos da rapariga estavam cerrados, como para evitar um ataque ainda maior que aquele, as bochechas tomaram um tom avermelhado e os seus olhos pintados de preto semicerraram-se também para dar mais ênfase à sua fúria. Draco baixou os olhos ao ouvi-la e vê-la daquela maneira, pensando na pouca sorte que tinha naqueles últimos tempos! Como é que agora Leigh sabia que Hermione não era uma Sangue Puro como eles?
- Sangue de Lama? Que história absurda é essa, rapariga? –mentiu ele, olhando a prima nos olhos –Realmente, tu tens uma imaginação delirante...
- Não te armes em sonso comigo, Draco! –Leigh meteu as mãos dentro do seu manto e retirou do bolso interno uma das suas revistas para feiticeiras –Poderia reconhecê-la em qualquer lado...e ela vem aqui!
Entregou-lhe a "Semanário das Bruxas" já aberto no local que pretendia: uma reportagem acerca de Harry Potter, que ganhara o prémio de Seeker Revelação. A acompanhar o texto, encontravam-se fotografias da cerimónia, onde estavam presentes o premiado e os seus melhores amigos, Ron Weasley e Hermione Granger.
- « Ron Weasley, o filho mais novo de Arthur Weasley, e Hermione Granger, filha de Muggles, acompanharam o amigo neste momento de glória, bla,bla,bla...» –disse Leigh, ao mesmo tempo que o primo lia a fase citada –Escusas de me tentar enganar! Ela é uma Sangue de Lama e era ela quem beijavas a noite passada!
- E se for?? –gritou ele, irritado, atirando com a revista ao chão –E se ela for mesmo Sangue de Lama? E se eu a tiver mesmo beijado ontem à noite? Que é que tens tu a ver com isso, Leigh? Não é da tua conta!! E se te disser que estou apaixonado por ela? Que farias?
- E se, e se? Mas tu andaste a beber, foi? Apaixonado por uma Sangue de Lama, francamente...
- O problema é meu, entendes? Se me apetece andar metido com a Hermione, o problema é meu e tu não tens nada a ver com isso!
- Ah, e o teu pai ia ficar encantado se soubesse dessa tua decisão, na certa!
Um sorriso irónico sorriu na face dela e Draco alarmou-se. Era aquilo que ele mais temia. Lucius não...!
- Tu não vais abrir a boca!
- "Desculpe, tio Lucius, mas acabei de descobrir que o seu filho se apaixonou por uma Sangue de Lama nojenta que é também muito amiga do Potter querido! Mas fique descansado, tio, porque uma vez que eles até já meteram a língua na boca um do outro, está tudo muito bem para todos..." –fingiu Leigh, fazendo uma vozinha e uma expressão de menina angelical e bem- comportada –Ele ia adorar saber da tua nova paixão!
- Tu não serias capaz de fazer isso! Eu sei disso, Leigh!
Mas era mentira! Draco não conseguia acreditar nas suas próprias palavras, porque sabia que a prima era perfeitamente capaz de fazer uma coisa dessas. Leigh Maloney já fora capaz de o denunciar a Lucius por deslizes menores que aquele que ela agora tomara conhecimento, sem qualquer piedade pelo primo que sofria a sério nas mãos do pai. Não havia lugar para isso quando se tratava de fazer queixas e ser apaparicada por tais atitudes.
- Tu não podes fazer uma coisa dessas!
- Draco, amorzinho, eu apenas quero o teu bem, não entendes? E ver-te com essa galdéria não é aquilo que mais desejamos...
- Não sejas assim! Tu estás é furiosa porque acabaste de perceber que, se eu gosto assim tanto dela, é porque não há mais chances de um dia acabarmos juntos, como tu tanto sonhas!
Aquela doeu-lhe! Leigh encarou-o com uma expressão que o rapaz nunca lhe vira antes (dor?!) e bufou furiosamente. Agora não havia piedade que lhe valesse!
- Vamos fazer um acordo, Malfoy: –disse ela, com os olhos azuis presos na mesma expressão de há pouco –eu não vou contar nada ao tio acerca do encontro que tu tiveste ontem com essa miúda, e de tudo o que lá se passou...se tu me prometeres que vais esquecer que ela algum dia existiu.
O quarto escuro mergulhou num silêncio de morte. Draco continuava furioso por não ter tido cuidado na noite anterior e agora estar a sofrer por esse descuido. Já Leigh calou-se, ainda com a última frase do primo a ecoar na sua mente. Aquele momento sem dúvida que não era dos melhores.
- Afinal, eu tinha razão! –quebrou a rapariga, torcendo as mãos de fúria –Quando por cá apareceu aquela tua amiga Pansy, disse que te tinhas atirado a uma Granger. Eu perguntei-te se era dela que gostavas e tu respondeste-me que não...mas eu referia-me à Sangue de Lama e não à tua amiga. Eu devia ter adivinhado...
Virou costas e meteu a chave na fechadura da porta, pronta para sair e abandonar o primo atrás de si. Mas não o fez antes de um último aviso:
- Agora apenas tens dois caminhos a seguir: a família ou essa rapariga. Escolhe...mas certifica-te que escolhes o melhor para todos nós!
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Um belo fogo ardia na lareira de pedra do salão dos Malfoys. Via-se a neve cair lá fora, através das grandes janelas presentes na divisão. Josey e Niko tinham saído para um jantar de Natal e ainda não haviam regressado; Leigh trancara-se no quarto após sair da mesa e ainda não tinha saído de lá desde essa altura; Lucius andava irritado e até mesmo um pouco esquisito, daí que se tivesse fechado no escritório e não tivesse saído de lá o dia inteiro. Apenas Draco e Narcisa estavam presentes na divisão naquele exacto momento.
Sentada num sofá, a senhora lia uma edição de já algumas semanas do Semanário das Bruxas que a sobrinha deixara abandonada na mesinha do café. Draco encontrava-se bem na frente da mãe, com ar de quem não estava ali. Só conseguia pensar na chantagem que a prima lhe fizera e culpava-se de tudo o que lhe tinha acontecido. Mas porque é que não havia tomado mais cuidado se sabia que se alguém descobrisse tal encontro poderia estragar tudo? Agora, ou se esquecia de Hermione ou o pai ia descobrir a razão de o filho andar tão esquisito nos últimos tempos; mas ambas as ideias eram tão desagradáveis! Pura e simplesmente, não queria esquecer aquela rapariga de caracóis que lhe virara o mundo do avesso –nem sequer sabia como é que haveria de fazer tal coisa! Talvez conseguisse convencer Leigh que a esquecera de vez, mas sabia que o seu coração nunca estaria de acordo com aquilo que lhe saía da boca para fora. Ah, porquê? Além disso, tinha a impressão que, mais cedo ou mais tarde, a verdade viria ao de cima e então aí nem queria ver o que iria acontecer...
- Draco, passa-se alguma coisa contigo? –perguntou Narcisa, ao reparar na cara ansiosa do filho.
- Não, não se passa nada!
Mrs. Malfoy dobrou uma página da revista, começando a ler a reportagem sobre o prémio que Harry recebera. E Draco viu-a de novo: ali, mesmo à sua frente, estava Hermione, abraçada aos amigos de sempre, sorrindo de felicidade. Os seus olhos azuis encheram-se de tristeza por pensar que precisava de a abandonar para preservar a sua própria vida. Ao mesmo tempo, começou a pensar no que seria se ele tivesse nascido um outro rapaz: poderia olhar para Hermione sempre que lhe apetecesse, sem receio que alguém o descobrisse e castigasse; poderia amá-la sem recear os pensamentos dos outros que os rodeavam, aquilo que lhe fariam se descobrissem.
A sua face alterou-se. Estava magoado; magoado com a vida que lhe fora induzida a viver. E Narcisa, como mãe atenta que era, reparou na infelicidade do filho.
- Oh, querido, tu tens andado tão esquisito ultimamente! Mas o que é que se passa contigo?
Assim não podia ser! Aquilo não podia continuar por muito mais tempo, pois ele não ia aguentar! Precisava de tirar aquele peso da alma, precisava de desabafar todos os seus pensamentos com alguém antes que rebentasse por algum lado –e sabia bem que a mãe era de confiança. Olhou-a nos olhos.
- Posso contar-lhe? A mãe promete-me que não se vai irritar comigo e, acima de tudo, promete que não conta nada ao pai?
- Draco, estás a assustar-me! –murmurou a mulher, sentando-se ao lado dele e atirando a revista aberta para cima da mesa –Que é que aconteceu?
- É uma rapariga, mãe! –gemeu o rapaz, temendo a reacção de Narcisa quando descobrisse –Mãe, acho que me apaixonei por quem não devia!
*Continua...
N/A: tenho levado um tempo enorme a actualizar esta fic e peço desculpas por isso, mas eu juro-vos que ela não vai ficar a meio! Não se preocupem com isso. XD Nesta altura, os capítulos andam um pouco pequenos, mas acho que em breve vão ser maiores. E como sempre, obrigada a todos os que lêem esta história, principalmente JanePotter (obrigada, miga!! Continua a aparecer, p.f.!!), BabyAngel (obrigada e espero que continues a ler), Slayer Malfoy (D/Hr 4ever and ever =D!! Obrigada pela review e espero que continues sempre a ler) e Maira (obrigada também e espero que apareças sempre por cá).
Desculpem ser rápido mas não tenho muito tempo! Beijinhos a todos e obrigada mais uma vez!
* A música presente pertence aos Evanescence e trata-se de "Going Under" *
Próximo capítulo: se Draco fizer a sua confissão, qual a reacção de Narcisa? Será que ela pode compreender o que se passa?
