Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling e à Warner
Brothers, bla,bla,bla...
...
O Natal estava estragado! Os Maloney acharam melhor deixar Lucius em paz e saíram para arejar as ideias. Narcisa levara o filho para o salão e reparou que o nariz estava já um pouco melhor. Markus e o filho permaneciam na sala de jantar.
- Bom, parece que já estás melhor! –disse a mulher, sorrindo –Espero que...
- Não, mãe –cortou o rapaz, ainda furioso –eu não vou perdoar o pai por aquilo que ele me fez!
- Eu não te queria pedir isso, filho! –Narcisa olhou o filho tristemente –Apenas não queria que pensasses que fui eu quem contou a verdade ao teu pai.
- Não se preocupe, eu sei bem quem foi.
Draco reparou no olhar curioso da mãe e explicou-lhe a chantagem que Leigh fizera. Narcisa suspirou.
- Ai essa rapariga... Mas fico muito contente que não tivesses apenas pensado naquilo que é superficial e tivesses seguido esse caminho. Acho que estás a crescer!
Mas o rapaz loiro não riu na companhia da mãe. Havia algo que ele não percebia, algo que ouvira na sala de jantar e não fazia qualquer sentido: profecia? Que história era aquela?
- Mãe, que profecia era aquela que o avô falou há pouco?
Ela deixou de se rir, ficando séria de repente. Baixou os seus olhos azuis e cruzou as mãos no colo, sem reparar na mancha de sangue que ainda permanecia no seu manto.
- Filho, eu não sei se sou a pessoa indicada para te falar no assunto. Talvez fosse melhor ires falar com o avô...
- Eu não quero sabê-la por uma pessoa que mal conheço, mãe, quero sabê-la por si!
Um sorriso de agradecimento foi a única resposta que obteve naquele momento. Parecia que Narcisa não queria contar aquilo que sabia. Mas o olhar frio e determinado que o filho lhe deitava foram o suficiente para ela falar.
- Bem, tudo começou no dia em que nasceste. Foi durante a madrugada, como já te contei ; uma noite de loucos cá em casa! Lembro-me de tudo como se fosse hoje: eu deitada na minha cama enquanto te trazia ao mundo, o teu pai, fora do quarto a fazer perguntas a toda a gente que encontrava pela frente e o teu avô, que se mantinha quieto junto a ele. Lembro-me de tudo!
« Por fim, nasceste, e quando te vi embrulhado nos cobertores nos braços da parteira que Lucius chamara á última hora, desatei a chorar. Sabes, Draco, o meu maior sonho sempre fora ser mãe e, após tantas horas de sofrimento, tinha-te por fim ali comigo. E no exacto momento que te tive nos braços, o teu pai e Markus entraram no quarto. Lucius debruçou-se sobre nós e anunciou o teu nome, com o maior orgulho. Já o teu avô, sempre com ar muito sério, dirigiu-se para a janela e observou a rua exterior. Ele parecia hipnotizado com algo e tanto eu como Lucius olhámo-lo, confesso, um pouco receosos. O teu pai perguntou-lhe o que é que se passava...e Markus disse algo que me tem acompanhado durante 20 anos, tendo-se tornado cada vez mais forte desde o dia em que partiste para Hogwarts: "Brilliatus".»
- E o que é que isso tem a ver com o caso? –perguntou Draco, interrompendo as memórias da mãe.
- Acalma-te, filho, estou quase lá!
« Eu vi bem o olhar que Lucius deitou ao seu pai: como se ele fosse um louco que necessitava de ajuda urgente! Eu olhei para ti e tu estavas de olhos bem abertos, a observar-me também, e tive a estranha sensação que aquilo tinha algo a ver contigo. Mas como sei que sou muito pessimista, nem liguei. Preferia estar enganada, claro!
Numa voz pausada, Markus explicou-nos que Brilliatus era o nome de uma estrela, a mais brilhante de todas. Para além disso, é uma que não aparece todas as noites: apenas em períodos indistintos a podemos ver, tanto que pode demorar uma semana como um século para a vermos de novo. Ele não sabia o porquê; contou-nos que é um dos muitos mistérios do Universo. Mas para bruxos, ela simboliza a traição ou quebra de tradições.
Markus calou-se naquele momento e Lucius perguntou-lhe o que é que a Brilliatus tinha a ver com aquela noite. Acho que, sendo filho dele, o teu pai já deveria saber que ele aproveita tudo para fazer previsões do futuro.»
- O avô prevê o futuro?! –questionou Draco, incrédulo. A única coisa parecida que conhecera fora a Professora Trelawney, mas como não era de fiar, sempre acreditou que a previsão do futuro não passava de uma treta.
- Agora não, mas já exerceu esse ofício e posso-te dizer que ele era muito bom nisso! Por isso é que foi tão chocante para nós...
« Markus avançou até ti e pude ver os seus olhos: estavam parados, como se estivesse hipnotizado! Senti a minha respiração acelerar e o meu coração bater mais forte assim que ele colocou a grande e enrugada mão em cima da tua pequenina cabeça . É uma estranha imagem, Draco, acredita em mim! Lucius olhou o pai, espantado mas receoso com aquilo que se iria seguir, quando, de repente, Markus falou:
- Vejo traição na sua vida! Esta criança irá seguir o seu coração...e apunhalar a família pelas costas. Tudo aquilo que se esperar dele irá cair por terra a partir do momento em que a Brilliatus regressar! »
Narcisa suspirou de novo e baixou os olhos, como se aquela história lhe carregasse na alma durante 20 anos e fosse um alívio, por fim, extraí-la de si.
- O teu pai nunca quis aceitar aquilo que Markus lhe dissera! –continuou a mulher, agarrando a mão do filho –Chamou-o mentiroso e, como ele insistia, trancou-o num lar de idosos, para não ter de ouvir as terríveis previsões. Mas eu bem via o receio que sempre acompanhou Lucius ao longo de todos estes anos! Tentou ensinar-te os seus princípios à força, para nunca te esqueceres daquilo que, para ele, era o correcto e proibiu-me de tocar no assunto, fosse com quem fosse...principalmente contigo.
« Entretanto, cresceste e entraste em Hogwarts. Todas as noites, antes de se deitar, Lucius espreitava o céu nocturno à procura de um ponto extremamente brilhante. Assim que eu ouvia um suspiro, sabia que não havia sinal da Brilliatus. E que, por muito que negasse, Lucius tinha receio que a profecia fosse verdadeira.
Até que, há uma semana atrás, eu vi aquela estrela no céu. O teu pai desistira de a procurar e só reparou nela umas noites depois, por obra do acaso. Ele não queria acreditar, mas Markus havia já feito inúmeras previsões correctas. Chegou mesmo a visitá-lo no lar para falarem os dois...mas terminaram a discutir, como vem sendo hábito desde o dia em que vieste ao mundo.»
Draco sentia o coração bater mais forte agora que a mãe lhe revelara toda a história. Olhou-a nos olhos.
- Então isso significa... –começou o rapaz.
- Significa –Narcisa não deixou o filho terminar –que tanto eu como o teu pai esperávamos já algo do género de ti. Mas Lucius nunca o quis aceitar e reagiu da forma lamentável que conhecemos...
""
- Eu já te avisei, Lucius –a voz rouca e pausada de Markus fez-se ouvir na enorme sala de jantar dos Malfoys, a qual não havia ainda sido abandonada por pai e filho –escusas de te esforçar muito para que o teu filho deixe de andar com essa rapariga e não te atraiçoe um dia!
- Aquele patife já me atraiçoou agora mesmo! E, claro, o pai nunca se engana a prever o futuro, não é? É sempre perfeito em todos os sentidos!
Lucius olhava, com um sorriso irónico no rosto, para um pedaço de papel que tinha nas mãos. O velho conhecia bem aquela expressão malvada e não gostou dela. Sabia bem que aquilo que estava escrito nas estrelas não poderia ser alterado; fosse o que fosse que o filho andava a tramar, iria sair vencido.
Aclarou a voz, pronto para o fazer mudar de ideias, mas o patriarca Malfoy não o deixou sequer soltar um som.
- Draco é um Malfoy, sangue puro, herdeiro de uma das famílias de feiticeiros mais antigas do Reino Unido. Acha que eu iria deixá-lo vir um dia a casar com uma rapariga como aquela Granger? Acha que eu o ia deixar estragar uma tradição que dura há já séculos? Não...
- Tu não entendes, parvalhão?? Não é apenas a tradição que está em jogo, é algo mais perigoso para ti que isso... esta paixão é apenas o começo de tudo!
Mas Lucius não o ouviu. Fechou o punho direito, sentido o papel amarrotar- se na sua mão. Tinha planos formados na sua vil mente e não estava disposto a deixar a profecia cumprir-se.
- Ele vai arrepender-se! É apenas uma questão de tempo!
""
Apesar de o Natal nunca ter sido uma época muito importante para Draco, aquele fora, sem dúvida alguma, o pior de todos. A discussão e o murro que recebera do pai estavam ainda demasiado perto para serem esquecidos. E a raiva pela prima também...
Recolhera-se no quarto após conversar com a mãe e não saíra de lá o resto do dia que já passara. A fome não superava a humilhação, a raiva, o ódio, o desespero...o amor. A princípio, Draco quisera culpar Hermione de tudo aquilo que ocorrera naquele dia, mas em breve desistiu da ideia. Se havia um culpado naquela história, era ele: fora ele quem se apaixonara por quem não devia, quem não tivera cuidado com o que fazia e quem havia escolhido aquele caminho. Apenas Draco poderia ser o culpado da sua própria desgraça.
Mas para além de sentir raiva de si próprio, estava também furioso com Leigh. Porque é que tivera de contar tudo a Lucius? Durante a conversa que tiveram ao longo da distribuição de presentes, tivera esperança que ela não queria revelar a verdade ao tio...
- Draco, estás aí?
- Não, morri! –gritou ele, deixando toda a fúria que sentia pela prima sair de dentro de si. Como é que Leigh se atrevia a ainda lhe dirigir a palavra?
A porta abriu-se e a cara coberta pelas madeixas negras do cabelo da prima surgiu por detrás dela.
- Tenho de me lembrar de colocar um feitiço na porta... –resmungou ele, entredentes.
- Temos de conversar.
Draco encarou-a, furiosamente, assim que ela entrou no quarto. Para piorar a situação, via bem a expressão nervosa que Leigh ostentava na sua bela face. Não se admiraria se saísse fumo das suas orelhas –estava fulo!
- Primo, deixa-me falar contigo!
- Falar comigo? –gritou o rapaz, sem se mexer do mesmo sítio –Como é que tiveste a coragem de ir contar ao meu pai coisas sobre a minha vida pessoal? Se eu gosto ou não da Hermione é um problema meu, entendes?
- Mas Draco...
- Queres saber uma coisa, Leigh? Por vezes, enquanto estava contigo, convencia-me que eras um pouco diferente da maioria das pessoas que constituem a nossa família: achava que eras sensível a assuntos como o amor! Afinal enganei-me, não passas de uma cobra sempre desejosa de espalhar o teu veneno!
- Mas porque é que me dizes isso, Draco? –a rapariga parecia começar a ficar bastante assustada –Eu não sou nenhuma cobra, eu sou sensível, sim! Aliás, tu nem imaginas...
- Se tu tivesses coração, tinhas-me entendido e tinhas deixado o meu pai fora deste assunto!
- Mas eu tenho coração!!
Draco não queria ouvir mais. O ódio tomava conta dele a pouco e pouco, da maneira mais perigosa possível. Ele sabia que se Leigh não abandonasse aquele quarto se arriscava a levar um valente estalo na cara. Por isso, agarrou-a por um braço e colocou-a fora da divisão com brutidão, sem sequer resistir a ser cruel:
- Antes, eu achava que este seria o Natal mais maravilhoso que eu alguma vez vivera; agora, graças a ti, sei que foi o pior de todos. Eu estava errado, Leigh! Esta situação tem um culpado, mas não sou eu –apenas podes ser tu!
""
A neve deixara de cair e o sol espreitava por entre as nuvens. As ruas estavam desertas. E apenas um jovem coberto por um manto negro se movimentava naquele bairro. Draco Malfoy!
Os pensamentos do dia anterior permaneciam na sua mente, a raiva, o ódio, não se dissolviam. E ele estava ali, à porta da casa de Hermione, por causa disso: sabia que o pai faria tudo para acabar com aquela história e receava que acontecesse algo de mau à rapariga. Tinha de a avisar!
Avançou para a porta do prédio e tocou à campainha, mas o silêncio foi o único que lhe respondeu. Mas sabia que era ali! Conseguira roubar o mapa de Leigh, aquele que os Maloneys tanto gabavam, e fora fácil descobrir a morada dela. Será que não estava em casa?
Experimentou um feitiço, mas a porta não se moveu um milímetro. Claro, aquelas portas haviam sido enfeitiçadas para nenhum "Alohomora" as poder abrir e alguém mal-intencionado invadir a propriedade alheia. E agora, que iria fazer?
- Quer entrar?
Draco mirou a mulher que lhe falara. Pelo aspecto, sem o comum manto até aos pés, parecia ser Muggle. Mas o mais estranho de tudo era a sua semelhança com Hermione: os mesmos cabelos encaracolados, os mesmos olhos afectuosos, o mesmo sorriso nervoso. Seria da família Granger?
- Obrigada! –disse ele por fim, achando que era melhor aproveitar a oportunidade. E entrou no edifício, segurando a porta que a mulher lhe deixara aberta.
O átrio era enorme e decorado com inúmeras plantas. Draco virou-se em direcção à porta esquerda, mas a mulher chegara primeiro... e parou mesmo antes de introduzir a chave nela.
- Mas...que é isto?
Ele aproximou-se melhor e viu aquilo que a intrigava. Claramente se percebia que a porta do apartamento estava apenas encostada. Mas o pior cenário surgiu assim que ambos abriram a porta: a sala, a primeira divisão da casa, encontrava-se totalmente desarrumada, com cadeiras no chão, sofás fora do lugar e uma jarra partida no chão. De Hermione, não havia sinais.
- Oh, meu Deus! –gemeu a mulher, olhando impotente para tudo –A minha filha!!
- Não poderá ter saído? –questionou Draco, querendo afastar maus pensamentos.
- Eu combinei com a Hermione que viria agora, logo de manhã, para a ajudar e ela disse-me que não ia sair...ia ficar à minha espera! Oh, meu Deus, meu Deus...
A mãe de Hermione correu pela casa, provavelmente na esperança de que a filha ainda lá se encontrasse, mas o rapaz loiro duvidava de tal coisa. E se já estava receoso de tal, mais convencido ficou quando deu uns passos pela sala e pisou algo. Era um pequeno botão negro, com a letra "M" gravada.
- Que é isto? –murmurou ele, apontando-o na direcção da janela. Um raio luminoso fê-lo brilhar.
E então ele lembrou-se. Sim, ele conhecia aqueles botões...e relembrava-se onde os vira. Surpreso com a descoberta, guardou o pequeno objecto no bolso do manto e desapareceu, sem qualquer aviso à mãe de Hermione. Havia algo que lhe acabava de surgir... mas isso deixara-o ainda mais preocupado com a situação.
Continua...
N/A: bem, peço imensas desculpas pelo tempo que levou a actualizar, mas OK... espero que não esteja por aí ninguém com um pau para me bater! O que eu tenho mesmo de dizer é que há muita coisa que vai correr... sei que podem pensar que a profecia não tem muito a ver com a situação actual, mas vai ter influências próximas... Como sempre, obrigada a toda a gente que lê a fic e faz valer o trabalho enorme que isto dá; principais agradecimentos para BabyAngel (ainda bem que a tua net já voltou! XD), Taty M. Potter (desculpa chora , mas é que eu tenho de dar algum suspense à trama, não é? Oh, espero que não te desiludas assim... eu sei que levo bastante tempo, mas que ela tem fim, tem), JanePotter (é, acho bem que não digas! Uahahaha... ), Nostalgi Camp (espero que ainda vivas por agora =D), Rita- Granger (pobre Leigh, cria tantas inimizades! O novo capítulo está aqui, espero que gostes) e Pandora (o bloqueio já passou agora?? Ai que eu choro outra vez!! Ah, eu também gosto do velho... meti-o cá para o Lucius levar nas orelhas, basicamente. XD).
Beijos a todos que por aqui passam, espero que tenham gostado e que regressem quando surgir a próxima actualização!
Próximo capítulo: quem levou Hermione? Onde está ela? Será que Draco vai enfrentar tudo para a salvar? Será que não pode contar com ninguém entre toda aquela gente?
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O Natal estava estragado! Os Maloney acharam melhor deixar Lucius em paz e saíram para arejar as ideias. Narcisa levara o filho para o salão e reparou que o nariz estava já um pouco melhor. Markus e o filho permaneciam na sala de jantar.
- Bom, parece que já estás melhor! –disse a mulher, sorrindo –Espero que...
- Não, mãe –cortou o rapaz, ainda furioso –eu não vou perdoar o pai por aquilo que ele me fez!
- Eu não te queria pedir isso, filho! –Narcisa olhou o filho tristemente –Apenas não queria que pensasses que fui eu quem contou a verdade ao teu pai.
- Não se preocupe, eu sei bem quem foi.
Draco reparou no olhar curioso da mãe e explicou-lhe a chantagem que Leigh fizera. Narcisa suspirou.
- Ai essa rapariga... Mas fico muito contente que não tivesses apenas pensado naquilo que é superficial e tivesses seguido esse caminho. Acho que estás a crescer!
Mas o rapaz loiro não riu na companhia da mãe. Havia algo que ele não percebia, algo que ouvira na sala de jantar e não fazia qualquer sentido: profecia? Que história era aquela?
- Mãe, que profecia era aquela que o avô falou há pouco?
Ela deixou de se rir, ficando séria de repente. Baixou os seus olhos azuis e cruzou as mãos no colo, sem reparar na mancha de sangue que ainda permanecia no seu manto.
- Filho, eu não sei se sou a pessoa indicada para te falar no assunto. Talvez fosse melhor ires falar com o avô...
- Eu não quero sabê-la por uma pessoa que mal conheço, mãe, quero sabê-la por si!
Um sorriso de agradecimento foi a única resposta que obteve naquele momento. Parecia que Narcisa não queria contar aquilo que sabia. Mas o olhar frio e determinado que o filho lhe deitava foram o suficiente para ela falar.
- Bem, tudo começou no dia em que nasceste. Foi durante a madrugada, como já te contei ; uma noite de loucos cá em casa! Lembro-me de tudo como se fosse hoje: eu deitada na minha cama enquanto te trazia ao mundo, o teu pai, fora do quarto a fazer perguntas a toda a gente que encontrava pela frente e o teu avô, que se mantinha quieto junto a ele. Lembro-me de tudo!
« Por fim, nasceste, e quando te vi embrulhado nos cobertores nos braços da parteira que Lucius chamara á última hora, desatei a chorar. Sabes, Draco, o meu maior sonho sempre fora ser mãe e, após tantas horas de sofrimento, tinha-te por fim ali comigo. E no exacto momento que te tive nos braços, o teu pai e Markus entraram no quarto. Lucius debruçou-se sobre nós e anunciou o teu nome, com o maior orgulho. Já o teu avô, sempre com ar muito sério, dirigiu-se para a janela e observou a rua exterior. Ele parecia hipnotizado com algo e tanto eu como Lucius olhámo-lo, confesso, um pouco receosos. O teu pai perguntou-lhe o que é que se passava...e Markus disse algo que me tem acompanhado durante 20 anos, tendo-se tornado cada vez mais forte desde o dia em que partiste para Hogwarts: "Brilliatus".»
- E o que é que isso tem a ver com o caso? –perguntou Draco, interrompendo as memórias da mãe.
- Acalma-te, filho, estou quase lá!
« Eu vi bem o olhar que Lucius deitou ao seu pai: como se ele fosse um louco que necessitava de ajuda urgente! Eu olhei para ti e tu estavas de olhos bem abertos, a observar-me também, e tive a estranha sensação que aquilo tinha algo a ver contigo. Mas como sei que sou muito pessimista, nem liguei. Preferia estar enganada, claro!
Numa voz pausada, Markus explicou-nos que Brilliatus era o nome de uma estrela, a mais brilhante de todas. Para além disso, é uma que não aparece todas as noites: apenas em períodos indistintos a podemos ver, tanto que pode demorar uma semana como um século para a vermos de novo. Ele não sabia o porquê; contou-nos que é um dos muitos mistérios do Universo. Mas para bruxos, ela simboliza a traição ou quebra de tradições.
Markus calou-se naquele momento e Lucius perguntou-lhe o que é que a Brilliatus tinha a ver com aquela noite. Acho que, sendo filho dele, o teu pai já deveria saber que ele aproveita tudo para fazer previsões do futuro.»
- O avô prevê o futuro?! –questionou Draco, incrédulo. A única coisa parecida que conhecera fora a Professora Trelawney, mas como não era de fiar, sempre acreditou que a previsão do futuro não passava de uma treta.
- Agora não, mas já exerceu esse ofício e posso-te dizer que ele era muito bom nisso! Por isso é que foi tão chocante para nós...
« Markus avançou até ti e pude ver os seus olhos: estavam parados, como se estivesse hipnotizado! Senti a minha respiração acelerar e o meu coração bater mais forte assim que ele colocou a grande e enrugada mão em cima da tua pequenina cabeça . É uma estranha imagem, Draco, acredita em mim! Lucius olhou o pai, espantado mas receoso com aquilo que se iria seguir, quando, de repente, Markus falou:
- Vejo traição na sua vida! Esta criança irá seguir o seu coração...e apunhalar a família pelas costas. Tudo aquilo que se esperar dele irá cair por terra a partir do momento em que a Brilliatus regressar! »
Narcisa suspirou de novo e baixou os olhos, como se aquela história lhe carregasse na alma durante 20 anos e fosse um alívio, por fim, extraí-la de si.
- O teu pai nunca quis aceitar aquilo que Markus lhe dissera! –continuou a mulher, agarrando a mão do filho –Chamou-o mentiroso e, como ele insistia, trancou-o num lar de idosos, para não ter de ouvir as terríveis previsões. Mas eu bem via o receio que sempre acompanhou Lucius ao longo de todos estes anos! Tentou ensinar-te os seus princípios à força, para nunca te esqueceres daquilo que, para ele, era o correcto e proibiu-me de tocar no assunto, fosse com quem fosse...principalmente contigo.
« Entretanto, cresceste e entraste em Hogwarts. Todas as noites, antes de se deitar, Lucius espreitava o céu nocturno à procura de um ponto extremamente brilhante. Assim que eu ouvia um suspiro, sabia que não havia sinal da Brilliatus. E que, por muito que negasse, Lucius tinha receio que a profecia fosse verdadeira.
Até que, há uma semana atrás, eu vi aquela estrela no céu. O teu pai desistira de a procurar e só reparou nela umas noites depois, por obra do acaso. Ele não queria acreditar, mas Markus havia já feito inúmeras previsões correctas. Chegou mesmo a visitá-lo no lar para falarem os dois...mas terminaram a discutir, como vem sendo hábito desde o dia em que vieste ao mundo.»
Draco sentia o coração bater mais forte agora que a mãe lhe revelara toda a história. Olhou-a nos olhos.
- Então isso significa... –começou o rapaz.
- Significa –Narcisa não deixou o filho terminar –que tanto eu como o teu pai esperávamos já algo do género de ti. Mas Lucius nunca o quis aceitar e reagiu da forma lamentável que conhecemos...
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- Eu já te avisei, Lucius –a voz rouca e pausada de Markus fez-se ouvir na enorme sala de jantar dos Malfoys, a qual não havia ainda sido abandonada por pai e filho –escusas de te esforçar muito para que o teu filho deixe de andar com essa rapariga e não te atraiçoe um dia!
- Aquele patife já me atraiçoou agora mesmo! E, claro, o pai nunca se engana a prever o futuro, não é? É sempre perfeito em todos os sentidos!
Lucius olhava, com um sorriso irónico no rosto, para um pedaço de papel que tinha nas mãos. O velho conhecia bem aquela expressão malvada e não gostou dela. Sabia bem que aquilo que estava escrito nas estrelas não poderia ser alterado; fosse o que fosse que o filho andava a tramar, iria sair vencido.
Aclarou a voz, pronto para o fazer mudar de ideias, mas o patriarca Malfoy não o deixou sequer soltar um som.
- Draco é um Malfoy, sangue puro, herdeiro de uma das famílias de feiticeiros mais antigas do Reino Unido. Acha que eu iria deixá-lo vir um dia a casar com uma rapariga como aquela Granger? Acha que eu o ia deixar estragar uma tradição que dura há já séculos? Não...
- Tu não entendes, parvalhão?? Não é apenas a tradição que está em jogo, é algo mais perigoso para ti que isso... esta paixão é apenas o começo de tudo!
Mas Lucius não o ouviu. Fechou o punho direito, sentido o papel amarrotar- se na sua mão. Tinha planos formados na sua vil mente e não estava disposto a deixar a profecia cumprir-se.
- Ele vai arrepender-se! É apenas uma questão de tempo!
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Apesar de o Natal nunca ter sido uma época muito importante para Draco, aquele fora, sem dúvida alguma, o pior de todos. A discussão e o murro que recebera do pai estavam ainda demasiado perto para serem esquecidos. E a raiva pela prima também...
Recolhera-se no quarto após conversar com a mãe e não saíra de lá o resto do dia que já passara. A fome não superava a humilhação, a raiva, o ódio, o desespero...o amor. A princípio, Draco quisera culpar Hermione de tudo aquilo que ocorrera naquele dia, mas em breve desistiu da ideia. Se havia um culpado naquela história, era ele: fora ele quem se apaixonara por quem não devia, quem não tivera cuidado com o que fazia e quem havia escolhido aquele caminho. Apenas Draco poderia ser o culpado da sua própria desgraça.
Mas para além de sentir raiva de si próprio, estava também furioso com Leigh. Porque é que tivera de contar tudo a Lucius? Durante a conversa que tiveram ao longo da distribuição de presentes, tivera esperança que ela não queria revelar a verdade ao tio...
- Draco, estás aí?
- Não, morri! –gritou ele, deixando toda a fúria que sentia pela prima sair de dentro de si. Como é que Leigh se atrevia a ainda lhe dirigir a palavra?
A porta abriu-se e a cara coberta pelas madeixas negras do cabelo da prima surgiu por detrás dela.
- Tenho de me lembrar de colocar um feitiço na porta... –resmungou ele, entredentes.
- Temos de conversar.
Draco encarou-a, furiosamente, assim que ela entrou no quarto. Para piorar a situação, via bem a expressão nervosa que Leigh ostentava na sua bela face. Não se admiraria se saísse fumo das suas orelhas –estava fulo!
- Primo, deixa-me falar contigo!
- Falar comigo? –gritou o rapaz, sem se mexer do mesmo sítio –Como é que tiveste a coragem de ir contar ao meu pai coisas sobre a minha vida pessoal? Se eu gosto ou não da Hermione é um problema meu, entendes?
- Mas Draco...
- Queres saber uma coisa, Leigh? Por vezes, enquanto estava contigo, convencia-me que eras um pouco diferente da maioria das pessoas que constituem a nossa família: achava que eras sensível a assuntos como o amor! Afinal enganei-me, não passas de uma cobra sempre desejosa de espalhar o teu veneno!
- Mas porque é que me dizes isso, Draco? –a rapariga parecia começar a ficar bastante assustada –Eu não sou nenhuma cobra, eu sou sensível, sim! Aliás, tu nem imaginas...
- Se tu tivesses coração, tinhas-me entendido e tinhas deixado o meu pai fora deste assunto!
- Mas eu tenho coração!!
Draco não queria ouvir mais. O ódio tomava conta dele a pouco e pouco, da maneira mais perigosa possível. Ele sabia que se Leigh não abandonasse aquele quarto se arriscava a levar um valente estalo na cara. Por isso, agarrou-a por um braço e colocou-a fora da divisão com brutidão, sem sequer resistir a ser cruel:
- Antes, eu achava que este seria o Natal mais maravilhoso que eu alguma vez vivera; agora, graças a ti, sei que foi o pior de todos. Eu estava errado, Leigh! Esta situação tem um culpado, mas não sou eu –apenas podes ser tu!
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A neve deixara de cair e o sol espreitava por entre as nuvens. As ruas estavam desertas. E apenas um jovem coberto por um manto negro se movimentava naquele bairro. Draco Malfoy!
Os pensamentos do dia anterior permaneciam na sua mente, a raiva, o ódio, não se dissolviam. E ele estava ali, à porta da casa de Hermione, por causa disso: sabia que o pai faria tudo para acabar com aquela história e receava que acontecesse algo de mau à rapariga. Tinha de a avisar!
Avançou para a porta do prédio e tocou à campainha, mas o silêncio foi o único que lhe respondeu. Mas sabia que era ali! Conseguira roubar o mapa de Leigh, aquele que os Maloneys tanto gabavam, e fora fácil descobrir a morada dela. Será que não estava em casa?
Experimentou um feitiço, mas a porta não se moveu um milímetro. Claro, aquelas portas haviam sido enfeitiçadas para nenhum "Alohomora" as poder abrir e alguém mal-intencionado invadir a propriedade alheia. E agora, que iria fazer?
- Quer entrar?
Draco mirou a mulher que lhe falara. Pelo aspecto, sem o comum manto até aos pés, parecia ser Muggle. Mas o mais estranho de tudo era a sua semelhança com Hermione: os mesmos cabelos encaracolados, os mesmos olhos afectuosos, o mesmo sorriso nervoso. Seria da família Granger?
- Obrigada! –disse ele por fim, achando que era melhor aproveitar a oportunidade. E entrou no edifício, segurando a porta que a mulher lhe deixara aberta.
O átrio era enorme e decorado com inúmeras plantas. Draco virou-se em direcção à porta esquerda, mas a mulher chegara primeiro... e parou mesmo antes de introduzir a chave nela.
- Mas...que é isto?
Ele aproximou-se melhor e viu aquilo que a intrigava. Claramente se percebia que a porta do apartamento estava apenas encostada. Mas o pior cenário surgiu assim que ambos abriram a porta: a sala, a primeira divisão da casa, encontrava-se totalmente desarrumada, com cadeiras no chão, sofás fora do lugar e uma jarra partida no chão. De Hermione, não havia sinais.
- Oh, meu Deus! –gemeu a mulher, olhando impotente para tudo –A minha filha!!
- Não poderá ter saído? –questionou Draco, querendo afastar maus pensamentos.
- Eu combinei com a Hermione que viria agora, logo de manhã, para a ajudar e ela disse-me que não ia sair...ia ficar à minha espera! Oh, meu Deus, meu Deus...
A mãe de Hermione correu pela casa, provavelmente na esperança de que a filha ainda lá se encontrasse, mas o rapaz loiro duvidava de tal coisa. E se já estava receoso de tal, mais convencido ficou quando deu uns passos pela sala e pisou algo. Era um pequeno botão negro, com a letra "M" gravada.
- Que é isto? –murmurou ele, apontando-o na direcção da janela. Um raio luminoso fê-lo brilhar.
E então ele lembrou-se. Sim, ele conhecia aqueles botões...e relembrava-se onde os vira. Surpreso com a descoberta, guardou o pequeno objecto no bolso do manto e desapareceu, sem qualquer aviso à mãe de Hermione. Havia algo que lhe acabava de surgir... mas isso deixara-o ainda mais preocupado com a situação.
Continua...
N/A: bem, peço imensas desculpas pelo tempo que levou a actualizar, mas OK... espero que não esteja por aí ninguém com um pau para me bater! O que eu tenho mesmo de dizer é que há muita coisa que vai correr... sei que podem pensar que a profecia não tem muito a ver com a situação actual, mas vai ter influências próximas... Como sempre, obrigada a toda a gente que lê a fic e faz valer o trabalho enorme que isto dá; principais agradecimentos para BabyAngel (ainda bem que a tua net já voltou! XD), Taty M. Potter (desculpa chora , mas é que eu tenho de dar algum suspense à trama, não é? Oh, espero que não te desiludas assim... eu sei que levo bastante tempo, mas que ela tem fim, tem), JanePotter (é, acho bem que não digas! Uahahaha... ), Nostalgi Camp (espero que ainda vivas por agora =D), Rita- Granger (pobre Leigh, cria tantas inimizades! O novo capítulo está aqui, espero que gostes) e Pandora (o bloqueio já passou agora?? Ai que eu choro outra vez!! Ah, eu também gosto do velho... meti-o cá para o Lucius levar nas orelhas, basicamente. XD).
Beijos a todos que por aqui passam, espero que tenham gostado e que regressem quando surgir a próxima actualização!
Próximo capítulo: quem levou Hermione? Onde está ela? Será que Draco vai enfrentar tudo para a salvar? Será que não pode contar com ninguém entre toda aquela gente?
