Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...
...
- Anda lá, vais ficar contente com o que tenho para ti!
O homem torceu os lábios enquanto seguia o companheiro pela escadaria negra e suja que levava à cave da Mansão Malfoy. Não sabia o que é que o outro queria dele, mas esperava que fosse coisa boa. A sua disposição não era das melhores após as revelações do dia anterior.
- Não estejas com essa cara! –riu o homem da frente, maldosamente –Quando vires a pérola que te trouxe esta noite, até te nasce uma alma nova!
Os degraus terminaram e o da frente apontou o fio de luz que saía da sua varinha para um canto da cave bafienta. No chão de cimento, coberto de pó e pequenas aranhas, encontrava-se alguém: uma jovem rapariga de caracóis castanhos, olhos amedrontados e expressão furiosa.
- Ligadura Total do Corpo. Daqui ela não sai!
O segundo homem sorriu vitoriosamente.
- Não acredito! Tu? Tu trouxeste-a até aqui? Mas como sabias...?
- Tenho os meus métodos! –explicou o outro –No entanto, foi complicado, sabes? Para já, o Natal foi na casa dela e a festa só terminou de madrugada, daí que só a tenhas cá hoje; depois, ela deu luta, e não foi pouca! A casa ficou toda de pernas para o ar e eu ainda levei um tabefe e umas arranhadelas!
- Acho que superaste aquilo que sempre pensei possível de ti. Surpreendeste- me positivamente.
Os dois homens olharam a rapariga caída no chão e sorriram maldosamente. Hermione desejava poder fugir daquele lugar tenebroso, mas os olhos eram tudo aquilo que ela podia mover.
- Chegou a hora, menina! Ninguém te mandou andares por aí a desviar o meu filho para maus caminhos!
""
Draco materializara-se frente ao portão da sua casa. Atravessara o jardim a correr e entrou no hall de rompante. Olhou à sua volta, mas não viu vivalma; apertou com força o botão que tinha nas mãos e o coração começou a bater com mais força. Mas será que nunca estava ninguém em casa quando ele precisava?
- Primo? Onde estiveste?
Leigh surgiu na escadaria, com a mesma expressão do dia anterior. A fúria regressou a Draco e correu até ela.
- Onde é que ele está, Leigh?
- Quem, de quem é que tu estás a falar?
- Não te armes em sonsa comigo porque eu já percebi o jogo todo! Não ficaste satisfeita em contares apenas ao meu pai, pois não? Sua cobra...
- Draco, tu deves estar a delirar! –a rapariga estava já furiosa e, apesar de não querer, Draco achava que tal não era uma actuação –Mete na tua cabeça: eu não...
- CALA-TE!! –gritou ele –Já percebi que o teu querido papá também já está metido nisto tudo! Mas porque é que não te dedicas apenas a escrever a novidade em todas as paredes de Inglaterra?
O queixo de Leigh caiu com o espanto.
- O meu pai?! Mas o que é que o meu pai tem a ver com isto?
- Vês isto aqui? –Draco colocou o botão que encontrara na casa de Hermione mesmo em baixo do nariz da prima –Só mesmo o teu pai para usar estes botões! Poderia reconhecê-los em qualquer lugar; ainda para mais, eu vira- os na manhã de Natal, quando estávamos a receber os presentes! Este aqui veio da casa da Hermione e para tua informação, ela desapareceu e a casa estava de pernas para o ar!
- Mas que barulheira é esta? Já não se pode descansar nesta casa?
Narcisa surgiu junto a eles, atraída pelos berros furiosos do filho. O rapaz acalmou-se um pouco, mas não o suficiente para revelar tudo à mãe. Não sabia quais os planos que Lucius tinha reservados para Hermione, mas não eram bons, pela certa! E com Niko do seu lado, por muito idiota que ele fosse, a situação poderia ainda tornar-se pior do que já era!
- A mãe sabe onde está o pai? –perguntou Draco, tentando conter a fúria que sentia há já tanto tempo.
- Ele saiu da mesa com o meu irmão, ouvi falar da cave... Mas devo ter ouvido mal, o que é que eles quereriam de lá? É só pó e aranhas... ninguém lá entra há anos!
A mulher teve de se desviar quando o filho passou por ela a correr, sendo logo seguido pela prima.
- Mas que estás tu aqui a fazer? –perguntou Draco, assim que chegou à porta da cave e percebeu que Leigh se encontrava atrás dele.
- Tenho todo o direito de aqui estar! Se o meu pai está envolvido nisto, seja lá então o que for, eu posso muito bem estar aqui contigo!
- És muito falsa! –rosnou o rapaz, abrindo a porta –Se julgas que me enganas outra vez, podes muito bem tirar essas ideias da cabeça! Todo este jogo correu muito bem para ti, não foi? E agora que eu descobri tudo queres acompanhar-me até lá abaixo para o meu pai e o teu pensarem que és muito inteligente e corajosa! Muito bem, Leigh, muito bem!
Os olhos azuis de Leigh ficaram encobertos com a dor que ela sentia ao ouvir aquelas palavras frias e duras, mas ele não queria saber aquilo que a prima sentia ou deixava de sentir. Draco fez um fio de luz incidir da sua varinha e avançou pela escuridão adentro, descendo os degraus que o conduziam à cave da casa. Não notou a presença de alguém atrás de si, concluindo então que a rapariga não o estaria a acompanhar. Melhor assim!
- Que experimentamos primeiro nela? Que tal um Imperio, para a fazer estrangular-se a si mesma?
A voz maldosa de Lucius era cada vez mais audível. O coração de Draco disparou, batendo fortemente contra as suas costelas –batidas de ódio, de ansiedade. Cerrou os dentes e apertou com força a varinha que tinha nos dedos, com mais força que nunca. Ele que se atrevesse a magoar Hermione! Tornar-se-ia imediatamente o saco de pancada do rapaz, no qual ele descarregaria toda a fúria que sentia há já uns tempos atrás.
Uma luz fraca via-se agora com mais intensidade e Draco sabia que os degraus estavam já a chegar ao fim. O receio do cenário que ia encontrar era cada vez maior... mas pouco mais tempo durou!
- Talvez tenha agora chegado o momento da vingança, Granger! –falou Lucius, elevando a varinha –Para a próxima vez pensa melhor... se houver uma próxima vez!
- Quieto!!
Malfoy olhou o filho, espantado. Que estaria Draco ali a fazer, com a varinha apontada a ele?
- Que estás tu a fazer, rapaz? –questionou ele, com voz suave e perigosa.
Draco olhou à sua volta. O espaço pequeno e mal iluminado parecia pior do que aquilo que era na realidade, com aquela guerra prestes a eclodir ali mesmo. Observando um dos cantos, viu Hermione, imóvel, estendida no chão. Não existiam mais sinais de presença humana ali!
- Acho que deverias pousar essa varinha!
- Nunca! Você está zangado comigo, pai, porque é que a quer magoar a ela? Hermione não tem culpa de nada... Porque é que a quer magoar?
- Será mesmo necessário responder à tua pergunta?
A ironia na sua voz era facilmente detectável e Draco sentiu a fúria crescer dentro de si. Lucius avançou para o filho, lentamente. Alarmada, no canto da cave, Hermione olhava os dois.
- Nem mais um passo, está a ouvir?
- Draco, tu não eras capaz de fazer nada! Eu sou teu pai!
- Não tente pôr-me à prova!! –gritou Draco, furioso –Você sabe perfeitamente que eu sou capaz de o fazer! Durante toda a minha vida tentou levar-me por caminhos errados, para fazer de mim uma cópia de si! Pois bem, eu tenho novidades: eu não quero ser igual a si, entende? Quero ter a minha própria vida, sem tê-lo a si a chatear-me a cabeça com aquilo que devo ou não fazer, quero esquecer toda a porcaria que fez, que é a única coisa que sabe fazer!!
- Espero que tenhas consciência com quem estás a falar! –o sorriso de Lucius ia desaparecendo da sua face –Se me conheces, deve saber que nada me custa enfeitiçar-te em grande para aprenderes a ter maneiras...
- Isso mostra bem a escumalha que você é! Fique a saber que eu também não tenho qualquer problema em lhe lançar um feitiço!
- Que engraçado, eu também não!
Draco parou, sentido a varinha de Niko apontada às suas costas. A situação estava a ficar fora do controlo: dois homens adultos e poderosos contra um rapaz de 20 anos.
- Sabia que me conseguiu enganar bem enganado? –confessou ele, esboçando um sorriso trocista –Sempre pensei que era a versão masculina da minha mãe!
- Narcisa é um pobre diabo! –Niko colocou-se frente ao sobrinho, sem nunca deixar de lhe apontar a varinha –Ela precisava de aprender certas lições! É a vergonha da família!
- Não acha que deveria mais ser ao contrário? Talvez seja a minha mãe quem tem as atitudes correctas...
- Deves achar que és um santo caído do altar! –riu Lucius, colocando-se ao lado do maldoso cunhado.
- Não, não sou! –respondeu o rapaz –Apenas aprendi a distinguir o que é certo do que é errado!
- Queres saber uma coisa? –tornou Niko, preparando-se para o combate –Não gosto do teu tom, da tua atitude, não gosto de ti! E talvez seja a altura de apanhares umas certas palmadas... Cru...
- Expelliarmus!
Niko e a sua varinha voaram até ao outro canto da cave. Lucius seguiu-o com o olhar, espantado, e Draco virou-se para trás: da escuridão surgiu Leigh, também ela com a varinha em riste. Hermione cada vez percebia menos do que se estava a passar.
- Leigh?! –perguntou Draco, também ele espantadíssimo com a presença da prima –Que estás aqui a fazer? Que fizeste tu?
- Eu defendi-te, paspalho!
- Mas porquê? –insistiu ele, sem compreender aquilo que se passava –Depois de tudo aquilo que fizeste, depois de me tramares com o meu pai...
- Desculpa? –interrompeu Lucius, rindo maldosamente, enquanto estendia a mão para ajudar Niko a levantar-se do chão –A Leigh tramou-te comigo? Essa não entendi...
Os olhos de Draco voaram do pai para a prima –para os olhos magoados da prima. E foi então que Draco, por fim, percebeu aquilo que Leigh lhe desejava contar desde o dia de Natal:
- Não foste tu... não foste tu quem contou ao meu pai que eu...
A rapariga baixou a cabeça e acenou negativamente. E Draco sentiu algo que nunca antes pensara vir a sentir um dia: remorsos. Leigh nunca o traíra e ele desprezara-a, sem se importar com aquilo que ela queria dizer.
- Oh, que amoroso! –troçou Lucius, aproximando-se do casal, juntamente com o cunhado –Afinal, não precisávamos de nos preocupar; Draco pensava que fora Leigh quem me contara a verdade. E eu com medo que ele desconfiasse de ti!
- Como é que o tio poderia saber? Eu nunca falei de nada... e você estava comigo à mesa quando tudo aconteceu!
- Bastou escrever um pequeno bilhete a Lucius a contar as aventuras amorosas do seu único filho... mas primeiro, dar uma olhada pelo diário da minha filha, como podes imaginar!
- O pai andou a ler o meu diário?? –gritou Leigh, furiosa com a atitude do homem.
Niko exibiu um sorriso trocista, mas Lucius não deixou a conversa terminar:
- Meus amigos, a conversa está a ser muito interessante, mas ainda temos todos muito para fazer! –Malfoy apontou a sua varinha a Hermione e sorriu maldosamente para o filho –É tempo de veres a tua "amiguinha" sofrer um pouco às minhas mãos! Crucio!
No canto da cave, Hermione começou a tremer sem parar. Não se ouvia um único som, mas Draco sabia que ela gritava com todas as suas forças por detrás do feitiço que a paralisava. Se estivesse perto o suficiente dela, poderia ver a dor terrível que sentia no seu olhar.
- Pare com isso! –gritou ele, apontando a varinha ao pescoço do pai.
- Custa? A quem será que custa mais?
Lucius fez um gesto com a varinha e Hermione parou de tremer. Lágrimas de dor escorriam pelas suas faces, mas Draco não as viu. Apenas conseguia observar a figura do pai, distorcida pela raiva que sentia por ele.
Sentiu o tio aproximar-se na sua direcção, mas Leigh não deixou o pai atingir o seu objectivo: fez cordas saírem da sua varinha e estas prenderam Niko ao tecto da cave. Os dois Malfoys encararam-se furiosamente, de varinhas apontadas um ao outro. A rapariga aproximou-se do primo, mas este repeliu-a.
- Não, Leigh, isto é um assunto entre o meu pai e eu!
- Até é de admirar que não queiras ajuda! Nunca consegues fazer nada por ti mesmo!
- Pois está muito enganado, desta vez! –rosnou Draco, aproximando-se –Posso ter herdado muitos dos seus defeitos, mas pode crer que a cobardia não foi um deles! Você é um cobarde, em vez de me enfrentar ou assumir às pessoas que o seu filho se apaixonou por Hermione Granger, prefere magoá-la ou fazer-lhe algo muito pior, amaldiçoando-a para ela não se poder defender, não é?
- Tu não me provoques! –disse Lucius, como quem cospe algo desagradável –Nem sabes daquilo que eu sou capaz de te fazer!
- Mate-me! Mate-me –eu sei que é isso que você quer! Estive 20 anos na sua companhia a ser maltratado por si, enquanto me enchia a cabeça de mentiras e utilizava a violência para mas introduzir. Pois fique sabendo que estou pelos cabelos consigo, com aquilo que faz, com aquilo que diz, com aquilo que pensa... Tenho nojo de si!! Preferia vê-lo morto a dizer que tenho um pai como você!
A maldição Cruciatus atingiu Draco no exacto momento em que proferiu tais palavras. O rapaz caiu ao chão enquanto gritava de dor e a prima corria para o ajudar. Lucius já não se ria –o ódio distorcia toda a sua face.
- Vê aquilo que lhe digo? –riu Draco fracamente quando o feitiço foi retirado –Prefere fazer isto a combater-me de outro modo!
- Julgas que sou apenas capaz desta ninharia? Posso fazer-te muito pior... a ti e à Granger ali do canto!
- Hermione não é para aqui chamada! Vá lá, mostre-me aquilo que sabe fazer!
Ouviu Leigh respirar mais depressa, mas não estava nada nervoso! Tal desaparecera e dera lugar à maior e mais violenta fúria que alguma vez sentira. Estava preparado para enfrentar o pai.
Lucius ergueu a varinha e apontou-a ao filho; este conseguiu ainda ouvir as palavras que o homem tinha em mente pronunciar: Avada Ke... Mas nem precisou de pensar naquilo que devia fazer! Draco dirigiu um Expelliarmus ao pai, sendo de seguida lançado um Petrificus Totalus por parte de Leigh. Lucius voou pelo ar e aterrou no chão, rígido como uma pedra. Dali já não saía!
- Depressa, não há tempo a perder! –avisou a prima, retirando o feitiço que prendia Hermione.
Sob o olhar furioso e as blasfémias de Niko, que continuava suspenso no tecto, Draco correu também para junto das duas raparigas. Leigh ajudava a morena dos caracóis, que ainda estava meio atordoada, a levantar-se.
- Hermione! –chamou ele docemente –Estás bem?
Ela não lhe respondeu: respirando com alguma dificuldade, perdeu os sentidos nos braços do loiro. Leigh observou-os enquanto Draco pegava em Hermione ao colo.
- É melhor tirá-la daqui! Já sofreu demasiado –o rapaz olhou furioso para o tio, vermelho de fúria –Acompanhas-me, Leigh?
A jovem acenou com a cabeça e seguiu o primo pelas escadas que os levavam para fora daquela cave, deitando um olhar magoado para o pai e para o tio petrificado. Apenas queria pensar que fora um sonho, mas era a dura realidade: Niko não era o pai que ela sonhava que era!
No entanto, as surpresas do dia não tinham ainda acabado! Assim que os dois primos e uma desmaiada Hermione chegaram à porta que separava a cave do resto da mansão, foram surpreendidos por dois feiticeiros de expressões duras que lhes barraram o caminho. Atrás deles, Narcisa Malfoy parecia à beira de um ataque de nervos, sendo apoiada por Markus.
- Somos feiticeiros do Ministério da Magia –informou um dos desconhecidos –Foi-nos fornecida a informação que foram aqui executadas duas maldições imperdoáveis num curto espaço de tempo. Por ordem do Ministro, temos de levar o culpado. A pena é a prisão em Azkaban...
""Continua...
N/A: Olá! Bom, espero que me desculpem pela demora imensa! E pelo facto de, muito provavelmente estarem à espera de um "conflito" maior, acabou tudo muito depressa. Faltam apenas dois capítulos para o final desta fic, mas tenho algo importante para vos comunicar: irei de férias em Agosto e apenas estarei de volta para Setembro. Portanto, durante esse mês, não vão poder existir actualizações. Pode ser que consiga ainda postar um capítulo antes de ir embora, mas achei melhor avisá-los para o caso de não poder!
Obrigada a todos aqueles que lêem e continuam a acompanhar esta história, e quero agradecer especialmente a Pandora, Nostalgi Camp e JanePotter. São as vossas mensagens que fazem com que eu tenha vontade de continuar a postar. Beijos a todos e boas férias!
Próximo capítulo: Leigh e Draco têm assuntos a tratar... só assim poderão enfim descansar!
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- Anda lá, vais ficar contente com o que tenho para ti!
O homem torceu os lábios enquanto seguia o companheiro pela escadaria negra e suja que levava à cave da Mansão Malfoy. Não sabia o que é que o outro queria dele, mas esperava que fosse coisa boa. A sua disposição não era das melhores após as revelações do dia anterior.
- Não estejas com essa cara! –riu o homem da frente, maldosamente –Quando vires a pérola que te trouxe esta noite, até te nasce uma alma nova!
Os degraus terminaram e o da frente apontou o fio de luz que saía da sua varinha para um canto da cave bafienta. No chão de cimento, coberto de pó e pequenas aranhas, encontrava-se alguém: uma jovem rapariga de caracóis castanhos, olhos amedrontados e expressão furiosa.
- Ligadura Total do Corpo. Daqui ela não sai!
O segundo homem sorriu vitoriosamente.
- Não acredito! Tu? Tu trouxeste-a até aqui? Mas como sabias...?
- Tenho os meus métodos! –explicou o outro –No entanto, foi complicado, sabes? Para já, o Natal foi na casa dela e a festa só terminou de madrugada, daí que só a tenhas cá hoje; depois, ela deu luta, e não foi pouca! A casa ficou toda de pernas para o ar e eu ainda levei um tabefe e umas arranhadelas!
- Acho que superaste aquilo que sempre pensei possível de ti. Surpreendeste- me positivamente.
Os dois homens olharam a rapariga caída no chão e sorriram maldosamente. Hermione desejava poder fugir daquele lugar tenebroso, mas os olhos eram tudo aquilo que ela podia mover.
- Chegou a hora, menina! Ninguém te mandou andares por aí a desviar o meu filho para maus caminhos!
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Draco materializara-se frente ao portão da sua casa. Atravessara o jardim a correr e entrou no hall de rompante. Olhou à sua volta, mas não viu vivalma; apertou com força o botão que tinha nas mãos e o coração começou a bater com mais força. Mas será que nunca estava ninguém em casa quando ele precisava?
- Primo? Onde estiveste?
Leigh surgiu na escadaria, com a mesma expressão do dia anterior. A fúria regressou a Draco e correu até ela.
- Onde é que ele está, Leigh?
- Quem, de quem é que tu estás a falar?
- Não te armes em sonsa comigo porque eu já percebi o jogo todo! Não ficaste satisfeita em contares apenas ao meu pai, pois não? Sua cobra...
- Draco, tu deves estar a delirar! –a rapariga estava já furiosa e, apesar de não querer, Draco achava que tal não era uma actuação –Mete na tua cabeça: eu não...
- CALA-TE!! –gritou ele –Já percebi que o teu querido papá também já está metido nisto tudo! Mas porque é que não te dedicas apenas a escrever a novidade em todas as paredes de Inglaterra?
O queixo de Leigh caiu com o espanto.
- O meu pai?! Mas o que é que o meu pai tem a ver com isto?
- Vês isto aqui? –Draco colocou o botão que encontrara na casa de Hermione mesmo em baixo do nariz da prima –Só mesmo o teu pai para usar estes botões! Poderia reconhecê-los em qualquer lugar; ainda para mais, eu vira- os na manhã de Natal, quando estávamos a receber os presentes! Este aqui veio da casa da Hermione e para tua informação, ela desapareceu e a casa estava de pernas para o ar!
- Mas que barulheira é esta? Já não se pode descansar nesta casa?
Narcisa surgiu junto a eles, atraída pelos berros furiosos do filho. O rapaz acalmou-se um pouco, mas não o suficiente para revelar tudo à mãe. Não sabia quais os planos que Lucius tinha reservados para Hermione, mas não eram bons, pela certa! E com Niko do seu lado, por muito idiota que ele fosse, a situação poderia ainda tornar-se pior do que já era!
- A mãe sabe onde está o pai? –perguntou Draco, tentando conter a fúria que sentia há já tanto tempo.
- Ele saiu da mesa com o meu irmão, ouvi falar da cave... Mas devo ter ouvido mal, o que é que eles quereriam de lá? É só pó e aranhas... ninguém lá entra há anos!
A mulher teve de se desviar quando o filho passou por ela a correr, sendo logo seguido pela prima.
- Mas que estás tu aqui a fazer? –perguntou Draco, assim que chegou à porta da cave e percebeu que Leigh se encontrava atrás dele.
- Tenho todo o direito de aqui estar! Se o meu pai está envolvido nisto, seja lá então o que for, eu posso muito bem estar aqui contigo!
- És muito falsa! –rosnou o rapaz, abrindo a porta –Se julgas que me enganas outra vez, podes muito bem tirar essas ideias da cabeça! Todo este jogo correu muito bem para ti, não foi? E agora que eu descobri tudo queres acompanhar-me até lá abaixo para o meu pai e o teu pensarem que és muito inteligente e corajosa! Muito bem, Leigh, muito bem!
Os olhos azuis de Leigh ficaram encobertos com a dor que ela sentia ao ouvir aquelas palavras frias e duras, mas ele não queria saber aquilo que a prima sentia ou deixava de sentir. Draco fez um fio de luz incidir da sua varinha e avançou pela escuridão adentro, descendo os degraus que o conduziam à cave da casa. Não notou a presença de alguém atrás de si, concluindo então que a rapariga não o estaria a acompanhar. Melhor assim!
- Que experimentamos primeiro nela? Que tal um Imperio, para a fazer estrangular-se a si mesma?
A voz maldosa de Lucius era cada vez mais audível. O coração de Draco disparou, batendo fortemente contra as suas costelas –batidas de ódio, de ansiedade. Cerrou os dentes e apertou com força a varinha que tinha nos dedos, com mais força que nunca. Ele que se atrevesse a magoar Hermione! Tornar-se-ia imediatamente o saco de pancada do rapaz, no qual ele descarregaria toda a fúria que sentia há já uns tempos atrás.
Uma luz fraca via-se agora com mais intensidade e Draco sabia que os degraus estavam já a chegar ao fim. O receio do cenário que ia encontrar era cada vez maior... mas pouco mais tempo durou!
- Talvez tenha agora chegado o momento da vingança, Granger! –falou Lucius, elevando a varinha –Para a próxima vez pensa melhor... se houver uma próxima vez!
- Quieto!!
Malfoy olhou o filho, espantado. Que estaria Draco ali a fazer, com a varinha apontada a ele?
- Que estás tu a fazer, rapaz? –questionou ele, com voz suave e perigosa.
Draco olhou à sua volta. O espaço pequeno e mal iluminado parecia pior do que aquilo que era na realidade, com aquela guerra prestes a eclodir ali mesmo. Observando um dos cantos, viu Hermione, imóvel, estendida no chão. Não existiam mais sinais de presença humana ali!
- Acho que deverias pousar essa varinha!
- Nunca! Você está zangado comigo, pai, porque é que a quer magoar a ela? Hermione não tem culpa de nada... Porque é que a quer magoar?
- Será mesmo necessário responder à tua pergunta?
A ironia na sua voz era facilmente detectável e Draco sentiu a fúria crescer dentro de si. Lucius avançou para o filho, lentamente. Alarmada, no canto da cave, Hermione olhava os dois.
- Nem mais um passo, está a ouvir?
- Draco, tu não eras capaz de fazer nada! Eu sou teu pai!
- Não tente pôr-me à prova!! –gritou Draco, furioso –Você sabe perfeitamente que eu sou capaz de o fazer! Durante toda a minha vida tentou levar-me por caminhos errados, para fazer de mim uma cópia de si! Pois bem, eu tenho novidades: eu não quero ser igual a si, entende? Quero ter a minha própria vida, sem tê-lo a si a chatear-me a cabeça com aquilo que devo ou não fazer, quero esquecer toda a porcaria que fez, que é a única coisa que sabe fazer!!
- Espero que tenhas consciência com quem estás a falar! –o sorriso de Lucius ia desaparecendo da sua face –Se me conheces, deve saber que nada me custa enfeitiçar-te em grande para aprenderes a ter maneiras...
- Isso mostra bem a escumalha que você é! Fique a saber que eu também não tenho qualquer problema em lhe lançar um feitiço!
- Que engraçado, eu também não!
Draco parou, sentido a varinha de Niko apontada às suas costas. A situação estava a ficar fora do controlo: dois homens adultos e poderosos contra um rapaz de 20 anos.
- Sabia que me conseguiu enganar bem enganado? –confessou ele, esboçando um sorriso trocista –Sempre pensei que era a versão masculina da minha mãe!
- Narcisa é um pobre diabo! –Niko colocou-se frente ao sobrinho, sem nunca deixar de lhe apontar a varinha –Ela precisava de aprender certas lições! É a vergonha da família!
- Não acha que deveria mais ser ao contrário? Talvez seja a minha mãe quem tem as atitudes correctas...
- Deves achar que és um santo caído do altar! –riu Lucius, colocando-se ao lado do maldoso cunhado.
- Não, não sou! –respondeu o rapaz –Apenas aprendi a distinguir o que é certo do que é errado!
- Queres saber uma coisa? –tornou Niko, preparando-se para o combate –Não gosto do teu tom, da tua atitude, não gosto de ti! E talvez seja a altura de apanhares umas certas palmadas... Cru...
- Expelliarmus!
Niko e a sua varinha voaram até ao outro canto da cave. Lucius seguiu-o com o olhar, espantado, e Draco virou-se para trás: da escuridão surgiu Leigh, também ela com a varinha em riste. Hermione cada vez percebia menos do que se estava a passar.
- Leigh?! –perguntou Draco, também ele espantadíssimo com a presença da prima –Que estás aqui a fazer? Que fizeste tu?
- Eu defendi-te, paspalho!
- Mas porquê? –insistiu ele, sem compreender aquilo que se passava –Depois de tudo aquilo que fizeste, depois de me tramares com o meu pai...
- Desculpa? –interrompeu Lucius, rindo maldosamente, enquanto estendia a mão para ajudar Niko a levantar-se do chão –A Leigh tramou-te comigo? Essa não entendi...
Os olhos de Draco voaram do pai para a prima –para os olhos magoados da prima. E foi então que Draco, por fim, percebeu aquilo que Leigh lhe desejava contar desde o dia de Natal:
- Não foste tu... não foste tu quem contou ao meu pai que eu...
A rapariga baixou a cabeça e acenou negativamente. E Draco sentiu algo que nunca antes pensara vir a sentir um dia: remorsos. Leigh nunca o traíra e ele desprezara-a, sem se importar com aquilo que ela queria dizer.
- Oh, que amoroso! –troçou Lucius, aproximando-se do casal, juntamente com o cunhado –Afinal, não precisávamos de nos preocupar; Draco pensava que fora Leigh quem me contara a verdade. E eu com medo que ele desconfiasse de ti!
- Como é que o tio poderia saber? Eu nunca falei de nada... e você estava comigo à mesa quando tudo aconteceu!
- Bastou escrever um pequeno bilhete a Lucius a contar as aventuras amorosas do seu único filho... mas primeiro, dar uma olhada pelo diário da minha filha, como podes imaginar!
- O pai andou a ler o meu diário?? –gritou Leigh, furiosa com a atitude do homem.
Niko exibiu um sorriso trocista, mas Lucius não deixou a conversa terminar:
- Meus amigos, a conversa está a ser muito interessante, mas ainda temos todos muito para fazer! –Malfoy apontou a sua varinha a Hermione e sorriu maldosamente para o filho –É tempo de veres a tua "amiguinha" sofrer um pouco às minhas mãos! Crucio!
No canto da cave, Hermione começou a tremer sem parar. Não se ouvia um único som, mas Draco sabia que ela gritava com todas as suas forças por detrás do feitiço que a paralisava. Se estivesse perto o suficiente dela, poderia ver a dor terrível que sentia no seu olhar.
- Pare com isso! –gritou ele, apontando a varinha ao pescoço do pai.
- Custa? A quem será que custa mais?
Lucius fez um gesto com a varinha e Hermione parou de tremer. Lágrimas de dor escorriam pelas suas faces, mas Draco não as viu. Apenas conseguia observar a figura do pai, distorcida pela raiva que sentia por ele.
Sentiu o tio aproximar-se na sua direcção, mas Leigh não deixou o pai atingir o seu objectivo: fez cordas saírem da sua varinha e estas prenderam Niko ao tecto da cave. Os dois Malfoys encararam-se furiosamente, de varinhas apontadas um ao outro. A rapariga aproximou-se do primo, mas este repeliu-a.
- Não, Leigh, isto é um assunto entre o meu pai e eu!
- Até é de admirar que não queiras ajuda! Nunca consegues fazer nada por ti mesmo!
- Pois está muito enganado, desta vez! –rosnou Draco, aproximando-se –Posso ter herdado muitos dos seus defeitos, mas pode crer que a cobardia não foi um deles! Você é um cobarde, em vez de me enfrentar ou assumir às pessoas que o seu filho se apaixonou por Hermione Granger, prefere magoá-la ou fazer-lhe algo muito pior, amaldiçoando-a para ela não se poder defender, não é?
- Tu não me provoques! –disse Lucius, como quem cospe algo desagradável –Nem sabes daquilo que eu sou capaz de te fazer!
- Mate-me! Mate-me –eu sei que é isso que você quer! Estive 20 anos na sua companhia a ser maltratado por si, enquanto me enchia a cabeça de mentiras e utilizava a violência para mas introduzir. Pois fique sabendo que estou pelos cabelos consigo, com aquilo que faz, com aquilo que diz, com aquilo que pensa... Tenho nojo de si!! Preferia vê-lo morto a dizer que tenho um pai como você!
A maldição Cruciatus atingiu Draco no exacto momento em que proferiu tais palavras. O rapaz caiu ao chão enquanto gritava de dor e a prima corria para o ajudar. Lucius já não se ria –o ódio distorcia toda a sua face.
- Vê aquilo que lhe digo? –riu Draco fracamente quando o feitiço foi retirado –Prefere fazer isto a combater-me de outro modo!
- Julgas que sou apenas capaz desta ninharia? Posso fazer-te muito pior... a ti e à Granger ali do canto!
- Hermione não é para aqui chamada! Vá lá, mostre-me aquilo que sabe fazer!
Ouviu Leigh respirar mais depressa, mas não estava nada nervoso! Tal desaparecera e dera lugar à maior e mais violenta fúria que alguma vez sentira. Estava preparado para enfrentar o pai.
Lucius ergueu a varinha e apontou-a ao filho; este conseguiu ainda ouvir as palavras que o homem tinha em mente pronunciar: Avada Ke... Mas nem precisou de pensar naquilo que devia fazer! Draco dirigiu um Expelliarmus ao pai, sendo de seguida lançado um Petrificus Totalus por parte de Leigh. Lucius voou pelo ar e aterrou no chão, rígido como uma pedra. Dali já não saía!
- Depressa, não há tempo a perder! –avisou a prima, retirando o feitiço que prendia Hermione.
Sob o olhar furioso e as blasfémias de Niko, que continuava suspenso no tecto, Draco correu também para junto das duas raparigas. Leigh ajudava a morena dos caracóis, que ainda estava meio atordoada, a levantar-se.
- Hermione! –chamou ele docemente –Estás bem?
Ela não lhe respondeu: respirando com alguma dificuldade, perdeu os sentidos nos braços do loiro. Leigh observou-os enquanto Draco pegava em Hermione ao colo.
- É melhor tirá-la daqui! Já sofreu demasiado –o rapaz olhou furioso para o tio, vermelho de fúria –Acompanhas-me, Leigh?
A jovem acenou com a cabeça e seguiu o primo pelas escadas que os levavam para fora daquela cave, deitando um olhar magoado para o pai e para o tio petrificado. Apenas queria pensar que fora um sonho, mas era a dura realidade: Niko não era o pai que ela sonhava que era!
No entanto, as surpresas do dia não tinham ainda acabado! Assim que os dois primos e uma desmaiada Hermione chegaram à porta que separava a cave do resto da mansão, foram surpreendidos por dois feiticeiros de expressões duras que lhes barraram o caminho. Atrás deles, Narcisa Malfoy parecia à beira de um ataque de nervos, sendo apoiada por Markus.
- Somos feiticeiros do Ministério da Magia –informou um dos desconhecidos –Foi-nos fornecida a informação que foram aqui executadas duas maldições imperdoáveis num curto espaço de tempo. Por ordem do Ministro, temos de levar o culpado. A pena é a prisão em Azkaban...
""Continua...
N/A: Olá! Bom, espero que me desculpem pela demora imensa! E pelo facto de, muito provavelmente estarem à espera de um "conflito" maior, acabou tudo muito depressa. Faltam apenas dois capítulos para o final desta fic, mas tenho algo importante para vos comunicar: irei de férias em Agosto e apenas estarei de volta para Setembro. Portanto, durante esse mês, não vão poder existir actualizações. Pode ser que consiga ainda postar um capítulo antes de ir embora, mas achei melhor avisá-los para o caso de não poder!
Obrigada a todos aqueles que lêem e continuam a acompanhar esta história, e quero agradecer especialmente a Pandora, Nostalgi Camp e JanePotter. São as vossas mensagens que fazem com que eu tenha vontade de continuar a postar. Beijos a todos e boas férias!
Próximo capítulo: Leigh e Draco têm assuntos a tratar... só assim poderão enfim descansar!
