Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...
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A neve continuava a cair sem parar. Draco levara as duas raparigas para o seu quarto e deitara Hermione na sua cama, experimentando tudo para a acordar. No entanto, apesar dos seus esforços, a rapariga continuava adormecida.
- Ela está bem? –perguntou Leigh, mantendo-se encostada à secretária.
- Acho que sim... apenas não consigo acordá-la!
As marcas das lágrimas que derramara permaneciam na face branca de Hermione. Draco acariciou-a, sem saber que mais fazer por ela. Porém, sabia que havia algo a fazer pela prima...
- Tu... foi o teu pai quem contou tudo!
- Ainda não posso acreditar em tudo aquilo que ele fez! Andar a ler o meu diário... –queixou-se Leigh, interrompendo as palavras do primo –O pior é que foi a contar tudo ao tio, aliou-se a ele sabendo que estava a aliar-se ao Mal! Sempre achei que não era esse o caminho que ele desejava...
- Mas se ele não tivesse contado tudo... tu terias?
- Oh, primo! –ela abanou a cabeça, esboçando um sorriso matreiro no seu belo rosto –É verdade que eu te disse que o faria caso a escolhesses a ela! Mas é também verdade que eu não o queria fazer! Confesso realmente que tinha esperanças que tivesses medo do teu pai e optasses por esquecê-la e, quem sabe um dia, vires a ficar comigo! Infelizmente, o destino não quis as coisas assim.
Levantou bem o queixo e olhou Draco nos olhos. O seu olhar adquirira um brilho especial.
- O tio Lucius chamou-nos aqui para a Mansão com planos bem formados: pediu-me pessoalmente para te seduzir e fazer-te apaixonar por mim. Era seu desejo que viéssemos um dia a namorar e a formar família juntos, antes que tu escolhesses alguém que não era do seu agrado. E eu aceitei: foi fácil apaixonar-me por ti, Draco, eu ligo muito à beleza física e tenho de admitir que tu és perfeito. Mas cheguei exactamente no momento em que te apaixonaste por outra.
Um triste sorriso surgiu na sua face pálida e o seu primo achou que ela se encontrava à beira das lágrimas. Não sabia que lhe dizer. Sempre pensara que Leigh era igual a Lucius: dura e insensível. Mas agora revelava-lhe um faceta que sempre pensara ser impossível existir num membro da família!
- Somos a enorme vergonha da família! –gracejou ele, sem mais ideias –Um Malfoy e uma Maloney a sofrer por amor; onde o mundo irá parar?
Leigh sorriu e levou a mão ao bolso, de onde retirou uma caixa de pequenas dimensões. Draco olhou-a, espantado e receoso. Que seria aquilo?
- Acabei por não te oferecer presente de Natal! –explicou ela, entregando-lhe a caixinha –Desde que o tio Lucius descobriu a tua paixão por essa rapariga que não me queres ver! Toma... arranjei-a especialmente para ti.
Draco abriu a tampa, receando ver um anel ou algo parecido a repousar no seu interior. Não seria totalmente impossível! No entanto, pôde respirar fundo quando a olhou: em vez de um anel, encontrou um simples círculo de cor bege. Ele franziu o sobrolho e pediu explicações à prima.
- Existem muitas do género no mercado mágico. Ajuda-te a conheceres as tuas emoções! –Leigh aproximou-se e tocou na mão dele –Esse círculo muda de cor conforme aquilo que existe entre duas pessoas. Tu e aquele que te tocar. Esperava ver vermelho quando estivéssemos juntos, mas...
Olhou para a caixa e um sorriso triste, mas conformado, surgiu nos seus lábios. Ao imitá-la, Draco entendeu que o círculo mudava agora do tom bege para um esverdeado.
- Verde já é favorável! –exclamou Leigh, fracamente –Quanto mais forte, maior o sentimento. Acho que este é o início de uma bela amizade! Fico contente por não o ver negro... ódio...
Deu uma pequena palmada nas costas do primo e ia afastar-se quando ele a agarrou por um braço. Não a ia deixar ir assim, havia ainda tanto para dizer!
- Leigh, uma vez que parece que chegámos ambos ao ponto de mandarmos as nossas ideias ás urtigas, acho que chegou o momento de te agradecer e pedir desculpas... outra vez! Isto não é normal em mim, acredita, parece-me estranho estar a dizer-te isto com tanta certeza e seriedade, mas... tu mudaste, tu provaste que nem toda a minha família é vazia por dentro! Obrigada por não teres dito nada!
- Apenas não o revelei porque gosto de ti! –interrompeu ela de novo –Draco, eu sei que não sou perfeita! Eu olho-me ao espelho, vejo uma rapariga bonita, sim, mas e o resto? Tenho um coração negro, tive uma educação que em muito contribui para isso! Porém, houve algo que aprendi ao longo da vida: o amor é belo e vale lutar e sacrificar-se por ele! E eu amo-te, Draco! Não me interessa ver-te sofrer como iria acontecer se o tio descobrisse tudo...
Um ruído interrompeu o discurso de Leigh. Na cama de Draco, Hermione movia-se levemente, indicando aos dois primos que estava prestes a acordar. A prima de Malfoy achou que em breve teria de os abandonar e apressou-se:
- Não conheço essa rapariga, apenas falei com ela uma vez! Sei que nasceu numa família Muggle e é amiga daquele Potty-cabeça-de-vento, mas aquela conversa que tivemos chegou para concluir que ainda poderás ter sorte. Foi uma mentirosa quando me disse que não gostava de ti!
- Como sabes?
- Hum... digamos que as mulheres se entendem umas às outras! Mas ela é uma terrível mentirosa, devia ter umas aulas comigo, para o caso de precisar delas no futuro. Draco, eu utilizei essa mentira em meu próprio proveito; e apenas te digo isto para não começares com ideias esquisitas...
Hermione começou a mover-se com mais intensidade até que abriu os olhos castanhos. Draco olhou-a com ternura e Leigh percebeu que o seu tempo chegara ao fim:
- Adeus, primo! –e saiu do quarto, deixando-os a sós.
O loiro aproximou-se da cama, suavemente. A rapariga sentou-se e observou-o, alarmada.
- O que é que eu estou aqui a fazer? –gemeu, olhando-o aflita e assustada –Tu estás bem? Que aconteceu? Que se passa?
- Já está tudo bem, Hermione, acalma-te! O meu pai já não te pode magoar mais...
- Foste tu! Malfoy, eu vi-te: tu lutaste com o teu pai! Porque é que ele e o outro homem me tinham lá, o que é que se passou entre vocês? Que fazia aquela rapari...
- Foi o Niko, não foi? O homem que acompanhava o meu pai na cave era o mesmo que te raptou!
- Sim! Ele entrou na minha casa, apesar de eu não saber como, na noite de Natal e lutou comigo. Atacou-me pelas costas, quando eu menos esperava! Tentei defender-me, mas ele era mais forte que eu... depois, lembro-me de me terem batido na cabeça e desmaiei. Quando acordei, naquela cave escura e bafienta, não me conseguia mexer e vi os dois chegarem perto de mim, com uma expressão terrível nas suas faces!
Draco passou-lhe a mão pelo rosto, sorrindo ternamente, fazendo de tudo para a acalmar.
- Já acabou tudo! Lucius efectuou por duas vezes uma maldição imperdoável e o Ministério não perdoa! Devia saber que andavam atrás dele depois de ter saído de Azkaban.
- Porque é que foste até lá? Porquê? –interrompeu Hermione, com os olhos a brilharem –Tu podias ter morrido, eu bem ouvi que o teu pai quase te matou! Porque é que foste até lá?
- Eu já te expliquei o porquê! Eu gosto de ti, percebes? Eu amo-te! Fiquei totalmente apanhado por ti quando te vi há cerca de uma semana atrás e nunca te consegui esquecer! E segundo a minha mãe, já antes sentia algo, só que nunca o quis admitir. Além disso, parece que era suposto isto acontecer... –Hermione olhou-o curiosa, mas ele não estava para explicações –Não podia deixá-lo fazer-te mal! Tu és a melhor coisa que me aconteceu nestes últimos tempos!
A voz falhou-lhe assim que olhou profundamente para a rapariga à sua frente. A expressão preocupada de Hermione, os pestanudos olhos castanhos, os caracóis castanhos que lhe caíam para a face davam-lhe um belo ar. Nem o lábio cortado, nem as roupas rasgadas e empoeiradas podiam estragar aquela imagem!
Draco sentiu-se como antes: a respiração acelerada, o coração a bater fortemente, os joelhos a tremerem. Aproximou-se lentamente da face dela, tentando não quebrar o contacto visual. Queria beijá-la, queria experimentar a sensação de tocar os seus lábios de novo; pelo seu olhar, percebeu que ela também o desejava. Sentia Hermione cada vez mais perto de si...
- Mal... Draco... –a rapariga pareceu arrepender-se e afastou-se, de olhar magoado –Estou-te imensamente agradecida por me salvares. Por muito que me espante, salvaste-me a vida e devo-te isso! Mas acho que não consigo sentir o mesmo que tu dizes sentir por mim. Durante 7 anos, apenas o ódio existiu entre nós! Como queres que eu... não posso... ainda me dói, entendes?
Hermione levantou-se da cama e Draco foi atrás dela.
- Não, não te entendo! –disse ele, desesperado, vendo que ela estava prestes a fugir de si outra vez –Eu sei que tu mentes, Hermione, e não tentes negar porque eu sei que é verdade: tu sentes algo por mim! Tens é algo que te impede de o admitir! Dor? Aquilo que passou, passou; é tempo de encontrar outro caminho, Hermione! Dessa maneira, nunca conseguirás ser feliz!
- Agradeço-te de novo por teres salvado a minha vida! –Hermione não o conseguiu encarar nos olhos.
Draco esperou que ela dissesse algo mais, mas tal não aconteceu. Em vez disso, a morena apertou melhor o manto rasgado contra si e suspirou profundamente.
- Será que me posso materializar?
- Claro! Ao portão, lá fora... na rua...
Ela avançou até à porta do quarto, mostrando que queria partir o mais depressa possível. Abrindo o armário, Draco retirou um dos seus mantos negros de Inverno e entregou-lho, tentando substituí-lo pelo outro dela rasgado. Timidamente, Hermione aceitou-o, passou-o pelos ombros após um pouco sonoro «Obrigado!» e, sentindo-o perto de si, saiu.
Um pouco receosa por se encontrar na Mansão Malfoy, negra, enorme, moradia de umas das mais antigas e perigosas famílias da História da Magia, avançou pelos corredores frios e escuros. Depois daquilo que Draco fizera naquela manhã, não podia continuar a odiá-lo; não podia continuar a ignorar os sentimentos dele por ela. Contudo, será que não poderia ignorar os seus próprios sentimentos?
- Vais-te mesmo embora? –perguntou ele, assim que chegaram ao portão da Mansão.
Hermione olhou a janela do salão. Sabia que Mrs. Malfoy os observava por detrás da cortina. Devido à distância, não poderia ter a certeza, mas quase podia dizer que a senhora possuía um pequeno e triste sorriso na sua face pálida.
- Tenho de ir! –limpou a cabeça cheia de neve –Adeus, Draco. E obrigada uma vez mais... pelo manto e pela vida!
E com um pop desapareceu, deixando Draco sozinho na rua, no meio do passeio gelado, com a neve a formar pequenos montinhos nos seus ombros e no alto da sua cabeça.
Voltou-se e caminhou de regresso a casa. Viu a prima espreitar também de uma das janelas da torre, mas não lhe interessou. Tivera Hermione tão perto de si e perdera-a uma vez mais. De que lhe servia pensar que ela mentia quando dizia não sentir nada por ele? De que lhe servia que Leigh dissesse que sim, de facto, Hermione mentia? De nada... ela escapava-se sempre...
Entrou na mansão e sacudiu a neve. Era bom estar ali, deixando para trás o frio gelado. Do salão, Narcisa chamou-o e ele respondeu ao pedido, dirigindo-se até ela. A mãe encontrava-se no sofá, ao lado do sogro Markus.
- Aconteceu alguma coisa, mãe? –perguntou o rapaz, ao reparar nos olhos húmidos de Narcisa.
- A tua mãe acabou de receber uma carta do Ministério da Magia –explicou o avô, acariciando os cabelos loiros da nora –E tu já sabes como ela é...
Draco agarrou na carta aberta que ficara esquecida no chão e leu-a num instante. Bastou reparar em certas palavras para entender aquilo que transtornara a mulher: Lucius fora levado para Azkaban e iria a julgamento pela dupla utilização de uma Maldição Imperdoável e tentativa de homicídio dentro de dois dias.
- Mas como é que ele o pode ter feito? –chorava Narcisa, borrando a maquilhagem dos olhos com os rios de lágrimas –E a Josey recebeu também uma carta por causa de Niko, parece que ele é acusado de rapto e cúmplice de não sei o quê...
Sentindo-se mal por causa da mãe, Draco não foi capaz de lhe dizer que achava que já era tempo de Lucius pagar por todo o mal que tinha feito! Abraçou-a ternamente, mas nada impediu Markus de falar por sua própria justiça:
- Eu avisei-o que a profecia seria mais forte que os planos idiotas dele! Ele não quis acreditar...
""Continua...
N/A: pois é, gente, estou prestes a despedir-me de vocês uma vez mais! O próximo capítulo encerra esta história... esta primeira parte de mais uma história de amor entre os inimigos Draco Malfoy e Hermione Granger, "As culpadas foram as estrelas". Mais explicações da próxima vez que aqui estiver!
Consegui ainda postar, mas agora é que é: eu parto de férias de Verão já neste Sábado, dia 31, e apenas devo voltar em finais de Agosto. O que significa que não devem esperar actualizações durante o próximo mês! Mas eu prometo que vou tentar postar assim que voltar. Fiquem atentos se vos interessar saber...
Como sempre, inúmeros agradecimentos a todos aqueles que leram e continuam a ler esta fic, principalmente: Formiguinha (ainda bem que apareceste de novo! Obrigada pela mensagem), HermioneGrange (bem, obrigada pelo elogio! E espero que tenhas gostado), JanePotter (como sempre, não é? Afinal a Leigh nem foi assim tão mázinha... obrigada, miga!) e claro, Pandora (lá no fundo, fundinho... mandei-te um mail agora mesmo. Espero que tenhas umas boa férias e obrigada por passares por aqui).
Por hoje é tudo. Mais uma vez, obrigada!
Próximo Capítulo: que guardará o destino para Lucius e o seu filho Draco? A resposta apenas pode ser uma...
