Disclaimer: Saint Seiya The Lost Canvas é obra de Masami Kurumada e Shiori Teshirogui.

Bom, fiz correndo a parte III pois vou entrar em férias (muito merecidas x_x'),

espero que agrade, é bem curta. Na verdade quero deixar o Lost Canvas rolar mais para poder

criar uma parte mais 'forte'...

Enfim! Boa leitura, não se esqueçam dos reviews! :)~

Pandora Solo

Contos da meia noite:

Parte III

A luz fraca do candelabro encima do criado-mudo iluminava a cama ao lado. Revelava, nitidamente, as formas femininas marcadas pelo fino lençol de seda clara. O corpo ressonava tranquilamente. Possuía longos e sedosos cabelos em tom ébano, brilhavam tanto que um reflexo azulado podia ser enxergado dependendo da forma com que a luz batia. Encontrava-se sozinha em meio aos lençóis finos.

Um estampido na porta dos aposentos enfim a despertara. Trouxe-a de volta a realidade como um baque, fazendo com que a jovem quase saltasse da cama. Seu primeiro movimento foi tatear o lugar ao seu lado em busca de uma suposta companhia, mas era pretensão demais que ele ainda estivesse ali.

Aos poucos, as figuras do ocorrido a noite passada, se faziam presentes na mente da jovem. Ela havia dormido com seu senhor. Só não sabia o como aquilo poderia ter ocorrido.

Lembrou-se de estar na sala de música estudando uma composição feita por Thanatos, a deidade da morte, quando, inesperadamente o Imperador do inferno adentrou o recinto, a tomando pelos braços, trazendo-a consigo quase que violentamente.

Discutiu com ela, arrumou um motivo qualquer, este, referente ao fato dela parecer mais distante dele naquela semana.

Repentinamente, ela não sabia explicar como e nem o porquê, mas se viu tomada nos braços fortes de seu Deus. Os olhos azuis claros fitavam o olhar contido da bela serva. Não pode resistir a ela, novamente havia deixado a racionalidade dominante em segundo plano.

A beijou de forma ardente, envolvendo-a em seus braços com vigor.

Logo, os dois corpos caiam sob a cama macia. Hades girou o corpo sutilmente, acomodando-se encima do delicado corpo da jovem. Novamente os olhares se cruzavam, porém, desta vez havia algo mais que medo nos olhos verdes amendoados da sacerdotisa, era visível o ardor que a tomava gradativamente, conforme se perdia nos braços de Hades.

Aquele olhar o excitava, fazia com que perdesse o controle sob os atos, fazia com que a desejasse cada vez mais.

Sem poder conter-se, começou a despi-la com urgência, percorrendo as formas divinamente moldadas do corpo de sua serva. Observava cada pequena parte da pele alva e macia, voltando o olhar em seguida para o rosto de boneca da jovem. Ergueu o corpo afim de ter a visão absoluta do 'quadro' a sua frente. Percebeu o contraste que as madeixas negras faziam com a pele alvíssima. Deslizou a mão pelas coxas, dando leves apertões, as subindo levemente, sem perder o contato com a pele da jovem. Alcançou os fartos seios, se vendo maravilhado ao perceber o efeito que seu toque causara nela.

Uma onda de prazer percorria a circulação da serva, fazendo com que se excitasse a cada toque ousado do amado Deus.

Mais um beijo caloroso é trocado entre o casal. Silenciosos, ninguém havia dito algo até então. Ambos não queriam usar da razão para estragar o momento.

Era precioso demais, único, raro...

Instantes depois os dois corpos se encontravam completamente despidos. O som de gemidos prazerosos podiam ser ouvidos pelo corredor dos dormitórios do castelo. Mãos se afagavam de forma ousada, ambos exploravam os corpos um do outro sem pudor algum.

Mais alguns minutos de puro êxtase para que enfim o silêncio reinasse novamente. Os amantes permaneceram lado a lado na cama.

Pandora não se atrevia a encarar o amado, por mais que sua vontade fosse de se aninhar no peitoral dele. Não queria e nem poderia estragar aquela noite por nada no mundo. Resolveu conter-se, olhando vez ou outra para o amante. Este, por sua vez, mantinha-se estático, como se ainda estivesse assimilando o que havia feito, o que o levara a cometer tamanhos atos irracionais com a mulher ao seu lado. A belíssima serva ousada.

~#~

Agora sabia o porquê de tamanha atração que sentia ao vê-la, mesmo trajada com vestes grossas e escuras, vestes que censuravam toda a sensualidade que ela possuía, ele sabia que Pandora havia sido modelada pelos deuses. Não restavam dúvidas, novamente sua subalterna havia o atraído brutalmente. O olhar transbordando sensualidade o tomava por completo. Como podia ser tão ousada a este ponto? Sim ela o tinha nas mãos, mesmo que não soubesse disso.

Repentinamente, Hades deixa a cama, cobrindo o corpo com sua túnica negra, deixando pra trás o corpo da jovem, agora adormecida, na cama. Estava confuso, odiava admitir, mesmo que para si mesmo, mas a serva o perturbava de tal maneira que até mesmo seu raciocínio perspicaz o abandonava sempre que ela lançava aqueles olhares ousados.

Como podia ser tão suicida? Sim, afinal era suicídio ser tão atrevida daquela forma. Será que ela sabia do poder que tinha sobre ele?

Desesperou-se com a mera possibilidade, porém, logo concluiu que se isso fosse do conhecimento dela, provavelmente já teria feito algo 'pior'...

E o que seria 'pior'? Ele não sabia...

Cruzou os braços na altura do peito, e assim permaneceu imóvel em frente a janela majestosa de seu castelo. Olhou para o céu, o luar refletiu em seus olhos azulados como se estes fossem dois lagos pacíficos. Flashes de alguma lembrança vagavam por sua mente, mas ele foi incapaz de saber do que se tratavam. Só tinha a plena certeza de que aquilo recordava os doces lábios rubros de Pandora.

~#~

Levantou-se após alguns instantes, envolvendo o corpo delicado com o lençol da cama. Sentindo-se atraída pelo luar, seguiu até a janela, soltando um suspiro de satisfação ao lembrar-se do beijo que havia trocado com o jovem Alone, há algum tempo atrás, tempo o suficiente para deixar saudades...

Sorriu para a lua, não podia estar mais feliz. Mesmo que o Deus tivesse apenas usado seu corpo, ela tinha plena consciência de que havia feito amor com ele...

Amor... Toda a vez que o tocara depositava seu amor, em cada gesto, cada olhar...

O amava como nunca haveria de amar alguém, e estaria satisfeita, mesmo que nunca pudesse ser correspondida...

Seu amor era o suficiente para suprir a escassez sentimental de seu Deus amante...

- Eu te amo... Meu querido Imperador... - sussurrou para si mesma, ainda contemplando o luar.

O mesmo luar que, não muito distante dali, amparava o olhar límpido e vazio do deus que não conhecia o amor.

Fim