1992
Verde-escuro e Prata.
Mais um ano, e eu ainda estava apaixonada por Draco. Uma daquelas paixões que ficam, mesmo que você não sinta mais nada.
E nada me importava a não ser ele. Mas o destino nos prega peças, e eu caí.
Draco não se importava com nada a não ser pelo próprio benefício. Só com ele mesmo. Nem com os "colegas", nem com ninguém.
As cores da Sonserina eram o verde e a prata. Essa eram as cores dele naquele ano.
Naquele ano, porque cada ano que passa, lá vai Draco vestir uma nova cor. E ele deixou o seu branco para trás.
E eu fiquei com o seu branco. O branco que me fazia feliz.
Agora minha cor era branca. Lembra que eu disse que amores perfeitos tinham todas as cores?
Eu só precisava achar mais uma que eu pudesse ter também.
Ele era verde-e-prata agora. E eu , uma garota de 12 anos apaixonada e boba. Fraca. Por que eu amava. Por que era sensível.
Sonserinos não têm sentimentos. Têm inteligência e astúcia. Sonserinos não tem amigos, tem colegas.
Sonserinos são frios. Sonserinos não amam. Sonserinos não são fracos. Sonserinos são superiores.
Só que meus sentimentos tinham cor. Eram tingidos de branco. Eu era fraca. Precisava eliminar esse ponto.
Então achei mais duas cores, dessa vez para disfarçar minha fraqueza e demonstrar frieza perante os inimigos.
E era verde-escuro. E a prata. Virei uma sonserina de verdade. Passei a honrar a Casa.
Todos os dias foram assim: Me levantava branco, vestia o verde, punha a máscara prata e ia. Desprezando todos, os mestiços, sangues-ruins e traidores do próprio sangue - Como ele sempre disse.
E tudo que eu precisava era agüentar. Agüentar o desprezo de Draco, os sarcasmos de Blaise, as piadinhas sem-graça de Nott e as investidas de Daphne para cima do meu príncipe. Ainda eu era uma criança. Só que eu sempre dormia no instante que vesti o verde-e-prata.
Até eu me cansar desse teatro, dessa vida falsa, desse tudo falso e ir dormir.
Porque nos meus sonhos eu podia ser Pansy sem me julgarem. Sem ele me julgar fraca.
Porque eu podia apenas ser todas as cores e não ser. Porque eu podia.
