1993
Vermelho e Ouro.
Sempre me disseram para odiar os grifinórios e suas palavras de justiça. Odiar a verdade e coragem deles.
Só que eu não tinha ódio, nem repulsa, nem raiva... Nada. Só tinha inveja. Porque eles eram verdadeiros com seus sentimentos. Todos eles.
E eu não devo ser assim. Sonserinos são ambiciosos e falsos, não dotados de coragem.
O problema é que adquiri uma nova cor: vermelho-ouro. Cor da minha inveja contra eles. Por que eu tinha de ser Sonserina por fora. Insensível.
E o branco de Draco continua. Mas agora ele está preso a mim como a minha cor.
Nunca recebi sequer um olhar dele. Continuei. Verde-e-prata de frieza por fora, vermelho de inveja por dentro.
Se ironia tivesse cor, seria da cor dos olhos de Draco. Azul-acinzentados.
"Você é perfeita pra mim, Pansy. Você é tão perfeita que ficou fácil demais. E eu não gosto de coisas fáceis."
Azul-acinzentado é a cor dele agora. Cor de ironia. Cor de frieza. Cor de desprezo.
Agora só faltava pegar a sua outra cor. O prata das palavras ferrenhas e cortantes.
Porque meu silêncio naquele momento deveria ser preservado. Meu conformismo, para Draco, é ouro.
