1994

Verde-água

Na verdade, posso dizer que este era o melhor ano da minha vida. Dei meu primeiro beijo. Mas não foi qualquer coisa que se possa dizer "ouvir sinos de igreja".

No meu quarto ano, tudo o que interessava – e ao resto da escola – era o Torneio Tribruxo.

O que interessava a ele? Duas coisas: o Baile e a morte de Potter – o que Draco não conseguiu concretizar.

Mas o que importava pra mim era pegar a sua prata, de tão tentadora e preciosa que era. No Baile, fui com um vestido vermelho-sangue.

Ele, de preto. Misturas, cores e cenário colorido por vários vestidos. Mas éramos o destaque. Fomos para um corredor deserto, e ali aconteceu.

Um beijo. Percebi que também era o primeiro beijo dele. Verde-água. Misturado às minhas cores. Momento eterno e singular.

As cores dançavam em mim de felicidade. Eu finalmente consegui pegar a sua prata! E ganhei uma nova cor. O branco sorriu para mim.

Só que aquilo não durou a eternidade. Ele me soltou e disse: "Pansy, não sabe o bem que me faz."

Sabe, se fosse simples eu ficaria feliz. Pensava que o meu branco duraria para sempre, intocado. Iludida por aquele momento, apenas emudeci.

E a realidade me dá um tapa. Dias depois vi Draco estendendo a mão para Nott, que deu alguns poucos galeões. Sorriso de escárnio.

"E aí, Malfoy? A Parkinson cedeu ou se fez de difícil?"

"Foi mais fácil que tirar doce de mandrágoras."

É. Assim como meu primeiro beijo, a minha primeira desilusão foi verde-água: clara e instanânea.

Lembro-me que chorei muito naquele dia. Mais do que na vida toda e só acordei na madrugada de sábado.

Já não podia mais: o branco, aos poucos, sujou-se pelas lágrimas. Início da morte de uma cor.