1995

Azul Cobalto

Depois daquele beijo, tudo que eu imaginava em Draco diluía-se em negras gotas, sujando o meu querido branco.

Depois daquilo, queria ter mais do que cores abstratas e sem vida.

Eu mesma consegui criar meu próprio branco – vazio e resguardado lá na minha mente. Por que meu amor precisa consumir espaço.

Outra cor que me fascinava também era o azul. Todos os tons de azul, mas principalmente um em especial.

Azul-cobalto. Um bem forte, quase da cor da noite. Tão... Puro. Quanto o branco.

Só que a minha maldita sorte era de encontrar esse azul em algum lugar me traiu de novo.

É. Não, eu não encontrei essa cor em Draco. Esqueceu que ele só tem uma cor que emana vida? Azul-acinzentado de ironia.

Encontrei naquele maldito Weasley que vive insultando o meu "príncipe". Idiota.

Os olhos daquele nojento traidor do sangue tinham o meu azul-cobalto. Ideal. Perfeito. E puro. Por que Merlin fez isso?

Brilhavam de ódio para com Draco. Brilhavam por que tinham motivos para odiar, machucar como lâminas.

Seriamente, comecei a me questionar onde eu estava com a cabeça de ver essa cor perfeita em um alguém imperfeito.

E involuntariamente me encontrava pensando nessa cor. Não, era demais para mim. O Azul-cobalto me fazia pensar. Raciocinar.

O branco dava espaço às outras cores. O branco dele estava morrendo. O meu branco, aquele que eu mesma criei, estava voltando a ter vida. Voltando à minha vida.

Tudo por causa daquele maldito tom de azul-cobalto. Brilhando de ódio. Racional, consciente e constante. Raro.

Que se tornou o meu tom. Dessa vez, reluzindo de desprezo por causa do branco-sujo. Maldito. E o mesmo branco-sujo enegrecendo mais.