1996

Verde-Esmeralda.

Draco agora não passava de uma mera lembrança da minha vida falsa. Da vida da sonserina sem emoções e superior.

Aquele que eu criei não passou de uma lembrança. O Draco Perfeito se tornou um fantasma.

Ele nunca quis ser Comensal da Morte. Mas forçadamente escolheu o ser por seu pai. Por causa daquele voltado para as Artes das Trevas.

Então, o meu "Eu" de verdade viu o "Malfoy" se desmoronar. Sendo apenas um garoto assustado. Sendo o Draco.

Não sabia onde ele estava (e nem o queria, naquela altura), mas depois da morte de Dumbledore, nunca mais o vi.

A última vez que o vira, ele fugiu com Snape, passando pelo saguão.

Aí ele me olhou de esguelha. Nos olhos, o medo, e não a ironia, estava presente.

E eu o olhei, com desprezo. O prateado caindo com as lágrimas.

Em seguida, vi outra pessoa correr na mesma direção. Eu só consegui ver um brilho esmeraldino de fúria. Potter.

Agora eu comecei a ficar com medo. Medo de Draco morrer nas mãos dele, mas ao mesmo tempo, com esperança de que ele o livrasse de ser um Comensal.

Só, por apenas um momento, consegui gravar os orbes do meu imperfeito amado: estavam azuis.

Nada de cinza, nem de prata e nem de branco. Só azuis. De medo, ressentimento, arrependimento.

O branco de Draco morreu naquela hora. Morreu sujando-se. Mas ficou preso em mim ainda. Como uma pétala.

E a esperança verde-esmeralda de vê-lo novamente nasceu dos meus olhos enegrecidos de tristeza.

Agora só me sobrou aquele branco impuro. Como eu.