Capitulo sete.

Dia das bruxas.

Lauren olhou o relógio. Passava das oito horas. A garota fechou o livro e enrolou os pergaminhos, guardando tudo na mochila. A biblioteca estava quase vazia. Sem demorar muito, retirou-se dali. Passos rápidos, passando por passagens secretas. Estava evitando alguém. E, naquele momento, aquilo seria mais fácil se as garotas de sua casa não fossem tão fúteis e preferissem ficar na sala comunal, babando nos jogadores de quadribol.

Então isso significava que Lauren teria que seguir pelos caminhos mais inimagináveis possíveis. E tudo isso para fugir de...

—Lauren? —Uma voz soou no corredor, assim que ela saiu de trás de uma tapeçaria.

Seth Ashford.

—O que quer? —A garota fechou os olhos com força, pressionando a mochila com força contra o peito. Não olhava para ele.

—Err... —O garoto coçou a nuca, parecendo sem jeito. Seus cabelos estavam molhados, pingando sobre o ombro. Usava uma camisa branca de mangas compridas e uma calça jeans gasta. —nada de mais. Na verdade só estava andando e...

—Resolveu me encher o saco. —Completou Lauren, jogando a mochila por cima dos ombros e revirando os olhos, olhando para o garoto pelo canto do olho depois. Não pode deixar de notar como ele ficava bonito numa roupa simples. E amaldiçoou-se completamente por esse tipo de pensamento.

—Não...na verdade. —Ele olhou para o chão, encarando os sapatos. Estava constrangido pelo fato de saber que a garota lhe evitava. —Eu...

—Não enche. —Murmurou a garota, voltando a andar.

—Espera. —O garoto adiantou-se, segurando-a pelo braço. Lauren sentiu um calafrio passando por todo corpo ao toque dele.

—O que é? —Fechou os olhos novamente, com mais força.

—Ainda não terminamos nossa conversa... —Seth corou levemente, descendo os dedos por seu braço, segurando sua mão. Outro calafrio. —naquele dia.

—Você faz questão de lembrar o que eu tento esquecer, não? —Lauren apertou os olhos com mais força, sentindo o coração acelerar.

—Acho que é porque...eu não quero que você esqueça. —Sorriu de leve, ainda um pouco constrangido.

O coração de Lauren bateu com mais força, doendo na garganta. Sentiu os dedos do garoto em sua mão e, inconscientemente fechou os dedos ao redor da mão dele. Sentia sua aproximação. Soltou sua mão e virou-se para ele. Estavam muito próximos.

—Nunca esqueça, por favor.—Disse e colou os lábios aos dela.

Todas as sensações que sentia quando Seth estava perto, voltaram. Seu coração parecia que iria rasgar seu peito e parecia ter borboletas em sua barriga. Sua cabeça começou a girar com força. O que diabos aquele garoto tinha para mexer tanto com ela?

A mão dele pousou em sua cintura. Apenas aquele gesto gerou uma série de reações. Parecia que uma corrente elétrica havia atravessado o corpo de Lauren, fazendo seus músculos se moverem. Suas mãos ergueram, segurando o rosto dele e seus lábios se entreabriram. Por que tudo aquilo acontecia quando aquele maldito grifinório estava perto?

Por um instante a mente de Lauren desviou-se desse pensamento. Estava beijando ele. Não aquele beijo sôfrego, como no dia da sala secreta. Era calmo, lento, tremulo e hesitante. Exatamente...exatamente como o primeiro beijo deles. Num corredor igualmente escuro. Talvez o escuro tivesse algum efeito sobre eles.

—Não!—Lauren desceu as mãos até o peito do garoto, afastando-o. O afastamento dos lábios acabou causando mais barulho do que Lauren queria.—Chega.

—Ta, mas...—O grifinório franziu a testa, encarando a garota.—por que? O que houve?

—O que houve?—Lauren encarou por um minuto os olhos azuis de Seth, mas desviou rapidamente, antes que fosse dominada por todas aquelas sensações.—Você ainda pergunta?

—Sim.—Disse Seth, confuso.—Eu...não entendi.

—Diabos, Ashford!—Lauren virou-se bruscamente, ajeitando o cabelo.—Não podemos fazer isso!

—E por que...

—Simplesmente porque não!—Exclamou Lauren, virando-se para ele.—Droga! Eu sou uma sonserina! Você é um grifinório!

—Por Merlin! Eu não ligo se você for uma sonserina!—Seth balançou a cabeça negativamente, dando um passo na direção de Lauren.—Eu gosto de você, Lauren.

—Eu sou uma Lestrange!

—Não faz diferença!—Exclamou Seth dessa vez, dando mais um passo na direção da garota.—Eu não me importo se você é uma Lestrange, com todo seu orgulho e com o passado que envolve nossa família! Eu gosto de você, não da sua mãe!

—Por favor, Seth...—A garota abaixou o olhar, fechando as mãos com força. Estava tão nervosa que não notou que havia chamado o garoto pelo primeiro nome.—eu não posso.

—Por que não?

—Apenas...não posso.—Sem que o garoto pudesse falar mais nada, segurou com força a alça da mochila em seus ombros e saiu correndo pelo corredor, sem saber para onde estava indo.

Seth ficou parado, olhando para onde Lauren estava, com a boca entreaberta. Fechou os olhos e deu um soco sem força na parede.

—Ó! Nosso monitor chefe está apaixonado!—A voz irritante de pirraça soou, um pouco acima dele.—E pela Lestranginha mais velha! O amor é lindo e engraçado!

—Cala a boca, pirraça.—Respondeu Seth, secamente.

—Ó!—O poltergeist balançou a cabeça negativamente.—Assim não pode, Edric. Garotas não gostam de pessoas mal educadas.

Seth revirou os olhos e seguiu o caminho, em passos desanimados.

—O que vai fazer agora, pequeno Edric?—Pirraça seguia ao seu lado, como se estivesse nadando.

—Ir para um lugar onde você não esteja é uma grande opção.—Resmungou o grifinório.—E, cacete! Pare de me chamar de Edric!

Pirraça deu uma risada alta acompanhada de uma cambalhota e começou a cantarolar "Edric, Edric, Sr. Chato Edric!". Seguiu por todo caminho, acompanhando Seth, com a mesma cantoria, vez ou outra entrando por uma sala de aula, fazendo o grifinório ter a falsa impressão de que estava livre. Mas o poltergeist sempre voltava, fazendo mais barulho.

—Por Merlin, você não vai calar a boca?!—Perguntou Seth, virando um corredor, tampando os ouvidos com as mãos.

—Por que, Edric? Te incomodo?—Pirraça fez cara de inocência, estirando a língua logo depois, fazendo muito barulho.—Que pena!

Seth revirou os olhos e tirou a varinha do bolso da calça. Apontou para pirraça e uma espécie de raio vermelho atingiu o poltergeist. Os lábios dele começaram a retrair-se, até desaparecerem numa linha única.

—Lembrete mental.—Seth guardou a varinha no bolso da calça, voltando o caminho.—Fazer o mesmo com o Richie.

Pirraça ficou algum tempo tentando desesperadamente abrir a boca, fazendo barulhos estranhos, como se sua voz estivesse entalada. Começou a faze gestos obscenos para o monitor-chefe que já havia desaparecido numa passagem secreta.


—Cara! Você tem que me levar um dia nesse banheiro dos monitores, Edric!—Disse Richard, assim que Seth juntou-se a eles na sala comunal.

—Andei praticando meu feitiço do tranca boca com o pirraça.—Disse Seth, largando-se sobre uma poltrona de qualquer modo.—Me chame mais uma vez de Edric e vai ver como estou bom nele.

—Ah! Qual é E...—Richard parou com a boca aberta, ao receber o olhar fuzilador de Seth.—Ashford, Ashford.—Tratou de corrigir, voltando-se ao dever de casa.

—Você está estranho, Seth.—Disse Adam, largando a pena sobre a mesa, olhando para o primo.

—Você e a Ally.—Disse Richard, apontando para a garota por cima do ombro, com a ponta da pena.—Faz tempo que ela nos evita.—Seth encarou o garoto, com as sobrancelhas levantadas.—Ta, tem tempo que ela TE evita. Afinal cara. O que aconteceu naquele passeio?

Seth encarou Richard por um tempo, antes de olhar por cima da cabeça do amigo. Allyson estava sentada com um grupo de outras garotas. Um livro completamente esquecido repousava em suas pernas e mordia distraidamente a ponta da pena, olhando para o nada.

—Não aconteceu nada.—Disse Seth, voltando a afundar-se na poltrona, olhando para o lado. O passeio. Foi naquele dia que tudo começou. Seth fixou o olhar na lareira. Mas sua mente estava distante.

—O Seth parece apaixonado.—Riu Adam, voltando ao dever de casa.

—Ahm?—Seth virou-se bruscamente, arrancado de seus pensamentos.—Apaixonado?! Eu? Há! Você só pode estar louco!

Antes que os amigos pudessem falar algo, o monitor-chefe levantou-se e caminhou a passos rápidos e duros até a porta do dormitório. Adam e Richard se entreolharam, dando de ombros enquanto Seth subia as escadas rapidamente. Ele estava muito estranho.


Finalmente o dia das bruxas chegou. Todo o castelo aguardava ansioso pelo jantar que acontecia todos anos. No caso dos alunos do sétimo ano, o baile era o mais esperado. Rondavam boatos de que Dumbledore havia chamado uma famosa banda do mundo bruxo para tocar.

—Vamos, E...Ashford. —Corrigiu Richard. A ameaça de ficar com a boca presa ainda amedrontava o garoto.—Você precisa me contar algo sobre o baile! Eu sou seu melhor amigo!

—Não adianta, Richie.—Disse Seth, rindo.—Você vai ter que ir pra saber como vai ser.

—Mas eu juro que vou mesmo assim!—Disse Richard, implorando.—Vai Seth!

—Nada feito Richard Baker.—Disse Seth, parando em frente a uma porta, tirando uma chave de prata do bolso.—Até porque a McGonagall não nos contou tudo.—Abriu a porta e entrou.—Te vejo na hora do almoço.—E fechou a porta, deixando para trás um Richard muito decepcionado.

Lentamente caminhou até a outra ponta da mesa, sentando-se em sua cadeira. Todos estavam ali. Mas a cadeira na outra ponta da mesa estava vazia.

—Onde está a Langstron?—Perguntou Seth, franzindo a testa.

—Atrasada.—Respondeu Pedro Ravenclaw, monitor da casa Corvinal, dando de ombros.

—Atrasada?—Perguntou Seth, dando de ombros.

—É, Seth.—Disse Hermione Granger.—Nem ela nem os monitores da Sonserina chegaram.

O monitor-chefe afundou um pouco na cadeira, apoiando o queixo na mão, olhando para a cadeira do outro lado da mesa. O que levaria Elizabeth Langstron a se atrasar?


—A Langstron?—Perguntou Richard, surpreso, parando uma garfada a meio caminho da boca.—Faltou a uma reunião? Em que mundo estamos?

—Eu também achei estranho.—Disse Seth, mexendo na comida com o garfo.—Ela nunca perde uma oportunidade de me...

—Zuar? Sacanear? Tirar uma com a tua cara?—Richard disse rapidamente, rindo.

—Eu ia dizer "encher o saco".—Seth riu, ainda mexendo na comida.—Mas acho que isso serve.

—Suspeita de algo?—Perguntou Adam, uma sobrancelha ligeiramente erguida, encarando o primo.

—Não sei...talvez ela tenha arrumado um namorado...—Deu de ombros, finalmente parando de mexer na comida e comendo um pouco.—ou, sei lá...

—Ha!—Richard exclamou alto, rindo.—Elizabeth Langstron? Namorando?—Fez um gesto com a mão, como quem diz "nem pensar".—Ninguém agüenta aquela garota!

Era verdade. Elizabeth não era uma garota feia. O que atrapalhava tudo era seu gênio impossível. Sempre a primeira da turma, ótimas notas, começou a achar-se melhor do que os outros alunos. Depois de sua nomeação como monitora-chefe passou a um nível maior. Achou-se no direito de mandar em todos. E isso afugentava muitos garotos de perto dela.

—Acho que tem razão.—Voltou a mexer distraidamente na comida.—Então...como vão vestidos para o baile?

—Ah! Eu não vou lhe dizer, Sr. Eu-não-posso-dizer-nada-sobre-o-baile.—Disse Richard, num tom vingativo.

—Que marra é esse cara!—Disse Adam, rindo. Seth também riu.—Eu não sei como vou. Pedi para minha mãe comprar algo. Chegou ontem à noite. E estou com medo de abrir. E você?

—Vou fantasiado da criatura mais terrível e temível do mundo.—Disse, afastando-se, rindo, fazendo suspense.—Richard Baker!

Adam riu alto. Seth abaixou-se a tempo de escapar de uma batata atirada por Richard, que logo depois começou a rir.

—Sério, cara.—Disse Richard, ainda sorrindo.—Como você vai.

—Não sei.—Ashford olhou para o prato, meio distante.—Não sei se vou. Não estou animado.

—Ela não vai?—Perguntou Adam, brincando?

—Ela?!—Seth levantou-se bruscamente.—Ela quem?! Eu não me importo se a Lauren vá ou não! Eu...

—Cara.—Richard interrompeu, franzindo a testa.—Ninguém falou de Lauren nenhuma.

Seth ficou com a boca aberta. Patético. Estava se sentindo patético.

—E...quem falou de Lauren?—Disse, rapidamente, nervoso.—Vocês é que estão falando.

Antes que os amigos dissessem algo, saiu de perto, em passos largos. Quando se sentiu distante o suficiente, parou, debruçando-se sobre uma janela. Estava agindo muito estranho nesses últimos dias. E não estava conseguindo disfarçar na frente dos amigos. Queria ser sincero com eles...mas eles nunca aceitariam que ele estivesse namorando uma sonserina. E logo com a mais sonserina das sonserinas.

—Será que ela sente o mesmo?—Perguntou-se, ainda debruçado sobre a janela, olhando para baixo.—Mas...

—Ashford!—A voz de McGonagall soou urgente pelo corredor.—Por Merlin, encontrei você! Preciso de sua ajuda!

—O que houve, professora?—Perguntou Seth, virando-se para ela. McGonagall vinha correndo, segurando as vestes para não tropeçar.

—Um desastre!—Disse a professora, arfante.—O vocalista da banda que chamamos pegou gripe draconiana!

—Nossa.—O garoto franziu a testa, olhando a professora.—Quer que eu tente chamar outra banda?

—Não temos tempo! Você precisa substituir-lo!—Disse a professora, preocupada.

—Ah, certo...—Seth parou um tempo, seu cérebro absorvendo a situação.—SUBSTITUIR!? Mas, professora! Eu não sei cantar!

—Sabe sim! A Murta-Que-Geme disse que você canta muito bem no banho.—Disse McGonagall, severa.

—A MURTA ESPIONA MEUS BANHOS?—Exclamou Seth, corando furiosamente.

—Isso não está em pauta, Ashford!—McGonagall cortou, ainda mais severa.—Precisamos de você! Faça seu melhor no palco!

E saiu, antes que Seth dissesse algo. Ficou abrindo e fechando a boca, sem que nenhum som saísse. Aquele não estava sendo seu dia. E, pelo visto, estava longe de terminar.


O jantar, como sempre, foi bastante animado. As mesmas abóboras recheadas de doces, os mesmo morcegos vivos voando sobre as mesas. Havia um clima pesado, por conta dos ataques no mundo bruxo. Mas, mesmo assim, o jantar estava sendo tão animado quanto sempre fora.

Por volta das dez e meia, os alunos se recolheram. Os dos sétimo ano começaram a se preparar para festa, vestindo suas fantasias, usando feitiços para modificar partes do corpo e deixar mais real.

—Não vai se arrumar?—Perguntou Richard, fazendo um corte falso, muito vermelho, começar a jorrar sangue.

—Não vou.—Disse Seth, colocando uma jaqueta de couro preta, fechando o zíper no meio.—McGonagall me encarregou de manter os outros alunos que não podem ir ao baile em seus dormitórios.

—Cara, você não se dá bem.—Disse Adam que tentava fazer as sobrancelhas engrossarem, para combinar com a fantasia de lobisomem.

—Não mesmo.—Seth sorriu sem graça, abotoando as mangas do casaco.—Mas é a vida. E esse é meu castigo por ser monitor.—Dá de ombros, saindo do dormitório.—Tenham uma boa festa.

Os amigos lhe acenaram brevemente, antes que ele fechasse a porta. Não havia contado a eles que iria estar na festa, justamente como cantor substituto da banda. Richard faria o favor de lhe lembrar disso para o resto da vida. E não seria de um modo agradável. Sorte para Seth que os integrantes da banda cantavam mascarados ou maquiados, quase irreconhecíveis.

O caminho até o salão principal foi tranqüilo. Não havia ninguém exceto alguns professores e os fantasmas. O local estava totalmente diferente. McGonagall estava transfigurando as paredes para dar a impressão de que estavam em meio às estrelas. Flitwick fazia a ultima das cinco longas mesas desaparecer e começava a conjurar varias mesinhas pequenas. Os elfos domésticos preparavam o palco com a ajuda de um animado Slughron. Hagrid pendurava, sem grandes esforços, suas gigantescas abóboras nas paredes.

—Ah! Sr. Ashford.—Disse McGonagall, assim que viu Seth.—Vá. Eles estão naquela sala atrás da mesa dos professores.—McGonagall apontou para a parede oposta à entrada, onde costumava ficar a mesa dos professores.

Seth apenas concordou e seguiu na direção da porta, acenando aqui e ali para algum professor que lhe cumprimentava. Entrou pela porta e desceu por uma longa escadaria. Chegou ao outro patamar, onde um grupo de quatro adolescentes, mais ou menos da altura e idade de Seth ajustava instrumentos.


—Vamos, Lauren!—Dizia Violet, tentando puxar a irmã.—Você tem que se distrair um pouco! Veja como esses NIEM's estão acabando com você! Está tão feia que nem precisa de fantasia.—Riu a irmã, brincando.

—Obrigada por tentar ajudar, Vih.—Disse Lauren, largada sobre uma poltrona, tentando não ser levada pela irmã.—E eu não quero ir nesse maldito baile.

—Lauren Lestrange!—Disse Violet, largando a irmã, colocando as mãos na cintura.—O que diabos está acontecendo com você ultimamente? Sei que nunca fomos muito animadas para esse tipo de coisa, mas você parece que morreu e esqueceu de ser avisada!

Lauren revirou os olhos e soltou um bufo, levantando e jogando as mãos para cima.

—Não sei porque está tão animada.—Lauren esticou os braços para cima.—Não pode ir nesse baile.

Violet deu um sorriso maroto e segurou a mão da irmã, arrastando-a para a escada que levava aos dormitórios. Largou a irmã assim que chegaram e correu até seu malão, abrindo-o com um chute e jogando varias roupas em cima da cama.

—Você tem alguma fantasia para usar, certo?—Olhou para a irmã, por cima do ombro, ainda jogando roupas sobre a cama. Lauren apenas balançou a cabeça negativamente.

—E você, Violet?

—Tenho sim.—Disse, distraidamente.

—E...—Lauren aproximou-se sorrateiramente, arrancando uma roupa da mão da irmã.—posso saber para que? Alunos abaixo do sétimo ano não podem participar. Só se forem convidados.

Violet corou profundamente, abrindo a boca. Voltou-se para seu malão, jogando mais roupas para o lado.

—E se eu tiver sido convidada por alguém?

—E quem seria esse alguém?—Perguntou Lauren, sentando na cama, olhando a irmã.

—Donnie Darko.

—Darko?—Lauren franziu a testa, olhando para as costas da irmã.

Violet confirmou com um aceno de cabeça. Donnie Darko era, assim como Lauren, do Sétimo ano. Dividia com ele aulas de poções e defesa contra as artes das trevas. Era um sonserino puro e legitimo.

Ficaram em silêncio, Violet jogando mais roupas sobre a cama.

—Esse.—Disse Violet, erguendo-se, segurando um vestido negro, com duas fitas que amarravam no pescoço.—Está perfeito. Com suas olheiras e um pouco de mágica, vamos conseguir uma fantasia apresentável para você.

—Para mim tanto faz.—Disse Lauren, revirando os olhos.—Só vou nesse baile porque você está praticamente me arrastando.

Pegou o vestido das mãos da irmã e foi até o banheiro para se trocar.


—Você deve ser Seth Ashford.—Um garoto loiro, de cabelos espetados veio até Ashford. Seth pode notar que havia mechas roxas em seu cabelo. Vestia um casaco de couro negro, com as mangas arrancadas e varias pulseiras espinhosas. Seu rosto era branco e havia indícios de que havia começado a passar a maquiagem.—Prazer. Brian McKing.

—Prazer.—Disse Seth, apertando a mão do garoto.

—Pessoal!—Gritou Brian, voltando-se para o resto da banda.—O Ashford chegou!

Os outros integrantes da banda olharam para o garoto e acenara. Um deles, de cabelos verdes e espetados para trás, como se tivesse saído de um tufão, mexia nas baquetas de uma bateria, jogando-as para o alto. O outro tinha os cabelos negros, desgrenhados, caindo por cima do ombro. O ultimo era o único que parecia normal, se não fosse as narinas muito vermelhas e levemente fumegantes.

—Aquele é o Justin.—Disse Brian, apontando o garoto que continha um espirro, espalhando fagulhas para todos os lados.—Nosso cantor. Uma pena ter pego esse resfriado logo agora.—Balançou a cabeça e apontou para o garoto de cabelos verdes.—Peter, nosso baterista.—Seth riu quando o garoto jogou as baquetas para cima e bateu com força nos pratos.—E aquele...—apontou para o ultimo rapaz, que tocava distraidamente a guitarra.—é o Albert. Nem preciso dizer o que ele faz.—Riu, olhando para Seth agora.—Eu sou o baixista. Você decorou as musicas que pedimos para a tia M&M's te entregar, certo?

—Ahm...tia...quem?—Perguntou Seth, franzindo a testa.

—Tia M&M's...—Revirou os olhos quando Seth continuou com cara de quem não entendia.—Minerva McGonagall.

—Ah!—Exclamou Seth, parecendo desconcertado.—Sim, sim. Passei a tarde lendo as musicas. Acho que...

—Ótimo!—Disse Brian, olhando Seth, analisando-o. —Vamos agora mudar seu visual.—Puxou a varinha e deu a volta ao redor de Seth.—Talvez se seus cabelos fossem maiores...—Fez um gesto com a varinha e o cabelo de Seth aumentou de tamanho, ficando no meio das costas.—e mais espetados.—Novo movimento da varinha. Os cabelos de Seth pareciam ter se carregado de uma energia estática, sendo atraídos pela ponta da varinha.—Hum...de resto...—Olha para Seth.—Acho que está bom. Depois da maquiagem você vai ficar irreconhecível.

—Assim espero.—Disse Seth, pegando uma ponta do novo cabelo.


—Nossa.—Riu Violet, assim que Lauren saiu do banheiro.—Você até está apresentável para uma festa a fantasia.

—Quer ir logo com isso?—Lauren revirou os olhos, sentando na cama.

—Calma, calma.—Riu Violet, puxando a varinha.—Primeiro um feitiço para não deixar os cabelos secarem.—Tocou os cabelos da irmã com a ponta da varinha. Lauren sentiu como se um vento frio estivesse soprando em sua cabeça.—Um pouco mais pálida. Talvez. Realçar as olheiras.

—Quer parar de falar nas minhas olheiras?—Lauren riu de leve, balançando a cabeça negativamente.

—Impossível, querida.—Afastou-se da irmã, indo até a porta.—Dê um jeito de não parecer a Morticia Adams. Ou coisa do gênero.—E saiu, dando a língua.

Lauren apenas sorriu e ficou olhando para a porta, mesmo depois de Violet ter saído. Voltou a olhar para frente. Daria tudo no mundo para não ir nesse baile. E se Seth estivesse lá? Ela não queria arriscar encontrar ele, na frente de toda a escola. Não sabia se conseguiria se controlar.

"Se não for ele vai pensar que é por causa dele" Disse aquela incomoda voz em sua cabeça.

—Mas se eu for...—Murmurou Lauren, olhando para os joelhos agora.—não sei como vou agir na frente dele.

"Finja, Lauren Lestrange" continuou aquela voz, parecendo mais agressiva. "Finja! É um dom da família Lestrange! Finja na frente Dele e mude o jogo".

Lauren abaixou mais a cabeça, fechando os olhos. Será que ela conseguiria?


—Cara!—Exclamou Peter, rindo.—Ficou sinistro!

—E os olhos azuis deles ficaram muito legais com essa maquiagem branca!—Riu Brian.—Não leve pro lado pessoal, Justin.

—Tudo bem.—O garoto espirrou alto, chamuscando o chão.

—Espero que isso saia fácil.—Riu Seth, se olhando no espelho.

Haviam coberto seu rosto com uma espécie de tinta branca. Haviam pintado em seu rosto desenhos, deixando-o parecido com aquelas mascaras tribais africanas.

—Sem problemas cara.—Disse Albert, dando um tapinha nos ombros dele.—Um pouco de água e algodão e tudo ta feito no outro dia.

—Ah! Valeu.—Seth riu, ainda olhando o rosto no espelho.

—Vamos lá, rapazes!—Disse Brian, pegando o baixo.—Temos que arrumar os instrumentos antes do começo.

—Hei, Ashford! Me dá uma mãozinha com a bateria!—Disse Peter, chamando Seth.

Seth foi até ele e ajudou-o a levar o instrumento para cima. No meio do caminho os elfos domésticos apareceram e ajudaram a levar tudo para o palco.

O salão estava completamente diferente. As paredes estavam escuras, salpicadas de estrelas, dando impressão de que estavam em pleno universo. O chão parecia ser feito de madeira velha, como uma casa mal assombrada. As caretas feitas nas abóboras eram iluminadas pelas velas que haviam sido colocadas em seu interior. Morcegos vivos voavam vez ou outra pelo salão, escondendo-se em lugares mais escuros. Varias mesinhas, cobertas com toalhas vermelho sangue, estavam espalhadas pelo lugar.

—Cara. Que super produção.—Disse Brian, impressionado.

—Doidera.—Disse Albert, rindo enquanto ajeitava sua guitarra.

Montaram toda a aparelhagem no palco, enquanto os elfos puxavam as cortinas para esconder-los. Seth viu-se no escuro, murmurando as letras das musicas, para não esquecer. Estava notadamente nervoso.


Lauren desceu para a sala comunal, depois de meia hora. Não havia conseguido pensar em muita coisa. Usava o vestido preto que Violet havia escolhido, com uma capa amarrada no pescoço e um colar prateado, com pingente de esmeralda. Havia seguido o conselho da irmã e enfatizara as olheiras. Não estava grande coisa, mas o suficiente para que Violet não lhe enchesse o saco.

—Finalmente chegou.—Disse Violet, rindo. Vestia um longo vestido prata. Seus cabelos pareciam anormalmente maiores, assim como as unhas pretas.—Estávamos te esperando.

Violet estava sentada ao lado de Stephanie, Henrich e mais outros dois garotos. Um era alto, moreno, olhos muito azuis. O outro era magricelo, meio sombrio, cabelos em forma de cuia.

—Podemos ir.—Disse Lauren, acenando para os outros garotos.

—Não tem par, Lauren?—Perguntou Henrich, sorrindo.

—Não, Henrich.—Respondeu Lauren, olhando para os lados.—E não sou a única pessoa, certo.

—Certo!—O garoto sorriu mais e piscou.—O que acha? Podemos ir juntos?

—Ahm. Eu não sei.—A garota mordeu o lábio, olhando para os lados.

—Ah! Vai Lauren!—Disse o garoto, praticamente implorando.

—Está bem.—Disse Lauren, revirando os olhos e sorrindo.—Vamos.

Henrich sorriu, oferecendo o braço para Lauren. A Lestrange mais velha engatou o braço ao dele e despediu-se de Stephanie, seguindo com os demais para o salão principal. Vários alunos de series inferires seguiam de par com alunos do sétimo ano. As fantasias eram as mais diversas. Havia uma garota do sétimo ano, vestida com uma roupa totalmente branca e uma maquiagem muito forte. As costas de um garoto do sétimo ano foram enfeitiçadas para parecerem estraçalhadas por algum tipo de monstro.

Chegaram ao patamar principal, onde vários alunos de outras casas se encontravam. Todos pareciam muito animados para o baile. Todos menos Lauren. O olhar da garota rapidamente correu a procura de um par de olhos azuis. Mas não encontrou.

"Claro" pensou Lauren "Vai ser difícil encontrar ele. Ele deve estar fantasiado".

—Esses grifinórios ridículos.—Disse Donnie, olhando para um grupo que ria alto.

—Como sabe que são grifinórios?—Perguntou Lauren rapidamente, olhando para o grupo.

—Aquele Richard Baker está ali.—Disse Donnie, olhando mal humorado para o grupo.—Não suporto aquele cara!

Lauren parou para olhar o rapaz com o feio corte no rosto, saindo sangue, ao lado de um outro, fantasiado de lobisomem. Mas só estavam os dois, acompanhados de outras duas garotas.

—O idiota do Ashford não está com eles.—Disse Lauren, ainda procurando outra pessoa no grupo.

—Deve estar com alguma garota por aí.—Henrich fez um barulho estranho com a boca, olhando para o grupo.

—É...—Disse Lauren, desanimada, tirando o olhar do grupo.—deve ser.

—Vamos.—Disse Damien, em seu habitual tom sombrio.—Acho que eles já vão abrir.

Adiantaram-se na direção da porta. A imagem de Seth com outra garota não saia da cabeça de Lauren e fazia seu coração apertar com força. Isso não devia lhe importar. Ashford podia se agarrar com quem quisesse! Não era da conta dela!Ou será que era?

As portas se abriram. Dois anões estavam ladeando as portas, vestidos como carrascos. A exclamação foi geral quando todos viram a decoração do salão. Comentários e risos vinham de todos os cantos.

—Um minuto da sua atenção.—A voz de McGonagall soou de algum canto. Um canhão de luz abriu-se sobre ela, iluminando a professora.—Vamos dar inicio ao nosso baile de dia das bruxas. O professor Dumbledore, infelizmente, não pode comparecer.—Todos, menos o pessoal da Sonserina, protestaram.—A festa vai durar até as três da manhã. Espero que possam se divertir bastante, já que esse é o ultimo ano de vocês.

Os alunos aplaudiram e assobiaram, fazendo muito barulho. Minerva fez um aceno, pedindo silêncio mais uma vez.

—Contratamos uma banda para tocar a noite toda. Espero que se divirtam.—E saiu do palco, sobe nova onda de aplausos. A luz que cobria McGonagall sumiu e as cortinas abriram.

Viam-se quatro vultos. O burburinho cresceu pelo salão. Então, uma luz acendeu-se sobre um garoto de cabelos loiros, espetados. Ele começou a tocar seu baixo. Logo, outra luz acendeu-se sobre um garoto de cabelos verdes. Ele começou a tocar sua bateria, no mesmo ritmo do baixista. Uma terceira luz iluminou um garoto de cabelos negros, desgrenhados, que tocava guitarra. Por fim, uma quarta luz acendeu no meio, iluminando um garoto de longos cabelos negros, espetados, e olhos azuis.


Quando a luz finalmente acendeu sobre ele, Seth sentiu os lábios secarem. Por um instante achou que sua voz não sairia. Tentou manter a mente firme para não esquecer a musica. Por fim, a letra saiu, como deveria sair e Seth sentiu-se aliviado.

Tell me that you want me baby

(Me diga que você me quer, baby)

Tell me that it's true

(Me diga que isso é verdade)

Tell me that you need me so much more that I need you

(Me diga que você precisa de mim, muito mais do que eu preciso de você)

Tell me that you're happy honey

(Me diga que você está feliz querida)

Tell me that you're fine

(Me diga que você está bem)

Say me no without me you can't get me up your mind

(Me diga que sem mim você não consegue fazer sua cabeça)

I wanna hold you

(Eu quero te abraçar)

Don't want to take me back

(Não quer me ter de volta?)

I wanna hold you back

(Eu quero te abraçar de volta)

Just tell me that you understand

(Só me diga que você entendeu)

I wanna hold you back

(Eu quero te abraçar de volta)

Foi pouco o tempo, mas Seth reconheceu, no meio de toda aquela gente que começava a dançar animada, os olhos de Lauren. Por um segundo, seus olhares se encontrarem, mas ela rapidamente desviou, quando Henrich lhe chamou para dançar. Por um instante, o rapaz sentiu o fôlego faltou e, mais uma vez, teve medo que a voz não saísse

Tell me why you left me baby

(Me diga porque você me deixou baby)

Tell me what to do

(Me diga o quê fazer)

Tell me what you hate

(Me diga o que você odeia)

And I'll change what for you

(Que eu mudarei isso pra você)

You want say you miss me honey

(Você quer dizer que você sente minha falta querida)

You're my broken heart

(Você é meu coração partido)

I know you like to kiss me yeah

(Eu sei que você gosta de me beijar baby)

It's ferring me as what!

(E eu também sinto isso!)

I wanna hold you

(Eu quero te abraçar)

Don't want to take me back

(Não quer me ter de volta?)

I wanna hold you back

(Eu quero te abraçar de volta)

Just tell me that you understand

(Só me diga que você entendeu)

I wanna hold you back

(Eu quero te abraçar de volta)

Seth impressionou-se. Aquela musica falava muito sobre ele...e sobre Lauren. E não conseguiu tirar esse pensamento da cabeça. Correu o olhar pelo salão, tentando encontra-la. Estava dançando junto a Henrich, no ritmo animado da musica, assim como as outras pessoas no salão.


Now I know

(Agora eu sei)

This feeling is getting stronger

(Esse sentimento está ficando forte)

And stronger in everyday

(E mais forte a cada dia)

And I can't see what's wrong

(E eu não consigo ver o que há de errado)

I am so

(Eu sinto)

Sorry cause I was wrong girl

(muito porque eu estava errado garota)

And since you left my days

(E desde que você deixou meus dias)

What in all, And go wrong

(O que em tudo, e deu errado)

And go wrong, in all, in all...

(Deu errado, em tudo, em tudo)

Afastou-se um pouco do microfone. A luz sobre ele apagou-se. Os outros integrantes da banda continuaram tocando. Era o tempo de Seth recuperar o fôlego. Mas não conseguia isso. Seus olhos não desgrudavam de onde Lauren estava. Queria estar no lugar de Richmound, uma vez na vida. Abaixou a cabeça e respirou fundo, dando um passo na direção do microfone, na mesma hora em que a luz sobre ele acendeu novamente.

I wanna hold you
(Eu quero te abraçar)

Don't want to take me back
(Não quer me ter de volta?)

I wanna hold you back

(Eu quero te abraçar de volta)

Just tell me that you understand

(Só me diga que você entendeu)

I wanna hold you back, back, back

(Eu quero te abraçar de volta, de volta, de volta)

And I hope you understand,

(E eu espero que você entenda)

I wanna hold you back

(Eu quero te abraçar de volta)


Quando a musica parou, Lauren afastou-se de Richmound, olhando para o palco. O publico prorrompeu em aplausos. A garota pode notar que o vocalista olhava diretamente para ela. E aqueles olhos azuis...começavam a lhe incomodar profundamente.

—Obrigado.—Disse o vocalista, ainda sob os aplausos.—É ótimo estar aqui com vocês! Gostaríamos de nos apresentar. Somos...—Lauren notou que ele parou um segundo, olhando para o baterista, antes de falar.—The Conner's!—Uma onda de aplausos, gritos e assobios altos correu o salão.

Quando a ovação foi diminuindo, os acordes de uma nova música começaram. Henrich puxou Lauren para voltarem a dançar, mas a garota estava mais interessada em observar o jeito e no olhar do vocalista.

—O que foi, Lauren?—Perguntou Richmound, franzindo a testa.

—Nada.—Disse, rispidamente.—Vamos no sentar.

Franziu ainda mais a testa, estreitando o olhar. Deu de ombros e olhou para o lado, onde Donnie e Violet dançavam, animados. Balançou a cabeça negativamente e apressou o passo para alcançar Lauren, que já saia da pista. Sentaram numa mesa onde Damien estava sentado, ao lado de uma garota não muito alegre.

—Não vai dançar, Thorn?—Perguntou Henrich, dando uma leve cotovelada no ombro do amigo.

—Não estou com a mínima vontade.—Respondeu Damien, em seu habitual tom frio e distante.

—Você REALMENTE não vai dançar?—Perguntou o par de Damien, realmente irritada.

—Acho que foi o que eu acabei de dizer.—Disse o sonserino, sem olhar para a garota.

Bufando, a garota pegou a bolsa em cima da mesa e saiu, indo juntar-se a algumas outras garotas que riam alto.

—Garotas.—Riu Henrich, balançando a cabeça negativamente.—Quer beber algo, Lauren?

—Não.—Disse, rispidamente, sem desviar o olhar do palco.

—Parece que nós três vamos criar raízes aqui.—Disse o garoto, irritado, revirando os olhos.

—Azar o seu.—Disse Damien, desinteressado.

Richmound cruzou os braços, bufando. Lauren não ligava. Não desviava o olhar do palco. E sentia que o vocalista não tirava o olhar dela. Pararam de tocar e foram mais uma vez ovacionados por todos.


Já passava de duas da manhã. Seth já estava cansado. Haviam tido uma pausa de dez minutos para descansar, por volta de uma da manhã. Mas parecia ter sido a séculos.

Se algo servia de consolo para Seth, era o fato de Lauren poucas vezes ter ido dançar com Henrich. E que o garoto já parecia muito irritado com esse fato. A garota não desgrudava o olhar do palco e, por vezes, Seth tinha a impressão de que ela lhe olhava. Assim que pararam mais uma musica, arriscou uma piscadela e um aceno.

—Está indo bem, Seth.—Sussurrou Brian, parando ao seu lado. O grifinório sorriu sem graça.—Já estamos chegando ao fim. Agüenta mais algumas musicas.

—Sem problemas.—Respondeu Seth, um pouco rouco.

Olhou para o salão. Muitas pessoas já haviam ido embora para seus dormitórios. Outras estavam sentadas nas mesas, bebendo ou namorando. Seth pode vislumbrar Richard sentado em uma mesa, com uma garota em seu colo, beijando-a. Adam já havia saído há algum tempo com uma menina. E Seth tinha a leve desconfiança de que não havia ido dormir...ao menos sozinho.

Havia ainda algumas pessoas na pista, dançando abraçadas aos sons das musicas lentas que tocavam. Não paravam nem durante a pausa entre uma musica e outra. Seth escutou os acordes de uma nova musica. Tinha o ritmo lento, típico de musica fim de baile.

She walked in and said she didn't

(Ela entrou e disse que)

wanna know

(Não queria saber)

anymore

(mais)

Before I could ask why

(Antes que eu pudesse perguntar o porque)

she was gone out the door

(Ela já tinha saído pela porta)

I didn't know, what I did wrong

(Eu não sei, o que fiz de errado)

but now I just cant move on

(Mas agora eu não consigo seguir em frente)

Since she left me

(Desde que ela me deixou)

She told me

(Ela me disse:)

Don't worry

(Não se preocupe)

You'll be ok, you don't need me

(Você vai ficar vem, você não precisa de mim)

Believe me you'll be fine

(Acredite, você vai melhorar)

Then i knew what she meant

(Então eu soube o que ela queria dizer)

And it's not what she said

(E não era o que ela disse)

Now I can't believe that she's gone

(agora eu não acredito que ela se foi)

O olhar mais uma vez correu até Lauren. Ela levantava-se, ainda olhando para o palco. Estava agora acompanhada de Violet e mais um garoto que parecia muito cansado e animado. Conversaram algo e concordaram, seguindo para a saída. Seth respirou fundo e voltou a cantar, fechando os olhos com força.

I tried calling her up on her phone

(Tentei ligar para ela)

No ones there
(Ninguém em casa)

I've left messages after the tone...

(Deixei mensagens após o bip)

really? —Disseram Brian e Albert em seus microfones.

(Sério?)

Yeah man loads

(É, cara)

I didn't know, what I did wrong

(Eu não sei o que eu fiz de errado)

but now I just cant move on

(Mas agora eu não consigo seguir em frente)

Since she left me

(Desde que ela me deixou)

She told me

(Ela me disse:)

Don't worry

(Não se preocupe)

You'll be ok, you don't need me

(Você vai ficar vem, você não precisa de mim)

Believe me you'll be fine

(Acredite, você vai melhorar)

Then i knew what she meant

(Então eu soube o que ela queria dizer)

And it's not what she said

(E não era o que ela disse)

Now I can't believe that she's gone

(agora eu não acredito que ela se foi)

Abriu um pouco os olhos, apenas para ver que eles ainda atravessavam o salão, na direção da saída. Lauren ainda olhava por cima do ombro às vezes. Seth fechou mais uma vez, com mais força e esperou mais alguns acordes para voltar a cantar.

Well Since she left me

(Desde que ela me deixou)

She told me

(Ela me disse:)

Don't worry

(Não se preocupe)

You'll be ok, you don't need me

(Você vai ficar vem, você não precisa de mim)

Believe me you'll be fine

(Acredite, você vai melhorar)

Then i knew what she meant

(Então eu soube o que ela queria dizer)

And it's not what she said

(E não era o que ela disse)

Now I can't believe that she's gone

(agora eu não acredito que ela se foi)

Abriu os olhos. Ela já não estava mais ali.


Lauren, Violet e os outros garotos chegaram a sala comunal da sonserina quase as três da manhã. Henrich aborrecido, Damien entediado e Donnie cansado, seguiram rapidamente para o dormitório, após despedirem-se das meninas. Lauren e Violet foram até Stephanie que havia adormecido ali, com um livro no colo.

—Acorda, Ste.—Disse Lauren, balançando-a carinhosamente pelos ombros.—É melhor ir para seu dormitório.

—Hum.—Murmurou ela, sonolenta, abrindo um olho.—Estava esperando vocês.

—Pode ir dormir agora, pequena.—Disse Lauren, sorrindo.

A Lestrange mais nova levantou-se, sonolenta, esticando os braços para cima. Despediu-se das irmãs, seguindo num passos arrastados até a escada. As duas outras irmãs ficaram encarando a porta, escutando os passos da caçula se afastar.

—Eu adorei esse baile!—Disse Violet, deitando-se no sofá, esticando os braços.—E a banda é ótima. As musicas são um pouco...sei lá. Mas eles tocam bem. E o vocalista é muito bonito!

—Pois é...—Disse Lauren, meio distante, encarando o fogo que ainda crepitava na lareira.

—Você quase não dançou.—Disse Violet, olhando para o teto.—O Richmound pareceu muito irritado por isso.

—Dane-se o Richmound.—Disse Lauren, levantando-se da poltrona.—Vou me deitar Vih.—Foi até a irmã, beijando-lhe a testa.—A gente se fala amanhã.

E subiu para o dormitório, deixando Violet sozinha na sala comunal.


As três em ponto, os alunos restantes foram obrigados a sair do salão. Os elfos ajudaram a recolher os instrumentos até uma sala, onde os integrantes da banda se livravam das jaquetas de couro e outras peças mais quentes da roupa.

—Quem aí que uma cerveja amanteigada bem gelada?!—Gritou Albert, sem camisa e com a calça de couro aberta. Trazia nas mãos uma grande caixa cheia de gelo, com varias garrafas de cerveja e outras bebidas mergulhadas.

—Opa! Chegou na hora!—Disse Peter, apenas de short.

—Vamos fazer um brinde!—Disse Brian, pegando sua garrafa e levantando.—Ao sucesso desse baile e ao Seth que nos ajudou pra caramba!

—É isso ae!—Disse Albert, largando a caixa num canto e erguendo a garrafa.—O cara cantou muito!

—Que é isso galera.—Disse Seth, constrangido. Já não tinha mais a maquiagem no rosto e os cabelos estavam de volta ao tamanho natural. A jaqueta de couro estava amarrada na cintura, ficando apenas com a camisa branca que usava por baixo.—Não fui nada de mais.

—Cara! Pra alguém que se diz amador, você mandou muuuuuuuuuuuuuuuito bem!—Disse Peter, batendo nos ombros de Seth, como se fosse uma bateria. Afastou-se um pouco, erguendo a garrafa.—Ao Seth!

—Ao Seth!—Todos ergueram as garrafas, brindando.

—Vamos deixar agora ele falar agora.—Disse Brian, rindo, bebendo um gole da cerveja.

—Bem...—Disse Seth, rindo.—depois de hoje eu vou matar a Murta-Que-Geme...de novo!—Todos começaram a rir alto.


N/A: Finalmente! Primeiro capitulo pós-vestibular! E devo dizer...foi um dos mais cansativos x.x...e um dos que eu mais enchi o saco dos outros...não foi Mah? Juh? Leuh? xP

N/A2: Descrição de bailes, roupas, decoração, não é comigo. Por isso, perdoem as falhas xx

N/A3: Respondendo alguns comentarios:

Laly: Não só concordo com você que a aproximação deles foi muito rapida, como me crucifico por isso x.X...eu pretendia fazer eles brigarem mais...mas acabou fugindo do meu controle e...foi...e que bom que gostou do casal x

Gla Evans-Dumbledore: Que bom que gostou da história! n.n...e obrigado pelo desejo de boa sorte no vestibular...agora acabou e a fic vai adiantar um pouco mais \o\

Mah: Eu não disse que saia hoje? xP...agora pode se distrair um pouco enquanto a Leuh termina de baixar o video :P

N/A4: As musicas usadas na fic são de um grupo pouco conhecido no Brasil...os McFly...A primeira "I Wanna hold you" e a segunda "She left me".

N/A5: Para não perder o costume, comentem! \o

((nota: Esse capitulo está sendo postado novamente para correção de alguns erros de gramatica e estetica..i.i...sorry o incomodo))