Retratação: "Eu não possuo os direitos sobre Saint Seiya, ou sobre qualquer de seus personagens. Todos os direitos cabem ao Masami Kurumada, criador e desenhista do manga series. Apenas os utilizo para a redação de fanfics."

"Uma sombra de seu passado volta para atormenta-lo. Resistirá Afrodite e seu casamento a todo esta tormenta?"

As rosas não falam... - fase dois

Capítulo 05 – Gentileza

- E VOCÊ TINHA QUE TER PEGADO ESSE MALDITO SACO??!!

- NÃO FOI MINHA CULPA! TAVA ESCURO!! - ele cerrou o punho e o jogou na mesa. Sua mão aterrisou em algo... er... gosmento... - MADONNA MIA! Esse cocô fede mais que as almas que vagam pelo inferno! Grrr... você me apaga Afrodite, a Cypria será minha! hahahahahaha!! Maldito cocô... de gato...

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Mais alguns dias à frente...

- Por favor, Shaka. Só mais uma vez, depois não venho mais aqui.. – implorou de joelhos.

- Está bem. Mas só porque ela é uma amazona de Atena e seu tempo de licença está acabando... – "Ajoelhando-se perante o homem mais próximo de Deus, a fim de conseguir sua misericórdia, gostei disso..." - ajeitou-se melhor na flor-de-lótus e explodiu seu cosmo junto com um mantra que entoou bem baixinho, numa língua desconhecida a maioria dos moradores do Santuário.

Afrodite o observou atento com a esperança de poder encontrá-la novamente.

Shaka parou e lentamente abriu os olhos. Olhou e o encarou por alguns minutos.

- Não fique olhando para mim, diga! Eu vou até o inferno para achá-la...

- Pft. Ela sabe ocultar o cosmo muito bem. Eu não consegui encontrá-la. Mas... você sabe

Afrodite, fora dos domínios do Santuário é quase impossível de encontrar o cosmo de alguém. Mesmo que eu procurasse, levaria dias para conseguir...

- Não se incomode comigo, Shaka. Muito obrigado por ter tentado mais uma vez. Até mais! - saiu da casa de Virgem desolado. Preferiu caminhar até a cidade, passado os portões do Santuário, era um homem normal com problemas normais, preferia assim...

"Às vezes é bom dar uma volta..." pensou. Sempre acostumado a usar roupas claras, hoje se sentia um pouco estranho em tons mais escuros contudo seu humor não lhe permitia roupas mais alegres. "Ah! Rosas!! Nossa como são lindas! Quem será que as cultivou?"

Ele entrou na floricultura e perguntou sobre as tais rosas. Elas foram trazidas por um florista argentino que sempre as adubava com o NPK(1). Estavam lindas por fora, mas ao olhar bem elas pareciam tristes, assim como Afrodite.

Uma vendedora muito simpática chegou perto dele e perguntou: - São para sua esposa?

- Não. Ela já trabalha com flores.

- Que ótimo, então ela é floriculturista também?

- Mais ou menos... – abaixou o olhar. – Suas rosas estam perfeitas, mas estam sem vida.

- Como?! – ela arregalou os olhos e ignorando aquela sentença voltou a indagar: - quer leva-las agora? Estam na promoção!

- Não, muito obrigado. – respondeu seco.

"Eu nem trouxe dinheiro mesmo... Mas olhar não paga nada:D Seria mais amostras para minha estufa." pensou vitorioso, parece que seu humor havia mudado um pouco. Quando estava prestes a voltar para o Santuário, caiu um pé d´agua.

- Ahh!! Meu cabelo!! - correu a parada de ônibus mais próxima. - "Ainda bem que aqui pe coberto... Quanta água!" - retirou seus óculos escuros 'abelhão' e passou a mão nos cabelos espremendo o excesso de água. Voltou a colocá-los, não queria ser reconhecido por alguém do Santuário.

- Errr... Com licença, o senhor poderia me ajudar? Por favor segure esta mala aqui enquanto ajudo minha mãe a sair daquele carro...? - perguntou uma moça também ensopada apontando para o outro lado da rua.

Como seu instinto de cavaleiro de Atena, defensor da verdade e da justiça falava mais alto, ele concordou, sem nem sequer olhar para ela. Afinal qual seria o perigo em ajudar uma estranha no meio da rua? Sendo ele um cavaleiro de ouro.

A moça que trazia os cabelos presos num coque já desfeito pela chuva, trouxe sua velha mãe para o abrigo de ônibus. Dali elas iriam esperar o cessar da chuva para ir até o seu destino.

- Muito obrigada e perdão pelo incomodo. - falou pegando sua mala das mãos do desconhecido.

Por um leve descuido, sua mão tocou a mão do rapaz e... foi como se uma corrente elétrica tivesse passado por entre eles. Corrente elétrica nada, foi o cosmo mesmo.

Afrodite rapidamente retirou os óculos e olhou fixadamente para sua mão, nela estava a mala da moça, um estranho objeto de madeira. Levantou o olhar e...

- ...cy...cypria?...! - perguntou com a voz engasgada.

A moça espantada com a coincidência ajeitou os óculos de grau e olhou para o rosto dele. Mirou atentamente o brilho daqueles olhos azuis enfeitados por uma pintinha no olho esquerdo.

- É... é você?! – perguntou com olhos marejados. Ele soltou a mala no chão e a envolveu em seus braços.

- ...A...Afrodite... – ela murmurou docemente e ambos se envolveram num longo e saudoso ósculo.

- Eu quase morri de saudades... – ele falou enxugando os olhos. Havia um sorriso bobo estampado em sua face que teimava em não desaparecer.

- Eu também... dite... – ela sentiu um aperto no peito e uma pontada na cabeça. – Ugh!

- Vo-você está bem?

- ... sim... A-A-ATCHIM!! – espirrou direto em Afrodite. – Desculpe, amor... deve ser por causa de toda essa água...

- Aham! – franziu as sobrancelhas.

Ela olhou para trás rapidamente: - Oh mamãe... já estamos indo! Veja, a chuva parou! – apontou para o céu.

- Cypria, minha filha, você pegou um resfriado!

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Alguns minutos depois..

- Eu não agüento mais...! arf arf arf... – exclamou a Senhora Anthizo(2). – Não posso mais.

Os três pararam na altura da quarta casa, ainda tinham muito que percorrer...

- Afrodite, dê-me a mala e leve a mamãe nos braços até nossa casa. Ela não tem mais saúde para subir todos esses degraus! – pediu Cypria.

- O quê?! – arregalou os olhos. – Mas eu também estou morta... ops, morto!

- Hm.. bem que eu percebi, você engordou. Parou de treinar, foi?

- Err... bem... foram dias difíceis. – sorriu sem graça.

- Bem, venha mamãe, eu lhe ajudo a... – mal terminou de completar a frase foi interrompida por alguém que estava passando.

- Não pude deixar de ouvir a conversa de vocês... – começou. – Não se preocupe, eu levo sua mãe até a casa de peixes. Com licença, Senhora Helena. – tomou-a nos braços num gesto heróico e começou a vencer os muitos degraus do Santuário.

Afrodite ficou sem reação e só não o encheu de porrada porque Cypria estava o olhando feio.

Ao chegarem próximos da casa de número doze:

"Ugh! Velha gorda, maldita... minha hérnia... ai..." pensou o poderoso cavaleiro que ajudava a mãe de Cypria com as escadas.

- Algum problema, Senhor Carlo? – perguntou educadamente.

- Não... nenhum problema.

- Pronto! Chegamos! Muito obrigada, Máscara da Morte... – falou Cypria despachando o cavaleiro.

- Disponha... – ao sair, cortês, beijou-lhe a mão. Afrodite contou até dez, mas com certeza ia ter volta.

- Nossa... como é linda a sua casa, minha filha! Pena que seja tão ruim chegar aqui... – observou a senhora de idade.

- Muito obrigada, Senhora Helena, a decoração foi minha! – falou Afrodite. Ela o olhou de canto.

- Mamãe, nós temos um bondinho que passa por perto das casas, mas hoje ele não funciona... 'corte de gastos' da Saori... – comentou Cypria.

Todo esse barulho chamou a atenção das crianças, que logo apareceram na porta:

- MÃÃEEEE!!! – correram eufóricas.

- Meus filhotes! – chorou de alegria. – Quantas saudades! – abraçou-os bem apertado.

"Ai minha Santinha Priscila, cenas melosas me fazem chorar tanto..." pensou, limpando as lágrimas. Foi abraçado por ambos também.

A velha senhora de cabelos grisalhos e tez curtida pelo tempo sentou no sofá e observou a cena com ternura e olhos marejados.

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De volta a sua casa, ele deitou-se no chão da sala principal. Estava exausto.

- Giovanna! Faccia un massaggio qui, amore(3)...

De uma porta dos fundos apareceu uma garota de aparência frágil com o cabelos ondulados presos por um lenço e tez com aspecto de preocupação. Aproximou-se dele e perguntou:

- Mestre! O problema da hérnia novamente!? O que aconteceu?

- Não pergunte! Faça a massagem aqui nas minhas costas se não eu te mando para o inferno. - respondeu com brutalidade.

"Maldita velha gorda... ugh! Não importa, valeu a pena ver a raiva estampada naquele com cara de mulher..." sorriu maliciosamente. Puxou a sua criada para mais perto e tomou-a completamente.

- Amore... esta era massagem que eu queria... hahahahahah – falou em tom de zombaria. Observou atentamente a criada recolher suas roupas e sair chorando da sala. – Apenas mais uma femmina(4)...

"Saiba, Afrodite, que a Cypria sempre foi minha e vou te-la de volta a qualquer custo!!" foi até o seu quarto e pegou um de seus melhores charutos: o cubano. Tragou cada pedacinho daquele seu vício caro enquanto pensava na sua próxima investida.

Até que o telefone tocou.

- Mestre, é um homem que diz ser seu parente... – falou uma de suas criadas.

Engasgou-se com as bolinhas de fumaça que estava soltando no ar.

Continua...

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Nota do texto:

(1) NPK – adubo orgânico formado por Nitrogênio, Fósforo e Potássio nas quantidades ideais para aquela determinada espécie.

(2) Anthizo – em grego: 'Flores'

(3) Faccia un massaggio qui, amore – em italiano: 'Faça uma massagem aqui, amor'

(4) Femmina – em italiano: 'Vadia'.

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Nota da Autora

Oie! Depois de muito aqui estou com o primeiro capítulo do ano de 2007! \o/ Espero que tenham gostado... agora as coisas começam a caminhar... hauhauahuahuah

Agradecimentos especiais para os que leram o capítulo passado e a Flor de Gelo por ter deixado uma review em minha humilde fic. Muito obrigada!

Esse aqui é meu novo email:

Lady Kourin

- Janeiro/2007 -

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