Retratação: "Eu não possuo os direitos sobre Saint Seiya, ou sobre qualquer de seus personagens. Todos os direitos cabem ao Masami Kurumada, criador e desenhista do manga series. Apenas os utilizo para a redação de fanfics."
"Uma sombra de seu passado volta para atormenta-lo. Resistirá Afrodite e seu casamento a todo esta tormenta?"
As rosas não falam – fase dois
Capítulo 10 – Cara a cara
- Vai lá, papai! Acaba com aquele bobão! – exclamou Eros.
- Sim. – sorriu.
"Esse deve ser o inimigo, não tem como ser outro cavaleiro..." pensou enquanto se dirigia para o centro da arena.
xOx
"- Afrodite... – balbuciou entre lágrimas. – Por que não me escuta?
Ela limpou os olhos com a ponta dos delicados dedos. Estava parada em frente a ele, mas era como se estivesse invisível. Tentou de todas as formas chamar-lhe a atenção, toca-lo. Tudo em vão. Era como se tivesse uma barreira impedindo que ela o amasse.
- Fala comigo... Dite..
Sentiu algo tocar seu ombro trêmulo. Um toque macio, quente.
- Não chore minha filhinha...
Olhou em direção a voz e vislumbrou uma senhora de cabelos loiros de aparência muito bonita e vestida em roupas reluzentes. Como mágica não estava mais perto do seu marido que dormia naquela chaise-longue, estava num templo antigo, iluminado com tochas e incensos por toda a parte.
A mulher não parava de sorrir para ela.
- Quem é a senhora?
- Eu sou sua mãe, a deusa Afrodite.
- Quê? – ela arregalou os olhos. – Esse é o nome do meu marido..
- Sim, minha querida. Ele também é meu filho.
Cypria permaneceu olhando para a mulher e seu rosto expressava a única coisa que passava por sua mente: confusão.
- Deixe-me explica-la... – ela sorriu oferecendo um lugar para que a jovem pudesse sentar. – Quer um pouco de vinho?
Alguns minutos depois, Cypria começava a entender tudo aquilo.
- Então, eu e meu marido somos irmãos? Mas então, somos dois pecadores! – ela arqueou as sobrancelhas.
- Não, não... – a mulher sorriu. – Seus corpos não possuem o mesmo sangue, mas suas almas são as dos meus adorados filhos.
Cypria olhou bem para o rosto daquela mulher, ela não parecia mentir. Seus olhos expressavam a verdade mais pura do Olimpo.
- Cypria, você precisa voltar e ajudar o Afrodite. – ela advertiu. – Ele está correndo perigo.
- Perigo? Como?
- Adonis... – ela falou baixinho. – Ele vai toma-lo de você. Você precisa acordar, meu amor..
- Acordar...?
A mulher pediu que a acompanhasse. Entraram numa sala pouco iluminada com um forte aroma que causava torpor até mesmo na deusa. Havia uma moça dormindo profundamente numa cama de pedra.
- Quem é ela?
- É você. Volte e salve Afrodite."
Ela levantou num salto e tombou no chão ofegante. Sentnado-se, pôs a mão no coração. "Um-um sonho?" pensou.
Com dificuldade, ela caminhou até a porta. Estava fechada, entretanto não era difícil de abri-la. Logo passou para outra sala, mais iluminada de arejada. Lá havia uma estátua da Deusa Afrodite. A perplexidade tomou conta de sua mente:
- Essa é a senhora que conversava comigo agora a pouco no sonho...!
xOx
Em poucos minutos, ele estava no meio da arena. Ouvia atentamente os ruídos da arquibancada e procurava se distanciar da confusão concentrando seu cosmo. Ao seu redor, pequenas partículas começaram a ganhar forma, tornando-se aos poucos pétalas de rosas, das mais diversas cores.
Nesse torneio não é permitido usar o traje formal de cavaleiro - a armadura, por isso vestia-se de modo simples, com roupas de treino. O seu cabelo estava amarrado num rabo de cavalo baixo, para que não lhe atrapalhasse.
Aos poucos, vindo do outro lado da arena e parando a sua frente, estava seu oponente. Um homem alto de cabelos escuros curtos vestindo roupas de treino e uma máscara de prata no rosto, ocultando sua identidade.
Os ruídos da arquibancada cessaram, todos ali estavam curiosos para conhecer o cavaleiro. Nem mesmo Atena reconhecia aquele cavaleiro.
Shaka cutucou Miro e falou devagar: - É ele.
- O quê?!
- É ele mesmo.. – arqueou as sobrancelhas. – Agora reconheço seu cosmo...
Miro olhou bem para o cavaleiro e comentou: - E esse desgraçado nem ao menos mostra o rosto...
Na arena, Afrodite encarou o seu oponente como se quisesse enxergar através da máscara, contudo era em vão.
O cavaleiro de prata ajeitou os cabelos e elevou seu cosmo. Uma nuvem espessa se formou ao seu redor, e aos poucos tornou-se transparente.
"Deve ser uma espécie de barreira de defesa... mas que cosmo! Eu-eu já senti isso..." pensou Afrodite analisando a situação.
Atena levantou da sua cadeira e acenou rapidamente, era o sinal do início da luta.
O inimigo permaneceu imóvel, Afrodite conseguia perceber claramente que ele mantinha-se em posição de defesa. Decidiu atacar, mas não diretamente. Tentaria destruir a barreira transparente.
- ROSAS PIRANHA! – uma chuva de rosas negras caíram em cima do adversário. Uma barreira de ar deteve as rosas e impediu que elas atingissem o alvo.
O inimigo moveu os braços e jogou a corrente de ar em Afrodite. – MANIPULAÇÃO DOS AROMAS!
- Cuidado Afrodite! – gritou Miro. Mas foi tarde demais, ele havia recebido parte do golpe e com o impacto da massa de ar caiu no chão.
Uma breve tontura se apossou de sua mente e sua cabeça bambeou discretamente. Não conseguiu se levantar de imediato. "O que foi isso..." pensou se esforçando para focar a visão, cada vez mais embaçada.
- Droga! – Miro socou o ar. – Ele devia ter prestado mais atenção! Nem conhece o inimigo!
- Miro... ele é um cavaleiro de ouro. E esse golpe não foi lançado com força máxima..
- Sei.. – franziu as sobrancelhas.
Na arena. "Santinha Priscilla, o que ta acontecendo... parece que tomei quinhentas garrafas e licor... ai ai..." pensou mal conseguindo manter-se de pé.
O adversário cruzou os braços e esperou que ele conseguisse se manter de pé. Soltou uma tenebrosa gargalhada por debaixo da máscara.
Afrodite tentou um ataque: - ROSAS PIRANHA!
- Um mesmo golpe não funciona duas vezes contra o mesmo cavaleiro, Peixes.
- Que-Quem é você?
- Por acaso não se lembra de mim, Peixes? – ele abriu uma das mãos e dela surgiu uma bela flor.
O efeito do golpe parecia ter passado, agora Afrodite podia se mexer novamente com mais firmeza. Olhou em direção ao inimigo que se distraiu por um segundo observando a flor e atirou uma rosa piranha. Ela acertou a máscara de prata que se partiu em dois pedaços.
- A-A-Adonis!? – exclamou observando o cavaleiro a sua frente abrir um sorriso de ponta a outra.
- Em carne, osso e divina beleza! Meu peixinho...
xOx
Passadas algumas horas depois de acordar em meio a um sonho que beirava a realidade e a fantasia, Cypria se preparava para deixar aquele lugar misterioso. Em sua mente haviam muitas perguntas e dúvidas a solucionar, além do mal pressentimento quanto ao seu marido. Precisava o quanto antes revê-lo.
Sentia-se tonta e enjoada, concluiu que era pelo efeito dos incensos entorpecentes da sala onde esteve adormecida ou fraqueza por falta de alimentação. Olhou mais uma vez para a tal estátua e sentiu um calafrio.
"Me deu um frio de repente... preciso ir" pensou esfregando as mãos nos braços. Caminhou em passos lentos até a entrada da construção de pedra e olhou ao seu redor. Estava em uma clareira na mata, a sua direita havia um caminho de ladrilhos de pedra, optou por segui-lo.
Não precisou nem muito já estava na beira-mar.
- Onde é que estou? Aqui não é a Grécia? – olhou para os lados. Não havia nada. – Oh Zeus, o que faço?? – "Se eu pego quem me deixou aqui... eu mato!!" pensou furiosa.
Cenas de náufragos escrevendo com pedras na areia e sinais de fumaça vieram a sua mente quase automaticamente fazendo a sorrir da própria desventura. "Isso é ridículo... sou uma amazona de Atena, tenho que fazer algo menos apelativo..." pensou mirando o horizonte.
O sol da tarde chegava a linha do horizonte e estava prestes a sumir na imensidão do mar.
- Isso aqui ta ficando feio... Melhor me apressar. – forçou a mente. – Deve haver alguma cidade neste lugar... preciso sentir os cosmos... sim, do outro lado!
Correu em direção ao cosmo que sentia e acabou num pequeno vilarejo a poucos quilômetros de onde estava.
Era uma pequena vila com poucas casinhas e pessoas bem humildes. Ela se dirigiu até um senhor idoso de barba longa e branca que olhava o movimento da porta de sua casa.
- Senhor, que lugar é este?
- Aqui? Aqui é o povoado da Ilha de Chipre(1)! – o senhor olhou a bela moça a sua frente. – A senhorita está perdida?
- Er.. sim, quero apenas saber como faço para voltar para Atenas...
- Ah! Moça, isso é simples, temos um barco de aluguel que sai de hora em hora e vai até o continente. De lá sai um ônibus para Atenas.
Ela olhou para a roupa que estava, não tinha bolsos, bolsa ou qualquer coisa que servisse para carregar ou guardar o dinheiro. Este último era o que realmente não tinha.
- O que foi moça? – perguntou o senhor. – A senhorita se parece com minha neta.. infelizmente ela foi levada pelo barqueiro no mês passado(2)... Tenho muitas saudades dela...
- Oh... meus pêsames, senhor. – ela olhou para o chão. – Não foi nada...
- Está sem condições de viajar?
- Creio que sim.
- Não tem problema. O barco pertence ao meu filho. A senhorita irá por minha conta. – o senhor abriu um imenso sorriso.
- Muito obrigada, senhor! Onde fica o peer?
- A esquerda! Não há de quê! – acenou o senhor sentado na frente da sua casa. Com sua bengala e com muita dificuldade ele se levantou e observou a moça bonita se afastar de casa. Quando ela havia sumido de sua vista. Ele mudou de forma, passando a ter aquela imagem da senhora loira do templo. – Vá com Zeus minha filha...
A viagem de barco não foi nada agradável, o mar estava agitado e as ondas não paravam de balançar o carro. Saiu mais enjoada do que já estava. Mas só de respirar o ar puro, sem incensos ou maresia era o bastante para ela.
De volta ao Santuário, ela correu até a Casa de Virgem onde sentia o cosmo de Afrodite. Entrou como uma flecha e encontrou Afrodite adormecido.
- Cypria?!?! – exclamou Miro. – Você?!?!
- Sim, estou de volta.
- Vai embora com as crianças e com sua mãe??
- Não. Ainda nem me decidi quanto a isto. Por que pensa assim? – aproximou-se do marido.
- Você havia deixado um bilhete e... – foi interrompido por ela.
- O que aconteceu?
Shaka que havia acabado de voltar da cozinha explicou: - Ele perdeu na luta do torneio das Olimpíadas... para um aparente conhecido seu, Adonis.
Aquele nome soou estranho em seus ouvidos. E como um raio a reposta veio a sua mente: - Bem que ela me avisou...
- Ela quem? – perguntou Miro não entendendo mais nada.
- A Deusa Afrodite, a minha verdadeira mãe.
Depois de algumas longas explicações e perguntas de Miro, ela conseguiu que ele entendesse. – Agora, precisamos parar o Adonis, ele quer destruir Afrodite a todo custo...
Shaka sentando em sua flor-de-lótus manifestou-se pela segunda vez: - Cypria, não sente os sintomas da alergia? Afinal, você está próxima de Afrodite.
- Não. Acho que a influencia do cosmo do meu irmão foi cortada. – passou a mão no rosto de peixes. – Tenho certeza de que ele só perdeu porque está fraco emocionalmente... tudo culpa minha.
- Não pense assim... – replicou Miro. – Não se preocupe seus filhos também precisam de você... vá vê-los que nós cuidaremos dele.
- Tem razão. – ela caminhou até a porta. – Logo estarei de volta. – ambos assentiram com a cabeça.
Ao chegar em casa, ela caiu no sono novamente. Estava exausta.
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Um suave aroma entrou pelas janelas da casa de Virgem, construída por trás do templo. Shaka e Miro dormiam profundamente.
Uma figura esguia entrou lentamente na casa e parou próxima ao cavaleiro de peixes. Tomou-o em seus braços e saiu sorrateiramente pela porta da entrada em direção a um barco ancorado na praia próximo ao Santuário.
Colocou o corpo do cavaleiro na barca e tomou um rumo desconhecido. A madrugada estava apenas em seu início.
- Sinta o aroma delicioso da noite, meu peixinho... e aproveite para cair nos braços de Morpheu por hora, porque em pouco tempo estarás apenas nos meus... de mais ninguém! HUHUAHAHAHAHAAA!!
Continua...
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Nota do texto:
(1) Não tenho dados que comprovem esta informação, portanto entendam como fictícia... XD
(2) Jeito um tanto poético de dizer que a moça havia morrido.
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Nota da Autora:
Até que enfim! Temos revelado a identidade de nosso inimigo! Abaixo tem uma pequena ficha técnica...
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Adonis
Nome: Bartollo Canelloni
Idade: 2 anos mais novo que Afrodite
Signo: Virgem
História: Primo de segundo grau de Máscara da Morte, disputou a armadura de ouro com Afrodite e foi colega de treino na Groelândia. Perdeu e conseguiu uma armadura de prata bem insignificante da constelação de Máquina Pneumática.
Nacionalidade: Florença, Itália.
Habilidades: Manipular aromas e massas de ar com o seu cosmo.
Ataques: Bouquet de Primavera, Tornado Ébano e Manipulação dos Aromas.
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Depois do mistério revelado... qual será a verdadeira intenção desse ser maligno que separou o casal mais belo do Santuário?
' – Retificando: ELE não nos separou. Isso é apenas questão de tempo! Humpt! – referiu-se a alguém mais.
- VOCÊ não pode interferir em minha nota da autora, sabia?
- Mas os leitores precisam saber da verdade! Eu e Cypria teremos um final feliz! Teremos? – indagou. Afrodite foi posto para fora da sala de edição.'
Agora, sem mais interrupções, a história está perto do final e isso me dá mais força para escrever, mas também uma certa tristeza. 'As Rosas não falam' é uma fanfic que considero como a melhor que produzi, é que fiz com mais carinho e atenção, não só pelos enredos mas pelos capítulos, o desenvolvimento... é a minha predileta! E a agora perto de terminar a continuação, fico um pouco entristecida. Entretanto isso não vai influenciar no final da trama... heheheeh
Agradecimentos especiais a todos que leram o capítulo anterior! Muito obrigada!!
Até o próximo capítulo!
Lady Kourin
- Março/2007 -
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