Capítulo 1
— Céu, Rin necessida com urgencia de sexo.
Rin Alexander se estremeceu ao escutar o grito da Sango em metade do pequeno café de Nova Orleáns, onde se encontravam apurando os restos do almoço, consistente em feijões vermelhos com arroz. Infelizmente para ela, a voz de sua amiga possuía um encantador timbre agudo que podia fazer-se ouvir inclusive em metade de um furacão.
E que nesta ocasião, foi seguido de um repentino silêncio no atestado local.
Ao jogar uma olhada às mesas próximas, Rin percebeu que os homens deixavam de falar, e se giravam para observá-las com muito mais interesse do que lhe gostaria.
Jesus! Aprenderá alguma vez Sango a falar em voz baixa? Ou pior ainda, o que será quão próximo faça, tirá-la roupa e dançar nua sobre as mesas?
Outra vez.
Por enésima vez desde que se conheceram, Rin desejava que Sango pudesse sentir-se envergonhada. Mas sua vistosa, e freqüentemente extravagante, amiga não conhecia o significado de sorte uma palavra.
Tampou-se a cara com as mãos e fez o que pôde por ignorar aos curiosos olheiros. Um desejo irrefreável de deslizar-se sob a mesa, acompanhado de uma urgência ainda major de dar uma boa patada a Sango, consumiam-na.
— por que não fala um pouquinho mais alto, San? —murmurou—. Suponho que os homens do Canadá não terão podido te escutar.
— OH, não sei — disse o muito bonito garçom moreno ao deter-se junto a sua mesa—. Certamente se dirigem para aqui enquanto falamos.
Um calor abrasador tomou por assalto as bochechas do Rin ante o diabólico sorriso que lhe dedicou o garçom, obviamente em idade de ir à universidade.
— Posso lhes oferecer algo mais, senhoras? —perguntou, e depois olhou diretamente ao Rin—. Ou para ser mais exatos, há algo que possa fazer por você, senhora?
Que tal uma bolsa com a que me tampar a cabeça e um pau para golpear a San?
— Acredito que já acabamos — respondeu Rin com as bochechas ardendo. Definitivamente, mataria a Sango por isso—. Só necessitamos a conta.
— Muito bem, então — disse tirando a nota, e escrevendo algo na parte superior do papel. Colocou-a justo diante do Rin—. Pode me chamar se necessitar de algo.
Uma vez o garçom partiu, Rin se deu conta de que tinha cotado seu nome e seu telefone na parte superior do papel.
Sango lhe jogou uma olhada e soltou uma gargalhada.
— Espera e verá — lhe disse Rin, reprimindo um sorriso enquanto calculava a importância da metade da conta com seu telefone—. Me pagara isso.
Sango ignorou a ameaça e se dedicou a procurar o dinheiro em sua bolsa adornada com contas.
— Sim, sim. Isso o diz agora. Se eu estivesse em seu lugar, marcaria esse número. É muito bonito o menino.
— Jovenzinho — corrigiu Rin —. E acredito que vou passar. Quão último preciso é que me encerrem por corrupção de menores.
Sango passeou o olhar pelo preciso lugar onde o garçom esperava, com um quadril apoiado na barra.
— Sim, mas olhe ao Brad Pitt, que está aí em frente, bem o merece. Pergunto-me se terá algum irmão maior…
— E eu me pergunto quanto estaria disposto a pagar Mirok por saber que sua mulher ficou todo o almoço comendo com os olhos a um rapaz.
Sango soprou enquanto deixava o dinheiro sobre a mesa.
— Não o estou comendo com os olhos. Estou-o avaliando para você. Depois de tudo, era de sua vida sexual do que falávamos.
— Bom, minha vida sexual é sensacional e não lhe interessa às pessoas que nos rodeia. —E detrás soltar o dinheiro na mesa, agarrou a última parte de queijo e se encaminhou para a porta.
— Não te zangue-lhe disse Sango enquanto saía atrás dela à rua, lotada de turistas e dos clientes habituais dos estabelecimentos do Jackson Square.
As notas de jazz de um solitário saxofone se escutavam por cima da cacofonia de vozes, cavalos e motores de automóveis; uma quebra de onda de calor típico de Louisiana as recebeu ao sair à rua.
Tentado não fazer caso do ar, tão espesso que dificultava a respiração, Rin se abriu caminho entre a multidão e as bancas ambulantes, dispostos ao longo da cerca de ferro que rodeava Jackson Square.
— Sabe que é certo — lhe disse Sango uma vez a alcançou—. Quero dizer, Meu Deus, Rin!, Quanto faz? Dois anos?
— Quatro — respondeu ela com ar ausente—. Mas a quem lhe interessa levar a conta?
— Quatro anos sem ter relações sexuais? —repetiu Sango incrédula.
Várias pessoas se detiveram, curiosas, para observar alternativamente a Sango e Rin.
Alheia —como era habitual nela— à atenção que despertava Sango continuou sem deter-se.
— Não me diga que você esqueceu que estamos em plena Era da Eletrônica. Ou seja, vamos ver, algum de seus pacientes sabe que leva tanto tempo sem?
Rin acabou de tragar a parte de queijo e dedicou a sua amiga um desagradável e furioso olhar. É que a intenção da Sango era a de gritar a todo pulmão, em plena Vieux Carre, seus assuntos pessoais a tudo humano e cavalo que passasse pela zona?
—Baixa a voz — lhe disse, e acrescentou com secura—, não acredito que seja da incumbência de meus pacientes se for ou não a reencarnação da Virgem. E com respeito à Era da Eletrônica, não quero ter uma relação com algo que vem acompanhado de uma etiqueta com advertências e umas pilhas.
Sango soltou o ar.
— Sim, te ouvindo falar assim diria que a maioria dos homens deveriam vir acompanhados de uma etiqueta com esta advertência: —elevou as mãos para emoldurar a seguinte afirmação— Atenção, por favor, Alerta Psíquica. Eu, macho - man sou propenso a sofrer horríveis mudanças de humor, e a pôr caras largas, e possuo a habilidade de dizer a verdade a uma mulher sobre seu peso, sem prévio aviso.
Rin soltou uma gargalhada. Tinha ouvido esse discurso em inumeráveis ocasione, sobre as etiquetas que deveriam levar os homens.
— Ah, já o entendo, Doutora Amor — disse Sango imitando a voz da doutora Ayame—. Você se limita a sentar-se e escutar como seus pacientes lhe largam todos os detalhes íntimos de seus encontros sexuais, enquanto você vive como um membro vitalício do "Clube das Calcinhas do Teflón". —baixando a voz, Sango acrescentou: — Não posso acreditar que depois de tudo o que escutaste em suas sessões, nada tenha conseguido revolucionar seus hormônios.
Rin lhe lançou um olhar divertido.
— Bom, a ver, sou uma sexóloga. Não me beneficiaria muito que meus pacientes se dedicassem a me fazer experimentar seus romances enquanto jogam fora todos seus problemas. Sério, San, perderia o título.
— Pois não entendo como pode lhes aconselhar, quando nem sequer te aproxima de um homem.
Fazendo uma careta, Rin começou a caminhar para o lado oposto da praça, justo frente ao Escritório de Informação Turística, onde Sango tinha instalado sua barraca para jogar as cartas e ler as linhas das mãos. Quando chegou à barraca — uma mesa coberta com uma manta de cor arroxeado intenso—, suspirou.
— Sabe que não me importaria ficar com um homem que se merecesse que me depilasse as pernas. Mas a maioria resulta ser uma perda de tempo tão evidente que prefiro me sentar no sofá e ver as reposições do Hee Haw.
Sango lhe dedicou uma expressão irritada.
— O que tinha de mau Roberto?
— Mau alido.
— E Luciano?
— adorava pinçar-se no nariz. Especialmente durante o jantar.
— Tony?
Rin olhou Sango e esta elevou as mãos.
— Vale, possivelmente tivesse um pequeno problema com o das apostas. Mas é que todos precisamos nos distrair com algo.
Rin a olhou furiosa.
— Né, Madame Sango, já retornaste do almoço? —perguntou-lhe Sunshine da barraca situado justo ao lado da dela, no que vendia objetos de louça e desenhos, feitos por ela.
Uns anos mais jovem que elas, Sunshine tinha uma larga juba negra e sempre levava roupas que a Rin faziam pensar que estava diante de uma fada. Sua vestimenta de hoje consistia em uma leviana saia branca, que tivesse resultado obscena de não ser pelas meias-calças rosados que levava debaixo, e uma preciosa camisa de estilo medieval.
— Sim, já retornei — lhe respondeu Sango enquanto se ajoelhava para abrir a tampa do carrinho da compra que todas as manhãs assegurava à grade de ferro com uma dessas cadeias que se usam para as bicicletas—. Algo interessante durante minha ausência?
— Um par de meninos agarraram um de seus cartões, e disseram que retornariam depois de comer.
— Obrigado —disse Sango guardando o moedeiro no carro, tirou a caixa de puros azul onde guardava o dinheiro e as cartas de taro —sempre envoltas em um lenço de seda negra—, e um magro, mas gigantesco, libero com tampas de couro marrom que Rin não tinha visto nunca.
Sango se colocou seu enorme chapéu de palha, deu-se a volta e ficou em pé.
— Seus artigos têm os preços marcados? —perguntou ao Sunshine.
— Sim — lhe respondeu enquanto agarrava seu moedeiro—. Sigo dizendo que traz má sorte; mas ao menos, se alguém quer saber o que valem quando não estou, pode averiguá-lo.
Uma motocicleta de aspecto desastroso freou a certa distância.
— Né, Sunshine! —gritou o condutor—. Move esse seu traseiro. Tenho fome.
A garota lhe saudou sem fazer caso à ordem.
— Não me chateie ou comerá você só — lhe respondeu enquanto caminhava sem pressas para ele, e subia à parte traseira da moto.
Rin moveu a cabeça enquanto lhes observava. Sunshine necessitava que alguém lhe aconselhasse sobre suas entrevistas, muito mais que ela. Seguiu-lhes com o olhar enquanto passavam diante do Café du Pode.
— OH! Um pedaço de torta seria perfeito como sobremesa.
— A comida não pode substituir ao sexo — lhe disse Sango enquanto colocava as cartas e o livro sobre a mesa—. Não é isso o que sempre diz…?
— De acordo, o ponto é teu. Mas, San, sério, a que vem este repentino interesse em minha vida sexual? Melhor dizendo, em minha falta dela.
Sango agarrou o livro.
— A que tenho uma idéia.
O calafrio que sentiu diante das palavras de sua amiga lhe chegou até os ossos, e isso que o calor era cansativo. E ela não se assustava facilmente. Bom, a não ser que Sango estivesse envolta com uma de suas idéias típicas de "mamãe galinha".
— Não será outra sessão espirita?
— Não, isto é melhor.
Em seu interior, Rin se encolheu e começou a perguntar-se o que seria de sua vida nesses momentos se tivesse tido uma companheira de habitação normal o primeiro ano na faculdade, em lugar da Sango Quero Ser Uma Cigana Travessa. De algo estava segura: não estaria discutindo de sua vida sexual em meio de uma rua cheia de gente.
Nesse momento, fixou-se em quão diferentes eram. Ela suportava o úmido calor com um ligeiro vestido sem mangas de seda cor nata, do Ralph Lauren, e levava o cabelo escuro recolhido em um sofisticado coque. Em contraste, Sango levava uma larga e vaporosa saia negra com um apertado Top de suspensórios arroxeado que apenas lhe cobria seus generosos seios. O cabelo negro e liso, que chegava aos quadris, estava recolhido com um lenço de seda negra, com bolinhas semelhantes às de um leopardo. O traje se completava com uns enormes pendentes de prata, em forma de lua cheia, que penduravam virtualmente até os ombros. Sem mencionar a pulseiras de prata que se colocou em ambas os braços, em forma de cento e cinqüenta braceletes. Braceletes que tilintavam cada vez que se movia.
A gente sempre tinha reparado em suas diferenças físicas, mas ela sabia que Sango escondia uma mente ardilosa e uma grande insegurança sob seu «exótico» traje. Por dentro, pareciam-se muito mais do que qualquer podia imaginar.
Exceto na estranha crença que Sango tinha desenvolvido pelo ocultismo.
E em seu insaciável apetite sexual.
Aproximando-se dela, Sango deixou o livro nas mãos — pouco dispostas a Rin começou a passar as folhas. As arrumou para não deixá-lo cair.
E para não pôr os olhos em branco pela exasperação que a invadia.
— Encontrei isto o outro dia, nessa velha livraria que há junto ao Museu de Cera. Estava debaixo a uma montanha de pó; tentava encontrar um livro sobre psicometría quando de repente vi este, Voilà! —disse assinalando triunfalmente à página.
Rin olhou o desenho e ficou com a boca aberta.
Jamais tinha visto um pouco parecido.
O homem do desenho era fascinante, e a pintura estava realizada com assombroso detalhe. Se não fosse pelas marcas deixadas na página ao ter sido impressa, diria que se tratava de uma fotografia atual de alguma antiga estátua grega.
Não, corrigiu-se a se mesma: de um deus grego. Estava claro que nenhum mortal podia jamais ter essa pinta tão fantástica.
Gloriosamente nu, o tipo exsudava poder, autoridade, uma agressiva e selvagem sexualidade. Embora sua pose parecesse ser casual, dava a sensação de estar contemplando um depredador preparado para ficar em ação em qualquer momento.
As veias lhe marcavam naquele corpo perfeito que prometia possuir uma força inigualável, desenhada especificamente para proporcionar prazer a uma mulher.
Com a boca seca, Rin observou os músculos, que tinham as proporções adequadas para sua altura e seu peso. Contemplou a profunda fenda que separava os duros peitorais e baixou até o estômago — esculpido com forma de tablete de chocolate—, que suplicava ser acariciado por uma mão feminina.
E então chegou ao umbigo.
E depois a…
Bom, não lhes tinha ocorrido tampar aquilo com uma folha de parra. E por que deveriam havê-lo feito? Quem, em são julgamento, ia querer ocultar uns atributos masculinos tão maravilhosos? E seguindo com aquela linha de pensamento, quem necessitaria um artefato com pilhas tendo aquilo em sua casa?
Umedeceu os lábios e voltou a olhar.
Enquanto contemplava os afiados e arrumados contornos do rosto, e os lábios — com um diabólico sorriso logo que esboçado—, assaltou-lhe a imagem de uma ligeira brisa agitando essas prateadas mechas, esclarecidos pelo sol, que se encrespavam ao redor do pescoço, especialmente desenhado para cobrir o de úmidos beijos. E daqueles penetrantes olhos de cor âmbar, enquanto elevava uma lança sobre a cabeça, e gritava.
O sufocante ar que lhe rodeava se estremeceu ligeiramente de forma repentina, e lhe acariciou as partes de seu corpo expostas à brisa.
Quase podia escutar o profundo timbre da voz do tipo, e sentir como aqueles musculosos braços a envolviam e a atraíam para um peito duro como uma rocha, enquanto seu quente fôlego lhe roçava a orelha.
Percebia umas mãos fortes e peritas que vagavam por seu corpo, e lhe proporcionavam um deleite delicioso, enquanto procuravam seus mais recônditos lugares.
Um calafrio lhe percorreu as costas e o corpo começou a lhe palpitar em zonas onde nunca tinha pensado que aquilo pudesse ocorrer. Sentia uma dor feroz e exigente que jamais tinha experiente.
Piscou e voltou a olhar a Sango, para ver se também ela se viu afetada do mesmo modo. Mas se assim era, não dava sinais disso.
Devia estar alucinando. Exato! As especiarias dos feijões lhe tinham chegado ao cérebro e o tinham convertido em mingau.
— O que opina dele? —perguntou-lhe Sango, olhando-a por fim aos olhos.
Rin se encolheu de ombros, em um esforço por esquecer a fogueira que abrasava seu corpo. Mas seus olhos voltaram a atrasar-se nas perfeitas formas do homem.
— parece-se com um paciente que teve entrevista ontem.
Bom, não era exatamente certo… o menino que tinha estado em sua consulta era medianamente atrativo, mas nada que ver com o homem do desenho.
Jamais tinha visto algo assim em toda sua vida!
— De verdade? —os olhos da Sango adquiriram um matiz escuro que prognosticava o começo de seu sermão sobre as oportunidades de conseguir uma entrevista e a intervenção do destino.
— Sim — disse cortando a Sango antes de que pudesse começar a falar—. Me disse que era uma lésbica apanhada no corpo de um homem.
Sango abriu a boca, muda de assombro. Agarrou o livro, tirando-lhe das mãos, e o fechou com força enquanto a olhava furiosa.
— Sempre conhece as pessoas mais estranhas.
Rin elevou uma sobrancelha.
— Nem te ocorra dizê-lo — disse Sango enquanto ocupava seu lugar habitual depois da mesa. Colocou o livro a seu lado — Lhe advirto isso; isto — disse, dando dois golpe sitos ao livro— é o que está procurando.
Rin olhou fixamente a sua amiga enquanto pensava no absolutamente convincente que parecia Madame Sango — auto proclamada Senhora da Lua—, sentada atrás de suas cartas de taro, com aquela mesa redonda, e o misterioso livro sob as mãos. Nesse momento, quase podia acreditar que Sango era em realidade uma esotérica cigana.
Se acreditasse nessas coisas.
— Vale — disse Rin dando-se por vencida—. Deixa de falar com rodeios e me diga o que têm que ver esse livro e esse desenho com minha vida sexual.
O rosto da Sango adotou uma expressão bastante séria.
— O tipo que te ensinei… Sesshoumaru… é um escravo sexual grego que está obrigado a cumprir os desejos daquela que lhe invoque, e a adorá-la.
Rin riu com vontades. Sabia que estava sendo muito mal educada, mas não pôde evitá-lo. Como demônios ia acreditar em Sango, uma licenciada em história antiga e em física e com um doutorado em filosofia, em um pouco tão ridículo, até com todas suas excentricidades?
— Não te ria. Digo-o a sério.
— Já sei isso é o que me faz graça — se esclareceu garganta e se serenou—. Vale o que tenho que fazer? Tirar-me a roupa e dançar nua no meio da praça a meia-noite? —um leve intento de sorriso curvou seus lábios, sem lhe importar que os olhos da Sango se obscurecessem a modo de aviso—. Tem razão, encarregar-me-ei de conseguir uma boa sessão de sexo, mas não acredito que seja com um esplêndido escravo sexual grego.
O livro caiu da mesa.
Sango deu um grito, levantou-se de um salto e atirou a cadeira.
Rin ofegou.
— Empurrou-o com o cotovelo, verdade?
Sango negou com a cabeça muito devagar; tinha os olhos abertos como pratos.
— Confesse San.
— Não fui eu — disse com uma expressão mortalmente séria—. Acredito que o ofendeu.
Movendo a cabeça ante aquela necessidade, Rin tirou da bolsa os óculos de sol e as chaves. Bem, estupendo, isto se parecia com a época da faculdade, quando San lhe falou de usar um antigo jogo, e o forjou tudo para que lhe dissesse que ia se casar com um deus grego quando cumprisse os vinte e cinco anos, e que ia ter seis filhos com ele.
Até o dia de hoje, Sango se negava a admitir que tinha sido ela a que dirigisse o ponteiro.
E, neste preciso momento, fazia muito calor sob o implacável sol de agosto para discutir.
— Olhe, preciso retornar ao consultório. Tenho uma consulta as duais em ponto e não quero chegar atrasada — lhe disse enquanto colocava os óculos escuros — Virá então esta noite?
— Não me perderia isso por nada do mundo. Levarei o vinho.
— Bem, vejo-te as oito. —E fez uma larga pausa para acrescentar: — diga pro Mirok um olá e muito obrigado por te deixar me visitar no meu aniversário.
Sango a observou afastar-se e sorriu.
— Espera a ver seu presente — sussurrou, e recolheu o livro do chão. Passou a mão pela suave tampa de couro esculpido, e tirou umas bolinhas de pó.
Voltou a abri-lo e observou de novo o maravilhoso desenho; aqueles olhos tinham sido desenhados com tinta amarela, e mesmo assim, davam a impressão de ser de um profundo âmbar, mas claro que o sol.
Por uma só vez seu feitiço ia funcionar. Estava segura.
— Você gostará da Rin, Sesshy — murmurou dirigindo-se ao homem enquanto percorria com os dedos seu corpo perfeito—. Mas devo te advertir algo: acabaria com a paciência de um santo. E para transpassar suas defesas vai resultar mais duro que abrir uma brecha na muralha da Tróia. Não obstante, se alguém pode ajudá-la, esse é você.
Sentiu que o livro desprendia uma súbita quebra de onda de calor sob sua mão, e soube instintivamente que era a forma que Sesshoumaru escolhia para lhe dar a razão.
Rin pensava que estava louca por causa de suas crenças, mas sendo a primeira filha de uma primeira filha, e com o sangue cigano que corria por suas veias, Sango sabia que havia certas coisas na vida que desafiavam qualquer explicação. Certas correntes de energia misteriosa que passavam despercebidas, esperando que alguém as canalizasse.
E essa noite haveria lua cheia.
Devolveu o livro à segurança do carrinho da compra e o fechou com chave. Estava segura que tinha sido coisa do destino que o livro chegasse até ela. Havia sentido sua chamada onde estava.
Posto que levava dois anos felizmente casada, soube que não estava destinado a ela. Usava-a para chegar onde o necessitavam.
Até Rin.
Seu sorriso se alargou. Como seria ter a este incrivelmente arrumado escravo sexual grego a sua disposição e dispor dele durante todo um mês…
Sim. Este era, definitivamente, um presente de aniversário que Rin recordaria durante o resto de sua vida
Se alguém achar esse livro, por favor, me te em de presente, fiquei super feliz com as reviews espero que gostem desse capitulo e comente.
Beijos:
Rinsamar22
Ana Spizziolli
Hachi-chan2
Kuchiki Rin
Lady Muise
bek-chan
Rukia-Hime
Acdy-chan
Sereninha
Individua do mal
sandramonte
paty saori shinzato morita
