Capítulo 4

Sesshoumaru elevou uma sobrancelha ante a crua e inesperada analogia. Mas mais que as palavras, o que lhe surpreendeu foi o tom amargo de sua voz. Deveram utilizá-la no passado. Não era de sentir saudades que se assustasse dele.

Uma imagem do Kagura lhe passou pela mente e sentiu uma pontada de dor no peito, tão feroz que teve que recorrer a seu firme treinamento militar para não cambalear-se.

Tinha muitos pecados que expiar. Alguns tinham sido tão grandes que dois mil anos de cativeiro não eram mais que o princípio de sua condenação.

Não é que fosse um bastardo de nascimento; é que, depois de uma vida brutal, infestada de desespero e traições, tinha acabado convertendo-se em um.

Fechou os olhos e se obrigou a afastar esses pensamentos. Isso era, nunca melhor dizendo, história antiga e isto era o presente. Rin era o presente.

E estava nele por ela.

Agora entendia o que Sango queria dizer quando lhe falou sobre Rin. Por isso lhe convocaram. Para mostrar a Rin que o sexo podia ser divertido.

Nunca antes se encontrou em uma situação semelhante.

Enquanto a observava, seus lábios desenharam um lento sorriso. Esta seria a primeira vez que teria que perseguir uma mulher para que o aceitasse. Anteriormente, nenhuma tinha rechaçado seu corpo.

Com a inteligência de Rin e sua teimosia, sabia que levar-lhe à cama seria uma provocação comparável ao de tender uma emboscada ao exército romano.

Sim, ia saborear cada momento.

Igual a acabaria saboreando-a a ela. Cada doce centímetro de seu corpo.

Rin tragou saliva ante o primeiro sorriso genuíno de Sesshoumaru. O sorriso suavizava sua expressão e o fazia ainda mais devastador.

Que demônios estaria pensando para sorrir assim?

Por enésima vez, sentiu que lhe subiam as cores ao pensar em seu corpo nu. Não o tinha feito a propósito; em realidade não gostava de despir seus sentimentos ante ninguém, especialmente ante um desconhecido.

Mas havia algo fascinante neste homem. Algo que ela percebia de forma perturbadora. Possivelmente fosse a dissimulada dor que refletiam de vez em quando nesses celestiais olhos âmbares, quando o pilhava com a guarda baixo. Ou talvez fossem seus anos como psicóloga, que lhe impediam de ter uma alma atormentada em sua casa e não lhe emprestar ajuda.

Não sabia.

O relógio de parede do saguão da escada deu uma da manhã.

— meu deus! —disse assombrada pela hora—. Tenho que me levantar às seis da manhã.

— Vai à cama?, a dormir?

Se o humor de Sesshoumaru não tivesse sido tão anti-social, o espanto que mostrou seu rosto teria feito Rin rir de boa vontade.

— Tenho que ir.

Ele franziu o cenho…

Dolorido?

— Ocorre-te algo? —perguntou ela.

Sesshoumaru negou com a cabeça.

— Bom, então vou de mostra o quarto onde você vai dormir e…

— Não tenho sono.

Rin ficou sobressaltada com suas palavras.

— O que?

Sesshoumaru a olhou, incapaz de encontrar as palavras exatas para lhe descrever o que sentia. Tinha ficado tanto tempo no livro, que o único que queria fazer era correr ou saltar. Fazer algo para celebrar sua repentina liberdade de movimentos.

Não queria ir-se à cama. A idéia de permanecer convexo na escuridão um só minuto mais…

esforçou-se por voltar a respirar.

— estive descansando desde 1895 — lhe explicou—. Não estou muito seguro dos anos que transcorreram, mas pelo que vejo, foram muitos.

— Estamos no ano 2008 —lhe informou Rin—. Esteve «dormindo» durante cento e treze anos. —Não, corrigiu-se ela mesma. Não tinha estado dormindo.

Haviam-lhe dito que podia escutar qualquer conversação que tivesse lugar perto do livro; o que significava que tinha permanecido acordado durante seu fechamento. Isolado. Sozinho.

Ela era a primeira pessoa com a que tinha falado, ou estado perto, depois de cem anos.

Fez-lhe um nó no estômago ao pensar no que devia ter suportado. Embora a prisão de seu acanhamento nunca tinha sido tangível para ela, sabia o que era escutar às pessoas e não ser parte delas. Permanecer como uma simples espectadora.

— Eu gostaria de poder ficar acordada — disse, reprimindo um bocejo—. De verdade; mas se não dormir o suficiente, meu cérebro se converte em gelatina e fica sem bateria.

— Entendo-te. Ao menos entendo o essencial, embora não sei o que seja gelatina nem a bateria.

Rin ainda percebia sua desilusão.

— Pode ver televisão.

— Televisão?

Pegou o prato vazio e o lavou antes de retornar com Sesshoumaru à sala de estar. Ligou a televisor e o ensinou a trocar os canais com o controle remoto.

— Incrível -sussurrou ele enquanto o utilizava pela primeira vez.

— Sim, é algo muito útil.

Isso o manteria ocupado. Depois de tudo, os homens só necessitavam três coisas para ser felizes: comida, sexo e um controle remoto. Dois de três deveriam mantê-lo satisfeito por um momento.

— Bom — disse enquanto se dirigia às escadas—. Boa noite.

Ao passar a seu lado, Sesshoumaru lhe tocou o braço. E, embora tenha sido muito ligeiro, Rin sentiu uma descarga elétrica.

Com o rosto inexpressivo, seus olhos deixavam ver todas as emoções que o invadiam. Rin percebeu seu sofrimento e sua necessidade; mas sobre tudo, captou sua solidão.

Não queria ficar sozinho.

Umedecendo-os lábios — que tinham secado de forma repentina—, disse algo incrível.

— Tenho outra televisão em meu quarto. Por que não vê ali o que queira, enquanto eu durmo?

Sesshoumaru lhe dedicou um sorriso tímido.

Foi atrás dela enquanto subiam as escadas, totalmente surpreso pelo fato de que Rin o tivesse compreendido sem palavras. Tinha sentido sua necessidade de companhia, sem preocupar-se de seus próprios temores.

Isso lhe fez sentir algo estranho por ela. Uma estranha sensação no estômago.

Ternura?

Não estava seguro.

Rin o levou até uma enorme habitação presidida por uma cama com dossel, situada na parede oposta à porta de entrada. Em frente da cama havia uma cômoda e, sobre ela, uma como o tinha chamado Rin?, televisão?

Observou como Sesshoumaru passeava por seu quarto, olhando as fotografias que havia nas paredes e sobre os móveis; fotografias de seus pais e de seus avós, ela e Sango na faculdade, e uma de um cão que teve quando era pequena.

— Vive sozinha? —perguntou-lhe.

— Sim — disse, aproximando-se da cadeira de balanço que estava junto à cama. Sua camisola estava sobre ela. Agarrou-o e depois olhou para Sesshoumaru e à toalha verde que ainda levava ao redor de seus esbeltos quadris. Não podia deixar que se metesse na cama com ela daquela jeito.

Ou poderia.

Não, não poderia.

Por favor?

Shh! Parte irracional de mim, te cale e me deixe pensar.

Ainda guardava os pijamas de seu pai no dormitório; ali estavam todas seus pertences e para Rin, era um lugar sagrado. Tendo em conta a largura dos ombros de Sesshoumaru , estava segura de que as camisas não lhe serviriam, mas as calças tinham cinturas adaptáveis e, embora ficassem curtos, ao menos não lhe cairiam.

— Espere um minuto — lhe disse—. Não demorarei nada.

Depois de vê-la partir com uma rapidez admirável, Sesshoumaru se aproximou das janelas e apartou as cortinas de encaixe branco. Observou as estranhas caixas metálicas —que deviam ser os automóveis— enquanto passavam por diante da casa com aquele zumbido tão estranho que não cessava um instante, semelhante ao ruído do mar. As luzes iluminavam as ruas e todos os edifícios; pareciam-se com tochas que havia em sua terra natal.

Que insólito era este mundo. Estranhamente parecido com o dele e, mesmo assim, tão diferente.

Tentando associar os objetos que via com as palavras que tinha escutado ao longo das décadas; palavras que não compreendia. Como televisão e lâmpada.

E pela primeira vez desde que era menino, sentiu medo. Não gostava das mudanças que percebeu, a rapidez com que as coisas tinham evoluído no mundo.

Como seria a proxima vez que o invocassem?

Estaria tudo diferente de novo, mas cem anos poderia passar?

Ou o que era mais aterrador, e se jamais voltassem a invocá-lo?

Tragou saliva ante aquela idéia. E se ficasse preso durante toda a eternidade? Só acordado. Alerta. Sentindo a opressiva escuridão em torno dele, deixando-o sem ar nos pulmões enquanto seu corpo se rasgava de dor.

E se não voltasse a caminhar de novo como um homem? Ou a falar com outro ser humano, ou a tocar a outra pessoa?

Nessa época se falava muito em computadores. Tinha escutado ao dono da livraria falar sobre eles com os clientes. Que esse era o futuro, que os livros mas sedo ou tarde seriam substituído de vez.

O que seria dele então?

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Vestida com sua regata de dormir rosa, Rin se deteve o quarto de seus pais, junto à porta de espelho do quarta-roupa, onde guardou os alianças de casamento o dia posterior ao funeral. Podia ver o débil resplendor do diamante de meio quilate.

A dor fez que lhe formasse um nó na garganta; lutou contra as lágrimas que brotavam de seus olhos.

Com vinte anos recém cumpridos naquela época, tinha sido o suficientemente arrogante para pensar que era uma pessoa amadurecida e capaz de fazer frente a algo que a vida lhe pusesse por diante. Acreditou-se invencível. E em um segundo, sua vida se derrubou.

A morte lhe arrebatou tudo aquilo que uma vez teve: a segurança, a fé, sua crença na justiça e, sobre tudo, o amor sincero de seus pais e seu apoio emocional.

Apesar de toda sua vaidade juvenil, não tinha estado preparada para que lhe arrebatassem por completo toda sua família.

E, embora tivessem acontecido cinco anos atrás, ainda sentia falta deles. A dor era muito profunda. O velho ditado que dizia segundo o qual era melhor ter conhecido o amor antes de perdê-lo, era uma enorme fraude. Não havia nada pior que perder as pessoas que, mas amamos em um estúpido acidente de carro.

Incapaz de enfrentar sua ausência, Rin tinha selado o quarto depois do funeral, e o tinha deixado como estava.

Abriu a gaveta onde seu pai guardava os pijamas e tragou saliva. Não havia mexido ali dês da morte de seus pais.

Ainda recordava a risada de sua mãe. As brincadeiras sobre o conservador estilo de seu pai, que sempre escolhia pijamas de flanela.

Pior ainda, recordava o amor que existia entre eles.

O que daria ela por encontrar um amor perfeito, como de seus pais, que apesar dos obstáculos estavam sempre juntos. Tinham estado casados vinte e cinco anos antes de morrer, e seu amor tinha permanecido intacto desde dia que se conheceram.

Não podia recordar um só momento em que sua mãe não sorri se ante as brincadeiras de seu pai. Sempre foram agarrados de mão como dois adolescentes, e se roubavam beijos quando acreditavam que ninguém os via.

Mas ela os via.

E agora o recordava.

Queria esse tipo de amor. Mas por alguma razão, não tinha encontrado a um homem que a deixasse sem fôlego. Um homem que conseguisse encher seu coração e que seus sentidos se cambaleassem.

Um homem sem o qual a vida não tivesse sentido.

— OH, mamãe! —balbuciou, desejando que seus pais não tivessem morrido aquela noite.

Desejando…

Não sabia o que. Quão único queria era conseguir algo que lhe fizesse pensar no futuro. Algo que lhe fizesse feliz; da mesma forma que seu pai tinha feito feliz a sua mãe.

Mordendo o lábio, Rin agarrou a calça de quadros azul marinho e branco, e saiu correndo da habitação.

— Aqui tem — disse mostrando o objeto a Sesshoumaru e saindo a toda pressa por volta do quarto de banho, em metade do corredor. Não queria que ele fosse testemunha de suas lágrimas. Não voltaria a mostrar-se vulnerável diante de um homem.

Sesshoumaru trocou a toalha pelas calças e foi atrás de Rin. Tinha fechado de uma portada a porta mais próxima à seu quarto onde ele se encontrava.

— Rin — a chamou enquanto abria a porta com suavidade.

Ficou paralisado ao vê-la chorar. Estava sentada no chão. Tampou-se a boca com uma toalha, em um intento de sufocar seus soluços.

Apesar de sua severa educação e dos dois mil anos de auto controle, Sesshoumaru se viu miserável por uma quebra de onda de compaixão. Rin chorava como se alguém lhe tivesse quebrado o coração.

E isso o fazia sentir-se incômodo. Inseguro.

Apertando os dentes, afastou aqueles insólitos sentimentos. Se algo tinha aprendido durante sua infância era a não se aprofundar nos problemas de outros, porque nunca trazia nada bom. Não ter que cuidar de ninguém mais que não seja ele mesmo. Cada vez que tinha cometido o engano de interessar-se por alguém, tinha-o pago com acréscimo.

Além disso, nesta ocasião não havia tempo. Nada de tempo.

Quanto menos tivesse que ver com as emoções e a vida de Rin, mais fácil lhe resultaria voltar a suportar seu confinamento.

E, então, as palavras de Rin o golpearam com força, justo em metade do peito. Ela o tinha definido à perfeição: não era mais que um gato dedicado a conseguir prazer e depois partir.

Aferrou-se com força ao atirador da porta. Não era um animal. Ele também tinha sentimentos.

Ou, ao menos, estava acostumado aos ter.

Antes que pudesse reconsiderar suas ações, entrou na estadia e a abraçou. Rin lhe rodeou a cintura com os braços e se apoiou nele como se tratasse de um salva-vidas, enquanto enterrava a cara em seu peito nu e soluçava. Todo seu corpo tremia.

Um ponto muito estranho se abriu no interior do coração de Sesshoumaru. Um profundo desejo que não sabia muito bem como definir.

Jamais em sua vida tinha consolado a uma mulher que chorava. Deitou-se com tantas que não podia recordá-lo; mas nunca, jamais, tinha abraçado a uma mulher como estava abraçando a Rin. Nem depois de fazer amor. Uma vez que acaba se de estar com uma mulher, levantava-se e procurava algo com o que entreter-se até que fosse requerido de novo.

Inclusive antes da maldição, jamais tinha demonstrado ternura por ninguém. Nem por sua esposa.

Como soldado, tinha sido treinado desde que tinha uso de razão para mostrar-se feroz, frio e duro.

«Volta com seu escudo, ou sobre ele». Essas foram às palavras de sua madrasta o dia que o agarrou pelo cabelo e o jogou de sua casa para que começasse o treinamento militar, à tenra idade de sete anos.

Seu padrasto tinha sido ainda pior. Um legendário comandante espartano que não tolerava amostras de debilidade. Nem de emoção. Seu padrasto o ensinou a ocultar a dor. Ninguém podia ser testemunha de seu sofrimento.

Até o dia de hoje, ainda podia sentir o látego sobre a pele nua de suas costas, e escutar o som que fazia o couro ao cortar o ar entre golpe e golpe. Podia ver a zombadora careta de desprezo no rosto de seu padrasto.

— Sinto-o — murmurou Rin sobre seu ombro, lhe devolvendo ao presente.

Ela elevou a cabeça para poder olhar em seus olhos. Tinha os olhos chocolates brilhantes pelas lágrimas e pareciam espelhos que refletiam a dor em seu coração, congelado desde fazia séculos por necessidade e por obrigação.

Incômodo, Sesshoumaru se afastou dela.

— Sente-se melhor?

Rin limpou as lágrimas e se esclareceu garganta. Não sabia por que tinha ido Sesshoumaru atrás dela, mas tinha passado muito tempo da última vez que alguém a consolou enquanto chorava.

— Sim — murmurou—. Obrigado.

Ele não respondeu.

Em lugar de ser o homem tenro que a abraçava instantes antes, havia tornado a ser o Senhor Estatua; todo seu corpo estava rígido e não dava amostras de emoção.

Deixando escapar um suspiro iracundo, e passou a seu lado.

— Não me teria posto assim se não estivesse tão cansada e possivelmente ainda um pouco tensa. Preciso dormir.

Sabia que ele iria atrás dela, assim voltou resignadamente para seu quarto e se meteu na cama de madeira de pinheiro, sob o grosso edredom. Sentiu como o colchão se afundava sob o peso de Sesshoumaru um instante depois.

Seu coração se acelerou ante a repentina calidez do corpo desse homem junto ao dela. E a coisa piorou quando ele passou uma larga e musculosa perna sobre sua cintura.

— Sesshoumaru! —gritou com uma nota de advertência ao sentir sua ereção contra o quadril—. Acredito que seria melhor que ficasse em seu lado da cama, enquanto eu fico no meu.

Não prestando atenção a suas palavras, posto que inclinou a cabeça e deixou um pequeno rastro de beijos sobre seu cabelo.

— Pensava que me tinha chamado para aliviar a dor de suas partes baixas — lhe sussurrou no ouvido.

Com o corpo vermelho vivo devido a sua proximidade, e ao aroma de sândalo que lhe embotava a cabeça, Rin se ruborizou ao lhe escutar repetir as palavras que dissesse a Sango.

— Minhas partes baixas se encontram em perfeito estado, e muito felizes tal e como estão.

— Prometo-te que eu conseguirei que estejam muito, muito mais felizes.

OH!, não tinha a menor duvida.

— Se não te comportar, colocarei você fora de meu quarto.

Então o olhou e viu a incredulidade refletida nos olhos âmbar.

— Não entendo por que vais jogar-me — disse.

— Porque não vou utilizar-te como se fosse um boneco sem nome, que não tem mais razão de ser que me servir. De acordo? Não quero ter esse tipo de intimidade com um homem ao que não conheço.

Com um olhar preocupado, Sesshoumaru se apartou finalmente dela e se tombou na cama.

Rin respirou profundamente para tentar que seu acelerado coração se relaxasse, e poder apagar o fogo que o fazia fervido seu sangue. Resultava muito duro dizer não a este homem.

Realmente não seria fácil dormir com este tipo a seu lado? É que tem uma pedra por cérebro?

Fechou os olhos e recitou sua aborrecida frase. Tinha que dormir. Não havia jeito para os «e se…» nem para os «mas…». Nem tampouco para o Sesshoumaru.

Ele colocou os travesseiros de modo que lhe servissem de respaldo, e olhou Rin. Esta ia ser, em sua excepcionalmente larga vida, a primeira vez que iria passar uma noite junto a uma mulher sem lhe fazer amor.

Era inconcebível. Nenhuma o tinha rechaçado antes.

Ela se deu a volta naquele momento e lhe deu um lençol a distância, como o que lhe tinha ensinado na sala. Apertou um botão e acendeu a televisão, depois baixou o volume da gente que falava.

— Isto é para a luz — disse apertando outro botão. Imediatamente, as luzes se apagaram, deixando que fora o televisor o que iluminasse fracamente as sombras da habitação—. Não me incomodam os ruídos, assim é que não acredito que desperte — deu o controle —. Boa noite, Sesshoumaru da Macedônia.

— boa noite, Rin — sussurrou ele, observando como seu sedoso cabelo se estendia sobre o travesseiro, enquanto se ajeitava para dormir.

Deixou o lençol de um lado e, durante um bom momento, dedicou-se a olhá-la enquanto a luz procedente da televisor piscava sobre os relaxados ângulos de seu rosto.

Soube o momento exato que dormiu, pela uniformidade de sua respiração. Só então se atreveu a tocá-la. Atreveu-se a seguir com a gema de um dedo a suave curva de seu rosto.

Seu corpo reagiu com tal violência que teve que morder o lábio para não soltar uma maldição. O fogo se estendeu por seu sangue.

Tinha conhecido numerosos dores durante toda sua vida: primeira a dor de estômago quando precisava comer depois a da sede de amor e respeito, e por último a dor exigente de seu membro quando ansiava a umidade escorregadia do corpo de uma mulher. Mas jamais, jamais, tinha experiente algo semelhante ao que sentia agora.

Era uma fome tão voraz, uma sensação tão potente, que ameaçava até sua prudência.

Só podia pensar em lhe separar as coxas e afundar-se profundamente nela. Em deslizar-se dentro e fora de seu corpo uma e outra vez, até que ambos alcançassem o clímax.

Mas isso jamais chegaria a acontecer.

Afastou-se dela a uma distância prudente, de onde não pudesse cheirar seu suave aroma feminino, nem sentir o calor de seu corpo sob o edredom.

Poderia agradá-la durante dias, sem deter-se, mas ele jamais encontraria a paz.

— Maldito seja, Narak (Príapo seria no caso o nome verdadeiro) — grunhiu. Era o deus que lhe tinha amaldiçoado, afundando-o neste miserável destino—. Espero que Hades te esteja dando o que te merece.

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Rin despertou com uma estranha sensação de calidez e segurança. Um sentimento que não tinha experiente fazia anos.

De repente, sentiu um beijo muito doce sobre as pálpebras, como se alguém estivesse acariciando-a com os lábios. Umas mãos fortes e cálidas lhe tocavam o cabelo.

Sesshoumaru!

Incorporou-se tão rápido que se golpeou com sua cabeça. Até seus ouvidos chegou o gemido de dor de Sesshoumaru. Esfregando a frente, abriu os olhos e viu que ele a observava com o cenho franzido e obviamente molesto.

— Sinto-o — se desculpou enquanto se sentava—. Sobressaltou-me.

Sesshoumaru abriu a boca e se tocou os dentes com o polegar para comprovar se o golpe não os tinha quebrados.

Aquilo foi pior ainda para Rin, posto que não pôde evitar contemplar o roce de sua língua sobre os dentes. E a visão desses branquíssimos dentes, incrivelmente retos, que lhe gostaria de ter lhe mordiscando…

— O que quer para tomar o café da manhã? —perguntou-lhe para afastar-se um pouco de seus pensamentos.

O olhar dele descendeu até o profundo decote em V de sua regata. Seguindo a direção de seus olhos, Rin se deu conta de que, de onde ele estava sentado, poderia ver todo seu corpo até chegar os embaraçosos shortinho do Mickey Mouse.

Antes que pudesse mover-se, Sesshoumaru a colocou sobre suas coxas e reclamou seus lábios.

Rin gemeu sob o assalto de sua boca, enquanto sua língua o fazia as coisas mais escandalosas. A cabeça começou a lhe girar com a intensidade do beijo e com o quente fôlego de Sesshoumaru mesclando-se com o seu.

E pensar que nunca lhe tinha gostado de beijar…

Devia estar louca!

Os braços de Sesshoumaru intensificaram seu abraço. Milhares de chamas lambiam seu corpo, acendendo-a e incitando-a, enquanto se agrupavam na zona que mais lhe doía: entre as coxas, onde queria lhe ter.

Seus lábios a abandonaram para riscar com a língua um rastro até sua garganta, desenhando úmidos círculos sobre o queixo, o lóbulo da orelha e finalmente o pescoço.

O homem parecia conhecer todas as zonas erógenas do corpo de uma mulher!

Melhor ainda, sabia como usar as mãos e a língua para as massagear até obter o máximo prazer.

Exalou o ar brandamente sobre sua orelha e, imediatamente, um calafrio a percorreu de acima a abaixo; quando passou a língua pelo lóbulo, todo seu corpo começou a tremer.

Um formigamento lhe percorreu os peitos, que imediatamente se endureceram, sobressaindo-se como duros montículos que clamavam por ser beijados.

— Sesshoumaru — gemeu, incapaz de reconhecer sua voz. Sua mente lhe pedia que se detivesse, mas as palavras ficaram atravessadas na garganta.

Havia muito poder em suas carícias. Muita magia. A fazia ansiar, dolorosamente, muito mais.

Deu-se a volta com ela em braços e a aprisionou contra o colchão. Inclusive através do pijama, Rin percebia sua ereção, seu membro duro e ardente que pressionava sobre o quadril, enquanto com as mãos lhe aferrava as nádegas e respirava entrecortadamente junto a sua orelha.

— Tem que parar — conseguiu lhe dizer ao fim com voz débil.

— Parar o que? —perguntou-lhe—. Isto? —e riscou com a língua o labirinto de sua orelha. Rin gemeu de prazer. Os calafrios percorriam todo seu corpo, como se tratasse de brasas ao vermelho vivo, abrasavam cada centímetro de sua pele. Os peitos se incharam ainda mais sob o corpo de Sesshoumaru —. Ou isto? —e introduziu uma mão sob a o elástico de seu short para tocá-la onde mais o desejava.

Rin se arqueou em resposta a suas carícias e cravou os dedos nos lençóis ante a sensação de suas mãos entre as pernas. Deus, este homem era incrível!

Sesshoumaru começou a acariciar em círculos, utilizando um só dedo, fazendo que se consumisse antes de lhe introduzir dois dedos até o fundo.

Enquanto rodeava, acariciava e atormentava seu interior, começou a lhe massagear muito brandamente com o polegar.

— Ooooh! —gemeu Rin, jogando a cabeça para trás pela intensidade do prazer.

Agarrou se a Sesshoumaru, enquanto ele continuava seu implacável assalto utilizando suas mãos e sua língua, lhe dando prazer. Totalmente fora de controle, Rin se esfregava de forma desinibida contra ele, ansiando sua paixão, suas carícias.

Sesshoumaru fechou os olhos e saboreou o aroma do corpo de Rin sob o seu; a sensação de seus braços envolvendo-o. Era dela. Podia senti-la tremer e pulsar ao redor de sua mão, enquanto seu corpo se retorcia sob suas carícias.

Em qualquer momento chegaria ao clímax.

Com esse pensamento ocupando sua mente por completo, tirou-lhe a regata e inclinou a cabeça até apanhar um duro mamilo e sugar brandamente, deleitando-se na sensação da doce pele sob sua língua.

Não recordava que uma mulher hovesse sido tão doce como ela.

Seu sabor ficaria gravado como fogo em sua mente, jamais poderia esquecê-lo.

E estava completamente preparada para recebê-lo: ardente, úmida e muito estreita; exatamente como gostava.

Rasgou de um puxão o pequeno objeto que se prendia aos quadris de Rin, e que lhe impedia um acesso total a aquele lugar que morria por explorar completamente.

E em toda sua profundidade.

Ela escutou como rompia seu short, mas não foi capaz de detê-lo. Sua vontade já não lhe pertencia; tinha sido engolida por umas sensações tão intensas, que o único que queria era encontrar alívio.

Tinha que consegui-lo!

Elevando os braços, enterrou as mãos no cabelo de Sesshoumaru, incapaz de permitir que se afastasse, embora só fosse por um segundo.

Sesshoumaru se tirou as calças a puxões e lhe separou as coxas.

Com o corpo envolto em puro fogo, Rin agüentou a respiração enquanto ele colocava seu duro corpo entre suas pernas.

A ponta de seu membro pressionava justamente sobre o centro de sua feminilidade. Arqueou os quadris aproximando-se ainda mais, aferrando-se a seus amplos ombros. Desejava senti-lo dentro com um desespero tal, que desafiava a todo entendimento.

E de repente, soou o telefone.

Rin um susto ao escutá-lo, e sua mente recuperou repentinamente o controle.

— O que é esse ruído? —grunhiu Sesshoumaru.

Agradecida pela interrupção, Rin saiu como pôde de debaixo de Sesshoumaru; tremiam-lhe as pernas e lhe ardia todo o corpo.

— É um telefone — disse, antes de inclinar-se para a mesa de noite e agarrar o telefone.

A mão não deixava de lhe tremer enquanto o aproximava da orelha.

Lançando uma maldição, Sesshoumaru ficou de lado.

— Sango, graças a Deus que é você — disse Rin, logo que escutou sua voz. Nesse momento agradecia muitíssimo a habilidade que tinha Sangode saber o momento preciso em que chamar!

— O que acontece? —perguntou sua amiga.

— Deixa de fazer isso — brigou com Sesshoumaru que, nesse instante, dedicava-se a lhe lamber as nádegas em um movimento descendente…

— Mas se não estou fazendo nada —lhe disse Sango.

— Você não, San.

O silêncio caiu sobre o outro extremo da linha.

— Escuta — disse Rin a Sango com uma dura advertência na voz—. Necessito que procure entre a roupa de Mirok e traga algumas. Agora.

— Funcionou! —o agudo chiado esteve a ponto de lhe perfurar o tímpano—. Ai, Meu deus! Funcionou!, não posso acreditá-lo! Vou agora mesmo!

Rin pendurou o telefone justo quando a língua de Sesshoumaru baixava desde suas nádegas para…

— Para já!

Ele se tornou para trás e a olhou com o cenho franzido, estupefato.

— Você não gosta que te faça isso?

— Eu não disse isso — respondeu antes de poder deter-se.

Sesshoumaru se aproximou de novo a ela.

Rin desceu de um salto da cama.

— Tenho que ir a trabalhar.

Sesshoumaru se apoiou em um braço, tendido sobre um lado da cama, e a observou enquanto recolhia as calças do pijama e os vestia. Agarrou-os com uma mão enquanto seus olhos se moviam, prazerosamente, sobre o corpo de Rin.

— por que não diz que está doente?

— Que estou doente? —repetiu—. E você como conhece esse truque?

Ele se encolheu de ombros.

— Já lhe disse isso. Posso escutar enquanto estou encerrado no livro. Por isso posso aprender idiomas e entender as mudanças na sintaxe.

Com a mesma elegância de uma pantera que se endireita, Sesshoumaru apartou o edredom e saiu lentamente da cama. Não levava as calças. E seu membro estava totalmente ereto.

Hipnotizada, Rin foi incapaz de mover-se.

— Não acabamos — disse ele com a voz rouca, enquanto se aproximava dela.

— Pois claro que sim! —respondeu Rin, e fugiu ao quarto direto para o banho, encerrando-se ali.

Com os dentes apertados, Sesshoumaru teve a repentina necessidade de golpea a cabeça contra a parede de tão frustrado como se sentia. Por que tinha que ser tão teimosa?

Olhou seu membro rígido e soltou um juramento.

— E você não pode te comportar durante cinco minutos ao menos?

Rin se deu uma larga ducha fria. O que tinha Sesshoumaru que fazia que seu sangue literalmente fervesse? Inclusive agora podia sentir o calor de seu corpo sobre ela.

Seus lábios sobre…

— Para, para, para!

Não era uma ninfomaníaca. Era uma licenciada em Filosofia, com um cérebro; e sem hormônios.

Mas mesmo assim, seria extremamente fácil esquecer-se de tudo e passar todo o mês na cama com Sesshoumaru.

— Muito bem — se disse a si mesmo—. Suponhamos que te mete na cama com ele um mês. E logo, o que? —ensaboou-se o corpo enquanto a irritação desvanecia os últimos rescaldos de seu desejo—. Eu te direi o que passará depois. Ele se irá e você, colega, ficará sozinha outra vez.

» Lembra-te do que ocorreu quando Kohako partiu? Lembra-te de como se sentia quando te passeava pela habitação, com o estômago revolto porque tinha permitido que te utilizasse? Lembra-te da humilhação que sentia?

Mas ainda pior que essas lembranças, era a imagem de Kohako mofando-se dela a gargalhadas com seus amigos, enquanto recolhia o dinheiro da aposta. Como desejava ter sido um homem nesse momento, para poder abrir a porta de seu apartamento de uma patada e golpeá-lo até fazê-lo pedaços.

Não, não deixaria que ninguém mais a utilizasse.

Havia-lhe levado anos para superar a crueldade de Kohako, e não tinha nenhum desejo de arruinar o que tinha conseguido por um capricho. Embora fosse um fabuloso capricho!

Não, não e não. A próxima vez que se entregasse a um homem, seria com um que estivesse unido a ela. Alguém que a cuidasse.

Alguém que não deixasse a um lado sua dor e continuasse usando seu corpo procurando seu próprio prazer, como se ela não importasse nada — pensava, enquanto as lembranças reprimidas retornavam à superfície. Kohako se tinha comportado como se ela não tivesse estado presente. Como se não tivesse sido mais que uma boneca sem emoções, desenhada só para lhe proporcionar agradar.

E não estava disposta a deixar que a voltassem a tratar assim, especialmente se tratando de Sesshoumaru.

Jamais.

Sesshoumaru baixou as escadas, maravilhado pela brilhante luz do sol que entrava pelas janelas. Resultava-lhe divertido o fato de que a gente desse por sentado esses pequenos detalhes. Recordava a época em que não se fixava em um pouco tão simples como uma manhã ensolarada.

E agora, cada uma delas era um verdadeiro presente dos deuses. Um presente que tinha toda a intenção de degustar durante o mês que tinha por diante, até que estivesse obrigado a retornar à escuridão.

Com o coração arrasado, dirigiu-se à cozinha, para o armário onde Rin guardava a comida. Ao abrir a porta lhe surpreendeu a frieza. Alargou a mão e deixou que o ar frio lhe acariciasse a pele. Incrível.

Tirou vários recipientes, mas não pôde ler as etiquetas.

— Não coma nada que não possa identificar — se recordou a si mesmo, enquanto pensava em algumas das asquerosidades que tinha visto às pessoas comer ao longo dos séculos.

Inclinou-se para diante e rebuscou até encontrar um melão em uma das gavetas inferiores. Levou-o a mesa do centro da cozinha, agarrou uma faca comprido do suporte, onde Rin tinha ao menos uma dúzia deles, e o partiu pela metade.

Cortou uma parte e o introduziu na boca.

Quando o delicioso suco alagou suas papilas gustativas, grunhiu de satisfação. A doce polpa fez que seu estômago rugisse com uma feroz exigência. A garganta lhe pedia, com uma sensação próxima à dor, que lhe proporcionasse um pouco mais daquela relaxante doçura.

Era tão estupendo voltar a ter comida… Ter algo com o que apagar a sede e a fome.

Antes de poder deter-se, deixou a faca a um lado e começou a partir o melão com as mãos, levando-os partes à boca tão rápido como podia.

Pelos deuses!, estava tão faminto… Tinha tanta sede…

Não foi consciente do que fazia até que tirou o chapéu rasgando a casca.

Ficou paralisado ao ver suas mãos cobertas com o suco do melão, e os dedos curvados como as garras de qualquer animal.

«De a volta, Sesshoumaru e me olhe. Agora seja um bom menino e faça o que te ordeno. Toque-me aqui. Mmm… sim, isso. Bom menino, bom menino. Faça-me isso bem e te trarei de comer em um momento. »

Sesshoumaru se encolheu de temor ante a repentina invasão das lembranças de sua última invocação. Não era de sentir saudades que se comportasse como um animal; tinham-lhe tratado como tal durante tanto tempo que logo que recordava como ser um homem.

Ao menos, Rin não lhe tinha encadeado à cama.

Ainda.

Enojado, jogou uma olhada ao redor da cozinha, enquanto dava obrigado mentalmente pelo fato de que Rin não tivesse presenciado sua perda momentânea de controle.

Com a respiração entrecortada, agarrou a metade do melão e o jogou ao recipiente onde tinha visto Rin atirar o lixo a noite anterior. Depois, abriu o grifo da pia e se lavou para desprender-se da pegajosa polpa.

Logo que a água fresca lhe roçou a pele, suspirou de prazer. Água. Fria e pura. Era o que mais sentia falta durante seu confinamento. O que mais desejava, hora detrás hora, enquanto sua ressecada garganta ardia de dor.

Deixou que a água se deslizasse por sua pele antes de capturá-la com as mãos cavadas e beber diretamente delas. Chupou os dedos. Era maravilhosamente relaxante a sensação de sentir o frescor na boca e depois notar como descia pela garganta, acalmando sua sede. Quão único desejava nesse momento era meter-se na pia e deixar que a água se deslizasse por todo seu corpo.

Deixar que…

Escutou que alguém golpeava brandamente a porta e, imediatamente, um ruído de passos que descendiam pela escada. Fechou o grifo e agarrou o trapo seco que havia junto à pia para seca as mãos.

Quando voltou para a mesa para recolher os restos do melão, reconheceu a voz da Sango

— Onde está?

Sesshoumaru agitou a cabeça ante o entusiasmo da amiga de Rin. Isso era o que tinha esperado de Rin.

As duas mulheres entraram na cozinha. Sesshoumaru elevou o olhar e se encontrou com olhos marrons tão grandes como dois escudos espartanos.

— Jesus, María e José! —balbuciou Sango.

Rin cruzou os braços sobre o peito, em seus olhos brilhava uma mescla de ira e diversão.

— Sesshoumaru, esta é Sango.

— Jesus, María e José! —repetiu sua amiga.

— Sango? —perguntou Rin, movendo a mão ante os olhos de sua boquiaberta amiga, que nem sequer piscou.

— Jesus, MA…!

Já chega? —repreendeu-a Rin.

Sango deixou que a roupa que levava nas mãos caísse direta ao chão e deu uma volta completa ao redor de Sesshoumaru para poder ver seu corpo desde todos os ângulos. Seus olhos começaram pela cabeça e descenderam até os dedos dos pés.

Sesshoumaru logo que pôde suprimir a ira ante semelhante escrutínio.

— Você gostaria de me olhar os dentes talvez, ou prefere que me baixe as calças para que possa me inspecionar mais a gosto? —perguntou-lhe com mais malícia da que tinha pretendido em um princípio. Depois de tudo, ela estava, tecnicamente, de sua parte.

Se fechasse a boca e deixasse de olhar o daquele modo… Nunca tinha suportado ser o centro dessas desmedidas amostras de atenção.

Sango alargou a mão, insegura, para lhe tocar o braço.

— Uuuh! —burlou-se ele, conseguindo que Sango desse um pulo.

Rin soltou uma gargalhada.

Sango franziu o cenho e dedicou a ambos um furioso olhar.

— Muito bem, estão tentando rir de mim?

— Merece-lhe isso — lhe disse Rin enquanto agarrava uma parte de melão recém cortado por Sesshoumaru e o levava a boca—. Por não mencionar que você vai ocupar-te dele durante o dia de hoje.

— O que? —perguntaram Sesshoumaru e Sango ao mesmo tempo.

Rin mordeu mas um pedaço de melão.

— Bom, não posso levá-lo comigo ao consultório, não?

Sango sorriu com malícia.

— Arrumado a que Ayame e seus pacientes femininas estariam encantadas.

— Exatamente igual ao menino que tem entrevista às oito. Não obstante, não acredito que fosse muito produtivo.

— Não pode cancelar as entrevistas? —perguntou Sango.

Sesshoumaru esteve de acordo. Não gostava de absolutamente mostrar-se em um sítio público. A única parte da maldição que encontrava remotamente passível era o fato de que a maioria de seus invocadoras o mantinham oculto em suas estadias privadas ou nos jardins.

— Sabe perfeitamente por que — respondeu Rin —. Não tenho um marido advogado que me mantenha. Além disso, não acredito que Sesshoumaru goste de ficar sentado em casa todo o dia, sem nada que fazer. Estou segura de que adorará sair e conhecer a cidade.

— Preferiria ficar aqui contigo — disse ele.

Porque o que realmente gostava era vê-la retorcer-se outra vez sob seu corpo.

Rin ficou apanhada em seu olhar, e Sesshoumaru reconheceu o desejo que brilhava nas profundidades de seus olhos. Nesse instante, descobriu o que se propunha. Ia trabalhar para evitar ficar a sós com ele.

Bem, cedo ou tarde teria que retornar a casa.

E, então, ela acabaria sento dele.

E uma vez sento dele, ia demonstrar lhe a resistência e a paixão que possuía um soldado macedônio treinado no exército espartano.

Beijos e valeu pelas reviews:

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