Capítulo 5

A manhã pareceu transcorrer muito lentamente com a habitual ronda de entrevistas. Por muito que tentasse concentrar-se em seus pacientes e seus problemas, não o obtinha.

Uma e outra vez, sua mente voltava a recordar a imagem de Sesshoumaru.

E um sorriso…

Como desejaria que Sesshoumaru não lhe tivesse sorrido jamais. Esse sorriso podia muito bem ser sua perdição.

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—… e então lhe disse: «Dave, olhe, se quer te pôr minha roupa, de acordo. Mas não toque em meus vestidos, porque quando lhe põe isso, dou-me conta de que ficam melhor que em mim, e me dá vontade de dar todos ao Exército de Salvação.» Fiz bem, doutora?

Rin elevou a vista do caderno onde rabiscava esboços de homens «contentes» com lanças em riste.

— O que dizia, Rachel? —perguntou a paciente, sentada na poltrona justa em frente dela.

A mulher era uma fotógrafa elegantemente vestida.

— Esteve bem em dizer ao Dave que não usa se minha roupa? A ver que, não sinto muito bem que o seu noivo use sua roupa melhor que você, não?

Rin assentiu.

— É obvio. É sua roupa e não teria por que fechar seu quarta-roupa com chave.

— Vê-o? Sabia!, isso foi o que lhe disse. Mas acaso me escutou? Não. Ele pode chamar-se Davida sempre que quiser, e me dizer que é uma mulher apanhada no corpo de um homem; mas quando aterrissa, escuta-me como o fazia meu ex-marido. Juraria…

Rin olhou inadvertidamente a hora… outra vez. Quase tinha acabado com o Rachel.

— Já sabe, Rachel — lhe disse, cortando-a antes de que pudesse começar sua sabida arenga sobre os homens e seus irritantes costumes—, possivelmente deveríamos deixar o tema para segunda-feira, quando tivermos a sessão conjunta com o Dave, não crie?

Rachel assentiu.

— Estupendo. Mas me recorde na segunda-feira que lhe fale sobre Menino.

— Menino?

— O chihuahua que vive no apartamento do lado. Juraria que esse cão me jogou o olho.

Rin franziu o cenho. Não era possível que Rachel insinuasse o que ela estava imaginado que no fundo queria dizer.

— O olho?

— Já sabe, o olho. Pode que pareça um vira-lata, mas esse cão só pensa no sexo. Cada vez que passo a seu lado, me olhe a saia. E não se imagina o que faz com minhas sapatilhas de esporte. Esse cão é um pervertido.

— Sim —respondeu Rin, interrompendo-a de novo. Começava a suspeitar que não podia fazer nada com o Rachel, e sua obsessão a respeito de que todos os homens do mundo morriam por possui-la—. Definitivamente, ocuparemo-nos de desentranhar o amor que esse chihuahua sente por ti.

— Obrigado doutora. É você é a melhor —Rachel recolheu sua bolsa do chão e se encaminhou para a porta.

Rin se esfregou a frente enquanto as palavras do Rachel ainda ressonavam em sua cabeça. Um chihuahua? Jesus!

Pobre Rachel. Tinha que haver algum modo de ajudar a esta pobre mulher.

Embora, por outro lado, era preferível ter a um chihuahua lançando olhadas luxuriosas a sua saia, que a um escravo grego.

— Ai, San —soprou—, como consegue me colocar nestas confusões?

antes de poder fiar esse pensamento, soou o zumbido do intercomunicador.

— Sim, Lisa?

— Sua entrevista das onze foi cancelada, e durante a hora da senhorita Thibideaux, seu amiga Sango Laurens chamou seis dúzias de vezes; e não estou exagerando, nem brincando. Deixou uma quantidade impressionante de mensagens para que a chame o móvel logo que seja possível.

— Obrigado, Lisa.

Agarrou o telefone e marcou o número da Sango.

— Uf, graças a Deus! —exclamou sua amiga antes que Rin pudesse pronunciar uma palavra—. Mova se até aqui e te leve a seu noivo a sua casa. Agora mesmo!

— Não é meu noivo, é você…

— Ah!, quer saber o que é? —perguntou-lhe Sango com um tom histérico—. É um ímã de estrogênios, isso é o que é. Estou rodeada de uma multidão de mulheres neste mesmo momento. Sunshine está encantada, porque está vendendo mais cerâmica da que vendeu em sua vida. Tentei levar Sesshoumaru de volta a sua casa esta manhã, mas não pude abrir caminho em semelhante multidão. Juro-te que se o vir agora, pensaria que há um famoso ator aqui. É a primeira vez que sou testemunha de algo assim. E agora, move se e vem me ajudar!

E pendurou.

Rin amaldiçoou sua sorte e pediu a Lisa, através do intercomunicador, que cancelasse todas as entrevistas pendentes para o resto do dia.

Logo que chegou à praça, entendeu o que Sango tinha querido lhe dizer. Haveria umas vinte mulheres rodeando Sesshoumaru, e dúzias mais boquiabertas ao passar perto da banca.

As que estavam mais perto dele, empurravam-se a cotoveladas tratando de chamar sua atenção.

Mas o mais incrível de tudo era contemplar às três mulheres que lhe aconteciam os braços pela cintura, enquanto outra os fazia uma foto.

— Obrigado —ronronou uma delas, cuja idade rondaria os trinta e cinco, dirigindo-se a Sesshoumaru enquanto arrebatava a câmara à garota que acabava de fazer a foto instantânea. Sustentou-a diante do peito em um intento de atrair a atenção do Sesshoumaru, mas ele não pareceu interessado no mais Isto mínimo é simplesmente maravilhoso —continuou babando—. Não posso esperar a chegar a casa e contar a meu grupo de novela. Jamais acreditarão quando lhes contar que me encontrei com um modelo de capa de novela romântica no Bairro Francês.

Havia algo na rigidez de Sesshoumaru que lhe dizia que não gostava da atenção que despertava. Mas tinha que admitir que não se comportava de forma abertamente mal educada.

Não obstante, o sorriso não chegava aos olhos; e a que tinha nesses momentos não se parecia em nada a que lhe tinha dedicado a noite anterior.

— Um prazer —lhes respondeu.

As risitas que seguiram ao comentário foram ensurdecedoras. Rin agitou a cabeça totalmente incrédula. Garotas, um pouco de dignidade…!

E de novo, observando o rosto de Sesshoumaru , seu corpo e seu sorriso, sobreveio-lhe aquela sensação de vertigem, tão habitual desde que lhe tinha visto pela primeira vez.

Como ia culpar as por comportar-se como adolescentes à porta de um concerto em um centro comercial?

De repente, Sesshoumaru olhou além da maré de admiradoras e a viu. Rin arqueou uma sobrancelha, lhe indicando que encontrava a situação bastante divertida.

Imediatamente, o sorriso se apagou de seu rosto e cravou os olhos nela como um faminto depredador que acaba de encontrar sua próxima comida.

— Se me desculpam — disse, abrindo-se passo entre as mulheres e dirigindo-se diretamente para Rin.

Ela tragou saliva ao perceber instantaneamente a hostilidade das mulheres, que franziram o cenho em massa, observando-a.

Mas foi muito pior o repentino e cru arrebatamento de desejo que a percorreu por completo, e fez que seu coração começasse a pulsar descontrolado. Com cada passo que Sesshoumaru dava para ela, a sensação se multiplicou por dez.

— Saudações, αγάπη μου — disse Sesshoumaru, lhe elevando a mão para depositar um beijo sobre os nódulos.

Uma ardente descarrega elétrica percorreu suas costas e, antes de que pudesse mover-se, ele a arrastou para seus braços e lhe deu um tórrido beijo que lhe rasgou a alma.

Fechou os olhos de forma instintiva e saboreou a calidez de sua boca e de seu fôlego; a sensação de seus braços rodeando-a com força contra seu peito, duro como uma rocha. A cabeça começou a lhe dar voltas.

Uf, certamente este homem sabia como dar um beijo! Sesshoumaru tinha uma forma de mover os lábios que desafiava qualquer possível explicação.

E seu corpo… Rin nunca havia sentido nada parecido a esses músculos esbeltos e duros flexionando-se a seu redor.

Uma das «admiradoras» sussurrou um apenas audível Lagarta!, que rompeu o feitiço.

— Sesshoumaru, por favor —murmurou—. A gente nos olhe.

— E te importa?

— Pois claro!

Sesshoumaru separou seus lábios dos de Rin com um grunhido, e voltou a deixá-la sobre o chão. Só então, foi consciente de que a tinha estado sustentando, aparentemente sem muito esforço.

Com as bochechas vermelha, Rin captou as olhadas invejosas das mulheres enquanto se dispersavam.

Sesshoumaru se apartou e deu um passo para trás; seu rosto mostrava às claras quão pouco disposto estava a manter-se afastado.

— Por fim — disse Sango com um suspiro—. De novo posso ouvir — disse agitando a cabeça—. Se tivesse sabido que ia funcionar, eu mesma lhe teria beijado.

Rin lhe dedicou uma sorrisinho satisfeita.

— Bom, você é a culpado.

— Como diz? —perguntou-lhe Sango.

Rin assinalou a roupa de Sesshoumaru com um gesto da mão.

— Olhe como vai vestido. Não pode mostrar em público a um deus grego com umas calças curtas e uma camiseta de suspensórios duas talhas mais pequena da que necessita. Jesus, Sango!, no que estava pensando?

— Em que estamos a 38º com uma umidade do cento e dez por cento. Não queria que morre se por causa de calor.

— Senhoras, por favor — disse Sesshoumaru, interpondo-se entre elas—. Faz muito calor para estar discutindo em plena rua sobre um pouco tão corriqueiro como minha roupa —disse, deslizando um faminto olhar sobre Rin, e sorrindo de uma forma que derreteria a qualquer mulher—. E não sou um deus grego, só um semi-deus menor.

Rin não entendeu o que Sesshoumaru dizia, já que o som de sua voz a tinha cativada. Como o conseguia?, como fazia que sua voz soasse com esse tom tão erótico?

Seria seu timbre profundo?

Não, era algo mais. Mas não acaba de entender o que podia ser.

Honestamente, quão único queria era encontrar uma cama e deixar que fizesse com ela tudo o que lhe desejasse muito; e sentir sua apetitosa pele sob as mãos.

Observou a Sango e viu que esta o comia com os olhos, enquanto lhe olhava as pernas nuas e o traseiro.

— Você também o sente, verdade? —perguntou-lhe.

Sango elevou o olhar, piscando.

— O que?

— A ele. É como se fosse o Flautista do Hamelin e nós fôssemos os ratos, seduzidas por sua música — Rin se deu a volta e observou o modo em que as mulheres o olhavam; algumas inclusive estiravam o pescoço para lhe ver melhor—. O que há nele que nos faz esquecer nossa vontade? —perguntou.

Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha com um gesto arrogante.

— Eu te atraio contra sua vontade?

— Sinceramente sim. Eu não gosto de me sentir deste modo.

— E como se sente? —perguntou-lhe ele.

— Sexualmente atrativa — lhe respondeu antes de poder conter a língua.

— Como se fosse uma deusa? —voltou-lhe a perguntar ele com voz rouca.

— Sim — respondeu, enquanto Sesshoumaru se aproximava dela.

Não a tocou, mas tampouco é que fizesse falta. Sua mera presença conseguia afligi-la e embriagá-la tão somente com que cravasse seu olhar em seus lábios ou em seu pescoço. Podia jurar que realmente sentia o calor de seus lábios sobre a garganta.

E Sesshoumaru nem sequer se moveu.

— Eu posso te dizer o que é — ronronou ele.

— A maldição, não é certo?

Sesshoumaru negou com a cabeça enquanto elevava uma mão para lhe passar muito lentamente o dedo pelo maçã do rosto. Rin fechou os olhos com força ao sentir uma feroz quebra de onda de desejo. Se não o olhava, possivelmente fosse capaz de manter-se firme e não capturar esse dedo com os dentes.

Sesshoumaru se inclinou um pouco mais e esfregou a bochecha contra a dela.

— É o fato de que posso te perceber a um nível que os homens de sua mesma idade não apreciam.

— É o fato de que tem o bumbum mais firme que vi em minha vida —disse Sunshine, interrompendo-os—. Por não mencionar que qualquer morre ao escutar sua voz. Eu gostaria que alguma de vocês dois me dissesse onde posso me fazer com um destes.

Rin rompeu em uma gargalhada ante o inesperado comentário do Sunshine.

— Olha-o — disse a garota, assinalando ao Sesshoumaru com o lápis. Tinha a mão manchada de pintura cinza, ao igual à bochecha direita—. Quando foi a última vez que viu um homem tão bem formado, com uns músculos tão tonificados que pode ver como o sangue corre por suas veias? Seu noivo é… a ver… está bom. Está muito bom —e depois acrescentou com uma expressão muito séria: — Está como um caminhão.

Sunshine girou um pouco seu caderno de esboços para que Rin pudesse ver sua interpretação de Sesshoumaru.

— Dá-te conta do modo em que a luz ressalta o tom da sua pele? Dá a sensação de que o sol lhe beijasse.

Rin franziu o cenho. Sunshine tinha razão.

Sesshoumaru se inclinou para ela, com os olhos âmbar repletos de paixão.

— Volta para casa comigo, Rin —lhe sussurrou ao ouvido—. Agora. me deixe que te abrace, que te tire a roupa e que te ensine como querem os deuses que um homem ame a uma mulher. Juro-te que o recordará durante o resto de sua vida.

Rin fechou os olhos enjoada com o aroma do sândalo. O fôlego de Sesshoumaru lhe acariciava o pescoço e seu rosto estava tão perto que podia sentir os incipientes cabelos de sua barba lhe roçando a bochecha.

Todo seu corpo queria render-se ante ele. Sim, por favor, sim.

Olhou os definidos e duros músculos dos ombros e o oco da garganta. Ai, como desejaria passar a língua por essa pele, e comprovar que o resto de seu corpo era tão saboroso como sua boca!

Sesshoumaru seria esplêndido na cama. Não havia dúvida.

Mas ela não significava nada para ele. Nada absolutamente.

— Não posso — balbuciou, dando um passo atrás.

Com a decepção refletida nos olhos, Sesshoumaru apartou o olhar e adotou uma atitude brusca e resolvida.

— Poderá — lhe assegurou.

Interiormente, sabia que Sesshoumaru tinha razão. Quanto tempo seria capaz uma mulher de resistir a um homem como ele?

Afastando esses pensamentos da mente, olhou ao outro lado da rua, ao Jackson Brewery.

— Precisamos comprar roupas novas pra você.

— Não pude fazer nada; seu tamanho e o dobro do Mirok, e é duas vezes mais largo de ombros —disse Sango—. A estupenda idéia de que o trouxesse comigo foi tua.

Rin a olhou com os olhos entreabertos.

— De acordo. Estaremos no Brewery, se por acaso nos necessita.

— Muito bem, mas tomem cuidado.

— Que tomemos cuidado? —perguntou Rin.

Sango assinalou a Sesshoumaru com o dedo.

— Se houver uma correria de mulheres, me faça caso e te aparte de seu caminho. Desde que se foi o último grupo de «admiradoras» não sinto o pé direito.

Rin cruzou a rua entre gargalhadas. Sabia que Sesshoumaru iria atrás dela; de fato, sentia sua presença justo a suas costas. Era algo inegável: esse homem tinha uma forma horrorosa de invadir seus pensamentos e seus sentidos.

Nenhum dos dois disse uma palavra enquanto atravessavam a lotada galeria comercial, e entravam na primeira loja que viram.

Rin jogou uma olhada até encontrar a seção de roupa masculina. Quando a localizou, dirigiu-se para ali.

— Que estilo de roupa você gosta mais? —perguntou a Sesshoumaru, enquanto se detinha junto ao expositor dos jeans.

— Para o que tenho em mente, o nudismo nos viria bem.

Rin pôs os olhos em branco.

— Está tentando me chatear, verdade?

— Talvez. Devo admitir que eu gosto muito quando te ruboriza.

E se aproximou dela.

Rin se apartou e deixou que o mostrador dos jeans se interpor entre eles.

— Acredito que necessitará pelo menos três pares de calças enquanto esteja aqui.

Ele suspirou e olhou atentamente os jeans.

— Para que te incomodar se irei dentro de umas semanas?

Rin o olhou furiosa...

— Jesus, Sesshoumaru! —espetou-lhe, indignada—. Comporta-te como se ninguém se preocupou de te vestir em suas anteriores invocações.

— Não o fizeram.

Rin ficou paralisada ante o desapaixonado tom de sua voz.

— Está-me dizendo que durante os últimos dois mil anos ninguém se preocupou de que ponha um pouco de roupa em cima?

— Só em duas ocasiões — lhe respondeu com a mesma inflexão monótona—. Uma vez, durante uma tempestade de neve na Inglaterra, na época da Regência, uma de minhas invocadoras me cobriu com uma camisola rosa de volantes, antes de me tirar o balcão para que seu marido não me encontrasse na cama. A segunda vez foi muito abafadiça para lhe contar isso.

— Não tem graça. E não entendo como uma mulher pode ter a um homem ao lado durante um mês e não preocupar-se de que se vista.

— me olhe, Rin — lhe disse, estendendo os braços para que contemplasse seu esbelto e delicioso corpo—. Sou um escravo sexual. Ninguém tinha pensado jamais em me pôr roupa para cumprir com minhas obrigações, antes que você chegasse.

A apaixonada olhar de Sesshoumaru a mantinha em um estado de transe, mas a dor que ele tentava ocultar nas profundidades âmbar de seus olhos a golpeou com força. E o golpe lhe chegou à alma.

— Asseguro-te —prosseguiu ele em voz baixa— que uma vez que me tinham dentro, faziam algo por me manter ali; na Idade Média, uma das invocadoras trancou a porta e disse a todo mundo que tinha a peste.

Rin desviou o olhar enquanto lhe escutava. O que contava era incrível, mas podia dizer — pela expressão de seu rosto— que não estava exagerando nem um ápice.

Não era capaz de imaginá-las degradações que teria sofrido ao longo dos séculos. Santo Deus!, a gente tratava aos animais melhor do que lhe tinham tratado a ele.

— Invocavam-lhe e nenhuma delas conversava contigo, nem te dava roupa?

— A fantasia de todo homem, não é certo? Ter a um milhão de mulheres dispostas a jogar-se em seus braços, sem compromissos nem promessas. Sem procurar outra coisa que seu corpo e as poucas semanas de prazer que pode lhes proporcionar — o tom ligeiro não conseguiu ocultar a amargura que lhe invadia.

Pode que essa fosse a fantasia de qualquer homem, mas estava claro que não era a de Sesshoumaru.

— Bom — disse Rin, voltando para os jeans—, eu não sou assim, e vais precisar levar algo em cima quando sairmos.

O olhar que lhe dedicou foi tão feroz que deu um involuntário passo para trás.

— Não me amaldiçoaram para ser mostrado em público, Rin. Estou aqui para te servir a ti, e só a ti.

Que bem soava isso. Mas nem ainda assim ia dar-se por vencida. Não podia utilizar a outro ser humano da forma que Sesshoumaru descrevia. Estava mau e não seria capaz de seguir vivendo consigo mesma se o fazia isso.

— Dá-me igual — disse, decidida—. Quero que saia comigo e vais necessitar roupa — e começou a olhar os modelos de calças.

Sesshoumaru guardou em silêncio.

Rin elevou os olhos e captou o tenebroso e encolerizada olhar dele.

— O que?

— Quanto o que? —perguntou ele.

— Nada. Vamos ver qual destes fica melhor — agarrou alguns jeans de diferentes modelos e os ofereceu. Pelo modo em que Sesshoumaru reagiu, qualquer teria pensado que lhe estava dando uma cobra.

Sem fazer caso de seu ameaçador aparência, Rin lhe empurrou para os provadores e fechou com força a porta de um dos compartimentos atrás dele.

Sesshoumaru ficou paralisado ao entrar no pequeno cubículo. Sua imagem lhe assaltou subitamente desde três ângulos diferentes. Durante um minuto, foi incapaz de respirar enquanto lutava contra o irrefreável desejo de fugir do estreito e reduzido habitação. Não podia fazer um só movimento sem dar um golpe com a porta ou com os espelhos.

Mas ainda pior que a claustrofobia, foi enfrentar-se à imagem de seu rosto. Fazia séculos que não contemplava seu reflexo. O homem que tinha diante se parecia tanto a seu pai que lhe entraram desejos de fazer pedaços o cristal. Tinham os mesmos rasgos angulosos e o mesmo olhar desdenhoso.

Quão único não compartilhavam era a profunda e irregular cicatriz que atravessava a bochecha esquerda de seu progenitor.

Pela primeira vez em incontáveis séculos, Sesshoumaru contemplou a desagradável imagem das três tranças que lhe identificavam como general, e que lhe caíam sobre o ombro.

Elevou uma tremente mão e as tocou enquanto fazia algo que não tinha feito em muito tempo: recordar o dia que ganhou o direito às levar.

Durante a batalha do Tebas, o general que lhes comandava caiu abatido e as tropas começaram a retroceder aterrorizados. Ele agarrou a espada do general, reagrupou a seus homens e lhes conduziu à vitória, esmagando aos romanos.

O dia posterior à luta, o rei da Macedônia em pessoa lhe trançou o cabelo e deu de presente às três contas de cristal que as sujeitavam nos extremos.

Sesshoumaru encerrou as pequenas bolinhas em um punho.

Essas tranças tinham pertencido ao que uma vez fora um orgulhoso e heróico geral macedônio, cujo exército foi tão capitalista que obrigou aos romanos a dispersar-se aterrorizados.

A lembrança lhe atormentava.

Baixou o olhar para o anel que levava na mão direita. Um anel que tinha estado ali tanto tempo que já não era consciente de que existia; fazia muito que tinha esquecido seu significado.

Mas as tranças…

Não tinha pensado nelas desde fazia muitos, muitos séculos.

As tocando nesse momento, recordava ao homem que uma vez foi. Recordava os rostos de seus familiares. Às pessoas que se apressava a lhe servir. A aqueles que lhe temiam e lhe respeitavam.

Recordava uma época em que ele mesmo governava seu destino, e o mundo conhecido se estendia ante ele para ser conquistado.

E agora não era mais que…

Com um nó na garganta, fechou os olhos e se tirou as contas do extremo das tranças, antes de começar às desfazer.

Enquanto seus dedos se esforçavam em desfazer a primeira delas, olhou as calças que tinha deixado cair ao chão.

Por que estava fazendo isso Rin por ele? Por que se empenhava em lhe tratar como a um ser humano?

Estava tão acostumado a ser tratado como a um objeto, que a amabilidade desta mulher lhe resultava insuportável. O trato impessoal e frio que tinha mantido com o resto de suas invocadoras lhe tinha ajudado a tolerar a maldição, a não recordar quem e o que foi tempo atrás.

A não recordar o que tinha perdido.

Permitia-lhe concentrar-se tão solo no aqui e o agora, nos prazeres efêmeros que tinha por diante.

Mas os seres humanos não viviam desse modo. Tinham famílias, amigos, um futuro e muitos sonhos.

Esperanças.

Coisas que fazia séculos que ele tinha deixado atrás. Coisas que jamais voltaria a conhecer.

— Maldito seja, Narak (Príapo)! —soprou enquanto desfazia da última trança—. E maldito eu seja também!

Rin o olhou assombrada, da cabeça aos pés e de novo para cima, quando por fim Sesshoumaru saiu do provador vestido com uns jeans que pareciam ter sido desenhados especificamente para ele.

Rodeada-a camiseta de suspensórios que Sango lhe tinha emprestado, chegava-lhe justo à estreita e musculosa cintura. As calças lhe caíam sobre os quadris, deixando à vista uma porção de seu duro estômago, dividido em duas pela linha de pêlo que começava sob o umbigo e desaparecia.

Rin teve o forte impulso de aproximar-se dele e deslizar a mão por aquele lhe sugiram atalho para investigar até onde levava. Recordava muito bem a imagem do Sesshoumaru nu diante dela.

Com os dentes apertados e tratando de normalizar a respiração, teve que admitir que os jeans ficavam perfeitamente. Estava muito melhor que com as calças curtas — se é que isso era possível.

Sunshine estava no certo: tinha o melhor bumbum que tinha visto, e em quão único podia pensar era em passar a mão por esse traseiro e lhe dar um bom apertão.

A vendedora, e a cliente a que esta atendia, deixaram de falar e olharam ao Sesshoumaru boquiabertas.

— Ficam bem? —perguntou.

— Uf!, sim coração —lhe respondeu Rin sem fôlego, antes de pensar no que ia dizer.

Sesshoumaru lhe sorriu, mas o sorriso não lhe iluminou os olhos.

Rin deu uma volta completa a seu redor e se fixou em seu traseiro.

Ai, sim!, precioso!

Distraída por suas bem formada costas, passou inadvertidamente os dedos sobre sua pele enquanto agarrava a etiqueta. Sentiu como Sesshoumaru se esticava.

— Já sabe — disse ele, olhando-a por cima do ombro—, que desfrutaríamos muitíssimo mais se ambos estivéssemos nus. E em sua cama.

Rin escutou como a vendedora e a outra mulher ofegavam surpreendidas.

Com o rosto morto de calor, endireitou-se e o olhou furiosa.

— Temos que falar com urgência sobre os comentários adequados em um lugar público.

— Se me levasse a casa, não teria que preocupar-se por isso.

O tipo era realmente implacável.

Movendo a cabeça com incredulidade, Rin agarrou dois pares mais de jeans, umas quantas camisas, um cinto, uns óculos de sol, meias três-quartos, sapatos e vários boxers enormes e horrorosos. Nenhum homem estaria atrativo com aquela cueca, decidiu. E o último que pretendia era que Sesshoumaru resultasse ainda mais apetitoso.

Saíram da zona dos provadores com o Sesshoumaru vestido de cima abaixo com a roupa nova: um pólo, uns jeans e sapatos esporte.

— Agora parece quase humano — brincou Rin, enquanto deixavam atrás o departamento de roupa masculina.

Sesshoumaru lhe dedicou um olhar frio e letal.

— Só por fora — lhe respondeu com voz tão baixa que Rin não esteve segura de ter escutado bem.

— O que há dito? —perguntou-lhe.

— Que só sou humano exteriormente — disse ele falando mais alto.

Rin captou a angústia em seu olhar. Seu coração começou a pulsar com mais força.

— Sesshoumaru — disse com claras intenções de lhe repreender—, és humano.

Ele apertou os lábios e lhe respondeu com um olhar sombrio e precavido:

— Sério? Um humano pode viver dois mil anos? Permite a um humano caminhar pelo mundo umas quantas semanas cada centenas de anos?

Olhou a seu redor, notando-se nas mulheres que o olhavam às escondidas por entre a roupa. Mulheres que se detinham por completo, paralisadas, assim que o viam pela extremidade do olho.

Fez um amplo gesto com a mão, assinalando o espetáculo que se desenvolvia a seu redor.

— Viu que façam isso com alguém mais? —o rosto de Sesshoumaru adotou uma expressão dura e perigosa, enquanto a atravessava com o olhar — Não, Rin, jamais serei humano.

Com o urgente desejo de reconfortá-lo, ela levou a mão até sua bochecha.

— És humano, Sesshoumaru.

A dúvida que viu em seus olhos lhe partiu o coração.

Sem saber muito bem o que fazer nem o que dizer para que se sentisse melhor, deixou passar o tema e se encaminhou para a saída. Estava quase saindo quando se deu conta de que Sesshoumaru não ia atrás dela.

Girou-se e o localizou imediatamente. Distraiu-se no departamento de lingerie feminina; estava de pé junto a um expositor de minúsculas lingerei negras. Começou a ruborizar-se de novo; juraria que podia escutar os lascivos pensamentos que passavam nesses momentos pela mente masculina.

Seria melhor que fosse rapidamente para buscá-lo, antes de que qualquer das mulheres se oferecesse como modelo. Aproximou-se apressadamente e se esclareceu garganta.

— Vamos?

Ele a olhou muito devagar, de cima abaixo e Rin soube por seus olhos que estava conjurando sua imagem com aquele objeto de gaze.

— Estaria deslumbrante com isto.

Ela o olhou com cepticismo. Aquela coisa era tão diáfana que se transparentaría por inteiro. Ao contrário do que ocorria com ele, o seu corpo não conseguisse fazer voltar a cabeça de ninguém —a menos que o infeliz estivesse muito desesperado. Ou tivesse estado encarcerado um par de décadas.

— Não sei se deslumbraria a alguém, mas seguro que eu acabava congelada.

— Não demoraria muito em entrar em calor.

Rin conteve a respiração ao escutar suas palavras; acreditou-as com convicção.

— É muito mau.

— Não, na cama não — disse baixando a cabeça para a sua—. Realmente na cama sou muito…

— Aqui estão!

Rin retrocedeu de um salto ao escutar a voz de Sango. Sesshoumaru lhe disse algo em uma língua estranha que não conseguiu entender.

— Vá, vá — disse com tom acusador—. Rin não entende o grego clássico. Dedicou-se a dormir durante todo o semestre — Sango a olhou e estalou a língua—. O vê? Disse-te que algum dia te serviria para algo.

— Sim, claro! —disse a gargalhadas—. Como se naquela época eu me pudesse ter imaginado que foste convocar a um escravo sexual gri… —a voz de Rin se extinguiu ao cair na conta de que Sesshoumaru estava presente. Envergonhada, mordeu-se o lábio.

— Não passa nada, Rin —a tranqüilizou em voz baixa.

Mas ela sabia que esse comentário o tinha incomodado. Era lógico.

— Sei o que sou Rin; a verdade não me ofende. Em realidade, estou mais ofendido pelo fato de que me chame grego. Fui treinado na Esparta e lutei com o exército macedônio. Para mim era um hábito evitar todo contato possível com os gregos antes de ser amaldiçoado.

Rin arqueou uma sobrancelha ante suas palavras, ou melhor dizendo ante o que não havia dito. Não fazia nenhuma referência a sua infância.

— Onde nasceu?

Começou a lhe pulsar um músculo na mandíbula, e seus olhos se obscureceram de forma sinistra. Qualquer que tivesse sido o lugar de seu nascimento, não parecia lhe agradar muito.

— Muito bem, sou médio grego; mas não estou orgulhoso dessa parte de minha herança.

Bem; um tema espinhoso. De agora em diante, apagaria a palavra «grego» de seu vocabulário.

— Voltando para assunto da lingerie negra —disse Sango—, devo dizer que ali há uma vermelha que acredito que ficaria muito melhor.

— Sango! —gritou-lhe Rin.

Sua amiga a ignorou e conduziu ao Sesshoumaru à prateleira onde estava pendurada a lingerie de cor vermelha. Sango agarrou um espartilho de cor vermelho brilhante aberto pela parte dianteira, e sujeito por um pequeno laço que se atava justo sob o peito. Os suspensórios eram minúsculos. Umas calcinha de encaixe do mesmo tom completava o conjunto.

— O que está pensando? —perguntou-lhe Rin enquanto Sango sustentava o objeto frente a Sesshoumaru.

Ele a olhou de forma especulativo.

Se continuavam com esse joguinho acabaria morta de vergonha.

— Querem deixar já isso? —perguntou-lhes—. Não me penso pôr isso não e divertido.

— De todas as formas vou comprar o —disse sua amiga com voz resolvida—. Estou virtualmente segura de que Sesshoumaru é capaz de te convencer para que lhe ponha isso.

Ele a olhou divertido.

— Preferiria convencê-la para que o tirasse.

Rin se cobriu a cara com as mãos e gemeu.

— Acabará animando—lhe respondeu Sango com um gesto conspirador.

— Não o farei — lhe disse Rin, ainda oculta depois das mãos.

— Sim o fará — disse Sesshoumaru deixando resolvido o tema, enquanto Sango pagava a lingerie vermelha.

Usou um tom tão arrogante e crédulo, que Rin imaginou que não estava acostumado a que lhe desafiassem.

— Equivocaste-te alguma vez? —perguntou-lhe.

A diversão desapareceu de seu rosto, e de novo ocultou seus sentimentos detrás uma espécie de véu. Esse olhar escondia algo, estava segura. Um pouco muito doloroso, tendo em conta a repentina tensão de seu corpo.

Não voltou a pronunciar uma só palavra até que Sango retornou e lhe deu a bolsa.

— Vá — comentou—, me ocorre que podiam pôr umas velas, uma música tranqüila e…

— Sango — a interrompeu Rin—, agradeço-te muito o que tenta fazer, mas em lugar de falar de mim, podemos nos ocupar do Sesshoumaru ?

Sango o olhou de esguelha.

— Claro, passa-lhe algo?

— Sabe como tirá-lo do livro? De forma permanente, quero dizer.

— Nem idéia — respondeu e se dirigiu ao Sesshoumaru —. Você sabe algo a respeito?

— Não deixei que repetir-lhe é impossível.

Sango assentiu com a cabeça.

— É muito teimosa. Nunca disposta atenção ao que lhe diz, a menos que seja o que ela quer ouvir.

— Teimosa ou não — acrescentou Rin dirigindo-se ao Sesshoumaru —, não posso imaginar uma só razão pela qual quereria permanecer encerrado em um livro.

Sesshoumaru apartou o olhar.

— Rin, não vale apena.

— Isso é o que pensa, liberá-lo do esgotamento de seu confinamento.

— De acordo — disse Sango, cedendo finalmente—. Muito bem, Sesshoumaru, que horrível pecado cometeu para acabar metido em um livro?

— Hubris.

— Ooooh! —exclamou Sango com tom fúnebre—, isso não é nada bom. Rin, pode que tenha razão. Estavam acostumados a fazer coisas como despedaçar às pessoas por isso. Deveria ter emprestado atenção durante as classes de cultura clássica. Os deuses gregos são realmente desumanos no referente aos castigos.

Rin entrecerro os olhos para olhá-los.

— Nego-me a acreditar que não exista nenhum modo de liberá-lo. Não podemos destruir o livro, ou convocar a um de seus espíritos, ou fazer algo para ajudá-lo?

— Vá!, agora crie em minha magia vodu?

— Não muito, a verdade. Mas arrumou isso para trazê-lo até aqui. É que não pode pensar em algo que sirva de ajuda?

Sango se mordiscou o polegar em um gesto pensativo.

— Sesshoumaru, que deus estava a seu favor?

Ele inspirou fundo, como se estivesse realmente cansado de suas perguntas.

— Em realidade, nenhum deles me apreciava muito. Como era um soldado, normalmente dedicava sacrifícios a Ateneu, mas tinha mais contato com o Inuyasha (Eros).

Sango lhe dedicou um sorriso travesso.

— O deus do amor e o desejo; compreendo-o perfeitamente.

— Não é pelo que pensa — lhe respondeu ele severamente.

Sango lhe ignorou.

— tentaste alguma vez recorrer ao Inuyasha (Eros)?

— Não nos falamos.

Rin pôs os olhos em branco ante o despreocupado sarcasmo do Sesshoumaru.

— por que não tenta convocá-lo? —sugeriu-lhe Sango.

Rin lhe lançou um furioso olhar.

— Sango, poderia fazer o esforço de ser um pouco mais séria? Sei que me burlei que suas crenças durante todos estes anos, mas agora estamos falando da vida do Sesshoumaru.

— Estou falando totalmente a sério — lhe respondeu com ênfase—. O melhor para o Sesshoumaru seria invocar ao Inuyasha (Eros) e lhe pedir ajuda.

Que demônios? —pensou Rin. A noite anterior, não acreditava que pudessem invocar ao Sesshoumaru. Possivelmente Sango tivesse razão.

— Tentá-lo-á? —perguntou-lhe Rin.

Sesshoumaru suspirou resignado, mas dava a impressão de que estava mais que disposto às sacudir às dois. Com aspecto ofendido, jogou a cabeça para trás e olhando ao teto disse:

— Cupido, bastardo inútil, invoco sua presença.

Rin elevou as mãos.

— Droga!, não entendo como não se aparece depois de chamar o desse modo.

Sango riu.

— Muito bem — disse Rin—. De todas as formas não acredito nada deste abracadabra. Vamos deixar as bolsas em meu carro e procurar um lugar onde comer; ali poderemos pensar algo mais produtivo que invocar ao tal «Cupido, bastardo inútil». Estão de acordo?

— Por mim bem — respondeu Sango.

Rin lhe deu a bolsa com a roupa de seu marido.

— Aqui estão as coisas do Mirok.

Sango olhou no interior e franziu o cenho.

— Onde está a camiseta de suspensórios?

— Logo lhe dou isso.

Sango riu de novo.

Sesshoumaru caminhava atrás delas, escutando suas brincadeiras enquanto saíam da loja.

Felizmente, Rin tinha encontrado estacionamento justo no estacionamento do centro comercial.

Sesshoumaru as observou deixar as bolsas no carro. Se pensava um pouco, tinha que admitir que gostava do fato de que Rin estivesse tão interessada em ajudá-lo.

Ninguém o tinha estado antes.

Tinha percorrido o caminho de sua existência em solitário, apoiando-se em sua inteligência e em sua força. Inclusive antes de ser amaldiçoado estava cansado de tudo. Cansado da solidão, de não contar com ninguém neste mundo e, o mais importante, de não ter a ninguém que se preocupasse com ele.

Era uma pena que não tivesse conhecido Rin antes da maldição. Ela teria sido um bálsamo para sua inquietação. Mas de todos os modos, as mulheres de sua época não se pareciam com as atuais; essas mulheres o tratavam como a uma lenda a que temer ou aplacar, mas Rin o olhava como a um igual.

O que tinha Rin que a fazia parecer única? O que havia nela que lhe permitia chegar ao mais fundo de sua alma, quando sua própria família lhe tinha dado as costas?

Não estava muito seguro. Mas era uma mulher muito especial. Um coração puro em um mundo infestado de egoísmo. Nunca tinha acreditado possível encontrar a alguém como ela.

Incômodo ante o rumo que estavam tomando seus pensamentos, jogou uma olhada à multidão. Ninguém parecia incomodado com o opressivo calor naquela estranha cidade.

Captou a discussão que um casal mantinha justo em frente de onde eles se encontravam; a mulher estava zangada porque seu marido se esqueceu algo. Com eles havia um menino, de uns três ou quatro anos, que caminhava entre ambos.

Sesshoumaru lhes sorriu. Não podia recordar a última vez que tinha visto uma família imersa em seus problemas. A imagem despertou uma parte dele que apenas se recordava ter. Seu coração. Perguntou-se se essas pessoas saberiam o presente que supunha se ter os uns aos outros.

Enquanto o casal continuava com a discussão, o menino se deteve. Algo ao outro lado da rua tinha captado sua atenção.

Sesshoumaru conteve o fôlego ao dar-se conta do que o menino estava a ponto de fazer.

Rin fechou nesse momento o porta-malas do carro.

Pela extremidade do olho, viu uma mancha azul que cruzava a rua a toda carreira. Levou-lhe um segundo dar-se conta de que se tratava do Sesshoumaru, atravessando como uma exalação o estacionamento. Franziu o cenho, sentida saudades, e então viu o pequeino que se internava na rua lotada de carros.

— OH, Meu deus! —ofegou quando escutou que os veículos começavam a frear em seco.

— Steven! —gritou uma mulher.

Com um movimento próprio de um filme, Sesshoumaru saltou o muro que separava o estacionamento da rua, agarrou ao menino ao vôo e protegendo-o sobre seu peito, equilibrou-se sobre o capo do carro que acabava de frear, deu um salto lateral e acabou no outro lado.

Aterrissaram a salvo no outro lado, um segundo antes de que outro carro colidisse com o primeiro e se equilibrasse diretamente sobre eles.

Horrorizada, Rin observou como Sesshoumaru subia de um salto à capota de um velho Chevy, deslizava-se pelo pára-brisa e se deixava cair ao chão, rodando uns quantos metros até deter-se por fim e ficar imóvel, tendido no chão.

O caos invadiu a rua, que se encheu de gritos e chiados, enquanto a multidão rodeava o cenário do acidente.

Rin não podia deixar de tremer. Aterrorizada, cruzou a multidão, tentando chegar ao lugar onde estava Sesshoumaru.

— Por favor, que esteja bem; por favor, que esteja bem — murmurava uma e outra vez, suplicando que tivessem sobrevivido ao golpe.

Quando conseguiu atravessar a maré humana e chegou ao lugar onde ele estava, viu que Sesshoumaru não tinha soltado ao menino. Ainda o deixava firmemente sujeito, a salvo entre seus braços.

Incapaz de acreditar o que via, deteve-se com o coração desbocado.

Estavam vivos?

— Não vi nada igual em minha vida — comentou um homem atrás dela.

Todos os congregados eram da mesma opinião.

Quando viu que Sesshoumaru começava a mover-se, aproximou-se muito devagar e muito assustada.

— Está bem? —escutou que lhe perguntava ao menino.

O pequeno respondeu com tremo na voz.

Ignorando o ensurdecedor grito, Sesshoumaru ficou em pé, lentamente, com o menino em braços.

Como as tinha arrumado para manter pego ao pequeno?

Cambaleou-se um pouco e voltou a recuperar o equilíbrio sem soltar ao menino.

Rin lhe ajudou a manter-se em pé lhe sujeitando pelas costas.

— Não deveria te haver levantado — lhe disse quando viu o sangue que lhe empapava o braço esquerdo.

Ele não pareceu lhe emprestar atenção.

Tinha um estranho e lúgubre olhar.

— Shh! Já te tenho — murmurou—. Agora está a salvo.

Esta atitude a deixou assombrada. Aparentemente, não era a primeira vez que consolava a um menino. Mas, quando teria estado um soldado grego perto de um menino?

A menos que tivesse sido pai.

A mente de Rin girava a velocidades de vertigem, pesando as possibilidades, enquanto Sesshoumaru deixava à chorosa criatura em braços de sua mãe, que soluçava ainda mais forte que o menino.

Senhor!, era possível que Sesshoumaru tivesse tido filhos? E se era certo, onde estavam esses meninos?

O que lhes teria acontecido?

— Steven — choramingou a mulher enquanto abraçava ao menino—. Quantas vezes tenho que te dizer que não te afaste de meu lado?

— Está bem? —perguntaram ao uníssono o pai do menino e o condutor, dirigindo-se ao Sesshoumaru.

Fazendo uma careta, passou-se a mão pelo braço esquerdo para comprovar os danos sofridos.

— Sim, não é nada — respondeu, mas Rin percebeu a rigidez de sua perna esquerda, onde lhe tinha golpeado o carro.

— Necessita que veja um médico — lhe disse, enquanto Sango se aproximava.

— Estou bem, de verdade — lhe respondeu com um débil sorriso, e então baixou a voz para que só ela pudesse lhe escutar—; mas tenho que confessar que os carros faziam menos danifica que os carros de hoje quando te chocava com eles.

Ao Rin horrorizou seu inoportuno senso de humor.

— Como pode brincar com isto?, acreditava que tinha morrido.

Ele se encolheu de ombros.

Enquanto o homem lhe dava profusamente as obrigado por ter salvado a seu filho, Rin jogou uma olhada a seu braço; o sangue emanava justo por cima do cotovelo, mas se evaporava imediatamente, como se tratasse de um efeito especial próprio de um filme.

De repente, Sesshoumaru apoiou todo seu peso sobre a perna ferida, e a tensão que se refletia em seu rosto desapareceu.

Rin intercambiou um atônito olhar com Sango, que também se precaveu do que acabava de acontecer. Que demônios tinha feito Sesshoumaru?

Era humano, ou não?

— Não posso agradecer-lhe o suficiente — insistia o homem—, acreditava que os dois tinham morrido.

— Me alegro de lhe haver visto a tempo — sussurrou Sesshoumaru. Estendeu a mão para o menino.

Estava a ponto de acariciar os castanhos cachos do pequeno quando se deteve. Rin observou as emoções que cruzavam por seu rosto antes de que ele recuperasse sua atitude estóica e retirasse a mão.

Sem dizer uma palavra, voltou para estacionamento.

— Sesshoumaru? —chamou-lhe, apressando-se para lhe dar alcance—. De verdade está bem?

— Não se preocupe por mim, Rin. Meus ossos não se rompem, e estranha vez sangro — nesta ocasião, a amargura de sua voz era indiscutível—. É um presente da maldição. As Parcas proibiram minha morte para que não pudesse escapar a meu castigo.

Rin se encolheu ao ver a angústia que refletiam seus olhos.

Mas não só estava interessada no fato de que tivesse sobrevivido ao acidente, também queria lhe perguntar sobre o menino, sobre seu modo de olhá-lo — como se tivesse estado revivendo um horrível pesadelo. Mas as palavras lhe engasgaram.

—Merece-te uma recompensa —lhe disse Sango ao alcançar —.vamos a Praline Factory!

— Sango, não acredito que…

— O que é Praline? —perguntou ele.

— É ambrósia cajun —explicou Sango—. Algo que deveria estar a sua altura.

Contra os protestos de Rin, Sango lhes conduziu para a escada rolante. Subiu ao primeiro degrau e se deu a volta para olhar ao Sesshoumaru, que subia em meio das duas.

— Como fez para saltar sobre o carro? Foi incrível!

Sesshoumaru encolheu os ombros.

— Vamos, homem não seja modesto! Parecia-te com o Keanu Reeves no Matrix. Rin, fixou-te no movimento que fez?

— Sim, vi-o — disse em voz fica, percebendo o incômodo que se sentia Sesshoumaru ante as adulações da Sango.

Também percebeu a forma em que as mulheres a seu redor o olhavam boquiabertas.

Sesshoumaru tinha razão. Não era normal. Mas, quantas vezes podia contemplar um homem como ele em carne e osso?, um homem que exsudasse esse brutal atrativo sexual?

Era um saco de fero hormônios andantes.

E agora um herói.

Mas, sobre tudo, era um mistério; ao menos para ela. Morria por conhecer alguma coisa sobre seu passado. E, de uma ou outra forma, conseguiria as averiguar durante o mês que tinham por diante.

Quando chegaram a Praline Factory, no último piso, Rin comprou dois Pralines de açúcar e nozes e uma Coca Cola. Sem pensá-lo duas vezes, ofereceu - um praline ao Sesshoumaru. Mas em lugar de agarrá-lo, ele se inclinou e lhe deu um bocado enquanto ela o sustentava.

Saboreou o sabor açucarado de uma forma que fez que Rin subisse a temperatura; seus olhos âmbar não deixaram de olhá-la enquanto degustava o doce, como se desejasse que fosse seu corpo o que saboreava naquele momento.

— Tinha razão — disse com essa voz rouca que fazia que lhe arrepia se a pele—. Está delicioso.

— Nossa! —disse a vendedora do outro lado do mostrador—. Esse acento não é de por aqui perto. Você deve vir de longe.

— Sim — respondeu Sesshoumaru —. Não sou daqui.

— E de onde é?

— Da Macedônia.

— Isso não está na Califórnia, verdade? —perguntou a garota—. Parece um desses surfistas que se vêem pela praia.

Sesshoumaru franziu o cenho.

— Califórnia?

— É da Grécia — informou Sango à garota.

— Ah! —exclamou ela.

Sesshoumaru arqueou uma acusadora sobrancelha.

— Macedônia não é…

— Colega —disse Sango, com os lábios manchados de praline—, por estes contornos pode te sentir afortunado se encontrar a alguém que conheça a diferença.

Antes que Rin pudesse responder às bruscas palavras da Sango, Sesshoumaru lhe colocou as mãos na cintura e a elevou até apoiá-la sobre seu peito.

Inclinou-se e apanhou seu lábio inferior com os dentes para, ato seguido, acariciá-lo com a língua. Rin começou a lhe dar voltas todo seu corpo depois do tenro abraço. Sesshoumaru aprofundou o beijo um momento antes de soltá-la e afastar-se dela.

— Tinha açúcar — lhe explicou com um travesso sorriso, que fez que suas covinhas aparecessem em todo seu esplendor.

Rin piscou, surpreendida ante quão rápido seu beijo tinha despertado sua paixão, e o refrescante que parecia com o mesmo tempo.

— Podia haver dito.

— Certo, mas deste modo foi muito mais divertido.

Rin não pôde rebater seu argumento.

Com passos rápidos, afastou-se dele e tentou ignorar o sorriso malicioso da Sango.

— por que me tem tanto medo? —perguntou-lhe Sesshoumaru inesperadamente, enquanto ficava a seu lado.

— Não tenho medo.

— Ah, não? E então o que é o que te assusta? Cada vez que me aproximo de ti, encolhe-te de medo.

— Não me encolho — insistiu Rin. Droga, é que a eco?

Sesshoumaru alargou o braço e o passou pela cintura. Ela se apartou com rapidez.

— Encolheste-te —lhe disse acusadoramente, enquanto retornavam à escada rolante.

Rin baixava um degrau por diante de Sesshoumaru, e lhe aconteceu os braços pelos ombros e apoiou o queixo sobre sua cabeça. Sua presença a rodeava por completo, envolvia-a e fazia que se sentisse estranhamente enjoada e protegida.

Olhou fixamente a força que desprendiam essas mãos grandes sob as suas. A forma nas veias se marcavam, ressaltando seu poder e sua beleza. Ao igual ao resto de seu corpo, suas mãos e seus braços eram magníficos.

— Alguma vez teve um orgasmo? —sussurrou-lhe ele ao ouvido.

Rin se engasgou com o Praline.

— Este não é lugar para falar disso.

— acertei verdade? —perguntou-lhe—. Por isso…

— Não é isso —l he interrompeu ela—; de fato sim que tive alguns.

Sim, era uma mentira. Mas ele não tinha por que averiguá-lo.

— Com um homem?

— Sesshoumaru! —exclamou—. O que acontece com Sango e a ti com esse fixação de discutir sobre minha vida privada em público?

Ele inclinou ainda mais a cabeça, aproximando-a tanto a seu pescoço que Rin podia sentir o roce de seu fôlego sobre a pele, e cheirar seu quente aroma limpo.

— Sabe, Rin? Posso te proporcionar prazeres tão intensos que não seria capaz de imaginá-los.

Um calafrio lhe percorreu as costas. Acreditava-lhe.

Seria tão fácil deixar que lhe demonstrasse suas palavras…

Mas não podia. Estaria mau e, sem ter em conta o que ele dissesse, acabaria lhe remoendo a consciência. E no fundo, suspeitava que a ele também.

Tornou-se para trás, o justo para olhá-lo aos olhos.

— Te ocorreu pensar que possivelmente não me interesse sua proposta?

Suas palavras lhe deixaram perplexo.

— E isso como é possível?

— Já lhe hei isso dito. A próxima vez que compartilhe minha intimidade com um homem, quero que estejamos envolvidos por parte além das óbvias. Quero ter seu coração.

Sesshoumaru olhou seus lábios com olhos famintos.

— Asseguro-te que não o sentiria falta de.

— Sim que o faria.

Estremecendo-se como se o tivesse esbofeteado, Sesshoumaru se ergueu.

Rin sabia que acabava de tocar outro tema espinhoso. Como queria descobrir mais costure sobre ele, deu-se a volta e o olhou aos olhos.

— por que é tão importante para ti que eu acesse? Ocorrera algo se não cumprir com minha parte?

Ele riu amargamente.

— Como se as coisas pudessem piorar.

— Então, por que não te dedica a desfrutar do tempo que passe comigo sem pensar em… — e baixou a voz — em sexo?

Os olhos de Sesshoumaru flamejaram.

— Desfrutar com o que? Conhecendo pessoas cujos rostos me perseguirão durante toda a eternidade? Agredida que me diverte olhar a meu redor sabendo que em uns dias me prenderam de novo num buraco vazio e escuro onde posso ouvir, mas não posso ver saborear, sentir nem cheirar, onde meu estômago se retorce constantemente de fome e a garganta me arde pela sede que não posso satisfazer? Você é o único que me está permitido desfrutar. E me negaria esse prazer?

Os olhos de Rin se encheram de lágrimas. Não queria lhe fazer danifico. Não era sua intenção.

Mas Bankotsu tinha utilizado um truque similar para ganhar sua simpatia e levar-lhe à cama; e isso lhe tinha destroçado o coração.

Depois da morte de seus pais, Bankotsu lhe tinha assegurado que a cuidaria. Tinha estado junto a ela, consolando-a e sustentando-a. E, quando finalmente confio nele por completo e lhe entregou seu corpo, lhe fez tanto dano e, de forma tão cruel, que ainda sentia a alma rasgada.

— Sinto-o muito, Sesshoumaru. De verdade. Mas não posso fazê-lo — desceu da escada rolante e se encaminhou de volta à rua.

— por quê? —perguntou-lhe, enquanto Sango lhes alcançavam.

Como podia explicar-lhe Bankotsu lhe fez muito dano aquela noite. Não tinha tido compaixão alguma por seus sentimentos. Lhe pediu que se detivera mas não o fez.

«Olhe, supõe-se que a primeira vez dói —lhe disse Bankotsu — Droga!, deixa de chorar; acabarei em um minuto e poderá partir.»

Para quando Bankotsu acabou, sentia-se tão humilhada e ferida que se passou dias inteiros chorando.

— Rin? —a voz de Sesshoumaru se introduziu entre o torvelinho de seus pensamentos— O que te aconteceu?

Custou-lhe muito trabalho conter as lágrimas. Mas não choraria; não em público. Não assim. Não permitiria que ninguém sentisse lástima por ela.

— Não é nada — lhe respondeu.

Em busca de uma baforada de ar fresco, embora fosse mais ardente e espesso que o vapor, dirigiu-se à porta lateral do Brewery que levava ao Moonwalk. Sesshoumaru e Sango a seguiram.

— Rin, o que é o que te faz chorar? —perguntou-lhe Sesshoumaru.

— Bankotsu—sussurrou Sango.

Rin a olhou furiosa, enquanto se esforçava por recuperar a calma. Com um suspiro entrecortado, olhou ao Sesshoumaru.

— eu adoraria te jogar os braços ao pescoço e me colocar na cama contigo, mas não posso. Não quero que me utilizem desse modo, e não quero te utilizar! É que não o entende?

Sesshoumaru apartou o olhar com a mandíbula tensa. Rin olhou para o lugar onde tinha fixado sua atenção e viu um grupo de seis rudes motoqueiros que se aproximavam até eles. A roupa de couro devia ser cansativo com aquela temperatura, mas nenhum deles parecia notá-lo, posto que não paravam de tomar o cabelo e rir.

Nesse momento, Rin se fixou na mulher que lhes acompanhava. Sua forma de andar, lenta e sedutora, era o equivalente feminino ao elegante e ágil perambular tão típico do Sesshoumaru. A garota também possuía uma estranha beleza, própria de qualquer atriz ou modelo.

A morena, levava um direto Top de couro e um shorts muito curto e ajustados que abraçavam uma figura pela qual Rin seria capaz de assassinar.

A garota diminuía o passo, ficando atrasada depois dos homens, enquanto se deslizava os óculos pela ponte do nariz para olhar fixamente ao Sesshoumaru.

Rin se encolheu mentalmente.

OH Senhor!, isto podia ficar muito feio. Nenhum dos desalinhados e duros motoqueiros pareciam pertencer ao tipo de homem que tolera que sua noiva olhe a outro. E o último que ela desejava era uma briga no Moonwalk.

Rin agarrou ao Sesshoumaru da mão e atirou dele em direção contrária.

Mas se negou a mover-se.

— Venha, Sesshoumaru! —disse-lhe nervosa—. Temos que voltar para centro comercial.

Ainda assim não se moveu.

Olhava fixamente aos motoqueiros, de forma tão furiosa que parecia querer assassiná-los. E então, em um abrir e fechar de olhos, soltou-se da mão da Rin e se aproximou deles a pernadas, até que agarrou a um pela camisa.

Muda de assombro, Rin observou como Sesshoumaru lhe dava um murro na mandíbula.

Bem, quem será esse pobre coitado que acaba de levar um murro.

Valeu pelas reviews, aproveitando o cupido nessa estória e o Inu no caso ele e Eros o cupido do amor, eu sei meio estranho, mas o bom das fics e isso tudo pode acontece, o Narak e Príapo ao qual e um dos filhos de Afrodite eeu também acho seria um deus da guerra algo assim na próxima eu tiro a duvida Beijos.