Capítulo 8

Sesshoumaru e Rin ajudaram Sango a desmontar sua barraca ambulante e a guardá-lo tudo no jipe, antes de retornar a casa sorteando o tráfico típico de uma sexta-feira de noite.

— Esta muito calado —lhe disse ela enquanto se detinha em um semáforo em vermelho.

Observou como o olhar de Sesshoumaru seguia o movimento dos automóveis que passavam junto a eles. Parecia perdido, como alguém que se debatesse no limite entre a fantasia e a realidade.

— Não sei o que dizer —respondeu depois de uma breve pausa.

— me diga como se sente.

— Sobre o que?

Rin riu.

— Definitivamente, é um homem —lhe disse—. Sabe? As sessões com os homens são as mais difíceis. Chegam e pagam cento e vinte e cinco dólares para não dizer virtualmente nada. Jamais conseguirei entendê-lo.

Sesshoumaru baixou a vista até seu regaço, e ela observou o modo em que acariciava distraidamente seu anel com o polegar.

— Disse que foi uma sexóloga, o que é isso exatamente?

O semáforo ficou em verde e se internaram de novo no tráfico.

— Você e eu estamos no mesmo negócio, mais ou menos. Ajudo às pessoas que têm problemas com seus parceiros. Mulheres que têm medo de ter relações íntimas com os homens, ou mulheres às que gostam dos homens um pouco mais da conta.

— Ninfomaníacas?

Rin assentiu.

— conheci algumas.

— Tenho plena certeza disso.

— E os homens? —perguntou ele.

— Não são fáceis de ajudar. Como já te hei dito, não revistam falar muito. Tenho um par de pacientes que sofrem de medo cênico…

— E isso o que é?

— Algo que estou completamente segura que você não padeceria jamais —lhe respondeu, pensando na contínua e arrogante perseguição a que lhe submetia. Esclareceu-se garganta e o explicou—. São homens que têm medo de que suas companheiras riam deles quando estão na cama.

— Ah!

— Também tenho um par que abusam verbalmente de seus casais, e outros dois que querem trocar-se de sexo…

— pode-se fazer isso? —perguntou Sesshoumaru, totalmente pasmado.

— Claro! —respondeu Rin com um gesto da mão—. Surpreenderia-te saber do que são capazes os médicos hoje em dia.

Tomou uma curva e entraram em sua vizinhança.

Sesshoumaru permaneceu calado tanto momento que estava a ponto de lhe ensinar o que era a rádio quando, de repente, ele perguntou:

— por que quer ajudá-los?

— Não sei — lhe respondeu com franqueza—. Suponho que se remonta a minha infância, uma época de muitas inseguranças para mim. Meus pais me queriam muito, mas não sabia me relacionar com outros meninos. Meu pai era professor de história e minha mãe dona-de-casa…

— O que é uma dona-de-casa?

— Uma mulher que fica em casa e faz as coisas típicas das mães. No fundo, nunca me trataram como a uma menina, por isso, quando estava perto de outros meninos, não sabia como me comportar. Nem o que dizer. Assustava-me tanto que me punha a tremer. Finalmente, meu pai começou a me levar a um psicólogo e, depois de um tempo, melhorei o bastante.

— Exceto com os homens.

— Essa é uma história totalmente diferente — lhe disse, suspirando—. De adolescente era uma garota desajeitada, e os meninos do instituto não se aproximavam de mim, bem apenas para som bar de mim.

— Som bar de você?, Por que?

Rin se encolheu de ombros com um gesto indiferente. Pelo menos, essas velhas lembranças tinham deixado de incomodá-la. Finalmente os tinha superado.

— Porque era reta, tinha orelhas de abano e um montão de sardas.

— Como assim reta?

— Não tinha seio.

Rin tivesse jurado que podia sentir o calor que desprendia o olhar de Sesshoumaru enquanto inspecionava seus seios.

Olhando com o canto dos olhos, confirmou suas suspeitas. De fato, estava-a observando como se tirou a camisa e estivesse em metade de…

— Seus seios são muito bonitos.

— Obrigado — lhe respondeu com estupidez, embora curiosamente se sentia adulada por um completo tão pouco convencional—. E você?

— Eu não tenho peitos.

Disse-o com um tom tão inexpressivo e sério que Rin não pôde evitar estalar em gargalhadas.

— Não era isso ao que me referia, e sabe muito bem. Como foi sua adolescência?

— Já lhe hei isso dito.

Lhe olhou furiosa.

— Sério.

— Sério, lutava, comia, bebia, deitava-me com mulheres e me banhava. Normalmente, nessa ordem.

— Ainda temos problemas com isto da falta de confiança, não? —perguntou ela de forma retórica.

Assumindo seu papel de psicóloga, trocou a um tema que lhe resultasse mais fácil.

— por que não me conta o que sentiu a primeira vez que participou de uma batalha?

— Não senti nada.

— Não estava assustado?

— Do que?

— De morrer, ou de que lhe ferissem.

— Não.

A sinceridade de sua singela resposta conseguiu desconcertá-la.

— E como é que não tinha medo?

— Não se tem medo de morrer quando não se tem nada pelo que seguir vivendo.

Impressionada por suas palavras, Rin tomou o caminho de entrada a sua casa.

Decidindo que seria melhor deixar um tema tão sério no momento, desceu do carro e abriu o porta-malas.

Sesshoumaru agarrou as bolsas e a seguiu até a casa.

Dirigiram-se à planta alta. Rin tirou suas roupas das gavetas para poder guardar a roupa nova do Sesshoumaru.

— Vejamos — disse, enrugando as bolsas vazias para as jogar no cesto de papéis, colocada junto ao armário—. É sexta-feira de noite. O que você gostaria de fazer? Gosta de uma noite tranqüila ou prefere dar uma volta pela cidade?

Seu faminto olhar a percorreu da cabeça aos pés, fazendo que ardesse imediatamente.

— Já conhece minha resposta.

— Claro. Um voto a favor de jogar-se no pescoço da doutora, e outro em contra. Alguma outra alternativa?

— Que tal uma noite tranqüila em casa, então?

— De acordo — respondeu Rin, enquanto se aproximava da mesa de noite para agarrar o telefone—. Deixe-Me que comprove as mensagens e depois prepararemos o jantar.

Sesshoumaru seguiu colocando sua roupa, enquanto ela chamava o serviço de secretária eletrônica e falava com eles.

Acabava de dobrar o último objeto quando percebeu uma nota de alarme na voz do Rin.

— Disse o que queria?

Sesshoumaru se girou para poder observá-la. Tinha os olhos ligeiramente dilatados, e sujeitava o telefone com muita força.

— por que lhe deu meu número de telefone? —perguntou zangada—. Meus pacientes jamais devem saber meu número privado. Posso falar com seu superior?

Sesshoumaru se aproximou dela.

— Algo vai mau?

Rin elevou a mão, lhe indicando que permanecesse em silencio para poder escutar o que a outra pessoa lhe estava dizendo.

— Muito bem — disse depois de uma larga espera—. Terei que trocar o número de novo. Obrigado — pendurou o telefone, franzindo o cenho pela preocupação.

— O que passou? —perguntou-lhe ele.

Rin soprou irritada enquanto se esfregava o pescoço.

— A companhia acaba de contratar a esta garota e, como é nova, deu-lhe meu número privado a um de meus pacientes.

Falava tão rápido que Sesshoumaru custava trabalho segui-la.

— Bom, em realidade, não é meu paciente —prosseguiu sem deter-se—. Jamais teria aceito a um homem assim, mas Ayame, a doutora Jenkins, não é tão seletiva. A semana passada teve que partir da cidade a toda pressa, por uma emergência familiar. Assim é que Beth e eu tivemos que nos repartir seus pacientes para atendê-los enquanto ela está fora. Ainda assim, não quis ficar com este homem tão horripilante, mas Beth não passa consulta as sextas-feiras, e ele tem que acudir as quartas-feiras e as sextas-feiras devida ao regime de liberdade condicional.

Rin o olhou com o pânico refletido em seus pálidos olhos.

— Mas eu não quis atendê-lo, e o supervisor de seu caso me jurou que não haveria nenhum problema. Disse que o tipo não representava uma ameaça para ninguém.

Sesshoumaru sentia que lhe palpitava a cabeça pela quantidade de informação que Rin estava soltando, e que ele era incapaz de compreender em sua maior parte.

— Isso é um problema?

— É um pouquinho horripilante —disse com as mãos tremendo—. É um perseguidor. Acabam de lhe dar o alta de um hospital psiquiátrico.

— Um perseguidor? Um hospital psiquiátrico? O que é isso?

Ao escutar a explicação, Sesshoumaru não pôde evitar ficar com a boca aberta.

— Permitem que estas pessoas se movam a seu desejo?

— Bom, sim. A idéia é ajudá-los.

Sesshoumaru estava horrorizado. Que classe de mundo era esse no que os homens se negavam a proteger a suas mulheres e meninos da depravação?

— Em minha época, não permitíamos que pessoas assim se aproximassem de nossas famílias. Assegurávamos-nos de que não andassem soltos por nossas ruas.

— Bem-vindo ao século vinte e um! —exclamou Rin com amargura—. Aqui fazemos as coisas de um modo… distinto.

Sesshoumaru moveu a cabeça, cismado, enquanto pensava em todas as coisas desta época que lhe resultavam estranhas. Não podia entender a esta gente, nem seu modo de vida.

— Não encaixo neste mundo —resmungou.

— Sesshoumaru …

afastou-se quando viu que Rin se aproximava dele.

— Rin, sabe que é assim. Suponhamos que rompemos a maldição; do que me vai servir? O que se supõe que vou fazer aqui? Não posso ler seu idioma, não sei conduzir e não tenho possibilidades de trabalhar. Há muitas coisas que não entendo. Sinto-me perdido…

Ela se estremeceu ante a evidente angustia que Sesshoumaru tentava esconder com todas suas forças.

— Só está um pouco atrasado. Mas o faremos passo a passo. Ensinar-te-ei a conduzir e a ler. E com respeito ao trabalho… sei que é capaz de fazer muitas coisas.

— Como o que?

— Não sei. além de ser um soldado, a que outra coisa te dedicava na Macedônia?

— Era um general, Rin. Quão único sei fazer é dirigir a um antigo exército em uma batalha. Nada mais.

Rin tomou sua cara entre as mãos e o olhou com dureza.

— Não te atreva a abandonar agora. Há-me dito que não tinha medo a lutar, como pode te assustar por isso?

— Não sei, mas me assusta.

Algo estranho ocorreu então; Rin percebeu que Sesshoumaru lhe tinha permitido aproximar-se. Não de forma muito íntima, mas pela expressão de seu rosto se dava conta de que estava admitindo sua vulnerabilidade ante ela. E, no fundo, sabia que não era o tipo de homem que admite facilmente esse fato.

— Eu te ajudarei.

A dúvida que refletiam os olhos âmbar fez que lhe revolvesse o estômago.

— por que?

— Porque somos amigos —lhe respondeu com ternura, enquanto lhe acariciava a bochecha com o polegar—. Não foi isso o que disse ao Cupido?

— Já escutou sua resposta. Não tenho amigos.

— Agora sim.

Ele se inclinou e a beijou na frente, atraindo-a para seu corpo para lhe dar um forte abraço. O quente aroma do sândalo a alagou enquanto escutava o coração do Sesshoumaru pulsava freneticamente sob sua bochecha rodeada por seus bíceps. Foi um gesto tão tenro que chegou à alma de Rin.

— De acordo, Rin —lhe disse em voz baixa—. O tentaremos. Mas me prometa que não deixará que te faça mal.

Ela o olhou carrancuda.

— Estou falando a sério. Uma vez que me ponha os grilhões, não me solte sob nenhuma circunstância. Jura-o.

— Mas…

— Jura-o! —insistiu ele com brutalidade.

— Muito bem. Se não puder te controlar, não te liberarei. Mas eu também quero que me prometa uma coisa.

Ele se apartou um pouco e a olhou. Não obstante, seguiu abraçando-a.

— O que?

Rin apoiou as mãos sobre seus fortes bíceps e sentiu como a pele do Sesshoumaru se arrepiava sob seu contato. Ele baixou o olhar para suas mãos, com uma das expressões mais tenras que ela nunca tinha visto.

— me prometa que não vais desistir — lhe disse—, que vais tentar acabar com a maldição.

Olhou-a com um sorriso estranho.

— Está bem. Tentarei-o.

— E o obterá.

Sesshoumaru sorriu ao escutar seu comentário.

— Tem o otimismo de uma menina.

Rin lhe devolveu o sorriso.

— Como Peter Pan.

— Peter o que?

Ela se afastou de seus braços a contra gosto. Tomando o da mão, levou-o até a porta do dormitório.

— me acompanhe escravo meu macedônio, e te contarei quem é Peter Pan e os Meninos Perdidos.

— Então, esse menino alguma vez se fez maior? —perguntou Sesshoumaru enquanto preparavam o jantar.

Rin estava muito surpreendida, já que ele não se queixou quando lhe pediu que se encarregasse da salada. Parecia bastante acostumado a usar facas para cortar comida.

Sem muitas vontades de investigar aquela pequena peculiaridade, concentrou-se no molho para os talharins.

— Não. Retornou à ilha com Campainha.

— Interessante.

Rin colocou uma colher no molho e, pondo uma mão debaixo para que não gotejasse, a aproximou do Sesshoumaru para que a provasse, depois de havê-la esfriado.

— me diga o que te parece.

Ele se inclinou, abriu a boca e deixou que Rin lhe desse a provar o molho.

Ela observou como a saboreava.

— Está deliciosa.

— Muito sal possivelmente?

— Não, está perfeita.

Ela sorriu alegremente.

— Ok — lhe disse ele, lhe oferecendo uma parte de queijo.

Rin abriu a boca, mas ele não o deu; aproveitando-se das circunstâncias, apropriou-se de seus lábios para beijá-la a consciência.

Céu santo! Uma língua com tal capacidade de movimento deveria ser imortalizada com um monumento, ou encontrar um modo de conservá-la para a posteridade. Semelhante tesouro não podia desaparecer. E esses lábios…

Mmm, Rin não queria parar, só em pensar nesses deliciosos lábios e no que eram capazes de fazer.

Sesshoumaru a sujeitou pela cintura apertando-a contra seus quadris, justo sobre o lugar onde seu membro se esticava sob os jeans. Por amor de Deus!, este homem estava maravilhosamente dotado e Rin começou a tremer ante a idéia de que desdobrasse todos seus encantos sexuais para ela.

Seria capaz de sobreviver a algo assim?

Sentia como Sesshoumaru se esticava e como sua respiração começava a alterar-se. Estava deixando-se arrastar pela paixão, e Rin começava a temer que, se não o detinha nesse momento, nenhum dos dois ia ser capaz de parar depois.

Embora não gostava de nada separar-se dele, deu um passo atrás, desfazendo o tórrido abraço.

— Sesshoumaru, te comporte.

Ofegando, observou a luta que sustentava consigo mesmo enquanto a devorava com os olhos.

— Seria muito mais singelo comportar-se se não fosse tão deliciosamente desejável.

O comentário foi tão inesperado que ela riu com vontades.

— Sinto-o — lhe disse, captando o gesto irritado do Sesshoumaru —. Ao contrário do que ocorre a ti, eu não estou acostumada a que me digam coisas como essa.

Sesshoumaru soprou.

— Preocupam-me os homens desta época, Rin. Todos parecem ser uns completos imbecis.

Rindo de novo, lhe deu um ligeiro beijo na bochecha e se aproximou da panela para tirar a massa da água antes de que se passasse.

Enquanto jogava os talharins no escorredor, lembrou-se do pão.

— Pode da uma olhada nos pães?

Sesshoumaru se aproximou do forno e se inclinou, oferecendo a Rin uma suculenta visão de sua parte traseira. Ela mordeu o lábio inferior, enquanto se esforçava por não aproximar-se e passar a mão por esse firme traseiro.

— Estão a ponto de queimar-se.

— Ai, droga! Pode as tirar? —perguntou-lhe, tentando não derramar a água que estava fervendo.

— Claro — Sesshoumaru agarrou um pano, e começou a tirar o pão. De repente, soltou um juramento que chamou a atenção de Rin.

Ela girou e viu que o pano estava gueimando.

— Ali! —exclamou, tirando-se de no meio—. Joga-o à pia.

Ele o fez, mas ao passar por seu lado, roçou-lhe a mão com o pano e Rin gemeu de dor.

— Queimei-te? —perguntou-lhe.

— um pouco.

Sesshoumaru fez uma careta ao lhe agarrar a mão para lhe examinar a queimadura.

— Sinto-o —lhe disse, um momento antes de levar o dedo de Rin à boca.

Atônita, não foi capaz de mover-se enquanto Sesshoumaru passava a língua pela sensibilizada pele de seu dedo. Apesar da queimação da ferida, a sensação era muito agradável. Muito, muito agradável.

— Isso não lhe vem bem à queimadura —sussurrou.

Com o dedo ainda na boca, Sesshoumaru lhe dedicou um sorriso travesso e alargou o braço para abrir a pica, que estava a suas costas. Fez um círculo completo com a língua ao redor do dedo uma vez mais antes de abrir a boca e colocá-lo sob o jato de água fria.

Sustentando-lhe o braço para que a água aliviasse a ardência da queimadura, aproximou-se da planta de aloe, que estava na batente da janela, e cortou uma parte.

— Conhece as propriedades do aloe? —perguntou-lhe ela.

— Suas propriedades curativas se conheciam muito antes de que eu nascesse —respondeu ele.

Quando esfregou o dedo com a viscosa seiva da planta,Rin sentiu que um calafrio lhe percorria as costas e se o fazia um nó no estômago.

— Sente-se melhor?

Ela assentiu com a cabeça.

Com a ternura e o desejo refletidos nos olhos, Sesshoumaru contemplou seus lábios como se ainda pudesse perceber seu sabor.

— Acredito que, a partir de agora, deixarei que você seja a que se encarregue do forno —lhe disse.

— Provavelmente seja o melhor.

Rin se separou dele e tirou os pães, que ainda eram comestíveis.

Sesshoumaru levou os pratos até a sala de estar, onde se sentaram a comeram no chão, diante do sofá, enquanto viam Matrix.

— eu adoro este filme —disse ela quando começava o filme.

Sesshoumaru colocou o prato sobre a mesa de café e se aproximou de Rin.

— Sempre come no chão? —perguntou-lhe antes de levar uma parte de pão à boca.

Fascinada pela harmonia de seus movimentos, Rin observou atentamente como a mandíbula de Sesshoumaru se esticava ao mastigar.

Não havia nenhuma parte de seu corpo pela que não lhe fizesse a boca água? Começava a entender por que o resto de seus invocadoras o tinham utilizado.

A idéia de mantê-lo encerrado em uma habitação durante um mês estava começando a lhe resultar muito tentadora.

E além disso tinham aqueles grilhões…

— Bom —disse afastando sua mente daquela maravilhosa pele, e do bem que se veria se Sesshoumaru estivesse totalmente nu e esparramado sobre seu colchão—, está a mesa do comilão, mas posto que a maioria das noites estou sozinha, prefiro tomar um tigela de sopa no sofá.

Sesshoumaru girou de forma magistral o garfo sobre a colher, até que os talharins estiveram perfeitamente enrolados.

— Necessita a alguém que cuide de ti —lhe disse antes de levar o garfo à boca.

Rin se encolheu de ombros.

— Eu me cuido sozinha.

— Não é o mesmo.

Rin o olhou carrancuda. Havia algo em sua voz que lhe indicava que não o dizia do ponto de vista machista. Sesshoumaru falava do coração e apoiando-se em sua própria experiência.

— Suponho que todos necessitamos alguém que nos cuide, verdade? —sussurrou ela.

Ele girou a cabeça para ver a televisão, mas não antes de que Rin captasse o brilho do desejo em seus olhos. Ela o observou enquanto permanecia uns minutos atento ao filme. Até distraído, comia de forma impecável. Rin estava toda coberta de manchas de molho, e ele nem sequer tinha deixado cair uma só gota.

— Me ensina, como faz isso — lhe disse.

Sesshoumaru a olhou com curiosidade.

— O que?

— O que faz com a colher. Está-me pondo dos nervos. Não consigo que meus talharins acabem enrolados no garfo; ficam todos soltos e me ponho perdida.

— Claro, e não queremos que nos rodeiem um montão de talharins gigantes que a deixem tudo feito um asco, verdade?

Rin riu porque sabia que não falava precisamente dos talharins.

— A ver, como o faz?

Sesshoumaru tomou um sorvo de vinho e deixou a taça a um lado.

— Vejamos, assim me resultará mais fácil lhe ensinar isso.

— Sesshoumaru … —lhe advertiu ela.

— Só vou ensinar te o que quer.

— Hum… —exclamou. De todos os modos, não podia evitar sentir sua proximidade lhe impregnasse até os ossos, até a alma. A calidez do peito do Sesshoumaru se estendeu por suas costas quando a rodeou com seus maravilhosos braços.

Ao sentar-se atrás dela, ele dobrou os joelhos, de modo que ficaram a cada lado de seu corpo e quando se inclinou para diante, Rin notou sua ereção lhe pressionando no quadril. Esta vez não se surpreendeu. Curiosamente, estava começando a acostumasse.

Sentia o poder e a força de Sesshoumaru enquanto seu corpo fibroso e esbelto se acomodava atrás dela, deixando-a sem fôlego e muito insegura.

Uns sentimentos estranhos e intensos começaram a estender-se em seu interior, jamais lhe tinha ocorrido algo assim. O que tinha Sesshoumaru que o fazia sentir-se tão protegida e feliz?

Se tratava da maldição, deveriam lhe trocar o nome, porque não havia nada malévolo nas sensações que a embargavam.

— Muito bem —lhe disse Sesshoumaru, e seu fôlego lhe roçou a orelha fazendo que uma descarga elétrica a transpassasse. Imediatamente, agarrou-lhe as mãos e os dois juntos sustentaram os talheres.

Fechou os olhos, enquanto aspirava o doce aroma de flores que desprendia do cabelo de Rin. Estava empregando toda sua força de vontade para concentrar-se na tarefa de lhe ensinar a comer talharins, e esquecer-se do muito que desejava lhe fazer o amor.

Ela deslizou provocativamente os dedos entre os seus, intensificando desse modo as sensações que sua pele cálida e suave produziam em Sesshoumaru. Um novo tipo de desespero se apropriou dele. Uma que não era capaz de nomear. Sabia o que queria dela, e não se tratava só de seu corpo.

Mas não se atrevia a pensar nisso.

Não se atrevia a ter esperanças.

Rin não estava a seu alcance. Seu coração o dizia, e sua alma. Nem todo o desejo do mundo poderia trocar um fato essencial: não se merecia uma mulher como ela.

Jamais o tinha merecido…

Abriu os olhos e lhe mostrou o modo de usar a colher para ajudar-se a enrolar os talharins no garfo.

— Vê? —murmurou, lhe aproximando o garfo aos lábios—. É singelo.

Ela abriu a boca e Sesshoumaru introduziu com cuidado o garfo. Enquanto o tirava, deslizando-o entre seus lábios, sentiu que experimentava uma nova forma de tortura.

O coração pulsava a um ritmo frenético e selvagem, e seu sentido comum lhe dizia que se afastasse dela.

Mas não podia. Levava tanto tempo sem companhia. Tanto tempo sem ter um amigo…

Não podia deixá-la agora. Não sabia como fazê-lo.

Assim seguiu lhe dando de comer.

Rin se reclinou entre seus braços. Apartou as mãos das suas e deixou que ele tomasse o controle. Enquanto mastigava os talharins, agarrou uma parte de pão e o ofereceu a Sesshoumaru. Mordiscou-lhe os dedos ao ficar o na boca.

Rin sorriu e lhe acariciou o queixo enquanto mastigava. Uf! A forma em que se esticava esse músculo sob sua mão… adorava como se movia seu corpo, como se relaxavam e se contraíam seus músculos, por muito pequeno que fosse o esforço.

Uma mulher jamais poderia cansar-se de olhá-lo.

Tomou um sorvo de vinho e, enquanto isso, Sesshoumaru lhe roubou uns quantos talharins.

— Ouça, você! —disse-lhe brincando—. Isso é meu.

Seus celestiais olhos âmbar resplandeceram ao sorrir, e lhe ofereceu de novo o garfo para que seguisse comendo.

Enquanto mastigava, Rin lhe aproximou a taça de vinho aos lábios.

Infelizmente, não calculou bem e a afastou muito logo, com o que o vinho se derramou por seu queixo e caiu sobre a camisa.

— Sinto muito! —exclamou, lhe limpando o queixo com os dedos. Sua incipiente barba lhe raspava a pele—. Jesus! A que formei!

A ele não pareceu lhe incomodar absolutamente. Agarrou-lhe a mão e se dedicou a lamber o vinho que caía por seus dedos.

Rin deixou escapar um gemido. Sesshoumaru lhe lambia os dedos e os mordiscava com muita suavidade, e ela se estremecia da cabeça aos pés.

Um a um, foi limpando meticulosamente. E quando acabou, elevou-lhe o queixo e capturou seus lábios.

Mas não foi o beijo exigente e feroz ao que ela estava acostumada. que utilizava para seduzi-la e devorá-la.

Este foi suave e tranqüilo. Tenro. Os lábios de Sesshoumaru eram delicados mas exigentes.

Então se afastou.

— Ainda tem fome? —perguntou-lhe.

— Sim —balbuciou Rin, sem referir-se à comida, a não ser aos apetites do seu corpo estava experimentando junto a ele.

Sesshoumaru lhe ofereceu mais talharins.

Quando lhe aproximou a taça novamente para acalmar sua sede, Sesshoumaru lhe cobriu a mão com a sua enquanto a observava com olhos risonhos.

Assim seguiram, dando-se de comer e deleitando-se em sua mútua companhia, até o final do filme. Sesshoumaru pareceu muito interessado nas lutas finais.

— Suas armas são fascinantes —comentou.

— Suponho que para um general devem sê-lo.

Ele a olhou de esguelha e seguiu atento ao filme.

— O que é o que mais você gosta do Matrix?

— As alegorias.

Ele assentiu.

— Tem influências do Platón.

— Conhece o Platón? —perguntou-lhe surpreendida.

— Estudei-o quando era jovem.

— Sério?

Não pareceu divertido pela conversação.

— As arrumavam para nos ensinar umas quantas coisas entre surra e surra.

— Não está falando a sério, Sesshoumaru.

— Estou.

Uma vez acabou o filme, ajudou-a a recolher a cozinha.

Quando ela carregava a lava-louça, soou o telefone.

— Não demorarei nada —lhe disse enquanto corria para a sala para responder.

— Rin, é você?

ficou gelada ao escutar a voz de Jenine.

— Olá, senhor Jenine —o saudou friamente.

Nesse momento, teria matado sua amiga por partir da cidade.

Tão somente tinha tido uma sessão com Jenine, na quarta-feira, mas tinha sido suficiente para fazer que desejasse contratar a um detetive privado que procurasse o Luanne e a trouxesse de volta.

O tipo lhe dava calafrios.

— Onde esteve hoje, Rin? Não estará doente, verdade? Poderia te levar…

— Não lhe trocou Lisa sua entrevista?

— Sim, mas estava pensando que podíam…

— Olhe, senhor Jenine, não atendo a meus pacientes em casa. Verei-lhe na hora de sua sessão. De acordo?

A linha ficou em silêncio.

— Rin?

Ela saltou e chiou ao escutar a voz de Sesshoumaru a suas costas.

Ele a observava com curiosidade, com uma expressão que muito bem poderia ter encontrado divertida se não tivesse estado tão aterrorizada.

— Está bem? —perguntou-lhe ele.

— Sim, sinto-o —disse, pendurando o telefone—. Era esse paciente do que te falei. Jenine Carmichael.

— O que?

— Ele me põe muito nervosa —pela primeira vez, agradecia muitíssimo a presença de Sesshoumaru. Desde não estar ele, teria ido a casa de Sango e Mirok, em busca de sua hospitalidade durante o fim de semana—. Venha —lhe disse enquanto apagava a luz da cozinha—. Vamos acima e começo a te ensinar a ler?

Sesshoumaru negou com a cabeça.

— Não abandona, verdade?

— Não.

— Muito bem —lhe respondeu, seguindo-a escada acima—. Aceito que me dê classes se puser a roup…

— Não, não e não —disse ela, detendo-se em metade da escada e girando-se para olhá-lo temo que isso não vai ser possível.

Ele se aproximou e acariciou o cabelo que lhe caía sobre o ombro.

— Não sabe que necessito uma musa que me anime a aprender? E que melhor musa que você vestida com…?

Rin lhe colocou os dedos sobre os lábios para impedir que seguisse falando.

— Se me puser isso, duvido muito que vás aprender algo que não saiba já.

Mordiscou-lhe os dedos.

— Prometo me comportar bem.

Sabendo que era uma idéia péssima, deixou que a convencesse.

— Será melhor que te comporte —lhe advertiu, lhe olhando por cima do ombro enquanto acabava de subir os degraus.

Rin entrou no enorme close que seu pai tinha convertido em biblioteca anos atrás, e rebuscou nas prateleiras até encontrar seu velho conto do Peter Pan.

Sesshoumaru remexeu em suas gavetas até encontrar o deplorável traje.

Intercambiaram objetos no centro da habitação. Rin correu por volta do quarto de banho e se trocou de roupa, mas, logo que se contemplou no espelho, com o diáfano objeto vermelho, foi incapaz de mover-se. Droga! Se Sesshoumaru a vi-se com essas pintas sairia correndo da habitação.

Incapaz de suportar a humilhação de vê-lo decepcionado por seu corpo, tirou-se a roupa ficou sua singela regata rosa. Envolveu-se em seu grosso penhoar antes de retornar à habitação.

Sesshoumaru meneou a cabeça.

— por que te puseste isso?

— Olhe, não sou idiota. Não tenho o tipo de corpo que faz que os homens babem.

— O que está tentando me dizer?, que é um homem?

Ela franziu o cenho ante sua lógica.

— Não.

— Então como sabe que seu corpo não acordada o desejo de um homem?

— Porque não sou cega. Certo? Os homens não babam por mim do mesmo modo que as mulheres fazem contigo. Maldita seja!, considero-me afortunada quando se dão conta de que sou uma mulher.

— Rin —resmungou, levantando-se. ficou em pé e se deteve os pés da cama—. Vêem aqui —lhe ordenou.

Ela obedeceu.

Sesshoumaru a colocou exatamente em frente do espelho de corpo inteiro.

— O que vê? —perguntou-lhe.

— A ti.

Sorriu-lhe.

Inclinando-se, apoiou o queixo sobre o ombro de Rin.

— O que vê quando te olha?

— Vejo alguém que precisa perder de seis a nove quilos.

A ele não pareceu lhe fazer graça.

Passou-lhe as mãos pela cintura, até a parte dianteira do penhoar, onde descansava o nó do cinturão.

— me deixe que te diga o que eu vejo —ronronou justo sobre sua orelha, enquanto colocava as mãos sobre o cinturão, sem abri-lo—. Vejo um formoso cabelo, escuro como a noite. Suave e abundante. Tem o cabelo ideal para que caia em cascata sobre o ventre nu de um homem, para enterrar a cara nele e aspirar seu aroma.

Rin começou a tremer.

— Tem um rosto com forma de coração, semelhante ao de um pequeno fantasia de diabo, com lábios cheios e sensuais que pedem a gritos ser beijados.

Não soava tão mal dito por ele.

Desabotoou-lhe o penhoar e fez uma careta ante a visão da regata rosa. Abrindo-o de tudo, seguiu falando.

— O que temos aqui? —resmungou, devorando-a com os olhos.

antes de poder pensar sequer em protestar, Sesshoumaru lhe baixou o penhoar pelos braços e o deixou cair ao chão, a seus pés. Voltou a apoiar o queixo em seu ombro enquanto seus olhos a contemplavam através do espelho.

Elevou-lhe a regata.

— Sesshoumaru —disse ela, lhe agarrando a mão.

Seus olhares se encontraram no espelho. Rin não pôde mover-se, já que a paixão e a ternura que se refletiam nos olhos de Sesshoumaru a sumiram em um estado de transe.

— Quero verte, Rin —lhe disse em um tom que deixava às claras que não admitiria um não por resposta.

Antes de poder voltar a pensar com claridade, lhe tirou a regata e passou suas mãos sobre a pele nua de seu estômago.

— Seus seios não são pequenos —sussurrou, incorporando-se atrás dela—. Têm o tamanho perfeito para a mão de um homem —e para demonstrar sua afirmação, aproximou as mãos e os cobriu com elas.

— Sesshoumaru —balbuciou Rin com um gemido e o corpo abrasado—. Recorda sua promessa.

— Estou-me comportando bem —respondeu ele com voz rouca.

Apoiando-se sobre seus duros peitorais, Rin observou sem fôlego no espelho como Sesshoumaru deixava seus seios e lhe acariciava as costelas, descendendo até os quadris e uma vez ali, colocava as mãos sob o elástico de seu short.

— Tem um corpo formoso, Rin —lhe disse enquanto lhe acariciava.

Pela primeira vez em toda sua vida, acreditou-. Sesshoumaru lhe mordiscou o pescoço enquanto suas mãos continuavam com aquela doce tortura.

— Sesshoumaru —choramingou, sabendo que se não o detinha agora não seria capaz de fazê-lo mais tarde.

— Shh! —disse-lhe ao ouvido—. Já te tenho.

E, então, separou as tenras dobras de seu corpo e acariciou seu sexo.

Rin gemeu, consumida pela paixão. Sesshoumaru capturou seus lábios e a beijou plena e profundamente.

De forma instintiva, deu-se a volta entre seus braços para saboreá-lo melhor.

Levantou-a do chão, sem abandonar seus lábios, enquanto a levava até a cama. De algum modo, as arrumou para acomodá-la sobre o colchão e tombar-se sobre ela sem deixar de beijá-la.

Certamente tinha um grande talento.

E uf!, Rin se sentia arder com suas carícias. Com seu aroma escandalosamente sensual. Com a sensação de seu corpo tendido junto a ela. Começou a tremer de pés a cabeça enquanto lhe separava as coxas com os joelhos e se colocava, ainda vestido, sobre ela.

Sentir seu peso era algo maravilhoso. Seu corpo duro e viril, enquanto esfregava seus esbeltos quadris contra ela. Até através dos jeans, podia sentir sua ereção pressionando a. Como se estivessem atraídos por um ímã, seus quadris se elevaram compassando-se ao movimento de Sesshoumaru.

— Isso, Rin —murmurou sobre seus lábios, enquanto seguia roçando seu membro inchado contra ela, de um modo tão magistral que Rin soube que já teria chegado ao clímax se estivesse dentro dela—. Sente minhas carícias. Sente meu desejo por ti, só por ti. Não lute contra ele.

Rin voltou a gemer quando Sesshoumaru abandonou seus lábios e deixou um abrasador caminho de beijos por sua garganta, até chegar a seus seios, que começou a sugar com suavidade.

Rin delirava de prazer enquanto enterrava as mãos nos cabelos prateados.

Ele atormentou implacavelmente seus seios com a língua.

Todo seu corpo tremia pelo tremendo esforço que lhe supunha manter-se vestido. Queria introduzir-se nela com tanto desespero que sua prudência se desvanecia pouco a pouco.

Com cada aposta de seus quadris contra os de Rin lhe dava vontade de gritar pela agonia do desejo insatisfeito. Era a tortura mais deliciosa que jamais tinha experiente.

E tudo piorou ao sentir que Rin deslizar as mãos por suas costas, e as introduzir em seus bolsos traseiros para aproximá-lo ainda mais, apertando-o com força.

Sesshoumaru se estremeceu ante a sensação.

— Sim, OH, sim! —ofegava Rin quando ele aumentou o ritmo de suas investidas.

Sesshoumaru sentiu que tudo lhe dava voltas. Tinha que afundar-se nela. E se não podia fazer o de uma maneira, por todos os templos de Atenas que o faria de outra.

Separou-se dela e se moveu para baixo, passando os lábios por seu estômago e lhe beijando os quadris enquanto lhe tirava a calcinha.

Rin tremia de pés a cabeça ao sentir o poder que ele ostentava nesse momento.

— Por favor —lhe suplicou, incapaz de suportá-lo mais.

Apartou-lhe as coxas com os cotovelos. Rin o permitiu sem protestar. Colocou as mãos baixo ela e lhe elevou os quadris até que lhe aconteceu as pernas por cima de seus ombros.

Os olhos lhe abriram de par em par no mesmo instante em que Sesshoumaru tomou na boca.

Rin enterrou as mãos no cabelo dele e jogou a cabeça para trás, gemendo ante as carícias tão íntimas que a língua de Sesshoumaru lhe prodigalizava. Jamais tinha experiente algo assim. Uma e outra vez, penetrando-a com a língua implacavelmente, ele a lambia, atormentava-a, pinçava em seu interior até deixá-la sem fôlego, exausta.

Sesshoumaru fechou os olhos e grunhiu quando provou seu sabor. E desfrutou da sensação. Os murmúrios de prazer que escapavam da garganta de Rin ressonavam em seus ouvidos. Percebia como ela reagia ante cada carícia sensual de sua língua, cuidadosamente executada. De fato, sentia como lhe tremiam as coxas e as nádegas, como se estremeciam contra seus ombros e suas bochechas.

Rin se retorcia de modo muito erótico em resposta a suas carícias.

Com a respiração entrecortada, Sesshoumaru quis lhe mostrar exatamente o que se esteve perdendo. Quando saísse da habitação essa noite, Rin não voltaria a encolher-se de temor ante suas carícias.

Ela choramingou quando moveu a mão devagar para introduzir o polegar em sua vagina, enquanto continuava lambendo-a.

— Sesshoumaru! —ofegou com um involuntário estremecimento de seu corpo.

Ele moveu o dedo e a língua ainda mais rápido, mais profundo, aumentando a pressão enquanto girava e girava. Rin sentia que a cabeça lhe dava voltas pelo roce da barba do Sesshoumaru em suas coxas, em seu sexo.

E, quando pensava que já não poderia suportá-lo mais, alcançou o clímax de forma tão violenta que jogou a cabeça para trás e gritou enquanto seu corpo se convulsionava pelas contínuas quebras de onda de prazer.

Mas Sesshoumaru não se deteve, seguiu lhe prodigalizando carícias até que teve outro novo orgasmo, quase seguido ao primeiro.

A terceira vez que lhe ocorreu pensou que morreria.

Débil, e totalmente saciada, sacudia a cabeça a um e outro lado, sobre o travesseiro, enquanto ele continuava seu implacável assalto.

— Sesshoumaru, por favor —lhe suplicou enquanto seu corpo seguia experimentando contínuos espasmos por suas carícias—. Não posso mais.

Só então, ele se apartou.

Rin se sentia palpitar da cabeça até os pés, e respirava entrecortadamente. Jamais tinha conhecido um prazer tão intenso.

Sesshoumaru riscou um caminho de beijos desde suas coxas até sua garganta, e ali ficou.

— me diga a verdade, Rin —lhe disse ao ouvido—. Há sentido algo assim antes?

— Não —sussurrou ela com honestidade; duvidava que muitas mulheres tivessem conhecido algo semelhante ao que ela acabava de experimentar. Possivelmente não houvesse nenhuma—. Não tinha nem idéia de que pudesse ser assim.

Com um olhar faminto, Sesshoumaru a contemplou como se queria devorá-la.

Ela sentiu a pressão de sua ereção sobre o quadril e caiu na conta que ele não tinha chegado ao orgasmo. Tinha mantido sua promessa.

Com o coração lhe pulsando frenético ante o descobrimento, quis lhe proporcionar quão mesmo ela acabava de viver. Ou ao menos, algo que lhe aproximasse.

Baixando a mão, começou a lhe desabotoar as calças.

Sesshoumaru lhe agarrou a mão e a levou aos lábios para lhe beijar a palma com muita ternura.

— Sua intenção é boa, mas não te incomode.

— Sesshoumaru —lhe disse em tom de recriminação—. Sei que é muito doloroso para um homem se não se…

— Não posso —insistiu ele, interrompendo-a de novo.

Rin o olhou carrancuda.

— Que não pode o que?

— Ter um orgasmo.

Rin abriu a boca, atônita. Estaria dizendo a verdade? De todos os modos, seus olhos tinham uma expressão mortalmente séria.

— É parte da maldição —lhe explicou ele—. Posso te dar agradar, mas se me toca justo agora, só conseguirá me fazer mal.

Sofrendo por ele, acariciou-lhe a bochecha.

— Então, por que…?

— Porque queria fazê-lo.

Não acreditava. Não. Apartou a mão de seu rosto e olhou para outro lado.

— Quer dizer por que tinha que fazê-lo. Pela maldição também, não é certo?

Ele a agarrou pelo queixo e a obrigou a lhe olhar aos olhos.

— Não. Estou lutando contra a maldição, se não fosse assim, estaria dentro de ti agora mesmo.

— Não o entendo.

— Eu tampouco —lhe confessou olhando-a aos olhos, como se procurasse nela a resposta—. Deite-Te comigo — sussurrou —. Por favor.

Rin fez uma careta de dor ante o sofrimento que destilava aquela singela petição. Seu pobre Sesshoumaru. O que lhe tinham feito? Como podiam lhe fazer isso a alguém como ele?

Sesshoumaru agarrou o livro e o deu a Rin.

— Leia.

Ela abriu o conto enquanto ele colocava os travesseiros no cabeceira da cama.

Estirou-se no colchão e fez que Rin se tombasse a seu lado. Sem dizer uma só palavra, atirou da manta e a rodeou em um tenro gesto com seu braço.

O aroma de sândalo a assaltou de novo, enquanto começava a ler a história do Wendy e Peter Pan.

Estiveram assim durante uma hora.

— eu adoro sua voz. Sua forma de falar —lhe disse enquanto Rin se detinha para passar uma página.

Ela sorriu.

— Devo dizer o mesmo de ti. Tem a voz mais cativante que escutei jamais.

Sesshoumaru lhe tirou o livro das mãos e o deixou sobre a mesa de noite. Rin elevou o olhar até seus olhos. O desejo os fazia mais brilhantes, e a contemplava com um desejo que a deixou sem respiração.

Então, para seu assombro, beijou-a brandamente na ponta do nariz.

Alargou o braço, agarrou o mando a distância e baixou as luzes até deixar a habitação em penumbra. Rin não sabia o que dizer enquanto ele se arrumava atrás dela e a abraçava pelas costas.

Sesshoumaru lhe apartou o cabelo da cara e apoiou a cabeça no travesseiro, ao lado da sua.

— eu adoro seu aroma —lhe sussurrou, abraçando-a com força.

— Obrigado —respondeu ela em um murmúrio.

Não estava segura, mas lhe dava a impressão de que Sesshoumaru sorria.

Se aproximou ainda mais, aproximando-se da calidez de seu corpo, mas os jeans lhe rasparam as pernas.

— Não está incômodo vestido? Não deveria te trocar de roupa?

— Não —respondeu tranqüilamente—. Deste modo, sei que minha colherinha permanecerá afastada de você…

— Nem te ocorra dizê-lo —disse com uma gargalhada—. Não te ofenda, mas seu irmão é asqueroso.

— Sabia que havia uma razão para que eu gostasse tanto de você.

— boa noite, Sesshoumaru.

— boa noite, carinho.

Rin apagou a luz.

Imediatamente, notou como Sesshoumaru se esticava. Sua respiração se converteu em um ofego entrecortado e se separou dela.

— Sesshoumaru?

Ele não respondeu.

Preocupada, Rin acendeu a luz para poder lhe ver. Abraçava-se com força o torso, com os braços cruzados sobre o peito. Tinha a frente coberta de suor e um olhar aterrado e selvagem enquanto se esforçava por respirar.

— Sesshoumaru?

Ele observou a habitação como se acabasse de despertar de um pesadelo espantoso. Rin viu como elevava um braço e colocava a mão na parede, para assegurar-se que tudo era real, não uma alucinação.

Umedeceram-se os lábios, passou-se a mão pelo peito e tragou saliva.

E então, Rin o entendeu.

A escuridão. Por isso não tinha apagado as luzes, mas sim tinha baixado a intensidade.

— Sinto-o Sesshoumaru, não sabia.

Ele seguia sem falar.

Rin o abraçou, surpreendida de que um homem tão forte procurasse consolo nela como se não pudesse fazer outra coisa. Sesshoumaru apoiou a cabeça sobre seus peitos.

Com os dentes apertados, Rin sentiu que os olhos lhe enchiam de lágrimas. E nesse instante soube que jamais lhe deixaria retornar a esse livro. Nunca.

De algum modo, romperiam a maldição. E, quando tudo tivesse acabado, esperava que Sesshoumaru pudesse vingar do responsável por seu sofrimento.

Fala serio, esse capitulo e bom, isso sim e ter alto controle, bem valeu pelas reviews fico contente que estejam gostando da historia.

Muito beijos:

Kuchiki Rin

Ana Spizziolli

Beka Taishou

Thata

Individua do mal

Rin Taisho Sama

paty saori

Yuri

Meyllin

sandramonte

Sereninha

Tamy Regina

Rukia-hime

Bem eu não ia falar o nome do livro nem da autora até o final da fic, mas como minha amiguinha paty saori pediu:

O nome e um sonho de amante da serie Dark Hunter, e eu recomendo são

M A R A V I L H O S O S