CAPÍTULO 10
Algo ia mal. Rin o notava no ambiente enquanto conduzia para o Bairro Francês. Sesshomaru ia sentado junto a ela, olhando pela janela.
Tinha tentado várias vezes fazê-lo falar, mas não havia modo de que separasse os lábios. Tudo o que lhe ocorria era que estava deprimido pelo acontecido no banheiro. Devia ser duro para um homem habituado a manter um férreo controle de si mesmo perder daquele modo.
Estacionou o carro no estacionamento público.
— Vá, que calor faz! —exclamou ao sair e sentir-se imediatamente assaltada pelo ar carregado e denso.
Deu uma olhada a Sesshomaru, que estava realmente deslumbrante com os óculos de sol escuros que lhe tinha comprado. Uma fina capa de suor lhe cobria a pele.
— Faz muito calor para ti? —perguntou-lhe, pensando em quão mau o estaria passando com os jeans e a pólo.
— Não vou morrer, se referir a isso — respondeu mordazmente.
— Estamos um pouco irritados, não?
— Sinto—se desculpou ao chegar a seu lado— Estou pagando meu mau humor contigo, quando não tem culpa de nada.
— Não importa. Estou acostumada a ser o bode expiatório. De fato, converti-o em minha profissão.
Já que não podia lhe ver os olhos, Rin não sabia se suas palavras lhe tinham feito graça ou não.
— Isso é o que fazem seus pacientes?
Ela assentiu.
— Há dias que são horripilantes. Mas prefiro que me grite uma mulher a que o faça um homem.
— Têm-lhe feito mal alguma vez? —O afã de amparo de sua voz a deixou perplexa. E encantada. Tinha querido ter a alguém que a cuidasse.
— Não — respondeu, tentando dissipar a evidente tensão de seu corpo. Esperava que nunca lhe fizessem mal, mas depois da chamada do Narak, não estava muito segura, e era bastante possível que esse moço acabasse com sua boa sorte.
Está sendo ridícula. Só porque o homem punha os cabelos arrepiados não significa que seja perigoso.
A expressão do rosto de Sesshomaru era dura e muito séria.
— Acredito que deveria te buscar uma nova profissão.
— Talvez — lhe disse evasivamente. Não tinha nenhuma intenção de deixar seu trabalho— vejamos, aonde vamos primeiro?
Ele se deu de ombros despreocupadamente.
— Dá-me exatamente igual.
— Então, vamos ao Aquário. Pelo menos há ar condicionado — e agarrando-o do braço, cruzou o estacionamento e se encaminhou pelo Moonwalk para o lugar.
Sesshomaru permaneceu em silêncio enquanto ela comprava entradas e o guiava para o interior. Não disse nada até que estiveram passeando pelos túneis subaquáticos, que lhes permitiam observar as distintas espécies marinhas em seu hábitat natural.
— É incrível — balbuciou quando uma enorme raia passou sobre suas cabeças. Tinha uma expressão infantil, e a luz que faiscava em seus olhos a encheu de calidez.
Subitamente, soou sua busca. Soltou uma maldição e olhou o número. Uma chamada do escritório um sábado?
Que estranho.
Tirou o móvel da bolsa e chamou.
— Olá, Rin! —disse-lhe Ayame, logo que desprendeu— Escuta, estou em meu consultório. Ontem à noite entrou alguém no escritório.
— Não! Quem faria algo assim?
Rin captou o olhar curioso nos olhos de Sesshomaru. Ofereceu-lhe um sorriso inseguro, e seguiu escutando ao Ayame, a psiquiatra que compartilhava o consultório com Luanne e com ela.
— Nem idéia. Há uma equipe da polícia procurando rastros e tudo está certo. Por isso vi, não levaram nada importante. Tinha um pouco de valor em seu consultório?
— Só o computador.
— Está ainda ali. Algo mais? Dinheiro, qualquer outra coisa?
— Não, nunca deixo objetos de valor aí.
— Espera, o oficial quer falar contigo.
Rin esperou até escutar uma voz masculina.
— Doutora Rin?
— Sim, sou eu.
— Sou o oficial Allred. Parece que se levaram seu organizador Rodolex e alguns arquivos. Sabe de alguém que pudesse estar interessado neles?
— Pois não. Necessita que vá para lá?
— Não, não. Estamos procurando rastros, mas se lhe ocorre algo, por favor, nos chame — e passou o telefone a Ayame.
— Quer que vá? —perguntou-lhe.
— Não. Não há nada que possa fazer. Em realidade, é bastante aborrecido.
— certo, me avise à busca se necessitar algo.
— Farei.
Rin desligou o telefone e o devolveu à bolsa.
— passou algo? —perguntou Sesshomaru.
— Alguém entrou ontem à noite em meu escritório.
Ele franziu o cenho.
— Para que?
— Nem idéia — a pausa de Rin fez que o cenho de Sesshomaru se intensificasse, enquanto ela pensava nos possíveis motivos— Não posso imaginar para que alguém ia querer meu Rodolex. Desde que me comprei o Palm Pilot, nem sequer o usei. É muito estranho.
— Temos que ir?
Ela agitou a cabeça.
— Não.
Sesshomaru deixou que Rin o guiasse ao redor dos diferentes aquários, enquanto lia as estranhas inscrições que explicavam detalhes sobre as distintas espécies e seus habitats.
Pelos deuses! Como gostava de escutar o som de sua voz ao ler. Havia algo muito relaxante na voz de Rin. Passou-lhe um braço pelos ombros enquanto passeavam. Lhe rodeou a cintura e enganchou um dedo em uma das penças do cinto.
O gesto conseguiu debilitá-lo. Deu conta de que passava as horas desejando sentir o roçar de seu corpo. E a sensação seria muito mais prazenteira se ambos estivessem nus nesse mesmo momento.
Quando lhe sorriu, o coração lhe acelerou descontroladamente. O que tinha esta mulher que despertava algo nele que jamais havia sentido?
Mas no fundo sabia. Era a primeira mulher que o via. Não a sua aparência física, nem suas proezas de guerreiro. Ela via sua alma.
Jamais tinha pensado que podia existir uma pessoa assim.
Rin o tratava como a um amigo. E seu interesse em ajudá-lo era genuíno. Ou ao menos parecia.
É parte de seu trabalho.
Ou era de verdade?
Podia uma mulher tão maravilhosa e compassiva como ela preocupar-se realmente por um tipo como ele?
Rin se deteve diante de outra inscrição. Sesshomaru ficou atrás dela e lhe passou ambos os braços pelos ombros. Lhe acariciou distraidamente os antebraços enquanto lia.
Com o corpo em chamas pelo desejo que despertava nele, inclinou o queixo até apoiá-la sobre sua cabeça e escutar desse modo a explicação, enquanto observava como nadavam os peixes. O aroma de sua pele invadiu seus sentidos e desejou voltar para sua casa, onde poderia lhe tirar a roupa.
Não era capaz de recordar quando tinha sido a última vez que desejou tanto a uma mulher como lhe ocorria com Rin. De fato, não acreditava possível que algo assim lhe tivesse ocorrido antes. Desejava perder-se em seu interior. Sentir suas unhas lhe arranhando as costas enquanto gritava ao chegar ao clímax.
Que as Parcas tivessem piedade dele. Rin estava sob sua pele.
E estava apavorado. Ela ocupava um lugar em seu coração que acabaria destroçando-o se lhe faltava. Só ela podia acabar realmente com ele. Fazê-lo em pedaços.
Era quase meio-dia quando saíram do Aquário. Rin se encolheu logo que voltaram para a rua, assaltada pela onda de calor. Em dias como este, perguntava-se como poderia as pessoas sobreviver antes que se inventasse o ar condicionado.
Olhou a Sesshomaru e sorriu. Por fim tinha encontrado a alguém a quem perguntar.
— me diga uma coisa, o que faziam para sobreviver em dias tão calorosos como este?
Ele arqueou uma sobrancelha com um gesto arrogante.
— Hoje não faz calor. Se quer saber o que é o calor, tenta atravessar um deserto com todo seu exército, levando a armadura e com apenas o meio odre de água para te manter.
Ela fez um gesto compassivo.
— Abrasador, suponho.
Ele não respondeu.
Rin deu uma olhada à praça, lotada de gente.
— Quer que vamos ver a Sango e demos uma volta pela praça? Deve estar em sua banca. No sábado está acostumada ser um de seus melhores dias.
— Vamos.
Agarrados pela mão, desceram a rua até chegar a Jackson Square. Como era de esperar, Sango estava em seu posto com um cliente. Rin começou a afastar-se para não interromper, mas Sango a viu e lhe fez um gesto para que se aproximasse.
— Ouça, Rin, lembra-te do Ben? Bom, melhor do doutor Lewis, da faculdade.
Rin duvidou em aproximar-se do reconhecer ao moço corpulento, entrado já nos quarenta.
Que se o recordava? Tinha-lhe dado uma nota muito baixo em sua disciplina, com o qual, baixou-lhe a média de todo o curso. Sem mencionar que o homem tinha um ego tão grande como o território do Alaska, e adorava fazer acontecer um mau momento a seus alunos. De fato, ainda recordava a uma pobre garota que pôs-se a chorar quando ele deu o sádico exame final que tinha preparado. O cara riu, literalmente a gargalhadas, quando viu a reação da garota.
— Olá! —saudou Rin tentando não demonstrar sua antipatia. Supunha que o homem não podia evitar ser detestável. Como bom licenciado pela universidade do Harvard, devia pensar que o mundo girava a seu redor.
— Senhorita Rin — a saudou com o mesmo tom depreciativo tão insuportável que ela recordava à perfeição.
— Em realidade deveria me chamar doutora Rin — o corrigiu, encantada ao ver como abria os olhos pela surpresa.
— Desculpe-me — lhe disse com um tom de voz que distava muito de parecer arrependido.
— Ben e eu estávamos conversando sobre a Antiga a Grécia —explicou Sango, dedicando um diabólico sorriso a Sesshomaru — Sou da opinião de que Afrodite era filha de Urano.
Ben pôs os olhos em branco.
— Não me cansarei de te dizer que, segundo a opinião mais entendida, era filha do Zeus e Dione. Quando vais aceitar o e a te unir a nós?
Sango o ignorou.
— me diga, Sesshomaru, quem tem razão?
Ben percorreu a Sesshomaru de cima abaixo com um arrogante olhar. Rin sabia que quão único via nele era a um homem excepcionalmente bonito, que parecia tirado de um anúncio de automóveis.
— Jovem, tem lido você alguma vez ao Homero? Sabe quem é?
Rin suprimiu uma gargalhada ante a pergunta. Estava desejando escutar a resposta de Sesshomaru.
Ele riu com vontades.
— Tenho lido ao Homero em profundidade. As obras que lhe atribuem não são mais que um amálgama de lendas, fundidas com dados reais ao longo dos séculos, e cujos verdadeiros origens se perderam nas brumas do tempo. Muito ao contrário que a Teogonía do Hesíodo, a qual escreveu com a ajuda direta do Clio.
O doutor Lewis disse algo em grego clássico.
— É mais que uma simples opinião, doutor —lhe respondeu Sesshomaru em inglês— É um fato provado.
Ben voltou a olhá-lo com atenção, mas Rin sabia que ainda não estava muito disposto a acreditar que alguém com o aspecto de Sesshomaru pudesse lhe dar uma lição em seu próprio campo.
— E você como sabe?
Sesshomaru lhe respondeu em grego.
Pela primeira vez desde que conhecia aquele homem, fazia já mais de uma década, Rin lhe viu totalmente surpreso.
— meu deus! —ofegou— Fala grega como se fosse sua língua materna.
Sesshomaru olhou a Rin com um sorriso sincero, estava-se divertindo.
— Já lhe disse isso —lhe disse Sango— Conhece os deuses gregos melhor que qualquer outra pessoa.
O doutor Lewis viu então o anel de Sesshomaru.
— É isso o que acredito que é? —inquiriu— Um anel de general?
Sesshomaru assentiu.
— Sim.
— Importa-lhe se dou uma olhada?
Sesshomaru o tirou e o ofereceu. O doutor Lewis conteve o fôlego.
— Macedônio? Acredito que do século II AC.
— Exato.
— É uma reprodução incrível — comentou Ben, enquanto o devolvia.
Sesshomaru o pôs de novo.
— Não é uma reprodução.
— Não pode ser! —ofegou Ben, incrédulo— Não pode ser original, é excessivamente antigo.
— Tinha-o um colecionador particular — apontou Sango. Ben não deixava de olhá-la para, ao momento, voltar a centrar sua atenção no Sesshomaru.
— Como o conseguiu? —perguntou-lhe.
Sesshomaru demorou para responder enquanto recordava o dia em que o deram. Kyrian da Tracia e ele tinham sido ascendidos de uma vez, depois de salvar, virtualmente os dois sozinhos, a cidade do Temópolis das garras dos romanos.
Tinha sido uma batalha longa, sangrenta e brutal. Seu exército se dispersou, deixando-os sós, Kyrian e a ele para defender a cidade. Sesshomaru tinha esperado que Kyrian o abandonasse também, mas o idiota lhe tinha sorrido, sustentando uma espada em cada mão, e lhe havia dito: «É um formoso dia para morrer. O que te parece se matarmos alguns bastardos romanos antes de pagar ao Caronte?»
Kyrian da Tracia, um lunático total e absoluto, sempre tinha tido mais guelra que cérebro.
Quando tudo teve acabado, beberam até acabar debaixo das mesas. E à manhã seguinte, despertaram com a notícia da ascensão.
Pelos deuses! De todas as pessoas que tinha conhecido na Macedônia, Kyrian era a quem mais sentia falta. Era o único que sempre lhe guardou as costas e o defendeu.
— Foi um presente — respondeu Sesshomaru ao Ben.
Ele deu uma olhada à mão de Sesshomaru. com os olhos carregados de cobiça.
— Consideraria você a possibilidade de vendê-lo? Eu estaria a disposto a pagar o que pedisse.
— Nunca — respondeu Sesshomaru, recordando as feridas que tinha recebido durante a batalha do Temópolis— Não sabe pelo que passei consegui-lo.
Ben meneou a cabeça.
— Oxalá alguém me fizesse alguma vez um presente como esse. Tem a mais ligeira idéia do que lhe dariam por ele?
— A última vez que o comprovei, ofereceram-me meu peso em ouro.
Ben soltou uma gargalhada e deu uma palmada sobre a mesa da Sango.
— Muito bom. Esse era o preço para libertar um general capturado, verdade?
— Para aqueles covardes que não eram capazes de morrer lutando, sim.
Os olhos do Ben mostraram um novo respeito ao observar a Sesshomaru.
— Sabe a quem pertenceu?
Sango respondeu.
— A Sesshomaru da Macedônia. Ouviste falar dele em alguma ocasião, Ben?
Ele ficou com a boca aberta e os olhos como pratos.
— Está falando a sério? É que não sabe quem foi?
Sango pôs uma expressão estranha. Assumindo que não sabia, Ben continuou falando.
— Tesio disse dele que ia ser o novo Alexandre Magno. Sesshomaru era filho do Diocles da Esparta, também conhecido como Diocles o Açougueiro. Esse homem faria que o Marquês do Sade parecesse Ronald McDonald. Segundo os rumores, Sesshomaru nasceu de uma relação entre a Afrodite e o general, depois de que Diocles salvasse um dos templos da deusa de ser profanado. A opinião mais estendida hoje em dia é que sua mãe foi uma das sacerdotisas do templo.
— De verdade? —perguntou Rin.
Sesshomaru pôs os olhos em branco.
— A ninguém interessa quem pôde ser o tal Sesshomaru. Esse moço morreu faz séculos.
Ben o ignorou e seguiu alardeando de seus conhecimentos.
— Os romanos o conheciam como Augusto Sesshomaru Punitor… —olhou a Rin e acrescentou para que ela o entendesse: — Sesshomaru, o Executor. Ele e Kyrian da Tracia deixaram um rastro sangrento ao longo de todo o Mediterrâneo, durante a quarta guerra de Macedônia contra Roma. Sesshomaru desprezava aos romanos, e jurou que veria a cidade arrasada sob seu exército. Ele e Kyrian estiveram a ponto de conseguir que Roma se ajoelhasse diante deles.
A mandíbula de Sesshomaru se relaxou um pouco.
— Sabe o que ocorreu a Kyrian da Tracia?
Ben deixou escapar um assobio.
— Não teve um final agradável. Foi capturado, os romanos o crucificaram no ano 47 a.C.
Sesshomaru retrocedeu ao escutá-lo. Com um olhar afligido e brincando com o anel, disse:
— Esse homem era, sem dúvida, um dos melhores guerreiros que jamais existiram. Amava a luta como nenhum outro que tenha conhecido —moveu a cabeça— Recordo que uma vez Kyrian conduziu seu carro até atravessar uma barreira de escudos, rompendo os pescoços dos soldados romanos e permitindo que seus homens os derrotassem com tão somente um punhado de baixas —franziu o cenho— Não posso acreditar que o capturassem.
Ben encolheu os ombros com um gesto indiferente.
— Bom, uma vez desaparecido Sesshomaru, Kyrian era o único geral macedônio digno de dirigir um exército, por isso os romanos foram atrás dele com tudo o que tinham.
— O que passou a Sesshomaru? —perguntou Rin, intrigada pelo que os historiadores opinavam do tema.
Sesshomaru a olhou furioso.
— Ninguém sabe —lhe respondeu Ben— É um dos grandes mistérios do mundo antigo. Aqui temos a um general que ninguém pode derrotar no campo de batalha e, de repente puf! Desaparece sem deixar rastro —tamborilou com um dedo sobre a mesa da Sango— A última vez que lhe viu foi na batalha da Conjara. Em um brilhante movimento tático, enganou ao Livius, que perdeu sua, até então, inexpugnável posição. Foi uma das maiores derrota na história do Império Romano.
— E a quem importa? —queixou-se Sesshomaru.
Ben ignorou a interrupção.
— Depois da batalha, supõe-se que Sesshomaru mandou dizer ao Scipio, o Jovem que lhe perseguiria, em vingança pela derrota que acabava de lhe infligir ao exército macedônio. Aterrorizado, Scipio abandonou sua carreira militar na Macedônia e partiu como voluntário à Península Ibérica, para seguir lutando ali —o professor agitou a cabeça— Mas antes que Sesshomaru pudesse levar a cabo a ameaça, desvaneceu-se. Encontraram a toda sua família assassinada em seu próprio lar. E aí é onde a coisa fica interessante — olhou então a Sango. Os escritos macedônios que chegaram até nossos dias, afirmam que Livius o feriu de morte durante a batalha, e que enlouquecido por uma incrível dor, retornou cavalgando para casa para assassinar a sua família e evitar, deste modo, que seu inimigo tomasse como escravos. Os textos romanos asseguram que Scipio enviou a vários de seus soldados, que atacaram a Sesshomaru na metade da noite. Supostamente, mataram-no junto ao resto de sua família, esquartejaram-no e ocultaram os pedaços de seu corpo.
Sesshomaru soprou ante a idéia.
— Scipio era um covarde e um fanfarrão. Jamais se teria atrevido a atacar-m…
— Bom! —exclamou Rin, interrompendo a Sesshomaru antes que se delatasse— Faz um tempo esplêndido, verdade?
— Scipio não era nenhum covarde —lhe respondeu Ben— Ninguém pode discutir seus êxitos na Península Ibérica.
Rin viu como o ódio se refletia nos olhos de Sesshomaru.
Mas Ben não pareceu notá-lo.
— Jovem, o valor desse anel que leva é incalculável. Eu adoraria saber como pode conseguir algo assim. E a esse respeito, mataria por saber o que ocorreu a seu dono original.
Rin olhou incômoda a Sango.
Sesshomaru fez uma careta sarcástica ao Ben.
— Sesshomaru desatou a ira dos deuses e foi castigado por sua arrogância.
— Suponho que essa poderia ser outra explicação —nesse momento, soou o alarme de seu relógio— Caramba! Tenho que recolher a minha esposa.
Ficou em pé e ofereceu a mão a Sesshomaru.
— Não nos apresentaram adequadamente. Sou Ben Lewis.
— Sesshomaru — lhe respondeu, aceitando a saudação.
O doutor Lewis riu. Até que se deu conta que Sesshomaru não brincava.
— Sério?
— Puseram-me o nome de seu general macedônio, poderia-se dizer.
— Seu pai deve ter sido como o meu. Dois amantes de toda Grécia.
— Em realidade, em meu caso sua lealdade ia para a Esparta.
Ben riu com mais gana. Jogou um olhar rápido a Sango.
— por que não o traz para a próxima reunião do Sócrates? Eu adoraria que os meninos o conhecessem. Não é muito freqüente encontrar a alguém que conhece a história grega tão profundamente como eu.
Dito isto, voltou a dirigir-se a Sesshomaru.
— foi um prazer. No vemos então - disse a Sango.
— Bom — começou a dizer Sango uma vez que Ben desapareceu entre a multidão— meu amigo, obtiveste o impossível. Acaba de deixar impressionado a um dos investigadores da Antiga Grécia mais importantes deste país.
Sesshomaru não pareceu impressionar-se muito, mas Rin sim o fez.
— San, acredite que é possível que Sesshomaru possa trabalhar como professor na faculdade, uma vez acabada a maldição? Estava pensando que pod…
— Não, Rin — a interrompeu ele.
— Que não o que? Vai necessitar…
— Não vou ficar aqui.
O olhar frio e vazio que tinha naquele momento era a mesma com a que a tinha olhado a noite em que o convocaram. E partiu Rin ao meio.
— O que quer dizer? —inquiriu ela.
Ele desviou o olhar.
— Athena me fez uma oferta para me devolver ao meu tempo. Uma vez que rompamos a maldição, enviará-me de novo a Macedônia.
Rin se esforçou por seguir respirando.
— Entendo — disse, embora estava morrendo por dentro— Usará meu corpo e depois irá. —E seguiu com um nó na garganta — Ao menos não terei que pedir a Sango que me leve a casa depois.
Sesshomaru retrocedeu como se o tivesse esbofeteado.
— O que quer de mim, Rin? Por que iria querer que ficasse aqui?
Ela não conhecia a resposta. Quão único sabia era que não queria que partisse. Queria que ficasse.
Mas não contra sua vontade.
—Te vou dizer algo — lhe disse. Começava a zangar-se ante a idéia de que ele desaparecesse— não quero que fique. De fato, me está ocorrendo uma coisa, que tal se vai para casa da Sango por uns dias? —e então olhou a sua amiga — importaria-te?
Sango abria e fechava a boca como um peixe lutando por respirar. Sesshomaru esticou um braço para Rin.
— Rin…
— Não me toque — lhe advertiu apartando seu próprio braço— Me dá asco.
— Rin! —exclamou Sango— Não posso acreditar que você…
— Não importa —disse Sesshomaru com voz fria e carente de emoção— Ao menos não me cuspiu à cara com seu último fôlego.
Tinha-o ferido. Rin podia vê-lo em seus olhos, mas ela também se sentia muito ferida. Terrivelmente ferida.
— Até mais tarde — disse a Sango e partiu, deixando ali Sesshomaru.
Sango deixou escapar o ar lentamente enquanto observava a Sesshomaru, que contemplava como Rin se afastava deles. Seu corpo estava totalmente rígido e tinha um tic na mandíbula.
— Onde põe o olho, põe a bala. Um golpe direto ao coração. Uma ferida em carne viva.
Sesshomaru lhe cravou um olhar francamente hostil.
— Me diga, Oráculo. Quais deveriam ter sido minhas palavras?
Sango embaralhou suas cartas.
— Não sei —lhe respondeu melancolicamente— Imagino que não teria sido tão mal se tivesse sido honesto.
Sesshomaru esfregou os olhos e se sentou na cadeira, em frente a ango. Não tinha tido intenção de ferir Rin.
E jamais poderia esquecer esse olhar, enquanto lhe cuspia as horríveis palavras: «Não me toque. Dá-me asco.»
Esforçou-se por seguir respirando, agüentando a agonia. As Parcas seguiam burlando-se dele.
Deviam ter um dia aborrecido no Olimpo.
— Quer que te leia as cartas? —perguntou-lhe Sango, devolvendo-o ao presente.
— Claro, por que não? —respondeu. Não ia dizer lhe nada que não soubesse.
— O que quer saber?
— Alguma vez…? —se deteve antes de formular a mesma pergunta que fizesse, séculos atrás, ao Oráculo do Delfos— …conseguirei romper a maldição? —perguntou em voz baixa.
Sango embaralhou as cartas, e tirou três dela. Abriu uns olhos como pratos.
Sesshomaru não necessitava que as interpretasse. Já o via por si mesmo: uma torre destroçada por um raio, um coração atravessado por três espadas, e duas pessoas encadeadas e arrastadas por um demônio.
— Não passa nada —disse a Sango— Jamais pensei que pudesse sair bem.
— Isso não é o que nos dizem as cartas —sussurrou— Mas tem toda uma batalha por diante.
Sesshomaru soltou uma amarga gargalhada.
— Manejo bem as batalhas — era a dor que sentia no coração o que ia acabar com ele.
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Rin limpou as lágrimas do rosto enquanto entrava no caminho de acesso ao jardim. Apertou os dentes ao descer do carro, e fechou a porta com um forte golpe.
Ao inferno com o Sesshomaru. Podia ficar preso no livro para toda a eternidade. Ela não era um pedaço de carne a sua inteira disposição.
Como pod…?
Procurou no bolso as chaves da entrada.
— E como não ia fazê-lo? —murmurou. Tirou a chave e abriu a porta.
A ira a consumia. Estava sendo irracional e sabia. Sesshomaru não tinha a culpa de que Kohako tivesse sido um porco egoísta. Como tampouco era culpado de que ela temesse ser utilizada.
Estava culpando a Sesshomaru por algo no que não tinha participado, mas ainda assim…
Só queria a alguém que a amasse. Alguém que quisesse ficar a seu lado.
E tinha esperado que ao ajudar, Sesshomaru ficasse perto e…
Fechou a porta e meneou a cabeça. Por muito que desejasse que as coisas fossem diferentes, nada ia mudar, já que não estava escrito que fossem de outro modo. Tinha escutado o que Ben contou a respeito da vida de Sesshomaru. A história que o mesmo Sesshomaru contou aos meninos sobre a batalha.
Recordava o modo em que tinha cruzado a rua como uma exalação para salvar ao menino.
Ele tinha nascido para liderar um exército. Não pertencia a esta época. Pertencia a seu mundo antigo.
Era muito egoísta de sua parte tentar mantê-lo a seu lado, como se fosse um mascote que acabasse de resgatar.
Subiu as escadas penosamente, com o coração destroçado. Teria que afastar-se dele. Era tudo o que podia fazer. Porque, no fundo, sabia que quanto mais soubesse a respeito de Sesshomaru, mais carinho lhe pegaria. E se ele não tinha intenção de ficar, acabaria muito ferida.
Tinha subido a metade da escada, quando alguém bateu na porta principal. Por um instante, lhe levantou o ânimo ao pensar que podia ser Sesshomaru, até que chegou à porta e viu a silhueta de um homem esperando no alpendre.
Entreabriu a porta e emitiu um ofego.
Era Jenine.
Levava um traje marrom escuro, com uma camisa amarela e gravata vermelha. O cabelo curto e negro estava penteado para trás e lhe dedicava um radiante sorriso.
— Olá Rin!
— Senhor Jenine— o saudou glacialmente, embora o coração lhe pulsava a toda pressa. Havia algo definitivamente horripilante neste tipo fino— O que está fazendo aqui?
— Passava por aqui e me detive para saudá-la. Me ocorreu que pod…
— Tem que partir.
Ele franziu o cenho.
— por quê? Só quero falar contigo.
— Porque não atendo a meus pacientes em casa.
— Certo, mas eu não sou…
— Senhor Jenine —lhe disse com brutalidade— Tem que partir. Se não o fizer, chamarei à polícia.
Sem fazer muito caso à ira de Rin, assentiu com a cabeça, demonstrando ter a paciência de um santo.
— Vá! Então deve estar ocupada. Posso passar por aqui mais tarde. Eu também tenho muito que fazer. Venho logo então? Podemos jantar juntos.
Totalmente muda de assombro, Rin o olhou fixamente aos olhos.
— Não.
Ele sorriu ante a negativa.
— Vamos, Rin. Não seja assim. Sabe que nascemos um para o outro. Se me deixar…
— Parta!
— Muito bem, mas voltarei. Temos muito do que falar — deu a volta e desceu a escadas do alpendre.
Com o coração martelando no peito, ela fechou a porta e passou o trinco de segurança.
— Vou te matar, Luanne —disse enquanto se dirigia à cozinha. Ao passar pela sala de estar, uma sombra na janela chamou sua atenção.
Era Jenine.
Aterrada, segurou o telefone e chamou à polícia.
Demoraram quase uma hora em chegar. Jenine permaneceu no jardim todo o tempo, de janela em janela, observando-a através das frestas das persianas. Até que não viu que o carro de polícia subia pelo caminho de entrada e desapareceu pelo pátio traseiro.
Rin tomou uma profunda baforada de ar para acalmar seus nervos e abriu a porta para que entrassem os agentes.
Ficaram o tempo suficiente para lhe informar de que não podiam fazer nada para manter ao Jenine afastado dela. O melhor que podia fazer era conseguir uma ordem de afastamento, mas já que era ela que devia encarregar do tratamento do Jenine até que Luanne retornasse, era algo totalmente inútil.
— Sinto — se desculpou o policial na porta, enquanto os acompanhava— mas não há nenhuma lei que nos permita lhe ajudar a livrar-se dele. Poderia solicitar uma ordem de detenção por invasão, mas a menos que tenha antecedentes não servirá de nada.
O agente, um homem jovem, olhou-a compassivo.
— Sei que não lhe vai servir de muito consolo, mas podemos tentar patrulhar a zona com mais freqüência. Embora o verão seja uma época especialmente ocupada para nós. A modo pessoal, aconselho-lhe que vá a casa de um amigo durante um tempo.
— De acordo, muito obrigado — logo que partiram, correu por toda a casa, assegurando portas e janelas com os ferrolhos e fechos.
Intranqüila, lançava olhadas em torno de seu próprio lar, esperando ver o Narak entrar através de um buraco na parede, como se tratasse de uma barata.
Se tão somente soubesse realmente se o moço era ou não perigoso… Seu relatório do hospital psiquiátrico mencionava um comportamento desviado e perseguidor a mulheres, às que acossava mas jamais feria fisicamente. Limitava-se a aterrorizar a suas vítimas lhes impondo sua presença continuamente, pelo qual tinha sido enviado ao hospital para começar a tratar-se.
Como psicóloga, Rin sabia que não havia nada especialmente perigoso no Jenine, mas como mulher estava assustada.
Quão último queria era acabar como uma estatística mais.
Não, não podia ficar ali esperando que o moço retornasse e a encontrasse sozinha.
Apressou-se a subir as escadas para fazer a bagagem.
Nossa que sufoco a Rin esta passando tantos problemas e acima de tudo tão confusa e como será que o Sesshy esta, bem só poderei dizer na próxima semana, há, há sou ma.
Beijos e espero quem sabe um dia conhece-las^-^
Graziela Leon
Meyllin
Hay Lin
individua do mal
PATY SAORI ( oi amiguinha muitas saudades)
Rukia-hime
Lady Kamy Bastet
Rayssa-chan
Elantriel
