CAPÍTULO 13
— Sim, Sango — lhe respondeu Rin por telefone enquanto se vestia para ir trabalhar— Já passou uma semana. Estou bem.
— Pois não o parece —replicou Sango, incrédula— Tem a voz tremente.
E realmente ainda não o tinha superado de tudo. Mas estava bem, graças a Sesshomaru e ao fato de não ter visto morrer ao pobre Jenine.
Uma vez a polícia teve acabado com os interrogatórios, Sesshomaru a levou pra casa e ela tinha procurado não pensar muito no acontecido.
— De verdade. Estou bem.
Sesshomaru entrou no quarto.
— Vais chegar tarde. —Tirou-lhe o fone da mão e lhe ofereceu uma bolacha— Acaba de se vestir — lhe disse, e começou a falar com a Sango.
Rin franziu o cenho quando Sesshomaru saiu do quarto, já não podia escutar a conversação.
Enquanto se vestia, caiu na conta do cômoda que se sentia junto a Sesshomaru. Adorava ter a seu redor, cuidá-lo e que ele a cuidasse. A reciprocidade de sua relação era maravilhosa.
— Rin — lhe disse, aparecendo a cabeça pela porta— vais chegar tarde.
Ela riu e pôs os sapatos de salto.
— Já vou, já vou.
Quando atravessaram a porta principal Rin viu que ele não se pôs os sapatos.
— Não vai vir hoje comigo?
— Necessita-me?
Ela duvidou. No fundo adorava almoçar junto a ele e brincar entre paciente e paciente. Mas claro, seguro que para ele sentar-se horas seguidas esperando-a era muito aborrecido.
— Não.
Lhe deu um beijo faminto.
— Até a noite.
A contra gosto, apressou-se para o carro.
Foi um dos dias mais compridos da história. Rin o passou sentada no escritório, contando os segundos que faltavam para acompanhar a seus pacientes até a porta.
Às cinco em ponto, jogou a pobre Rachel do escritório, recolheu rapidamente todas suas coisas e partiu a casa.
Não demorou muito em chegar. Franziu o cenho quando viu a Sango, que a esperava no alpendre dianteiro.
— Passou algo? —perguntou-lhe Rin ao aproximar-se.
— Nada de importância. Mas te darei um conselho: rompe a maldição. Sesshomaru é um tesouro.
Rin a olhou ainda mais carrancuda enquanto Sango se afastava para seu Jipe. Confusa, abriu a porta para entrar em casa.
— Sesshomaru? —chamou-o.
— Estou no quarto.
Rin subiu as escadas. Encontrou-o deitado sobre a cama em uma postura muito mais que deliciosa, com a cabeça apoiada em uma mão. Havia uma rosa vermelha diante dele. Estava incrivelmente sedutor e maravilhoso com aquelas covinhas e essa luz em seus celestiais olhos âmbar, que nesses momentos eram decididamente perversos.
— Tem toda a aparência do gato que comeu ao canário —lhe disse em voz baixa— O que estivestes fazendo Sango e você hoje?
— Nada.
— Nada — repetiu ela, cética. E por que não acreditava? Porque Sesshomaru n tinha a aparência de um menino que acaba de fazer uma travessura.
Seu olhar baixo até a rosa.
— É para mim?
— Sim.
Ela sorriu ante sua direta e cortante resposta. Deixou cair seus sapatos ao lado da cama e se tirou as meias.
Ao levantar o olhar, captou o olhar de Sesshomaru que tinha estirado o pescoço para não perder nada. Ele voltou a sorrir.
Rin segurou a rosa e aspirou seu doce aroma.
— É uma surpresa encantadora — disse, beijando-o na bochecha— Obrigado.
— Alegra-me que você goste — sussurrou, lhe acariciando o queixo.
Rin afastou com relutância e cruzou o quarto para depositar a rosa sobre a cômoda, e abrir a gaveta superiora.
Ficou paralisada. Sobre a roupa havia um pequeno exemplar do Peter Pan, adornado com um grande laço vermelho.
Boquiaberta, segurou-o e desatou o laço. Ao passar a primeira página, seu coração deixou de pulsar um instante.
— OH meu Deus! É uma primeira edição, e assinada!
— Você gosta?
— Que se eu gosto? —respondeu-lhe com os olhos umedecidos— Sesshomaru!
Jogou-se sobre ele e depositou uma chuva de beijos sobre seu rosto.
— É tão maravilhoso! Obrigado!
E pela primeira vez, Rin o viu envergonhado.
— Isto é… —sua voz se desvaneceu ao olhar para o closet. A porta estava entreaberta e a luz do interior acesa.
Não podia haver…
Muito lentamente, Rin se aproximou. Abriu a porta e olhou dentro.
Os olhos encheram de lágrimas de alegria e a invadiu uma onda de calidez. As estantes estavam de novo cheias de livros. A mão lhe tremia enquanto acariciava os lombos de sua nova coleção.
— Isto é um sonho? —sussurrou.
Sentiu Sesshomaru atrás dela. Não a estava tocando, mas podia percebê-lo com cada poro, com cada sentido de seu corpo. Não era nada físico mas conseguia que a terra tremesse sob seus pés. E a deixava sem fôlego.
— Não pudemos encontrá-los todos, especialmente as edições de bolso, mas Sango me assegurou que conseguimos os mais importantes.
Uma única lágrima desceu pela bochecha de Rin ao ver as cópias dos livros de seu pai. Como os tinham podido consegui-los?
O coração lhe pulsava com força enquanto via seu títulos favoritos: Os três Mosqueteiros, Beowulf, A Letra Escarlate, O Lobo e a Pomba, Mestre do desejo, Amores em Perigo… e seguiam e seguiam até deixá-la aturdida.
Afligida e com uma sensação de enjôo, deixou que as lágrimas corressem por seu rosto.
Deu a volta e se lançou aos braços de Sesshomaru.
— Obrigado —soluçou— Como…? Como o tem feito?
Ele se deu de ombros, e levantou uma mão para lhe enxugar as lágrimas. Nesse momento, Rin se deu conta de que algo faltava em sua mão.
— Seu anel não — murmurou enquanto contemplava o sinal esbranquiçado no dedo de sua mão direita, onde tinha levado o anel— me diga que não o tem feito.
— Só era um anel, Rin.
Não, não o era. Ela recordava a expressão de seu rosto quando o doutor Lewis quis comprá-lo.
«Jamais» —havia dito ele— «Não sabe pelo que passou consegui-lo»
Mas Rin sim sabia depois de ter escutado as histórias de seu passado. E o tinha vendido por ela.
Tremendo, ficou nas pontas dos pés e o beijou com ferocidade.
Sesshomaru ficou gelado ao sentir seus lábios. Jamais tinha-se entregue a ele daquele modo. Fechou os olhos, afundou as mãos em seu cabelo para deixar que lhe acariciasse os braços, e gemeu ante o assalto de Rin.
A cabeça de Sesshomaru começou a dar voltas ao saborear sua boca, ao sentir o corpo de Rin pego ao dele, ao ser consciente da ferocidade de seu beijo, que nunca antes tinha experimentado, jamais lhe tinham beijado assim…
Até sua alma maldita estremeceu.
Nesse momento, desejou poder permanecer sereno durante mais tempo. Não queria viver outro segundo mais separado de Rin. Não podia imaginar-se um só dia sem que ela estivesse a seu lado.
Sesshomaru notou como, pouco a pouco, perdia o controle. A loucura o assaltava dolorosamente, atravessava-lhe a cabeça ao mesmo tempo que a virilha.
Ainda não! Gritou sua mente. Não queria que esse momento terminasse. Agora não. Não quando ela estava tão perto.
Tão perto… mas não tinha opção
Separou-se da má vontade.
— Já vejo que gostou do presente, não?
Ela riu.
— É obvio que gostei. Sesshomaru, está louco. — Passou-lhe os braços ao redor da cintura e apoiou a cabeça sobre seu peito.
Sesshomaru estremeceu enquanto umas desconhecidas emoções faziam vibrar seu corpo. Envolveu-a entre seus braços e sentiu como seus corações pulsavam ao uníssono.
Se pudesse, ficaria assim, abraçando-a para toda a eternidade. Mas não podia. Retrocedeu um passo. Ela o olhou com uma sobrancelha elevada. Sesshomaru desfez com uma carícia as rugas de preocupação que se formaram na frente de Rin.
— Não estou rechaçando, carinho —lhe sussurrou— O que ocorre é que não me sinto muito bem neste momento.
— É a maldição?
Ele assentiu.
— Posso te ajudar?
— me dê um minuto para controlá-lo.
Rin se mordeu o lábio enquanto o observava aproximar-se da cama. Era a única vez que Sesshomaru não parecia mover-se com sua habitual elegância e fluidez. Dava a impressão de que mal podia respirar, como se tivesse uma terrível dor de estômago. Segurou com tanta força o poste da cama que os nódulos lhe puseram brancos.
A dor se apoderou de Rin ante aquela imagem e quis reconfortá-lo. Queria ajudá-lo mais que nunca. De fato queria… O queria a ele. E ponto.
Abriu a boca ante o repentino impacto de seus pensamentos. Amava-o.
Profunda, verdadeira e totalmente. Amava-o. Como não ia amar?
Com o coração enlouquecido, Rin deslizou o olhar sobre os livros do closet. As lembranças a assaltaram: Sesshomaru a noite que apareceu e ofereceu, Sesshomaru fazendo amor na ducha, Sesshomaru tranqüilizando-a, fazendo-a rir, Sesshomaru descendo pela portinhola do elevador para resgatá-la, Sesshomaru deitado na cama com a rosa, observando-a enquanto ela descobria seus presentes.
Sango tinha razão. Era o maior dos tesouros e não queria deixá-lo partir.
Esteve a ponto de dizer-lhe mas se conteve. Não era o momento. Não quando estava suportando uma tremenda agonia. Não quando era tão vulnerável.
Ele quereria sabê-lo.
Ou não?
Rin considerou as conseqüências de sua possível confissão. Sesshomaru não gostava desta época, estava claro. Queria ir pra casa. Se confessava quais eram seus sentimentos, ele ficaria por essa razão, mas não seria, porque quase o faria por obrigação. Possivelmente algum dia acabasse ressentido com ela por haver negado a possibilidade de retornar ao mundo que uma vez conheceu. Ao que tinha sido.
Ou pior ainda, e se sua relação não funcionava?
Como psicóloga, sabia melhor que ninguém os problemas que podiam ocasionar-se em um casal, e como podiam acabar destruindo-a.
Uma das causas mais freqüentes de ruptura era a falta de interesses comuns, casais que se mantinham unidos pela simples atração física e que acabavam separando-se.
Sesshomaru e ela eram completamente diferentes. Ela era uma psicóloga do século XXI e ele era um maravilhoso general macedônio do século II a.C. Era como falar de emparelhar a um peixe e um pássaro!
Jamais tinham existido duas pessoas mais diferentes no mundo que tivessem sido obrigadas a permanecer juntas.
Nesse momento estavam desfrutando da novidade da relação. Mas não se conheciam absolutamente. E se dentro de um ano descobriam que não estavam apaixonados?
E se ele mudava uma vez acabada a maldição?
Sesshomaru lhe havia dito que na Macedônia era um homem totalmente distinto. O que ocorreria se parte de seu encanto ou da atração que sentia por ela se deviam à maldição? Segundo Cupido, a maldição fazia que Sesshomaru se sentisse irremediavelmente atraído para ela.
E se rompiam a maldição e ele se convertia em uma pessoa diferente? Em alguém que não queria estar com ela?
O que passaria então?
Uma vez rechaçasse a oportunidade de retornar a seu lar, Rin sabia que não teria outra ocasião de voltar.
Esforçou-se por respirar quando caiu na conta de que jamais poderia lhe dizer: «Tentemos e vejamos se funcionar». Porque uma vez tomassem a decisão, não haveria volta atrás.
Rin tragou e desejou ser capaz de ver o futuro, como Sango. Mas até ela se equivocava às vezes. Não podia permitir um equívoco, Sesshomaru não merecia.
Não, teria que haver outra razão de peso para que ele ficasse. Ele teria que amá-la tanto como ela o amava.
E isso era tão provável quanto o céu se derrubasse sobre a terra nos próximos dez minutos.
Fechou os olhos e se encolheu ante a verdade. Sesshomaru jamais seria dela. De uma forma ou outra, teria que deixá-lo partir.
E isso acabaria com ela.
Sesshomaru soltou um suspiro entrecortado e soltou o poste da cama. Olhou a Rin com um leve sorriso.
— Isso doeu —disse.
— Dei-me conta —respondeu Rin aproximando-se dele, mas Sesshomaru se afastou como se acabasse de tocar a uma serpente.
Ela deixou cair a mão.
— vou preparar o jantar.
Sesshomaru a observou enquanto saía do quarto. Desejava tanto ir atrás dela que apenas podia conter-se. Mas não se atrevia.
Necessitava um pouco mais de tempo para serenar-se. Mais tempo para aplacar o fogo maldito que ameaçava devorando-o.
Meneou a cabeça. Como podiam as carícias de Rin insuflar tanta força e ao mesmo tempo deixá-lo tão débil?
Rin acabava de preparar uma sopa de sobre e uns sanduíches quando Sesshomaru entrou na cozinha.
— Sente-se melhor?
— Sim — lhe respondeu enquanto se sentava à mesa.
Rin remexeu sua sopa com a colher e o observou comer. Seu cabelo refletia a luz do sol do entardecer e o fazia parecer ainda mais claro. Sentava-se com uma postura muito erguida, e o mais leve de seus movimentos despertava uma onda de desejo nela. Poderia passar todo o dia contemplando o desse modo e não se cansaria.
Não. O que em realidade desejava era levantar-se da cadeira, aproximar-se dele, sentar-se em seu colo e lhe passar as mãos por essas maravilhosas ondas douradas enquanto o beijava ardorosamente.
Deixa-o já! Se não se controlava, sucumbiria à tentação!
— Sabe? —disse-lhe, insegura— estive pensando… E se ficasse aqui? Tão mal seria viver em minha época?
O olhar que lhe dedicou fez que se sufocasse.
— Já falamos nisto. Este é não é meu mundo, não o compreendo, não entendo seus costumes. Sinto-me estranho, e odeio essa sensação.
Rin limpou a garganta. De acordo, não voltaria a mencionar o tema.
Suspirando, segurou o sanduíche e começou a comer embora o único que gostava de era discutir.
Uma vez acabada o jantar, Sesshomaru a ajudou a limpar a cozinha.
— Quer que te leia? —perguntou-lhe.
— Claro — lhe respondeu.
Mas Rin sabia que algo ia mal. Estava-lhe ocultando algo, mostrava-se quase frio.
Não o tinha visto assim desde que o conheceu.
Rin subiu, segurou seu livro novo do Peter Pan e voltou a baixar. Sesshomaru já estava deitado no chão, empilhando as almofadas.
Ela se acomodou no chão, perpendicular a ele e recostou a cabeça sobre seu estômago. Passou a primeira página e começou a ler.
Sesshomaru escutou a voz suave e melodiosa de Rin, e não deixou de olhá-la um só instante. Observava como seus olhos dançavam sobre as páginas enquanto lia.
Prometeu não tocá-la mas, contra sua vontade, esticou um braço e começou a lhe acariciar o cabelo. O contato de seu cabelo sobre a pele o inflamou e fez que sua virilha se endurecesse ainda mais, desejando dolorosamente possuí-la.
Enquanto os escuros e sedosos fios acariciavam seus dedos, deixou que a voz de Rin o afastasse dali e o levasse a um lugar acolhedor. Sentia-se nesse lar esquivo que tinha açoitado durante toda a eternidade.
Um lugar aonde só existiam eles. Sem deuses nem maldições.
Maravilhoso.
Rin arqueou uma sobrancelha quando notou que a mão de Sesshomaru se separava de seu cabelo e desabotoava o botão superior da camisa. Conteve a respiração e aguardou espectador, mas ainda assim não estava muito segura de suas intenções.
— O que está…?
— Segue lendo —disse enquanto acabava de desabotoar o botão.
Com o corpo cada vez mais acalorado, Rin leu o seguinte parágrafo. Sesshomaru desabotoou o seguinte botão.
— Sesshomaru …
— Lê.
Ela leu outro parágrafo enquanto sua mão descia até o seguinte botão. Suas ações faziam perder o controle e respirava entrecortadamente com o coração pulsando a um ritmo cada vez mais frenético.
Levantou o olhar e se encontrou com os olhos famintos de Sesshomaru.
— O que é isto? Uma sessão de leitura com strip-tease incluído? Eu leio um parágrafo e você desabotoa um botão?
Como resposta, Sesshomaru deslizou uma cálida mão por cima do sutiã até cobrir com ternura um de seus seios. Rin gemeu de prazer quando ele começou a acariciá-la por cima do cetim e a pele de seus braços se arrepiou ante o calor que emanava dele.
— Lê — lhe ordenou de novo.
— Sim, claro. Como se pudesse ler enquanto você…
Nesse momento, Sesshomaru desabotoou o fechamento dianteiro do sutiã e cobriu seu peito nu com uma mão.
— Sesshomaru!
— Leia, Rin. Por favor.
Como se fosse possível!
Mas a súplica que tingia sua voz chegou ao coração. Obrigando-se, concentrou-se no livro e Sesshomaru seguiu passando as mãos sobre sua pele.
Suas carícias eram relaxantes e doces. Sublime. Não se pareciam em nada às que usava para inflamá-la e seduzi-la, eram algo muito diferente. Além dos limites da carne. Envolviam diretamente ao coração.
Depois de um tempo, acostumou-se aos círculos que Sesshomaru riscava ao redor de seus seios, de seus mamilos e de seu umbigo. Perdeu-se no instante, na estranha intimidade que estavam compartilhando.
Acabou o livro perto das dez. Sesshomaru passou os nódulos sobre um endurecido mamilo enquanto ela deixava o livro a um lado.
— Seus seios são preciosos.
— Alegra-me que diga isso. —Escutou que o estômago de Sesshomaru rugia sob sua orelha— Me dá a sensação de que tem fome.
— A fome que tenho não pode ser saciada com comida.
O rosto de Rin adquiriu um tom escarlate.
Ele deslizou as mãos desde seu umbigo até a garganta, uma vez ali riscou a linha da mandíbula e subiu até o cabelo. Com os polegares, desenhou o contorno de seus lábios.
— Que estranho —disse— Só quando me beija chego ao bordo do abismo.
— Como?
Baixou as mãos de novo até seu ventre.
— Adoro a sensação de sua pele contra a minha. A suavidade de seu corpo sob minha mão —confessou em voz baixa— Mas só quando seus lábios roçam os meus sinto que perco o controle. A que acredite que se deverá?
— Não sei.
Nesse momento soou o telefone.
Sesshomaru lançou uma maldição.
— Odeio essas interrupções.
— Eu estou começando a odiá-los também.
Sesshomaru retirou a mão para que Rin pudesse levantar-se.
Ela a segurou e a voltou a pôr sobre seu peito.
— Deixa que soe.
Ele sorriu ante sua atitude e inclinou a cabeça, aproximando a à sua. Seus lábios estavam tão perto que Rin podia sentir seu fôlego no rosto. De repente, Sesshomaru retrocedeu bruscamente.
Ela viu a agonia, o desejo em seus olhos um instante antes que os fechasse e apertasse os dentes como se lutasse para conter-se.
— vá responder o telefone — sussurrou, libertando-a. Rin ficou em pé, tremiam-lhe tanto as pernas que apenas se sustentava. Cruzou o quarto e segurou o sem fio enquanto tampava os seios com a camisa.
— Olá, Sango.
Sesshomaru a escutou falar com o coração pesado como o chumbo, lutando contra o fogo que o arrasava.
Quão último queria era deixar este refúgio. Jamais tinha desfrutado tanto em sua vida como desde que conheceu Rin. E agora estava ansioso por passar com ela cada segundo do tempo que dispunham para estar juntos.
— Espera e lhe pergunto. —Rin voltou para seu lado— Sango e Mirok querem saber se gostaria de sair com eles no sábado.
— Você decide —respondeu Sesshomaru, esperando que declinasse o convite.
Ela sorriu e se colocou de novo o telefone na orelha.
— Isso seria genial, Sango. Será muito divertido… Certo. Vemo-nos então. —Deixou o telefone em seu lugar— Vou me dar uma ducha rápida antes de ir à cama. Ok?
Sesshomaru assentiu. Observou-a subir as escadas. Desejava mais que nunca voltar a ser mortal.
Daria tudo por poder segui-la nesse momento, tombar-se junto a ela na cama e enterrar-se profundamente em seu corpo.
Fechando os olhos poderia jurar que era capaz de sentir a umidade de Rin rodeando-o.
Remexeu o cabelo. Quantos dias mais poderia suportar esta tortura?
Mas queria lutar contra ela. Negava-se a render-se, a entregar sua prudência um segundo antes do prazo que as Parcas tinham decretado.
Rin sentiu a presença de Sesshomaru. Girou-se e o viu de pé junto à banheira, completamente nu.
Rin deixou que seu olhar se deliciar com avidez em cada centímetro daquele corpo, mas foi seu sorriso, cálida e fascinante, o que lhe roubou o coração e a deixou sem fôlego.
Sem dizer uma só palavra, ele se meteu na ducha.
— Sabe? —comentou com uma naturalidade que a deixou pasmada— Esta manhã encontrei algo interessante.
Ela observou como a água escorregava sobre ele, molhando o cabelo até convertê-lo em uma massa de cachos úmidos que caíam sobre seu rosto.
— Sim? —respondeu ela, resistindo ao impulso de levantar o braço e pegar um de seus cachos. Ou melhor ainda, mordiscá-lo.
— Mmm — murmurou Sesshomaru, deslizando a mão pelo cordão da ducha até tirar a de seu suporte na parede. Girou até encontrar a posição de uma ligeira massagem— Viresse.
Rin duvidou antes de lhe obedecer.
Sesshomaru deslizou seu olhar por suas costas nuas e úmidas. Jamais tinha visto uma mulher mais tentadora em todos os dias de sua vida.
Era tudo o que tinha sonhado, mas que não podia nem sequer desejar. Não se atrevia. Era um sonho longínquo.
Baixou os olhos até suas voluptuosas curvas. Tinha as pernas ligeiramente abertas. Uma imagem dele separando-lhe e inundando-se nela abriu passo em sua mente.
Esforçando-se por manter a respiração, aproximou a ducha até os ombros de Rin.
— Isso é estupendo — murmurou ela.
Sesshomaru não podia falar. Mantinha a mandíbula fortemente apertada para controlar as vorazes exigências de seu corpo. Sua necessidade de tocá-la era tão funda que fazia que a fome e a sede que padecia enquanto permanecia no livro fossem uma brincadeira.
Rin deu a volta para olhá-lo, seu rosto resplandecia. Esticou o braço para pegar a esponja que se encontrava no suporte, atrás de Sesshomaru. Ele não se moveu enquanto o lavava, passando as mãos por seu peito e seu abdômen, avivando a fogueira do desejo que sentia por ela.
Conteve a respiração, antecipando o momento em que sua mão baixasse mais e mais.
Rin mordeu o lábio ao tocar os duros abdominais. Olhou para cima e viu que Sesshomaru a observava. Tinha os olhos meio fechados e parecia estar saboreando cada carícia que suas mãos deixavam sobre seu corpo.
Desejando agradá-lo, passou a esponja sobre os cachos de sua virilha. Sesshomaru ofegou quando tomou entre suas mãos com suavidade. Ela sorriu ao sentir o repentino estremecimento que agitou seu corpo.
A expressão de supremo prazer que se via em seu rosto fez que Rin se sentisse deslumbrada. Com o coração acelerado, deslizou a mão para cima, para poder acariciar seu membro inchado.
Escutou como a ducha golpeava a banheira um segundo antes que ele a envolvesse entre seus braços e enterrasse os lábios em seu pescoço.
Rin tremeu ante a sensação de seus corpos úmidos, nus e entrelaçados. O amor que sentia por ele fluiu por suas veias, rogando que acontecesse um milagre que lhes permitisse passar a vida juntos.
Nesse instante, desejou poder senti-lo em seu interior. Sentir como o tomava posse de seu corpo da mesma forma que tomou seu coração.
Enquanto a torturava com os lábios, deliciosamente enterrou uma coxa entre suas pernas e a sensação do pêlo sobre sua carne fez que o sentido comum de Rin acabasse por derreter-se.
Enfebrecida, Rin se esfregou contra sua coxa e se deleitou ao mover-se contra os duros músculos que se contraíam sob suas pernas enquanto seguia lambendo seu pescoço. Quanto amava a este homem. Como desejava lhe escutar dizer que significava para ele tanto como ele para ela.
Sesshomaru passou as mãos ao longo das costas de Rin e logo as moveu para o frente.
Seu olhar a abrasava enquanto a ajudava a sentar-se na banheira.
— O que está h…? —sua pergunta acabou com um ofego ao sentir a língua de Sesshomaru na orelha.
Rin percebeu a tensão nos músculos de seu braço dele quando segurou a ducha e voltou a atormentar seu corpo com seu pulsante calor. Moveu-o lentamente, riscando círculos sensuais sobre seus seios e seu ventre. Avivada pela estimulação da água e o corpo de Sesshomaru, Rin lutava por respirar.
Sesshomaru tremia pela necessidade. Queria dar prazer a Rin como jamais tinha querido fazê-lo com ninguém. Desejava vê-la retorcer-se embaixo dele. Escutá-la gritar quando chegasse ao clímax.
Sesshomaru separou as coxas com o cotovelo e deixou que a água da ducha caísse diretamente entre suas pernas.
Rin emitiu um entrecortado gemido ao ser assaltada por uma indescritível onda de prazer.
— Sesshomaru? —ofegou, enquanto seu corpo se estremecia. Os dedos de Sesshomaru a penetraram e começaram a mover-se em seu interior de uma vez que os jorros de água intensificavam suas carícias.
Jamais, jamais tinha experimentado algo parecido. Sesshomaru girava o pulso fazendo que a água caísse sobre ela em pequenos movimentos circulares, até que já não pôde mais.
Quando alcançou o orgasmo um segundo depois, gritou aliviada.
Sesshomaru sorriu e manteve seu corpo completamente imóvel para não possuí-la. Ainda não tinha acabado com ela. Jamais poderia acabar com ela.
Com as mãos, a língua e a ducha fez que Rin desfrutasse de cinco orgasmos mais.
— Por favor —rogou ela depois do último— Tenha compaixão. Não posso mais.
Decidindo que já tinham tido os dois, suficiente tortura, Sesshomaru girou e cortou a água.
Rin era incapaz de mover-se. Qualquer sensação, por pequena que fosse, a fazia estremecer-se. Observou como Sesshomaru ficava de pé entre suas pernas e a olhava com um leve sorriso.
— Acaba de me matar —balbuciou— Agora tem que enterrar o cadáver.
Ele riu ante a brincadeira. Saiu da banheira, esticou os braços e a levantou.
Rin ficou encantada ao sentir sua pele nua enquanto a levava até a cama e a secava com a toalha.
Muito lentamente e com muito cuidado, utilizou o penhoar de um modo que Rin juraria que a ninguém tinha feito antes. Passou-o sensualmente por seus ombros, seus braços e seus seios, e depois desceu até o estômago riscando sensuais espirais.
— Abre suas pernas para mim, Rin.
Sem força de vontade alguma, ela obedeceu.
Rin gemeu ao sentir a felpuda peça sobre a trêmula carne de seu sexo. Subitamente o penhoar foi substituído pelos dedos de Sesshomaru.
— Sesshomaru, por favor. Não acredito que possa suportá-lo de novo.
Ele não fez conta. Nem sequer seu próprio corpo teve em conta sua opinião. E para sua surpresa, um novo orgasmo a assaltou.
Sesshomaru se inclinou e sussurrou ao ouvido:
— Poderíamos seguir assim toda a noite.
Ela o olhou aos olhos e então se deu conta do alcance da maldição: seu membro estava ainda completamente ereto e tinha a frente coberta de suor.
Como podia suportar vê-la gozar uma e outra vez sabendo que ele não poderia fazê-lo?
Pensando tão somente no amor que sentia por ele, incorporou-se até ficar sentada e o beijou.
Sesshomaru se voltou atrás com um movimento violento. Caiu ao chão a agitando-se como se lhe golpeassem.
Aterrorizada pelo que tinha feito, Rin desceu da cama.
— Sinto —disse ao chegar junto a ele—esqueci.
Sesshomaru se girou nesse instante para olhá-la. Tinha os olhos daquela espantosa cor escura.
Tremia como se estivesse lutando por afastar-se da loucura. Foi o medo no rosto de Rin o que finalmente o ajudou a acalmar-se.
Afastou-se dela como se fosse venenosa.
Rin o observou enquanto utilizava os degraus de sua cama como apoio para ficar em pé.
— Cada vez é pior — disse com voz afogada.
Rin não podia falar. Não podia suportar vê-lo sofrer daquela maneira. E odiava a si mesmo por havê-lo levado até o bordo do abismo.
Sem olhá-la sequer, Sesshomaru recolheu sua roupa e saiu do quarto.
Passaram vários segundos antes que Rin pudesse mover-se. Quando finalmente conseguiu ficar de pé, abriu a cômoda para tirar um pouco de roupa e seus olhos ficaram cravados sobre a caixa que continha os grilhões.
Quantos dias mais teriam antes que o perdesse para sempre?
Espero que tenham gostado beijos e aproveitem o capitulo seguinte ^-^
