Capítulo II – Um trabalho com fins de pesquisa.
Inacreditável como certas coisas acontecem em nossa vida sem que percebamos... Por um exemplo: eu estava na recepção da empresa Corporação Taisho esperando ser atendida pelo pai de uma das minhas melhores amigas, para que eu fosse contratada por ele. Para ser sincera eu entendi os motivos e entendi a gentileza, mas ainda não entendi plenamente como aquilo tudo aconteceu.
Está meio confuso, para dizer a verdade. É até mesmo confuso de explicar, imagine entender.
Tentei manter atenção no que estava acontecendo ao meu redor. Eu estava nervosa por estar ali, e via naquilo uma forma de relaxar. A recepção estava movimentada, com homens de terno e gravata e mulheres de roupa social caminhando de um lado para o outro seguindo por pelos corredores que seguiam tanto para esquerda quanto para direita . Atrás do balcão – ao qual me dirigi assim que cheguei para informar ao senhor Taisho sobre minha chegada –, estavam três mulheres com os cabelos presos em um coque, alternando suas atenções do computador para quem saísse do elevador e solicitasse falar com alguém. A recepção era pintada de azul claro, talvez para passar tranqüilidade àquelas pessoas que viviam um ritmo acelerado de vida. As janelas eram grandes e davam uma bela visão de Tóquio – estávamos no trigésimo oitavo andar –, quando cheguei, fiquei alguns minutos observando a cidade antes de sentar. Havia vasos de plantas espalhados pelo local, um bonzai muito lindo na mesa de centro que ficava entre os sofás, os quais eram de couro preto, e bastante confortáveis.
Ouvi o meu nome ser chamado por uma mulher alta de cabelos loiros presos em um coque, seus olhos estavam por trás de um óculos de metal e estava trajando uma saia social cinza junto com uma blusa preta com listras finas brancas, sendo que uma lenço cinza amarrado no pescoço ficando sobre o decote que os botões abertos da blusa havia lhe dado, ela tinha um ar sofisticado. Aproximei-me da mulher me curvando levemente em reverencia.
- Kagome Higurashi. – Falei em um tom formal, ela sorriu de forma acolhedora.
- Haruka Toshya. O Senhora Taisho me explicou sobre suas condições. – Ela começou a caminhar e eu a segui. – Preciso que assine um documento de contração. – Pensei em concordar falando um "sim", mas antes ela se sentou uma cadeira atrás de uma mesa larga em forma de "L". – Por favor sente-se. – Pediu, indicando-me as cadeiras defronte a mesa, me sentei. – Leia o contrato, se algo não estiver de acordo, podemos alterar com a permissão do Senhor Taisho.
- Obrigada. – Respondi pegando o contrato em minhas mãos.
- Me chame quando terminar.
Abri a boca para agradecer novamente, mas ela já havia se afastado. Uma mulher jovem sendo secretária de um dos maiores executivo do mundo, isto realmente me impressionou.
Voltei minha atenção para os lados para saber em que ambiente estava, parecia uma nova recepção, mas este possuía, além de sofá para os visitantes aguardarem, mesas em forma de "L" como a de Haruka. Observando melhor, notei as portas de madeiras duplas que deveriam levar às salas dos executivos mais importantes daquela empresa.
Sorri, voltando minha atenção ao contrato, finalmente estava visualizando como seria a empresa do maldito personagem que não sei que nome vou dar. Por sempre gostar de ler, li o contrato rapidamente – encontrando alguns erros de ortografias, mas isto não vem ao caso –, sinceramente a única coisa que me chamou atenção foi o pagamento. Como alguém que nunca bateu um carimbo de um chefe durante toda a vida poderia receber aquele salário de secretaria experiente? (Sei que é um salário na facha de secretarias com experiência, pois pesquisei) Só poderia ser algum erro de digitação.
- Desculpe, Senhora Toshya, acho eu houve algum erro. – Falei quando vi Haruka se aproximar.
- A onde?
Mostrei a ela onde estava marcado o valor do meu salário, ela estreitou os olhos parecendo confusa e depois me olhou curiosa.
- Qual erro?
- O valor.
- É este mesmo.
- Desculpe, mas...
- O valor está correto, Senhorita Higurashi. Se não encontrou nenhum outro erro, por favor
assine.
Bom, se está certo... Assinei o contrato.
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Sou do tipo que não é muito criativa quando age. No entanto, se me ensinarem a fazer algo, mesmo que apenas uma vez, eu conseguirei fazer aquilo com perfeição. É estanho imaginar que isso vem de alguém que cria histórias, mas eu sou assim.
De qualquer forma, eu não estou aqui para ser exatamente eficiente. Vim aqui para obervar.
De vez em quando eu começo a observar a técnica administrativa que trabalha na minha sala, e desvio os olhos, constrangida, quando ela nota que eu estou observando. Tenho certeza que ela só trabalha quando Haruka está por aqui, o resto do tempo ela só navega em redes sociais. Aquele sorriso não me engana.
Aqui na empresa todo mundo se cumprimenta. Eu tenho que dizer "Bom dia" pelo menos sessenta vezes até sentar na cadeira que foi designada para mim. Tenho certeza que esse povo não é educado, apenas exibido. Aposto que quando eles me olham, pensam logo "humf, secretária".
Eu não ligo.
Não estou aqui para isso.
Estou aqui para observá-los.
Não é estranho pensar que vez ou outra eu tenho uma crise de consciência?
Eu começo a me martirizar, pensando que estou enganando todas essas pessoas, e penso em desistir de tudo isso. Aliás, eu ainda nem consegui escrever algo que prestasse. Resolvi me manter quieta, observando. Como comecei nesse trabalho há apenas três dias, eu tenho a impressão de que há coisas que eu ainda não posso ver. Como se a empresa fosse uma espécie de seita misteriosa que apenas funcionários com mais de uma semana de trabalho tivessem a permissão de conhecer seus segredos.
No fundo, eu sei que isso é apenas uma empresa.
Mas eu gostaria que fosse uma seita.
No mais, a pesquisa está andando. Lenta e confortavelmente. Eu gostava disso. Gostava de imaginar que eu estaria tão habituada àquele lugar que escrever sobre ele se tornaria natural. No entanto, no que diz ao maldito personagem, mas continuo às cegas.
Acho que vou conversar com Jakotsu sobre esse personagem. O único exemplo de grande executivo que tenho é o Senhor Inu Taisho, que compra bolinhos no caminho para empresa, e fica distribuindo para as secretárias e só vai para sua sala quando todas nós nos empanturramos com o doce. E, bem, eu não consigo imaginar o personagem do drama sorrindo amavelmente para você, enquanto tenta te convencer a comer brioche de goiabada.
Era verdade que existia muitos modelos para construir o meu personagem. Havia o senhor Kouga Wolfyn, filho de uma japonesa com um norte americano, com aproximadamente vinte e oito anos, ele possuía os olhos azuis claros – quase tão claros quanto os meus – e o cabelo negro sempre penteados para trás com poucos fios caídos sobre a testa. Um homem charmoso e bonito, confesso, mas esquentadinho demais. Para completar, ele é viciado em café, muito mais do que eu e isso me assustou. Por ser viciado em café - e hiperativo - ele possuía uma personalidade difícil, extrovertido misturado com ranzinza e cabeça dura. Embora ele tenha suas qualidades, como ser engraçado e gentil; mas apenas com algumas pessoas em especial e, felizmente, eu entrei nessa lista. Nem sei o motivo, mas não vou reclamar de minha sorte... Sei o quanto ele pode ser grosso. Só que Kouga está longe de ser o personagem que quero no meu roteiro. Ele não tem o impacto que procuro.
Outro modelo era o senhor Hiroshiro Tamura, um homem de aproximadamente quarenta anos, cabelo negro curtos e penteados para trás com uma barba que parecia que era sempre aparada com uma tesoura, todos os dias, de tão perfeita que era. Seus olhos eram castanhos escuros e penetrantes, como se tudo que observasse fosse minuciosamente gravado em sua memória. Ele era o típico homem executivo que você espera encontrar em uma empresa.
Grosseiro, boca suja, arrogante, metido, estressado, sobrecarrega a secretária e chega quase no horário de almoço. Literalmente se acha o dono da verdade e esnoba qualquer um que não concorde com ele. Apesar de seu charme de home mais velho, sua personalidade era completamente diferente da que eu queria. Aliás, eu nem queria ficar no mesmo cômodo com aquele homem por muito tempo, seu olhar pervertido quando me vê, não me engana.
Para completar a minha lista dos únicos homens que me chamaram atenção para o meu personagem, tem o senhor Nicholas Parker, um norte-americano que foi contratado pessoalmente pelo senhor Taisho para trabalhar aqui. Um homem muito divertido e descontraído, seus trajes habituais são camisa social ou pólo, jeans e sapatênis. Acredito que ele tenha a minha idade, caso contrário, devera ser dois ou, no máximo, quatro anos mais velho. Mas ele era descontraído demais para ser uma base para o personagem que Jakotsu havia idealizado. E acredite, aqueles olhos verdes com um brilho jovial, e seu sorriso de propaganda de creme dental acumulado com cabelo dourado, o bronzeado corpo musculoso, era o sonho de consumo de qualquer mulher, mas não era o sonho de consumo do drama que eu – a infeliz que vos escreve – está incumbida de fazer. Para se ter uma noção de quanto ele é espontâneo, o primeiro dia em que estive aqui, o senhor Parker veio trabalha de bermudas, sem camisa, carregando uma prancha de surfe que até hoje está em sua sala. Ele simplesmente havia saído da praia, pegado a auto-estrada, e vindo direto para a empresa para trabalhar. E ainda ficou paquerando as recepcionistas do primeiro andar.
Os três – excluindo o Senhor Taisho – eram os que me chamara atenção. Os outros homens pareciam sempre tão engomados e sem graça. Típicos esnobes que acham que são superiores, pois tem um carro mais caro que da maioria. Eu sei que é ridículo, mas eles são assim.
Bom... Mas quem se importa? Há assuntos mais importantes. Por exemplo: essa manhã as mulheres estavam diferentes no prédio, e a diferença era tão notável que nem precisei parar para observar se o comportamento estava diferente. No primeiro andar, as recepcionistas estavam cochichando. Percorrendo o trajeto até o elevador notei que executivas estavam reunidas em pequenos grupos, cochichando. Até mesmo no elevador havia murmúrios, quais consegui pegar frases soltas como: "Ele voltou de viagem", "Você ficou sabendo?", "Acho que vou desmaiar...". Sinceramente, não consegui entender o motivo de tanta agitação. Como dizia o Tatsuo, essa mulheres parecem que estão com as periquitas acessas. Modo vulgar de se falar, eu sei, mas é a única forma que encontro de descrever atitude delas.
Tentei ignorar aquela estranha agitação, mantendo-me atenda emresponder os emails que o Yuri ficava me mandando. Ele havia voltando essa manhã para o Japão e em vez de ir descansar depois de uma viagem de quase quatorze horas, ele fica me mandando mensagens pervertidas de que a nossa lua de mel será na Itália. Sinceramente, minhas amigas já são completamente loucas, os meus amigos então, é um caso a parte de loucura.
"Uma semana na Itália e você terás medidas certas de quadril e seio".
Dei um tapa em minha testa, não acreditando que ele havia me mandando aquela mensagem, respondi com um breve:
"Vai se ferrar, agora tenho que trabalhar, vai ser impossível lhe responder, beijos".
E ignorei completamente a resposta dele. Apesar de ser um trabalho totalmente forjado para me ajudar em minha pesquisa, tenho que ser responsável e não ficar como certo alguém, que não vou mencionar o nome, mas está na mesma sala de que eu, que fica navegando na internet e só trabalha se alguém ficar observando.
- Bom dia, Kagome. – Falou Haruka quando me aproximei, sorri cordialmente respondendo ao cumprimento. – Preciso que você digite esses relatórios, alguém perdeu o emprego hoje. – Ela suspirou. – Faça todas as alterações que estão em caneta, e, por tudo que você mais ama, cuidado.
- Cuidado? – Achei estranho advertência, era só digitar. Analisei os documentos, eu ia passar o dia todo digitando. Haviam muitas anotações a caneta, de tinta azul, em uma grafia fina e bonita. – Tudo bem, mais alguma coisa?
- Por enquanto é apenas isso. – Ela coçou a nuca olhando para os lados, parecia estressada. – Kagome, pela mor de Deus, vá digitar esses documentos!
Definitivamente estressada.
- Bom dia, Kagome. – Falou Senhor Parker passando por mim, pensei em responder ao cumprimento, mas o fato dele estar usando terno e gravata me desviou atenção. Era a primeira vez que o via tão formal.
Sou uma pessoa curiosa, e ser escritora apenas piorou minha curiosidade - pleonamos? Você que pensa.
Antes de ir para a minha sala digitar os documentos que foram pedidos, parei na frente da mesa de Débora, a secretaria do senhor Parker. Ela sorriu de forma compreensiva.
- O senhor Sesshomaru está na empresa hoje.
- E o que tem demais?
Ela arregalou os olhos com a minha pergunta. Então ela suspirou, balançando a cabeça, resignada.
- Quando ver ele, vai compreender.
Aquilo apenas atiçou ainda mais minha curiosidade.
- Kagome! – Ouvi Haruka. Soltei um pesaroso suspiro, indo para o computador digitar aquelas cinqüenta folhas.
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Eu precisava de um café. Qualquer pessoa em meu lugar, mesmo que não gostasse de café, sentiria a necessidade de um após digitar vinte e cinco páginas que estavam cheias de observações e pedidos de alteração. E ainda era necessário tomar cuidado com o verso das folhas, pois havia cláusulas ali que mudavam completamente todo o conteúdo da frente. Ou seja, você digitava e quando virava a folha via que trabalhara em vão. Bem que poderia ter anotações avisando que aquilo descrito na frente não seria utilizado.
Soltei um longo suspiro, sentindo-me cansada, devo lembrar o Senhor Taisho das doenças trabalhistas; entre elas, a tendinite. Essa é uma doença que provavelmente vou ter se continuar a digitar documentos dessa forma. Suspirei mais uma vez, tomando um longo gole de café enquanto sentava numa cadeira, apoiando a caneca na mesa logo em seguida. Percorri a cozinha com os olhos: havia uma geladeira, fogão, microondas e o maior bem de todos, uma cafeteira, que nunca estava vazia. Era mais fácil faltar internet, ou energia, do que café.
Levantei e segui até a pia para lavar a minha caneca e a levá-la comigo para minha sala – sim, eu trouxe a minha caneca favorita para a empresa –, foi quando senti um peso em minhas costas e pude ver algo branco passar ao lado do meu rosto. Pisquei algumas vezes e virei o rosto para ver que esse algo branco se tratava de um braço masculino que estava abrindo a janela da cozinha.
Afastei quase derrubando a caneca, o maldito me assustou!
Aliás, belo maldito.
Kagome, ele quase lhe enfartou.
Só que realmente é um belo maldito.
Ele era bem mais alto do que eu. Na verdade, meu rosto ficava na altura de seu peito. Ele estava usando uma calça social preta com uma camisa social branca, a gravata estava dentro do colete preto. Pelo seu porte físico, presumo que seja algum rato de academia. Foi quando seu olhar se direcionou a mim, olhos dourados e frios, seu rosto parecia ser esculpido a mão ou sei lá, feito sob encomenda. Sua feição era madura, ele com certeza, era mais velho do que eu, quem sabe uns quatro anos? O cabelo estava na altura do pescoço e era prateado.
Pah – esse é som de minha ficha caindo.
Ele é o Sesshomaru Taisho. Cabelo prateado, olhos dourados. Com o Senhor Taisho. Só pode ser ele, o filho mais velho.
Pah – outra ficha caiu.
Ele é o chefe daqui junto com o pai!
- Bom dia, senhor Taisho. – Falei, curvando-me em reverencia.
Então eu ouvi passos, quando me ergui, notei que ele havia saído da cozinha.
- Bonito e metido. – Falei para mim mesma, rolando os olhos. Homem lindo, mas sem um senso de educação.
- O que você disse?
Meu coração parou de bater quando o homem voltou à cozinha. Ele se aproximou e o meu coração voltou a bater, rápido demais para o meu gosto. Acredito ter corado, pois senti minhas bochechas quentes.
- O que você disse? – Ele repetiu de forma ríspida.
Eu pensei em responder:
- Que você é um mauricinho engomado sem educação alguma, seu sequelado com bafo de bode.
Mas a resposta que dei foi:
- Nada, senhor.
- Você me chamou de metido?
Se ouviu o que eu disse, por que me perguntou?
- Não, senhor. Eu estava apenas divagando em voz alta sobre o meu namorado. Ele bonito, mas um grosso.
Ele estreitou os olhos, era visível que não acreditara em mim. Esperei um daqueles sermões ou até mesmo uma dispensa. Minha pesquisa havia sido bruscamente interrompida pelo meu gênio terrível! E de onde eu tirei essa história de namorado? Eu não tenho um a mais de um ano.
- Volte ao trabalho, você não é paga para ficar na cozinha pensando em seu namorado. Quase gritei de felicidade quando ele saiu, dessa vez mantive minha boca fechada. Ele pode ter super audição.
Voltei para minha sala e respirei fundo quando me sentei. Espero que ele não peça para o Senhor Taisho me dispensar. Notei o meu celular piscando, peguei, lendo o novo email de Yuri, desde que eu havia ignorado a ultima mensagem no começo da manha ele não havia me mandado mais nada. Resolvi ler:
"Estou com saudades da nossa boa e velha culinária, venha almoçar comigo. Aonde você está?"
Suspirei respondendo rapidamente a mensagem com o horário de meu almoço e o endereço da empresa. Não houve mais respostas dele.
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- Os documentos estão digitados como pedido, Haruka. – Falei, colocando as folhas sobre a mesa. – Vou almoçar.
- Você foi rápida. Tomou cuidado para não digitar nada errado?
- Fui cuidadosa.
- Mande para...
- Eu já enviei para o seu email. Com licença.
Afastei-me o mais rápido que pude, antes que ela encontrasse alguma coisa para eu fazer e assim atrasasse meu almoço. Confesso que minha afobação é por causa do Yuri, estou com saudades dele. É um dos meus amigos de colégio. Lembro que saímos algumas vezes quando éramos mais novos, mas não havia aquela afinidade de namorados, por istso continuamos com a boa e velha amizade.
Hoje eu sou escritora e ele é um ator consagrado no Japão. Passou seis messes na Itália de férias dessa vida agitada de celebridade. Muitos devem criticá-lo por agir assim, mas a verdade é que agora com a carreira feita e estável financeiramente, Yuri precisava descansar. Ele apenas ficou alguns meses mais que uma pessoa normal de férias.
Saindo do prédio notei o carro do meu amigo na esquina, segui até ele e entrei, sentando no banco do carona fechando a porta, sorri ao encarar Yuri. Ele estava com um bronze litorâneo e o cabelo castanho claro estava mais compridos do que me lembrava, estando na altura do pescoço. Estavam desalinhados, o que lhe dava um ar mais selvagem, que entrava em contrates com seus os olhos castanhos escuros, quase negros, que possuíam um brilho travesso.
- Ka! – Ele se inclinou me abraçando, notei que ele estava mais musculoso. – Que saudades. Por que está trabalhando em uma empresa como as Corporações Taisho?
- Arrumei um bico como escrivã. – Ele estreitou os olhos, confuso, me fazendo rir. - Estou brincando, é uma pesquisa que estou fazendo para um roteiro.
- Legal, e que você está pesquisando exatamente?
- Como as plantas são tratadas em empresas multinacionais. – Novamente ele estreitou os olhos, confuso. – Yuri, use a cabeça. Seus músculos substituíram sua massa cefálica?
- E sua inteligência substitui seu bom humor e educação.
Suspirei, notando que havia sido estúpida com ele. Eu poderia estar fazendo muitas coisas em uma empresa, apreendendo sobre qualquer coisa. Inclinei-me, beijando sua bochecha.
- Desculpe, minha manhã foi muito chata e acabei descontando em você... Estou pesquisando como funciona uma empresa e como agem os executivos.
- E o que você descobriu? – Ele perguntou, enquanto dava partida no carro, o resto do percurso é resumido em eu, Kagome Higurashi, falando sobre minha rotina como secretaria.
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- Não quer mesmo uma carona quando sair?
Inclinei-me para dentro do carro para poder olhar para Yuri enquanto respondia, já que, eu havia saído do carro e a pergunta me pegara de surpresa.
- Não precisa, estou de carro.
- Boa pesquisa.
- Obrigada. Boa sorte com a conversa com seu agente.
- Ele não vive sem mim, gata. Não se preocupe. – Ele passou a mão pelo cabelo de forma ensaiada para conquistar menininhas.
- Beijo, gato.
- Beijo, gata.
Sorri e fechei a porta. Esperei que ele saísse com o carro para atravessar a rua, foi quando vi o filho mais velho do meu chefe encostado na porta principal do prédio. Apesar da distancia notei que ele tomava um chá quente de máquina. Definitivamente ele era um homem incrivelmente charmoso e lindo, entretanto, não responder um bom dia era algo muito esnobe, mesmo para alguém rico. Não vou perder meu tempo pensando com esse metido. Mal consigo acreditar que ele é irmão da Rin. Aliás, ela realmente fantasiou sobre ele. Eu sabia que não poderia confiar no que ela fala sobre os irmãos. Devo tomar cuidado com o outro Taisho. Se o protetor e fofo é assim sem educação alguma, imagina o de "personalidade".
- Então, quem estava dirigindo era o bonito e metido?
Dei um sobressalto olhando para minha esquerda, notando que Senhor Sesshomaru havia falado comigo. Será que assustar é alguma característica genética da família?
- Perdão?
- Está perdoada. – Ele respondeu, passando por mim, se atrevendo a me empurrar no percurso. Eu quase caí. E quase tirei o sapato para jogar na cabeça dele.
Bem que ele poderia fazer uma viagem pelo tempo exato que vou ficar por aqui. Sinto que os meus dias de paz como simples observadora camuflada como secretária haviam terminado.
