Capítulo III – Talvez uma fonte de inspiração

Passou-se apenas duas semanas desde que conheci o Senhor Sesshomaru Taisho e já estou achando que deveria sair dessa empresa e deixar essa pesquisa de lado.

Ele é o inferno encarnado em pessoa!

A pessoa que um dia criar alguém que chegue aos pés de sua perversidade e chatice, será aplaudido de pé por mim, mandarei flores e um cartão com os dizeres:

"Você não é Deus, mas realizou o impossível, lhe saúdo por isto."

Nem os filhos dele serão tão chatos, perversos, irritantes, esnobes, charmosos, elegantes, lindos, sedutores... OPA!

Admito que ele seja um homem lindo, mas sua chatice supera a beleza. Isto não é uma simples alegação, se trata de um fato!

Quem convive com este ser, há de concordar comigo. Ele é o terror. E não um terror do tipo: "esse filme de terror é legal, mas é tudo mentira então nem me dá mais medo". Mas sim de: "esse filme de terror é lega – então você vê o recado nos créditos de que é baseado em fatos reais – Baseado em fatos reais? DANOU-SE! CORRAM PARA AS COLINAS! CRIANÇAS E MULHERES PRIMEIRO! SALVEM AS CRIANÇANCINHAS"

Não é exagero, é fato!

Algo que comprova a maldade dentro daquele coração gélido são os relatórios que ele me faz digitar todas as manhãs: são mais de quarenta páginas! Ele tem sua própria secretária, por que fica me explorando? Ser o filho do meu chefe – se sou contratada e recebo pelo serviço, isso faz do Senhor Inu Taisho meu patrão – não lhe dá o direito de ficar mandando e desmandando em mim. Aliás, ser o filho do dono não o faz dono e não dá a ele o direito de ficar dando ordens a todos ao seu redor.

- Babaca. – Resmunguei enquanto terminava de digitar o último documento. Qual o problema com esse homem que faz digitar tudo novamente em vez de nos fornecer o arquivo já digitado para que possamos fazer as alterações necessárias? O tempo economizado seria muito útil. – Retardado mental.

- Você não é paga para ficar resmungando. Se você terminou de corrigir os documentos, então os envie para o meu email.

Ergui a vista para Sesshomaru, que se afastou de minha mesa na direção de Tomoyo – a coitada de sua secretária – com alguns papeis em mãos. Ela se curvou, pedindo desculpas, e ele se afastou, falando algo que não ouvi. Soltei um suspiro e enviei os arquivos para o e-mail do asno chato. Eu poderia enviar um vírus junto com os documentos, mas me contive. Autocontrole é tudo. Ao menos ele sabe escrever, não é como essas pessoas cometem erros ortográficos a torto e a direito. Mas, tenha santa paciência, isso não permite que um único verbo conjugado errado em apenas um parágrafo seja motivo para digitar todo o documento. É ridículo.

- Perfeccionista de merda. – resmunguei, olhando na direção que ele havia saído.

As pessoas que falam bem dele, não trabalham com ele diretamente. Caso contrário, sentiriam vontade de tacá-lo pela janela. Mesmo que seu olhar fizesse todo seu corpo se arrepiar de medo. Ele é medonho.

- Kagome, parece que está sendo perseguida.

Dei um sobressalto em minha cadeira. Estava tão concentrada abrindo o email com a resposta do Senhor Sesshomaru, que simplesmente não havia notado aproximação do Senhor Parker.

- Desculpe. – falou sorridente.

- Não se preocupe. Precisa de algo, Senhor Parker?

- Apenas vim ser solidário com a sua dor.

- Desculpe, não entendi.

Ele se inclinou e fez sinal para que eu me aproximasse, olhei ao redor e me aproximei com certo receio.

- Ele sempre persegue os novatos para saber se eles possuem garra para permanecer na empresa. Não se preocupe, só dura um mês.

Pisquei rapidamente, absorvendo as palavras que haviam sido proferidas.

- Seja valente. Você embeleza este escritório e seria uma tragédia perdê-la. – ele esboçou um daqueles sorridos ensaiados para levar meninas ingênuas para cama. Revidei com um sorriso amarelo, afastando-me. – É só o primeiro mês.

E com uma piscadela, ele se afastou, chamando Débora para saber sobre a situação de sua agenda para aquela tarde.

Então eu estava sendo perseguida pelo chato?

Lindo isso.

Por isto que não se deve andar armado.

- Kagome, senhor Sesshomaru solicitou sua presença.

Rolei os olhos e encarei Tomoyo. Por um momento pensei em pedir a solicitação por escrito e protocolada, mas não quis causar problemas para ela. E como uma boa garota – que não estava a fim de sê-lo – segui para a sala do tenebroso. Confesso que me surpreendi ao entrar na sala e ver aquela estante completamente ocupada com livros, que ia do chão ao teto, ocupando toda uma parede da sala. Senti vontade me sentar na frente dela e ficar ali por dias e mais dias, analisando todos os livros ali contidos.

- Sente-se.

Retirada bruscamente de meus desejos, segui até a cadeira, sentando-me defronte ao homem que solicitou minha presença. Era minha primeira vez naquela sala, e só por aquela estante já havia ganhando o meu coração. Será que se eu pedir com jeitinho o Senhor Inu Taisho nos muda de local de trabalho?

- O senhor queria falar comigo?

- Não a chamei aqui para ficar admirando minha sala. Olhe para mim enquanto falo com você. – Com muito custo desviei o olhar dos quadros na outra parede para ele. Não que ele fosse feio, mas é que os quadros eram mais agradáveis para se conviver. – Tomoyo estará em época de provas da faculdade na próxima semana, por isto pedi ao meu pai para que você me acompanhasse até Seul.

- Coréia?

- Não, China. Eles mudaram o nome da capital da China para Seul. Saiu nos jornais, não viu?

Grosseiro. Respirei fundo para não dar a resposta que desejava e, por um instante, mas apenas um segundo, o achei parecido comigo quanto ao "pergunta idiota, resposta cretina".

- Quando será a viagem?

- Domingo à noite.

- Preciso mesmo ir?

- Se quiser manter o emprego.

Pisquei rápido notando que havia falando aquilo em voz alta; pensei em uma desculpa rápida.

- Eu tenho medo de voar.

- Encare isto como tratamento de choque.

- Mas...

- É ordem superior, seu contrato pode ser recendido por insubordinação se continuar com esta postura.

Seu descolorido viado de uma figa.

- A passagem será entregue a você na sexta-feira. Pode ir.

- Com licença.

Antes de sair da sala dei uma espiada na estante. Vou usar todos os métodos possíveis – mesmo que não sejam lícitos – para conferir todos os livros naquela estante.

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Eu apenas entendi que viajaria sozinha com o Senhor Sesshomaru Taisho quando estava ao seu lado no avião. Ele havia me avisado dias antes sobre a viagem; Haruka havia me entregado as passagens e uma lista do que eu precisaria solicitar para empresa antes de tudo... Até mesmo me aconselhou na quantidade de roupas que eu deveria levar. Tomoyo me cedeu a agenda da semana que ficaríamos em Seul. Uma semana com ele em Seul!

Por que eu?

Por que não outra secretária?

Aposto que qualquer outra daria um órgão para estar sentada ao lado dele em meu lugar. Embora, pensado pelo lado positivo, estou em uma viagem de negócios, oportunidade perfeita para observar.

Voltei minha atenção para o homem ao meu lado. O senhor Sesshomaru era lindo, isso era inquestionável. Suas sobrancelhas eram finas e arqueadas, e o nariz era estreito e elegante, os lábios finos caíam como uma luva para seu rosto de expressão fria. A gravata estava desfeita e a camisa tinha os três primeiros botões abertos, o que possibilitava ver perfeitamente o seu tórax, mesmo que a visão seja limitada pela camisa branca que ele usava sob a social.

Desviei o olhar dele para a janela. Imagine se ele abre os olhos e me flagra observando-o. Poderá pensar coisas erradas sobre mim.

Isto me faz pensar: qual o motivo dele ficar de olhos fechados e braços cruzados?

Será que está dormindo?

- Senhores, desejam mais alguma coisa?

Ergui minha mão para recusar, junto com um sorriso de agradecimento, foi quando vi Sesshomaru também erguer a sua mão em recusa e voltar a cruzar os braços logo em seguida. Incrível como a vida às vezes lhe responde algumas perguntas.

Soltei um longo suspiro e coloquei os fones de ouvido, ligando meu Iphone para ouvir minhas últimas anotações sobre o roteiro. Eu já havia decidido os nomes dos personagens principais e isto me deixava satisfeita, sentia que finalmente estava ficando mais íntima da estória e com isto, consequentemente, o texto fluiria de forma natural.

Personagem masculino tinha o nome de: Ryota Sadao.

E o da mulher era: Kaoru Nakamura.

Apertei o play me acomodando de forma que ficasse mais confortável na poltrona, ouvi minha própria voz – que não parecia ser minha – falar:

"- Jakotsu ficou por duas horas me falando sobre o fulano que tenho que colocar como protagonista. Sinceramente, não consigo ver sua personalidade. Embora eu consiga imaginá-lo de terno e gravata, com o rosto másculo de traços fortes, sobrancelhas arqueadas e lábios finos."

Apertei Stop virando o rosto para Senhor Sesshomaru. Voltei desde o inicio a gravação e a ouvi novamente, constatando que eu havia descrito o homem ao meu lado antes mesmo de conhecê-lo. Engoli em seco e guardei o fone. Alguns minutos depois cacei meu bloco de notas e uma caneta em minha bolsa.

Como eu estava sendo estúpida!

Senhor Sesshomaru era o tipo de empresário sério que eu estava procurando. Ele é um cretino, confesso, mas eu havia descrito ele fisicamente antes mesmo de conhecê-lo. Aquilo deveria significar alguma coisa.

- Uma mulher com letra tão ilegível não serve para ser secretária.

Eu pulei na poltrona. Literalmente. Eu pulei e bati a cabeça no guarda volumes. Ao me sentar, esfreguei minha cabeça com um gemido de dor.

- Ser desastrada piora sua compatibilidade com o emprego.

- O senhor me assustou.

- Não é desculpa.

Ele falou aquilo de forma tão ríspida e fria que senti como se eu realmente estivesse arrumando desculpas para minhas ações.

- Eu deveria ter solicitado a Himary. – ele falou com descaso, voltando a fechar os olhos.

Respirei fundo segurando a resposta em minha boca. Levantei e empurrei a perna dele, fazendo com que ele se desequilibrasse e abrir os olhos novamente.

- Com licença. – resmunguei me espremendo pelo pequeno espaço que havia entre as pernas dele e a poltrona a nossa frente. Estamos na primeira classe do avião, mas em poltronas no meio da fileira e como havia a mesinha a onde alguns pertences do Senhor Sesshomaru: o notebook, celular e carteira. Meu espaço de locomoção para sair era bem reduzido.

No banheiro, encarei meu reflexo. Molhei o rosto, tentando me acalmar. Eu não podia jogar café ou chá quente no colo dele, por mais que a idéia me fosse atrativa. Respirei fundo e voltei para o meu lugar. Uma semana com ele na Coréia. Isso me dá arrepios.

O avião sofreu uma pequena turbulência quando eu estava voltando para o meu assento, caí no colo do Senhor Sesshomaru, e eu juro que alguém ali em cima gosta de clichês feitos em livros; era a única explicação que encontro para o fato de ter tido turbulência enquanto eu estava em pé muito próxima do homem que tem me atormentado a vida nas últimas semanas.

- Desculpe. – Falei rapidamente pulando para o meu assento como se o albino (Sesshomaru) me desse choque.

- Definitivamente, você não serve como secretária. Vou precisar ter uma séria conversa com o meu pai.

Mordi o lábio inferior, engolindo uma resposta. Respirei fundo colocando os fones no ouvido e encarando as nuvens do lado de fora. Vou ignorar completamente a existência dele, caso contrário, o chá ou café quente no colo irá acontecer e assim perderei minha fonte de pesquisa. Além do mais, não quero chatear o Senhor Inu Taisho deixando o filho dele estéreo.

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Duas horas dentro do avião e agora mais uma hora dentro do carro – alugado pela empresa e dirigido pelo Senhor Sesshomaru – até o Hotel Millennium Seoul Hilton. Acredito que seja um hotel de quatro ou cinco estrelas. Voltei minha atenção para Sesshomaru que mantinha sua concentração no trajeto; ele parecia bem acostumado com a rota. Reitero o que disse: é um hotel cinco estrelas, o metido ao meu lado não ficaria em um pulgueiro de quatro estrelas (sentiu o sarcasmo?).

Soltei um suspiro, ainda incrédula por ter descrito o Sadao como o Senhor Sesshomaru. Andei pensando muito sobre o assunto e definitivamente o filho do meu chefe era um exemplo perfeito de executivo sério. Ele sempre estava trabalhando. Sempre dando ordens. E todos o temiam. Acredito que se eu estivesse do lado de fora da estória, vendo ele sendo um cretino com uma garota, eu ia achar interessante.

Vou observá-lo melhor e tentar escrever. Se conseguir fazer o primeiro capítulo do drama, vou enviar imediatamente para o Jakotsu. Caso ele goste, mantenho o Senhor Sesshoumaru como modelo, caso contrário... desiste de fazer o trabalho ou sei lá. Eu darei um jeito.

Como previa, o hotel era cinco estrelas e simplesmente lindo. Preciso me lembrar de agradecer Rin por ter dado a idéia ao pai de me deixar observar como funciona uma empresa. Isto me rendeu uma viagem gratuita para a Coréia e um quarto lindo em um hotel cinco estrelas. O meu quarto é fantástico! A primeira coisa que fiz ao entrar nele foi me acomodar para escrever. Eram quase dez e meia, estava cheia de idéias e precisava escrever logo. Uma coisa boa do Senhor Sesshomaru dar novos sentidos a palavra "quieto", era que pude ficar construindo o primeiro capítulo do drama durante a uma hora de trajetória.

Peguei uma latinha de refrigerante e arrumei os travesseiros para ficar o mais confortável possível, colocando meu notebook em meu colo. A estória começou a fluir naturalmente, queria primeiro mostrar a vida dos dois personagens de forma separada dando a entender como eram suas rotinas antes do encontro que desencadearia uma série de fatores que os uniria e, assim, começaria o romance. Não estava com presa de fazer o romance. Romances necessitam de um certo tato, para não ficarem superficiais. Não acredito em amor a primeira vista. Até aceito atração, mas amor é algo que se exige tempo, paciência e determinação. Tento sempre passar isso quando estou escrevendo.

Quando dei por mim, o refrigerante já havia acabado e já passava das duas da manha. Sorri, satisfeita com a estória. Enviei para o email de Jakotsu. Sinceramente, espero que ele tenha gostado. Particularmente me sinto satisfeita, não foi nada fácil conseguir produzir este primeiro capítulo; estou a mais de três semanas sem escrever uma linha que não fossem dos relatórios que o cretino mandava que eu fizesse.

Coloquei o notebook na cama e segui para o banheiro. Tomei um banho quente para relaxar e tirar a dor muscular de ficar muitas horas na mesma posição. Vesti o roupão do hotel e voltei a me sentar na cama, pegando o notebook e colocando-o em meu colo. Atualizei a página do meu e-mail notando que Jakotsu havia me respondido. Olhei o relógio no canto da tela notando que eram quase três e meia da manhã. Mesmo assim, ele havia lido em uma velocidade espantosa.

"Kagome, que homem orgasmástico é este que você me enviou?

Quer me fazer gozar?

Está conseguindo!

Já tem mais episódios?

Estou curioso e aflito, preciso de mais. Me envie tudo que tenha, não importa se forem episódios pela metade, eu quero!

Beijos.

Ps: a menina também é legalzinha"

Ri com o email. Jakotsu era uma figura. Com isso, um sorriso se manteve em meu rosto, com perigo de se tornar permanente. Estava orgulhosa de minha criação. E quando bateram em minha porta e eu fui atender, esquecendo completamente que estava trajando apenas um roupão, o sorriso ainda estava ali estampado em meu rosto, e não sumiu, mesmo quando o Senhor Sesshomaru me encarou de forma incrédula e ergueu uma das sobrancelhas fazendo uma pergunta silenciosa de "o que diabos você pensa que está fazendo?"

Que se exploda. Nada vai mudar meu humor. Mesmo que ele achasse que meu sorriso tivesse motivos ocultos que estavam longe de serem os reais. De qualquer forma, antes que ele falasse alguma coisa o meu celular tocou. Não estou acostumada com essa coisa de subordinação. Sempre fui minha própria chefe, por isto não vi nada de errado de fazer um sinal para ele esperar enquanto eu ia atender o telefonema. E, além do mais, não estou em horário de serviço. Antes de atender, reconheci o número do celular de Jakotsu na bina.

- Oi, Jakotsu!

"- Você não respondeu meu e-mail, sua vaca!"

- Acabei de ver o e-mail... Não sou biônica!

Meu olhar escorregou para onde o Senhor Sesshomaru estava aguardando, com um maço de folhas nas mãos. Eu ainda estava sorrindo; afinal, graças a ele, consegui fazer o Sadao.

- Você realmente gostou?

"- Você está louca? Ficou perfeito! Eu sabia que você conseguiria... Quando você volta?"

Dei uma olhada de esguelha para o meu chefe, durante aquela viagem.

- Isso não está sob meu controle.

" - Ah, não! No momento em que você pôr os pés no Japão eu vou sequestrar você para gente discutir isso com calma."

- Está bem... Até lá.

Voltei a atenção para o homem em meu quarto. Este se aproximou, entregando-me as folhas que estava em suas mãos. Balancei a cabeça, confusa, e juro que vi um vestígio de sorriso irônico naqueles lábios finos.

- São urgentes, para amanhã de manhã. Espero ver os arquivos no meu e-mail assim que acordar. Pelo seu bem, espero que você seja biônica, sim.

- Mas são três da manhã.

- Se tem disposição para ficar usando o computador a essa hora, significa que tem disposição para trabalhar.

- Quem disse?

- Você tem até as seis horas.

Ele saiu do meu quarto batendo a porta. Eu que deveria bater a porta naquela cara azeda dele.

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Existem pessoas arrogantes.

Existem pessoas malignas.

Existem pessoas cretinas.

E existe Sesshomaru Taisho.

O mestre dessas pessoas acima mencionadas.

Minha afirmação se deriva do fato do fato de ele não me deixar dormir por causa da quantidade de trabalho que passou às três da manha... Como se acreditasse que eu sou alguma máquina ou algo do tipo. Agora, às sete da manhã, quando os sócios estão aguardando no salão do hotel, o Senhor Sesshomaru simplesmente desapareceu. Já o procurei por todo o hotel e perguntei para todos os funcionários se haviam visto ele – devo agradecer o Tatsuo por ter me obrigado a fazer aquele curso de coreano com ele há alguns anos, ele estava apaixonado por uma coreana e queria se apresentar devidamente para família dela, eu fui a boa amiga que o ajudou no plano (aliás, ele se casou com esta coreana). Precisei me desculpar com os sócios, dizendo que o infeliz desaparecido estava em seu quarto participando de uma videoconferência com o Senhor Inu Taisho. Em seguida, liguei para o mesmo para relatar o meu desespero com o sumiço do cretino do seu filho, foi quando ele me disse:

- Kagome, ele deve ter saído para correr e perdeu a hora. Pegue o carro e procure por ele.

Então eu fui até o carro e saí pelas ruas procurando aquele albino desgraçado que está tentando – com muito sucesso – me enfartar. Eu olhava para todos os lados, tentando encontrar em vão algum ponto prateado que denunciasse a localização do Senhor Sesshomaru. Estava começando achar que ele havia sido seqüestrado por algum mafioso. Não que eu achasse isso ruim, afinal, me livraria dele, mas o Senhor Inu Taisho e a Rin ficariam chateados. Eu acho.

Foi quando eu vi um ponto prateado mais à frente. Acelerei na direção dele e joguei o carro em sua direção. Ele notou que algo estava errado, pois olhou a tempo de me ver chegando com o carro e se jogar no canteiro do lado da calçada. Eu não ia acertá-lo, ia desviar, se ele quis se jogar no canteiro, o problema era dele.

Só um segundo. Eu não estava pensando sobre uma cena assim no drama? Ora, que chance de ouro! Certo Kagome, preste atenção em todas as reações dele.

Saí do carro ao mesmo tempo em que ele saía do canteiro. Estava com o rosto levemente corado, por conta do exercício físico. Pela primeira vez o vi sem um terno. Ele estava trajando uma bermuda bege e uma camisa regata azul clara. Devo admitir, ele é tão gostoso! Ele é magro, mas um magro de músculos torneados, perfeitos.

- Você está tentando me matar?

- Não. – respondi com um tom de indignação. Então sorri; aquela postura fria e controlada para não demonstrar raiva, parecia uma atitude que eu gostaria que Sadao tivesse.

- Você esta rindo de mim?

- Não. Apenas recordei algo. Aliás, os sócios já chegaram...

- Recordou algo engraçado? – Ele se aproximou, e eu recuei batendo minhas costas no carro; me senti um animal acuado. – E o que você recordou quando tentou me atropelar?

- De quanto você é cretino. – Arregalei os olhos. Eu havia falado isso alto?

- Cretino? Então foi proposital?

Ele se aproximou e meu coração disparou. Eu precisava correr por minha vida. Gelei quando ele apoiou as mãos no carro, deixando-me entre seus braços. Acredito que qualquer mulher gostaria de estar em meu lugar nesse momento, já que ele é lindo e estava próximo o bastante para eu sentir o cheiro da colônia misturado com o de suor. Eu bem que gostaria que outra mulher estivesse em meu lugar, afinal, meu instinto de sobrevivência gritava para eu chutar os países baixo dele e sumir por tempo indefinido.

- Eu vou fazer você desejar a morte. – Ele falou, com o nariz tocando o meu, a voz mais rouca que o comum, em um tom mais baixo e sombrio.

Mesmo se eu quisesse, não conseguiria revidar. Acho que a maldita colônia misturada com o suor me deixou em alfa; afinal, era um cheiro tão masculino que despertou completamente o meu lado mulher, deixando o meu lado escritora adormecido. Eu não estava mais observando ele como modelo para o personagem, mas sim como Sesshomaru Taisho.

Ele se afastou e entrou no carro. Eu soltei um suspiro, aliviada e me afastei do carro. Respirei fundo e me dirigi para a porta do passageiro, mas antes que eu pudesse tocar nela, o VIADO DESGRAÇADO DEU PARTIDA NO CARRO E ME LARGOU ALI!

EU TO DE SALTO ALTO! PORRA!

- Eu vou por pimenta no café dele. Ah, como vou!


Nota da Autora: Eí gente, obrigada pelos comentários, e não se esqueçam que este é meu salário, portanto, se ficar sem uma remuneração agradável de comentários, posso muito bem me demitir e não postar mais a fic aqui. Eu sei, é maldade eu ameaçar, mas é serio, comentem, é importante para mim saber o que estão achando da fic, caso vocês leem e acham importante que eu continue a escrever e a postar, melhor comentar, pois a cada leitura realizada e um comentário não feito, posterior a esta leitura, um(a) escritor(a) de fics perde a motivação e para de escrever.

Quanto a fic, estou no começo do Capítulo V, ela será uma fic grande e bem trabalhosa, com mais romances que Sesshomen. Alias, este romance em si, será algo trabalhado com mais cuidado ao decorrer dos capítulos. Quem leu minhas outras fics devem saber que sou do tipo que faz fics rápidas, de certa forma. Não mais de um ou dois messes postando uma fic Sesshomen. Pode parecer que virou uma regra, quando eu escrevo, a fic tem atualizações rápidas e acaba logo. Toda regra tem exceção, e esta fic é uma delas.

Não sei quantos capítulos terão, espero de coração que possamos nos divertir muito durante este tempo, pois eu realmente me divirto enquanto estou escrevendo, alias, este é o motivo para eu estar aqui, com esta fic nova. Diversão.

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Quero agradecer a minha beta que tem me dado muitas idéias para a fic.