Capítulo IV – Guerra declarada em Seul

Meus pés estavam em uma bacia de água morna e o meu rosto estava tomado por uma expressão de alívio. Aquele maldito havia me largado na rua, sem dinheiro, sem documentos, apenas com uma sandália de saltos que esfolou completamente o meu pé.

- Pézinho. – Choraminguei, massageando o meu pé enquanto observava as bolhas que haviam se formado na sola. Estavam cheias de pus e sangue, e doíam muito.

Ou eu ficava com sapato e tinha os pés esfolados ou eu ficava descalça e, com o frio que faz aqui, teria amputar meus pés por ficarem congelados.

- Ele bem que poderia ficar doente por estar correndo apenas de bermuda e camisa curta num tempo desses. – falei, sentindo vontade de me vingar.

Peguei a bacia e joguei a água na banheira. Depois voltei para a cama e me deitei. Andar era uma tortura, como eu ia trabalhar amanha?

Eu prefiro levar um tiro a usar salto alto de novo nessa semana.

Choraminguei ao ouvir batidas na minha porta. Eu não ia caminhar ate lá! Estava fora de cogitação fazer isso. As batidas continuaram e minha falta de vontade de atender também. Foi quando meu celular tocou. Senti vontade de chorar. Será que é tão difícil assim me deixar aqui, reclusa em minha dor? Já não bastar andar por dez quilômetros e depois ficar zanzando pelo auditório o dia todo?

Soltei um pesaroso suspiro quando notei que o celular não pararia de tocar – eu já estava ignorando-o por dez minutos. –, segurei o celular na frente de meu rosto, vendo o número não identificado na tela.

- Alô?

"- Abra a porta antes que eu mande buscar a chave-mestra."

- Meu expediente já terminou.

"- Você tem um minuto."

Então ele desligou e eu o ignorei completamente. Não estou em meu horário de serviço e não preciso obedecer suas ordens. Por mais que aquela oportunidade de pesquisa fosse algo importante para mim, eu simplesmente não vou ficar me submetendo aos caprichos desse mimado. Não preciso do emprego, posso sair quando bem entender, estou suportando ele em respeito ao Senhor Taisho que me deu esta oportunidade de tão bom grado.

Sentei na cama quando ouvi a porta sendo aberta. Por ela passou Sesshomaru com uma expressão terrível em seu rosto, como se ele fosse um deus que havia sido desafiado e que agora ele precisasse mostrar o lugar devido ao verme que havia cometido tamanha afronta. Atrás dele pude ver outro homem; reconheci como sendo o gerente do hotel. Estreitei os olhos e tomei fôlego, se ele acha que pode entrar em meu quarto quando bem entende, está muito enganado!

- Se você aproximar mais lhe acuso de assédio sexual.

- Acuse. Em quem você acha que vão acreditar?

Respirei fundo.

- SOCORRO! ALGUÉM ME SALVE! SOCORRO!

Ele avançou rápido, tampando minha boca com uma das mãos.

- Senhor Taisho... – começou o gerente, provavelmente preocupado com reputação de seu hotel.

- Sai daqui e fecha a porta.

- Mas, senhor...

- Olhe para essa mulher, ela nunca conseguiria que um homem se interessasse sexualmente por ela.

O gerente se manteve no lugar, ele estava tremendo, pude notar isto mesmo de longe.

- O Senhor me disse que ela era sua secretária e que havia adormecido...

- Ela é minha secretária. – Ele rangeu os dentes, olhando pra mim. – Quando eu mandar abrir a porta, abra. – ele apertou os dedos contra a minha bochecha e isso doeu.

- Senhor Taisho...

Sesshomaru finalmente se afastou de mim. Calmamente, voltou até a porta e jogou uma pasta ma mesa que havia em meu quarto.

- Amanha você ficará incumbida de agendar reuniões com essas empresas, eu vou tirar o dia para comprar algumas lembranças que minha irmã pediu.

E com isso ele saiu. O gerente fez uma reverência, desculpando-se tão baixo que quase duvidei que houvesse realmente falado algo. O gerente finalmente se retirou, fechando a porta do meu quarto antes. Respirei fundo, tentando manter minha calma.

Qual era o problema de Sesshomaru Taisho?

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Meu olhar escorregou para o relógio quando terminei as listas que o Senhor Sesshomaru havia me entregado na noite passada. Sete horas da noite. Soltei um longo suspiro e me espreguicei; ao meu lado estava uma caneca de café já vazia e eu não havia consumido nada além daquela caneca o dia todo. Confesso que não acordei cedo, mas vinte e quatro horas sem dormir junto com pés doloridos me tirava toda a vontade de acordar cedo pela manhã. Felizmente, levantei a tempo de conseguir marcar as reuniões. Que, aliás, eram muitas... Pensei que em uma semana acabaríamos por aqui e iríamos embora, entretanto, ao ver o resultado da agenda, tive a certeza de que iríamos demorar muito até cumprir todas as reuniões.

Soltei um suspiro, voltando minha atenção para pasta que ele havia deixado ontem em meu quarto. Meus olhos se arregalaram de incredulidade quando vi os relatórios que havia passado a madrugada toda fazendo ali, com a seguinte anotação: "O espaçamento está incorreto".

- Incorreta é a existência do seu cérebro, seu maldito. – Rangi os dentes tentando encontrar algum erro no espaçamento. Estavam perfeitos. Eu sou escritora, sei como formatar um texto.

NÃO TEM ERRO ALGUM AQUI!

Respirei fundo. Por sorte, eu havia salvado o texto em meu notebook, se ele pensa que vou digitar de novo, está muito enganado. Vou olhar todas as folhas por precaução, ele pode ter feito anotações e, acreditando que eu apenas daria ênfase ao recado no começo, mudaria a formatação do meu texto salvo ignorando recados posteriores... Ótima chance para ele me criticar. Não vou dar esse gostinho. Virei a folha notando uma anotação. Rangi os dentes novamente:

"Traduza todos os documentos para o coreano, italiano, russo e inglês Para amanhã, sem prazo prorrogável."

Respirei fundo tentando manter a calma em vão. Levantei e, meio mancando, fui até a cama e me joguei nela começando a socar o travesseiro.

Sentei, pegando meu celular; hora de testar o poder da amizade.

"- Oi, Ka." – falou uma voz feminina do outro lado, reconheci sendo de Sango.

- Preciso de sua ajuda.

"- Você fica dias sem falar comigo e quando me liga é para pedir ajuda? Essa amizade está muito interesseira."

- Eu falo com o Jakotsu para o seu nome ser o primeiro na lista para fazer a fotografia do novo drama dele.

"- Pede o meu rim que eu te dou!"

Ri com o comentário.

- Você ainda sabe russo?

"- Fluente não sou, mas dou para o gasto. Por que? Quer ir para Russia?"

- Vou te passar alguns documentos, traduz eles para mim, até amanha de manhã? Por favor? Por favor?

Ela ficou em silencio por alguns segundos.

"- Vou pedir ajuda ao Miroku. Sorte a sua que te amo."

- Obrigada. Eu te amo mais, estou enviando os documentos para o seu email.

"- Ok... eu vou acordar o Miroku. Melhor falar para o Jakotsu deixar que nós dois façamos a fotografia."

- Deixa comigo. Beijos, tchau.

"- Outro, tchau."

Soltei um suspiro aliviada, ao menos russo havia conseguido resolver. Disquei os número rápido, recebendo um "Oi, gatinha" de uma voz masculina de timbre baixo e grave, com um sotaque leve, mas perceptível.

- Yuri!

"- Fale meu amor"

- Traduz um texto para o italiano para mim?"

"- Você fala italiano fluentemente."

- Eu sei, mas é que eu tenho que traduzir os mesmos textos em inglês e coreano.

"- Por que isso?"

- Lembra do demônio encarnado em pessoa que lhe contei?

"- Entendi. Mando para o email, quanto tempo tenho?"

- Até amanhã de manhã, às seis.

"- Que merda, hem... Mas pode contar comigo, gata, tudo para você aceitar ser a mãe dos meus filhos."

- Já lhe mandei os arquivos, eu te amo!

"- Eu também, gata, até mais"

- Até.

Desliguei, sentindo-me muito mais aliviada. Agradeci mentalmente por meu teclado ser do estilo americano junto com japonês, caso contrário, nunca conseguiria escrever em inglês. Mas primeiro precisava digitar em coreano... Troquei de roupa e segui para lan house do hotel. Eu deveria ter acertado Sesshoumaru Taisho com o carro.

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Não passava das seis da manha quando Sesshomaru veio até a porta do meu quarto, batendo nela freneticamente, até que vencesse minha resistência e por fim eu abrisse a maldita porta. Confesso que fiquei surpresa quando ele mandou que eu me arrumasse para ir a empresa, me dando apenas alguns minutos para me aprontar. Quando cheguei no saguão de entrada do hotel, ele estava indo para o carro, pronto para me abandonar ali.

Chegando na empresa, terminei de revisar os textos que Yuri e Sango haviam me enviando, concertando apenas a formatação e imprimi juntamente com os que eu havia feito. Feito isso, segui para sala do Senhor Sesshomaru para entregá-los. Ainda não havia ninguém na empresa, pois ainda era muito cedo.

Fiquei esperando sentada, de forma paciente, que ele conferisse os documentos. Acredito ter notado uma expressão de surpresa em seu rosto quando constatou que estavam todos traduzidos nos idiomas que ele pedira... Se bem que provavelmente foi apenas minha imaginação, já que logo depois seu rosto não demonstrava emoção alguma e seus olhos permaneciam frios.

- Pelo seu bem, melhor não ter usado um tradutor online. – Ele falou se supetão me assustando.

- Eles não são confiáveis. – respondi ignorando o tom de displicência da voz dele.

- O espaçamento ainda está errado, arrume isto.

- Incorretos? Acredito que não.

- Pode acreditar. Refaça.

Respirei fundo, tentando manter a calma. Peguei os documentos, destinada a encontrar as regras de formatação de um documento.

- Marcou as reuniões?

- Sim, senhor, a agenda do senhor está aqui. – falei, indicando a agenda sobre a mesa. Ele a abriu folheando.

- Ficou ontem até que horas na empresa?

Pisquei rápido, sem entender o que ele queria dizer. Como assim "até que horas na empresa"? Eu nem sabia sua localização até esta manha, além do mais, ele nunca me disse para vir aqui e nem ao menos me deu um endereço.

- Marquei as reuniões do hotel. – respondi, ainda perplexa com a pergunta dele. Era óbvio que o meu local de trabalho era dentro da empresa, mas estávamos em outro país, e mesmo que eu fale coreano, eu nunca estive de fato aqui.

- Você não é paga para trabalhar no conforto de seu quarto.

- Eu não sou paga para ficar aturando seu gênio terrível e, mesmo assim, ainda estou aqui. – respondi automaticamente. Ele estreitou os olhos para mim.

- Desse jeito, vai perder seu emprego, Higurashi.

Realmente, ninguém ficaria respondendo dessa forma para o seu chefe, entretanto o meu chefe na realidade era o Senhor Inu Taisho, eu possuía um contrato com multa se fosse rescindindo antes do prazo determinado, as clausulas eram claras: apenas o Senhor Inu Taisho poderia me dispensar caso eu cometesse alguma falta grave. Não havia nenhuma mensura de forma tácita ou expressa de que outra pessoa poderia rescindir o meu contrato. Além do mais, por mais que o Senhor Sesshomaru fosse o filho do dono, ele não era o dono, sendo assim, para me dispensar ele teria que passar por cima da autoridade de seu pai. E ele pode ter essa pinta de "bad boy, cretino pra caralho", mas duvido que passe por cima da autoridade do pai dele. Se ainda mora com ele, como Rin já me confessara, era porque se tratava de um filhinho do papai que se acha o maioral por ser rico, charmoso, sedutor e incrivelmente lindo.

E, de qualquer forma, eu não preciso do emprego. O que ganho com os direitos autorais me rende o suficiente para viver muito confortavelmente, e fazer uma viagem pelo mundo pelo tempo que eu quisesse para pesquisar sobre culturas sociais e depois escrever algo ao respeito.

Chegando a conclusão de que não seria tão fácil ele me dispensar, haja vista que eu sempre realizo os trabalhos que me são incumbidos e não recebo para aquentar desaforo, sorri, me levantando segurando minha vontade de falar:

- Vá para o inferno, seu cretino. Eu não preciso desse emprego.

Mas falando:

- Só leia meu contrato antes de querer me demitir. – E me retirei da sala, seguindo para a mesa que havia sido destinada a mim.

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Aquilo era guerra ou algo do tipo?

Será que transformar minha vida um inferno era algo que levava a ele ao ápice do orgasmo?

Qual o motivo dele ficar me infernizando?

Tudo bem, eu chamei ele de metido quando nos conhecemos, mas a culpa foi dele, porque:

Primeiro: ele não respondeu ao meu "bom dia"

Segundo: ouviu o que não deveria ouvir.

Tudo bem, talvez eu deva ter pedido por isto, levando em consideração que eu quase o atropelei, e em seguida desafiei ele a me demitir... Sem falar que depois provei que ele estava errado sobre o espaçamento imprimindo de quinze sites consagrados que falam sobre as normas de formatações em documentos. Contudo, aquilo estava se tornando uma guerra entre nós dois. E o novo ataque dele veio quando tivemos que sair com os sócios para um jantar esta noite.

O Senhor Sesshomaru simplesmente me deixou ao lado do homem mais pervertido da face da Terra, até mesmo o Miroku é um santo perto desta criatura. E acreditem se estou dizendo que o Miroku é santo perto do Senhor Young Mi.

Quando me sentei ao seu lado – forçada a me sentar pelo Senhor Sesshomaru que apoiou a mão em meu ombro e me forçou a sentar naquele maldito lugar –, o Senhor Young Mi apertou a minha coxa, dizendo que estava feliz em ter uma bela dama naquele lugar cheio de homens. E ele é feio, muito feio. Para se ter uma idéia nítida de sua feiúra, parece que atiraram fogo em seu corpo e apagaram na base da paulada. Sem exagero. Ele era fumante, motivo pelo qual seus dentes eram amarelos. Sem falar que não possuía senso de moda, uma vez que estava usando um terno laranja com camisa social amarela mostarda. Até parecia que o recado que queria transmitir era: "olhem, não preciso de uma melancia na cabeça para chamar atenção".

Os dentes da frente eram separados e depois da salada que foi servida no jantar, um pedaço ficou entre seus dentes. Asqueroso. Pior que isto, apenas o fato de sua mão sempre escorregar para minha coxa, tentando chegar até a minha virilha. Depois de vinte minutos daquilo, senti vontade de enfiar um garfo naquela mão. Eu passei a noite mais ocupada em prestar atenção naquela mão do que na conversa do Senhor Sesshomaru com os demais sócios.

Claro que peguei alguns trechos da conversa. Ele era sempre sério e objetivo, às vezes, um tanto inflexível, ainda assim ele sempre provava que estava certo nos assuntos. Pude notar que ele possuía um tato muito incomum para os negócios. Eu admitia sem sombra de dúvidas que Sesshomaru Taisho era o meu modelo ideal de executivo, mas também não negava que ele era maior cretino na face da Terra. Pensando nisso, me lembro que minha caixa de email esta cheia de recados ofensivos de Jakotsu que, nas palavras dele, "está tendo um ataque de abstinência do roteiro do drama"

Respondi que graças à minha pesquisa, eu estava na Coréia do Sul, sofrendo nas mãos do demônio que era o Senhor Sesshomaru. Ele disse que não se importava e era para eu parar de dormir e escrever logo o segundo capítulo, por logo, logo, ele vai me enviar os atores cotados para o drama para que eu os aprovasse.

Fui tirada de meu devaneio com a voz irritante do senhor Young Mi:

- A Senhorita Higurashi é realmente uma jovem muito encantadora, Senhor Taisho.

Meu olhar seguiu para o Senhor Sesshomaru, quase não acreditei quando notei um trajeto de sorriso em seus lábios. Ele estava se divertindo com a minha desconfortável situação.

- Ela tem namorado, Senhor Young Mi. Mas acredito que nenhuma mulher resista ao seu charme.

Até uma cega resistiria a esse cara nojento. Alias até mesmo uma cega, surda muda e com retardamento mental completo!

E eu não sei o que diabos deu em minha língua para ela proferir a frase:

- Eu não tenho namorado.

Por que simplesmente o pervertido me olhou de forma desejosa e o Senhor Sesshomaru ergueu a sobrancelha, desafiando-me a continuar. O encarei.

- Naquele disse eu disse que possuía apenas para que você não notasse que eu havua lhe chamando de metido. – respondi em japonês, deixando os outros sócios confusos sobre o que eu havia falado.

- Como eu supunha, nenhum homem teria coragem de namorar você. – ele me respondeu, também em japonês, e em seguida se voltou para o Senhor Young Mi falando em coreano. – Kagome estava me confessando que terminou com o namorado esta tarde, depois de ver o senhor na empresa. Senhor Young Mi, espero que não me faça perder a secretária.

Eu vou matar ele! Simplesmente vou comprar uma arma e atirar na cabeça desse infeliz!

- Você é uma graça, Senhorita Kagome. – Falou Senhor Young Mi de forma sonhadora, agarrando minha coxa novamente.

O que aconteceu com o Higurashi? Eu não me lembro de ter dado permissão para me chamar pelo meu primeiro nome. Sorri e me levantei, pedindo licença e seguindo para o banheiro. Ao me sentar no vaso sanitário fiquei inclinada a ligar para alguém vir me buscar aqui na Coréia e me proteger desse pervertido filho de uma mãe. Deslizei a mão pelo meu queixo, ponderando sobre como me vingaria do cretino do Senhor Sesshomaru. Aquilo não poderia sair impune, de forma alguma!

Respirei fundo, recuperando a compostura e voltei para mesa. Uma ideia havia passado por minha mente, apenas precisava executá-la. Isto me faria quase vomitar, pois eu precisaria tocar o Senhor Young Mi para conseguir alcançar seu celular... Bem, tocar nele me dá ânsias de vômito, mas vai valer à pena.

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Meu plano havia sido executado com perfeito êxito. Consegui surrupiar o celular do Senhor Young Mi enquanto ele conversava com o Senhor Ha-Neul sobre a bolsa de valores. Voltei ao banheiro, pesquisando pelo wi-fi de seu celular casas de prostitutas em Seul. Ao encontrar uma, subornei um garçom para que ele pedisse que ela se encontrasse com um cliente no hotel em que eu estava. Voltando a mesa devolvi o celular Senhor Young Mi, sem que ninguém percebesse. Devo admitir, eu poderia ser espiã, sou muito boa nisso!

No hotel fiquei atenta a qualquer movimentação estranha, e quase me acabei de rir quando uma mulher passou pelo corredor e abriu a porta do quarto do Senhor Sesshomaru com a chave reserva. Quando pedi que o garçom fizesse a ligação, tomei o cuidado de pedir para ele ligar para o hotel avisando que Senhor Sesshomaru Taisho receberia a visita de uma acompanhante. Se tratando de um homem tão medonho e importante quando o meu querido – filho do – chefe, quem iria ficar fazendo perguntas?

A cena foi hilária e eu precisei usar todo o meu autocontrole para não morrer de rir. Fiquei grata pelo meu quarto ser de frente ao dele, pois pude assistir de camarote quando ele saiu segurando o braço da mulher com uma expressão de que a mataria de uma forma muito cruel.

- ME SOLTE! - a mulher gritou, começando a socar o peito dele enquanto que ele tentava a arrastá-la para o elevador e obrigá-la a ir embora. Eu imagino que ele tenha exagerado na força para segurá-la. Por sorte, aqueles gritos chamaram a atenção de hóspede curiosos que saíram no corredor.

- Suma daqui, antes que eu lhe mate.

- Seu maldito, me ligou e agora não quer o programa? Pode me pagar, gastei para chegar até aqui.

- Problema seu. – ele se dirigiu para o quarto, mas antes de fechar a porta a mulher segurou seu braço.

- Se não quer sexo, por mim tudo bem, mas tem que pagar a visita.

- Suma daqui.

- Me pague antes.

- Desculpe, senhor, mas...

Ri ao notar as conversas paralelas. Foi quando Senhor Sesshomaru desviou o olhar do gerente do hotel para mim, notando que a porta do meu quarto estava entreaberta. E, como um cachorro com raiva, ele veio até mim, abrindo a porta completamente.

- Você!

- O quê? Eu apenas vim ver o porquê da gritaria.

- Você chamou esta... coisa – enfatizou – aqui.

- OPA, coisa não, é bom me respeitar!

Ele respirou fundo olhando para o gerente do hotel:

- Suma com essa mulher daqui antes que eu processe este hotel por permitir que qualquer ser entre aqui sem qualquer critério.

O gerente ficou pálido e tentou acalmar a mulher para levá-la embora. Após alguns minutos sem êxito, o Senhor Sesshomaru entrou em meu quarto, pegou minha carteira, tirando alguns trocados para mulher que finalmente se deu por satisfeita e foi embora.

- Aquele dinheiro é meu!

- Isto é para você aprender a não me desafiar.

- Você está louco, eu não chamei essa mulher aqui! Deve ter sido o Senhor Young Mi... Ah, sim, deve ter sido! Antes de virmos embora ele me perguntou se o senhor estava solteiro e eu respondi que achava que sim, já que nunca tive motivos para pensar o contrário. Ele deve ter achado que o senhor precisava de uma presença feminina em sua cama. Não me diga que o senhor prefere uma masculina?

Ele ficou vermelho. Pela primeira vez eu o vi vermelho de raiva. Minha espinha gelou, mas eu não ia ser derrotada por este infeliz. Ele ergueu a mão e eu pressenti um tapa, ate mesmo fechei os olhos esperando o golpe... Mas o que ouvi foi a porta do meu quarto sendo fechada. Abri a porta, espiando o lado de fora, as pessoas comentavam sobre como aquele hóspede era repulsivo por chamar uma prostituta para um hotel tão fino. Aquilo me fez esquecer o dinheiro gastado, havia valido cada centavo. Deitei na cama rindo, e adormeci com uma expressão satisfeita. Me sentia vingada.

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Dois dias haviam se passado desde o incidente com a prostituta e ele ainda me ignorava. Eu estava feliz com isso; finalmente estava trabalhando em paz, como nos dias antes de conhecê-lo. Parecia que finalmente havia tido uma trégua naquela guerra e isto me deixou satisfeita, afinal, na primeira batalha eu havia sido vitoriosa. Entretanto a minha guarda estava fechada para um possível contra-ataque dele.

Aproveitei esses dias de paz para conhecer a cidade durante o meu almoço. Encontrei uma livraria, não muito longe, onde havia alguns dos meus livros, os sete de maior repercussão. As capas eram diferentes da versão japonesa, e foi por isto que eu os comprei. Eu sei, comprar meus próprios livros é estranho, mas os encargos autorais são revertidos em minha conta de qualquer forma... Ou seja, esse dinheiro voltará para mim. mais cedo ou mais tarde. Eu estava apreciando os sete livros em minha mesa. P expediente havia terminado e eu estava apenas esperando o Senhor Sesshomaru para irmos embora.

- Kazuaki Hiroki?

- Sim? – Respondi voltando minha atenção para o Senhor Sesshomaru, sem notar de primeiro momento que eu havia atendido pelo pseudônimo.

Ele me encarou erguendo uma sobrancelha, foi quando notei que eu havia respondi ao meu pseudônimo.

- O senhor deseja alguma coisa?

- Nada. Esses livros são originalmente japoneses.

- Eu sei. Eu os tenho na versão japonesa.

Ele estreitou os olhos, me parecendo confuso, não sei ao certo se ele realmente estava, sua expressão era fria demais para poder afirmar.

- Gostei das capas. - expliquei.

- Comprar um livro pela capa é simplesmente repulsivo. – E com isto ele se afastou. – Vamos embora.

Peguei o livro mais grosso com vontade de jogar na cabeça dele, foi quando lembrei que eu era a autora. Mudei de idéia sobre jogar o meu livro nele. Soltei um suspiro, guardei os livros nas sacolas e segui o Senhor Sesshomaru para ir embora. Chegando no hotel destinei minha noite para terminar o roteiro do segundo episódio do drama. Aquele jantar de ontem havia me dado muitas idéias, por mais difícil que tenha sido suportar aquele pervertido ao meu lado.

Jakotsu havia me enviado as fotos dos atores cotados para o drama, escolher a Kaoru Nakamura – protagonista feminina – foi muito fácil, havia uma atriz chamada Kagura Tsubasa que simplesmente se encaixava com perfeição na personagem que eu havia imaginado, e o fato deu conhecer o trabalho dela me ajudou a elaborar o e-mail, informando ao Jakotsu o que eu pensava sobre ela. Quando ao Ryota Sadao – protagonista masculino – novamente se tornou um problema, não havia atores que se encaixavam no que eu queria. Nem mesmo o Yuri ou o Tatsuo que são atores consagrados no Japão.

Definitivamente, aquele era o personagem mais complicado que eu já havia me aventurado a fazer.

Também precisei deixar claro que não mandaria o segundo capítulo do drama se ele – Jakotsu – não contratasse o Miroku e a Sango para serem os fotógrafos do drama. Eu tenho certeza que ele havia pensando sobre chamá-los, mas ameacei para ficar bem claro que é exigência minha e assim, eu estou pagando o favor dos dois.

A noite ia ser longa, mas estava determinada em terminar aquele capítulo.

Ao menos como modelo para personagem aquele cretino chamado Sesshomaru Taisho serve.

Espero que esta época de paz dure. Conflitar com ele é extremamente cansativo.


Nota da Autora: Definitivamente está fanfic fiará enorme. Espero que estejam gostam. Não se squeçam de comentar ^_^ ... eu imploro!