Capítulo VIII – Uma fusão boa para dar dor de cabeça.
Hoje quando olhei a agenda do Senhor Sesshomaru notei que fazia cinco meses que estava na empresa. Era engraçado fazer uma reflexão de tudo que havia acontecido, e o quanto fiquei cansada com o trabalho aqui, mas agora, menos de um mês para rescindir o meu contrato, me sinto estranha. Acho que me acostumei com a rotina pesada e estressante, antigamente minha vida se resumia em livros e mais livros. Ás vezes sair com os amigos, de certa forma, era vazia. Agora com agenda lotada, com mil coisas para fazer passei a ter mais amor aquilo que realmente gosto, escrever. Notei que mesmo com vinte e três horas do meu dia preenchido por tarefas, essa uma hora que me resta seria usada para escrever e não para descanso.
Eu amava o que fazia. Sim, sou completamente apaixonada pela minha profissão. E esse emprego me fez ver o que sou capaz de fazer para manter minha paixão ativa. Sacrifico de muita boa vontade horas de sono para escrever, finalmente conseguir arrumar todos os capítulos para que ficassem do tamanho que Jakotsu pudesse usar para episódios de quarenta minutos. Eu estava cansada, mas havia apreendido administrar o meu tempo, usava os finais de semanas de forma muito sabia, e meus horários de almoços eram na empresa, na cozinha com o meu netbook e um prato com um sanduiche de atum ao lado. Começaram a me fazer perguntas sobre o que eu tanto ficava fazendo naquele minicomputador, eu apenas respondia que era meu passatempo. O que não era mentira, minha profissão era um passatempo, fazia por puro prazer, não era como um trabalho de verdade.
O Senhor Parker havia descoberto sobre a minha profissão de escritora. Isso correu quando ele me chamou em sua sala e me indagou sobre o drama que eu havia mencionado ao Senhor Taisho, eu apenas respondi que possuía mais de um emprego, sendo o outro como roteirista para um amigo meu. Ele fez mais perguntas, mas felizmente Débora entrou com relatórios e eu aproveitei a deixa para sair da sala e procurar o Senhor Taisho, pedi a ele encarecidamente que falasse com o Senhor Parker, eu não queria que se espalhasse a noticia que Kazuaki Hiroki era o pseudônimo de Kagome Higurashi.
Eu não tenho nada a esconder, me orgulho de ser quem sou, entretanto, não gosto de atenção privilegiada, por isto tento sempre manter Kazuaki Hiroki longe da vida pessoal de Kagome Higurashi.
O Senhor Taisho conversou com o Senhor Parker e este nunca mais falou nada sobre minha profissão, fiquei curiosa para saber que o que o Senhor Taisho havia dito.
Essa rotina de conviver com muitas pessoas me fez ter uma visão melhor sobre a personalidade de cada um, é incrível como cada pessoa pode dar uma resposta diferente para a mesma situação. Chega a ser instigante observar. Chego até a pensar que quando estiver em um novo projeto, de volta a lanchonete, como será esquisito, haja vista que estou até mesmo acostumada com a cretinice do Senhor Sesshomaru, ainda houve chance de estranhar quando ele não foi cretino, já que ele sempre é.
Eu sei que estava dando "bandeira" escrevendo na empresa, entretanto, eu precisava aproveitar aquelas duas horas de almoço. Em duas horas consigo escrever algumas páginas ou ao menos fazer tópicos sobre o que pretendo fazer no capítulo que começarei. Cada segundo é valioso e ficar comendo e depois olhando o relógio esperando o tempo passar é um desperdício.
Entretanto nesse almoço não consegui escrever, pois assim que entrei na cozinha Sawaki entrou em seguida me dizendo que havia um homem me procurando na recepção. Pensei por um momento que seria o Yuri, mas se fosse ele, ela teria soltando um suspiro falando que era. Por isto guardei meu netbook em minha bolsa e a coloquei sobre minha cadeira e fui até a recepção ver quem me procurará. Talvez fosse Jakotsu querendo discutir sobre o drama, ele havia me questionado que eu precisava aparecer nas filmagens. Notei que do andar estavam interessada na recepção, soltei um suspiro, provavelmente era o Jakotsu, mesmo sendo gay, ele chama muita atenção da ala feminina.
Para minha grande surpresa, não era quem eu esperava. E a única reação que pude ter ao ver aquele homem de cabelos negros arrepiados e olhos azuis esverdeados, com um sorriso que fazia covinhas em sua bochecha, foi a de me jogar em seus braços, o senti me apertar contra ele e o meu olfato detectou a fragrância de talco para bebê. Afastei o suficiente para segurar as mãos dele levando-as até o meu nariz sentindo o cheiro de shampoo infantil. Essa reação minha o fez rir fazendo aquelas covinhas fofas ficarem mais evidente.
- Precisei dar banho em Hisao hoje de manha. Pelo jeito estou com o cheiro.
- Sim, cheirinho de bebê. E a onde está o bebê?
- Com a mãe na casa dos meus pais.
- Não me disse que viria para Tóquio.
- Você não me disse que esteve em Seul.
- Você não mora em Seul.
- Eu sei, mas moro na Coréia.
- Fui a serviço, fiquei bem ocupada.
- Que tal almoçarmos juntos? Assim, você me conta o que andou aprontou.
- Claro. Vou buscar minha bolsa.
- Você não precisa dela.
E assim, Tatsuo me arrastou na direção do elevador. Ri quando passou o braço pelo meu ombro e sussurrou que estava se sentindo mais magro por causa da longa secada que as mulheres ali haviam dado nele.
Tatsuo era meu amigo de infância, no conhecemos no primário. Ele sempre foi muito lindo. Sabe aquela fase do patinho feio? Ele nunca passou por ela. Alias, nem sequer uma espinha teve em toda a sua vida. Eu sei que parece exagero, mas é mais pura verdade.
Desde criança ele esta no mundo da moda, quando ficou mais velho estudou cinema, mas abandou sua carreira aqui no Japão para se casar. Atualmente mora na Coréia com a esposa e o filho. Filho o qual tem dois anos de idade e é a coisa mais mordível que eu conheço. Eu tenho uma pasta em meu notebook com muitas fotos do Hisao. Tatsuo sempre briga dizendo que quer que eu tenha uma filha para se casar com seu filho, também disse que como os homens demora mais para amadurecer, o filho dele já esta no caminho certo, pois é mais velho que minha filha.
- A empresa realmente é muito linda. – Comentou Tatsuo após o garçom se retirar para buscar o nosso pedido.
- De bom gosto. Quando chegou?
- Ontem à noite. Liguei para o pessoal, quero todos na sua casa para uma festinha particular.
- Em minha casa?
- Claro.
- Nem ao menos pergunta se pode.
- Hisao também vai.
- Minha casa, sua casa. Esta de férias?
- Sim. Finalmente terminar a gravação do filme, deve chegar no Japão no próximo ano. Eí, me conta sobre isto do Yuri estar saindo com a Rin. Achei que ela fosse prometida para o Hisao.
- Você promete todas ao seu filho, né?
- Lógico, ele precisa ter opções.
Ri e comecei a narrar para ele sobre todo o meu plano arquitetado para unir aqueles dois pombinhos, quando chegou o final do meu horário de almoço senti vontade de não voltar a empresa, entretanto o senso de responsabilidade de Tatsuo o fez me levar até lá. Me despedi com um abraço inalando novamente aquele cheiro de talco, que sinceramente, ficou sexy naquele homem de um metro e oitenta com sorriso de bebê.
Claro que, como o próprio Tatsuo fala, as mulheres com fogo na piriquitas ficaram me bombardeando de perguntas sobre como conheço tantos atores famosos. Apesar de Tatsuo ser um ator japonês com carreira na Coréia, ele é conhecido no Japão. Quando respondi que havia estudado com eles, fui bombardeada com mais perguntas, e sentimentos de inveja por ser tão sortuda.
Eu sou realmente sortuda, mas não por conhecer pessoas famosas no ramo artístico que são simplesmente deslumbrantes de tão lindas. Não! Eu sou sortuda, pois eles são meus amigos e são as melhores pessoas que tive o prazer de conhecer. Estava começando a ficar irritada com aquela situação, eu precisava terminar uma planinha para o Senhor Sesshomaru e elas simplesmente não me permitiam sair da recepção. Até mesmo Tomoyo estava entre elas. Incrível o poder de um homem bonito sobre as mulheres. Até as mais puritanas se revelam.
Estranhei quando elas se calaram e senti um arrepio em minha nuca notando que algum ser maléfico deveria estar atrás de mim, quando me virei e me deparei com Sesshomaru Taisho, percebi que meus instintos eram quase tão perfeitos como o do Homem Aranha.
- As senhoras e senhoritas são pagas para serem uteis a essa empresa e não a uma revista de fofoca. Caso não gostem de seus empregos, vão até a minha sala e farei a rescisão do contrato pessoalmente.
Eu nunca havia visto tantos pedidos de desculpas e pessoas se afastarem tão rapidamente. Soltei um suspiro aliviada e segui para a minha mesa, mas no meio do percurso senti um peso em meu ombro, virei o rosto me deparando com Senhor Sesshomaru.
- Venha-te a minha sala.
Engoli em seco e o segui até sua sala. Com certeza serei repreendida por causa aquela algazarra. Mas a culpa não foi minha, elas que não estavam me deixando ir trabalhar.
Ao entrar na sala meu olhar foi para estante, como de costume, entretanto, desde aquela noite em que vi as notas feitas pelo Senhor Sesshomaru nos livros que eu havia escrito, sempre que a estante entrava em meu campo de visão, sentia um sorriso em meus lábios, era instantâneo, ele surgia sem dar prévio aviso. E junto com o sorriso me vinha uma sensação estranha no peito, meu coração acelerava. Só a uma resposta para isto:
Estou amando a estante de livros do meu chefe.
- Sente-se. – Falou Senhor Sesshomaru.
Sempre tenho medo quando ele me manda sentar. Mas engoli o medo, juntei minha coragem e me sentei.
- Eu fiz anotações. – Ele começou a falar. Notei que sua mesa estava bagunçada, com livros e papeis espalhados por ela, nunca havia visto daquela forma. – Aqui estão. – Ele me entregou. – Preciso que você faça pesquisas sobre essas empresas. Anotei tudo que preciso. – Ele se inclinou pegando um livro. – Leia o capítulo quatro desse livro, você vai precisar desse conhecimento.
Esperei que ele voltasse a falar, afinal sempre que ele terminava um assunto, me manda expressamente para fora de sua sala. Levou quase um minuto para ele voltar a falar, acho que ele havia esquecido que eu estava ali enquanto lia alguns papeis em sua mesa. Ele estava cansado, era palpável seu cansaço, suas olheiras não deixavam duvidas, eu sabia que estávamos lidando com uma fusão com outra empresa, mas nunca imaginei que aquilo poderia afetar Sesshomaru Taisho daquela forma.
- Eu enviei um email para você com alguns gráficos, analise eles também. Quando sair peça para Tomoyo vir até aqui.
- Sim senhor. – Falei me levantando. – Com licença.
- Só mais uma coisa. – Me virei para encará-lo. – Aqui não é uma agencia de encontro. Pare de trazer seus namorados para esta empresa.
- Eu nem tenho namorado, senhor Sesshomaru. Ele é apenas um amigo que veio ao Japão com a esposa e o filho para passar as férias, me convidou para almoçar, mas quando voltei, fui abordada na recepção.
- Sem desculpas, pare de atrapalhar no rendimento desta empresa.
Soltei um suspiro e acenei afirmativamente com cabeça, me retirei da sala antes que comprasse aquela briga.
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Era um pouco estranho ver meus amigos em minha casa, como nos velhos tempos em que nos reuníamos para jogar conversa fora. Haviam mais pessoas ali, como os maridos de Yuka e Eri e a esposa do Tatsuo junto com o filho deles. Contudo, os outros ali presente, haviam estudado comigo e era muito bom ver que nossa amizade apenas aumentara com o passar dos anos. Eu poderia ter ficado muito brava com o Tatsuo por ele ter usado a minha casa para a reunião sem me consultar antes, mas eu não fiquei, na verdade, amei ver todos ali, bebendo refrigerantes e comendo bobeiras enquanto tiravam sarro do novo casal da turma.
Exatamente, Yuri e Rin finalmente eram um casal.
Ela possuía um sorriso bobo nos lábios enquanto discutia com ele sobre o refrigerante diet ser mais prejudicial à saúde do que o natural. Yuri defendia a tese de que o natural engordava mais e Rin a de que até mesmo os nutricionistas desaconselhavam beber o diet. No final a discussão foi encerrada por Sango que disse que na duvida era melhor ficar com a boa e velha água, Miroku gritou que sua mulher era um gênio e todas as mulheres ali presentes jogaram almofadas nele, afinal, Hisao estava dormindo em meu colo.
Aquele ditado de que filho a gente só aguenta o nosso, é totalmente incabível quando se trata de bebês, pois você gosta de ficar com um bebê no colo, fazer carinho, fazê-lo rir, agora, experimente ficar cuidando dele vinte e quatro horas por dia, trocar fraudas, aguentar as noites sem dormir. Definitivamente quando se trata de bebês, é mais ficar com o dos outros, pois eles que ficam com a parte chata dos cuidados.
Hisao é perfeito, não dá um pingo de trabalho, ficou brincando com uns cubos de pelúcia que seu pai havia lhe trazido e quando sentiu sono subiu no sofá pegando a chupeta com a mão e deitando a cabeça em meu colo. Euan – esposa do Tatsuo – dizia que eu tinha muito tato com crianças, já o Riko – marido da Eri – dizia que tinha cara de uma criança assim como a personalidade de uma. Isto rendeu o tema:
"Os seios fartos de Kagome, que prova que ela é mulher e não criança"
Abordados por Miroku, Tatsuo e Yuri. O engraçado que mesmo não sendo meus amigos de infância como os outros três Riko e Shou – o segundo é o marido da Yuka – participaram da conversa. Nos mulheres resolvemos ignorar a existência desses homens idiotas. Nos concentramos em Ayumi que teve a infelicidade de atender a ligação de um homem na nossa frente. Após alguns cutucões de Rin e um tapa de Sango por causa do grito de Ayumi – Hisao ainda estava dormindo. – ela confesso que estava saindo com um colega de trabalho.
Lindo, maravilhoso. A não ser pelo fato que todos os olhares se voltaram para mim.
Meu sangue gelo, meu coração falhou em batidas, o meu suor desceu queimando pela minha testa que estava gelada. Senti em intimo que aqueles olhares não eram coisa boa.
Deus, como eu estava certa.
- O fato da Ayumi estar saindo com Alguém, isto lhe torna a única solteira no grupo, Kagome. – Comentou Sango.
- Perfeito, não tenho maiores gastos no natal ou outra data comemorativa.
- Não esta interessada em ninguém? – Perguntou Tatsuo com um sorriso ensaiado para conseguir conquistas. Conheço aquele sorriso, foi o que ele usou para conseguir um encontro com a Euan.
- Não.
- Nem uma paixãozinha? – Perguntou Miroku.
- Não.
- Nem por mim? – Questionou Yuri.
- Por você sempre meu bem.
Yuri estufou o peito e cutucou Rin com o cotovelo, e com uma voz de galã de televisão que tem razão sobre alguma coisa ele disse:
- Viu só amor, ela esta apaixonada por mim.
- Oba, podemos fazer a nossa orgia a três a qualquer momento. – Respondeu Rin apertando a mão sobre o ombro dele, em uma forma de compreensão ainda mais falsa que aquela voz que ele havia usado.
Rolei os olhos diante aquela cena patética. Esses dois se merecem.
- Falando serio. – Começou Riko, seus olhos negros percorreram a sala e pararam em mim, me analisando por um instante, passando a mão sobre o cabelo castanho escuro jogando os fios que estavam sobre o olho para trás ele continuou: – Você é linda Kagome, aposto que deve receber muitos convites para sair.
- Não recebo.
- Kagome, saia comigo! – Ouvi Shou de supetão, arregalei os olhos junto com Yuka que fez uma careta de "como assim?" para o marido. Ele arregalou os olhos verdes quando recebeu um tapa de Yuka o mandando parar de trair ela, em seguida Shou coçou a nuca arrepiando a parte de trás de seu cabelo castanho claro e com um sorriso sapeca continuou: – Desculpa querida, mas os homens estão sendo idiotas em não convidar a Kagome para sair, preciso salvar a minha espécie.
Ri com a lógica infundada de Shou, ele era uma peça rara.
- O problema deve ser os japoneses. – Comentou Euan. – Venha passar um tempo na Coréia conosco Ka, que eu aposto que logo terá um namorado.
- Nem que seja eu o namorado. – Falou Tatsuo fazendo todos rirem.
- Mas você é japonês. – Lembrou Euan.
- Amor, a gente já conversou sobre essa sua mania de destruir os meus sonhos.
- Sonhe comigo e o seu filho, deixe a Kagome encontrar um lindo coreano em paz. – Ela apoiou a mão sobre o meu ombro. – Conheço alguns que muito muita lhe agradaram.
- Dá o seu ex para ela, assim ele para de vir atrás de você. – Sugeriu Tatsuo, notei um tom de desagrado em sua voz.
- Pena que não posso sugeri uma de suas ex.
- Ei, se forem brigar, saiam da minha casa. – Falei antes que uma discussão se iniciasse, conhecia bem o gênio dos dois. E o ciúmes incontrolável de ambos, graças a Deus que Euan não sente ciúmes de mim. Mesmo se sentisse eu ia dar uns tapas nela, fui eu que apresentei os dois!
- E eu aqui pronto para gritar, fight. – Comentou Riko.
- Grita, e eu lhe soco. – Respondi rispidamente.
- Ela se importa com minha integridade física. – Falou Tatsuo.
- Quero que se dane sua integridade, não quero que acordem o Hisao.
- Alguém tem cola para eu juntar os cacos da minha cara?
A sala foi preenchida por risadas, me senti aliviada por eles terem esquecido o fato deu ser a única solteira ali.
- Não tem ninguém mesmo, Kagome? – Questionou Yuka.
Eita felicidade momentânea me pergunta se ela esteve mesmo aqui.
- Não.
- Mentira! – Falou Rin chamando atenção de todos a ela. – Meu pai disse que o Nick está muito interessado em você.
- Quem é Nick?
- Nicholas Parker, ele trabalha com o meu pai.
- Tem foto dele Rin? – Perguntou Ayumi.
- Sim. – Ela respondeu pegando o celular, notei um olhar enfezado de Yuri para ela. Ciumento. – Aqui.
- Uou. – Falou Ayumi, o celular foi tomado dela por Yuka.
- Ulala.
- Quero ver. – Anunciou Sango se levantando, mas Miroku a puxou para se sentar, foi quando ela deu um tapa em seu ombro e foi até as meninas. – Nem vem querer ser ciumento, você não tem moral para isto Miroku Hoshi... mamãe, que Deus Grego.
- Ele nem deve ser tão bonito assim. – Comentou Shou pegando o celular. – Hum... me sinto feio.
- Você é feio. – Respondeu Riko pegando o celular. Eri se apoiou nele para ver a foto, mas antes que ela pudesse ver, a mão de seu marido encobriu seus olhos.
- Eí!
- Eu te amo, não vou correr riscos.
- Como vocês são exagerados. – Falei com descaso. Era verdade que o Senhor Parker era lindo, mas se fosse analisar pelo quesito beleza, o Senhor Sesshomaru ganhava de lavada.
- Você não está dando moral esse homem? – perguntou Yuka.
- Ele é legal, mas não sinto nada por ele.
- Como assim? Ao menos desejo tinha que sentir. – Questionou Ayumi inconformada.
- Eu não tenho tempo para essas coisas.
- Todos temos tempo para o amor. – Falou Yuri.
- Que lindo, vou usar isso em um livro. – Respondi com desdém.
- Bom, se for comprar meu irmão com o Nick... o meu irmão ganha. – Comentou Rin. – E eu estou sendo coruja.
- Vamos ver se não. – Falou Sango mexendo no celular de Rin. – Cadê ele?
Rin se aproximou de Sango pegando o celular, entregou a ela alguns segundos depois.
- Certo, você não estava sendo coruja.
- Desculpa Rin, mas seu irmão é um saco. – Comentou Yuri.
- Ele é um fofo!
- Em que planeta?
- Como ousa falar assim do meu irmão?
- Se vão brigar, saiam da minha casa. – Falei rispidamente.
A conversa sobre a minha falta de vida amorosa perpetuo por longas horas, estava quase entrando em depressão quando Tatsuo anunciou que estava indo embora e me tirou Hisao do colo, senti vontade de me agarrar ao bebê falando que era meu, mas por hora deixei que seus pais biológicos o levassem embora. Logo minha casa estava vazia, fui à cozinha e tomei um pouco de água, quando voltei à sala observei o jogo de sofá e a televisão plasma pendurada na parede. Acho que ficar abordando o assunto daquela forma e ainda vendo tantos casais felizes me fez pensar que seria legal ter alguém, ao menos depois de encontros assim, eu não ficaria me sentindo tão solitária.
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Meus olhos ardiam de tanto ler. Recostei no encosto da cadeira me espreguiçando, aquele era o vigésimo contrato que havia lido hoje e ainda faltava fazer as pesquisas que Senhor Sesshomaru havia marcado no verso da primeira página. Massageie o meu ombro direito, em seguida o esquerdo e voltei ao trabalho. Era muito tedioso e complicado fazer aquilo, mas eu entendia o motivo, uma fusão era algo que poderia ser feito com qualquer empresa e de forma displicente, era necessário cautela. Pela primeira vez concordava com todas as anotações que o Senhor Sesshomaru havia feito e ainda os recados de ler com atenção certas cláusulas do contrato social. Até mesmo os pedidos de pesquisas sobre ações judiciais e extrajudiciais eu pesquisava de bom grado.
O meu ultimo mês na Corporação Taisho estava sendo resumido naquele serviço de pesquisa sobre as empresas que estavam sendo cotadas para participar de uma fusão com esta. Eu não possuía os detalhes sobre o que estava havendo, eu só sabia que precisava unir toda a pesquisa possível e selecionar as melhores entre as melhores. Uma tarefa muito cansativa, diga-se de passagem.
Tomoyo estava na mesma situação do que eu, havíamos dividimos algumas tarefas como de marcar compromissos e atender o telefone para conseguirmos selecionar as empresas mais qualificadas. O que me deixava desanimada é que depois desta seleção, havia outra mais complexa, na qual seria escolhida as cinco empresas que fariam parte da fusão. Foram duas semanas até eu chegar nesse contrato em minhas mãos, o qual era um dos últimos, graças o nosso bom e generoso criador.
Com um longo suspiro me voltei para o computador, começando a pesquisa sobre os antecedentes jurídicos daquela empresa. A parte mais chata. Mas eu prefiro começar pela parte mais chata para me livrar dela de uma vez por toda. As pessoas geralmente ficam empurrando o trabalho chato para ser feito depois, eu acho isso uma idiotice, pois com esta atitude acontece o acumulo e quando se da por si, você esta com muitas coisas para fazer a maioria dela você preferia morrer do que fazer. Por isto eu gosto de já me livrar, assim nunca fico com nada acumulado e nem entro em desespero quando meu chefe me cobra algo de supetão.
- Tomoyo, Kagome. Venham em minha sala.
Nos duas nos voltamos para o Senhor Sesshomaru que já estava entrando em sua sala, após uma troca de olhares, a gente o seguiu fechando a porta ao entrar. Ele fez um sinal para que nos sentássemos.
- Preciso entregar os contratos para o meu pai essa segunda-feira, como estão as classificações?
- Ainda estamos na primeira etapa, Senhor Sesshomaru. – Respondeu Tomoyo.
Ele soltou um suspiro massageando a própria testa com as pontas do dedos, em seguida deslizou a mão pelo rosto raspando as unhas pela barba rala. Ele estava com a barba sem fazer, aquilo só poderia significar que aquela fusão realmente era muito grandioso.
- Nesse ritmo não vou conseguir elaborar os contratos a tempo. – Ele falou mais para si mesmo que para nos duas. – Não vejo outra alternativa a não ser ajudar vocês duas. Após o expediente de hoje fiquem na empresa, vou levá-las comigo até a minha casa, vamos terminar essas classificações.
- Senhor Sesshomaru...
- Não se preocupe Tomoyo, lhe darei um atestado para a faculdade e pagarei uma bonificação para as duas.
Impressão minha ou ele estava sendo gentil?
Eí, por que ele é gentil quando a Tomoyo esta junto?
Isso é perseguição!
- Podemos nos retirar? – Perguntei, minha voz saiu um tanto ríspida, não entendi o motivo na hora, e nem me preocupe em pensar sobre o assunto. – Preciso concluir a pesquisa das empresas Rosty.
- Claro, podem ir. – Ele falou voltando atenção para os papeis em sua mesa.
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Ali estávamos nos três observando os documentos na mesa de jantar da casa da família Taisho. As folhas estavam espalhadas por ela junto com livros de finanças pertencentes ao Senhor Sesshomaru, assim como dois notebook que Tomoyo e eu estávamos analisando o faturamento das empresas selecionadas para a segunda etapa da classificação. Depois disso, íamos fazer os documentos, mas quanto a isto não tenho certeza se será feita essa noite. Só a primeira etapa levou horas.
- Senhor Sesshomaru. – Ouvi Tomoyo, chamando minha atenção e a do único homem naquela mesa. – Eu já terminei de analisar a empresa Nakymura, está muito tarde, posso ir para casa?
Ele olhou no relógio do pulso e em seguida passou a mão pelo rosto em um gesto cansativo.
- Tudo bem.
- Com licença, boa noite Kagome.
Sorri respondendo ao cumprimento enquanto ela arruma suas coisas, com um tímido "boa noite" para o Senhor Sesshomaru ela se retirou, seguindo para sua casa. Espreguicei-me e voltei a analisar as planinhas, apenas conferi os números em seguida peguei o notebook que Tomoyo estava usando, juntei nossas empresas e apanhei alguns livros de finança lendo rapidamente a introdução sobre fusão em seguida pulei para vantagens e desvantagens. Haviam anotações a mão em todos os livros, eu conhecia bem aquela letra, era um habito do dono dela de fazer anotações em tudo em que lê, para ser sincera, isto estava me ajudando muito para entender aqueles termos e teorias estranhas.
Eu estava tão compenetrada na leitura que nem ao menos notará que Senhor Sesshomaru sentará ao meu lado, na verdade, apenas tomei ciência desse fato quando ele fechou o livro que eu lia.
- Está tarde, vá para sua casa.
- Não estou com sono. – Respondi pegando o livro que estava sob sua mão. – E quanto mais adiantarmos melhor será, correto?
Ele estreitou os olhos, não se estava confuso ou nervoso por eu ir contra o que ele havia falado. Enfim, não me importo, apenas voltei analisar os documentos.
Lembro que uma vez o Senhor Taisho me disse que eu era viciada em trabalho. Isto não é verdade, eu apenas gosto de terminar o que comecei, meu senso de responsabilidade é muito intenso. Lembro que na época do colégio eu ficava carregando vários exemplares de livros para estudar. Ficava tão estressada que até mesmo a Sango, que é a calma encarnada em pessoa – quando não tem a mão boba do Miroku envolvida no assunto -, me mandava para o inferno e falava que só voltaria a falar comigo quando as provas terminassem. Isto é um características minha, quando faço algo, quero fazer o melhor possível. Se posso fazer de maneira impecável, por que vou fazer de maneira desleixada?
- Eu disse para ir embora. – ele repetiu rispidamente.
- O senhor não acha que esta não esta muito fora dos padrões? – Falei desviando do assunto entregando algumas folhas para ele que após rolar os olhos voltou atenção os dados contidos ali.
Ele ficou em silêncio lendo os papeis, era estranho observá-lo lendo. Eu já observei muitas pessoas lendo e sempre consegui dizer se estava gostando ou não do que liam apenas pelas suas expressões faciais, contudo, o Senhor Sesshomaru não demonstra qualquer reação. Seu rosto se mantém com a mesma expressão fria, é impossível deduzir o que ele estava pensando e isto me intrigava.
- Essa com certeza, não. – Respondeu por fim escrevendo um "não" no cabeçario.
Voltei a observar os documentos, foi quando um barulho chamou minha atenção, voltei minha atenção para a entrada da sala de jantar notando que Rin estava parada ali, com uma careta que demonstrava toda a sua incompreensão.
- Por que vocês dois estão juntos aqui?
- Trabalho. – Respondeu o Senhor Sesshomaru simplesmente.
O olhar de Rin foi para mesa e depois voltou para nós dois, ela rolou os olhos balançando a cabeça parecendo descrente.
- Não acredito que estão trabalhando até essa hora.
- Você chegou agora?
- Como?
- Você não esta usando pijama. Chegou agora?
- Ai, que sono. – Ela ensaiou um bocejo. – Boa noite crianças, não trabalhe demais.
- Rin?
Ela saiu a passos largos enquanto o irmão se levantava. Eu esperei que ele fosse atrás dela e a obrigasse a falar a onde estava até aquela hora, mas em vez disso ele me olhou, e pude notar raiva em seu olhar.
- Isso é culpa sua.
- Minha? Desculpe mas eu nem estava com ela.
- Mas aposto que aquele tal de Yuri estava.
- É o namorado dela, qual o mal dela ter saído com o namorado?
- Eles estão namorando?
Opa falei de mais. Tentei remediar a situação procurando puxar o senso de responsabilidade dele a tona.
- Senhor esta antiético misturando os assusto pessoais com os profissionais, precisamos dos contratos para segunda, esqueceu?
Ele estreitou mais ainda os olhos eu senti minha testa gelar de medo. Em seguida se sentou voltando atenção para os documentos. Soltei um suspiro aliviada e nos dois ficamos ali por mais algumas horas, na verdade, ambos só fechamos os livros e desligamos os notebook quando terminamos a seleção das empresas, agora era só fazer os contratos.
- Quatro e meia. – Eu falei olhando o relógio do meu iphone. – Vou indo para minha casa.
- Melhor dormir aqui hoje.
Encarei o meu chefe, eu havia ouvido direito?
- Você é amiga da Rin, qual seria o problema em dormir no quarto de hóspedes na frente do quarto dela?
- Obrigada pela oferta, mas eu vou para casa.
- Pelo fato do seu celular não ter tocado nenhuma vez, isso significa que não tem ninguém na sua casa lhe esperando.
Joga na cara, cretino.
- Eu prefiro dormir na minha cama.
- Ela é feita sob encomenda?
- Não... é um futon, na realidade.
- Nossas camas são feitas sob encomenda, meu pai gosta de oferecer conforto a todos, incluindo as visitas.
- E quando eu me tornei visita?
- Desde que se você dormir ao volante e morrer, Rin me culpará pelo resto da vida. – Ele se levantou e segurou o meu braço me levando com ele. Quando dei por mim estava no quarto com a porta fechada. Decide me dar por vencida dessa vez e fui para cama.
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Era estranho, eu admito. Não era como se eu estivesse na casa de uma das minhas melhores amigas, na verdade, a realidade ali transmitida era totalmente desconexa a aquela que eu havia me acostumado.
Por que diabos não fui para minha casa?
Por que essa anta que subscrever não sabe responder a pergunta acima?
Tudo bem, talvez o meu coração seja puro demais para negar fazer tal caridade.
Olhei o homem ao meu lado que apertava a caneta contra o queixo completamente compenetrado aos gráficos que eu havia terminado de fazer a poucos minutos. Seus olhos dourados estavam opacos por causa do cansaço.
Cansaço adquirido pelos últimos dois dias que foram resumidos em terminar as classificações das empresas e começar os documentos. Hoje à tarde na empresa Tomoyo e eu conseguimos fazer dois contratos, contudo, ainda faltavam quatro. Para ser sincera pensei que seria simples redigir aqueles documentos, afinal, era apenas uma fusão. Só que por ser uma fusão, isso significava contratos melhores elaborados e cuidados excessivos.
O Senhor Sesshomaru deixará claro que era melhor pecar pelo excesso de cuidado do que pela falta desse. Isto resultou em mais pesquisas e analises minuciosas nas cláusulas, as quais não poderiam parecer abusivas, sendo consideradas assim nulas, tão pouco flexíveis o suficiente para que a outra empresa enriquecesse sob o patrimônio da Corporação Taisho, sendo totalmente inútil a esta e ainda impossível de rescisão contratual sem grandes dores de cabeça.
Faltavam quatro contratos, sendo que o prazo final era essa segunda-feira – estamos na sexta-feira – e eu não havia consigo ir embora, na verdade, fiz mais café e fui para sala do meu chefe com uma caneca para este (sem pimenta no café, apesar da idéia de colocar tenha me sido tentadora), sentei e perguntei qual seria a empresa iríamos redigir o contrato. Ele ficou surpresa, apesar de ter se recomposto rapidamente.
Tudo bem, eu sei que não tenho obrigação nenhuma em ajudar o cretino a terminar os documentos a tempo. Até mesmo a Tomoyo que era extremamente responsável com seus afazeres e fiel ao chefe não havia ficado para ajudá-lo.
Por que eu, a idiota que ele sempre faz cretinice teria que ficar?
Repito, o meu coração deve ser muito puro e ter um fraco por caridade. Na verdade sou neta de um sacerdote. Ou seja, minha boa alma tem de onde ser originada. Apesar de quem vovô é uma das pessoas mais esquisita de que eu conheço, e um pouco malandro também. Vender aquelas bugigangas jurando possuir grande poder espiritual. Mas ficar divagando sobre meu avô e suas lorotas não é interessante.
Soltei um suspiro voltando minha atenção ao notebook. Observei seu relógio, eram quase duas da manha. Estávamos terminando o quarto contrato. Para ser sincera a forma em que Senhor Sesshomaru lê rapidamente os tópicos que são de maiores relevâncias e após dita de forma quase que mágica construindo frases que me fariam chorar de emoção como escritora. Simplesmente me encantava. E assim, lá estava mais uma característica dele, uma que eu considerava qualidade, a facilidade em colocar em palavras seus interesses e obrigações sobre aquele determinado assunto que estava tratando. Era quase mágico esse dom dele. Eu mesmo possuía muita dificuldade em deixar as clausulas claras, já ele fazia aquilo de forma tão... Cretino, quero esse dom!
- Deixe-me ver como está o contrato. – Ele falou me assustando, acho que essa mania de assustar era de família, Rin era igualzinha.
Virei o notebook para ele, que o puxou para mais perto. Levantei para esticar as pernas. Eu deveria ser mais perversa, deixar que ele se lascasse com os documentos... que pensamento mais mesquinho.
Mas que ele merecia isto é fato. Incontestável!
- Com este, temos quatro. – Ele falou se recostando no encosto da cadeira fazendo-a ranger. Coçou o olho esquerdo com o nó do dedo indicado esquerdo. – Por hoje chega.
- Que horas venho amanha para terminarmos os dois últimos?
- Eu terminarei sozinho. Você não recebe para vir a empresa nos finais de semana.
- Minha pergunta não abrangia salário, Senhor Sesshomaru. – Ele ergueu a vista para mim estreitando os olhos. o que não o deixou ameaçador como sempre acontecia, não daquela vez, já que ao fazer isto, seus olhos estavam quase fechados, deixando claro que ele precisava dormir. Urgentemente.
- Está interessada em mim, Senhorita Higurashi?
Pisquei algumas vezes e esperei alguns segundos – com a boca aberta, parecendo uma boboca – que ele se levantasse e gritasse:
- TE PEGUEI!
Mas isso não aconteceu, portanto ri, ou melhor, gargalhei com a mão direito sobre minha barriga, acho que meu apêndice vai estourar de tanto que estou rindo.
- Do que esta rindo? – Ele perguntou rispidamente.
- De você. – Respondi sinceramente. – O senhor deveria ser comediante, me conta outra piada, mas se esforce, pois precisa superar esta.
Muito bem, ele sabe se teletransportar, é a única teoria cabível ao fato de um momento o Senhor Sesshomaru estar sentado e no outro em pé centímetros de distancia de mim.
- Rindo, de mim? – Ele perguntou rispidamente.
- Claro, o senhor contou uma piada. Eu só pude rir.
- Piada?
- Sim. Pois eu me interessar pelo senhor, é improvável, assim como o óleo se misturar com água.
As coisas estão estranhas essa noite.
Primeiro: eu fico para ajudá-lo, abusando até mesmo da bondade de meu coraçãozinho.
Segundo: o meu chefe arrasta para fora de sua sala e fecha a porta na minha cara.
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Kagome Higurashi, você me envergonha.
Pare de pensar em como é complicada a elaboração daqueles documentos. Você não tem obrigação nenhuma em ajudar aquele ranzinza que fica delicioso em terno. O que eu estou pensando? Ele não é delicioso. Alias isto soa como se eu quisesse comer ele. E não no sentindo pervertido da palavra.
O final de semana é meu, eu não vou desperdiçá-lo ajudando aquele ingrato presunçoso.
A onde já viu.
Ficar todo irritadinho por que ri de sua presunção.
E se ri a culpa é dele de ficar falando asneiras. Em que planeta eu me apaixonaria por aquele cretino?
Certamente não nesse que vivemos.
Ele é tão arrogante e prepotente que chega a me enojar, não vou ajudar com os documentos, se quer fazer o resto sozinho, o problema é dele. Que se mate de tanto trabalhar, estou me lixando. Afinal, por que eu me importaria? Ele só tem sido cretino comigo desde que nos conhecemos e se me conheço bem, não tenho tendências masoquistas, exceto quanto se trata do meu amor bandido para com os meus amigos.
As duas ultimas empresas eram as mais complicadas, lembro que foram deixadas por ultimo exatamente por se tratar de serem mais trabalhosas.
Será que ele vai conseguir terminar sozinho a tempo?
EU ME ODEIO!
KAGOME SUA BURRA!
Peguei o iphone e liguei para Rin. Sim, essa retardada ia atrás de Sesshomaru Taisho ara ajudá-lo a terminar os contratos. Eu sou uma idiota, deveria deixar ele se lascar, entretanto não consigo. Ao vou conseguir parar de pensar sobre o assunto, por isto, melhor ir logo ajudá-lo e ter paz espiritual.
"- Alô?"
- Rin, seu irmão está em casa?
"- Qual deles?"
- Quem poderia ser?
"- Inuyasha mora em..."
- POR QUE EU IRIA QUERER SABER DO SEU OUTRO IRMÃO, SUA ESTÚPIDA?
"- NÃO GRITA COMIGO, SUA VADIA!"
- Mas você é uma idiota, é lógico que estou perguntando do Sesshomaru.
"- Sério? Do jeito que você fala e descreve ele no drama, achei mais fácil você querer saber do Inuyasha."
- Responda a minha pergunta.
"- Ele não dormiu em casa... por que?... ei?... Kagome?"
Desliguei e fui para o banheiro, após escovar os dentes e localizar minha calça e tênis, segui para estacionamento do prédio em direção meu carro, eu simplesmente não poderia acreditar que ele não havia ido para casa ainda, já passa do meio dia.
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Finalmente descobri a finalidade do sofá na sala do Senhor Sesshomaru. Tal descoberta era decorrente do fato dele estar deitado neste, usando seu palito como travesseiro. Ele estava em um sono pesado e pela primeira vez vi uma expressão serena em sua face. Voltei minha atenção para sua mesa, o notebook estava ligado na tomada sobre seu teclado estava um maço de folhas, segui até lá as colhendo. Era um resumo dos contratos, voltei minha atenção para janela fechando a cortina deixando o local o mais escuro possível, em seguida sentei na cadeira que ocupava na noite passada – achei um falta de respeito sentar na cadeira do meu chefe, mesmo que este estivesse dormindo no sofá. – e comecei a redigir o que estava descrito nas folhas. Constantemente precisava procurar por algum gráfico no outro computador ou então de relatórios impressos, aqueles resumos eram uteis mas não resolviam todos os meus problemas na elaboração.
Eu realmente tenho problemas mentais, não há como uma pessoa ser tão boa com alguém que sempre a tratou mal. Mas que posso fazer é o meu jeito, talvez por ele não estar com essa aparência tão abatida eu não teria me comovido e vido ajudá-lo. Todavia, as olheiras, o desanimo, a falta de cretinice causal. Tudo aquilo deixava claro que ele estava exausto. Eu não sou o tipo de pessoa que chuta a costela de alguém que já está caído.
Meu olhar escorregou para onde o meu chefe estava. Dormindo ele até legal.
Voltei minha atenção para o notebook, mas logo meu olhar seguiu para estante de livros, senti meu coração acelerar, respirei fundo e balancei a cabeça.
Desista, a estante não vai te corresponde, trabalhe!
Uma teoria aceitável por eu estar ali novamente trabalhando, de muito boa vontade, deve ser por causa de que também sou uma viciada em trabalho, não gosto de deixar as coisas pela metade e não terminar aqueles contratos, certamente seria algo deixado pela metade.
Isso!
Essa é a resposta, eu sou uma viciada em trabalho, preciso terminar esse serviço para ter paz interior. Não é por causa do Senhor Sesshomaru em si, mas sim por mim mesma.
Preciso de ajuda especializada.
Será que existe a Associação dos Trabalhadores Compulsivos Anônimos?
Soltei um suspiro notando que havia escrito apenas dois parágrafos.
Pare de divagar sua toupeira, trabalhe e vá embora logo.
Duas horas e meia, depois eu estava na metade do contrato. Como isto é chato de fazer. Eu não sou He-Man, mas tenho a força. Certo, isso foi ridículo. Apoiei meu rosto sobre minha mão observando à estante novamente. Estava tentada ir até os livros que havia escrito e ler todas as notas novamente. Ou furtá-los enquanto meu chefe dorme.
- O que você está fazendo aqui?
Aquela voz grossa perto do meu ouvido me fez jogar a cabeça para trás e me levantar, foi quando vi Senhor Sesshomaru com a mão sobre o nariz com o mesmo olhar frio de sempre me encarando.
- Vim ajudar a terminar os contratos.
- Não pedi sua ajuda.
- Eu sei.
- Vá para casa.
- O senhor está com mau hálito.
Ele balançou a cabeça um tanto confuso, e seguida por puro instinto deu uma baforada na própria mão deixando ela próxima ao nariz. Com todo meu alto controle evitei rir quando o vi seguir para o banheiro de sua sala. Sabe, aquilo era luxo e tanto, os grandes executivos não precisavam usar o banheiro dos funcionários.
Quando ele voltou estava usando outra camisa social, calçou o sapato e saiu pegando as chaves do carro e a carteira da gaveta da mesa sem falar nada.
Ignorei e voltei ao trabalho.
Mais alguns parágrafos escritos e o Senhor Sesshomaru retornou a sala afastando as folhas colocando algumas sacolas sobre a mesa. Mexeu nelas retirando duas latas de café, entregou uma a mim, em seguida voltou a vasculhar a sacola pegando um pão de yakisoba e se dirigiu para sua cadeira começando a comer.
- Não manche os papeis. – Foi à única coisa que ele disse.
Eu não entendi na hora, e levei muito tempo para compreender o que ele queria aquela atitude, que na verdade era muito simples, pois era a sua forma de dizer:
- Obrigado.
