Capítulo IX – Até que ele não é tão mau assim.

Olhei o relógio no canto do notebook enquanto Senhor Sesshomaru caminhava pela sala compenetrado em seus próprios pensamentos. Seis e meia da tarde, ao menos estávamos terminando o ultimo documento, finalmente. Aquele maldito contrato estava sendo mais complicados que os outros por culpa das cláusulas especiais que tratavam dos impactos ecológicos. Eu não havia entendido muito bem o motivo daquelas cláusulas para aquela empresa enquanto que as outras o tema não havia sido tratado de forma tão tácita. Entretanto se o Senhor Sesshomaru acreditava que precisava cuidar daquela forma especifica quem era eu para discordar. Bocejei e estralei o pescoço esperando meu chefe voltar ao ditado, contudo ele se sentou em sua poltrona em silêncio apanhando um bloco que notas a onde eu havia anotado os tópicos do contrato.

- Lei o contrato para mim.

Fiz o que ele pediu, na primeira clausula, ele me interrompeu entregando uma anotação, apaguei a cláusula e a redigi novamente usando aqueles novos termos no papel. Em seguida meu chefe me entregou um livro pedindo para que eu encontrasse os artigos que tratavam da responsabilidade dos sócios em caso de descumprimento do contrato. Empurrei o notebook e comecei a leitura do índice procurando o capítulo que tratava daquele tema em especifico.
Estávamos tão envoltos em nossas leituras que nem ao menos notamos a porta ser aberta e por ela passar o Senhor Inu Taisho, que ficou nos observando por alguns minutos até falar:

- Que coisa linda, dois maníacos por trabalho passando o sábado juntos fazendo o que mais amam.

Achei estranho não dar um sobressalto de susto com o Senhor Inu Taisho falando de forma tão repentina, normalmente eu teria me assustado, mas dessa vez apenas dei de ombro resmungando um:

- Algum problema, senhor? – Sem tirar os olhos do livro.

- Na verdade não. Vim aqui pois minha filha disse que o irmão havia sido tragado pela terra. – Desviei o olhar do livro para o Senhor Inu por culpa de um flash, notando uma maquina de fotografia digital em sua mão. – Com esta foto mostrarei a minha pequena que o irmão dela foi tragado pelo trabalho e não pela terra.

Rolei os olhos voltando atenção para o livro. Ouvi o Senhor Sesshomaru fazer algum comentário, mas não prestei atenção no que era. Passou alguns minutos e o Senhor Inu ainda estava parados nos observando. Para ser sincera eu estava começando a me sentir constrangida com o seu olhar em minha nuca.

- Kagome, quais as suas intenções com o meu filho? – Ouvi o Senhor Taisho pergunta repentinamente. Nem me dei ao trabalho de desviar o olhar do livro para lhe responder.

- As mais sérias possíveis.

- Realmente, assassinato é uma intenção séria. – Respondeu o Senhor Sesshomaru, ergui minha vista para ele. Aquilo era uma piada?

- Bom, vou deixar os dois terminarem o trabalho. Que maravilha, ter jovens que sacrificam o final de semana pelo trabalho me permitindo ficar em casa assistindo minha novela.

E com esse pronunciamento ele se retirou da sala, deixando meu chefe e eu sozinhos com nosso trabalho.

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Sinceramente eu pensava:

Terminado os contratos, final da dor de cabeça.

Grande engano.

Quando os contratos ficaram prontos o Senhor Sesshomaru saiu em viagem para visitar as matrizes das empresas que fariam a fusão, de acordo com ele, aquela era a ultima cautela para definitiva realização das negociações, ou seja, caso ele não goste do que ver nas empresas, o contrato terá sido feito em vão. Eu queria saber o motivo de tal cautela não ser tomada antes, e tudo que meu chefe respondeu foi:

- Com os contratos prontos não necessito voltar aqui para redigi-los e então encerrar as negociações.

Havia sentindo nisso, ele não faria duas viagens, apenas uma. Mas eu ainda estava indignada como possibilidade de um contrato ter sido feito em vão. Tudo bem, eu já havia entendido que uma fusão era algo sério, mesmo que empresa Taisho fosse a mais poderosa e ditasse as regras assumindo, de certa forma, a outra empresa. Não era como no Dragon Ball em que a fusão terminava em trinta minutos. Só que isso não vai me impedir de ficar fula da vida a cada contrato rejeitado.

Por incrível parecesse, dessa vez eu fui a primeira opção de viagem do senhor Sesshomaru. Exatamente, ele não me chamou para acompanhá-lo por conta da Tomoyo não poder ir, aliás, ela poderia muito bem ir já que nessa segunda havia entrado em férias da faculdade. Mas ele não a convidou para viagem. Sei disso pois a própria Tomoyo havia me confessado que não ele não mencionará nada de viagem para ela.

Sendo assim, aqui estou eu na capital de Okinawa, cidade de Naha. Diga-se de passagem, que cidadezinha mais quente! Meus órgãos estão fritando por dentro e o choque térmico do frio de Tóquio para esse calor fez com que minha garganta inflamasse. Ou seja, estou com febre. Entretanto isto não me impede de estar na empresa, não lembro o nome (minha cabeça doía, me de um desconto), fazendo anotações da reunião que presenciava. Eu poderia dar pulos de alegrias quando Senhor Sesshomaru assinou o contrato passando para os sócios desta empresa, encerrando assim a reunião. Eu queria a minha cama no hotel, mas sentia que não conseguiria ir embora tão cedo.

Bati em algo duro. Massageie meu nariz enquanto choramingava um "ai", ergui a vista para encarar um homem de cabelo prateados e olhos dourados. O meu chefe. Que peito duro ele tem, quase afundou o meu nariz.

- Esta distraída hoje.

Ele não falou tão alto, mas a cada letra pronunciada senti uma ponta dolorida em meu cérebro. Eu odeio ficar doente. Odeio ainda mais choque térmico. Por que aqui é um calor do inferno e na cidade que moro é um frio da porra?

- Desculpe, Senhor Sesshomaru.

Ele ergueu a sobrancelha esquerda me observando em seguida desviou o olhar para algum ponto que eu não estava com a mínima vontade de checar.

- Parece que o choque térmico não lhe fez bem.

- Estou mais acostumada com o frio.

- Tivemos um final de semana cansativo. Vamos para hotel.

Estreitei os olhos confusa, ele realmente ia para o hotel as duas da tarde? Isto me parece tão surreal quando um duende azul de bolinhas amarelos cantando "Dango Dango Dango Dango;

Dango no kazoku wa daikazoku"*.

Meu tempo para ficar divagando sobre atitude estranha de meu chefe foi interrompido por ele que segurou meu braço me levando até o carro. por um segundo me senti em um drama em que o personagem principal se preocupa com a mocinha, mas ao observar as olheiras do Senhor Sesshomaru constatei que ele apenas estava indo descansar, definitivamente aquele final de semana havia sido muito cansativo para ambos e com a viagem as cinco da manha de avião para Naha, apenas aumentará nosso cansaço.

Minha estranheza as atitudes daquele homem aumentaram quando ele estacionou na frente de uma farmácia e voltou alguns minutos depois com uma sacola de medicamente a colocando sobre o meu colo. O meu chefe foi possuído por alguma entidade divina, só pode. Será que consigo convencê-lo de parar em um templo?
- Não me faça me arrepender de ter a chamado para vir comigo nessas viagens. – Ele resmungou ao meu lado dando a partida no carro.
Talvez a entidade não seja tão boa assim.

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Provavelmente essas duas semanas foram às piores que tive na empresa, não por culpa do meu chefe, por incrível pareça, mas sim por causa da minha garganta, fiquei com ela doendo, sob medicamento, até me irritar quando voltei a Tóquio e notei que estava com febre alta e ir ao hospital – Yuri me levou – para tomar uma injeção e assim cortar o mau pela raiz. Não tão pela raiz assim, pois ainda fiquei mau durante a noite, Yuri dormiu em casa cuidando de mim. Ele é um fofo.

O meu mal estar não me impediu de viajar com o Senhor Sesshomaru. Realizei o meu trabalho com mais atenção haja vista que minha dor de cabeça me impedia de raciocinar devidamente. Foi um pouco estranho, não pelo fato de estar doente, mas sim pelo meu chefe não me encher de trabalho. Á ultima viagem que fizemos juntos ocorreu à declaração de uma guerra, mas nesta, houve paz total.

Quem diria que Sesshomaru Taisho tinha compaixão pelos enfermos.

Eu odeio ficar doente, por isto quando acordei me sentindo renovada na segunda-feira abracei Yuri e lhe dei um beijo estalado na bochecha. Ele disse que viria cuidar de mim mais vezes depois disto. Para ser sincera, não queria que minha última semana na empresa fosse fadada a uma garganta inflamada e febre alta. Eu ainda estava propicia a ficar de cama tremendo de frio e completamente sem voz, por isto me agasalhei bem para ir a empresa e me comprometi de não tomar nada gelado naquela semana. E é claro, tomar vitamina C até sexta-feira.

Sentando em minha mesa, o Senhor Hiroshiro me comprimento dizendo que aquelas duas semanas haviam sido muito monótonas sem a minha presença. Conheço aquele olhar pervertido e não gosto nada dele. Em seguida o Senhor Parker se aproximou perguntando se estava tudo bem, de acordo com ele, temia pela minha sanidade mental após duas semanas sozinha com o Senhor Sesshomaru. Disse que se eu precisar desabafar com alguém, a sala dele sempre estará com as portas abertas para mim. Ele precisava falar tão alto aquilo? De acordo com os olhares que todos me lançaram, provavelmente pensam que sou sua nova conquista. O olhar que me sentir os pêlos da nuca arrepiar foi do Senhor Sesshomaru, que apareceu magicamente ao lado do Senhor Parker mandando-me ir até sua sala. A época de trégua parecia que havia chegado ao fim.

- Sente-se. – Falou o Senhor Sesshomaru quando nos aproximando de sua mesa, ele ocupou sua cadeira me encarando, me sentei pronta para ouvir um sermão sobre como aquela empresa não é uma agencia de encontro, como se eu tivesse culpa do que o Senhor Parker fala. – Reconhece isto?

Ele empurrou um maço de folhas em direção, as peguei lendo "Kagome Higurashi" no primeiro parágrafo.

- É o meu contrato com a empresa.

- Sim, nele tem o prazo estipulado de seis messes. Isto me chamou atenção no inicio. Eu pai nunca havia feito um contrato antes de tão pouco tempo para uma secretária. Entretanto, quando a vi em minha casa com Rin, notei que ele poderia ter lhe dado uma oportunidade por ser amiga dela. Você é formada na Universidade de Tóquio em Letras, talvez fosse útil a empresa.

Por que ele estava falando isso agora?

Será que ele descobriu a verdade?

Será que a Rin deu com a língua nos dentes? Não, ela não faria isso.

Esperei que ele continuasse a falar.

- A Universidade de Tóquio é muito concorrida e por você ter passado na primeira prova que prestou e ainda concluído o curso com honra e mérito. Isto significa que é uma pessoa muito inteligente. Poucos conseguiriam tal façanha. Pelos contratos que redigi noto sua facilidade com as palavras. Você também facilidade em relacionamentos com as outras pessoas.

Ele está me elogiando?

- Por isto, estava pensando se você não gostaria de renovar o contrato com a Corporação Taisho.

- Renovar?

- Pense no assunto e me de a resposta no final de semana. Agora ligue para o inútil do Inuyasha.

Pisquei algumas vezes e levei alguns segundos para processar a ordem. Pedi licença e segui para minha mesa para fazer o telefonema ao Senhor Inuyasha Taisho. Eu nunca o vi pessoalmente, mas pela voz eu suponho que seja um homem alto e forte e também, muito grosseiro, ele sempre atendia o telefone com um "O que é, saco?".

Eu poderia ter entendi errado, mas o Senhor Sesshomaru me queria com sua secretaria. Eu não sei se fiquei feliz com isto ou assustada. Ele é sádico, deve ser um prazer imenso a ele transformar a minha vida em um inferno.
Para ser sincera fiquei inclinada a aceitar sua proposta, afinal, por mais que seja estressante e perturbador, vir a empresa se tornou parte de minha vida. Acostumei-me com o mau humor de Haruka que sempre nos lembrava de que aquele trabalho era muito serio. Do bom humor dos Senhores Kouga e Parker. Dos ataques de Débora que pedia demissão para o Senhor Parker todo dia, e ele simplesmente não aceitava, de acordo com ela, não agüentava mais a displicência do chefe. Principalmente sentirei falta de Tomoyo, ela tem sido uma boa amiga, sempre me ajudando quando pode, apesar de ser sobrecarregada de serviço como. Para se sincera, penso em como ela sofrerá quando eu sair daqui, afinal, ela fará a parte dela e a minha.

Soltei um suspiro surpresa por estar realmente ponderando sobre a proposta de permanecer na empresa. E suspirei novamente ao notar que realmente não sabia que decisão tomar.


*Essa música do anime Clannad.