Capítulo XII - Lugar privativo.
Eu poderia estar matando.
Poderia estar roubando.
Poderia estar vendo o meu corpinho em alguma casa de promiscuidade.
Mas não, estou trabalhando no roteiro de um drama que será produzido e dirigido por um grande amigo, Jakotsu.
Ou seja, um trabalho honesto e honrado.
ENTÃO PORQUE RAIOS OS DEUSES ESTÃO ME CASTIGANDO?
Alguém lá encima não gosta de mim, noto isto por conta dos fatos decorrentes desse mês.
Quando finalmente estava gostando do trabalho na empresa Taisho, meu contrato termina. E não bastando isto, é revelado de forma dramática e um tanto estúpida de que eu sou uma escritora conceituada no Japão. Seguidamente o meu ex-chefe se rebela contra mim fazendo minha advogada ter um ataque e quase me atacar nesse processo. Chegando com chave de ouro o dito cujo do meu ex-chefe fica me acompanhando nas gravações do drama como se não tivesse mais nada para fazer.
E para completar a minha desgraça eu ainda não consegui terminar o drama.
Bom, eu terminei o drama, semana passada, entretanto, Jakotsu me mando os cinco últimos capítulos dizendo que não estavam bons o suficiente e queria que me esforçasse mais. Depois de mandá-lo para o inferno várias vezes após ler seu email, li os capítulos e definitivamente estavam degradantes. Senti vergonha por ter sido a escritora daquela porcaria.
Felizmente as cenas que estão sendo gravadas são produzidas no estúdio, portanto, consegui uma mesa e uma cadeira – não muito confortável – a onde posso reescrever o que me foi pedido e dar um fim a essa trama. O único problema é que não sei como fazer nenhum dos dois. Precisei ler várias vezes o mesmo parágrafo para ter uma idéia do que estava pretendo fazer com aquela cena. Contudo a minha idéia original foi considera um tanto medíocre, por isto comecei a pensar no que poderia fazer, pela milésima vez naqueles últimos trinta minutos.
Soltei um suspiro me sentindo exausta, forçar a minha mente daquela forma não ia ajudar em nada. Percorri com o olhar o estúdio, o cenário da sala da casa do Sadao estava impecável. Jakotsu havia simplesmente materializado o local que eu havia descrito a ele.
Os sofás pretos de couro sintético, com uma mesa do centro a onde ficava um urso de decoração junto com as chaves a carteira de Sadao. A televisão suspensa na parede geralmente ligada em um canal de noticiário. Cômoda de madeira com quatro gavetas e livros sobre ela.
Simplesmente estou amando essa habilidade do Jakotsu de transformar a minha imaginação em realidade.
Meu olhar caiu em Sesshomaru Taisho, que – juro que não é loucura minha – estava olhando na minha direção, contudo, desviou o olhar quando notou que estava olhando-o.
Suspirei novamente sentindo-me ainda mais cansada, só de pensar que amanhã esse sádico invocado do inferno que veio a Terra apenas para torna a minha vida um comédia pastelão misturada com filme de horror, estará em meu apartamento me jogando para fora do futon de novo... me dá vontade de chorar.
Comecei a dormi de moletom e camiseta por causa desse albino lesado, afinal, não quero arriscar ele me ver novamente de calcinha e camiseta. Também me ocorrerá a idéia de colocar uma cadeira na porta para que ela não fosse aberta, entretanto, a porta do meu quarto é de correr e a da frente não quero correr o risco de ser arrombada – novamente, mas agora com o pé de Sesshomaru Taisho e não por um chaveiro pago por ele.
Ele tem classe, admito, mas sinceramente não estou disposta de tentar a sorte para descobrir se ele arrombaria a porta da frente da minha casa com o pé sim ou não. Já que com a minha atual sorte, seria um sim bem barulhento.
Em uma das conversas com a minha mãe pelo telefone, ela me questiono o motivo de minha voz está tão abatida. Sinceramente, até a minha voz esta abatida? Após muitas perguntas finalmente revelei que estava com problemas no trabalho, foi quando ela me disse:
"- Se o problema for outro bloqueio criativo, você pode viajar. Te achou da ultima vez. Após que sua prima na Austrália ficará feliz em recebê-la por algum tempo."
- Mãe, eu não posso viajar, estou trabalhando no roteiro de um drama.
"- VOCÊ COMEÇA O ROTEIRO DE UM DRAMA E NÃO INFORMA A SUA MÃE?"
O grande problema de ter uma mãe viciada em novelas, é que se ela descobre que você está fazendo o roteiro de uma, ela surta e quase te deserda se houver alguma manifestação de não querer enviar o roteiro para o email dela. Engraçado, para ler o roteiro do drama minha mãe sabe usar o computador. Agora para responder os meus emails, é uma leiga.
Voltei a encarar o meu notebook, esperando a luz divina iluminar o cérebro para que então eu voltasse a escrever.
Acho que isso não vai acontecer.
Estou quase seguindo a religião de Taoísmo e ir viver nas montanhas, deixando a natureza seguir seu curso e não mais interferindo nela, mas vivendo de acordo com ela. Acho que ainda devo ter aquela barraca de acampamento que comprei quando tinha 15 anos
- Kagome?
Desviei o olhar da tela do meu notebook para um dos motivos do meu estresse: Jakotsu.
- Fala.
- A festa de lançamento foi marcada para o dia vinte e cinco do próximo mês.
Eu pronunciei algum som de concordância, não sei ao certo que som, pois estava admirando o Arial tamanho dez com o título do capítulo que precisava escrever.
- Se você não for, eu te mato.
- Se me matar não terá o final do drama.
- Até lá você já termino.
- Não conte com isto.
Ele virou o meu rosto para o encarar, após alguns segundos e soltou a seguinte frase:
- Esta sofrendo de amor, Kagome?
- Como?
- Você tem estado com humor instável. Encarando Sesshomaru por longos períodos de tempo dando meios sorrisos. Sem falar que não consegue se concentrar em mais nada além do bonitão ali. Se apaixonou pelo gostosão? Por que se foi, lhe entendo perfeitamente, ele é mesmo charmoso e muito atraente.
Pisquei bestificada com o que meu suposto amigo estava me falando.
- Você ficou louco? – Foi a única coisa que consegui falar, ele me analisou alguns segundos antes de responder.
- Entendi, você está no estágio de negação. Melhor sair logo desse estágio querida, Kagura esta quase virando uma prostituta para conseguir chamar atenção daquele homem. Estou pressentindo o dia em que ela chegará a jogar esse homem na parede, ficar na ponta dos pés e o beijar com mais sede que um perdido no deserto a mais de dois dias.
- Tomara que ela faça isso. E mantenha aquele lunático, chato e inconveniente bem longe de mim.
- Vai morde sua língua dessa forma.
- Se você ficar me incomodando, como vou conseguir terminar o drama?
- Você não esta conseguindo nem comigo longe.
- Jak, vai trabalhar e me deixa fazer o mesmo.
- Dia vinte e cinco do próximo mês. Se você não comparecer, vou lhe acerta a mão na cara.
E com um atitude bem madura.
Com aspas nesse: "madura".
Falei um:
- Bla, bla, bla.
Movimentando minha mão direita como se estivesse controlando um fantoche.
Percebi uma movimentação ao meu lado, respirei fundo pronta para brigar com o Jakotsu, mas quem havia puxado a cadeira para sentar ao meu lado, foi o Sesshomaru, que se inclinou sobre mim fazendo o seu ombro empurrar o meu levemente pêra a frente enquanto olhava a tela do meu notebook.
- Para uma escritora com a sua fama, você escreve pouco por dia. – Ele falou em tom de ironia.
- Por que você não vai lá com as contra regras? Elas adoram sua companhia.
- Não fique com ciúmes, a única mulher que me viu dormir aqui, foi você.
Senti meu rosto queimar, mas usei a tática de ignorar ele. O que mais posso fazer?
Contudo ele não ia permitir que o ignorasse e fosse feliz. Claro que não, seria inocência minha pensar que isso aconteceria, portanto, após me chamar duas vezes e eu não responder. Ele resolveu que me faria responder na marra, afinal, aperto minha cocha me fazendo saltar da cadeira gritando, chamando atenção de muita gente no processo.
- Kagome, assim você desconcentra meus atores. – Reclamou Jakotsu.
- Me des-desculpe.
Jakotsu me deu uma daquelas olhadas desconfiadas e pediu para todos voltarem as suas funções enquanto me sentava sentindo meu rosto mais quente do que antes, provavelmente eu deveria estar passando de um vermelho sangue para um vermelho bordo. Voltei minha atenção para o homem ao lado que não esboça qualquer reação, nem mesmo um meio sorriso. Sinceramente não sei se ele achou engraçado ter me assustado, ou se pensa que minha reação é estúpida. Simplesmente não havia como saber.
- Ao menos sei que você nunca fingiu ser excêntrica. – Sesshomaru comentou com desdém.
- Eu nunca fingi a minha personalidade.
- Entendo, você se restringi a mentir apenas sobre a sua vida.
Virei o rosto encarando-o. Nossos rostos estão muito próximos, mas naquele momento não dei importância a aquilo. Sentia em meu intimo que precisava responder a altura.
Eu sei, orgulho idiota, apesar de tudo ele tem motivos para estar zangado.
Mas atrapalha meu sono toda manha já nos deixa quites, afinal, acordar uma pessoa que dorme serenamente é sacrilégio.
- Apenas não falei sobre o fato de ser escritora, para não atrair atenção desnecessária.
Esperei uma resposta dele e até mesmo comecei a me preparar mentalmente para qualquer que fosse ela, contudo, ela não veio. Sesshomaru simplesmente levantou e saiu andando na direção da maquina de bebidas quentes.
Preciso de um lugar reservado para ficar. Sei que Jakotsu quer minha ilustre presença no set de filmagem, entrementes, com este psicológico, necessito ficar em um lugar mais confortável e de preferência silencioso. Talvez consiga ficar alguns dias em casa. Meu olhar recaiu automaticamente em Jakotsu, que abordava algum tema com Kagura. Suspirei. Ele nunca me deixaria ficar alguns dias em casa.
- Vem cá, você não é um homem de negócios ocupado? Por que não vai trabalhar? – Reclamei quando Sesshomaru sentou novamente na cadeira do lado puxando o MEU notebook para si.
- Nem mesmo mais uma palavra. De fato, tenho dúvidas se você é mesmo Kazuaki Hiroki.
- É sério. O senhor é um executivo ocupado, tem muitas responsabilidades. Por que fica desperdiçando o seu tempo aqui no estúdio sem fazer nada?
- Eu estou trabalhando.
- A claro, sentado mexendo no celular algumas vezes e nas outras encarando o cenário sério como se ele houvesse lhe desrespeitado.
Sesshomaru ergue seu celular e deixou alguns centímetros dos meus olhos, pude ver que estava conectado em seu email. Soltei um suspiro, ele estava usando o iphone para ficar trabalhando a distância. Provavelmente estava delegando todos os documentos para serem feitos pela Tomoyo ficando apenas com a parte de os ler e acredito que passando na empresa no final da tarde para os assinar. Pensando bem, havia alguns espaços de tempo que ele simplesmente sumia. Espaços de tempo que deveriam ser mais habituais e demorados.
- Diferente de você que fica apenas contemplando o notebook, eu estou trabalhando.
- Senhor Taisho, sinceramente. O senhor não precisa se preocupar com o drama. Admito que minha abordagem foi indelicada, mas nunca agiriam de forma natural na empresa se soubessem quem eu era. E seria impossível para mim, conseguir escrever o drama sem ter trabalhado na empresa. Seu pai me contratou, eu não pedi. Ele propôs e eu aceitei. Trabalhei, cumpri minhas obrigações, mesmo que fosse redigir documentos que estavam com um erro no parágrafo. Até mesmo assinei um contrato, sem o ler! Fiz tudo que me pediu desde que lhe conheci, por quê o senhor não pode simplesmente me esquecer e seguir com a sua vida?
- Quando esse drama terminar. Vou esquecer.
Homem irritante!
Respirei fundo massageando as têmporas com o dedo dedão. Levei quase um minuto para perceber que ele ainda estava mexendo no meu notebook.
- Eí... ficar vendo fotos sem consentimento das pessoas é falta de educação. – Tentei alcançar o notebook, mas Sesshomaru segurou a minha mão. – Eí!
- São fotos da minha irmã.
- Comigo!
- Ela tem péssimo gosto para amizades mesmo.
- Ora seu...
- Mais café, Senhor Taisho? – Perguntou uma contra regra.
Ele não respondeu, apenas ergueu a latinha de café que havia pegado na maquina de bebida quente. A menina se encolheu pedindo desculpa por incomodar e se afastou. Rolei os olhos, aquele grosseiro, aproveitei quando ele se distraiu do notebook para atender o celular, me movimentei recuperando meu bem perdido e sai a passos largos. Rumei em direção do camarim do Bankotsu, espero que ele não se importe deu me refugiar lá, é só que de todos os atores que estão no drama, ele é quem tenho mais intimidade. Não tanta para entrar em seu camarim sem autorização, mas não posso atrapalhar as filmagens, espero realmente que ele não se importe.
Estava preste a abrir a porta do camarim quando senti segurarem o meu braço. Sabia que o Sesshomaru antes mesmo de me virar para encará-lo.
- O que foi agora?
- Entrar em lugares privativos de outras pessoas, sem autorização. É falta de educação.
- Não responder quando lhe fazem uma pergunta gentilmente também.
- Venha. – Ele me puxou para voltar ao set de filmagem.
- Eí!
Sabe quando uma criança é pega entrando em um lugar que não deveria. E o pai a pega no flagra, e a leva até o cantinho da disciplina fazendo-a se sentar na cadeira e ficar ali pensando sobre que fez de errado?
Pois bem, é exatamente dessa forma que senti quando Sesshomaru me sentou na cadeira que antes ocupada. Até mesmo esperei que ele erguesse o dedo indicador e falasse em um tom autoritário:
- Fique aí até quando eu disser que pode sair.
É obvio que ele não falou nada disso. Apenas sentou-se ao meu lado voltando a mexer em seu celular. Coloquei o notebook sobre a mesa e voltei a minha atenção para as filmagens. Nunca vou conseguir escrever algo decente com esse humor.
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Finalmente Jakotsu havia feito que prestasse, conseguiu um lugar privativo para a minha pessoa voltasse a fazer sua mágica no Word escrevendo o restante do drama o qual o diretor esta começando a reclamar tanto com a roteirista que precisa do final, que esta começa a procurar itens mágicos para dar conta do recado. Contudo, minha varinha mágica está quebrada sem previsão de concerto.
Voltando ao lugar privativo, é uma sala refrigerada com sofás confortáveis e um frigobar cheio de bebidas. A sala era feita de uma divisória de vinil branco, e a parede à minha frente era toda feita de vidro transparente que possibilitava ver as filmagens que ocorriam em dois cenários. Da mesma forma, quem estava no set de gravação podia ver perfeitamente o que acontecia na sala iluminada.
Jakotsu havia se superado.
O único defeito deste meu "Oasis" é o senhor Sesshomaru Irritante Taisho, que esta se aproveitando de minhas comodidades para ficar lendo relatórios que estavam cheios de anotações. Nada é perfeito.
Felizmente ele está tão compenetrado em seu trabalho que me esqueceu por algumas horas. Sim, já faz três horas que estou sentada aqui encarando meu notebook sem fazer à mínima ideia do que escrever. Estou começando a ficar seriamente preocupada com a minha falta de concentração e capacidade de escrever.
Estralei o meu pescoço de comecei abri o pacote de batatinha ao meu lado no sofá, fiquei saboreando aquela benção industrializada, até ela ser brutalmente tirada de mim. E como se fosse um filho arrancado de minhas entranhas, me investi de um poder dragão que defende seu tesouro e me levantei.
- Devolve agora as minhas batatinhas!
- Estão tirando minha concentração.
- Que vá para o inferno a sua concentração, devolve minha comida!
Sinceramente que atitude mais infantil a dele que ergue o braço sobre a cabeça para que eu não alcança-se o pacote de batatinhas. Mas se era para ser criança, vou ser muito mais que ele. Subi no sofá e estiquei para conseguir afanar meu objeto de desejo, só que o idiota afastou o braço e colocou a mão livre sobre o meu rosto.
- Talvez se você não comesse fazendo tanto barulho...
- Devolva logo!
- Não.
- DEVOLVE A MINHA COMIDA!
Analisando friamente a situação, talvez eu não devesse ter feito aquilo, contudo, quando dei por mim eu já estava pendurada no tronco de Sesshomaru tentando apanhar a batata. Sim, foi exatamente isso que aconteceu. Eu me joguei do sofá sobre o tronco do senhor Sesshomaru, que ficou tão supresso com a minha atitude que nem conseguiu manter o equilíbrio.
A consequência foi ele cair sentado no outro sofá enquanto eu fiquei com as pernas de cada lado do corpo dele, em seu colo, com o corpo esticado tentando agarrar o pacote de batata que ele eventualmente mudava de mão.
Sinceramente, apenas notei que estava fazendo quando ele espirrou, haja vista que o motivo do espirro foi o meu cabelo em seu nariz, mas isso não vem ao caso, o que importa realmente é que eu abaixei a cabeça e notei que ele estava com o rosto virado para a esquerda enquanto os meus seios esmagavam sua bochecha esquerda.
Minha consciência gritou para que eu me levantasse, mas a minha teimosia berrou para agarrar o pacote de batata enquanto ele era asfixiado pelos meus seios. Por causa dessa minha teimosia idiota, eu voltei a me esticar tentando capturar a porcaria das batatinhas e apenas desisti quando ouvi uma tossida forçada que me fez virar o rosto para a porta.
- Senhorita Higurashi, eu entendo que os jovens de hoje tenham mais... como posso fizer... liberdade, contudo, este é um lugar de trabalho. – Falou a senhora Botan, uma atriz consagrada japonesa que beirava os cinqüenta e cinco anos, ela interpretava a avó de Kaoru.
Meu rosto esquentou tanto que cheguei a pensar que estava com febre, levantei sorrindo torto, meu olhar desviou para a parede transparente que finalmente havia me lembrado, existia uma pequena porção de pessoas que começou a se dispersa sob o olhar de inquisidor de Sesshomaru Taisho que ficou em pé ao meu lado.
- Desculpe-nos, senhora Arai. – Pronunciou Sesshomaru com uma voz um tanto estranha.
- Espero que não voltem a distrair a equipe dessa forma tão infantil. – E com isso ela saiu da minha sala.
Olhei de esgueira para Sesshomaru podendo notar que seus olhos estavam estreitos. Acredito que ele estava em um conflito interno em que a sua educação dizia que humilhar uma pobre senhora não era um ato legal enquanto que seu orgulho deveria mandar ele ridicularizar a senhora na frente de todos do elenco.
Aproveitei a deixa para agarrar o pacote de batata, ele resmungou e se sentou. Ficamos algum tempo em silêncio, enquanto eu comi.
É estranho dizer isso, mas o silêncio parecia desconfortável, não era como antes que ambos estavam concentrados no que estava fazendo. Bom, a de convir que esmagar os seios no rosto dele não é algo natural e de fato tem que fazer a situação ficar um tanto desconfortável.
O desconforto apenas se cessou quando ele saiu da sala, provavelmente atrás de café.
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- O que foi aquela cena, Kagome? – Perguntou Jakotsu quando conseguiu me abordar sozinha na saída do banheiro.
- Que cena?
- Aquela de "Sesshomaru me possua".
Meu rosto esquentou mais que em uma corrida em um dia quente, esbocei um sorriso amarelo tentando disfarça meu constrangimento – o que não consegui – enquanto procurava algo que me ajudasse a sair daquela situação. Explicar o motivo deu estar no colo de Sesshomaru Taisho esmagando seu rosto nos meus seios, não é algo que conseguirei esclarecer a Jakotsu sem que este destorça completamente a realidade dos fatos deixando tudo parecido com um filme pornô.
- Você esta louco.
- Todos estão então. E pensam que vocês, são um casal.
- Não é culpa minha as pessoas terem imaginação fertil.
- Vocês estavam tendo um contato muito intimo Kagome. E ambos pareciam estar se divertindo.
- Você quer o drama?
Ele sacudiu a cabeça parecendo surpreso com a pergunta, apenas resmungou um "como assim?" em resposta a minha inquisição.
- Se realmente quer o seu drama, pare de me esgotar a paciência. As coisas já estão ruins o suficiente e eu não preciso que você fique piorando ainda mais.
E com isso sai a passados fundos e largos. Realmente me arrependi de ter sido tão estúpida com Jakotsu, mas é que essa pressão esta começando a me pirar a cabeça. Felizmente quanto estava em casa assistindo um documentário sobre os maiores predadores do planeta Terra, minha mente começou a trabalhar a mil e quanto dei por mim, estava reescrevendo completamente os capítulos que haviam sido pedido revisão e melhoramento.
