Capítulo XV – Um quase um atropelamento.

Eu não havia dormindo aquela noite havia assistido todas as reprises de madrugada, nunca demorou tanto para dar o horário para ir ao estúdio. Sinceramente me senti mais aliviada quando Jakotsu me abordou para conversar sobre a cena em que Sadao e Kaoru estavam conversando seriamente em seu escritório, a onde eles davam mais algumas indiretas de que se amavam. Claro que nada evidente, mas sim gesto que se lia nas entrelinhas para saber os sentimentos do personagem. Típico do Sesshomaru... Digo... Sadao.
Fiquei toda manha distraída com a cena e me senti ainda mais aliviada quando fomos até o refeitório a onde Bankotsu começou a contar sobre como foi constrangedor ir com seu irmão ao shopping e lá encontraram um ex do Jakotsu, que não quis deixar que ele soubesse que estava solteiro, por isto usou o irmão como namorado. Quase chorei de tanto rir com aquela historia, principalmente na parte em que eles estavam na praça de alimentação e Jakotsu começou alisar a parte interna da cocha de Bankotsu. Mais engraçado ainda foi ver a repetição da caricia intima e Bankotsu saltar quase um metro de altura para o colo de Kagura que começou atacar ele com um guardanapo. Não sei se sou eu que atraio as pessoas loucas ou elas que me atraem. Apenas sei que ninguém que conheço é normal.
Confesso que senti falta de Sesshomaru, mas não muito. Pois a falta foi suprida pela raiva de todas as mulheres me perguntarem o motivo deu ter ido sozinha aquele dia para estúdio. Ficava furiosa quando essas malditas saltavam suspiros resungando que aquele lugar havia perdido o seu brilho por esta semana e que rezariam para o retorno em segurança de Sesshomaru Taisho. Mas o meu sangue borbulhou mesmo quando ouvi Kagura resmungar que havia se produzido toda para encontrá-lo hoje.
Quem ela pensa que é para ficar se produzindo para ele?
Por que eu me importo se ela esta ou não se produzindo para o Sesshomaru?
- Vejo sangue em seus olhos, Kagome. – Comentou Jakotsu me empurrando com o ombro.
- Não consigo terminar a ultima cena. – Resmunguei fechando o notebook e comecei a guarda as minhas coisas.
- Você me pareceu perturbada hoje. O que a falta do senhor Taisho não provoca.
- Falta? Que falta?
- Você esta sentindo falta dele.
- Não estou.
- Quando você vai sair desse estagio de negação? Achei que já havia superado após a troca de saliva.
- Você é tão impetuoso.
Jakotsu riu e me seguiu para fora da minha salinha, o ouvi agradecendo o trabalho de todos enquanto me afastava, preciso comprar algumas coisas para minha casa, quando o papel higiênico acaba significa que é hora parar de adiar a ida ao mercado com refeições de restaurante e fazer compras.

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Um grande hábito de escritores é ficar observar as pessoas, por esta razão sempre que vou ao supermercado levo mais tempo fazendo compras que as outras pessoas. Gosto de ver como uma mãe interage com o filho que está fazendo birra por querer um doce ou um casal que está decidindo qual peixe levar para o jantar, até mesmo uma senhora escolhendo uma escova de dente chama minha atenção. As pessoas sempre agem de formas diferentes, para tudo, ninguém é igual a ninguém e isso me intriga. Observar as pessoas sempre me ajudou a construir meus personagens, principalmente quando as observo em seu cotidiano.
Estou trabalhando demais. E para piorar simplesmente não consigo me esquecer dos dois beijos de ontem. Está certo que o primeiro foi decorrente de uma cena que queria escrever, contudo o segundo beijo.
Por que ele me beijou?
Por que estou tão atormentada com isso?
Eu já beijei outros homens e não fiquei como estou agora.
Não consigo esquecer Sesshomaru ou Sadao.
Sim estou pensando muito no Sadao, pois fico o comparando com o meu antigo chefe. Sou sua criadora, sei em quem foi minha fonte de inspiração, entrementes apenas hoje comecei a realmente comparar os dois, no quanto eu havia usado da personalidade de Sesshomaru para criar o meu personagem fictício.
Para o meu desespero, conclui que eles são exatamente iguais.
Até mesmo estou com dificuldade de ver o Sadao como Bankotsu – que é o ator que esta o interpretando –, apenas consigo vê-lo como Sesshomaru Taisho.
E divagando sobre esses dois homens – Sadao Ryota e Sesshomaru Taisho – sai do mercado, carregando algumas sacolas que foram ao chão quando um carro freou a alguns centímetros de minhas pernas, eu soltei um grito agudo, pensando bem aquela nem parecia a minha voz. Fiquei chocada observando o volvo, e meu queixo caiu quando um homem loiro saiu com os olhos arregalados.
- Kagome, me desculpe.
Santo destino, sempre nos pregando peças.
- Senhor... Parker?
Ele não me respondeu apenas se abaixou recolhendo minhas sacolas. Sacudi a cabeça e pisquei algumas vezes recuperando minha linha de raciocínio, sim, eu pretendia colocar as compras no carro e ir para casa, eu estava a apenas alguns metros do meu objeto.
- Me desculpe, eu estava brigando com meu pai. – Olhei para o carro, não havia mais ninguém lá. Vendo minha expressão de confusão ele completou. – Pelo telefone, ele esta em Boston. Me quer de volta ao "Tio Sam".
- Ah. – Foi tudo que consegui dizer.
- Sinto muito mesmo.
- Tudo bem, eu não me machuquei. – Respondi tentando pegar as sacolas de sua mão.
- Eu levo para você. Esta de carro? Mora aqui perto?
- Meu carro está ali.
Seguimos até o meu carro a onde ele colocou a compras no porta-malas.
- Gostaria de me desculpar adequadamente. Me acompanharia em um jantar?
- Não precisa, eu estou bem.
- De onde venho, um homem se desculpa com uma mulher com um jantar.
- Então os homens tentam atropelar as mulheres com quem querem jantar?
- Nem sempre, apenas tenta compensar o susto de alguma forma.
- Não estou certa de que nos Estados Unidos isso seja fático.
- Você já esteve lá?
- Não, mas já vi muitos filmes.
- Mas não cresceu lá e nem passou alguns messes... Como pode saber que não é um costume?
Ri com o comentário, de certa forma ele estava correto em sua observação, só que eu ainda tenho sérias dúvidas sobre esse costume tão conveniente.
- Por favor.
Mordi o lábio inferior e soltei um suspiro, ele não deveria ter aqueles olhos de cachorro abandonado. Além do mais, estou acostumada a jantar com homens e conseguir mantê-los na zona de amizade.
- Tudo bem, mas eu preciso deixar as compras em casa antes.
- Eu te acompanho. Espero no carro.
- Ok... Melhor tirar seu carro do meio do estacionamento.
Ri quando o senhor Parker xingou em inglês quando notou que havia alguns carros impedidos de transitar pelo estacionamento enquanto buzinavam e xingavam o dono do volvo.

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Se existe uma pessoa que consegue se meter em situações complicadas, está é Kagome Higurashi.
Eu havia aceitado jantar com o Senhor Parker, mas nunca esperaria que o local seria a sua casa e nem que ele fosse cozinhar. Mas quando dei por mim, aqui estava eu sentada vendo um filme norte americano em seu áudio original enquanto sentia o cheiro de bisteca e milho verde.
Ele estava cozinhando carne vermelha!
Carne vermelha é muito cara!
Eu mesma apenas como carne velha quando vou a uma lanchonete, para minha casa, apenas peixe. Tenho dinheiro, mas gosto de gastá-lo em algo que não corro o risco de queimar. Está certo que se eu queimar vou comer do mesmo jeito – desperdiça comida é pecado e dinheiro é burrice -, só que gosto de manter a integridade do meu estomago intacta.
Acho que mais me assusta nem é fato de estar em um apartamento na cobertura com decoração tipicamente norte-americana – incluindo um mural com uma camisa, taco e bola de beisebol de um time que não conheço –, mas sim o fato de um homem estar na cozinha fazendo o jantar.
Tenho vinte e cinco anos de idade e só vi dois homens cozinharem em toda a minha vida:
O primeiro é meu pai, que colocou fogo na cozinha, com uma panela elétrica de arroz, como por Deus ele conseguiu colocar fogo na cozinha usando uma panela elétrica?
O segundo foi o Tatsuo, que fazia aulas de culinária com as meninas na escola. Ele conseguiu deixar quatro meninas com intoxicação estomacal e foi expulso das aulas, por um abaixo assinado feito pelas alunas– eu não assinei, pois o amo demais para traí-lo daquela forma.
Então minhas experiências com o sexo masculino na cozinha, nunca foram muito boas. Com isso meu receio aumenta a cada minuto, mesmo que a comida esteja cheirando tão bem.
Para completar meu desconforto, não consigo parar de pensar no que Sesshomaru falaria ou faria se soubesse que eu estava ali na casa de Nicholas Parker, um de seus sócios, o qual é muito conhecido pela sua vasta lista de mulheres conquistas. Não que eu fosse entrar naquela lista. Mesmo que ele fosse um homem incrivelmente gostoso e charmoso.
Afinal de contas, por que estou preocupada com Sesshomaru?
Nosso namoro é de fachada. Ele esta me usando para ficar de olho na irmã caçula.
- Kagome. O jantar está pronto.
Levantei e segui até o senhor Parker que me acompanhou até a sala de jantar. Acho que cabem uns quatro apartamentos do tamanho do meu dentro deste.
- Sem arroz? – Perguntei observando a mesa, nela havia brócolis, salada de batata, milho cozido e bisteca.
- Não é um costume norte americano ter arroz de acompanhamento.
- E o que vocês usam de acompanhamento?
Ele colocou o prato defronte a mim com um milho cozido, um pedaço de bisteca e salada de batata com alguns pedaços de brócolis ao lado, em seguida riu colocando comida em outro prato sentando-se ao meu lado.
- Batata.
- Como?
- Usamos batata de acompanhamento.
- É sério isso? Como vocês conseguem viver sem arroz?
- Quem precisa de arroz quando se tem hamburguês?
- Arroz é muito importante.
Ele riu novamente balançando a cabeça levemente.
- Você é realmente uma japonesa. Contudo, como disse antes, de onde venho é costume levar uma mulher para jantar para se desculpar e como estamos seguindo meus costumes, nada mais justo que um jantar com pratos tipicamente norte americanos. Só estão faltando ás ervilhas.
- E os hamburguês.
- Verdade. – Ele disse em meio um sorriso. – Muito bem observado.
- E as rosquinhas, batatas fritas, frango frito...
- Eí. Não somos assim tão glutões. – Desviei minha atenção do ato de cortar a carne para encarar o senhor Parker, que rolou os olhos fingindo indignação. – Tudo bem, eu sei. Somos glutões. Mas nem todos.
- Os atletas olímpicos não devem ser mesmo. – Respondi com um pouco de desdém, para ser sincera esperei que ele se irritasse, mas ao invés de esbraveja, ele riu.
- Bom, temos que analisar a geografia. Nos Estados Unidos temos muitas fazendas de onde tiramos a carne vermelha. Não sofremos com espaço limitado de vocês japoneses que precisam importar a carne.
- E mesmo com espaço geográfico tão grande... vocês não possuem hábito de comer arroz.
- Eu tenho uma panela elétrica, quer que eu faça um pouco para você?
- Não estou reclamando do que você cozinhou, está tudo delicioso, apenas não me conformo com o fato de arroz não ser o acompanhante dos norte-americanos. Meu Deus, vocês não tem arroz com curry.
- Temos, mas em restaurantes.
- Já comeu?
- Não.
- Como?
- Nunca comi arroz com curry.
- Não acredito você mora agora no Japão. Tem a obrigação civil e moral de comer arroz com curry.
- Faria para mim?
- A não ser que você queria uma úlcera, não. – Ele me olhou de forma confusa. – Sempre coloco muita pimenta.
Ele novamente riu e dessa vez o acompanhei, aquilo era verdade, eu sempre errava na porcaria do tempero. Ficamos algum tempo em silêncio enquanto jantávamos. Um homem bonito e charmoso deveria ser proibido de ser bom cozinheiro. Agora entendo mais ainda o motivo das mulheres não falarem não ao Senhor Parker.
Eu mesma teria dificuldade de dizer não se não estivesse apaixonada pelo Sesshomaru.
Espera...
Desde quando estou apaixonada pelo Sesshomaru?
Pisquei algumas vezes e fingi tossir com a desculpa de ter me engasgado com o milho, aquela aceitação de estar apaixonada veio de forma tão natural que me assusto.
- Tudo bem com você, Kagome?
- Sim. – Respirei fundo e tomei um gole do suco de laranja.
- Desculpe a indiscrição, mas é verdade de que esta namorando o Taisho Júnior?
Pisquei mais algumas vezes agora tossindo de verdade engasgada com o milho. Bebi uma generosa dose de suco, como se ele possui algum teor alcoólico e respondi:
-Como sabe?
- Taisho Pai.
- Sim, estou.
Eu sabia que era mentira, mas também sabia que se eu falasse que não e depois o Senhor Parker falasse com o Senhor Taisho que seu filho e eu não éramos mais namorados, não imagino qual seria a reação, mas tenho medo da de Sesshomaru.
- É uma pena. – Falou Parker chamando minha atenção. – Você seria a mulher perfeita para me fazer sossegar.
- Sossegar?
- Inteligente, divertida, trabalhadora... Incrivelmente linda, charmosa e sedutora.
Corei.
O que mais poderia fazer?
Aquele homem é um deus grego e está me cobrindo de elogios.
Afastei-me quando ele se inclinou ficando com o rosto mais próximo, esboçou um sorriso apanhando a caixa de suco de laranja e se afastou despejando o liquido dentro de seu copo.
- Não sou o tipo de homem que se contenta em perde uma mulher que está fortemente atraído, no entanto, Sesshomaru é um forte rival e enfrentar ele para lhe ter só seria possível se houvesse alguma chance, mesmo que fosse mínima. – Voltei a corar, sou tímida com homens incrivelmente lindos, mas quero ver outra mulher não ser em meu lugar. – Eu tenho alguma chance, Kagome? Mesmo que sejam mínimas.
- Sinto muito.
Ele me encarou. Pelo pouco tempo que passei na empresa, notei que os executivos possuem um faro apurado para incertezas e mentiras. Você precisava ser um bom mentiroso para os enganar e para ser sincera, acredito que Nicholas Parker apenas acreditou naquela noite que Sesshomaru Taisho era meu namorado, pois eu havia notado que eu queria que fosse e ainda apenas aceitou que não havia chances pois realmente não existiam.
Fiquei grata quando ele mudou de assunto começando a falar sobre beisebol, pensei que ia levar algumas palmadas na bunda quando disse que futebol era um milhão de vezes melhor de beisebol. Aquele foi um jantar muito agradável, mas fiquei mais aliviada quando cheguei em casa, de certa forma me sentia traindo Sesshomaru por estar na casa de outro homem jantando.
Eu sei que é um pensamento um tanto patético, mas era evidente que aquele jantar para se desculpar do quase atropelamento era uma chance que o Senhor Parker criou para ficar algum tempo a sós comigo e fiquei grata por saber que ele respeitava – ou teima – Sesshomaru o suficiente para não tentar me beijar... mas algo dentro de mim me dizia que na verdade ele apenas foi gentil e não tentou nada por simples e puro respeito a mim.


Nota da Autora: O próximo capítulo pode demorar um poquinho. Estou tentando finalizar a fic esse mês. Bom, espero que gostem Deixem comentários, por favor.