Capítulo XVII – Gravações em Okinawa.

Sesshomaru Taisho é o homem mais cretino e idiota da face desse miserável planeta.

Eu achei que ele iria comigo até Okinawa, realmente acreditei que quem estaria sentado ao meu lado indo para praia seria o homem que falou para sua família que éramos namorados antes mesmo de realmente começarmos a namorar. Não que eu tenha alguma certeza se realmente sou sua namorada, afinal nunca houve pedido formal.

Então fica a pergunta: Kagome, você precisa que ele fale com você sobre o assunto sobre o tema abertamente, mesmo depois do que aconteceu o escritório?

E a resposta é: Sim, eu preciso de um pedido formal.

Não que eu seja uma tola romântica, mas que mulher não quer ouvir do homem que se apaixonou um pedido de namoro?

Quer dizer, realmente um pedido de namoro e não um sei pedido que começou enquanto ele estava espionando o relacionamento da irmã caçula.

Devo ser muito masoquista para ter me apaixonado por esse homem tão inconstante. Nunca sei que ele realmente quer, quais são suas reais intenções. É deveras frustrantes essa situação.

A minha raiva desse traste é derivada da situação que estou momentaneamente. Não que eu tenha alguma coisa contra o Senhor Parker estar me usando de apoio enquanto cochila, mas sim, porque eu realmente achei que Sesshomaru viria para Okinawa comigo. Eu queria que ele viesse, mas no domingo quando cheguei de manha no aeroporto, vi um loiro norte americano conversando com Jakotsu e não um japonês de cabelo prata.

Vou explicar melhor a situação...

Sesshomaru Taisho não veio para Okinawa, mas mandou que seu sócio Nicholas Parker viesse em seu lugar.

Eu realmente acreditei que ele iria vir, afinal ele até mesmo falou de cancelar seus compromissos enquanto jantávamos, mas não veio. Isso me irritou profundamente por dois motivos:

Primeiro: sinto que se eu não quisesse que ele viesse, seria ele me usando travesseiro.

Segundo: por que ele me deu esperanças que viria se estava realmente ocupado?

Não sou uma garota mimada, se ele houvesse me explicado que estava realmente muito ocupado e que viajar seria impossível, eu não iria ficar insistindo e não estaria brava, talvez chateada, mas esse sentimento seria inevitável. Todavia, quem me disse que seria impossível a vinda de Sesshomaru na viagem foi o Senhor Parker quando me avistou no aeroporto.

Desviei o olhar da janela para o Senhor Parker apoiado em meu ombro. Sinceramente senti vontade de despertá-lo quando sentir seu peso contra mim, porém, ele esta dormindo tão serenamente que sinto impossibilitada de tal ação. Não se deve acordar alguém que dorme tranquilamente, é muita maldade com a referida pessoa. Por essa razão deixei que ele me usasse como travesseiro naquela viagem, além do mais, que tem de mais nisso? Não é como se estivesse tendo um caso ou algo do tipo.

Soltei o milésimo suspiro fechando os olhos deixando meu corpo escorregar na poltrona. Mais um suspiro e abri os olhos ao sentir que algum luz havia sido acessa. Sabe quando você esta no quarto preste a dormi e alguém acende a luz?

Foi essa sensação que obtive, no entanto ao olhar ao redor não vi ninguém de luzes a acessas, voltei a minha atenção para janela do avião torcendo para essa luz não ter sido um relâmpago.

Senhor Parker acordou apenas quando nosso avião pousou no aeroporto de Naha, sendo que ele apenas ergueu a cabeça do meu ombro, olhou nos meus olhos e se levantou se espreguiçando dizendo que nunca havia dormido tão bem em uma viagem. A única coisa que pude fazer, foi suspirar e me levantar para sair do avião. Durante o desembarque, Sango repousou a mão sobre meu ombro e começou a falar em como estava empolgada para fazer as fotografias na ilha de Tokashiki, afinal a combinação de praia, sol e mar, apenas poderia gerar fotos espetaculares.

Sango e eu ficamos no mesmo quarto. Enquanto ela foi tomar um banho para relaxar da viagem – ela não gosta muito de aviões, não é por causa de medo de altura, mas sim porque ela não confia em algo tão pesado no céu – e eu liguei o meu notebook para conferir os emails, de certa forma já esperava não haver nada do Sesshomaru explicando sobre ele não estar nessa viagem comigo.

Muito bem, ele é um homem ocupado, tenho que esquecer essa história e ajudar o Jakotsu no que puder. Afinal essa não é uma viagem de passeio, mas sim de trabalho, portanto, vou trabalhar.

- Que mal humor. – Ouvi Sango falar enquanto inclinava a cabeça me observando.

- Aquele parvo, me tira do sério. – Resmunguei deitando na cama, quase chutando meu notebook no processo.

- Esta assim porque ele mandou o loiro bonitão no lugar dele? – Eu resmunguei coisas desconexas enquanto minha amiga ria. – Nunca vi um homem que a deixasse dessa forma, Kagome. Quem sabe não é esse?

- Esse que eu mato?

- Que se casa.

Ergui a sobrancelha enquanto me sentava encarando minha amiga que alisava a mão pelo tecido do vestido azul se observando no espelho.

- Sango, não tome mais banhos, a água de Okinawa é contaminada e lhe faz ter delírios.

- Parva. – Ela resmungou, abri a boca para começar uma discussão mas fui freada por um sorriso. – Que tal irmos dar uma volta e ver se temos muitos surfistas sarados?

- Olhar outros homens?

- O Miroku olha descaradamente as outras mulheres, além do mais. Olhar pode, tocar não. E somos duas mulheres sem nossos homens para nos suprir das necessidades carnais, que mal tem em matar essas necessidades observando o que é belo? Não existe aquele ditado de que é belo é para ser visto?

- Você esta sendo hipócrita, sempre bate no Miroku quando ele ficar observando outras belezas que não é a sua.

- Ele não segue a regra do "olhar pode, tocar não". Além do mais, se eu der uma brecha, ele começa a dar cantadas nas outras mulheres.

- Isso é verdade.

- Vamos então.

- Ainda acho que você esta sendo hipócrita.

- Deixe de ser puritana. – Foi a ultima coisa que ela me falou antes de me jogar da cama e me arrastar pelo hotel.

###

Ok, eu gostei da ideia do "olhar pode, tocar não".

Apesar que tantos homens bonitos reunidos em único bar, é um tanto quanto complicado resistir ao:

-Moço, posso ver se seu braço é de verdade ou silicone?

Porém, Sango e eu estamos muito bem acompanhadas pelas mulheres que cuidam do figurino, bebendo saque e experimentando as comidas tradicionais da cidade de Naha. Ocasionalmente comentários sobre os homens a quatro mesas de distâncias da nossa são soltados por uma de nós. Admito que o mais alto é muito sexy.

- A se eu não tivesse o pervertido do Miroku na minha vida. – Ouvi Sango resmunga ao meu lado, como se ela houvesse lido meus pensamentos que se eu não estivesse apaixonada pelo Sesshomaru, iria tentar a sorte com aquele surfista.

- Começo a cogitar a ideia de me mudar para Naha. – Comentou Chizuru pedindo mais saque em seguida.

- Eu já havia cogitado assim que entrei no restaurante. – Revelou Sawaka nos fazendo rir.

- Vocês trabalham como os atores mais lindos do Japão e ficam pensando em se mudar por verem homens bonitinhos em um restaurante. Aposto que qualquer uma aqui daria um braço ou uma perna para estarem em seus lugares. – Falou Senhor Parker sentando ao lado meu lado pegando meu copo com saque e o bebendo. – Olá meninas, posso participar da fofoca?

- Não estamos fofocando. – Eu falei pegando meu copo e enchendo de saque, mas antes de beber ele me tomou. – Eí.

- O que estão fazendo então?

- Trocando informações. – Respondeu Sango dando de ombro.

- Entendo – falou o senhor Parker acenando afirmativamente com a cabeça – Eu aqui pensando besteira de vocês. Como sou indelicado.

Comecei a rir do tom cínico que ele havia usado, geralmente eu teria respondido de uma forma mais impetuosa, contudo, me sinto leve por culpa do álcool e não estou em condições de discussões calorosas. Para ser realmente sincera, já estou no estado de "bêbada risonha", ou seja, apenas o "entendo" provocaria minhas risadas.

- Kagome, quantos copos de saquê já bebeu? – Perguntou Senhor Parker repousando a mão em minhas costas se inclinando em minha direção.

- Não faço idéia, parei de contar no segundo. – Respondi dando de ombros roubando o copo de cerveja de Sango. – Se ira se juntar a nós, Senhor Nicholas Parker... comece a entorta a caneca. – Falei bebendo a cerveja recebendo um tapa no cotovelo me fazendo despejar um pouco na roupa. – Sango!

- Essa é sua pena por roubar minha bebida. – Ela respondeu com simplicidade pedindo mais cerveja e saque para nossa mesa.

- Entortar a caneca? – Questionou senhor Parker, voltando sua atenção para Sango.

- Ela quis disser, que você tem que beber tanto ou mais como nós.

- Ah. Muito bem, aceito o convite. Preciso falar bem dos surfistas também?

- Não, deixe isso conosco. – Respondi lançando uma picadeira para ele, fazendo as meninas rirem.

###

Nunca mais vou beber até perde a consciência.

Maldito seja o despertador do celular que não para de apitar.

Fui invadida por uma onda de satisfação quando finalmente consegui desligar aquele apito infernal.

Abracei o travesseiro ao meu lado, disposta a voltar a dormi. Contudo minha mente entorpecida conseguiu me alertar que havia algo de muito errado com aquele travesseiro.

Respirei fundo sentindo um perfume familiar e esfreguei minha cabeça de forma manhosa fazendo a pessoa ao meu lado soltar um gemido tão doloroso quanto o que eu havia emitido ao acordar.

- Sango, está vestida?

Não precisei abrir os olhos para saber que ela havia erguido o lençol que nos cobria.

- Estou.

- Droga.

Tentamos rir, sim, apenas tentamos, pois a dor fez a gente soltar outro gemido de dor.

- Precisamos levantar. Você esta na minha cama ou sou eu que estou na sua?

- Não faça perguntas ou desafios difíceis, Sango.

- Que horas são?

- Já disse, pare de fazer perguntas que não consigo responder. – Resmunguei apertando meu rosto contra a barriga da minha amiga que se inclinou pegando o relógio do hotel sobre a cabeceira que ficava entre as duas camas.

- Sete horas, temos que levantar.

- Volte a dormir, mulher.

- Vamos, Ka. Temos que tomar um banho e descer para comer algo e tomar um aspira. Temos trabalho hoje.

- Você me dá banho?

- Ui. Meu dia começou bem hoje.

- E o meu dia começou tão "lesbico". – Respondi rindo, me arrependendo segundos depois, maldita dor de cabeça.

Um banho gelado. Algumas torradas com manteiga. Duas aspirinas. Um enérgico. E eu finalmente estava lúcida o bastante para ter uma certa percepção sobre que estava acontecendo ao meu redor.

Sinto meu peito se corroer de inveja por Sango estar conseguindo correr de um lado e para outro falando para os atores como eles devem ficar para tirar as fotos promocionais. Nem parece que esta com uma ressaca igual a minha. Se é que ela ainda está de ressaca.

Quanto a Chizuru e Sawaka elas parecem estar tão más quanto eu. Ou seja, estão trabalhando em modo automático, as vezes fazendo careta concentradas quando estão na dúvida se estão fazendo algo realmente certo.

Sango deve ser algum tipo de monstro.

Abri o meu terceiro energético aproveitando a sombra do quiosque, como ainda não haviam começado as filmagens estando apenas concentrados nas fotos, eu posso ficar afastada da equipe, mas logo que eles começarem, sinto que Jakotsu vai me fazer ficar no sol junto dele. Ergui a latinha para tomar o primeiro gole, mas ela foi retirada de minha mãos pelo Senhor Parker, parece que esta virando um hábito ele tomar as minhas bebidas.

- Eu estava conversando com o pessoal da equipe de filmagem, perguntando como seriam as cenas de hoje e como estava a estória do drama e tudo mais. Sabe, fiquei indignado ao saber que a Kaoru e o Sadao ainda não se beijaram. Por estarem já apaixonados, não entendo o motivo da embolação para se beijarem. – Comentou Senhor Parker me fazendo coçar o queixo ponderando sobre sua analise.

- Nos Estados Unidos, eles já teriam se beijando, correto? – Perguntou me sentindo com raciocínio muito lento.

- Certamente, para ser mais exato, nessa altura do campeonato, eles já estariam morando juntos e sofrendo uma crise no relacionamento por ela estar grávida e ele com medo da idéia de ser pai. O drama de vocês, é muito lendo quanto a esse desenvolver dos personagem, levam séculos para o primeiro beijo.

- Damos mais importância ao sentimentos que as necessidades carnais.

- Entendo, mas é meio frustrante.

- Por que?

- Porque você fica na expectativa deles ficarem logo juntos, mas o cara não agarra logo a menina. E olha que oportunidades são jogas aos ventos como confetes em festas de ano novo. Poxa, ele tem que agarrar logo a menina e mostrar a ela que é o macho alfa.

- Macho alfa? – Perguntei tendo a mente invadida por uma alcatéia de lobos, comecei a rir enquanto o Senhor Parker terminava de dar um ultimo gole no meu antigo energético jogando ele no lixo em seguida.

- Finalmente consegui terminar de ler todos os seus livros publicados. – Ele falou me pegando de surpresa. – Você é realmente muito boa escritora, contudo, seu estilo varia muito de acordo com a categoria do livro. Mas o que realmente me atraiu em sua escrita, foi seu sarcasmo.

- Meu sarcasmo?

- Sim, da um charme nas estórias que não encontrei em nenhum outro livro.

- Obrigada.

- Você autografaria os meus livros?

- Claro... assim você pode vender por um valor maior. – Respondi o fazendo rir.

O resto do dia se resumiu no Senhor Parker mantendo uma conversa calorosa comigo sobre livros e escritores da atualidade, começamos um debate sobre livros japoneses e americanos, eventualmente Jakotsu nos interrompia em nossos debates para que eu o ajudasse com alguma cena que ele não estava satisfeito com a atuação, contudo, logo eu voltava para o dialogo com o Senhor Parker, para ser sincera nunca imaginei que ele era fã de leitura, mas ele me confessou que criou paixão pela leitura quando ainda criança com as revistas em quadrinhos do homem aranha em seguida passou para livros de terror, alias o Senhor Parker me prometeu um livro autografado pelo grande escritor norte americano Stephen King quando eu disse que aprendi inglês lendo os livros dele.

Revelar que sou fluente em inglês fez com que o Senhor Parker conversasse comigo em seu idioma original, confessando que sentia falta de conversar em inglês com as pessoas e reclamar que meu inglês era britânico demais e começou a me deixar a par das "gírias" mais usava.

Foi nesse dia que Nicholas Parker deixou de ser o "Senhor Parker" para mim e se tornou apenas o "Nick".

Sinceramente o único motivo para não termos ficado até ao amanhecer no restaurante do hotel conversando sobre como os filmes de terror japoneses são mais aterrorizantes que os norte americanos – mesmo o Nick afirmando que não eram -, foi pelo fato de Sango ter me puxado para o quarto reclamando que seria acordada por mim durante a madrugada quando eu finalmente resolvesse dormi.

Quando viajamos nas excursões escolares, sempre ficamos no mesmo quarto e eu sempre perdia noção da hora quando ficava conversando com os amigos, por isso voltava tarde para o quarto e sempre dava conta de derrubar tudo em meu caminho até a cama e acordava a Sango. Desde então, quando dividimos o mesmo quarto, ela me faz ir dormir no mesmo horário em que ela vai. Eu sempre disse que era acidental, contudo, Sango nunca acreditou.

###

- Obrigada. – falei ao Nick quando ele entregou uma lata de refrigerante sentando meu lado no sofá da sala da casa que estava sendo usada como casa de praia do Sadao, a equipe havia dado uma pausa na filmagens para o almoço.

- Esse Sadao é um sádico.

- Concordo.

- Não há dúvidas de que você se inspirou no Taisho Júnior. – Ri tomando um gole do refrigerante. – Falando nele, já se acertaram por ele não ter vindo?

- Como?

- Você não falou com ele ainda?

Pisquei algumas vezes me dando conta de que aquele era meu segundo dia – terceira noite – em Okinawa e eu ainda não havia ligado para o Sesshomaru. Mas ele também não me ligou, acho que isso nos deixa quite. Quer dizer, foi ele que me deu esperanças que viria e nem mesmo me mandou uma mensagem para falar que não seria possível e que o Nick viria em seu lugar.

- Pela seu rosto, suponho que não. – Constatou Nick soltando um suspiro teatral. – Pobre Sesshomaru, sua namorada nem o telefona.

- Pobre Kagome, o namorado dela não liga para dar satisfações sobre nada. – Respondi franzindo o semblante.

Nick passou o braço envolta do meu ombro e me balançou levemente sussurrando um "vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem", essa atitude me provocou uma crise de riso. Por que ele estava me consolando?

- Você não é muito normal. – Falei balançando a cabeça tentando parar de rir.

- E quem é normal?

- Boa pergunta.

- Fome? – Eu acenei afirmativamente com a cabeça e ele se levantou estendendo a mão, a segurei e fui facilmente erguida. – Que tal um salmão com batatas?

- Lá vem você e suas batatas. – Reclamei seguindo com ele até a mesa a onde Sango já estava sentada almoçando.

Após pegarmos um prato de yakisoba, cada um, sentamos na mesma mesa que Sango ocupava junto de Chizuru, Sawaka e atriz Akemi, ela interpretava a melhor amiga de Kaoru no drama. Alguns minutos depois Bankotsu colocou uma cadeira entre a minha e a de Nick e começou a me indagar quando nós teríamos nosso momento de divertimento a sós (leia-se, jogar videogame), dois minutos depois Iwao se aproximou e começou a me perguntar sobre as edições de colecionador dos meus livros.

Ao final do dia, depois de sairmos do banho nas termas, Sango ficou reclamando que eu atraio amigos como liquidação atraia mulheres às compras. Analogia interessante, mas um tanto exagerada da minha amiga. Ela beliscou a minha nádega esquerda quando eu disse que não tinha culpa dela ser tão antissocial que não conseguisse a simpatia de uma cadeira.

- Kagome. – Me virei para olhar Nick se aproximando, fiz um sinal para Sango continuar a andar sem mim, estávamos a uns quatro metros do nosso quarto. – Ainda bem que lhe encontrei antes.

- Algum problema?

Ele olhou para os lados, reparei melhor em seu rosto, estava um pouco pálido e não havia um trajeto de sorriso em seus lábios, os que era realmente muito difícil de acontecer, uma vez que aquele homem é muito risonho. Pude notar também sua agitação, o que me despertou a curiosidade.

- Não, tudo bem. O que você acha de irmos dar uma volta pela cidade?

- Atitude suspeita, Nick.

- Eu sou um homem suspeito. Venha, vamos pelas escadas para fazer o chocolate que eu acabei de comer ser dirigido mais rápido.

- Tudo bem, vamos, mas eu vou deixar as minhas coisas no quarto.

Virei-me para seguir para o quarto, mas Nick segurou meu braço me fazendo voltar encara-lo.

- Não precisa... vamos. – Ele segurou minha mão e me levou na direção das escadas, quando começamos descer as escadas pude ouvir o elevador ao longe apitando no nosso andar, indicando que alguém acabara de descer ali.

###

- Nick... o que foi aquela presa toda no hotel?

Nick me olhou de esgueira, esperei sua resposta, mas o que ele disse foi:

- Olha, como a praia está linda sob o luar.

Rolei os olhos, ele estava muito suspeito, contudo, passava pela minha mente o motivo daquela agitação dele, na verdade, eu só o vi daquela forma antes, nos dias em que Sesshomaru ia trabalhar na empresa e ele chegava atrasado por causa de uma de suas de conquistas da noite passada. Nick ainda deve achar que eu acreditei mesmo naquelas histórias de trânsito.

- Você não está olhando o mar. – Ele falou de forma displicente.

- Suspeito.

- Acredite, você vai me agradecer mais tarde.

- Agradecer? Por ter me arrastado até a praia? Você não disse que queria andar pela cidade?

Ele tirou a camisa de abotoar que usava e estendeu sob a areia, pegou minha bolsa com a minha outra troca de rouba e objetos para banho, fez um gesto para que eu me sentasse.

- Estamos perto do hotel, vou levar sua bolsa para Sango e voltou com algo para bebermos, então lhe explico que aconteceu, tudo bem?

- Suspeito.

- Por favor, Ka.

Suspirei e me sentei, havia um quiosque ali perto a onde havia vários grupos de pessoas e o local era bem iluminado, por isso não havia perigo algum eu esperar alguns minutos ali sentada.

###

Ele demorou mais que havia dito, comecei a ficar preocupada pelo quiosque ali perto estava pronto para fechar, não gosto de ser abordada por estranhos e mesmo que eu tenha aprendido defesa pessoal, não sou adversária para mais de um homem. Se estiver armado, nem para um. Desde muito nova, sempre fui muito abordada pelos homens, uma morena de olhos azuis e corpo esbelto chama atenção em um trem, alias, por sempre ser assediada que eu aprendi defesa pessoal e criei o habito de ir sempre ao colégio de bicicleta ou a pé.

Meu coração falou uma batida quando um objeto luminoso apareceu na minha frente, virei o rosto ficando ainda mais assustada com o rosto masculino que vi, ele estava muito sério e de certa forma medonho. Voltei minha atenção para o que ele havia colocado na minha frente, era seu tablet, a onde estava uma foto do Nick comigo, alias, uma foto em que ele estava usando o meu ombro de travesseiro.

Em meu cérebro foi ouvido um estalo: o flash de luz no avião foi de uma fotografia.

- Você deixa outros homens te tocarem com muita facilidade. – Respondeu Sesshomaru com a voz tão fria quanto do primeiro dia que nos encontramos.

- Ora, quem é vivo sempre aparece. – Respondi empurrando o braço dele da frente do meu rosto. Tentei me manter distraída de suas reações, mas não evitei de olhar para ele quando sentou ao meu lado e nem pude deixar de percebe que seu olhar caiu para camisa em que eu estava sentada. – Você viu o Nick? Ele pediu para esperá-lo aqui, mas sumiu. – Soltei um suspiro me levantando, peguei a camisa do Nick. – Parece que ele não vai voltar, então vou indo.

Sinceramente, ele some sem dar explicações, não manda nem uma mensagem ou liga para dizer que seria impossível ir à viagem comigo, agora aparece bravo porque recebeu uma foto de um homem dormindo em meu ombro em uma viagem de avião que eu queria ele estivesse lá.

Chamem-me de egoísta ou de chata se quiserem, mas eu não vou ficar aturando ciúmes quando não há motivos para ter.

Ele segurou meu braço me fazendo virar para encará-lo, mantendo aquela expressão fria com um olhar que me desafiava a tentar ir embora.

- A ideia dele lhe acompanhar foi do meu pai. – Ele falou mantendo o mesmo tom frigido na voz, estreitei os olhos tentando deduzir o que aquela frase significava, soltei um suspiro rolando os olhos. Fica sempre tentando entender as meias frases que ele diz, é cansativo.

- Então, você simplesmente não ia aparecer no aeroporto e esperar que eu e ligasse para me dizer que realmente estava muito ocupado e não poderia vir comigo.

- Acha que não tenho consideração com nada? Eu avisaria sem você precisar me ligar.

- ENTÃO POR QUE NÃO ME LIGOU?

Puxei o meu braço o fazendo me soltar e segui pela praia em direção do hotel, sinceramente não estou nenhum um pouco afim de conversar com esse idiota irritante de coração de picolé... não picolé é bom... coração de... de... de... Faltam-me palavras para definir esse coração.

A minha vontade é de pegar a cabeça do Sesshomaru e enfiar ela na areia e ficar esfregando esfolando ela até ficar sem o couro.

Ele segurou novamente meu braço me forçando virar para encará-lo. Seu rosto estava sombrio me fazendo sentir aquele arrepio na espinha que sentia quando nos conhecemos, de fato, Sesshomaru Taisho sabe ser assustador. Contudo, diferente da época em que nos conhecemos, eu estava realmente zanga, irritada, furiosa com esse homem, portanto, não deixei que ele notasse que aquele olhar havia me assustado, apenas ergui o nariz e apertei os lábios franzindo as sobrancelhas.

- Me solte.

- Ainda não. – Ele falou abaixando o rosto, seu nariz tocou o meu. – Você vai me explicar essa foto, antes de ir.

Fechei os olhos e desejei do fundo do meu coração que estivesse sonhando, caso contrário, vou matar o homem por quem estou apaixonada. Respirei fundo e abri os olhos me deparando os olhos dourados dele, ainda sombrios. A ideia do esfolar seu rosto na areia ficou ainda mais tentadora, mesmo sendo um pecado destruir tal beleza.

Peguei o tablet dele e estende na frente do seu rosto fazendo-o desviar o olhar de mim ara a foto, respirei fundo novamente procurando toda a paciência que meu corpo ainda retinha, na verdade não tinha mais qualquer trajeto de calma dentro de mim, por isso com uma voz de mãe que explica o motivo do filho não poder comer doces antes do almoço, comecei a falar:

- Ele dormiu e acabou caindo com a cabeça no meu ombro. Olha a foto atentamente, não vê? Olhos fechados, expressão serena. Isso se chama sono, é muito comum em viagem tediosas. Caso não seja de seu conhecimento.

- Esta zombando de mim?

- incrível, ele conseguiu notar meu tom sarcástico mesmo com o meu esforço para disfarçar. – Ergui minha mão livre para o rosto tocando as pontas dos dedos nos lábios. – Oh, que fazer agora?

Enquanto ele estreitava os olhos, eu puxei meu braço, mas não consegui me soltar, precisei me concentrar para não demonstrar que a nova força que ele aplicou no meu braço, o fez doer.

- Você é tão infantil. – Ele respondeu.

- Infantil? É você que veio até Okinawa para brigar comigo por causa de uma foto inocente.

- Inocente? Parece que você não trabalhou na mesma empresa que o Parker. – Rolei os olhos evitando um careta de dor quando ele me puxou para mais perto me fazendo ficar na ponta dos pés para encará-lo. – Não me diga que dois dias juntos e você já o considera um amigo.

- Considero.

- Ele não quer ser apenas seu amigo.

- No momento ele parece muito feliz em ser apenas meu amigo.

- Pare de ser teimosa.

- Pare de apertar meu braço. – Respondi de forma inconsciente, pois estava pensando que realmente estava doendo e poderia ficar marca se não me afastasse logo.

Ele soltou meu braço e colocou as mãos dentro dos bolsos da calça, foi quando notei que ele estava de terno na praia.

- Que seja. – Sesshomaru passou por mim seguindo na direção do hotel, com a camisa do Nick nas mãos, segui para o hotel.


Eu disse que ia demorar, mas enfim, aqui está o capítulo.

Espero que gostem.

A todos que deixaram recados, agradeço, saibam que eu leio todos.

Perguntaram se vou fazer a primeira vez deles, não escrevo hentai, o máximo que chego é o que aconteceu no capítulo passado, ou seja, meu limite é as caricias calhentes.

Acredito que logo terá mais capítulos, mas não vou prometer nada.

Preciso terminar o meu TCC, por isso, tenham paciência.

Que acham do Nick?

Ele tem se tornado um personagem querido por mim, não é que tenha alguma intensão de fazer algo mais impetuoso com ele a Kagome, na verdade, não havia pensando nisso até presente momento, apenas gosto de ver o circo pegando fogo.

Beijos a todos e não esqueçam de dizer o que gostaram e não gostaram, os recados de vocês que me fazem querer escrever mais.

Quanto a incerteza de se vou ou não terminar essa fic.

Relaxem, todas as minhas fics Sesshomaru e Kagome não correm perigo de ser inativas, afinal, eu não quero ser morta de forma dolorosa e lenta.