Capítulo XVIII – Condição.

Eu não havia notado o quanto a briga na praia havia me afetado até deitar a cabeça no travesseiro e rever todos os momentos em minha mente. Senti um peso em meu peito e um nó em minha garganta, o qual eu lutei para que não fosse desamarrado, contudo, ele desamarrou e lagrimas silenciosa molharam meu travesseiro. Não estou certa se Sango me ouviu ou não... ou se simplesmente fingiu não ter ouvido.

Na verdade eu não dormi essa noite, fiquei rolando de um lado para o outro, cochilei depois que Sango sentou na minha cama e perguntou como eu estava me sentindo, tentei esboçar um sorriso e me levantar, mas ela empurrou meu ombro contra a cama e disse que falaria com Jakotsu e que eu precisava descansar.

Acredito que meu rosto deve estar medonho para que a Sango não tenha me deixado sair da cama, mas para ser sincera, não fiz qualquer esforço para ir até as filmagens, naquele momento, ficar na cama era a melhor coisa que poderia me acontecer.

Levou apenas alguns minutos para Sango sair e o sono desligar a minha mente por alguns minutos. Senti uma terrível dor de cabeça quando o meu celular apitou indicando que havia recebido um email. Eu não estava raciocinando muito bem, por isso peguei o celular para ver o motivo de ter apitado, apenas notei que era um email quando vi um envelope na tela:

"Sei que você vive alheia ao mundo a sua volta, mas não se esqueça do aniversário da sua mãe, próxima sexta, venha passar o final de semana em Chigasaki.

S.H."

Rolei os olhos e coloquei o celular debaixo do travesseiro enquanto o abraçava. Não acredito que o tolo do meu irmão mais novo me mandou um email para me lembrar do aniversário da nossa mãe, como se eu fosse realmente capaz de esquecer. Ainda mais com ela me mando emails periódicos perguntando sobre os atores que estariam no drama e pedindo um perfil completo deles com muitas fotos.

Quando ouvi a porta do quarto ser aberta pensei seriamente que se trata de Jakotsu vindo me buscar ara acompanhar as filmagens na marra, até mesmo me preparei emocionalmente e psicologicamente para o sermão que ele iria proferir quando senti o colchão ceder, virei pronta para dizer que sabia muito bem de minhas responsabilidades e que não era necessário ficar me lembrando de minhas obrigações, contudo, a pessoa que estava ali não era o meu amigo, mas sim a ultima pessoa que passaria pela minha cabeça que viria até mim, ainda mais se tratando de alguém tão orgulhoso e ainda havia a briga de ontem, que com certeza ele não havia esquecido.

Minha intenção era me virar voltando a ficar de costas para ele e esperar que minha indiferença o fizesse ir embora, porém, antes que meu ato fosse posto em pratica, com apenas uma palavra ele me deixou completamente desarmada.

- Eu sinto muito.

Essas palavras foram ditas em um tom muito baixo fazendo a voz de Sesshomaru sair mais grave do que realmente era. Abri a boca para responder, mas as palavras ficaram presas em minha garganta enquanto ele se inclinava ficando com o braço esquerdo apoiado no colchão tendo seu tronco sobre o meu. Pude sentir o cheiro de sua colônia e notar que ele havia se cortado ao fazer a barba. Deslizei o dedo sobre o pequeno ferimento, um pouco abaixo do queixo.

- Sesshomaru Taisho, dizendo que senti muito?

- Você poderia conter seu sarcasmo?

- Você poderia conter suas atitudes estúpidas?

- A culpa não foi minha. – Ele falou erguendo um pouco o tom da voz, deixando claro o quanto estava irritado, isso me surpreendeu, ele geralmente é tão frigido, alterar a voz daquela forma não é uma atitude típica dele. – Conferi minha agenda várias vezes no sábado, não havia como cancelar as reuniões com os coreanos e chineses. Minha intenção era de ligar avisando que não poderia ir, mas meu pai teve a brilhante ideia de pedir para o Parker lhe acompanhar na viagem. Fiquei tão irritado que preferi não ligar para evitar descontar minha frustração em você que não possuía culpa.

Deslizei minha mão até a sua nuca entrelaçando os fios do cabelo com os meus dedos, suspirei refletindo sobre o que ele havia me dito, as chances dele descontar sua raiva em mim, eram de fato, enormes.

- Mas deveria ter mandando um email.

- Provavelmente, contudo, não estou acostumado a dar satisfações. Preciso de algum tempo para me adaptar a essa realidade.

- Essa realidade?

- De manter minha namorada ciente do que está havendo em minha vida.

- Sua namorada? Que namorada? – Ele ergueu a sobrancelha esquerda.

- Será que você não consegue conter seu sarcasmo? – Resmungou demonstrando mais irritação. – Quem mais seria minha namorada, além de você?

- Não me lembro de um pedido formal.

- Não seja por isso. Aceita namorar comigo?

- Não. – Falei afastando minha mão de sua nuca. Ele estreitou os olhos. – Você me irrita.

- O sentimento de irritação é recíproco.

- Você veio até Okinawa para brigar comigo por causa de uma foto, que alias, não possui malicia alguma. E espera que eu aceite ser sua namorada, simplesmente por ter vindo aqui me pedir desculpas? Você me julga ser muito fácil, Senhor Taisho.

- Não gosto de outros homens lhe tocando.

- Ainda não é motivo para sua atitude.

Ele abaixou o rosto tocando o nariz no meu, seus lábios roçaram contra os meus quando voltou a falar:

- Queria lhe ver pessoalmente para esclarecer tudo, contudo, quando o Parker me disse que estava na praia. Quando me aproximei, o ciúme falou mais alto.

- Então foi seu pai que enviou o Nick?

- Por que está o chamando de forma tão intima? – questionou afastando o rosto, senti vontade de rir, felizmente consegui me conter.

- Porque ele é um amigo. Responda-me, foi ideia do seu pai?

- Sim.

- Não me ligou, pois estava irritado demais com a situação?

- Sim.

- Promete nunca mais me deixar no vacu?

- Você também não tentou entrar em contado comigo.

- Por que tentaria? Foi você que disse que viria e depois simplesmente não aparece. Era sua obrigação me explicar o motivo de não vir.

- Eu prometo.

- Vai embora comigo?

- Não, pegarei o avião para Tóquio essa noite. Amanha tenho uma reunião importante com alguns sócios chineses.

- Quem lhe mandou a foto?

- A atriz que faz a Kaoru.

- Kagura?

- Acho que sim.

Aquela ratazana paralitica leprosa.

- Eu tenho até às seis horas da tarde ara lhe fazer mudar de ideia quando ao meu pedido de namoro. – Falou Sesshomaru me tirando dos pensamentos homicidas contra aquela atriz idiota. – Podemos andar pela cidade e almoçar em algum restaurante.

- Desculpe, mas, sinceramente minha cabeça esta doendo. O sol não apenas agravará a dor.

- Não dormiu essa noite?

Corei, não queria que ele soubesse que me afetava o suficiente para me fazer perde o sono. Provavelmente ficar vermelha o fez ter certeza que eu não havia dormindo nada a noite.

- Sendo assim. – Ele se afastou, estava preste a dizer que ia tomar um remédio, quando Sesshomaru se inclinou tirando os tênis. – Vou ficar aqui com você e me certificar que descansara o suficiente para o sono não lhe causar dores de cabeça.

E assim ele deitou na cama me puxando para mais perto, fiquei com a cabeça sobre o seu peito notando pela primeira vez que até mesmo Sesshomaru Taisho podia ter seus batimentos cardíacos alterados.

- Sabe. – Comecei a falar sonolenta. – Sendo fofo assim, só me resta aceita ser sua namorada.

- Não estou sendo fofo. – A voz dele não demonstrou o sentimento, como de costume.

- Ficar aqui comigo acariciando meu cabelo... é atitude fofa, Sesshomaru. – Ele não me respondeu, de certa forma senti que aquilo havia o deixado constrangido. – Vou te perdoar e aceita o seu pedido de namoro, mas tem uma condição.

- Qual?

- Sem ser nessa, a próxima sexta é aniversário de minha mãe. Não estou pedindo para você ir sexta comigo, mas sim passar o final de semana na casa dos meus pais.

- Quer me apresentar para os seus pais?

- Eu conheço os seus. Nada mais justo.

- Aceito a condição.

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O voou para Tóquio estava atrasado. Essa foi a primeira vez que fiquei feliz por um atraso daqueles, geralmente eles me irritavam, mas dessa vez, isso significa mais tempo com o meu namorado, que estava sentado ao meu lado com uma expressão que não consegui identificar o significado. A voz eletrônica feminina ecoou por todo o aeroporto de Naha, informando que por culpa do clima todos os voos estavam atrasados uma hora.

Sesshomaru se levantou colocando a sua bolsa de couro marrom sobre o acento que estava antes, se afastou sem falar nada. Cruzei as pernas e observei o local, notando as pessoas utilizando seus celulares com expressões zangadas e algumas preocupadas enquanto que os funcionários das companhias aéreas eram indagados constantemente pelos passageiros.

Quando meu namorado voltou a se sentar ao meu lado, me entregou uma latinha de café, sorri abrindo e bebendo um generoso gole. Meu vicio por cafeína é facilmente detectado. Ele se inclinou colocando as mãos sobre o joelho esquerdo, enquanto suspendia sua própria bebida com a outra mão.

- Que horas é a sua reunião?

- Amanha ás nove.

- Vai dar tempo de você chegar e descansar para ela.

- Presumo que sim. – Ele respondeu bebendo um gole de sua bebida, fiz o mesmo com a minha. – Agora que terminou o drama, pretende começar algum novo livro ou ingressará na carreira de roteirista de dramas?

- Meu editor me corta os dedos foras se eu não lhe der mais livros – Respondi me lembrando da editora que lançava os meus livros, sobre tudo, do Kyouta, o editor chefe. – Acredito que assim que o drama for concluído, as cobranças por mais livros voltará.

- Eles não lhe procuraram até a conclusão do drama?

- Exatamente. Foi o acordo que fiz com o Kyouta.

- Um homem?

- Ele é casado e tem um casal de gêmeos de dez anos. – Falei rolando os olhos. – Os gêmeos são lindos, diga-se de passagem.

- Então possui alguma ideia para algum livro?

- Sinceramente não havia pensando em nenhuma trama em especial. Esse trabalho tomou minha mente completamente. Mas se houver alguma ideia para um novo livro, prometo que será o primeiro, a saber.

- Serei o primeiro a ler?

- Namorar uma escritora tem essa vantagem.

A voz feminina informou o embarque para Tóquio, suspirei me levantando seguindo com Sesshomaru até a porta de embarque para o voou, admito que fiquei surpresa quando ele virou e me abraçou antes de seguir pela plataforma até o avião, mas fiquei mesmos em graça quando notei que as mulheres ali presente faziam comentários sobre como me invejavam por ter um namorado/noivo/marido (elas não sabiam qual deles), tão lindo e charmoso. Estufei o peito me sentindo orgulhosa por ter um namorado tão lindo, contudo, fiquei com um pouco ciúmes também.

Quando voltei ao hotel, Jakotsu me abordou e começou a me passar o sermão que eu estava esperando desde hoje de manha, contudo, meu humor estava bom o suficiente para que desse alguns leves tapinhas sobre o ombro do meu amigo e seguisse até Sango a puxando para jantar comigo no restaurante em que fomos na primeira noite em que chegamos em Naha.

Ela não me questionou sobre que havia acontecido e nem me contou como conseguiu conter Jakotsu de vir me buscar no hotel, apenas sorriu e ficou conversando ocmigo sobre assuntos alheios a trabalho e homens. Apenas duas amigas comendo e conversando bobagens, aquilo fez meu dia fechar com "chave de ouro".


Pequeno, eu sei.

Mas vou demorar para atualizar, como sei que o capítulo anterior foi frustrante, esse veio para compensar.

Vejo vocês no capítulo 19.

Comentários são sempre bem vindos, eles que me fazem atualizar mais rápido, se lembrem disso.