Capítulo IX – A origem do nome Kazuaki Hiroki.
A visita de Sesshomaru rendeu muitos comentários na equipe de filmagem, Jakotsu nos anunciou como um casal e por conta desse fato, fui bombardeada por comentários, que eram principalmente pelo fato deu não ter ido ás filmagens quando ele estava aqui em Naha. Comentários muito pervertidos, diga-se de passagem. Felizmente Nick me distraiu de tais comentários mantendo conversas aleatórias ao drama, Sango estava ocupada demais com edições de fotos para me ajudar com o constrangimento provado pelas fofocas.
Aproveitei para perguntar sobre as atitudes suspeitas de Nick na noite em que Sesshomaru chegou e de acordo com ele, estava tentando evitar que eu me encontrasse com Sesshomaru enquanto Kagura semeava a discórdia em sua mente. Parece que quando meu namorado chegou ao hotel, à atriz maldita que me faz desejar ter matado a Kaoru, o abordou e ficou insinuando o quanto Nick e eu estávamos próximos. Nick viu tudo e foi atrás de mim para evitar que Sesshomaru me encontrasse naquele exato momento com a mente envenenada e também não me deixar ver meu namorado que nem havia dado explicações sobre o fato de não ter vindo à viagem com outra mulher.
Quando voltei para Tóquio, algumas surpresas em relação à Sesshomaru me aguardava, primeiro foi o fato dele não ficar mais me perseguindo nas filmagens, ele parar de me jogar do futon de manha o fez ganhar créditos extras comigo. Essa semana ele tem apenas me ligado durante o dia e estamos jantando sempre juntos, o apresentei a lanchonete a onde a magia dos meus livros começava, meu refugiu quase secreto, haja vista que todos meus amigos sabiam que me encontrariam ali quando eu estava trabalhando em algum livro. Sesshomaru disse que finalmente entendia o motivo dos meus livros sempre ter um personagem resmungão que não gostava de lugares fechados e lotados... ele conheceu a lanchonete em horário do jantar com promoção.
Na mesma noite em que fomos à lanchonete, na quarta-feira para ser mais exata, Sesshomaru abordou o assunto sobre o aniversário de minha mãe, na sexta-feira. Quase me engasguei com o hambúrguer quando ele me indagou sobre que presente poderia comprar para minha mãe, mas senti vontade de esganá-lo quando ele respondeu a minha surpresa com a seguinte frase:
- É um costume presentear os aniversariantes, a não ser que a filha conseguir um namorado seja considerado um presente.
- Esta me chamando de encalhada?
- Atualmente, não.
- Como?
- O que? – Ele respondeu sem estar realmente confuso, senti vontade de socar aquele rosto esculpido pelos deuses.
- Para sua informação, minha mãe não liga para essas coisas de: "minha filha necessita se casar e me dar netos". – Falei rolando os olhos e voltei a comer o meu hambúrguer. – E eu sugiro comprar algum creme hidrante, de preferência de essência de morango, ela ama morangos.
Ele acenou afirmativa com a cabeça e deu uma golada em seu suco de laranja, me lançando um olhar um tanto questionador e minha mente começou a cogitar as possibilidade de Rin ter contado a ele sobre a mania casamenteira de minha mãe e o fato dela nunca ter aceitado os meus relacionamentos frustrados com homens maravilhosos.
Leia-se:
Nunca ter dado atenção ao aluno modelo do colégio, se me lembro bem, seu nome era Houjo e as minhas amigas tinham algum tipo de fixação da gente ser um casal, mesmo que a concepção de par perfeito fosse apenas um fruto de suas mentes doentias.
Sair algumas vezes com o Yuri até perceber que era apenas amizade.
Recusar uma declaração do Tatsuo.
Terminar um namorado com o Yamato, o qual ela achava um delinquente, mas ficou sabendo recentemente que ele herdou o escritório de advocacia do pai, portanto, de acordo com a minha mãe o delinquente se tornou um bom partido.
Não conseguir fazer o Jakotsu ser hetero. Mesmo que a orientação sexual dele não seja algo que eu ou até mesmo ele possa intervir.
E por fim, ter terminado um namoro de três anos com o Nagi. Alias, ela vive jogando indiretas de como o Nagi está lindo, maravilhoso, bem sucedido e solteiro.
Refletindo sobre o assunto, o Nagi me preocupa, não que ele seja ainda apaixonado por mim ou algo do tipo, até porque quando terminamos ambos chegamos a um consenso de que o relacionamento estava saturado e que se continuarmos a insistir apenas ficaríamos, mas machucados. Mas minha preocupação se deriva do fato incontestável do meu ex-namorado ser vizinho dos meus pais.
Os meus pais haviam se mudado para Chigasaki a pouco mais de seis anos, eu estava cursando a Universidade de Tóquio na época, por isso fiquei em Tóquio. O engraçado, que quando se mudou, meu pai ficou responsável pelas despesas do meu apartamento, afinal eu era um universitária falida que gastava tudo que ganhava com direitos autoras dos poucos livros que havia escrito na época com outros livros para estudar.
Portanto, papai ficou cuidado das despesas e mesmo depois deu já estar estabilizada financeiramente, ele continua a pagar e sempre que tento fazê-lo parar, o velho surta... simplesmente faz carinha de choro e começa a dizer que sou a princesinha dele e que com essa atitude ele se sente mais próximo de mim... o Souta tentou fazer eles ficarem mais próximo pedindo para o papai pagar suas despesas quando saísse de casa, bom, acredito que meu irmão ainda esta traumatizado com a resposta.
Por causa da universidade, as minhas visitas aos meus pais sempre foram muito escassas, quando colei grau passei a visita-los com mais frequencia, mas atualmente com toda essa história de drama não consegui visita-los antes.
O grande motivo da mudança da minha família para aquele local foi à doença de meu avô, que veio a falecer infelizmente, contudo meus pais gostaram da cidade e acabaram ficando por lá, meu pai até mesmo ingressou em um dojo de jiu jitsu a onde é mestre, enquanto que minha mãe lesiona no colégio que meu irmão estuda.
Quanto ao Nagi, ele havia se mudado para lá após o termino do nosso namoro, ele havia terminado a faculdade de medicina e por alguma brincadeira do destino o tio dele é sócio de um grande hospital em Chigasaki – não lembro o nome –, sendo assim, claro que as melhores oportunidades para sua carreira estava lá e não em Tóquio, apesar de que não duvido que ele teria conseguido ser um grande médico em Tóquio, afinal, umas das coisas que mais me chamava atenção naquele empecilho de gente que vivia achando erros gramaticais em meus textos, foi sua inteligência.
Ainda havia o fato de que meu atual namorado era muito ciumento, contudo, muito teimoso e orgulhoso para admitir que sentisse ciúmes, mas como de costume, essa lesada que escreve apenas se deu conta desse detalhe quando seu namorado estacionou o carro defronte a casa dos pais, na sexta-feira ás dez horas da manha, para ser exata. Sei do horário, pois Sesshomaru reclamou que mesmo em uma viagem de um pouco mais de uma hora eu havia dormido e o deixado dirigindo como se fosse meu motorista, enquanto ele resmungava eu olhei o relógio do celular e disse que estava muito cedo para discussões.
Ao descer do carro encare a campainha alguns segundos pensando no quanto minha mãe havia me xingado na terça-feira passada, quando soube que eu estava namorando. Ela havia ficado muito zangada pois quem havia contado a ela sobre o meu namorado foi o fofoqueiro do Yuri, eu ia contar, contudo na segunda eu estava muito cansada para ligar e responder todas as indagações que seriam feitas e na terça ela me ligou as seis da manha enfurecida.
Alias que mania é essa dos meus amigos ficarem ligando para os meus pais para reportar a eles sobre as ultimas novidades de minha vida?
O último livro que lancei, foi a Sango que deu a noticia para o meu pai... nem deu tempo deu ligar e falar:
- Papai, o livro finalmente vai ser lançado, vocês vem para lançamento?
Provavelmente se meus amigos não fossem tão ocupados e o aniversário caísse no final de semana, eles teriam vindo comigo, mas como não é o caso, o bagageiro do carro está com os presentes.
- Esqueceu como funciona uma campainha?
- Calado. – Resmunguei pegando a chave do portão dentro do bolso da minha calça jeans. – Tente parecer simpático.
- Sempre sou simpático. – Ele respondeu com desdém, não evitei rir, admito que uma das coisas que amo no Sesshomaru é o seu sarcasmo. – Parece com receio.
- Minha mãe me ameaçou pelo telefone.
- Por qual motivo?
- Não ter dito que estava namorando. – Respondi um pouco alheia a conversa, foi quando notei que ele poderia se sentir ofendido por eu não ter dito aos meus pais que estava namorando, quando o olhei, não consegui detectar algum sentimento de ofensa ou magoa, apenas a velha expressão fria de sempre. – O Yuri conversou com a minha mãe antes que eu pudesse contar... ele é tão fofoqueiro.
- Queria ter dado a noticia?
- Óbvio. Quem começou a namorar fui eu... aquele fofoqueiro vai se entender comigo.
- Devo o proibir de ver Rin, então.
- O que?
- Ele merece uma punição, acredito ser essa a mais adequada.
- Não me use como pretexto para atrapalhar o namoro da sua irmã... ela sabe a onde eu moro e guardo a chave reserva.
Ele ergueu as sobrancelhas balançando a cabeça, parecendo concordar que seria arriscado para minha integridade física com aquela punição pela língua solta do Yuri.
- ESTOU EM CASA! – Gritei ao abrir a porta, me inclinei para tirar o tênis, Sesshomaru imitou meu gesto e tirou o sapato.
- Bem vinda de volta. – Falou uma mulher colocando a cabeça para fora da sala, acredito que ela estava sentada.
Levei alguns segundos para identificar aquela mulher, apesar do cabelo castanho claro ainda ser comprido e estar na altura do cotovelo e seus olhos azuis serem donos de um brilho sagaz muito peculiar da nossa família, apenas a reconheci pelas três pintas abaixo da boca, no canto direito do queixo. Confesso que fiquei ainda mais confusa, afinal, não me lembrava dela daquela forma.
- Calada, você não mora aqui. – Reclamou meu pai saindo da sala vindo ao meu encontro. – Filha!
- Tia Kioshi?
- Quem mais poderia ser? - Ela respondeu dando de ombro.
Meu pai me abraçou, esmagando meu nariz em seu peito, que era muito duro, consequência de sua rotina de treinos de jiu jitsu. Sou muito mais parecida com meu pai do que com minha mãe, sendo que temos a mesma cor de cabelo e olhos, ou seja, cabelo negro e olhos azuis. Seu nome é Kaito.
- E você deve ser Sesshomaru. – Perguntou papai ainda me sufocando com o abraço.
- Sim, senhor Higurashi.
- Já fiz sua reserva no hotel da cidade.
Precisei fazer uma tremenda força para me afastar do meu pai, pude ver melhor a Tia Kioshi que deu um tapa na nuca do meu pai enquanto lhe lançava um olhar enfezado, em seguida ela sorriu para Sesshomaru.
- Não ligue para o meu irmão, ele gosta de fazer piadas. Olá, sou a tia da Kagome, é um prazer lhe conhecer.
- Prazer todo meu.
- Eu não estava brincando.
- Se continuar com essa história de hotel, a Kagome vai com ele, Kaito.
- De jeito nenhum.
- Então pare com isso.
- Ela é minha filhinha!
Segurei a camisa de Sesshomaru e o puxei para ir até a sala, enquanto meu pai e minha tia continuavam uma discussão calorosa de a onde o meu namorado ia dormir.
- Eu não me importo de ficar em um hotel, na verdade, era esse meu plano. – Falou Sesshomaru enquanto me seguida até a cozinha.
- Temos quarto de hospede e você é meu convidado. Se meu pai continuar com essa ceninha, provavelmente minha mãe o mandará para o hotel.
- Diferente de você, eu consigo acordar para tomar café da manha antes de uma viagem.
- Você que foi cedo demais em casa.
- "Eu quero aproveitar o dia com os meus pais, Sesshomaru". – Voltei minha atenção para ele deixando o leite sobre o balcão da cozinha.
Rolei os olhos procurando por alguma coisa comestível nada saudável, encontrei um pacote de salgadinhos dentro do armário, provavelmente do meu irmão. Preferi não responder aquela provocação.
- Vocês tomaram café da manha? – Indagou minha tia passando pelo arco que separava a cozinha da sala, como meu pai não apareceu em seguida, constatei que ele havia perdido na discussão e havia saído de casa para "esfriar a cabeça".
- Eu não, ele sim. – Falei sentando na cadeira da mesa redonda aproxima a porta de vidro que levava ao jardim de casa.
- Sesshomaru, correto? – Ele apenas assentiu com a cabeça. – Deve ser cansativo namorar alguém tão problemática quanto a minha sobrinha.
- Receio que sim, senhora.
- Eí!
- Kagome, guarde esse salgadinho, vou fazer o café da manha para você.
- Não precisa se dar ao trabalho, tia.
- Misturando leite com salgadinho, você que vai nos dar trabalho comendo essas porcarias.
Ela me tirou o salgadinho e começou a preparar o café da manha, qualquer argumento meu foi sanado com palavras repressivas de que eu não sei me alimentar devidamente, os comentários pioraram quando Sesshomaru revelou que não me via comer nada saudável quando estava no estúdio de filmagem. Fiquei feliz quando consegui desviar o assunto para o novo visual da mina tia, afinal a ultima vez que a vi ela era quinze quilos mais pesada e usava roupas cafonas, aparentemente meu pai a obrigou a entrar no dojo, a onde ela mantém uma rotina de exercício e uma dieta rígida. Ela começou a se queixar de que se eu fosse uma sobrinha mais atenta teria visto sua transformação. Aparentemente, não adianta que eu falei ou faça, vou sempre receber alguma espécie de sermão dos meus parentes.
O almoço foi feito pelo pai, com piadas da minha tia sobre o fato deu não ter herdado os dotes culinários dos meus pais, Sesshomaru concordou com ela, ele nunca comeu nada preparado por mim, provavelmente concordo apenas pelo prazer de me irritar, mesmo que sustentasse aquela expressão fria eu podia jurar que ele estava adorando ver como estou sendo constrangida pela minha tia e o meu pai, que ainda me trata como se eu tivesse seis anos de idade – ele ainda assoprar a comida quente pra mim.
A tia Kioshi é viúva e jornalista, atualmente esta de férias. Devo o meu gosto por leitura e paixão por escrita a ela, pois era quem sempre me dava livros, fossem em aniversário, natal ou qualquer dia aleatório do mês. Ela tem duas filhas, sendo que a mais velha está no ginásio e tem a mesma idade do meu irmão caçula – dezessete anos – enquanto que a caçula tem sete anos e está no primário. Por causa da diferença de percurso, minha tia que busca minha priminha na escola, haja vista que minha prima mais velha teria que atravessar a cidade para buscar a irmãzinha. Como hoje eu estava em casa com um namorado que não conhecia a cidade – até mesmo Sesshomaru Taisho possuí lugares que não conhece – me ofereci para buscar a Reiko na escola.
Meu pai não gostou muito da ideia deu ficar sozinha com o Sesshomaru, mesmo que fosse na rua enquanto íamos buscar sua sobrinha de sete anos de idade... minha tia resolveu esse pequeno empecilho enquanto me empurra junto com meu namorado para fora de casa. Durante o percurso até a escola de Reiko, Sesshomaru não disse nada, mesmo a gente estando a pé eu comentando sobre a cidade, às vezes esses monólogos que tenho com meu namorado me irrita, mas de certa forma estou me acostumando.
- Chegamos. – Falei parando na frente do portão, algumas crianças saiam por ele, tentei identificar minha prima dentre elas. – Cadê essa menina?
- Você nem reconheceu sua tia, tem certeza que vai conseguir identificar sua prima? Receio que deveríamos ter pegado uma foto com sua tia.
- Por que você não volta a ficar calado e para de me atazanar?
- Se não cometesse tantos erros, eu não precisaria os falar para você.
Desviei o olhar para ele, pronta para iniciar uma discussão, contudo aquele trajeto de sorriso em seus lábios denunciou sua intenção de me importunar apenas pelo seu deleite pessoal. Nunca havia conhecido alguém que gostasse mais de me irritar que esse homem.
- Reiko! – Gritei acenando para minha priminha, agradecendo mentalmente ela não ter mudado tanto desde a última vez que nos vimos.
Minha priminha sorriu e veio até mim, mas antes de me cumprimentar, parou na frente de Sesshomaru com a boca entre aberta piscando várias vezes, tentei não rir quando ele me olhou com indagação em seus olhos.
- Eí. – Falei chamando atenção de Reiko. – Esse é Sesshomaru, meu namorado.
- Oi. – Ela falou corando levemente abaixando o olhar, em seguida segurou minha mão começando a me puxar para começar a andar. – Vamos, Ka.
Voltei a me concentrar para não começar a rir e desviei o olhar para Sesshomaru, que deu de ombros e passou a mão pelo cabelo de forma arrogante. Aquele maldito estava se gabando do fato da minha priminha ter ficar sem graça apenas por vê-lo, precisei beliscar ele por conta disso, recebi apenas um olhar raivoso que ignorei.
- Então Reiko, sua mãe a levou para o parque? – Perguntei me lembrando de um conversa antiga nossa.
- Não.
Ela geralmente teria emendado a resposta com um pedido para que eu a levasse na Disney de Tóquio em suas férias, como já havia feito várias vezes, mesmo sempre sendo repreendida pela minha tia. Durante o caminho de volta notei os olhares furtivos de Reiko para Sesshomaru, assim que entramos em casa e ela saiu correndo para sala e pulou no colo de minha tia que me olhou preocupada, mas logo riu quando eu apontei Sesshomaru e apenas movendo os lábios disse:
- Ele a seduziu.
- Kagome Higurashi!
Senti meu coração parar de bater e meu sangue gelar, me virei vendo minha mãe descer os últimos degraus de escada.
- Parabé...
- Parabéns mãe, o seu nariz, me apresente ao moço.
Rolei os olhos e me voltei para Sesshomaru e com uma voz falsamente educada disse:
- Sesshomaru Taisho essa é minha mãe Minako Higurashi... mamãe, esse é Sesshomaru Taisho. Irmão mais velho de Rin, meu namorado.
- É um prazer finalmente conhecê-lo. – minha falava enquanto me empurrava para dentro da sala enquanto segurava o braço de Sesshomaru e começava o conduzir para cozinha. – Vamos tomar um chá enquanto você me conta como o relacionamento de vocês se iniciaram.
Ela me lançou um ultimo olhar antes de fechar a porta da cozinha, o olhar que significava "atrapalhe essa conversa e você será lentamente morta". Por isso resolvi deixar minha mãe descobrir que meu namorado não é flor que se cheire sozinha, aproveitei que meu pai estava saindo para fazer as compras para o jantar e sai com ele e meu irmão.
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- Não está preocupada com seu namorado? – Perguntou meu irmão quando meu pai estacionou o carro na garagem da casa.
- Estou mais preocupada com ele ter se irritado por eu sair e o abandonar na cozinha com a mamãe do que com o interrogatório.
- Não se preocupa com ele ter fugido depois de dez minutos com a mamãe respondendo perguntas nada discretas?
- Sesshomaru lida com pessoas mais assustadoras que a nossa mãe.
- Por exemplo?
- Executivos. – Respondi dando de ombro saindo do carro com uma sacola de compras, que logo foi tirada de mim pelo meu pai, que estava irritado com o fato da minha mãe não o deixou participar da conversa com o Sesshomaru, afinal, se ela concluísse que ele era um bom homem para namorar sua filha (vulgo Kagome Higurashi), não poderia arriscar deixar meu pai estragar tudo com seu ciúme.
- Executivos não apenas engravatados metidos a besta?
Olhei para Souta disposta a lhe dar um sermão sobre de como a realidade é diferente dos filmes, mangas e animes, contudo, me veio na mente à primeira impressão que tive do Sesshomaru... eu havia o achado um metido a besta.
- Mais ou menos. – Respondi erguendo a sobrancelha esquerda procurando por uma respsota melhor. – Alguns são bem perversos.
- Perversos? Ora, por favor, vai me dizer que existe uma espécie de Yakuza dentro das empresas a onde quem não obedece vira comida de peixe?
- Eles não matam, mas quando eu trabalhava na Corporação Taisho, desejava morrer a cada relatório transcrito. – Meu irmão me encarou transmitindo toda sua confusão. – Souta, você apenas precisa saber de uma coisa... Sesshomaru Taisho é mil vezes mais medonho que a nossa mãe.
- Impossível. – Ele respondeu enquanto entravamos na cozinha... após esperar alguns segundos depois que meu pai entrou, apenas para ter certeza de que era seguro.
A cena a seguir me fez rir como eu nunca havia rido na minha vida.
Sesshomaru estava sentado com as pernas cruzadas tomando um chá enquanto minha mãe estava com o rosto pálido, sentada ao seu lado dele, com o corpo rígido e um olhar assustado. De certa forma, parecia que ela estava sendo interrogada pelo Sesshomaru sobre seus segredos mais sórdidos. Quando ela me viu, se aproximou me abraçando e sussurrou com uma voz vinda do além:
- Ele é mesmo irmão da doce Rin?
Foi nesse momento que eu ri até cai no chão.
- Minako? – ouvi meu pai ao lado, acho que ela o abraçou, não estou muito certa.
Souta me cutucou algumas vezes, me fazendo tentar parar de rir, respirei fundo umas duas vezes até conseguir apenas ficar com um sorriso largo no rosto.
- Você sabe que aconteceu? O que seu namorado fez com a mamãe?
- Quando descobri, lhe conto. – Falei indo até Sesshomaru sentando ao seu lado, peguei sua xícara tomando um gole do chá. – O que você disse a ela?
- Apenas respondi algumas perguntas e mantivemos uma conversa agradável até seu retorno, correto, senhora Higurashi. – Ele falou erguendo a vista para minha mãe, que apenas concordou com a cabeça.
- Sesshomaru...
Estava preste a começar uma discussão com ele, contudo senti uma pressão em meu ombro, voltei minha atenção a minha mãe.
- Não perca esse. – Ela falou entre os dentes de uma forma tão assustadora que senti meu corpo gelar de pavor. – Kaito controle esse ciúme.
- Mina...
- Quieto e me ajude a cortar os legumes para o jantar. Sua irmã logo voltara com as meninas para o jantar.
- Ela parecia assustada. – Comentou Souta. – E agora ameaça... quanto mais eu vivo menos eu entendo essa família... se precisarem de alguém normal, estarei em meu quarto jogando vídeo game.
Voltei o meu olhar para meu namorado, que ainda sustentava um olhar analítico, o mesmo que sempre via nas reuniões de negócios. Suspirei chegando à conclusão de que não importaria o quanto eu perguntasse para ambos, nunca saberia o que se passou naquela cozinha.
- Vamos para sala. – Falei me levantando, Sesshomaru me seguiu sentando no sofá de três lugares ao meu lado enquanto ligava a televisão, assim que encontrei algo bom para assistirmos a campainha tocou. – Eu já volto.
Analisando friamente a situação, minha mãe ter convidado o vizinho para o jantar de aniversário, era perfeitamente aceitável, sendo eles mantinham uma boa relação de amizade. O único porém dessa situação era o fato do vizinho amigo ser o meu ex namorado, o que fez minha testa gelar e minhas suares quando abri a porta e ver Nagi, um homem de um metro e noventa com o corpo robusto por culpa do vicio por esportes – ele foi o capitão de kendo e jiu jitsu do ensino médio – cabelo curto arrepiados negros que caiam de forma rebelde pela testa fazendo um contraste com seus olhos dourados – que pensando bem eram semelhantes de Sesshomaru, a não ser pelo fato de que os de Nagi eram dotados de um brilho alegre enquanto que do meu namorado eram desprovidos de qualquer sentimentos. Nagi sorriu brandamente e me abraçou, como de costume me suspendeu do chão me apertando contra si enquanto dizia que estava com saudades e que eu deveria lhe mandar mais emails ou ter a decência de retornar suas ligações.
- Ando muito ocupada, nem vejo minhas mensagens de voz, sempre me esqueço.
- Trocou de carro? – Ele perguntou enquanto me colocava no chão. – Se eu soubesse que era possível comprar um carro desses sendo escrevendo, teria seguido carreira contigo.
- O carro não é meu.
- Não?... seu pai finalmente conseguiu convencer sua mãe...
- Não é do meu pai também. – Falei rindo enquanto ele fazia uma careta pensativa.
- Namorando?
- Você ficou mais esperto desde a última vez que nos vimos.
- E você ficou mais engaçada. Maldito sacarmos... mas me diga, vai me convidar para entrar ou ficaremos aqui até o amanhecer?
- Estou pensando no seu caso.
- Há há... Kagome.
Ri e afastando para que ele pudesse adentrar por ela.
- Souta e seus pais?
- Souta jogando videogame e os meus pais estão fazendo o jantar, minha tia logo deve estar chegando com as minhas primas.
- Cheguei muito cedo pelo jeito.
- Se quiser ir embora e voltar mais tarde, fique a vontade.
- Você ainda me dá diabete de tão doce. Então você é a pobre alma? – Perguntou Nagi quando entrou na sala e viu Sesshomaru, que apenas desviou os olhos da televisão. – Nagi Kazuaki.
Pela primeira vez em minha vida, eu pude ver os pensamentos de Sesshomaru se conectando as fatos fragmentados de sua memória o fazendo chegar as conclusões. As quais pude ver perfeitamente quais eram:
Primeiro a aparência de Nagi, era a mesma de uma personagem do meu primeiro Best Seller "Rosa e Sangue", um dos protagonistas: Takashi, alias, Sesshomaru tem uma edição de colecionador em seu escritório dessa minha serie.
Segundo, KAZUAKI!
Senti um frio na espinha quando meu namorado ergueu a sobrancelha me direcionando um olhar impiedoso de quem me fatiaria e serviria aos peixes mais tarde, enquanto com uma voz fria respondia ao cumprimento de Nagi:
- Sesshomaru Taisho.
- Namorado da Kagome, presumo. – Sesshomaru apenas acenou com a cabeça. - Eí, não obtive a oportunidade de falar com você antes. - Começou Nagi voltando sua atenção para mim. - Mas lhe vi no jornal algum tempo atrás... Kazuaki Hiroshi.
- Me descobriram, finalmente. – Respondi tentando fazer o clima não ficar tenso, mas Nagi não estava ajudando me chamando pelo meu pseudónimo.
- Lembra que eu falava que um dia descobririam e esse seu rostinho lindo ia aparecer nos noticiários?
- Lembro...
- Aliás, você nunca mais me mandou seus manuscritos, pensei que continuaríamos amigos mesmo após o termino do namoro.
Meu olhar seguiu de Nagi para Sesshomaru, notei o desviar do olhar do segundo da televisão para mim, cruzando os braços erguendo a sobrancelha mandando que eu explicasse imediatamente quem era o Nagi e se ele realmente era meu ex namorado, caso fosse, explicasse o motivo de estar ali, na casa dos meus pais mantendo uma conversa tão "agradável".
- Você é muito ocupado no hospital. – Falei me afastando de Nagi e sentando ao lado de Sesshomaru.
Eu estava pensando em uma forma de explicar a situação para Sesshomaru, precisava tomar cuidado com as palavras, afinal havia certeza de que se as palavras não fossem usadas corretamente, isso desencadearia uma briga realmente séria e dessa vez ele teria total razão, afinal, eu deveria ter contato sobre o Nagi... mas eu esqueci completamente desse traste que eu conhecia bem o suficiente para saber que estava criando uma situação complicada para testar o meu relacionamento.
E ainda havia o fato de Nagi ser muito manipulador e se divertir colocando as pessoas em situações complicadas, uma vez disse que servia como estudo sobre a humanidade, já que cada pessoa possuía uma reação diferente a uma mesma situação.
Havia passado apenas alguns segundos enquanto eu escolhia a melhor forma para explicar tudo ao meu namorado, contudo o ex tinha que provar que a frase de "ex bom é ex morto" era algo verídico.
- Deve ser estranho ver o ex da namorada na casa dos pais do dela, né senhor Taisho. – Nagi questionou sentando na poltrona favorita do meu pai. – Acontece que sou vizinho os senhores Higurashi. E como foi um namoro de longo tempo, acabei criando vínculos afetivos com a família Higurashi.
- Sesshomaru, esta com fome? Posso afanar algo da cozinha. – Falei rapidamente quando notei que ele entre abriu a boca. Sinceramente, não estava disposta a arbitrar um combate verbal entre aqueles dois.
- Não estou com fome...
- Sede?
- Não... Você disse que seu sobrenome é Kazuaki.
- Disse, e sim, ela usou o meu sobrenome como pseudônimo. – Eu queria sair correndo dali e me esconder embaixo das cobertas na cama dos meus pais, de preferência com ambos ao meu lado me protegendo. – Kagome usou o meu sobrenome e do Yuri para criar o pseudônimo, foi uma forma de nos homenagear por ajuda-la com o seu primeiro livro. Uma adolescente lançando um livro parecia impossível, mas a gente conseguiu depois de alguns contatos dos pais do Yuri e com a minha determinação em apoia-la e não deixar desistir de seu sonho de ser escritora. Bons tempos, não é, Ka?
Para de me chamar de Ka, pela amor de tudo que é sagrado nesse mundo desgraçado.
- Adolescência é uma boa época, mas prefiro agora. – Voltei minha atenção para Sesshomaru. – O Yuri usou um sobrenome falso para ser promover no mundo artístico, pois Hashiro é sobrenome de seu avô materno que era ator de teatro, mas nunca conseguiu grande sucesso, então o Yuri quis fazer uma homenagem.
- Falando no Yuri, ele quase me matou quando não fui ao seu aniversário.
- Você se mudou e esqueceu Tóquio. – Respondi dando de ombros e segurando a mão de Sesshomaru.
- Não esqueci apenas muitos plantões para pouco Nagi. – Ele respondeu rindo da própria piada. – Mas sempre que falo com ele, este diz o quanto está feliz com a nova namorada, a Rin, fiquei surpreso quando soube.
- A Rin e você perderam o contato, né?
- Você deve se lembrar de como a universidade me deixava ocupado. Você tem muito contato com os amigos da Ka, Taisho?
- O suficiente para saber seus nomes.
- Dica, nunca irrite a Sango, ela sabe como te destruir de forma física e psíquica.
Sei que parece que a conversa estava se desenvolvendo de forma agradável e que estava tudo bem, contudo, se você não estava naquela sala, não há como saber o clima que realmente se instaurava lá. Quase chorei de emoção quando minha tia chegou com minhas primas quebrando aquele clima tenso dando lugar ao de comemoração de aniversário de minha mãe.
O restante da noite seguiu sem grandes acontecimentos, Sesshomaru falou menos que o normal, o que deixou claro que ele estava bravo, contudo, eu era a única que o conhecia suficientemente para saber que estava sentindo realmente, os outros ali presentes apenas entenderam que ele era um homem de poucas palavras.
Minha prima Masaki precisou me puxar para um canto da sala para me perguntando a onde eu havia encontrado aquele "Deus Grego" e ficou indignada quando contei que sentia medo dele no começo e que eu havia me apaixonado acidentalmente pelo Sesshomaru, nesse ponto da conversa minha tia Kioshi estava participando, comentou sobre como minha mãe parecia estar pálida e que havia mesmo ter amado o meu namorado, afinal não parava de servi-lo e agradecer o presente, o qual estava junto com os outros em seu quarto, eu havia deixado lá aquela manha, acredito que ela já havia aberto, fiz uma nota mental de perguntar o que ele havia comprado para ela.
Reiko passou a noite toda no colo do Nagi sussurrando algumas coisas em seu ouvido que fazia ele olhar Sesshomaru e contorce os lábios, acredito que fazendo força para não rir. Masaki disse a irmã estava completamente apaixonada pelo meu namorado e que era para tomar cuidado, afinal, ela tinha o fator fofura ao seu lado.
Após o parabéns e todos irem para suas casas minha mãe me mandou mostrar o quarto de hospedes para Sesshomaru, foi nesse momento que tiramos nossas malas do carro, porém, o alivio deu lugar a medo quando após explicar a onde ficava o banheiro e o meu quarto, notei que estávamos sozinhos naquele cômodo. Pensei em tentar preserva nossa relação em uma fuga do quarto antes que ele começasse a fazer perguntas dando margem a uma briga.
- Agora entendo. – Ele falou me fazendo esquecer a fuga por hora.
- Entende? – Questionei enquanto o via descalçar os sapatos.
- Rin desconversou quando perguntei sobre o pseudônimo.
- Você perguntou?
- Não, disse que perguntei para criar um clima de dialogo entre nós.
Fiquei na duvida se aquilo fora sarcasmo ou de fato um plano dele, por isso apenas deixei a cabeça cair para o lado em uma expressão confusa enquanto Sesshomaru desvia o olhar para a janela do quarto.
- Fiquei curioso sobre a origem do nome, pois não lembra muito o seu original. Ela desconversou um pouco e depois disse que era por causa do significado. Entendo o segredo agora. Saber que é o sobrenome de um homem com quem você namorou, me irrita.
- Não éramos namorados na época, se serve de consolo. – Respondi recebendo um olhar de desdém dele. – Sério, Nagi e eu... só na época da universidade, no ginásio ele era apenas meu amigo. Até porque eu achava que gostava do Yuri...
- Yuri?
- Falei de mais...
- Você saiu com o...
- Esquece isso.
- Por que diabos você não se foca apenas nas amizades femininas?
- Tem certeza? Elas geralmente gostam de beber e observar a beleza masculina.
- Fique sem amigos!
Ri da careta emburrada que ele fez, uma expressão nova para aquele homem. Sentei em seu colo o fazendo ergue a sobrancelha me questionando silenciosamente. Estou ficando muito boa em ler as entre linhas de gestos por causa do Sesshomaru.
- Você nunca me perguntou sobre meu inicio de carreira. Por isso não falei. E eu apenas me lembrei do Nagi quando estávamos vindo para cá... mas ai não sabia como lhe explicar. Desculpe. – Apertei seu rosto com as mãos. – Vamos, não fique irritado, ele é apenas um amigo da família.
- Quanto tempo namoraram?
- Isso não importa, para que ficar falando sobre algo que já acabou a tanto tempo? Era para ser uma viagem agradável, não se esqueça. – Respondi notando a as defesas dele começando abaixar, sorri dando um leve beijo sob seus lábios.
- Dessa vez, vou perdoar sua displicência.
- Obrigada. Agora descanse.
Acredito que Sesshomaru estava tão disposto a evitar brigas, assim como eu, pois o final de semana foi tranquilo, senti vontade de matar Nagi quando ele arrastou meu irmão, pai e namorado para um programa de macho. Queria segui-los, contudo, mamãe decidiu que as mulheres deveriam fazer um programa só delas, isso me rendeu uma passagem para o karaokê e obrigação de levar minha mãe bêbada para casa, na manha de domingo deixei claro que se minha mãe e minha tia não fosse mais responsáveis, elas teriam que pagar o terapeuta da Reiko, sim, a pobre criança estava conosco.
Na viagem de volta para Tóquio tentei saber como havia sido o programa de macho, mas apenas consegui um silencio mórbido dentro do carro. Durante quase uma hora de vinte minutos fique dando soquinhos no ombro do meu namorado, que apenas conversava comigo sobre assunto aleatórios ao que realmente queria saber. Quando ele estacionou o carro na frente do meu prédio, soube que eu morreria sem saber que havia acontecido entre aqueles quatro.
- Boa noite. – Ele disse quando eu tirei o cinto.
- Obrigada por ter ido comigo.
Ele acenou com a cabeça e se aproximou me beijando, me separei dele rindo quando esbarrei na buzina. Ainda estava rindo quando senti afastar as mechas do meu cabelo do rosto, corei com aquele gesto de carinho, ainda estou me acostumando com as demonstrações de afeto repentinas.
- Não gostaria de subir e beber alguma coisa?
- Aceito o convite.
Sorri e ambos saímos do carro seguindo para o prédio.
Capítulo chato, eu sei.
Mas eu quis colocar um pouco mais dos dois como casal e revelar um pouco mais da Kagome.
Prometo melhorar no próximo, desculpe a demora.
Beijos e deixem comentário por favor.
