Capítulo XXI – Saindo com o Ex.
Aquele barulho do restante do Milk Shake sendo sugado pelo canudo estava me irritando. Minha vontade era de dar alguns tapas no Yuri para ver se por algum obsequio ele compreendia que fazer aquilo era grotesco e muito, mas muito mesmo, nojento. Talvez se eu pulasse sobre a mesa e o esganasse ele entenderia que não devia fazer aquilo quando estava em minha companhia, ainda mais quando me abrigou a sair cedo da cama em um domingo, será que esse traste não compreende que domingos são feitos para serem acordados após o meio dia?
Apesar de que desde que comecei a namorar o Sesshomaru, meus domingos sagrado tem sido violados com mais frequência.
Eu já estava com os nervos à flor da pele quando ele ergueu o copo de Milk Shake analisando seu conteúdo, como se fosse encontrar algum compartimento secreto ali dentro, soltei um suspiro e comi uma panqueca esperando que meu amigo começasse a contar o motivo de ter solicitado aquele café da manha, lembrando de tal solicitação, recordo que seu telefonema foi um tanto quando enigmático ontem a noite, quando perguntou se eu tinha um tempinho nesse domingo, respondi que sim e as sete da manha estava esse traste tocando minha campainha.
Qual é a finalidade de um porteiro no prédio se ele deixa todos subirem sem me avisar antes?
Tenho que ver a fatura do condomínio, me recuso pagar o salário dos porteiros!
Ao menos estou comendo de graça, o que faz maravilhas com o meu humor.
- Kagome. – Ele disse finalmente, enquanto fazia um gesto pedindo mais Milk Shake de creme para a garçonete. – Eu estava pensando em meu namoro com a Rin.
- Como assim?
- Sabe, iremos fazer um ano de namoro em breve...
- Faltam quatro messes ainda, Yuri.
- Então... em breve... quero fazer algo especial...
- Você me acordo para planejar algo para daqui quatro messes? – Estreitei os olhos o fazendo se recuar em seu assento.
- É planejar algo importante para daqui quatro messes. – Ele me corrigiu pegando o Milk Shake com a garçonete. Respirei fundo e tentei pensar em algo para ajudar meu amigo precoce. Admito que pensei besteira quando cheguei a conclusão de que Yuri era muito precoce. – Não tem nem mesmo uma mínima ideia do que deseja fazer?
Ele ergueu o dedo indicado em um sinal para que eu o esperasse terminar de dar aquela golada em sua bebida, rolei os olhos soltando um auditivo "humf".
- Aqui, estava pensando nisso. – Ele pegou algo em seu bolso apenas pude identificar o que era quando estava na mesa.
- Que caixinha linda. – Falei pegando a caixinha de veludo em forma de ursinho. – Mas você poderia se esforçar mais para escolher um presente.
- Engraçadinha, abre.
- Olha, até algo dentro.
- Pare de ser chata.
- Você me privou de dormi docinho, agora aguenta. – Respondi abrindo a caixinha de veludo, esperando encontrar ali um par de brincos, era comum dele dar brincos a namoradas, contudo o que encontrei ali dentro me fez prender o ar e levar a mão a boca.
Não havia um par de brincos, como podem imaginar, mas sim um anel, contudo não era um anel qualquer, mas sim uma aliança. Não sou especialista em joias, mas posso apostar um dos meus rins que o detalhe no centro dela era de ouro branco. O detalhe não era apenas um faixa que passa no meio da aliança dando um toque diferenciado, mas sim um símbolo de eternidade, ou seja, um oito deitado.
- Por que você quer minha ajuda? – Perguntei sentindo minha voz vacilar. – Você já esta fazendo algo especial.
- Eu to nervoso. Nunca pedi uma mulher em casamento antes, não sei como fazer.
- Rin, você...
- Continua e eu te jogo esse Milk shake na cabeça.
Ri fechando a caixinha de veludo, entreguei a ele que a guardou novamente no bolso da calça. Fiz um sinal para garçonete se aproximar e pediu um saque e o especial do dia, tanto ela quanto o meu amigo me encaram espantados, contudo o único que questionou foi Yuri, assim que a garçonete saiu para informar meu pedido ao cozinheiro.
- Saque? A essa hora?
- Preciso dar uma calibrada para te ajudar decentemente, me conte tudo que planejou.
- Não planejei nada.
- Calma, vou ligar pra Sango, Ayumi, Eri e Yuka. Precisamos de toda ajuda nesse momento.
Trinta minutos depois eu estava tomando meu terceiro copo de saque enquanto Eri e Yuka exprimia Yuri contra a parede da lanchonete enquanto faziam comentários dignos de contos de fadas, a única mais realista ali era a Sango, para ser sincera – Ayumi ainda não havia chegado. Incrível como suas amigas chegam rápido quando você menciona o nome de outra amiga e a palavra "casamento" na mesma sentença.
No fim o único que não deu opinião sobre o pedido de casamento foi o futuro noivo, que foi obrigado a jurar que faria tudo que havíamos combinados. Sinceramente, tenho muito medo do que pode acontecer com o meu amigo caso ele não siga a risca o que foi determinado.
Resumidamente ficou decidido que seria um dia perfeito, ele faria tudo que ela mais gostava o dia todo. Ou seja, começaria com um café da manha em uma lanchonete americana muito famosa aqui em Tóquio, Rin é viciada em panquecas com calda de caramelo estilo norte americano. Após eles iriam no Museu Nacional de Tóquio para satirizar as obras de artes, sendo seguidos por um piquenique a onde ele distraidamente iria começar a falar sobre o como a amava e queria definhar ao seu lado, ou coisa do tipo, mas não seria naquele momento o pedido, não, eles ainda iriam ao cinema, assisti um novo filme de terror que foi lançado – qual provavelmente será objeto de sátiras deles – e no final da noite, quando achar que tudo aquilo havia sido seu presente de aniversário de namoro, ele a levaria até a Torre de Tóquio e sobre as luzes das estrelas e artificiais, faria o pedido.
Sinceramente acho que alguém tão famoso como o Yuri deveria fazer isso em um lugar mais privado, contudo minha opinião nem foi levada em consideração por aquelas quengas.
Já era três horas da tarde quando saímos da lanchonete, Yuri me deixo em casa agradecendo minha companhia e me amaldiçoando por chamar as mandonas, elas estavam juntos e o comentário rendeu alguns tapas no futuro noivo. Apenas quando entrei em casa e coloquei a bolsa sobre a mesa de centro da sala, que peguei meu celular notei as cinco ligações do meu namorado, em minha memória veio o ato de Yuka pegar meu celular sobre a mesa e o colocar no vibrador, ela havia feito aquilo com todos os celulares, para não sermos interrompidos.
Enquanto discava, me indagava se deveria comentar sobre o fato da irmã dele teria um noivo daqui a quatro messes. Decidi que não quando ele atendeu em um "Alô" mal humorado.
- Boa tarde, dormiu bem? Como foi sua manha? Seu pai voltou de viagem? Com a Rin esta?
"- Me encher de perguntas não vai me fazer esquecer que você não me atendeu."
- Desculpe, estava ocupada. – Ele não me respondeu, em minha mente pude ver claramente sua sobrancelha esquerda erguendo, me indagando silenciosamente sobre o que havia me ocupado até aquela hora. – Por que me ligou? Saudades de minha voz?
"- Não."
- Sesshomaru, não seja insensível, se for preciso, finja.
"- Hum..."
- Dois. – Acredito que ele rolou os olhos naquele momento.
"- Estou indo até sua casa."
- Tudo bem... Sesshomaru? – Afastei o celular do ouvido e depois voltei. – Sesshomaru? – Voltei afastar vendo a mensagem que a ligação havia sido encerrada. – Mas que aloprado maldito.
Fara pagina, notando o quanto sou desligada. Qualquer pessoas teria notado aquela manchete, exceto uma viciada em quadrinhos que compra o jornal já o dobrando na parte dos quadrinhos, mas precisam me dar um desconto, haja vista que passei a ler jornal apenas quando fui manchete dele, quando houve aquele episodio da descoberta de Kagome Higurashi por detrás de Kazuaki Hiroki. Portanto não ter notado aquela manchete era aceitável... tudo bem, nem tanto.
A manchete possuía o seguinte titulo: "Atriz e Executivos em um passeio romântico".
Segui para página que possuía a matéria. E síntese relatava um passeio romântico de Kagura com um executivo muito importante no Japão, que por mera coincidência se trata de meu namorado. Não haviam mais fotos ali, por causa de ser um jornal, o que me fez querer comprar uma revista de fofoca, qual de fato eu fui buscar, não voltei para casa, apenas paguei e folhei até a pagina com a matéria, como imaginado havia mais fotos, um dos dois em um restaurante conversando, ela estava inclinada muito próxima, na outra foto ela estava dependurada em seu braço.
Acho que li a matéria umas cinco vezes antes de seguir até minha casa, a onde encontrei meu namorado o qual notei que segurava o jornal que havia comprado e acompanhei seu olhar ate a minha mão a onde estava a revista. Sesshomaru deu um passo em minha direção abrindo a boca, sua expressão podia ser a típica de "sou indiferente a tudo", mas seus olhos não me enganavam, ele estava angustiado.
- Kagome...
- Não fala comigo. – Respondi automaticamente pegado a chave do meu carro na casinha de chaves pendurada na parede ao lado da porta de entrada, ele deu mais um passo na minha direção, então sai de casa batendo a porta, queria aproveitar que o elevador ainda estava no mesmo andar, contudo Sesshomaru foi mais rápido segurando a porta do elevador.
- Precisamos conversar.
- Eu sei, mas agora não.
Passei por debaixo de seu braço me dirigindo até a escadaria.
- Espera. – Ele seguro meu braço. – Eu disse que precisamos conversar.
- Eu disse que agora não. – Puxei o meu braço e comecei a descer a escada.
Entrei no carro e apenas notei a onde havia ido quando estacionei na frente da casa dos meus pais. Meu pai nem mesmo pareceu surpreso em me ver, na verdade, segurou o braço de minha mãe a impedindo de ir atrás de mim quando segui para o meu quarto, a onde fechei as janelas e deitei na cama.
Por uma meia hora ou mais não consegui pensar em nada, apenas contemplei o teto do quarto, em seguida começou um juro silencioso, que até hoje não se foi de raiva, magoa, orgulho ferido, tristeza. Talvez um pouco de tudo. Minha mãe foi apenas uma vez no quarto para deixar uma bandeja de comida sob a mesa do meu antigo computador, fiquei de costas para ela e não a respondi, fingi estar dormindo, mas sei que ela não acreditou.
Liguei meu antigo computador as três da manha, descarreguei minha raiva em um conto de cinco capítulos, que ficou pronto as seis da tarde da segunda feira. Ignorei o telefone e toda comida eu mamãe deixou em quarto, ouvi uma movimentação lá embaixo, as não sei dizer se era Sesshomaru que havia vindo me procurar ou se era minha mãe dizendo ao meu pai que ele precisava fazer alguma coisa, ela sempre se desespera quando um de seus filhos não esta comendo, uma vez que ambos são glutões.
- Você esta horrível.
Minha intenção era ignorar Nagi e continuar a jogar RPG On Line que estava estalado em meu computador e há muitos anos não conectava. Fiquei até meio surpresa em ver que aquele jogo ainda estava na ativa. Entretanto o jogo é irrelevante, o importante é a atitude de Nagi, qual foi me pegar sobre o ombro e sair comigo de casa. Gritei. Esperneei. Até xinguem a coitada da mãe dele, contudo, toda minha resistência foi ignorada e brutalmente violada. Quando finalmente desistir de me debater, chegamos ao nosso destino, uma sala de karaokê, fui jogada no sofá e ele pediu cerveja e petiscos para atendente enquanto escolhia uma musica qualquer na pasta.
- Você assustou a atendente com essa cara e cheiro de zumbi. Não tem chuveiro na sua casa não menina? – Ele comentou ainda observando a pasta com a listas de músicas, instintivamente cheirei minha roupa, eu precisava de um banho. – Triller, Michael Jackson.
Ergui minha sobrancelha enquanto Nagi selecionava a música e pega o microfone, minha intenção era ficar mal humorada e esfaquear ele assim que aparecesse uma faca por aqui, mas ver um homem daquele tamanho rebolando enquanto canta Michael Jackson, bom, digamos que depois de dois "Au" ala Michael, eu estava me acabando de rir no sofá.
Como um infeliz desse pode ser médico?
- Sua vez. Tem que dançar se não é nula a música.
- Não estou afim de cantar.
- Eu também não estava afim de ouvir você cantar. Você canta muito mal.
- Eí.
- Você parece uma porca dando cria quando canta.
- Viado! – Dei um tapa estalado no ombro dele.
- Ai! E você sabe que eu não sou viado. – Ele retruco massageando o local que eu havia batido enquanto me mandava uma piscadela.
- Porca dando cria?
- Eu sei... exagerei... a porca é mais afinada.
- VIADO MALDITO... ME DÁ ESSE MICROFONE.
- Não. – Empurrei ele pegando o microfone e selecionando qualquer musica conhecida. – Eu me vou.
- Calado, sente-se e me escute... e ai de você se não gostar. – Adverti dando um chute em sua canela.
Quando dei por mim estava cantando com o idiota do Nagi, ambos muito desafinados e levemente alegres por causa das garrafas de cervejas. Lembro bem o motivo de ter me apaixonado por ele no passado, essa combinação lindo, charmoso e incrivelmente irritante faz uma garota se sentir atraída. Minha mãe me disse uma vez que as mulheres nunca se apaixonam pelos homens que fazem tudo que elas querem, mas sim por aqueles que a irritam de formas inimagináveis. Não sei se é uma lei universal, mas, ela funciona muito para mulheres da família Higurashi.
Ao sair do karaokê eu estava andando meio escorada no Nagi, provavelmente minhas bochechas deveriam estar muito rosadas indicando a total embriaguez. Ele parecia muito bem, ao menos não tinha dois pés esquerdos que o faziam tropeçar no plano, como eu tinha naquele momento.
- O domingo tinha começado razoavelmente bem. – Resmunguei enquanto Nagi me impedia de ser atropelada. – O Yuri me acordo cedo, mas tudo bem aquele cavalo banguela com reumatismo sempre faz isso quando esta em desespero. Daí, ele disse que queria se casar... uhuuuu! – Eu estiquei as mãos rindo como uma idiota e meu amigo precisou segurar minha cintura para que a gravidade não me provasse que ainda existia. – Porém, contudo, entremete, todavia, no entanto...
- Pare de falar sinônimos para "mas".
- Mas. – Apertei o dedo contra o nariz dele e continuei. – Aquele obtuso, safado, cachorro, ordinários de uma figa do meu namorado foi fotografado com uma atriz famosa... e eram fotos realmente intimas, se for pensar direito... ele não gosta que o toque e ela tocou ate demais.
- Haviam apenas quatro fotos.
- Então, aquela vadia despeitada tocou meu namorado quatro vezes! – Fiz cinco com a mão e ele abaixou um dos meus dedos.
- Acha que seu namorado te colocou enfeite na testa?
- Ele não me deu uma ban... ban... uma faixa. – Respondi intrigada, Nagi rolou os olhos. – Ele deu? Será que esta escrito "banzai"?
- Eu estou perguntando se você acha que ele a traiu?
- Trair? ELE ME TRAIU? MALDITO! CACHORRO.
Nagi tampou minha boca enquanto esboçava um sorriso amarelo para as outras pessoas na rua. Eu continue falando, mesmo tendo o som de minha voz abafado pela mão dele.
- Eu perguntei se você acredita no que estava na revista. – Ele retirou a mão da minha boca, em seguida me impediu de ser atropelada mais uma vez.
- Partindo do principio da personalidade destorcida dele... não ele não traiu.
- Personalidade destorcida?
- É... cretinamente gostoso. Maldito, vou atropelar aquele executivo engomado usurpador do charme do James Bond.
- Se você acredita que ele não te traiu, por que veio pra cá?
- Por que se eu ficasse a gente ia brigar muito... mas muito feio mesmo. Íamos terminar, somos dois orgulhos então nenhuma dos dois iria tentar uma reconciliação depois... GATINHO!
Sai correndo feito uma retardada atrás de um gato imaginário, enquanto Nagi corri atrás gritando para eu voltar. Foi assim até chegarmos na rua de casa, a onde ele finalmente me alcançou e me arrastou até meu quarto, tiro minha sandália quando me deitei na cama, em seguida sentou ao meu lado tirando os fios de cabelo do meu rosto.
- Durma um pouco. Tome um banho. Coma algo e vá falar com seu namorado. Certo?
- Por que eu tenho que falar com ele?
- Por que se não o fizer, penduro uma calcinha sua em cada poste de luz de Tóquio.
- Você não faria isso.
- Quer pagar pra ver?
- Passo.
- Imaginei. Boa noite zumbi com voz de porca dando cria.
- Vai para o inferno.
Ele riu e beijo minha testa saindo do quarto em seguida, o álcool me fez adormece rapidamente, me deixando apena uma maldita resaca no dia seguinte. Após um banho e um café da manha reforçando a onde eu tentei acalmar meus pais, resolvi seguir o conselho do Nagi e ir falar com o meu namorado, contudo, não antes de acertar as contas com uma certa pessoa.
Nota da autora: Eu sei que o capítulo anterior tem cara de final, contudo, como podem ver, ainda não é o fim dessa não tão emocionante estória.
Ainda sem beta, quem se interessar me add no face ( Mary Moraes – São José do Rio Preto) ou no MSN, que está no meu perfil daqui do FF.
Estou realmente ocupada com o ultimo período da faculdade então, não esperem capítulos tão rápidos quanto antes.
Espero que gostem desse capítulo e por favor deixem suas opiniões, elas fazem com que eu melhore e com isso os capítulos evoluem.
Beijos...
E...
Vida longa e prospera para todos.
