Capítulo XXII – Se vingando por orgulho.

"- Você está agindo com uma adolescente mimada. Atenda meu telefonema ou me ligue antes que eu perca minha paciência e lhe force a me ouvir."

Afastei o celular do ouvido e desliguei o correio de voz. Inacreditável como um homem engole o orgulho e liga várias vezes para namorada quando este sai em jornal e revistas de repercussão nacional. Mas bem que ele poderia ser mais delicado, se não conhecesse aquele gênio ruim com certeza não entenderia que na verdade ele esta desesperado tentando falar comigo. Resolvi o deixar ficar desesperado por mais algum tempo para aprender a não deixar outras mulheres o agarrarem daquela forma.

Sou uma pessoa vingativa quando pisam em meu calo. Ser a corna da relação fez meu sangue ferver, sem falar em meu orgulho ferido, ainda vou ter uma conversa muito seria com o Sesshomaru, apesar de que minha mãe ter confirmado que ele tinha ido me procurar em casa quando eu estava trancada em meu quarto fez meu coração amolecer um pouco, contudo, me agarrei no orgulho e coloquei meu plano de vingança em ação.

Por essa razão eu estava na casa de Sango, sentada em seu sofá enquanto ela andava de um lado para outro proferindo adjetivos nada agradáveis para Kagura, enquanto Miroke estava com os braços cruzados e olhos fechados apenas acenando afirmativamente com a cabeça, concordando com tudo que ela dizia e às vezes ajudando ela com ela com os adjetivos.

- Muito bem, Miroke você empurra e eu passo com o carro por cima dela.

- Sim, sim. Eu empurro.

- Passo por cima dessa biscate mais de uma vez.

- Sim amor, mais de uma vez.

- PARE DE CONCORDAR COM TUDO!

- Sim amor, eu paro... AI!

- Qual o plano? – Indagou Sango sentando meu lado, enquanto seu marido esfregava o braço no lugar e que Sango havia dado um tapa. – Você tem um plano, não tem?

- Mas é claro que tenho um plano.

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- Yuri, levanta. – Falei empurrando meu amigo da cama de casal.

Ele se levantou e coçou os olhos, em seguida balançou a cabeça passando a mão pelo cabelo o deixando mais bagunçados. Dois segundos depois ele colocou as mãos sobre o peito nu soltando um grito afeminado.

- Pare com isso. – Falei rolando os olhos, sentei na cama.

- Eu estou semi nu.

- Você esta de calça, agora senta aqui.

- Se quiser tiro a calça e deito ai.

- Calado e se sente.

- Quer ligar pra Rin, sempre tive desejos sobre...

- Yuri!

- O que deseja de mim a essa hora da manha? Que horas são?

- Seis da manha... e se reclamar do horário eu juro que te bato com aquele taco de beisebol.

- Seis horas? Eu amo acordar cedo, por que reclamaria?

- Quero que faça um favor pra mim.

- As seis da manha?

- Vamos precisar da Rin para isso.

- Favor sexual? Topo!

- Se troque e vá buscar a Rin, te encontro na lanchonete defronte a minha casa.

- Tudo bem. Devo colocar uma cueca especial para ocasião?

- Coloca aquela do piu piu que te dei no natal passado.

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Observei o celular, havia algumas ligações perdidas do Sesshomaru, mas nenhum recado, nada de impressionar, afinal, ele não é o tipo de homem que fia tendo um relacionamento com a secretaria eletrônica da namorada, uma vez que ela nunca o atende. Por um momento senti que estava sendo muito má com aquele arrogante prateado, já que dormi novamente em um hotel, apenas para não correr o risco de encontrar lá em casa.

Quando entrei Rin, Sango e Yuri as dez da manha na lanchonete perto de casa, sorri satisfeita com o fato do plano ter sido realizado com tanto êxito, Rin até me disse que seu irmão estava muito estranho aqueles dias e mandou que eu conversasse logo com ele antes que ela tivesse que interferir em nossa relação.

Após algumas risadas e a promessa que contaria com detalhes como seria a conversa com Kagura, segui para estúdio de filmagem, os últimos capítulos do drama estavam sendo filmadas e eu sentia em meu intimo que Jakotsu me lançaria um olhar enfezado quando me visse, mesmo sabendo o motivo de minha ausência, para ser sincera eu não consegui prestar muita atenção no que ele me dizia, contudo minha atenção se voltou totalmente para Kagura quando a vi, próxima a mesa de comes e bebes produzida pela staff. Ela lançou aquele sorriso atravessado de quem havia ganhando uma guerra mas queria ser discreta quanto a vitória, entremete, ela não perdia por esperar.

Conatação estranha.

Mas enfim, quando chegou o momento de realizar as cenas de Kaoru, comecei a achar defeitos nos mínimos detalhes, até mesmo na forma em que ela andava, inventei que antes ela estava fazendo de maneira correta, mas agora, não estava certo. Claro que Jakotsu soube que eu estava implicando por conta da reportagem, mas ele não me deteve, na verdade, acredito que estava se divertindo com a situação. Como eu apenas queria a irritar Kagura não exagerei nas observações, mas fiz o suficiente para que ela viesse falar comigo, sou muito boa em fazer as pessoas querem tirar satisfações comigo.

- Se tem problemas com a forma que interpreto a Kaoru, seria preferível que me substituísse... ae.. seria muito ruim para publicidade do drama se isso acontece, não é querida?

- Sabe... eu estava pensando que... a atriz principal do drama precisa manter a boa aparência e talvez, quase tendo uma certeza, que caso ela se encontre em um lugar, digamos, pessoal, que de certa forma não venha ajudar em sua aparência publicitária, possa afetar também o drama, contudo, o drama não é eterno, sendo assim, caso uma informação ocmo essa vaze no final da exibição de Grouges, poderá ocorrer que tal atriz tenha sua fama abalada e sua carreira destruída.

Consegui o olhar que queria. O olhar de incredulidade misturado com medo, ela sabia do que eu estava falando, no entendo pude notar um brilho desafiador em seu olhar, a onde ficou claro de que não havia desistência sem luta, Kagura queria saber até a onde eu sabia. E eu fazia questão de que ela soubesse.

- Problema com a minha publicidade? Nunca possui nenhum problema, muito pelo contrário.

- Bom, caso eles descubram que você tem... – e aproximei sussurrando – Herpes genital.

Ela arregalou os olhos e deu dois passos para trás, em seguida se aproximou franzindo o semblante como se eu fosse ter medo da "putinha nervosa".

- Então foi você que...

Me aproximei segurando o braço dela, e com um sorriso de desdém.

- Sim, assim como você fez com o meu namorado.

- Sua...

- Calma amor. Não precisa ergue a crista, ainda. Mas lhe asseguro que a próxima reportagem sobre sua pessoa em uma revista em âmbito nacional será por conta desse encontro nacional de pessoas portadoras de herpes. Pode ser que em outros países isso seja visto como um ato de coragem e sensibilidade, mas estamos no Japão queridinha, somos conservadores. Ah, apenas a titulo de complemento, apenas não enviei as fotos para um amigo jornalista por causa do Jakotsu e os outros que estão trabalhando tanto nesse drama, contudo, nada impede que o faça depois.

Ela abriu a boca para me responder, mas acredito que o Tico e o teco entraram em horário de almoço, continue sustentando o sorriso desdém enquanto caminhava até Jakotsu, deixando minha, até então rival, refletir se eu realmente teria coragem de enviar as fotos dela na entrada do prédio a onde aconteceria o encontro nacional de herpes genital no Japão, em um lugar sem movimento e com apenas uma pequena placa deixando claro que aconteceria naquele local, placa a qual Sango fez questão de deixar bem aparente na foto.

- Algum problema, Ka? Quer que eu de um chegue pra lá na Kagura? – Perguntou Jakotsu repousando a mão sobre meu ombro.

- Não. – Sorri brandamente. – Está tudo sobre controle. Preciso ir resolver alguns assuntos pessoais..

- Sesshomaru?

- Sim, até amanha amor.

- Até paixão.

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Eu era conhecida pelos funcionários do meu namorado, afinal, havia estado naquele quadro a pouco menos de um ano, contudo, não havia voltado ali muitas vezes, muito pelo contrário, acredito que uma ou duas vezes estive lá como namorada do filho mais velho do presidente, por essa razão estranhei ao ver outra mulher na mesa que pertencia a Tomoyo, confesso que não gostei nada de constatar que ela era realmente linda e muito menos ao perceber que as possibilidades de que aquela seria a secretária do meu namorado, e como tal, passava mais tempo com ele do que eu.

Não que isso seja bom, se levarmos em consideração de que se tratando de Sesshomaru Taisho na condição de chefe, ele é um perfeito cretino, e você sente vontade de matá-lo na maior parte do tempo. Haruka veio ao meu encontro com um sorriso brando, correspondi o sorriso desviando totalmente a minha atenção da mulher loira de cabelos cacheados e olhos âmbar que estava sentada na antiga cadeira de Tomoyo com uma expressão de quem não fazia a mínima ideia do que estava fazendo.

- Há quanto tempo senhorita Higurashi.

- Tenha paciência Haruka, assim parece que nunca me chamou pelo nome.

- Formalidades.

- Esqueça elas. O mala se encontra?

Ela riu com o comentário, provavelmente se lembrando de como eu reclamava daquele mala nas vezes que almoçamos juntas.

- Não, ele esta em uma reunião com o senhor Inu Taisho.

- Faz tempo que estão lá?

- Um pouco mais de uma hora. Se quiser pode esperá-lo na sala dele.

Ergui a sobrancelha encarando Haruka enquanto ela abafava uma risada com sua mão esquerda, a direita estava em minha costas me conduzindo até a porta da sala de Sesshomaru.

- Ok. – Respondi me lembrando que ele era meu namorado, e esperá-lo em sua sala era razoavelmente normal, acredito que o temor de entrar naquele lugar sem o consentimento dele ainda me atormenta. – Mas não o avisa que estou aqui.

- Quer assustar o pobre. Sabe Kagome, você já se vingou por todos os relatórios que ele já lhe fez reescrever. – Ri enquanto ela voltava a atenção para a nova secretária de Sesshomaru. – Não avise o senhor Taisho que a senhorita Higurashi está aqui.

- Sim senhora.

Ouvi a porta sendo fechada atrás de mim enquanto minha atenção se voltava completamente aquela estante maravilhosa que ainda é alvo de minha cobiça. Vou pedir ela como presente no dia branco, o que me fez lembrar que meu ultimo dia dos namorados foi um fiasco, com direito a esquecimento de chocolate por obrigação e todo o resto, para ser sincera apenas me dei conta que era dia dos namorados quando Yuri me ligou desconsolado dizendo que esperava por uma barra de chocolate com nozes – por que ele recusava a comer qualquer coisa feita por mim desde que meu bento o deixo com diarreia no ginásio – contudo, tal barra nunca veio. Como protesto meus amigos machos resolveram não me dar nada no dia branco.

Deixei minha bolsa sobre o sofá e segui até a estante procurando por algum livro que minha memória denunciasse que não estava ali, de fato, havia uns dez novos livros, os quais me fez indagar como haviam cabido ali. Estante mágica, eu necessito dela. Parei de namorar a estande de Sesshomaru e segui para sua mesa, sentei em sua cadeira, sempre tive vontade de sentar naquela cadeira, parecia que se eu conseguisse, eu seria alguém muito sagaz.

E envolta de toda minha sagacidade, notei a revista sobre a mesa de Sesshomaru, estava no artigo em que falava sobre ele ser o novo namorado de Kagura, meu olhar percorreu pela mesa, notando enfim o quanto estava desorganizada, havias duas pastas de documentos a abertas, deixando visível que os documentos haviam se misturados, o notebook estava fechado e servido de apoio para o tablet e o celular, as canetas estavam espalhadas e um livro sobre finanças estava sendo utilizado para apoiar a caneca de café a qual estava vazia. Voltei minha atenção para revista, tentando ignorar o surto repentino de bagunça do meu namorado, aquelas fotos realmente me irritam.

Meu olhar desviou da revista para porta quando ouvi a maçaneta sendo girada, ao notar que de fato era Sesshomaru que estava entrando, comecei a ler em alto e bom tom?

- "Embora muitos tenham visto Sesshomaru Taisho, executivo de 33 anos, na companhia de Kagome Higarushi, também conhecida como Kazuaki Hiroki, escritora de 25 anos, na inauguração do drama Grouges, detalhes a seguir, fica claro que tal boatos pertinentes a estes mencionados acima são nitidamente falsos, e que há um romance se aflorando entre a nova queridinha do Japão e esse grande executivo".

Ergui o olhar da revista para Sesshomaru, que não esboçava reação alguma, nem ao menos consegui dizer se ele estava surpreso por me ver ali. Já disse que odeio essa expressão frígida que ele sustenta com tanto afinco?

Ergui a sobrancelha esquerda quando ele começou a caminhar em minha direção, ao ficar menos de dez centímetros da mesa, ergueu a mão em que segurava uma pasta amarela e apontou o indicador para mim.

- Minha cadeira.

Isso foi tão Sesshomaru que me fez ter vontade de voar em seu pescoço, como sempre um grosseiro. Levantei e ele sentou-se na cadeira, quando me movi para rodear a mesa em busca de um outro acento, perdi o equilíbrio com ele me puxando pelo braço, cai em seu colo.

Não sei explicar exatamente o que se passou na minha cabeça naquele momento, de todas as atitudes que ele poderia ter, essa foi a mais inusitada, ainda mais com o fato de que senti seu braço envolta de minha cintura. Talvez ele tenha entendido que eu fiquei irritada com a atitude dele – afinal, em primeiro momento eu tentei levantar, pois me assustei com a perda de equilíbrio – Sesshomaru pegou a revista e franziu o semblante, denunciando que estava escolhendo as palavras.

- Essas fotos. – Ele começou com uma voz diferente do usual, franzi o semblante estranhando o comportamento dele, tenho certeza que ele entendeu que havia ouriçado minha raiva, pois levou a mão ao queixo ponderando sobre sua próxima frase. – Foram tiradas quando eu estava em Kyoto resolvendo algumas transações que o imprestável do Inuyasha não obteve êxito. Elas eram com o pai dessa atriz. Eu estava almoçando no local mais perto da empresa quando ela me abordou.

- E você não conseguiu despistá-la? Ah sim, havia esquecido que você é um perfeito cavalheiro, incapaz de maltratar uma mulher.

- Eu disse claramente a ela que não possuo qualquer interesse, contudo, ela começou a fazer insinuações sobre como seria trágico caso a atriz principal se recusasse a continuar no papel, ainda mais, após a festa de lançamento.

- Ela usou o drama para lhe chantagear?

- Não houve chantagem alguma. Ela apenas o utilizou como escudo para não ser humilhada publicamente.

- Desde quando você deixa alguém se utilizar de meios capciosos para conseguir algo de você?

- Desde que lhe conheci.

Daí veio a indecisão:

Continuo sendo má para ele aprender a não deixar outras mulheres ficarem o tocando – como se de fato ele gostasse de ser tocado. Ou agarro aquele homem que havia alcançado o ápice de sua fofura com aquela declaração?

Respirei fundo me movendo para poder o observar melhor, era irredutível o fato de que ele não tinha qualquer culpa naquele ocorrido, e eu não estava brava com ele, irritada e com vontade de matar a Kagura eu estava, contudo, minha raiva dele havia se dissipado depois daquela bebedeira com o Nagi.

Sorri segurando o queixo dele, fazendo com que Sesshomaru deixasse de encarar a revistar para me olhar, me inclinei repousando meus lábios sobre os dele, minha intenção era apenas um selinho, mas não foi o que houve, quando dei por mim estava em um beijo cheio de saudades que me rendeu um aperto na cintura que me fez rir. Respirei fundo ao me afastar, sorri ao sentir a testa dele escorada na minha.

- Você não veio aqui realmente irritada, não é?

- Não, lhe perdoei já tem três dias.

- Maldita.

- Nunca mais deixe outra mulher lhe tocar daquela forma.

- Ciumenta?

- Nunca disse que não era.

Ele se afastou dando de ombro me fazendo rir, parei quando ouvi batidas na porta, fiz menção de levantar, mas ele me conteve pedido para seja lá quem fosse para entrar.

- Senhor Taisho o... – A nova secretária corou ao nos encarar, eu a entendo, eu também teria ficado desconcertada com aquela situação. Sesshomaru ergueu a sobrancelha e abriu a boca para falar algo, que fiz questão de impedir dando uma cotovelada em seu estômago, foi tempo suficiente da garota se recompor e continuar a falar. – O senhor Yatsuyu o espera na sala de reuniões.

- Cancele meus compromissos dessa tarde e peça para Parker ver Yatsuyu.

- Como?

- Eu não fui claro o suficiente? Por um acaso eu gaguejei?

Olhei para o teto e pensei: "Céus, como pode um homem ir do extremo fofo pro cretino tão rápido?". Fiquei com tanta pena da carinha desorientada da nova secretaria que me vi forçada intervir na conversa, acertando novamente uma cotovelada no estômago daquele mala.

- Eu vou sair, cancele meus compromissos e peça para Parker falar com Yatsuyu, falei em japonês claro suficiente para você agora?

- Sesshomaru. – Resmunguei enquanto a pobre mulher acenava afirmativamente com a cabeça e seguia para fora da sala pedindo licença.

- Agora vamos. – Ele se levantou me colocando em pé no processo.

- Você precisava falar daquela forma com ela?

- É a forma que falo com todos os funcionários dessa empresa.

- Chefe cretino. – Falei andando até minha bolsa que estava no sofá, ele não me respondeu. – Espera, você cancelou todos os seus compromissos dessa tarde?

- Acredito estar realmente com dificuldade no meu japonês. – Ele comentou sarcasticamente enquanto erguia as pastas na mesa, procurando a chave do carro.

- Não esta sendo muito relapso? Você já fazia muito isso quando pretendia transformar minha vida em um inferno nas gravações do drama.

- Nunca tirei férias desde que comecei a trabalhar nessa empresa. – Ele confessou tateando os bolsos da calça. – É necessário muito mais que cancelar alguns compromissos para que me considerem relapso.

- Você nunca tirou férias? – Ele balançou a cabeça de forma negativa retirando a chave do carro dentro do paletó que estava dependurado na cadeira em que estávamos sentados há pouco. – Você só pode estar brincando. – Ele me encarou erguendo a sobrancelha, me indagando silenciosamente se por um algum obséquio, ele era alguém que fazia brincadeiras daquela espécie. – Entendi. Há quanto tempo está na empresa.

- Por volta de onze anos, vamos indo.

- Vamos... mas, apenas para título de registro mental, você é louco.

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- Isso é patético. – Sesshomaru reclamou ao meu lado.

- Não, isso é um encontro.

- Um encontro patético.

- Quer ir embora? Vá.

Ele me encarou, e eu notei que havia vencido a discussão. Eu estava meio que me acostumando com aquilo, com ele fazendo todas minhas vontades, mesmo que reclamando. Sinto até que poderia brigar mais vezes com ele apenas para o ver assim tão manso com mais freqüência. No fundo eu entendo o sentimento de revolta dele, afinal estávamos na Disney, exatamente, após almoçarmos o convenci a virmos até a Disney, claro que ele se recusou, mas quando eu comecei a ligar para o Yuri dizendo que ia com ou sem ele... bom, aqui estamos.

- Que horas esse maldito desfile começa?

- Daqui a uma hora, enquanto isso, vamos fazer compras.

- Existem shoppings, sabia?

- Sério? Essa informação mudou minha vida. – Declarei o puxando pela mão seguindo para a loja de pelúcias. – Como minha tia não deixa minha priminha vim para Tóquio sem ela, vou mandar alguns ursinhos para a menina. E alguma lembrancinha para meu irmão e minha outra prima.

- Nada mais inspirador que receber um presente de um lugar que você quer muito ir.

Voltei minha atenção para Sesshomaru, rolei os olhos voltando minha atenção para os ursinhos de pelúcia do Mickey Mouse.

- Você não entende mesmo o espírito da coisa.

- Motivar sua prima a enlouquecer sua tia para que assim ela a deixe vir passar alguns dias das férias em sua casa. Pois bem, eu não entendo mesmo o tal "espírito da coisa". - O encarei, perplexa, ele havia descoberto meu plano capcioso. - Não revelarei seu segredo. – Acho que ele estava sendo zombeteiro comigo, mas com aquela expressão fria, não tem como saber exatamente o que ele tem em mente quando diz coisas desse tipo. Acredito que talvez seja uma tentativa de piada, o que chega a ser bizarro, Sesshomaru Taisho fazendo piadas.

- Vou levar esses. – Falei ignorando o comentário dele, e seguindo para o caixa com um ursinho de pelúcia do Pateta e outro da Minnie Mouse. Quando a moça do caixa disse o valor, me voltei para Sesshomaru, que se encontrava atrás de mim e peguei sua carteira apanhando algumas notas de yen, recebendo até um estreitar de olhos como resposta.

- Obrigada. - Agradeceu a mulher se curvando levemente em uma reverencia, foi quando algo inexplicável ocorreu, foi quando quase enfartei e mostrei a todos uma pessoa pode corar da cabeças aos pés.

Sesshomaru espalmou meu quadril.

Não foi um tapinha discreto de quem estava apenas fazendo uma piada e assim queria lhe irritar com ela.

Não!

Foi uma bela de uma pegada!

Eu até mesmo me sobressaltei com o susto e voltei minha atenção para ele com os olhos arregalados, corei de raiva junto com vergonha quando notei um sorrisinho singelo em meu namorado.

- Vamos, amor. - Ele disse enquanto começava a caminhar, fiquei encarando suas costas por alguns segundos, até ouvir risinhos de algumas adolescentes que haviam presenciado o ocorrido e estavam cochichando.

Aquele maldito de uma figa havia feito aquilo apenas para se vingar do fato deu ter o obrigado a ir a Disney e usado o dinheiro dele para pagar os presentes da minha priminha. E ainda havia dito "amor", apenas para deixar claro que aquela atitude foi vingativa.

Maldito ornitorrinco careca.

- Maldito. - Resmunguei quando o alcancei.

- Podemos ir agora?

- Já disse que quero ver o desfile.

- Falta quanto tempo?

- Tempo suficiente para comprar as lembrancinhas do Souta e Masaki.

Ele soltou um suspiro e colocou as mãos dentro dos bolsos da calça, sorri entrelaçando seu braço ao meu e o conduzi para a loja seguinte que era de roupas e peças decorativas. Ele não disse mais nada sobre irmos embora até depois do desfile, foi quando me arrastou para o carro resmungando algo sobre possuir algo de muito errado naquele lugar de "gente feliz", durante o caminho de volta deixei escapar que havia escrito um conto durante o tempo que passei na casa dos meus pais, isto rendeu um ida para minha casa em que Sesshomaru me fez mostrar tal conto, as nove da noite eu estava deitada no sofá da minha sala com meu namorado usando minhas pernas em seu colo de apoio para o meu notebook. Enquanto ele lia o conto, fiquei assistindo um programa qualquer na televisão.

- Além do conto, o que mais fez esses dias? - Sesshomaru fechou o notebook e o colocou sobre a mesa de centro da sala.

- Precisei me entender com Kagura.

- Bateu nela?

- Eu queria, mas achei melhor não.

- Ah. - Ele me pareceu desapontado, precisei me conter para não rir. - Então?

- Ameacei publicar fotos dela em um encontro de pessoas portadoras de herpes genital.

- Como?

- Longa história.

- Espero que ela aproveite esse drama, terá problemas no futuro, para conseguir um bom papel.

Entendi perfeitamente o que ele quis dizer:

"Ela nunca mais vai trabalhar em um drama descente se depender de mim".

Sinceramente, espero que ele realmente faça isso, aquela atriz conseguiu me irritar profundamente.

- O que achou do conto?

- Melancólico demais.

- Não gostou?

- Não disse isso.

- Seja mais claro. Gostou ou não gostou?

- Você já escreveu melhores.

Estreitei os olhos e chutei o braço dele, contudo ele conseguiu segurar meus pés me puxando, fazendo com que meu corpo escorregasse no sofá, queria protestar e o xingar, contudo, ao sentir seus lábios contras os meus e suas mãos deslizando pela minha cintura começando a erguer minha camisa, decidi que não queria mais protestar. A verdade é que ele não gostou muito do conto por ele ser muito melancólico, o que indicava que eu estava realmente muito triste quando o escrevi, e partindo do princípio que quem havia me deixando naquele estado de espírito deprimente fora o próprio Sesshomaru, então, não havia muito no que ele gostar naquele conto, ou seja, a opinião dele era suspeita.

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Quando acordei na manhã seguinte, confesso que estranhei, e muito, não o fato de estar utilizando o peitoral esculpido do meu namorado como travesseiro e nem o fato dele estar com o braço envolto da minha cintura, que sempre me apertava contra ele quando me mexia, não, não eram esses fatos que me causavam estranheza, mas sim o ato de Sesshomaru Taisho estar dormindo em um futon. Era uma visão que nunca me acostumaria, afinal, uma cama de casal estilo medieval ocidental era que combinava com ele, não um típico futon japonês, apesar de ser muito confortável e quentinho.

- Já amanheceu? – Sesshomaru questionou com a voz mais rouca que de costume, sorri apoiando o queixo em meus braços cruzados sobre o peito dele.

- Se eu acordei, provavelmente.

Sesshomaru levou a mão ao rosto apertando a palma sobre a testa, em seguida jogou a franja para trás abrindo os olhos. Ele se moveu se inclinando para pegar o meu relógio sobre a mesa de canto que geralmente era utilizada para deixar alimentos e refrescos.

- Estou atrasado para o trabalho. – Ele anunciou deixando o relógio na mesa e se sentando. – Vou tomar um banho.

- Eu vou dormir. – Respondi abraçando o travesseiro que ele utilizará, sorri ao vê-lo me olhar. – Vai ter que lavar suas costas sozinho meu bem.

- Eu não estava pensando isso.

Eu não queria levantar, para ser sincera, Jakotsu poderia aparecer naquele exato momento portando uma arma e mesmo assim eu não me levantaria, apenas uma coisa me faria sair da minha preguiça, o cheiro do café da manhã que fez meu estômago reclamar de fome, a minha preguiça era tanta que nem me dignei a pegar uma roupa minha, vesti a camisa social do meu namorado que estava no chão e segui para a cozinha.

Ouvi a campainha e deduzi que Sesshomaru atenderia a porta, contudo, eu já estava no arco que dividia a sala – que podia ser vista perfeitamente do hall de entrada – com o corredor e eu não imaginava que meu namorado seria tão The Flash em atender a porta, não me dando tempo para voltar para o quarto e colocar uma roupa, por isso, quando Nagi entrou cumprimentando Sesshomaru logo seu olhar veio até mim que estava apenas – e só apenas mesmo – usando uma camisa social masculina.

- Nossa. – Falou Nagi, fazendo Sesshomaru voltar sua atenção para mim, conseqüentemente franziu o semblante, uma das raras vezes que sua expressão facial de fato alterou-se. – Bom dia para você também, Kagome.

- AAAHHHHH! – Corri para o quarto ouvindo algo sobre "Não sei por que ela está com tanta vergonha" vindo de Nagi, quase voltei para bater nele, mas achei melhor primeiro me vestir.

Dez minutos depois eu estava vestida, sentindo meu rosto queimando de tanta vergonha, sentada ao lado do meu namorado que estava com uma expressão de dar medo, e com meu amigo/ex namorado Nagi Kazuaki na nossa frente, tomando café da manha conosco como se nada houvesse ocorrido a menos de dez minutos.

- O que faz aqui? – Questionei tirando dele a tigela de arroz. – Se quer comer faça algo pra você.

- Maldade. Tenho uma conferência, não quero gastar com hotel, então decidi me hospedar em sua casa.

- Durma na rua se não quer pagar hospedagem de hotel.

- Maldade, o que sua mãe vai falar ao saber que você se recusou a hospedar um amigo tão querido da família.

- Não ouse ligar para minha mãe.

- Posso até ouvir ela dizendo "Kagome, não foi essa educação que lhe dei, sabe quantas vezes Nagi foi até em casa quando seu pai enfartou? Sabe o quanto ele nos ajudou? Você não pode ser minha filha, sua malcriada, eu te repudio".

- Se você se atrever a ligar para minha mãe, juro que...

- Ele fica na sua casa, e você fica na minha. Resolvido. Agora tenho que ir trabalhar, vamos Kagome. – Sesshomaru se levantou e segurou meu braço me fazendo levantar com ele.

- Como? Sua casa?

- Sim, e não se preocupe com roupas, posso arranjar isso. Adeus Kazuaki.

E sem conseguir protestar, saí de minha casa, enquanto o sonso do Nagi acenava com um sorriso torpe.


Nota da autora:

E aí pessoal, sentiram saudades?

Bom, eu estou com o tempo meio corrido, mas escrever essa fic é que me deixa feliz.

Por essa razão, cá estou com mais um capítulo.

Lembrando que estamos na reta final.

Bom, gostaria de agradecer a minha mais nova beta Jamille, que caridosamente se ofereceu para me ajudar.

Como de costume, se ainda houve erros, reclame com ela xD

Sim eu sempre sacaneio minhas betas, enfim... também gostaria de agradever a Ruh, que se ofereceu para Betar a fic, mas como Jamille foi mais rápida fica para próxima fofa =D

A todos que comentaram, agradeço, aos que não comentaram, que voc~es tenham pesadelos com suas cocas sendo desperdiças forever.

Beijos e aqui fica o apelo de uma escritora carente, comentem, digam tudo que acharam.

Espero que tenha sido satisfatório as cenas ala casal dos dois.