Capitulo XXIV - Presentes

Desde que descobri o que eram metas comecei a sempre traçá-las em todo começo de ano, mesmo que não fosse de fato realizar elas, mas sim fosse apenas uma forma de amenizar minha consciência para que esta parasse de me reprimir, como o regime que você promete começar na segunda feira após um banquete no domingo. Por isso enquanto eu rabiscava minha nova agenda traçando minhas metas pude sentir o cheiro do chá de camomila que minha mãe preparava.

Meu pai e meu irmão estavam na sala assistindo alguma coisa que os faziam soltar palavrões, acho que era algum torneio de luta, não estou muito certa. Quando minha mãe sentou-se ao meu lado colocando minha caneca de chá na mesa, eu estava fazendo um quadrado sobre uma das minhas metas, a que dizia "arrumar um namorado que não me abandone no natal para viajar a negócios". Minha mãe leu e começou a rir, tentou disfarçar quando lhe lancei um olhar enervado, quando ela terminou de beber o chá começou a vasculhar os armários em busca dos ingredientes para preparar o jantar.

O motivo deu estar na casa dos meus pais naquele segundo dia de janeiro era o fato de que Sesshomaru havia viajado para a Coréia, para poder fazer o fechamento dos livros de contas da empresa.

Eu queria matar ele por ter que viajar em uma data tão importante quanto natal e o ano novo – apesar de que para nós japoneses o ano novo era muito mais importante que o natal, sendo que nosso ápice natalino é o Bolo Kurisumasu Keeki –, apesar de que entendo os motivos dele e ainda compreender a importância de sua supervisão... mas isso não significava que eu gostava.

Felizmente meu Natal havia sido muito bom, graças o galã que chamo de irmão, o qual me levou para sair e fez questão de ir a todos os pontos de encontro de jovens para que ele se gabasse da mulher que o acompanhava – palavras dele –, precisei me conter para não morder Souta sempre que ele estufava o peito e falava com orgulho:

- Ela esta comigo, fiquem longe seus idiotas, ela é boa demais para qualquer um de vocês.

Acho que o meu irmão realmente precisa de uma namorada.

Soltei um pesaroso suspiro e voltei minha atenção a minha lista de objetivos, risquei o que dizia "parar de ser sedentária e fazer exercícios", gosto de ser sedentária e se estou feliz assim, por qual motivo mudaria?

- Quando vai deixar essa listinha ridícula de lado e me ajudar? – Indagou minha mãe ainda atrás de mim.

- Meus objetivos não são ridículos, mãe.

- "Comprar uma gilete que não me de alergia." – A ouvi recitar atrás de mim, com aquela costumeira voz de tédio que utilizava sempre que queria me explicar o obvio. – Não vejo isso como um objetivo de ano novo muito digno.

- É super digno.

- Depilação com cera, nunca ouviu falar?

- Dói demais.

- Se não quisesse dor nascesse homem.

- A culpa não foi minha, o papai que não quis me passar o cromossomo "Y". – Parei por um momento observando minha mãe. – Papai não disse que íamos sair para comemorar meu aniversário?

- Com torneio nacional de jiu jitsu? Esqueça querida.

- Tão bom ser amada.

- Seu celular não sossegou o dia todo.

- Todos me amaldiçoando por não estar em Tóquio e meu aniversário ter caído em plena segunda-feira. – revelei me espreguiçando. – Única ligação que não foi para me amaldiçoar foi do Kyouta, ele vai publicar um conto que o enviei junto com um livro dos prodígios japoneses na literatura... ou algo do tipo.

- Isso é muito bom, agora se levante e me ajude aqui.

- Preciso mesmo?

- Sim, acabo de ouvir a campainha, sua tia deve ter chegado e nem temos o arroz pronto. Anda logo menina.

- Sim, mamãe. – Respondi me levantando e virando para minha mãe, quase dei um pulo para trás quando ela apontou uma faca do tamanho do meu antebraço pra mim.

- Corte o nabo.

- Isso pareceu uma ameaça.

- Corte errado e você se entenderá comigo.

- Correção, foi uma ameaça. – Resmunguei pegando a faca.

Suspirei e me concentrei em minha mais nova atividade. Estava tão concentrada que me assustei ao ouvir um "boa noite" de alguém que simplesmente não esperava encontrar até o dia dez. Mas meu sangue gelou mesmo quando me virei e me deparei com Sesshomaru com minha nova agenda nas mãos, a onde eu havia escrito que queria novo namorado e frisado muito isso. Confesso que senti vontade de socá-lo quando me olhou erguendo a sobrancelha, não sei se queria me desafiar ou debochar, como se eu não conseguisse alguém melhor.

- Sesshomaru, querido.

Ok, ouvir minha mãe chamar meu namorado ranzinza de querido me assustou mais que a ver com uma faca de serial killer em mãos. Para piorar, ele entregou uma garrafa de vinho a ela que eu não havia notado que estava com ele.

- Kagome, podemos conversar?

Ele balançou agenda indicando que aquele era o assunto, soltei um suspiro deixando a faca na pia enquanto minha mãe voltava a cortar os outros legumes, enquanto saímos da cozinha, minha tia passou por nós dizendo que era para eu aproveitar meu namorado enquanto o jantar não ficava pronto, se meu pai não estivesse tão compenetrado na luta provavelmente teria reclamado. Seguimos para o meu quarto, sentei na cama enquanto ele se mantinha em pé observando o cômodo, as coisas estavam um pouco bagunçadas por causa de algumas pesquisas que havia começado há fazer aquela semana, assisti um filme que fez minha mente ferver de ideias e eu precisava escrever elas, no final fiquei dois dias sem dormi fazendo pesquisas e bagunçando meu quarto.

- Eu expliquei sobre o natal.

- Eu sei, isso é apenas uma piada.

Ele desviou o olhar de uma folha a onde eu havia feito algumas anotações sobre o clima da região no Havaí para mim.

- Rin me fez trazer seus presentes, quando soube que você não voltaria amanhã para Tóquio.

- Como assim? Ela sabe voltarei amanhã, falei com ela hoje de manhã.

- Tenho alguns planos para esse mês com você. – Balancei a cabeça sem entender, às vezes eu gostaria que ele notasse que precisava falar com mais coerência as coisas e soubesse que não sou advinha. – Estava pensando, que a última vez que estivemos em Naha, não foi muito agradável, estava pensando em lhe compensar.

- Então seu presente para mim, é uma viagem para Naha?

- Apenas o de natal. Aniversário você saberá quando chegar lá.

- Espera, quanto tempo ficaremos lá?

- Apenas duas semanas, Shinji Jakotsu deseja sua presença na confraternização de enceramento do drama. Apenas por isso voltaremos antes.

- Antes?

- Pretendia ficar o mês em Okinawa, pesquisei sobre o local e mesmo um mês é pouco tempo para se conhecer tudo.

- E seu trabalho?

- Férias.

- Você disse que nunca tira férias.

- Correção, eu disse que nunca tirei.

- Você tirou férias para viajar comigo?

- Só agora percebeu?

Sorri como uma adolescente boba que descobre que o menino que gosta corresponde seus sentimentos.

- A viagem é apenas para compensar o fato de você ter sumido no natal e ano novo?

- Não me importo com essas datas subestimadas pela massa a onde o verdadeiro significado é o consumo mercantil.

- Como você é insensível. – Resmunguei rolando os olhos. – E os meus presentes?

- No carro com sua mala.

- Você foi à minha casa fazer a minha mala?

- Eu nunca faria isso.

- Mandou a coitada da sua secretaria?

- Ela é paga para fazer o que eu mando.

Voltei a rolar os olhos, mas agora suspirei. Nunca vou entender como ele consegue ficar passando dos extremos de "fofo" para "demônio" em segundos?

- O carro esta aberto?

- Não.

- As chaves, quero os meus presentes.

- Por que acha que é mais de um?

- Por que se a Rin não me mandar um de natal depois daqueles chocolates caros que me fez comprar, eu mato ela. Simples.

Ele tirou a chave do carro do bolso da calça jeans que usava, quando fui pegá-la de suas mãos ele esticou o braço me fazendo ter que ficar na ponta dos pés com uma das mãos apoiada em seu peito para tentar pegar a bendita chave, eu estava preste a reclamar como ele estava sendo infantil quando o senti me beijar, continuei na ponta dos pés até senti-lo se curvar puxando minha cintura deixando nossos corpos colocados um ao outro.

- Você deveria estar mais preocupada com o que eu tenho para lhe dar de aniversário do que com o que minha irmã e seus amigos enviaram. – Ele falou "amigos" com aquele desdém típico.

- A viagem não é o presente?

- Não, a viagem é um mimo.

- Está me mimando Sesshomaru Taisho?

- Vai querer o presente ou não? Ainda posso devolver e restituir meu dinheiro.

- Eu quero o presente.

- Encontre-o.

- Como?

- Esta na minha roupa, encontre-o.

Rolei os olhos sem entender o que ele pretendia com aquilo, observei a roupa que ele estava usando, calça jeans preto e camisa branca sob um paletó preto. Social esportivo. Suspirei e comecei a tatear os bolsos do paletó.

- Por que eu tenho que achar? – Resmunguei passando mão pelos bolsos da calça dele. – Não achei.

- Procure direito.

- Mas que coisa, você faz isso só por que eu sou curiosa. – Resmunguei vasculhando os bolsos do paletó dele mais uma vez. – Se o meu pai entrar no quarto e me ver bolinando você dessa forma, vou ouvir pelo resto de minha vida.

- Paletó tem bolsos internos. – Ele comentou completamente alheio ao que eu havia dito.

Suspirei e voltei minha atenção para os bolsos internos do paletó, no primeiro que tateei senti um relevo, coloquei minha mão dentro do bolso para capturar uma pequena caixinha de veludo. Meu coração falhou uma batida quando a pequena caixinha de veludo entrou em meu campo de visão.

- O que é?

- Abra.

Sabe quando você engole a saliva, mas você acaba se engasgando com ela?

Foi isso que me aconteceu, eu tossi algumas vezes fazendo apenas com que Sesshomaru erguesse a sobrancelha esquerda parecendo entediado, ele nem mesmo me deu alguns tapinhas nas costas para me ajudar com a tosse, maldito insensível.

Respirei fundo quando finalmente consegui parar de tossir e abri a caixinha de veludo. Minha mente parou de funcionar por alguns segundos enquanto eu observava o delicado anel ali dentro. O peguei notando minha mão tremer ligeiramente, fiquei rezando para todos os deuses o que o homem já idolatrou em toda a história para que Sesshomaru não notasse que eu estava tremendo.

Comecei a repetir para mim mesma que aquilo era apenas um anel e que não havia qualquer outro tipo de significado por trás dele. Afinal, por que haveria?

Eu sabia que Sesshomaru gostava de mim e que estava apaixonado, era impossível não notar com tantos sinais involuntários que ele mandava com suas atitudes, mas não é do estilo dele dar um anel de noivado apenas por estar apaixonado, mesmo que esse sentimento não preencha seu ser regularmente.

Além do mais, eu já havia tido namoro longo o qual não houve se quer qualquer cogitação de casamento, levando-se em conta o tempo em que estamos juntos, seria precipitado demais se realmente fosse aquilo que o anel estivesse simbolizando.

Você apenas pensa em se casar quando realmente ama alguém. E que simplesmente sinta que não quer mais viver longe dela. Você quer criar um elo com essa pessoa, um elo forte e duradouro.

Não sou exatamente do tipo romântica, mas tenho alguns ideais românticos. Eu realmente acredito que casamento é algo serio e de certa forma fico zangada quando noto o quanto esse valor importante de "união de duas pessoas para compartilharem suas vidas" se tornou subestimado pela sociedade atual.

Desviei o olhar do anel para Sesshomaru, ele estava com os braços paralelos ao corpo com os punhos cerrados, não estava muito certa se aquele gesto indicava nervosismo, pensando bem, acredito que sim, ele estava visivelmente esperando pela minha ação, pronto para corresponder a ela de forma que não abalasse sua imagem de homem frigido sem sentimentos. Tirei o anel da caixinha e tentei colocá-lo em meu dedo indicador, afinal, ele não poderia significar o que eu estava cogitando, mas Sesshomaru finalmente se moveu e tirou o anel de minha mão, o colocou em meu dedo anelar direito, o que fez meu coração falhar outra batida e em seguida disparar com um louco que notou que o tiro da largada da corrida havia sido dado.

- O que isso significa?

- Como você não tem anel de formatura, resolvi lhe dar um. – Tombei a cabeça para o lado confusa, ele suspiro ainda segurando minha mão. – Você também nunca facilita as coisas para mim, já percebeu?

- Você me dá um anel altamente suspeito e quer que eu adivinhe o significado? Você tem a obrigação moral de me explicar para que eu não fique cogitando besteiras.

- As besteiras que você deve estar cogitando é... – Ele soltou a minha mão e coçou o queixo por um instante ponderando. – "É muito cedo, não deve ser esse o significado, ele deve estar zombando de mim mais uma vez".

- Não havia pensando em zombar, mas agora que comentou... Se você estiver juro que lhe castro.

- Eu sei exatamente o que estou fazendo. E você deveria me conhecer suficientemente bem para saber que esse tipo de atitude não viria de minha pessoa para fazer uma piada para meu deleite.

- Então é mesmo um anel de noivado?

- Não, é um anel comum, mas ele só havia nesse tamanho na loja. – Minha cabeça pendeu para o outro lado enquanto eu voltava a ficar confusa, mas antes que minha ficha caísse e eu ficasse brava, ele suspiro e falou com uma voz mansa, que provavelmente era a mais carinhosa que já ouvira dele. – Sim, Kagome, é um anel de noivado.

- Você esta me pedindo em casamento?

- Acredito que seja esse o significado de noivado.

Precisei me sentar na cama, Sesshomaru fez menção de se aproximar de mim, mas eu ergui a mão indicando que era para ele não se aproximar. Respirei fundo enquanto juntava as informações em minha mente.

- Você realmente esta me pedindo em casamento? Você realmente quer se casar comigo?

- Não compraria um anel se não tivesse certeza.

- Mas... por que? – Questionei completamente atordoada com aquele pedido, como se realmente não fosse possível que ele estivesse me propondo casamento.

- Por que? Pensei que o pedido deixava minhas intenções implícitas.

- Você não me fez um pedido de verdade, na verdade.

- Eu te dei um anel.

- Mas não pediu.

Ele soltou um suspiro pesaroso e com uma pitada de irritação, em seguida se ajoelhou na minha frente, tudo bem, ele poderia ter segurado minha mão e feito o pedido de forma muito amorosa, mas isso não seria um ato de Sesshomaru.

O que ele fez?

Tirou o anel e se levantou, me fazendo piscar algumas vezes enquanto minha ficha caía e eu saltava em seu pescoço.

- Espera!

- Sua hesitação me mostra que não deseja se casar.

- Eu nunca disse que não queria, eu só não entendi o motivo de você querer.

- Qual outro motivo além do fato de eu te amar?

- Talvez po... o que disse?

Ele segurou meus braços me fazendo afastar, em seguida voltou a colocar o anel em meu dedo anelar, mas dessa vez segurou minha mão.

- Você me ouviu perfeitamente.

- Seu orgulho não permite que você repita?

- Exatamente.

Ri o abraçando pelo pescoço depositando um leve beijo em seus lábios.

- Eu também amo você. Mesmo você sendo um demônio encarnado em pele de homem.

- Isso foi um elogio?

- Não.

- Imaginei. Devo acreditar que o seu "sim" foi tácito, por causa do beijo.

- Seu pedido foi indireto, nada como um sim indireto para responder a altura, não acha?

- Acho. – E então ele me beijou novamente.

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Eu estava sentada na cadeira entre meus pais – pois o meu pai me obrigou a sentar ali para me manter longe de Sesshomaru, afinal havia entrado em meu quarto e nos encontrado aos beijos –, meu atual mais novo noivo estava na cadeira de fronte a mim ao lado de minha prima Misaki e Reiko – a ultima vermelha. Minha tia fazia comentários sobre o como meu pai estava sendo ridículo com aquela atitude super protetora enquanto minha mãe servia o meu irmão o qual se levantou apontando para mim.

Foi tão repentino o movimento do Souta que eu soltei um grito quando ele pulou em mim pegando minha mão, e fazendo ambos irem ao chão enquanto meu pai exclamava um "você ficou louco menino?", mas não foi o homem que estava ao meu lado que ergueu meu irmão de cima de mim, mas sim o que estava de fronte a mim que ergueu Souta pelo colarinho da camisa com apenas uma mão, enquanto que a outra foi estendida para mim, quando segurei a mão de Sesshomaru notei que meu irmão estava segurando a minha outra mão.

Minha mãe levou a mão a boca finalmente notando o anel em minha mão enquanto minha tia e minhas primas a imitavam, meu pai soltou um palavrão e logo foi contido pela esposa que o acertou na nuca e o segurou, Souta ainda segurava minha mão com a boca entreaberta.

- Vocês estão noivos? – Perguntou minha mãe finalmente.

- Sim. – Sesshomaru respondeu simplesmente soltando meu irmão que ainda estava alguns centímetros do chão.

- Kagome vai se casar? Mas... mas... mas... Senhor Sesshomaru melhor pensar mais sobre o assunto.

Eu apenas não bati na minha mãe por causa do que ela disse, pois ela é minha mãe eu preso minha vida. O resto da noite foi resumido em meu pai morrendo de ciúmes dizendo que sou nova demais para se casar, enquanto minha mãe começava traçar planos sobre como seria o casamento, minha tia e minha prima ajudando ela e minha priminha em meu colo dizendo que tinha muita sorte em me casar com alguém tão lindo. Quanto ao meu irmão, ele resmungou que precisava ir para o quarto lamentar por perder sua companhia de natal, precisei lembra-lo que uma namorada viria bem a calhar nesses momentos.

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Eu quase pulei no colo do meu namorado/noivo e comecei a distribuir beijos pelo seu rosto quando ele parou de fronte a um hotel tradicional m Naha. Era como se ele tivesse lido minha mente e soubesse que eu estava louca para ir em um desses hotéis para fazer uma pesquisa sobre o comportamento dos funcionários e dos donos em respeito a esse tipo de estalagem. Mas minha vontade de agarrar ele e ficar o beijando passou completamente quando soube que ficaríamos no mesmo quarto. Pode parecer torpe o motivo eu querer matar ele, mas é que eu sou japonesa e ficar no mesmo quarto que ele me deixou sem graça.

Todavia toda minha vontade de afogar ele nas termas desapareceu quando entrei no quarto, que era simplesmente maravilhoso, completamente tradicional, tatame, as portas de madeira e papel opaco com caricaturas de árvores. Caminhei pelo quarto o observando cuidadosamente, sorri quando me virei para olhar Sesshomaru que estava com as mãos dentro do bolso da calça me olhando.

- Aqui e lindo.

Ele se aproximou tirando as mãos do bolso e as repousou em minha cintura.

- Agradeça a Rin. Ela escolheu o local.

- Não me deixe esquecer de agradecer a ela então. – Sorri e dei um selinho demorado nele, em seguida me dirigi até minha mala. – Agora coloque um calção de banho, vamos para praia.

- Você vai usar esse biquíni? – Ele me questionou quando me viu segurar um par de biquíni vermelho.

- Prefere que eu vá nua?

- Vai usar um vestido por cima deles.

- Me obrigue.

- Desafio aceito. – Foi a última coisa que ele me disse pela próxima meia hora.

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Eu queria matar o Sesshomaru, como ele ousa esconder a coleção do Stephen King que eu ganhei do Nick de aniversário. Disse que só me devolveria depois da viagem. Eu quero matar esse desgraçado que estava deitado na toalha de banho trajando apenas um calção de banho sustentando aquele nariz empinado e olhar de vencedor. Dei um soco no ombro dele e voltei minha atenção para o mar... aquele idiota realmente havia me feito ficar de vestido na praia. Quero entrar na água, mas não posso pois ele não vai me devolver os livros se eu tirar o maldito vestido.

- Está tão quente. – Reclamei puxando a gola do vestido.

- Compre um sorvete.

Estreitei os olhos e me movi sentando no estômago dele, abaixei meu tronco alguns centímetros enquanto apertava o dedo indicador sobre o nariz de Sesshomaru que apenas ergueu sua sobrancelha esquerda.

- Eu quero nadar, estamos em uma praia e é uma tortura não entrar na água nesse dia quente.

Ele se sentou me fazendo escorregar para o seu colo, olhou para o mar em seguida para as pessoas que estavam na praia, estreitou os olhos e soltou uma leve bufada ao constatar um grupo de rapazes jogando vôlei.

- Se quer perder os livros autografados, tire o vestido. – Ele falou entre os dentes enquanto voltava a se deitar.

Se ele queria jogar sujo, então eu também jogaria, por isso me levante e segui para o mar entrando nele de vestido e sandália, contei mentalmente até dez, como previsto, foi o tempo necessário para Sesshomaru me segurar pela cintura me fazendo ficar de frente a ele. O vestido era branco e naquele momento todo o meu biquíni estava visível.

- Estou de vestido. – Falei o fazendo me encarar, pude notar raiva em seus olhos, algo que era raro de se notar.

- Vamos para o hotel.

- Se eu sair daqui todos vão me ver.

Ele respirou fundo e quando dei por mim estava sendo levada para o fundo, o abracei pelo pescoço quando não consegui mais ficar com os pés no chão. Quando ele parou de andar, o senti ergue meu vestido, me afastei um pouco para que ele pudesse tira-lo.

- Então vamos esperar todos irem embora para que eu possa pegar a toalha e lhe cobrir.

- A maré vai levar meu vestido embora.

- Ela vai levar ele pra praia.

Voltei a abraçá-lo pelo pescoço e sorri esquecendo a raiva, ele estava sendo muito fofo com ciúmes, mesmo que o fofo dele pende para um "irritante desgraçado que merece uma morte dolorosa".

- Vamos mesmo ficar aqui até todos saírem?

- Se for preciso.

- Você é louco. – Ri enquanto ele me erguia me fazendo ficar com o rosto mais próximo do seu. – Por que me trás a praia se fica morrendo de ciúmes dos outros homens me verem de biquíni?

- Não estou com ciúmes.

- Ae? Então por que esta tendo essas atitudes para evitar que me vejam de biquíni?

- Não é ciúmes, apenas quero evitar ter dor de cabeça para ocultar os cadáveres dos idiotas que vierem lhe aborda.

- De onde eu venho isso se chama ciúmes.

- Que seja. – ele respondeu contra gosto, ri dando um selinho demorado nele em seguida. – Vai começar um novo livro ou apenas fez aquelas pesquisas por distração?

- Irei começar um novo livro sim, mas ainda preciso fazer mais pesquisas e estabelecer um padrão para os personagens, apenas tenho um traçado do que quero. Mas fique tranqüilo, não vou lhe usar novamente como fonte de inspiração para desenvolver um personagem. Mesmo que todos digam que Sadao é o personagem mais complexo e cativante que eu já criei.

- Cativante?

- Eu sei, blasfêmia.

- Concordo.

- Quando eu fizer o primeiro capítulo vou querer seu olhar analítico na estória. Gosto de suas observações sobre o que escrevo.

- Eu nunca opinei muito sobre que você escreve.

- Não diretamente.

- Você viu os livros na minha sala?

- Claro que vi. Alias, quero acesso aquela sua estante.

- Você tem acesso a ela desde que se tornou minha namorada.

- Como? Temos que voltar para Tóquio.

A ideia de voltar para Tóquio não durou por muito tempo, na verdade, foi necessário apenas um beijo para me fazer esquecer aquilo.

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A confraternização de encerramento começou com a abordagem nada gentil de Jakotsu, que passou vinte e três minutos me xingando por ter ficado noiva e ele ter apenas descoberto pois a noticia chegou ao ouvidos de Sango que deu com a língua nos dentes. Aparentemente minha mãe ligou para a mãe da Rin – eu nem saia que ela se conheciam – as duas ficaram trocando figurinhas por telefone, logo Rin soube da notícia e a espalhou para todos. Sendo assim, quando cheguei em Tóquio minha caixa de mensagem do telefone fixo estava lotada, fui muito xingada por esquecer o celular na casa dos meus pais.

Jakotsu apenas me deixou ir quando Sesshomaru chegou repousando o braço sobre meu ombro me guiando para longe do meu amigo, Sango logo veio com Miroku ao nosso encontro e me abraçou me felicitando enquanto miroku resmungava sobre como as crianças cresciam rápido hoje em dia, levei um tremendo susto quando vi Rin e Yuri se aproximando, o ultimo me puxou para um canto e começou a reclamar que eu havia ficado noiva antes dele e que isso era muito injusto, já que ele havia tido o desejo de se casar antes de mim. Rin ouviu e os dois ficaram se encarando sem graça enquanto Sesshomaru estreitava os olhos, precisei me apressar em tirar meu noivo de lá antes que ele fizesse algo que me obrigasse a ignorá-lo pelo resto de minha vida.

- Ele vai pedir ela em casamento e você sabia.

- Ele me contou no dia em que vi uma foto sua com uma certa atriz, a qual está aqui nesse momento, o que me faz lembrar...

- Esqueça isso. – Ele resmungou repousando a mão sobre a minha cintura e começando a andar pelo salão que estávamos usando para confraternização, parou na frente da mesa de petisco a onde eu me servi de suco de laranja.

- Kagome, quase esqueci de lhe dizer. – Falou Jakotsu chamando minha atenção. – Você foi indicada como melhor roteirista para o Festival de Drama do Japão. Prepara um espaço na sua estante para o troféu, bebê.

- Como se eu fosse mesmo ganhar. – Respondi rindo.

- Claro que vai... por que o suco? Temos grande variedade de bebidas aqui, não me diga que está grávida? – Ele levou a mão até a boca. – Isso explica o casamento.

- Eu não estou grávida. – Repliquei corando, como esses idiotas dos meus amigos gostam de me engravidar indevidamente.

- Que pena, seria muito divino você e a Sango grávidas ao mesmo tempo.

- Ela está... SANGO SUA PUTA DE ESQUINA, VOCÊ ESTA GRÁVIDA?! - Sai de encontro a minha amiga que se escondeu atrás do marido.

- Eu esqueci de falar, fiquei sabendo semana passada.

- Você tinha obrigação de me mandar um pombo correio!

- Você não me contou que ficou noiva, estamos quites.

- Estamos quites o seu rabo, você veio brigar comigo por que não contei que estava noiva e você nem me disse que o Miroku te emprenhou.

- Na verdade, eu emprenhei ela. – Se manifestou Bankotsu ao nosso lado, logo ele saiu correndo de Miroku que estava armado com hashi.

- Eu apenas te perdoou pois vou roubar seu bebê assim que nascer. – Sango riu e eu a abracei a felicitando. – PARABÉNS A VOCÊ TAMBÉM BANKOTSU, POR TER EMPRENHADO A SANGO.

- TEU CU! – Ouvi Miroku gritar enquanto Bankotsu subia em uma cadeira fazendo reverências.

Sesshomaru repousou a mão sobre o meu ombro, me fazendo lembrar que ele ainda estava na festa, mesmo a contra gosto. Precisei dar uma cotovelada em sua costela para fazê-lo resmungar um "parabéns" para Sango. Como castigo peguei o prato com um sanduiche de atum que ele segurava e nem havia começado a comer. Dez minutos depois enquanto eu conversava sobre enjoos de grávidas com Sango, a qual esfregava na cara de todos que ela não tinha nenhum mal estar e apenas suspeitou da gravidez por causa da menstruação atrasada, precisei correr para o banheiro por culpa de uma ânsia que surgiu simplesmente do nada. Enquanto eu expelia meu estomago pela boca, ouvi Rin bater na porta questionando se eu estava bem, quando sai vi os meus amigos me esperando, foi Sango que empurrou Sesshomaru em minha direção dizendo que era melhor me levar para o hospital pois eu estava muito pálida, voltei para o banheiro antes dele dar um passo em minha direção.

- Kagome. – Ouvi Rin novamente me chamar. – Abre a porta. – Eu estava ocupada demais para conseguir responder, então ela tornou a me chamar. – Kagome...

- Kagome. Abre a porta. – Ouvi Sesshomaru me chamar.

- Será que ela desmaiou? – Aquela era a voz de Sango.

Ouvi um baque na porta, aquele de quando um corpo se choca contra madeira, o trinco cedeu facilmente e a porta apenas não abriu com brutalidade pois aquele havia arrombado tomara cuidado suficiente de segurar a maçaneta impedindo que a abertura fosse brusca. Antes de perde os sentidos consegui ver Sesshomaru vim ao meu encontro repousando a mão na minha testa, me senti ser suspensa no ar um segundo antes de perde a consciência.

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Tudo em um hospital é ruim, principalmente a comida. Será que as pessoas não entendem que um paciente feliz é um paciente bem alimentado e que um dos prazeres da vida é comida, ou seja, se você satisfaz um prazer de uma pessoa, esta fica feliz, pessoa feliz é pessoa saudável. Chances de recuperação muito maiores.

Eu acordei no hospital, sem saber o motivo de estar ali, mas sorri ao ver Sesshomaru sentado em uma cadeira ao lado de minha cama com a cabeça levemente tombada para o lado em um sono profundo. Aos poucos flashs sobre o que havia acontecido na festa de confraternização. Um enjoou enquanto se falava de gravidez, até parecia alguma espécie de praga do Jakotsu. Agora todos daquela festa vão pensar que vou me casar por estar grávida.

O único problema era que eu não estava grávida.

Como eu ia convencer as pessoas agora?

Por que diabos eu tinha que ter passado tão mal de um enjoou naquele momento?

Em minha mente começou a transcorrer tantos pensamentos que comecei a ficar com dor de cabeça, em minha mente começava se fora a ideia de que:

E se eu estivesse realmente grávida.

Mas não séria possível, apesar de que eu também não achava possível Sesshomaru Taisho me pedir em casamento e ali estava o meu anel de noivado em meu dedo anelar direito.

Comecei a respirar fundo em um ataque de pânico, Sesshomaru despertou em um sobressalto e se levantou repousando a mão sobre minhas costas.

- Se acalme... Kagome, calma.

- O que houve? - Questionei após respirar fundo duas vezes.

- Você passou mal com o atum do sanduiche.

Respirei fundo mais uma vez, então era aquilo, um maldito atum havia me feito expelir parte do meu estômago.

- Aposto que estão todos comentando sobre eu estar grávida de novo. - Resmunguei me acomodando na cama, Sesshomaru fez um gesto para eu me afastar um pouco, dei espaço para ele se deitar comigo, sorri repousando a cabeça sobre o peito dele. - Assim como aposto que estão dizendo que vamos nos casar por eu estar grávida.

- Desde quando se importa com que dizem?

- Desde que chegue nos ouvidos dos meus pais e minha mãe comecei a comprar o enxoval e meu pai apareça com uma escopeta para lhe matar.

- Não importa, e por mais que você não esteja agora, um dia irá ficar.

- Isso é... como?

- Volte a descansar.

- Espera, você disse que quer filhos ou foi impressão minha?

- Filhos é conseqüência em um casamento. Além disso. A forma de fazê-los é muito prazerosa não acha?

- Cala a boca.

Não precisei erguer a vista para saber que ele estava dando um meio sorriso, zombando do fato deu estar completamente vermelha, mordi o peito dele em protesto, o fazendo resmungar baixinho, em seguida voltei a me acomodar.

- Oficialmente agora o drama acabou.

- Sim. Oficialmente você não é mais fonte de inspiração para um personagem fictício. O que você vai me dar de prêmio de consolação por perder o prêmio de melhor roteirista?

- Nada... você vai ganhar o prêmio.

- Apostando tanto assim em mim?

- Você é minha noiva, tem a obrigação de vencer.

- Agora me senti pressionada.

- Se você não vencer terei que lhe castigar com alguns relatórios em árabe para você transcrever em japonês.

- Te mato.

- Está avisada.

- Não tem como você me obrigar.

- Quer apostar?

- Maldito.

Para minha integridade mental, felizmente eu recebi o prêmio de melhor roteirista de drama, o que fez com que minha caixa de e-mail ficasse cheia de proposta de diretores e meu telefone celular não parece de tocar com novas propostas. Contudo, eu estava ocupada demais com meu casamento e novo livro para aceitar ser roteirista de um novo drama, por isso minha vida como roteirista de dramas estava inativa por tempo indeterminado e aquele prêmio foi definitivamente o final com chave de ouro daquela etapa de minha vida profissional, mas apenas uma fração das minhas realizações pessoais.


Nota da Autora: Vou editar Personagem Fictício inteiro, então paciência com os erros de ortografia. Epilogo poderá demorar um pouco, mas vai sair. Explicações maiores sobre a re-edição no epilogo, agradeço a todos que comentaram e espero suas opiniões sobre esse capítulo, ACABOU MINHA GENTE!