Narcissa

Você costumava se sentir protegida ao lado dela, não era? Andromeda era exatamente a irmã do meio, a que representava o equilíbrio entre vocês. Você amava quando ela chamava seu nome, Narcissa. Ela o fazia de um modo diferente, um sussurrar em meio a um sorriso. Ninguém tinha o sorriso bonito como o dela. Andromeda sempre lhe lembraria o outono, era a estação favorita dela. Os olhos castanhos se pareciam com aquelas folhas secas que cobriam os jardins da mansão, era pra lá que Andromeda lhe levava sempre queria lhe contar histórias. Ah, e como ela as contava bem. Falava de lugares e seres fantásticos sobre os quais nunca ouvira falar, mas eram sem dúvidas impressionantes. Melhor até do que as histórias de sua mãe, mesmo que jamais viesse a admitir na frente dela. Sua mãe se ofenderia, e você a amava. Porém uma história a preocupou e quando Andromeda admitiu ser a sua favorita você não gostou. Ela contava a história de uma princesa aprisionada, o nome dela também era Andromeda. Mas ela fora resgatada por um jovem chamado Perseu, aquele era o nome de seu herói, aquele que levara a princesa para bem longe de seus pais, causadores de todo o seu sofrimento. Você disse a Andromeda que não gostara da historia, ela lhe disse que deveria deixar de bobagens, pois era um conto como qualquer outro. Era difícil dizer não a ela, principalmente quando ela sorria daquela forma doce. E você assentiu. Mas jamais esqueceu a história, não é, Narcissa? Tinha medo de que alguém levasse a princesa para longe. Mas nada disse. Andromeda continuava sendo seu ponto de equilíbrio. Ela gostava de trançar os seus cabelos, e você amava ficar bonita. Gostava quando ela retirava de caixa de madeira aquelas fitas das mais variadas cores e texturas e as entrelaçava a seus fios longos e louros, enquanto conversavam sobre músicas, livros e poesias. Bellatrix raramente estava presente nestes momentos, ela não gostava de poesias. Finalmente você fora para Hogwarts, e agora podia ficar perto das três, e durante um bom tempo isso funcionou. Eram um trio perfeito, forte e invencível, e tudo isso porque vocês estavam unidas. Mas então você a viu cumprimentar aquele garoto loiro, ele não era bonito como Lucius Malfoy, pelo menos não á seu modo de ver. Ele era Ravenclaw, o azul da gravata o denunciava. Você perguntou a Andromeda quem ele era, ela disse que ele se chamava Theodore. Sem mais. Mas você era curiosa Narcissa, e você quis saber, você precisava. E após alguns dias, sem maiores dificuldades descobriu que ele se chamava Theodore Perseu Tonks. Seu coração se apertou, ele tinha o nome do herói. Mas para você, Narcissa, ele sempre seria o vilão. Por culpa dele o seu ponto de equilíbrio se fora, Bellatrix se tornava cada vez mais louca e você não tinha mais com quem falar sobre livros, musica e poesia. E então você sentiu vergonha. Porque você sempre fora perfeita. Ela também manchara seu nome, sua honra. Ah Narcissa, você amava sua mãe, e quando viu os olhos azuis, idênticos aos seus, banhados de lágrimas jurou a si mesma que a encheria de orgulho. Que o borrão carbonizado em sua tapeçaria não lhes faria falta. Era isso que Andromeda seria; apenas um borrão em sua história. Você seria perfeita Narcissa. E juntou esquecê-la. Mas a verdade é que todo outono você se entristecia, era a estação dela. Você odiava o outono.


N/A: Capítulo dedicado a Maria Fernanda, a minha Narcissa no RPG.