Shop, Sanctuary!
A vinda de Saori.
Eu estava em casa, lavando roupa (pois a máquina havia quebrado), enquanto as armaduras, levemente polidas, estavam secando em algum lugar da casa que os rapazes inventaram de colocar. Os amigos servem para ajudar, ainda mais cavaleiros que não tem a vida fácil, mas ganham uma graninha extra no final das contas. Mu de Áries, paciência em pessoa, veio deixar as outras armaduras douradas aqui e logo pegou viagem de volta para casa. Agora se perguntem "Por que diabos, Afrodite de Peixes está lavando e polindo?" ou então "Inventaram de lavar as armaduras em pleno inverno natalino?". Então, eu mesmo, Afrodite de carne e osso, respondo: "Dispensei a minha empregada! Aquela mocréia só sabia bisbilhotar a minha vida!". Eu não a perdoarei por isso, no entanto, só não a matei porque ela também é uma das empregadas de Atena. Não seja pelo frio, minha beleza permanecerá intacta até a minha morte.
Ouvi um breve sopro dos ventos baterem nas janelas da casa. Por não ter ficado no Santuário, o ambiente parecia estranho. Porém, o principal não faltava: rosas, por enquanto inofensivas, mas ainda assim rosas cobertas por neve. "Blem". Era a campainha. Eu me dirigi à porta. Mas... Esperem! Eu estava de avental. Não demorou muito para que eu arrancasse aquele monte de pano amarrado no corpo. Poderia ser o carteiro, certo?
- Olá, Afrodite! – A imagem de Atena surgiu defronte a mim, parecendo um pingüim de cabelo lilás.
- A-ah, Saori! Surpresa, huh? – Soltei mais que depressa, mesmo assim com cuidado, meus delicados fios de cabelo azuis.
A minha casa sempre esteve impecável, exceto hoje. Ah, a animação do Natal. Cavaleiro também gosta de festa. Fomos até o sofá, enquanto servi um chocolate quente.
- Bom, cavaleiro... Digo, digo Afrodite! Eu não vim aqui como a Atena, apenas a Saori que busca algumas dicas, conselhos...
- Conselhos? Ah, eu não sou muito bom nisso! No entanto, está mais que na cara que o Julian Solo é melhor que o Seiya, ele até arrumou uma confusão com a Shina, você sabe! – Só me faltava essa, ser conselheiro. Amoroso então! Saori, Saori! Eu fiquei pensando cismado. – Mas...
- Não! Não é isso! – Disse ela toda envergonhadinha debaixo daquela roupa quentinha e plumas. – Na verdade, você bem sabe que todos os anos eu comemoro o Natal com vocês, cavaleiros e amazonas, meus únicos familiares. Esse ano, eu quero mudar um pouco, fazer algo diferente, a começar pela decoração! Por isso te encarrego disso.
- O que? A decoração? Atena... – Saltei do sofá como um lince cominha em direção à presa. – Ah, Zeus! Eu me sinto honrado. Mas... Rá, irá deixar mesmo eu mexer naquela decoração?
- Sim, eu deixarei! E se quiser, pode opinar sobre o cardápio!
Ganhei o ano! Fiquei mais aliviado, afinal de contas, aquela espelunca real precisa mesmo de alguém que entenda do assunto. O babado é: por que logo assim, de uma hora para outra? Também, antes tarde do que nunca.
- Olha só. A minha casa está uma bagunça, mas nem se preocupe, está limpinha! – Empurrei a almofada e aconcheguei-me novamente no sofá belga que comprei um dia desses. – Vamos resolver esse assunto quando?
- Hoje? Agora mesmo! Tenho tempo de sobra para resolver isso contigo!
- Ainda não caiu a ficha! Vou mesmo decorar a casa, certo? Há! Eu já volto, vou trocar a roupa.
Quatro minutos depois e eu me arrumei: uma calça preta, a blusa branca com uma gola e o cabelo solto. Exemplo de bom gosto, oras! No entanto, novamente a campainha toca.
- Não! Vamos entrando Shaka, venha! – Era o italiano mais comilão que eu conheci em toda minha vida. Máscara da Morte havia aberto a porta enquanto puxava o cavaleiro de Virgem para dentro da casa.
- Máscara da Morte? – Eu tomei um susto. Eu fiquei semitransparente. As veias mapearam o meu corpo. Porém, o olhar de Atena lançado sobre mim, tirou a transparência, marcando o 'rosa-vergonha' em minha face.
- O que foi? Não posso usar a chave daqui agora? – Perguntou o safado do MDM.
Todos olharam para Afrodite. O cavaleiro de Virgem também, sim senhor! Pensas que ele é um santo ferrenho?
- Atena, me perdoe. – Ele a reverenciou. – Eu não sabia que estava aqui.
Apostaria meu quadro do Picasso que o Shaka tentou avisar. O dourado da sexta casa do Santuário foi de pressa pegar as armaduras já arrumadas, enfrentando o frio do inverno, sem pensar duas vezes.
- Acalme-se Máscara da Morte. Eu não vim aqui como Atena e sim como a Saori, amiga dos cavaleiros.
- Hm, amiga, hein? – O canceriano me fuzilou com o olhar, como se o assunto fosse algo obnóxio. – Então eu vou pegar as armaduras mais... o Shaka que pelo visto se adiantou. Enquanto vocês se divertem. – Eu tive medo daquele sorriso sarcástico da sua face.
- Rum! – Então o ataquei automaticamente nas nádegas com os espinhos das rosas inofensivas. – Isso, vá mesmo. – Nem liguei para os gritos de dor.
Essa situação desagradável não afetou minha beleza sobrenatural. "Agora aguente firme, vamos enfrentar esse friozinho!". Sorri para Saori, sua face estarrecida fazia o ar da graça. Até que ouvi seu comentário.
- Nossa, vocês são bem unidos, hein. Até a chave da casa vocês têm em comum. Isso é bonito.
- Sim, sim. Mas é só para fins emergenciais. – Puxei-a pelos braços e fomos enfrentar toda aquela neve e vento forte juntos até um lugarzinho aqui perto.
Nota: Espero que tenham gostado. E também de que gostem dos próximos capítulos. Fiz de coração essa fanfic. Eu já estava planejando postar algo do tipo faz um tempo, então aproveitei essa chance e criei.
Anna Tanury.
